terça-feira, 17 de outubro de 2017

A santificação provém da justificação!

22 de outubro de 2017
20º Domingo após Pentecostes
Sl 96.1-9; Is 45.1-7; 1Ts 1.1-10; Mt 22.15-22
Tema: A santificação provém da justificação!

Em 18 de maio de 1518, numa carta a Espalatino, Martinho assinou a mesma como Martinus Eleutherius. Eleutherius significa o liberto. Desse nome surgiu a nova grafia, “Lutherus, Luther” (Lutero).
Os luteranos são “os libertos”. Libertos do pecado, do diabo e do inferno. Por causa dessa libertação, vivem a verdadeira liberdade cristã.
O cristão vive nesse mundo sabendo que é governado por Deus através de dois regimes: o espiritual e civil.
A pergunta feita à Jesus se é ou não licito pagar impostos a César era uma pegadinha.
César, imperador romano, representava as forças militares de ocupação na Palestina. Os romanos haviam conquistado a Palestina desde 63 a.C. e cobravam impostos dos judeus para manter o território em paz e segurança. Muitos eram contrários a esse domínio.
Assim, a pergunta capciosa feita à Jesus na verdade tinha como objetivo jogar Jesus contra o povo. Se Jesus respondesse “não” seria preso como revolucionário. Se caso respondesse “sim” seria tido como opressor aliado da cúpula romana. Mas, a resposta de Jesus tem duas partes: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).
1 – Devolva o que recebeu de quem recebeu
Em sua resposta, Jesus omite a palavra “imposto” assim como entendido na época. O verbo usado para imposto era “didomi” (dar, pagar). Na resposta, Jesus se expressa com o verbo “apodidomi – apódote” (Mt 22.21), que vai além do sentido “pagar”. Apodidomi pode significar dar de volta. Com isso, Jesus diz que a devolução não era um pagamento de imposto, mas, entregar o que se tem de quem recebeu (Mc 10.42; Lc 23.2). Devolva o que você recebeu, de quem você recebeu.
“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).
O fariseu não perguntou, mas, Jesus faz uma referência direta a Deus. E ao responder que é preciso devolver o que recebeu de quem recebeu, Jesus na verdade está levando aqueles fariseus a reflexão sobre onde está a fé.
Qualquer judeu ao ouvir a resposta “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21), responderia a Jesus dizendo que “toda a terra” é de Deus (Dt 19.5; 26.8; Sl 136.22) e assim, toda a terra deve ser dada a ele.
“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).
2 – Visão ampla de Reino
A resposta de Jesus mostra o equilíbrio entre os dois reinos. O reino da mão direita e da mão esquerda.
César, as autoridades, só administram a vida pública (Pv 8.15). Deus, através do evangelho comanda, governa a vida.
Jesus não caiu na cilada dos fariseus. Afirmou que todas as coisas pertencem a Deus. Ao pagar os impostos, o cristão está devolvendo o que recebe de Deus.
Os impostos não são pagamentos! É uma forma de amor ao próximo, pois, pelos impostos se mantêm a saúde, a educação, a segurança. Infelizmente, vejo muitos cristãos não querendo mais pagar impostos pela alegação de que não estão recebendo o devido retorno em serviços públicos essenciais. Claro que isso é verdadeiro. Infelizmente, devido a corrupção o Brasil e principalmente os serviços públicos estão padecendo, mas, uma coisa, um fato, não justifica o outro.
Na época de Jesus, muitas pessoas achavam que a arrecadação de tributos não era correta, pois, eram cobrados na Palestina, mas revertidos em benefícios dos romanos e de Roma.
A solução não é ser um Tiradentes, ou seja, lutar contra os impostos da coroa portuguesa. O cristão é um cidadão do Reino de Deus com compromissos nesse mundo - inclusive na luta pelos mais fracos e desprotegidos. Se muitos de nossos representantes políticos estão desviando recursos, Deus lhes julgará e está lhes cobrando pela justiça humana. O que não pode acontecer é um cristão ser julgado pela sonegação de impostos.
As pessoas eram e são libertadas pelas palavras de Jesus. Todos Eleutherius (libertos) pela Palavra de Deus no Batismo, na Pregação, são chamados a viverem responsavelmente nesse mundo.
“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).
3 – Vida santificada
Um cristão vive sua fé cumprindo obrigações civis e públicas. A autoridade civil tem por obrigação, como representante de Deus nesse mundo, prestar serviços necessários à existência da sociedade organizada.
O cristão sabe e se não, precisa saber que, é governado por Deus por meio de duas mãos. A mão esquerda e a mão direita. Através das leis desse mundo e do Evangelho.
Na época de Lutero, muitas pessoas comprovam indulgências para se safar do purgatório. Outros doavam grandes quantias para construções de igrejas e capelas, mas esqueciam do real e verdadeiro amor ao próximo. O mesmo ocorre hoje.
Há aqueles que praticam o dízimo, mas sonegam imposto. Dessa maneira deixam de atuar na sociedade em favor do próximo.
Ser cristão, ser filho de Deus, não isenta das obrigações para com o Estado. Os dez mandamentos visam tanto a confissão de fé, bem como o excelente convívio em sociedade.
Não se pode justificar a prática da sonegação devido a corrupção das autoridades. O cristão é um bom cidadão. O cristão justificado vive sua vida santificada inclusive na politica, na luta por direitos e pelo uso correto do dinheiro dos impostos. 
O cristão batizado e crente sabe que recebeu de Jesus o pleno perdão. O cristão pertence a Deus e reconhece sua cidadania celestial, mas não abdica, e nem deixa de viver a sua cidadania terrena. O cristão sabe que não é do mundo, mas vive no mundo. Assim, convém perseverar na fé e no amor (1Ts 1.3) sabendo que esse mundo continua sendo governado por Deus (Is 45). Amém!


