quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Senhor não nos deixa esquecer os seus feitos maravilhosos!

31 de dezembro de 2017
1º Domingo após Natal
Sl 111; Is 61.10-62.3; Gl 4.4-7; Lc 2.22-40
Tema: O Senhor não nos deixa esquecer os seus feitos maravilhosos!

Desde 2.800 a.C. até o calendário gregoriano no século XV (1502 – 1585), o réveillon mudou muitas vezes. Na verdade, foi consolidado em 46 a.C., para demarcar o ano civil no mundo inteiro, facilitando o relacionamento entre as nações.
A primeira comemoração, chamada “festival de ano-novo” ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a.C. A festa iniciava-se por ocasião da lua nova, indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o sol se aproxima da linha do Equador e onde os dias e as noites tem a mesma duração, atualmente no Brasil, equivale aos meses de março, onde os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico.
Os romanos foram os primeiros a estabelecer um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753ª.C. – 476 d.C.). O ano começava no dia 1º de março, trocado em 153 a.C. para o dia 1º janeiro e mantido no calendário juliano, adotado em 46 a.C. e em 1582 a igreja consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.
Ainda hoje, a China comemora a passagem do ano em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano-novo ou Rosh Hashaná, “festa das trombetas”, dura dois dias em meados de setembro ao início de outubro. Os muçulmanos comemoram o ano-novo no dia 06 de junho.
O fato é que no mundo inteiro o ano novo começa entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. Esse costume é antigo, e serve para espantar os maus espíritos. As roupas novas, que nunca foram usadas, combina com o espírito de renovação do ano novo.
O Brasil, celeiro de imigrantes, tem vários costumes para o ritual de virada de ano-novo.
O primeiro dia do ano é dedicado a confraternização, é o dia da Fraternidade Universal.
A real motivação para as pessoas comemorarem a festa de ano novo está no fato da pessoas sentirem desejo de se renovar.
Quais promessas de renovação você fará no início desse novo ano? De onde tirar motivação para essa renovação?

O episódio narrado por Lucas mostra Maria e José ocupados em fazer cumprir a lei (Ex 13.2). A referência dessa ritual é o que havia sido instruído por Moisés ao povo quando o povo havia acabado de ser libertado da escravidão que perdurara 430 anos.
A instrução dada por Deus a Moisés e Moisés ao povo ressalta a consagração dos primogênitos. Essa consagração foi instruída por Deus, pois havia acabado de “passar sobre” o Egito e salvo os primogênitos de Israel. Ao passar sobre o Egito, Deus deu nova vida ao seu povo. Todo primogênito, ou seja, os salvos da morte, tipificavam o povo escolhidos de Deus.
Maria e José, pessoas cristãs, observando a lei e a instrução de Deus, levam Jesus ao templo para dedica-lo a Deus. A consagração do primogênito à Deus significava tratar com distinção, distinguir como especial.
A princípio, Jesus era uma criança como tantas outras que eram dedicadas a Deus. Mas, Lucas ressalta que “guiado pelo Espírito Santo, Simeão, reconheceu Jesus como sendo a salvação ...”.
Simeão é uma figura tão emblemática quanto Maria, ou seja, pouco se sabe sobre ele. O fato é que o ponto não está em Simeão, mas naquele que ele reconheceu como sendo o salvador e a salvação.
Reconhecendo Jesus, o salvador do mundo, Simeão, movido por uma alegria efusiva, louva a Deus. Louva com o conhecido cântico de Simeão, Nunc dimittis, agora despedes. Esse cântico expressa a universalidade da mensagem do evangelho.
Simeão disse: “Νυν àπολυεις τον δουλον σου, δέσποτα, ...”; “agora despedes o servo teu, Senhor,...” (Lc 2.29). O interessante é justamente o fato de Simeão não ter se expressado com o termo “κυριοσ” (Senhor), mas sim δέσποτα (Senhor). Ao usar o termo δέσποτα (Senhor), Simeão transmite a mensagem de que Jesus é o senhor de escravos que dá a liberdade aos escravos. Ou seja, o filho veio libertar os que estão escravizados. Com a chegada de Jesus, os filhos se reconheciam livres. Assim, como foi por ocasião da chegada do anjo da morte. Os filhos de Israel se tornaram livres e receberam uma nova vida.
Milhares de pessoas vão continuar reféns desse ano que está terminando. Alguns querem que o novo ano seja de fato novo. Os fogos, segundo a tradição pagã afugentará os maus espíritos que querem impedir que o novo seja de fato novo. Mas, os filhos de Deus, não querem e nem precisam estar sob uma tradição pagã. Pelo Batismo, cada filho e filha foi consagrado a Deus. O batismo torna os filhos e filhas distintos e especiais. Os batizados vivem na luz e são guiados pelo Espírito (Gl 5.16, 22,23,25).
O historiador Lucas ressalta que Simeão apresenta Jesus como “uma luz para mostrar o caminho a todos os que não são judeus ...” (Lc 2.32). No entanto, pelo Espírito Santo, Simeão esclarece aos pais José e Maria que, ao ter sido enviado para ser luz, Jesus seria hostilizado e perseguido (Jo 1.11). Simeão, guiado pelo Espírito Santo, apresenta para José e Maria que Jesus, conforme citação do próprio antigo testamento (Is 42.6; 46.13; 49.6; 52.10) será salvação para uns e perdição e ódio para outros. Alerta ainda que “... a tristeza, como uma espada afiada, cortará o seu coração, Maria” (Lc 2.35). Ou seja, Simeão guiado pelo Espírito Santo mostra à Maria o sofrimento pelo qual Jesus irá passar. Antes de anunciar todos esses acontecimentos a José e Maria, Simeão os abençoou.
A missão de Jesus era uma missão divina. Ele veio para ser luz e para mostrar o caminho de luz.
O encontro surpreendente e as fortes emoções não haviam terminado nesse encontro com Simeão. Após terem sido abençoados por Simeão e saírem pensativos sobre a missão de Jesus, José e Maria se deparam com Ana.
Ana era uma senhorinha que ficava no templo. Talvez entregasse doces as muitas crianças que por lá passavam. Era uma vovó que queria abraçar todos os bebês que eram dedicados a Deus.
Essa viúva, de 84 anos, dedicava-se a oração e outras atividades no Templo. Ela conhecia as profecias a respeito do Salvador, afinal, era filha de Fanuel, da tribo de Aser, uma das doze de Israel. Acredita-se que tenha ouvido as palavras de Simeão, e por saber da sua veracidade, louvou a Deus por que em Jesus, a salvação havia chegado.
Mais um ano chega ao fim!
Mais um ano se iniciará!
As expectativas para esse ano foram satisfeitas? Quais são as expectativas para o novo ano?
Querido povo de Deus! O ano termina e outro se inicia. Há muitos motivos para louvar a Deus! Afinal, em Jesus, Deus resolveu a pior tragédia humana. Ele trouxe luz, salvação e perdão!
A música “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!” é mais uma oferta consumista. Quem nesse ano, enfrentou problemas de saúde, problemas financeiros, parece não ter nenhum motivo para louvar a Deus.
Problemas!
Nem se sabe como foi possível atravessar um ano tão difícil. O que a Palavra de Deus diz é que não foi pelas próprias forças e capacidades. Assim, chego ao final de mais um ano e poderei iniciar um novo ano na certeza de que “...são maravilhosas as coisas que Deus faz! Todos os que se alegram por causa delas querem entendê-las” (Sl 111.2). Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Feliz Natal!

      FELIZ NATAL
Que o natal vá além do dia 25 de dezembro. Que o natal seja a prática diária no novo ano que está por nascer. Que sejamos amorosos, misericordiosos. Afinal, natal é o socorro de Deus.


Abençoado natal e 2018.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Uma obra especial do Espírito Santo!

24 de dezembro de 2017
4º Domingo no Advento
Sl 89.1-5; 2Sm 7.1-11,16; Rm 16.25-27; Lc 1.26-38
Tema: Uma obra especial do Espírito Santo!

Lucas apresenta uma notícia de um anjo à Maria: O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá” (Lc 1.35ª). O termo grego é episkiazo – “Toldar, cobrir”. No Antigo Testamento, essa palavra corresponde ao termo “sombra”, e tem vários significados. Sombra de uma montanha, (Jz 9.36); sombra de plantas (Ez 17.23; 31.6; Jn 4.6), sombra de uma choupana (Jn 4.6).
Há textos obscuros relacionados a palavra, tal como Isaías 38.8 e 2Reis 20.9. Esses textos indicam um milagre. Há também uma referência muito difícil desse termo no texto de Isaías 25.5, no qual a LXX não transcreve o termo nuvem. Nuvem significa a demonstração da autoridade de Deus (Ex 40.34-35).
No Novo Testamento o verbo “episkiazo” aparece apenas cinco vezes. No texto de Lucas 1.35 falta a figura concreta da nuvem que lança sua sombra. Ao invés de nuvem, há uma referência abstrata, porém direta ao sujeito divino de “episkiazo”, ou seja, “envolver na sombra”. Maria foi informada pelo anjo de que “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra”.
As cinco ocorrências de “episkiazo” traz como significado o fato de que é Deus, que em última análise, é a causa do sombreamento. Estar envolvido pela sombra do altíssimo serve para demonstrar o poder e glória de Deus (Dicionário Internacional de Teologia pp. 2427-2429).
A mensagem do anjo para Maria, revela da parte de Deus que não está apresentando um fato da curiosidade humana, mas está gravando um mistério insondável.
A concepção virginal de Jesus é um mistério insondável. Poderia ter sido qualquer outra mulher, no entanto, foi Maria, tratada no texto como uma mulher agraciada.
O evangelista Mateus registra o relato da concepção virginal usando o termo grego “sunerchomai” do verbo “suneltein”. É um infinitivo aoristo. Ou seja, isso aconteceu antes da consumação sexual (Gn 2.24).
Mateus ao usar esse termo pela inspiração do Espírito Santo ressalta a transparente e milagrosa intervenção de Deus pelo poder do Espírito Santo.
O evangelista Mateus (Mt 1.18) escreveu: “...achou-se grávida pelo Espírito Santo”. Mateus simplesmente ressalta que “...porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20). Esses dois versículos apresentam as maiores diferenças entre as traduções.
Outra observação necessária é que o evangelho de Mateus foi escrito segundo a perspectiva de José. Já o evangelho de Lucas foi escrito na perspectiva de Maria.
Outro fato a ser observado é que esse é o segundo milagre biológico da Bíblia. O primeiro foi a criação de Adão e Eva.
O anjo disse à Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá” (1:35 a). Deus revela que tal concepção ocorreu, não precisamente como, a nossa curiosidade determina, e não para nos satisfazer humanamente. O anjo revela e os evangelistas reconhecem que estão gravando um mistério insondável.
Lucas ao registrar o que disse o anjo (Lc 1.35), indica que Maria foi ofuscada pelo poder do Espírito Santo (cf. Ex 40.34 – 35).
O Espírito Santo realiza um ato milagroso de criação no seio da virgem Maria, sinalizando que a idade de cumprimento chegou.
Jesus é humano e divino. Ele tem uma mãe humana e um pai divino. Os evangelistas apresentam “a mãe Maria” e também apresentam Jesus constantemente dizendo que Deus é o seu Pai (Mt 11:25-27). Jesus é repetidamente chamado de “o Filho de Deus” (Mt 2:15, 3:17, 8:29).