Pr Edson RonaldoTressmann

domingo, 8 de outubro de 2017

A justificação pela fé traz uma paz que excede todo entendimento!

15 de outubro de 2017
19º Domingo após Pentecostes
Sl 23; Is 25.6-9; Fp 4.4-13; Mt 22.1-14
Tema: A justificação pela fé traz uma paz que excede todo entendimento!

Quando o apóstolo Paulo escreveu sua carta aos filipenses a situação não era tão diferente da dos nossos dias. Eram dias difíceis, dias onde reinava a perseguição. Cristãos estavam sendo açoitados, presos e muitos eram mortos.
O apóstolo Paulo estava preso em Roma, escreveu a carta aos cristãos Filipenses no ano de 61 AD., não é estranho dizer que a mesma foi escrita hoje.
Paulo visa consolar a comunidade que, nessa situação não havia esquecido do pregador do evangelho e lhe havia enviado donativos.
Num primeiro momento alguém pode concluir que em meio a perseguição, a tortura, a morte, e prisão do apóstolo Paulo, não há muito o que escrever para consolar. No entanto, o Espírito Santo, que guiou mãos e mentes na composição das letras da Escritura Sagrada, guiou o apóstolo Paulo à aconselhar: “Alegrai-vos”.
O apóstolo Paulo sabia que a única fonte segura e consoladora em toda e qualquer situação era e é Cristo, por isso, “Alegrai-vos, sempre no Senhor, ...”.
A expressão sempre ressalta que Cristo é a fonte da alegria em todos os momentos e situações. Nada é capaz de roubar daquele que está em Cristo a certeza do amor, do perdão e a esperança (Rm 8.37).
Muitos cristãos de Filipos que haviam sido presos estavam receosos com respeito aos seus filhos e parentes. À esses o conselho “Alegrar-se no Senhor” estava ancorada na certeza de que “Perto está o Senhor” (Fp 4.5).
“Alegre-se no Senhor” pois “perto ele está”, ou seja, Jesus conhece os sofrimentos, está pronto a amparar e fortalecer e virá em breve para julgar os vivos e os mortos.
“Alegre-se no Senhor”, pois a sua “paz excede todo o entendimento e guarda o coração e a mente em Jesus” (Fp 4.7).
Essa paz só acalma o coração do cristão, aquele que sabe o quanto era inimigo de Deus e sabe a respeito da obra de Cristo para salvar o pecador. A paz que excede toda a razão humana só é encontrada no perdão de Cristo.
Deus sempre se ocupou em enviar pessoas para oferecer essa paz. Deus enviou patriarcas, juízes, reis, sacerdotes, profetas, discípulos, apóstolos. Além desses, ao longo da história, Deus levantou homens corajosos que lutaram em favor do evangelho. Um desses homens foi Martinho Lutero.
Na sua época, milhares de pessoas viviam perseguidas pela inquietação quanto a salvação. Haviam milhares de pessoas que não conheciam a paz que excede todo entendimento.
Não conhecer e não ter a paz que excede todo o entendimento não era drama apenas na época da Reforma. É um drama que acompanha a humanidade desde que Adão e Eva caíram em pecado.
A paz que excede todo o entendimento era carência do povo na época do profeta Isaías. Para transmitir a paz que excede todo o entendimento, conforta e consola, o profeta Isaías foi enviado por Deus para transmitir a paz de Deus.
Através do profeta Isaias, o próprio Deus está prometendo que vai dar um banquete. Na época de Lutero, as pessoas não se sentiam dignas de participar do banquete. Você se sente digno de participar desse banquete? Deus deseja que todos participem do banquete preparado por ele, mas infelizmente muitos não irão participar por não aceitarem o convite da paz feito pelo evangelho.
A paz que excede todo o entendimento não é alcançada pelos atos de justiça pessoal. Há pessoas que querem se justificar através de suas obras, de suas peregrinações, jejuns, orações, etc. No entanto, o profeta Isaías anuncia que “...todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia; ...” (Is 64.6).
Deus deseja que todos conheçam a paz que excede todo entendimento. O profeta Isaías proclamou uma promessa esplendorosa, Deus dará um banquete, com as melhores comidas e os vinhos mais finos.
A dignidade para que o pecador tenha seu lugar no banquete celestial está naquilo que Jesus fez. Deus é o Rei da parábola (Mt 22.1-14), que além de enviar servos para convidar pessoas ao banquete, em seu Filho Jesus dá as roupas adequadas para que participem do banquete (Mt 22.12). Jesus disse: “Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão” (Jo 10.28). A obra de Jesus, a justiça conquistada por Jesus dada pela fé torna o pecador digno de participar do banquete celestial. O apóstolo João apresenta essa verdade em Apocalipse: “...São as pessoas que lavaram as suas roupas no sangue do cordeiro, e elas ficaram brancas” (Ap 7.14).
A paz que excede todo entendimento é o maior anseio da humanidade. Essa paz sempre foi proclamada. O primeiro a proclamá-la foi o próprio Deus (Gn 3.15). Desde aquele dia no jardim do Éden, diante da realidade de que o homem longe de Deus estava perdido (Gn 3.9), Deus se encarregou de enviar pessoas para proclamar a paz que excede todo entendimento.
A paz que excede todo entendimento lança o olhar do pecador ao futuro. Como anunciou o profeta Isaías: “acabará com a nuvem de tristeza... acabará para sempre com a morte... fará desaparecer do mundo inteiro a vergonha que o seu povo está passando... e enxugará dos olhos toda a lágrima” (Is 25.6-9).
O profeta Isaias anunciou ao povo as promessas de Deus. A promessa de perdão e salvação é a paz que excede todo entendimento. Essa paz é buscada pela humanidade. Foi assim na época de Lutero. Tanto que ao deparar-se com a paz que excede todo entendimento, uma luz raiou dentro de Lutero.
Na época do profeta Isaias, muitos estavam sendo tentados a fazerem o mesmo que os moabitas, ou seja, resistir contra Deus. Os capítulos 24-27 pode ser considerado a parte apocalíptica da mensagem do profeta.
Isaías usa uma linguagem que indica o povo de luto, alguém ameaçado de morte. Nessa situação o povo precisava confiar em Deus, e não se voltar contra Deus adorando outros deuses e fazendo alianças com outros povos. Deus iria libertar, como disse Paulo aos Filipenses “Perto está o Senhor” (Fp 4.5). Nessa certeza, o povo era convidado a confiar e depositar toda sua esperança. Isaías anunciava da parte de Deus as maravilhosas promessas de Deus e diante delas esperava que o povo tivesse esperança e confiança.
A paz de Deus excede todo entendimento na perseguição, na angústia e na ansiedade. A paz de Deus tranquiliza pessoas angustiadas e ansiosas quanto a salvação. Amém!