Os cristãos estão vivendo, assim como sempre viveram, dias desafiantes para sua fé. Há muitas reinterpretações e reconstruções diferentes de Jesus. Entre as muitas faces de Jesus, atualmente, devido ao livro Código da Vinci, Jesus é casado e pai de uma criança.
As muitas reinterpretações sobre Jesus ocorre justamente por que não se consegue ver a obra de Deus em Jesus como algo completo. É preciso vê-lo em sua totalidade paradoxal – seu sofrimento e glória, sua servidão e senhorio, sua encarnação humilhante e seu reinado cósmico. Entre todos, a encarnação, uma obra extraordinária do Espírito Santo, é negligenciada.
Jesus o filho de Deus não permaneceu na segura imunidade do céu. Ele se esvaziou de sua glória e se humilhou para servir. Ele se tornou pequeno, fraco e vulnerável. Ele entrou em nossa dor, em nossa alienação e em nossas tentações. Jesus curou doentes, alimentou famintos, perdoou pecadores, tornou-se amigo dos rejeitados. Não veio para ser servido, mas para servir. Veio para dar sua vida como pagamento pelo resgate e libertação de outras pessoas.
O mistério da encarnação de Jesus é insondável, mas, tem um propósito definido e prático. Jesus tornou-se homem para resgatar o homem que nascido de mulher é pecador e precisa da redenção. E o Espírito Santo continua fazendo uma obra especial, levando pessoas a crer em Jesus, aquele que foi concebido pelo seu poder e realizou a obra da salvação. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

Bibliografia
Stott, John. Os cristãos e os desafios contemporâneos. Viçosa, MG, Ultimato, 2014.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Cristo Para Todos!

Terceiro Domingo de Advento
Cristo para todos!

Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos, e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor, desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.8 – 11)

Pastores que viviam nos campos (Lc 2.8)
No antigo testamento observamos que Deus dava suas revelações aos profetas e em raras vezes a alguns indivíduos. Em Lucas 2.8-11 lemos que Deus deu sua revelação a um grupo inteiro de humildes pastores de ovelhas.
Para um judeu, isso é ofensivo, afinal, pastores de ovelhas eram desprezados. Os fariseus caracterizavam pastores de ovelhas como ladrões, enganadores. Eram igualados a publicanos e pecadores. Eram tidos como pessoas que desconheciam a lei de Deus e não lhes era permitido sequer ser testemunha em um tribunal. Eram privados dos direitos civis. Havia um ditado rabínico que dizia: “nenhuma classe no mundo é tão desprezível quanto a classe de pastores”.
Esses humildes pastores estavam cumprindo fielmente seu trabalho, vigiavam os rebanhos. Vigilantes, em pleno trabalho, receberam a notícia do nascimento de Jesus. “E um anjo do Senhor, desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9).
Observe que a luz brilhou, a glória de Deus brilhou em direção ao deserto. Os pastores, desprezados pela nata eclesiástica, em pleno deserto, ficaram envolvidos na glória de Deus.
Nas páginas do Antigo Testamento lê-se que enquanto o povo de Deus caminhava pelo deserto uma coluna de luz (fogo) os guiava a noite (Ex 13.21-22; 33.14). Essa luz (shequiná) atestava a presença de Deus entre o povo. E é dessa maneira, “a glória do Senhor brilhou ao redor deles” que Deus se revela aos pastores. A noite se transformou em dia. A escuridão em luz.
Quando se está acostumado a escuridão, a noite, o dia e a luz, se tornam anormais, e assim, os pastores “ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9).
É possível ver situações de temor em outras narrações bíblicas (Lc 8.25; Gn 28.17). Esse temor é natural no ser humano que como pecador se vê e é impotente diante de Deus.
Ao reconhecer o temor dos pastores, o anjo lhes oferece uma palavra consoladora: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11).
A luz desconhecida que havia causado temor, era a luz da salvação que havia raiado naquele que nasceu na cidade de Davi e que estava enrolado em panos.
A mensagem do anjo aos pastores, desprezados pelos judeus, é a caracterização da mensagem de amor de Deus a todos os homens, independente da sua situação.
Lucas, o médico evangelista, faz questão de ressaltar esse relato (Lc 2.8-11) para apresentar a salvação a todos os povos. Para Lucas, Cristo é para todos.
No terceiro domingo de advento, acende-se a terceira vela na coroa de Advento. É a vela dos pastores – a vela do Cristo para todos! A vela da alegria de que Jesus é o enviado para salvação de todas as pessoas.
Gosto muito da definição de Bergamini (1994, p.186 - 9) que diz haver quatro pontos principais, no que ele chama de teologia do Advento.
1) Dimensão histórica da salvação. O Advento faz memória de que Deus não esqueceu da promessa e da aliança que fez com o povo. O envio de seu Filho mostra que o Reino de Deus está próximo (Mc 1.15).
2) Dimensão escatológica. Deus é “aquele que é, que era e que vem” (Ap 1.4) e se manifesta em Jesus Cristo.
3) Dimensão missionária. Anúncio do Reino e edificação da Igreja pela fé em Jesus Cristo e adesão ao seu Evangelho.
4) Dimensão libertadora. Deus assume a causa dos pobres restituindo-lhes a esperança e a dignidade. O Reino de Deus é daqueles que põem sua confiança em Deus.
A terceira vela da coroa de advento, a vela dos pastores, representa as pessoas que acolhem Jesus Cristo como seu Salvador. Àqueles que reconhecem Jesus como Senhor da sua vida. Representa àqueles que se assemelham aos Pastores de Belém. Representa àqueles que humildemente se agarram em Jesus e se despojam de si mesmos, afinal, não tem nada para verem em si mesmos, e por isso, precisam continuar ouvindo: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11). Amém.


Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Identidade e Missão!

17 de dezembro de 2017
3º Domingo no Advento
Sl 126; Is 61.1-4,8-11; 1Ts 5.16-24; Jo 1.6-8,19-28
Tema: Identidade e Missão!

Quem é você? Qual é a sua missão de vida?
Uma delegação de fariseus havia sido enviada de Jerusalém para o Jordão por parte dos sacerdotes e levitas para investigar duas coisas: quem era João Batista e porque batizava?
As autoridades eclesiásticas queriam saber porque um evento proporcionado por João Batista estava atraindo tantas pessoas as margens orientais do rio Jordão (Jo 1.28).
Na busca por respostas, João Batista ressaltou que não era o Cristo, nem Elias ou qualquer outro profeta predito por Moisés (Jo 1.20-21). Os homens que compunham a delegação precisavam levar uma resposta aos líderes em Jerusalém e por isso insistiam: “o que dizes a respeito de si mesmo” (Jo 1.22). João Batista simplesmente respondeu: “Eu sou a voz que clama no deserto...” (Jo 1.23; Is 40.3).
Ao dizer que era a voz que clama no deserto, João Batista sabia quem era. Sabendo quem era, conhecia e sabia da sua missão: “Endireitar o caminho do Senhor” (Jo 1.23).
Os fariseus não entenderam como era possível à João Batista, não sendo Cristo, Elias ou um profeta, estar batizando. Ao que João Batista apenas respondeu: “...não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias” – ou seja, não importa porque o faço, sou apenas um escravo, um servo. Sei que não sou digno de fazer o que faço, mas o faço pela graça e misericórdia de Deus.
Quem é você? Qual é a sua missão de vida?
O ano de 2017 está quase no fim. Foi um ano de muitos festejos no luteranismo em comemoração aos 500 anos de Reforma Protestante. Durante o ano eclesiástico que já terminou, a IELB dedicou-se ao tema: Vou Viver e anunciar o que o Senhor tem feito. Na vida como herdeiro da Reforma. Um tema motivador e desafiador.
Motivador por mostrar aos luteranos quem eles são e, desafiador por mostrar qual é a sua real missão.
João Batista sabia quem era e qual era a sua missão. Cada cristão é um filho de Deus, e como tal sua missão é testemunhar os grandes feitos de Deus, sendo o maior deles, ter enviado o seu Filho Jesus para salvação. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A padaria de Deus aberta para todos!

Belém
A Padaria de Deus aberta para todos!

E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2)

Conforme tradição da igreja, no segundo domingo de Advento (10 de dezembro) será acessa a segunda vela presente na coroa de Advento. A mesma simboliza a vela de Belém. 
A vela de Belém pode ser denominada como “salvação para todos”. O tema do segundo domingo de advento é o arrependimento através da mensagem de João Batista.
Quem era João Batista? Filho do sacerdote Zacarias. O nome hebraico Zacarias significa “Deus se lembrou”. Ele era sacerdote no Templo de Jerusalém, do turno de Abias (1Cr 24.10-19; Lc 1.5). Era descendente sacerdotal de Levi. Dessa maneira é estranho ver João Batista realizando seu ministério no deserto, sendo que por descendência e direito, deveria estar no Templo.
Qual é a razão disso?
Um detalhe pouco comentado é o fato de Lucas apresentar em seu evangelho que quando João Batista iniciou seu ministério de pregação, haviam dois sumo sacerdotes, Anás e Caifás (Lc 3.2).
A julgar só por esse detalhe, vemos algo incomum, ou seja, não era possível pela ordem divina ter dois sumo sacerdotes.
Lucas denuncia também que Anás, populista, tendo cinco filhos negociou com os Romanos, e eles passaram a decidir quem seria sumo sacerdote. E após a morte dos seus cinco filhos, os Romanos decidiram por Caifás, genro de Anás. Assim temos os dois sumo sacerdotes.
Infelizmente, Deus deixou de falar do seu Templo e passou a falar do deserto. Havia corrupção e isso levou Deus a se comunicar com seu povo no deserto.
Pode-se dizer que a igreja estava vivendo o exílio da corrupção e por causa dela, Deus se comunica no deserto por meio de João Batista.
O ministério de João Batista no deserto já era uma figura de linguagem de convite ao arrependimento. O arrependimento necessário para o Senhor Jesus que já estava por iniciar seu ministério.
Deixemos de lado por um momento a pessoa de João Batista, e retornemos a vela de Belém. A vela que representa a “salvação para todos”.
Analisando a palavra Belém, vemos que a mesma significa “casa do pão”, ou seja, lugar de comida. E em Belém, nasceu aquele que anos mais tarde, em sua pregação, disse: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6.48).
O profeta Miquéias, setecentos anos antes do nascimento de Jesus disse ao povo: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2).
Havia tantas cidades maiores, mais importantes, mais destacadas, mas, Deus resolve em seu preceito que Jesus nasceria em Belém, uma pequena e para muitos insignificante cidade. Na verdade, a pequena Belém era útil para o povo apenas para uma coisa. Belém é o ponto de partida para quem ia para o Egito (Jr 41.17). Foi daqui que iniciou-se a fuga do menino Jesus para o Egito (Mt 2.1-15; Lc 2.4-15; Jo 7.42).
Deus sai da sua terra para resgatar seu Filhos escravizados, assim como aconteceu nos dias de Moisés. Deus tirou do Egito o seu povo escravizado.
João Batista no deserto, é a mensagem de que Deus, se ausenta do Templo para buscar seu povo que estava vivendo no deserto da corrupção.
Jesus nasceu em Belém. Essa verdade, ocorreu por três motivos. Sendo eles:
1Profético: Para que se cumprisse a profecia (Mq 5.2). E, sendo o caminho para o Egito, conforme profetizado pelo profeta (Os 11.1).
2Simbólico: Belém, casa do pão. Jesus, o pão da vida (Jo 6.48).
3Histórico: O último filho de Jacó nasceu em Belém (Gn 35.16-19). Seu nome foi Benoni “filho da minha dor”. Jacó o chamou de Benjamim “filho da mão direita”. Jesus, o filho de Deus, que nasceu em Belém, nasceu para ser o homem das dores (Is 53.3) e filho da destra de Deus (At 7.55).
Ao observar que Boaz e Davi nasceram em Belém e, combinando as palavras do profeta que disse “... cujas origens são desde os tempos antigos...”, vemos Deus agindo na história. Como disse o apostolo Paulo: “... quando chegou o tempo certo...” (Gl 4.4).
Mais uma vez vamos festejar o segundo domingo de advento. De tudo o que ouvimos até o momento, quais lições podemos tirar?
- Deus, mesmo que no deserto, continua nos convidando ao arrependimento;
- A salvação é para todos – por isso, insiste e convida a todos ao arrependimento;
- Jesus não foi reconhecido por causa da corrupção reinante na igreja. Mas, Deus em amor e misericórdia, veio ao seu povo e pelo deserto, por João Batista, mostrou esse amor e misericórdia ao povo que veio salvar.
Querido e querida.
Não posso terminar essa mensagem sem alertar a todos.
É muito comum ouvir que há situações desastrosas em tal e tal instituição religiosa. No entanto, Deus não se cala. Ele continua falando em muitas instituições religiosas e por vezes no deserto de um blog, numa postagem no face, num grupo de whats, num grupo pequeno de estudo, numa pequena igreja no interior ... . Ele continua anunciando seu amor. Ele continua preparando seu povo para o dia em que irá voltar para julgar os vivos e os mortos.
A todos nós, cabe a missão de permanecer com os olhos fixos em Jesus, tão somente em Jesus, o cordeiro de Deus, o pão da vida.
Deus, enviou da sua padaria, Belém, o pão que sacia a fome de toda a humanidade. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Não deveis esquecer!