M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A justificação permite ao luterano ser fiel guardador da fé!

08 de outubro de 2017
18º Domingo após Pentecostes
Sl 80.7-19; Is 5.1-7; Fp 3.4-14; Mt 21.33-46
Tema: A justificação permite ao luterano ser fiel guardador da fé!

Por ocasião do 16º século, a Europa estava perturbada por muitas crises: a agrária que gerava fome e a peste e a crise de valores. Havia muitos levantes sociais por causa da corrupção moral e da confusão teológica.
Nesse meio surge Lutero. Baseado na Escritura Sagrada, revolucionou sua época e muitos hoje em pleno século XXI, usufruem os frutos da semente que foi plantada no século XVI.
Lutero e tantos outros junto com ele e após ele, muitos ainda em nossos dias, realizam aquilo que Jesus ressalta na parábola apresentada por Mateus 21.33-46. Qual é a mensagem central da parábola? Ser fiel guardador e servi da fé.
Se Lutero, seus amigos e muitos após ele e ainda hoje não fossem fiéis guardadores e servos da fé, a mensagem realmente evangélica já teria sido destruída e não haveria conhecimento da verdade sobre o amor e a misericórdia de Deus.
Em sua carta aos Filipenses, em especial Fp 3.4-14, o apóstolo Paulo fala sobre o perigo de educação religiosa distorcida. Sem os guardadores fiéis e servos da fé, a mensagem evangélica corre perigo.
O apóstolo Paulo diz aos Filipenses que sua educação religiosa foi extremada, a ponto de fazê-lo entender os outros como fanáticos e praticar atrocidades, tais como, assassinato, prisão e terrorismo na vida de pessoas que ele julgava serem imorais e depravados religiosamente.
Se por ocasião do 16º século a Europa ter sido perturbada por muitas crises, por ter que ter lidado com levantes sociais por causa da corrupção moral e da confusão teológica, o motivo era o mesmo que ocorre em nossos dias. Não é apenas falta de religião como muitos apontam. Falta uma religião que de fato represente a verdade do evangelho. Falta os fiéis guardadores e servos da fé proclamarem ainda mais a verdade a qual representam.
São 500 anos desde aquele ano em que um homem abriu sua boca contra todos. A pressão política e eclesiástica não o calou. Manteve-se firme como servo e guardador da fé. E aqui estamos nós, em pleno século XXI, orando para que tantos outros sejam como Lutero. Claro que é preciso ressaltar que não foi Lutero o responsável por tudo isso, a verdadeira responsabilidade é do evangelho transformador. O evangelho o impactou a ponto de buscar de todas as maneiras impactar a outros.
O evangelho sempre impactou a vida de muitas pessoas. Esse impacto é apresentado pelo apóstolo Paulo aos filipenses. Esse evangelho precisa continuar sendo pregado com insistência, pois, só no evangelho, na clareza do amor de Deus em Cristo, é que a sociedade e a igreja será mais viva e vibrante.
Quando ainda em pleno século XXI vê-se um país, assim como o Brasil, afundado em episódios de corrupção, sem um horizonte, pois perdeu valores morais, a razão não é porque falta religião. No Brasil, cerca de 85% da população se declara cristã. Se esse número é real, algo deve estar errado. Não é possível, acontecer tantos coisas ruins num país, onde sua extrema maioria se diz ser cristã.
A verdade continua sendo uma só. Esses cristãos são crentes em que? Esses supostos cristãos conhecem de fato e de verdade a mensagem pura do evangelho?
Não quero fazer apologia à igreja luterana. O quero trazer para vocês é uma reflexão sobre a verdade do evangelho, o evangelho transformador.
O grande apóstolo dos apóstolos, Paulo, foi educado zelosamente dentro de uma religião. Era educadíssimo religiosamente. Se tinha alguém em seus dias (ano 5 a 67 d.C.) que era exemplo de religioso, era esse jovem. No entanto, sua educação religiosa o havia tornado “...um fanático, que perseguiu a igreja...” (Fp 3.6).
Não é só necessário que as pessoas tenham uma religião, é necessário que as pessoas saibam a essência da religião, principalmente cristã.
A IELB já possui uma história no Brasil, está com 113 anos completos. No início, conforme registro, houve muito crescimento. Ao longo das últimas décadas esse crescimento não tem sido em nada surpreendente. Muitas são as respostas, mas, com muito respeito e carinho, vejo que em muitos círculos, a maior preocupação tem sido os Regimentos, Estatutos e sua própria tradição. Tradição essa que foi sendo implantada e inserida. Há muitos que sabem mais sobre os estatutos e regimentos da IELB do que do próprio evangelho, da sua característica fundamental. Qual é a doutrina chave do luteranismo? Por qual motivo, a falta do luteranismo no mundo, deixaria o evangelho prejudicado?
São perguntas difíceis de serem respondidas. Mas ao mesmo tempo, são perguntas fáceis para quem ainda não perdeu de vista a essência da descoberta do evangelho que se deu a 500 anos com Lutero.
A essência do evangelho descoberta por Lutero está nas páginas da Escritura Sagrada. O apóstolo Paulo fala sobre isso na sua carta aos Romanos: “Pois o evangelho mostra como é que Deus nos aceita: é por meio da fé, do começo ao fim. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus” (Rm 1.17). Paulo indica a essência da mensagem evangélica e da religião cristã. A salvação se dá através da fé. Não esqueça: não é Fé + alguma coisa = salvação. É tão somente a FÉ.
Paulo, o apóstolo, deixa isso muito bem claro ao escrever ais filipenses: “É verdade que eu também poderia pôr a minha confiança nessas coisas. Se alguém pensa que pode confiar nelas, eu tenho ainda mais motivos para pensar assim. Fui circuncidado quando tinha oito dias de vida. Sou israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu. Quanto à prática da lei, eu era fariseu. E era tão fanático, que persegui a Igreja. Quanto ao cumprimento da vontade de Deus por meio da obediência à lei, ninguém podia me acusar de nada. No passado, todas essas coisas valiam muito para mim; mas agora, por causa de Cristo, considero que não têm nenhum valor. E não somente essas coisas, mas considero tudo uma completa perda, comparado com aquilo que tem muito mais valor, isto é, conhecer completamente Cristo Jesus, o meu Senhor. Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo e estar unido com ele. Eu já não procuro mais ser aceito por Deus por causa da minha obediência à lei. Pois agora é por meio da minha fé em Cristo que eu sou aceito; essa aceitação vem de Deus e se baseia na fé. Tudo o que eu quero é conhecer a Cristo e sentir em mim o poder da sua ressurreição. Quero também tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, com a esperança de que eu mesmo seja ressuscitado da morte para a vida” (Fp 3.4-11).
Pelo + algo a ser realizado, o apostolo Paulo não tinha do que se envergonhar. Pelo + algo a ser completado, o apostolo Paulo até era exemplo para outros, mas, a questão é que o apostolo ao conhecer o evangelho reconheceu que “Eu já não procuro mais ser aceito por Deus por causa da minha obediência à lei. Pois agora é por meio da minha fé em Cristo que eu sou aceito; essa aceitação vem de Deus e se baseia na fé” (Fp 3.9).
Sem o evangelho transformador a igreja passa a ser como qualquer outra instituição. O evangelho transforma pecadores em justos. Jesus Cristo redimiu o mundo. E ele pelo evangelho oferece essa redenção. O pecador por si só, por mais que tente através de sua religiosidade alcançar a salvação, não consegue. Jesus foi enviado por Deus e realizou tudo para salvação do pecador. E essa salvação é oferecida e dada pelo evangelho. Evangelho que transforma vidas, famílias, igreja.
O que falta para muitos pessoas, adeptos de religiões e até mesmo adeptos de correntes da religião cristã é “...conhecer a Cristo e sentir ... o poder da sua ressurreição...” (Fp 3.10).

As pessoas não carecem de religião, elas carecem daquilo que somente a verdadeira religião pode oferecer no evangelho, ou seja, Jesus Cristo é a justiça do pecador.

Essa justiça é recebida pela fé em Cristo, “Eu já não procuro mais ser aceito por Deus por causa da minha obediência à lei” (Fp 3.9). Essas obediências só me levam ao fanatismo e a obediência de estatutos e regimentos humanos. “Pois agora é por meio da minha fé em Cristo que eu sou aceito; essa aceitação vem de Deus e se baseia na fé” (Fp 3.9). Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A mensagem da justificação motiva os luteranos comemorar!

01 de outubro de 2017
17º Domingo após Pentecostes!
Sl 25.1-10; Ez 18.1-4,25-32; Fp 2.1-4, 14-18; Mt 21.23-27
Tema: A mensagem da justificação motiva os luteranos comemorar!

Que belo texto temos a oportunidade para meditar. Jesus, conforme registrado no Evangelho de Mateus 21.23-27, fala sobre arrependimento e fé.
Jesus faz uma pergunta: “E que vos parece?” A partir daí passa a contar a parábola dos dois filhos. Apesar de termos nas Escrituras quatro evangelhos, a parábola dos dois filhos foi registrada apenas pelo evangelista Mateus.
Essa parábola faz parte de um bloco de três parábolas, onde Jesus ataca a ideia de merecimento que os líderes religiosos tinham sobre o ser membro do reino de Deus.
Ao responder aos líderes judeus, Jesus liga sua autoridade a autoridade de João Batista. Tanto Jesus como João Batista eram bem aceitos entre as pessoas comuns e as que eram rejeitadas pelos líderes judeus da época.
Na parábola, ambos os filhos receberam o mesmo convite: trabalhar na vinha do pai. O primeiro disse que iria, mas não foi. O segundo disse rudemente que não iria, mas “depois, arrependido, foi” (Mt 21.29 Revista e Atualizada). A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz dizendo que “depois mudou de ideia e foi”. As duas traduções estão corretas. Ambas traduziram o verbo grego metamelomai.
O termo metamelomai foi usado por Mateus por ocasião do relato de Judas após a traição. Judas se arrependeu, lastimou sua traição, mas, infelizmente não achou o caminho de volta.
Arrependimento tem um sentido amplo (a conversão como um todo) e um sentido restrito (reconhecimento do pecado, coração quebrantado e contrição). O segundo filho apresentado na parábola, arrependeu-se em sentido restrito, ou seja, reconheceu seu erro e sentiu tristeza. Sentiu o pesar de não ter cumprido a vontade do pai. O primeiro filho apresentado na parábola, não passou por essa tristeza. O mesmo não se preocupou com seus pecados. C.F.W. Walther, pastor Luterano disse em suas preleções sobre lei e evangelho que “não pode haver fé num coração que, primeiramente, não esteve atemorizado”.
Aqui é o ponto de Jesus. Os fariseus e os líderes religiosos judeus por nunca terem reconhecido seus pecados e nem sentido contrição por eles, estavam entre os que se achavam sãos e que não necessitavam de médico.
O que impedia os fariseus e líderes religiosos judeus reconhecerem a necessidade de se arrependerem era sua justiça própria. Não importava o quanto fossem convidados ao arrependimento, eles não conseguiriam voltar, pois se julgavam auto suficientes. Assim, as prostitutas, os cobradores de impostos e outros pecadores, julgando-se indignos, reconheciam que não haviam feito a vontade do Pai e se arrependeram e se agarraram em Jesus.
Os líderes judeus confiavam na sua dignidade.
Dignidade essa, que segundo eles vinha da observância da lei de Moisés, da participação assídua na sinagoga, das ofertas e dos dízimos, das doações e esmolas, da prática diária da oração. Os judeus, o primeiro filho da parábola, não julgavam necessário se arrependerem, pois eram obedientes e assim, justos diante de Deus.
Após contar a parábola (Mt 21.28-30), Jesus perguntou: “Qual dos dois filhos fez a vontade do Pai?” (Mt 21.31). Ao que os próprios judeus responderam, “o segundo” (Mt 21.31). E concordando com a resposta, Jesus declara que “publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus” (Mt 21.31).
Essa resposta de Jesus é a declaração de que Deus não aceita o pecador pela sua suposta obediência. A relação entre o ser humano e Deus é marcada pelo arrependimento e a fé.
Os líderes judeus não passaram pela metamelomai, ou seja, não se arrependeram e nem sequer creram na mensagem da justiça provinda através de Cristo.
Se os lideres judeus responderam e Jesus confirmou que o segundo filho agiu corretamente e arrependido voltou para fazer a vontade do Pai, cabe a pergunta: Qual é a vontade do Pai?
Bem, a vontade de Deus antes da obediência é que todos se acheguem a Ele, de graça, tocados por seu amor, depositando nEle toda a sua confiança e esperança.
Os líderes judeus estavam sendo convidados a experimentar aquilo que os publicanos, as prostitutas e tantos outros já haviam experimentado. Reconheceram sua indignidade e sentiram profunda tristeza por sua vida porca que estavam levando e sabiam que em Jesus estavam sendo aceitos por Deus.
Ser aceito por Deus era a angústia de Martinho Lutero e tantos outros na idade média. Como ser aceito por Deus? A resposta foi encontrada nas Escrituras Sagradas. Só se é aceito por Deus através da obra realizada por Jesus. Todo aquele que crê no sacrifício vicário de Cristo, tem a salvação. A fé não é uma obra humana, é um presente dado pelo Espírito Santo que atua pela Palavra.

Estamos em pleno século 21, cercado por esses dois filhos descritos na parábola contada por Jesus e registrada por Mateus.
Mesmo que a igreja cristã está celebrando 500 anos de Reforma, mesmo que a milhares de anos há a Palavra de Deus, ainda há filhos que querem se justificar pelas obras da lei.
Nesse mês de outubro de 2017, luteranos do mundo inteiro, estarão celebrando 500 anos da Reforma. Qual é a razão para essa comemoração? A razão principal é que a Escritura Sagrada continua sendo comunicada. O amor de Deus continua sendo proclamado. E por meio dessa pregação pessoas se arrependem e voltam a Deus em Jesus. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

Bibliografia
Revista Igreja Luterana. Junho, 2008. Volume 67, Nº 1. Júlio Jandt e Vilson Scholz.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Viver d acordo com o evangelho

24 de setembro de 2017
16º Domingo após Pentecostes
Sl 27.1-9; Is 55.6-9; Fp 1.12-14,19-30; Mt 20.1-16
Tema: Fp 1. 27: “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo.....”