10 de dezembro de 2017
2º Domingo no Advento
Sl 85; Is 40.1-11; 2Pe 3.8-14; Mc 1.1-8
Tema: Não deveis esquecer!

No dia em que escrevo essa mensagem (21 de setembro de 2016), os noticiários divulgam reportagens sobre o mal de Alzheimer. O dia 21 de setembro é o dia mundial de alerta sobre o mal de Alzheimer.
Dados recentes da OMS e entidades não governamentais voltadas para esta doença indicam que o número de pessoas com Alzheimer vai aumentar muito, em torno de 5% ao ano, chegando em 2050 na casa dos 131,5 milhões.
O mal de Alzheimer faz com que a pessoa esqueça coisas de ontem ou até mesmo de conversas da manhã. Por isso, é sempre importante lembrar, recordar.
João Marcos era parente de Barnabé (Cl 4.10). Foi colaborador do apóstolo Paulo (At 12.25; 13.5,13; 15.37,39; 2Tm 4.11; Fm 24). Possivelmente foi discípulo de Pedro (1Pe 5.13). Na casa de sua mãe havia um cenáculo onde se reuniam os apóstolos para orar (At 1.13; 12.12).
João Marcos narra no evangelho tudo o que chegou ao seu conhecimento, quer seja através de sua mãe, Paulo e Pedro. O evangelho escrito por João Marcos é o mais antigo dos evangelhos, data do ano 50 d.C., ou seja, 17 anos após a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
O evangelho de Marcos é na verdade uma transcrição das palavras de Pedro. Muitos eram os boatos a respeito de Jesus, por isso, era necessário falar que Jesus era o filho de Deus.
O evangelho busca traduzir a verdade, através de eventos reais e ação direta de Deus na história humana para revelar-se ao ser humano. O apóstolo Paulo em suas cartas descreve o evangelho como sendo a ação de Deus em prol da salvação do mundo, na encarnação, morte e ressurreição de Jesus. O evangelho é a história da salvação! Assim, o apóstolo Pedro recomenda: “Não deveis esquecer”.
Não deveis esquecer!
1 – O evangelho é a revelação de Deus!
Ainda hoje, quando se diz que alguém é pregador do evangelho, vale ressaltar que o evangelho é a mensagem que já está escrita. Sempre lembro aos meus leitores e ouvintes que todo “sermão é um plagio, afinal, o sermão está escrito na Bíblia”. O evangelho já é algo revelado.
João Marcos escreveu tudo o que Pedro lhe transmitiu a respeito de Jesus. Ele não esqueceu do que aprendeu sobre a Palavra de Deus. João Marcos combinou profecias do profeta Malaquias e Isaías. Na verdade plagiou um evangelho anteriormente revelado.
O evangelho do profeta Malaquias (Ml 3.1) plagiado por João Marcos (Mc 1.2), anuncia que “Deus pessoalmente visitaria seu povo”. Essa visita seria previamente anunciada através de alguém que prepararia sua chegada. O evangelho anteriormente proclamado indicou que esse enviado de preparar o caminho da visita Deus, ressaltou que o mesmo “gritaria no deserto” (Is 40.3).
O que será que aconteceu? Afinal, Jesus veio para o seu povo e mesmo tendo ouvido todo esse evangelho não o recebeu?
Pregação e mais pregação! Parece que as pessoas não aprendem nada a respeito de Deus. Disso há argumentos favoráveis a dinamicidade do pastor, a necessidade da oratória, é preciso despertar a atenção dos ouvintes. Nada contra esses meios. A verdade é que todos são necessários e importantes. Mas, o grande problema que as pessoas precisam ter consciência é que “...o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4).
João Marcos não só registrou palavras do apóstolo Pedro em seu evangelho, o próprio Pedro escreveu duas cartas. Na segunda carta seu objetivo é justamente mostrar quem é Deus e o que fez. Havia o perigo dos cristãos caírem no ensino dos falsos mestres que distorciam o evangelho. Pedro deseja fortalecer a fé e a esperança dos cristãos.
Falar sobre Pedro ou João Marcos é quase que redundância, afinal, João Marcos escreveu o evangelho, mas, a voz é de Pedro. Tanto nas palavras ditas, quanto nas palavras escritas, a preocupação é só uma: responder a pergunta sobre quem é Jesus à primeira comunidade cristã. Exatamente por isso que João Marcos inicia o evangelho dizendo: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1.1).
Jesus era completamente o oposto do Messias aguardado pelo povo. Os judeus esperavam um libertador político. No entanto, veio o libertador do pecado, da escravidão eterna. Esperavam um Messias majestoso, mas, depararam-se com um Messias humilde.
O sermão de João Marcos é um verdadeiro plágio das Escrituras. Ele aponta para as promessas feitas no passado e cumpridas em seus dias.