O que você entende por essas palavras de Paulo?
Paulo escreve essa carta da cadeia (Fp 1.7). E sua exortação é para que os filipenses se mantenham unidos.
Primeira Parte
Viver de acordo com o evangelho de Cristo é um desafio; um privilégio e uma responsabilidade. Isso só é possível permanecendo no amor, na graça e na dependência de Jesus Cristo, pois “com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”.
Paulo nos versículos 29 e 30 diz que viver de acordo com o evangelho é um privilégio. E esse privilégio não está só no servir, mas também no sofrer por causa do evangelho.
Disse o apostolo Paulo: “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...”
Viver de acordo com o evangelho de Cristo é viver de acordo com a boa notícia que recebemos, ou, conforme o termo grego, Paulo aconselha a “Viver como um cidadão...”
É preciso relembrar que ... sendo Filipos era uma colônia romana, seus moradores eram obrigados a viver regidos pelas leis do império romano. Assim, a exortação de Paulo “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...” é “vivam como cidadãos do reino...”.
Qual é o nosso reino? Qual é a nossa pátria? Paulo responde na carta aos Filipenses 3.20 e Jesus disse, conforme registrou o apostolo João (Jo 18.36).
Havia entre os cristãos filipenses uma forte ligação com o apostolo Paulo. Enviaram Epafrodito com mantimentos e com a responsabilidade de trazer notícias a respeito de Paulo que estava preso e já era idoso. Na carta nada nos é relatado sobre a situação pessoal de Paulo e nenhuma queixa foi registrada. Ao contrário, o apostolo Paulo testemunha que em todas as situações, Deus é quem abre a “porta da palavra” (Cl 4.3) para que o evangelho seja proclamado.
Paulo não se preocupa em dar notícias sobre sua situação pessoal. O apostolo busca reafirmar aos cristãos o que eles já sabem. Não importa a situação que se está vivendo, o desfecho final de qualquer situação é para salvação.
Paulo sabe e confessa que Nero poderia apenas aprisionar e matar seu corpo, mas não poderia de maneira nenhuma aprisionar e matar o evangelho.
O maior desejo do apostolo Paulo era que Cristo fosse engrandecido. E ele testemunha que mesmo estando preso, isso estava acontecendo através da prisão. E viver de acordo com evangelho de Cristo é uma das maneiras de engrandecer a Cristo.
Mesmo que o apostolo Paulo não soubesse o que iria acontecer com ele, transmite seu desejo (Fp 1.20). O apostolo, as vésperas do seu julgamento, não queria abandonar a sua fé, convicção e certeza de que ele era cidadão do reino dos céus. E essa fé, convicção e certeza buscava transmitir aos filipenses.
Ao exortar “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...”, Paulo não quer que os filipenses deixem que as intrigas, a desunião os afastem um do outro, ou até mesmo do reino. Por isso, através de sua exortação, tem como desejo alertar aos filipenses que não se esqueçam de que pátria eles fazem parte e que não deixem de viver conforme o rei dessa pátria. Diante dessa verdade, pode-se ler os textos de Rm 12.2; Fp 3.18-21; Ef 4.1; Cl 1.10; 1Ts 2.11-12; 4.1; 2Pe 1.4-9; 3.11,14.
Nesse mundo somos cidadãos do mundo, mas temos como rei o nosso Deus. Nas palavras do apostolo João (Jo 17. 1 – 21ss) Jesus deixa claro que mesmo estando no mundo, não se vive conforme o mundo. E para auxiliar os cristãos a viverem de acordo com o evangelho de Cristo viver neste mundo, Deus nos dá o Espírito Santo.
Segunda Parte
Viver de acordo com o evangelho de Cristo só é possível estando certo da salvação e sem medo dos inimigos.
Quais são esses inimigos? Alguns são citados por Paulo em Fp 3.2,18. Pode-se destacar que aqueles que perseguem os cristãos também são inimigos.
Diante da perseguição, dos ensinamentos falsos, os filipenses deveriam se manter firmes e inabaláveis. Deviam continuar vivendo de acordo com o evangelho de Cristo.
Paulo esclarece que a vitória não será daquele que por suas forças permanece fiel, mas sim, a vitória do cristão vem de Deus (Ef 2.8; Jo 15.16; Cl 3.12; 1Jo 5.4-5).
Permanecendo na fé, a vitória é certa (Jo 3.18). E Paulo tem essa certeza, por isso confessou no “Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro”. E essa é a atitude que Paulo deseja que os filipenses tenham diante dos inimigos que anunciam outro evangelho.
Não pode haver fuga diante dos inimigos, ou da perseguição, pois nossa pátria não está nesse mundo, Rm 14.8; Rm 8.37.
Aplicação
Você quer continuar vivendo de acordo com o evangelho?
Este é o desafio, o privilégio e a oportunidade. Assim, não descuide da união. Continuem firmes e unidos. O termo firme, usado no versículo 27 é um termo militar. Significa que todos estão plantados em seus postos e não se afastarão por nada. Permanecer firme é: “permanecer na verdade”. A verdade de que estamos no mundo, mas, nossa pátria é o céu e somos governados pelo evangelho.
Continuar vivendo de acordo com o evangelho é permanecer na verdade. Não se desvie dela, nem quando estiver sendo perseguido, nem quando tentarem te enganar com falsos ensinos e não se desunam. A verdade é uma só: 2Sm 7.28; Sl 119.160; 138.2; Jo 14.6; 17.17.
Vivam de acordo com o evangelho de Cristo!
Deus nos abençoe! Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A prática do perdão ao ultimo extremo!

17 de setembro de 2017
15º Domingo após Pentecostes
Sl 103.1-12; Gn 50.15-21; Rm 14.1-12; Mt 18.21-35
Tema: A prática do perdão ao último extremo!

O evangelista Mateus usa uma palavra rara para apresentar a história que foi contada por Jesus. O evangelista Mateus utiliza o termo makrothymia: que expressa passividade, submissão resignada a uma situação que é, para todos os efeitos práticos irremediável.
Paciência é a palavra adotada pelos tradutores para Makrothymia. No entanto, essa paciência é refrear a ira e a fúria. Esse é um atributo de Deus, “o Senhor é tardio em irar-se...” (Na 1.3).
Os israelitas apelavam para a clemência, para a paciência de Deus, quando reconheciam seus pecados. Eles sabiam que Deus em sua clemência e paciência sempre estava disposto a conceder sua graça. Mas mesmo assim, todo israelita sabia que era possível fazer irromper a ira de Deus (Sl 7.12; Mt 18.35).
Muitos cristãos hoje sofrem por causa da clemência e paciência de Deus. Mateus 18.15-20 retrata as três maneiras para se resgatar o caído.
O profeta Jonas é um belo exemplo de alguém que sentiu grande dificuldade em concordar com a paciência e clemência de Deus (Jn 4.2).
Deus é paciente e clemente, afinal, seu objetivo é salvar o homem pecador.
Jesus havia instruído seus discípulos sobre a ação cristã diante de um pecado cometido contra a pessoa. Jesus ressalta três alternativas para se restabelecer a convivência entre as pessoas. Jesus também ressalta a disposição em perdoar, não apenas quatro vezes que era comum entre os rabinos, mas sempre.
Ao contar a parábola do servo incompassivo, Jesus ilustra a atitude divina para com o perdão e a nossa maneira de tratar o próximo.
A dívida do primeiro servo na parábola não tinha a menor possibilidade de ser paga. Esse por sua vez clama pela paciência do rei, pois resgataria todo o empréstimo. O rei, por sua vez, fez muito mais que isto: perdoou-lhe a dívida toda.
Esse servo perdoado ao sair encontrou um homem que lhe devia uma valor correspondente a uma diária de trabalho (Mt 20.2). Esse servo também clamou por paciência, mas, não recebeu o mesmo tratamento.
Jesus ensinou a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12,14-15). O perdão não depende de sentimentos humanos comuns, o perdão está intimamente ligado com a atitude que lhe foi mostrada, ou seja, “assim como eu me compadeci ... igualmente devias tu”. Os incompassíveis serão excluídos da misericórdia de Deus (Mt 18.35), e aqueles que recebem o perdão de Deus devem demonstrar a mesma atitude de perdão para com os outros.
Conforme o Novo Testamento, “igreja” significa comunidade dos crentes em Jesus. A igreja é santa por ter sido chamada por Jesus, por ter sido santificada por Cristo e vivificada pelo Espírito Santo. A igreja é o povo santo. A igreja é composta por aqueles que depositam sua confiança em Cristo e esperam receber apenas dele a justiça e a salvação. A igreja é a composição de pessoas perdoadas em Cristo. Lutero disse que “a igreja está repleta de perdão dos pecados”. O perdão é o maior presente dado à igreja! O perdão é o maior recurso da igreja! O perdão é a prática até o último extremo.
Com a parábola do credor incompassivo Jesus apresenta a clemência de Deus para com o pecador que não consegue de maneira nenhuma saldar sua dívida diante de Deus.
Deus é paciente para com o pecador (1Pe 3.20). E essa paciência visa salvar (1Tm 1.16; 2Pe 3.15).
A igreja depende exclusivamente dessa paciência divina. Em sua paciência, Deus conserva aberta a porta para uma nova vida na prática do perdão.
No mundo em que se vive, a prática do perdão tem se tornado anormalidade. Mas, na igreja essa prática expressa algo recebido de Deus. A igreja “não recebe em vão a graça de Deus” (2Co 6.1). A paciência e o perdão para com outro pecador não é uma virtude, mas uma modo de vida. Vive o perdão aquele que é perdoado!
O único motivo em Deus perdoar o pecador que tem para com Deus uma dívida que não pode ser saldada é a sua graça e o seu amor. O perdão não foi conquistado pelo pecador. A verdade é que o pecador não o merece, o recebe das mãos graciosas de Deus em Jesus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Atitudes de um relacionamento com Deus!