Atualmente, não vivemos o período em que as promessas que foram feitas estão sendo cumpridas. No entanto, isso pode acontecer. Afinal, o apóstolo Pedro escreveu: “...segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, ...” (2Pe 3.13). Pode ser que vivamos essa promessa! Afinal, não sabemos o dia e a hora, pode ser que seja hoje, amanhã, daqui alguns meses. Se acontecer, ou seja, se Jesus voltar nesse exato momento!? Será que assim como um ladrão, nos pegará de surpresa? Não deveis esquecer. Deus prometeu que enviaria seu filho, e essa promessa já foi cumprida. Jesus prometeu que voltará, e essa promessa também será cumprida.
Não deveis esquecer!
2 – Estamos esperando.
Como esperar? Como estar preparado?
Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos...” (2Pe 3.13). Quem são os que esperam? 2Pe 3.1 – 2, são “pessoas esclarecidas, conhecedores da Palavra de Deus”.
Um detalhe não pode passar despercebido jamais. Jesus não está demorando voltar para punir os cristãos. Sua demora se deve ao fato de Deus “ser longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9).
Cada ser humano é convidado amorosamente ao arrependimento, afinal, assim como Jesus apareceu diante do povo, aparecerá novamente, mas agora em glória e majestade, como vencedor, para julgar os vivos e os mortos.
Arrependimento não implica abandonar a vida de lazer, de trabalho ou familiar. Arrependimento implica abandonar aquilo que afasta de Deus, abandonar aquilo que afasta do amor e da misericórdia de Deus.
Não se esqueça, aquele pastor que o batizou, apenas teve a honra de jogar água em sua cabeça, mas quem verdadeiramente te batizou foi o próprio Deus, concedendo a você pela Palavra o Espírito Santo. O Espírito Santo é quem te permite viver na graça e na certeza de que se Jesus voltar agora, você tomará posse do novo céu e da nova terra. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Advento - Prepara-te!

Devoção de Advento
O Primeiro advento já ocorreu e o segundo está por vir.
Prepara-te!

...vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4)
A igreja inicia seu novo ano da igreja.
Adventus – chegada!
Verbo advenire – chegar a.
O tempo de advento, marcado pela cor azul ou roxo nos paramentos eclesiásticos, é um tempo de preparação, alegria, expectativa.
Quando ocorreu o primeiro advento?
Gl 4.4. Deus preparou todo o cenário para que o primeiro advento acontecesse. Ele falou sobre esse primeiro advento. Enviou profetas para anuncia-lo ao povo. Enviou João Batista, aquele que preparou o caminho, indicando que todo já estava preparado e que aquele que era aguardado estava por chegar. 
Quem foram os privilegiados que presenciaram a chegada de Jesus no primeiro advento?
Lc 2.8 – Humildes pastores;
Mt 2.1 – sábios do oriente, que pelos seus estudos descobriram que alguém muito importante estava por chegar através de um nascimento.
É preciso lembrar que, muitos daqueles que faziam parte do povo que havia ouvido, e havia sido preparado para tal chegada, “não o reconheceram ...” como nos lembra o apostolo João (Jo 1.11).
O segundo advento terá uma simples diferença do primeiro. Enquanto que no primeiro alguns poucos viram Jesus em sua chegada, no caso do segundo, “todos” o verão (Ap 1.7).
Quando será o segundo advento?
Mateus 24.36 – ninguém sabe o dia e a hora.
E é exatamente por isso que é tão necessário estar preparado, estar numa ardente expectativa, 1Co 16.13.
Essa semana, dia 01 de dezembro, na Rússia, pudemos acompanhar o sorteio dos grupos para a disputa da fase final da Copa do Mundo. Das 208 seleções que iniciaram a disputa, apenas 32 se classificaram e obtiveram o direito de estarem com seus nomes nos potes e serem sorteados. Com o sorteio todas as 32 seleções conheceram seus grupos.
Em qual grupo você estaria se Jesus viesse hoje? Lembrando que por ocasião de sua vinda só há dois grupos. Mt 25.33
É preciso viver com alegria, na expectativa e preparando-se para o segundo advento que acontecerá. É preciso lembrar-se constantemente do primeiro advento, pois, por esse, Jesus veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). Jesus continua preparando as pessoas para seu segundo advento e faz isso, convidando a todos, 1Tm 2.4; Ap 21.6; ...
Recebe hoje o convite de Jesus, pois, no seu segundo advento, ele virá como juiz, 2Tm 4.1; At 10.42; 1Pe 4.5.
Deus nos abençoe nesse advento de espera, expectativa e alegria, “olhando para o autor e consumador da nossa fé ...” (Hb 12.2). Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A gratidão nasce da graça!