17 de setembro de 2017
15º Domingo após Pentecostes
Sl 103.1-12; Gn 50.15-21; Rm 14.1-12; Mt 18.21-35
Tema: Atitudes de um relacionamento com Deus!

O cristão é um ser dividido, difícil de entender, afinal, interiormente, é fé, exteriormente, carne. Pela fé, o cristão é alguém puro, perfeito, sacerdote real. Mas, na carne e vivendo nesse mundo, o cristão é assaltado por inclinações malignas, tais como, impaciência, medo, ódio, rancor, desejo de vingança, ...
O grande problema é que a fé ainda não penetrou por completo sobre a carne. Nesse sentido, temos uma grande lição por aprender de José e Davi. Homens simples. Pecadores assim como nós o somos, no entanto, o relacionamento com Deus, os torna exemplos para cada nós em pleno século XXI.
Davi era filho numa família de oito irmãos. Era pastor de ovelhas. Foi nomeado rei pelo próprio Deus. José era filho numa família de 12 irmãos. Foi vendido, preso, foi feito governador pelo Faraó.
Davi e José são dois personagens, um presente no relato (Gn 50.15-21) e Davi, autor do Salmo 103.
Pensando nesses dois personagens destaco o tema: atitudes de um relacionamento com Deus!
1 – O exemplo de Davi.
Davi significa amado. Passou sua vida em Belém de Judá. Era o mais novo dos oito filhos de Jessé (1Sm 16.10,11; 17.12-14). No registro da tribo de Judá em 1Crônicas 2.13-15 aparece apenas sete desses filhos. Isso ocorreu por ter morrido um deles antes de ser registrado. A mãe de Davi era uma mulher terna e piedosa (Sl 86.16; 116.16). Davi tomava conta das ovelhas de seu pai. Foi feito rei em lugar de Saul. Como rei, Davi, num momento de deslize, cometeu dois graves pecados: adultério e assassinato.
O profeta Natã foi enviado por Deus para conversar sobre seu pecado. Após o relato da conhecida parábola da cordeirinho (2Sm 12.1-13), Davi profundamente arrependido, reconheceu seu pecado e recebeu perdão desses pecados que deveriam ser punidos pela morte em praça pública (Lv 20.10).
Essa experiência de pecado, arrependimento e perdão foi marcante na vida de Davi. Ele escreveu dois salmos sobre essa experiência (Sl 32 e 51). Davi teve uma experiência vivencial da desgraça que é ser pecador. Por ser pecador, o ser humano é capaz de todas as atrocidades que provém da carne.
O arrependimento, o perdão e a fé fizeram de Davi um homem diferente a medida em que o tempo foi passando.
No Salmo 103, Davi, que tinha o dom da música (1Samuel 16.16-18), canta a graça de Deus. Davi faz uma descrição bela e profunda de Deus. Davi exclama que Deus é amor. Por esse amor, um amor misericordioso, todo nosso ser louva a Deus. Todo o louvor brota do agir de Deus. Deus é aquele que perdoa, resgata, coroa e sacia. O agir de Deus revela quem Ele é. “Deus guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ...” (Ex 34.7).
Davi, que havia sido criado num lar piedoso e cristão, ouviu falar dos atos poderosos de Deus, tanto que o Salmo 103, nas palavras de Lutero, pode ser uma pequena Bíblia. Afinal, toda a Bíblia é aqui resumida. Davi pede que ninguém se “esqueça dos benefícios de Deus” (Sl 103.2).
Deus não ama o ser humano por uma razão, por uma qualidade do ser humano. Deus ama por que ele é amor, fonte de amor. Dessa fonte de amor sobressai todo o temor a Deus.
Temer a Deus significa guardar a sua aliança e lembrar-se de cumprir os seus preceitos (Sl 103.18). Os que temem ao Senhor é a composição da assembleia reunida no templo para adorar e rezar (Sl 22.26). O temor ao Senhor se dá na prática religiosa. Ensinar o temor não é imprimir medo, mas ensinar orações, os dez mandamentos, iniciar uma vida de confiança em Deus.
A relação de Davi com Deus, era uma relação ancorada no amor e na misericórdia de Deus. Por causa desse amor e misericórdia, Davi bendizia ao Senhor (Sl 103.1; 104.1; 146.1). Bendizer é a tradução do termo hebraico barakh e significa responder por algo recebido.
Atitudes de um relacionamento com Deus! Bendizer.
Atitudes de um relacionamento com Deus!
1 – O exemplo de José
Quando fala-se sobre as atitudes de um relacionamento com Deus precisamos nos lembrar de José. A atitude de José foi de perdão.
José significa possa ele acrescentar. Era o décimo dos onze filhos de Jacó. O filho preferido de Jacó. Isso, por que José foi um filho em sua velhice, provavelmente Jacó tinha entre 90 e 91 anos. Outro motivo era por ser filho de Raquel, sua esposa amada, por quem Jacó trabalhou quatorze anos (Gn 29.30).
A história entre José e seus irmãos é uma das mais longas da Bíblia. Vai desde o capítulo 37 de Gênesis até o capítulo 50. Uma história marcada por preferência, inveja, ódio, traição, prisão, sofrimento e por fim perdão e reconciliação.
O relato de Gênesis 50.15-21 é o final de uma triste vida de irmãos que desconfiavam do perdão do irmão. Jacó, o pai havia morrido e os irmãos de José estavam medo. José já os havia perdoado (Gn 45.5), mas achavam que o perdão iria terminar com a morte do pai e seriam escravizados por José. E com mais uma mentira, os irmãos insistiram no perdão. Diante desse novo pedido dos irmãos, José, um homem que vivia em atitude a sua relação com Deus, novamente (Gn 45.5) lhes disse: “Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus?” (Gn 50.19).
A vida de José foi uma vida marcada pela misericórdia, graça e amor de Deus.
A misericórdia, a graça e ao amor de Deus esteve com ele quando foi jogado na cisterna, já que alguns irmãos queriam matá-lo (Gn 37). O amor e a misericórdia de Deus esteve com José quando ele foi vendido pelos irmãos a uma caravana de ismaelitas que descia para o Egito. José reconheceu que a graça, o amor e a misericórdia de Deus estava com ele, até mesmo no momento da prisão. A relação de José com Deus foi uma relação fundamentada na graça, amor e misericórdia divina. José vivenciou o fato de que Deus controla tudo.
Deus controla todos os eventos da humanidade. Isso com um objetivo. O objetivo é que todos cheguem ao arrependimento e assim sejam salvos (Gn 42.21; Is 45.7; Am 3.6; Rm 8.28).
José aprendeu na sua relação com o Deus misericordioso e amoroso que tudo coopera para os propósitos de Deus. O propósito de Deus em nossa vida é sempre revelar seu amor, sua graça e sua misericórdia.
Se temos, pela fé, uma relação com esse Deus amoroso e misericordioso, a nossa vida nesse mundo, ainda na carne, precisa ser uma vida de atitude em relação a Deus e as pessoas. Em relação a Deus, a nossa atitude é de resposta, de ação de graças, de louvor. Em relação ao próximo, a nossa atitude precisa ser de perdão.
Querido irmão e irmã em Jesus.
Muitas pessoas encontram dificuldade em perdoar. Lembre-se de José. Após anos, teve uma enorme oportunidade para se vingar dos seus irmãos, mas, ao invés da vingança, ele simplesmente viu a mão poderosa, amorosa e misericordiosa de Deus.
Todo aquele mal que fizeram à você, Deus, em amor, graça e misericórdia, reverteu para o teu bem. As pessoas fazem maldades por estarem na carne e por que a fé ainda não penetrou por completo sobre a carne. Por outro lado, muitos que com a boca confessam-se cristãos, não perdoam, por que não conseguem ver a mão amorosa, misericordiosa de Deus, que transformou os eventos ruins para o nosso bem.
Nesse momento me lembro do episódio do chamado de Moisés. Num primeiro momento, Moisés não quis aceitar o chamado (Ex 3.1-15) por estar chateado com Deus. Deus precisou curá-lo ao longo de seu chamado e caminhada.
Deus reverte o mal para o nosso bem e para o bem de muitas pessoas. José, num momento, que para muitos deveria ser de vingança, foi um momento precioso de confissão de fé: “Estamos aqui a salvo, porque Deus, reverteu a maldade de vocês até mesmo para o bem de vocês”.
Muitas pessoas, assim como os discípulos, não compreenderam que toda a maldade do homens para com Jesus, o filho de Deus, era para salvação. O “...é necessário ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mt 16.21), causou espanto não só em Pedro, mas também em muitos judeus, gregos e demais raças.
Jesus, o pendurado na cruz, “... o maldito de Deus ...” (Dt 21.23), se fez maldição em nosso lugar, para que recebêssemos a salvação (Gl 3.13-14). A cruz, loucura para os que se perdem, é o poder de Deus para os que são salvos (1Co 1.18).
Na cruz, Deus em seu Filho, se relaciona conosco. A relação de Deus conosco é uma relação de amor, graça e misericórdia. Assim sendo, nossa vida precisa ser uma vida de atitude.
Atitudes de um relacionamento com Deus! Uma atitude de resposta ao amor de Deus, de louvor, ação de graças, oração. Também uma vida de perdão para com aquele que fez algum mal contra nós, pois, Deus por amor e misericórdia reverteu para o nosso próprio bem e até mesmo para o bem da pessoa que tentou nos prejudicar.
Deus nos abençoe numa vida de atitude que provém de um relacionamento com Deus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

A moeda e a alma: a quem pertence o seu coração?

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