03 de dezembro de 2017
1º Domingo de Advento
Sl 80.1-7; Is 64.1-9; 1Co 1.3-9; Mc 11.1-10
Tema: A gratidão nasce da graça!

Neste novo ano eclesiástico, a IELB tem como desejo, lembrar aos cristãos que os mesmos vivem sob o efeito do Sola Gratia. A IELB deseja lembrar aos cristãos que os mesmos estão no mundo, atuam e agem no mundo, mas não são do mundo.
Viver e anunciar o que o Senhor tem feito no lugar onde se foi colocado por Deus é uma extraordinária oportunidade para rever a atuação do cristão nas diversas vocações. Quer seja na família, na sociedade, e na igreja.
O apóstolo Paulo desejava que seus leitores, em especial da primeira carta aos Coríntios, e atualmente nós, revejam sua situação. Muitos coríntios haviam sidos trazidos ao evangelho, e por discórdias, estavam agora se afastando da graça de Deus.
O apóstolo Paulo permaneceu em Corinto por um ano e seis meses.
Sua viagem a Corinto aconteceu em sua segunda viagem missionária (Atos 18). O resultado foi a conversão de muitas pessoas ao cristianismo.
Corinto, junto com Roma, Éfeso e Alexandria era uma cidade grande e importante na época. Sua importância geográfica, deve-se ao fato da localização de Cencréia, um dos portos mais importantes do mundo de então. O mundo inteiro se encontrava no entroncamento em Corinto. Assim, quem estava em Corinto, se fazia presente em todo o mundo. Todo o comércio entre o oriente e o ocidente passava por essa cidade.
Corinto havia sido destruída em 146 a.C. e reconstruída 100 anos depois, ou seja, em 46 a.C. por César Augusto. Por esse motivo pode-se dizer que Corinto estava em franco florescimento e isso favorecia a semeadura do evangelho da graça.
Culturalmente, os coríntios iam as praças públicas para ouvir os filósofos e pensadores que por lá passavam.
A cidade de Corinto era importantíssima na área esportiva. Havia prática de esportes ístmicos, superado apenas pelos jogos olímpicos de Atenas. Todos os esportistas iam a Corinto. Arqueólogos e historiadores com base em desenhos da época, acreditam que os jogos ístmicos eram disputados em provas hípicas, atléticas, musicais, literárias e náuticas. Havia também concursos de poesia e música para mulheres. O prêmio era uma palma e uma coroa de folhas de pinheiro.
Todo esportista corintiano ou de outra região competia e buscava vencer com objetivo de ser aplaudido e se tornar famoso para continuar vivo na memória da comunidade.
Corinto, uma cidade rica e bela, precisava do evangelho e o evangelho chegou a essa cidade. O evangelho foi pregado e muitos foram convertidos por ele, mas, infelizmente “a graça dispensada pelo evangelho” havia sido corrompida.
Tema: A gratidão nasce da graça!
1 - “graça concedida em Jesus Cristo” (v.4)
A palavra “corinthiazestai” significava viver como um coríntio, ou seja, bêbado e na corrupção moral. Ser coríntio era ser alguém que vivia na boemia.
Para muitos países, ser brasileiro significa “dar um jeitinho para tudo”. Ser brasileiro é ser filho de uma terra que produz um bom carnaval e um bom futebol.
Voltando a Corinto, os cristãos (um pequeno grupo) nessa cidade de 400 mil habitantes, estavam enfrentando a dificuldade de relacionamento. Devido a graça de Deus, os cristãos, passaram a viver de maneira diferente dos coríntios.
Paulo demonstra a sua preocupação. Havia deixado um grupo de pessoas que por terem sido alcançadas pelo evangelho na vida sob a graça de Deus, agora esse grupo estava sendo tentado a se deixar levar pela imoralidade da vida de um corinto. Assim, as perguntas que o apóstolo Paulo busca responder são as mesmas que muitos se fazem ainda hoje: Como resistir as tentações de uma grande cidade? Como suportar as fraquezas e os vícios do ocidente e oriente que se bifurcam e se misturavam nos grandes centros? A resposta é simples e direta. Só é possível através “da graça que foi concedida em Jesus Cristo” (v.4).
Na Bíblia há muitas figuras para ilustrar a igreja. Eu gosto muito de pensar na igreja como uma árvore. Toda árvore recebe sua vitalidade da raiz. A árvore só resiste aos temporais quando possui raízes fortes. Seja qual for a árvore, ela só produz bons frutos quando bem alimentada pela raiz. A raiz da igreja é Cristo, por isso disse Jesus: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).
Tudo o que a igreja é e produz se deve a graça de Deus em Jesus Cristo. Não há motivo para vanglória e exaltação. Os coríntios poderiam sim, devido a sua natureza pecaminosa, se afastar da graça de Deus, mas, os cristãos só poderiam estar e permanecer na igreja devido a ação graciosa de Deus. Por isso o apóstolo Paulo disse: “Dou graças (eucharisto) ao meu Deus”.
Tema: A gratidão nasce da graça!
2 – Sendo agradecido por aquilo que é recebido!
O verbo Eucharisto, agradecer, deriva de Charis, graça. Ou seja, dar graças só é possível a quem foi recebido pela graça. Dar graças é reação diante de algo recebido. O apóstolo Paulo agradecia a Deus por que os coríntios em sua depravação moral haviam recebido o dom de Deus, a fé, a graça. Esse dom recebido, a graça de Deus, transformou os coríntios. Pela graça recebida em Jesus, os coríntios não mais buscavam a sua honra. De nada adiantava os aplausos desse mundo. Pela graça, os coríntios testemunhavam (v.6) e perseveravam (v.8). Pelos coríntios, o apóstolo Paulo “dava graças a Deus”.
Os cristãos atuais, estão separados dos coríntios por vinte séculos, no entanto, “...a graça continua sendo dada em Cristo Jesus”.
Pela fé se está unido a morte e ressurreição de Jesus Cristo. A graça de Deus é o motivo que leva a agradecê-lo. Se a igreja não louva a Deus por sua graça, ela já não é mais cristã.
Gratidão a Deus pela graça, mas não somente pela graça, afinal: “E que tens tu que não tenhas recebido?” (1Co 4.7).
A gratidão é mãe de todas as virtudes. Gratidão é um exercício de humildade. Quem agradece se declara devedor. E frente a Deus, só existem pessoas endividadas. Até mesmos os frutos de fé que os cristãos produzem, não são produção própria.
Sempre dou graças a (meu) Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus; porque, em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; ...” (1Co 1.4-5). Amém!


Edson Ronaldo Tressmann

domingo, 19 de novembro de 2017

Jesus Cristo, a primícia dos que dormem!

26 de novembro de 2017
Ultimo Domingo do ano da Igreja
Sl 95.1-7; Ez 34.11-16,20-24; 1Co 15.20-28; Mt 25.31-46
Tema: Jesus Cristo, a primícia dos que dormem!

Do futuro que o cristão espera, Lutero pensa primeiramente em termos do que acontece a um indivíduo na morte e além da morte. A certeza da nova vida que surge da morte, Lutero se baseia na totalidade da ação redentora de Deus em Cristo.
Sobre a morte e o além morte, Lutero enfatiza a ressurreição de Jesus Cristo e sua vitória sobre a morte. Este é o único conforto para todos que choram de saudades de seus entes queridos e até mesmo nosso, afinal, muitos de nós também iremos morrer, se é que Jesus não voltará antes.
Cristo ressuscitou, sendo ele a primícia dos que dormem, como primeiro fruto. Essa ressurreição é a promessa da ressurreição corporal de todos que são seus, pelo batismo e a fé. Essa é a minha confissão de fé: “Assim como ele ressuscitou dos mortos ...”.
Sendo Jesus Cristo o cabeça da igreja e tendo a cabeça ressuscitado, fica a certeza da vida de todo o corpo.
Aos saduceus Jesus respondeu: “Deus não é Deus de mortos, e, sim, de vivos” (Mt 22.33). É verdade que o cristão passa pela morte, por causa do pecado, mas, sendo filho de Deus pela fé, o cristão é imortal, pois dorme nos braços do Senhor.
Toda a certeza do cristão do além morte está na mensagem da ressurreição dada pelo próprio Jesus. A morte de um cristão, nada mais é que, descanso nos braços de Jesus (Jo 11.26; 10.28).
Um ganancioso é consolado com dinheiro, um doente, com remédio, um mendigo ou faminto, com comida. No entanto, o cristão só é consolado pela Palavra de Deus. Pela fé, o cristão se mantém perseverante, e ainda, pela fé sabe que Cristo o manterá em seu colo até o ultimo dia.
Quando comemoramos 500 anos de Reforma não apenas festejamos, também refletimos. A 500 anos atrás havia mapas topográficos sobre o estado intermediário. Muitos sabiam dizer sobre os vários lugares onde as almas dos mortos estavam. E Lutero, pela descoberta da boa nova do evangelho, trouxe à tona que todos os que morrem na fé têm seu “lugar” na Palavra e na promessa de Cristo. Os cristãos do antigo testamento descansam “nos braços de Abraão”, assim todos os que, viveram antes do nascimento de Cristo, foram para os braços de Abraão (Gn 22.18), e todos que adormeceram na fé, são preservados e protegidos nessa palavra: estão nos braços de Abraão e dormem nela até o Último dia. Os cristãos do Novo testamento estão consolados e confortados na ressurreição de Cristo (1Co 15; Fp 3.20).
Paulo fala da ressurreição “dos mortos”. Se a morte afeta a pessoa totalmente, a ressurreição também se dará assim. O morrer leva imediatamente à completa participação com Cristo e a vida com ele (2Co 5.6; Fp 1.23).
O cristão pode se tranquilizar sabendo que, na morte ou por ocasião do fim do mundo, é Cristo quem espera por nós.
A ressurreição será um acordar dos que dormem, afinal, entre a morte e a ressurreição há um profundo sono, sem sonho e sem sentimento. Ao acordarem não saberão onde estavam e nem porquanto tempo descansaram. Para o cristão a morte é um dormir na paz de Cristo.
Mesmo no sono da morte, o cristão está bem guardado, e por ocasião do último dia, Cristo acordará a pessoa e lhe dará a bem aventurança. Pode ser que a doença, um acidente, ou mesmo um assassinato nos tirem desse mundo, mas, com certeza, nos conduzem a Cristo, pois tanto Jesus como a vida eterna esperam ansiosamente pelo cristão.
Lembre-se: nosso conceito de medida e tempo não valem mais além da morte. No além morte, tudo é um momento eterno. “Cristo é a primícias dos que dormem” (1Co 15.20). Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

Dormindo tranquilo enquanto tudo parece desmoronar!

  18 de abril de 2021 Salmo 4; Atos 3.11-21; 1João 3.1-7; Lucas 24.36-49 Texto: Salmo 4 Tema: Dormindo tranquilo enquanto tudo parece...