domingo, 28 de maio de 2017

Rios de água viva correm ...

Pentecostes!
113 anos da IELB
Alto preço a pagar pelo confessionalismo!
04 de junho de 2017
Pentecostes
Sl 25.1-15; Nm 11.24-30; At 2.1-21; Jo 7.37-39
Tema: Rios de água viva correm da IELB

Talvez alguém pense que é, e acredito que seja, muita pretensão colocar como tema de um sermão: Rios de água viva correm da IELB.
Tenho muitos leitores de outras denominações cristãs, e o objetivo não é ofendê-los, mas, levar cada qual a seguinte reflexão: Rios de água viva correm da .... (Referida denominação). Como denominação cristã, estamos oferecendo aquilo que fomos enviados para oferecer: água viva!
A IELB expressa a verdade de que “todo aquele que crê na obra realizada por Jesus tem a salvação eterna”. Para ser salvo não depende da igreja da qual faz parte, mas da fé em Jesus como seu Salvador.
A SALVAÇÃO NÃO ESTÁ ATRELADA A INSTITUIÇÃO!
A verdade é que a instituição deveria estar atrelada a salvação. Ou seja, a instituição denominada cristã precisa oferecer o que lhe é próprio: a água viva!
Analisemos e vejamos se é ou não pretensão colocar como tema: Rios de água viva correm da ...
Vamos ao texto bíblico...
O último dia da festa era o mais importante. ...” (Jo 7.37). Qual era a festa? A festa dos tabernáculos era celebrava ano após ano, para lembrar os quarentas anos em que seus antepassados moraram em tendas no deserto, no tempo em que estavam de caminho a terra prometida. Além da lembrança, celebravam o fim das colheitas. Celebravam o fato de que que haviam recebido de Deus todo o bem necessário para o corpo e a vida.
No deserto seus antepassados haviam recebido de Deus todo o necessário para o corpo e a vida, sem plantação e colheita. Entre as muitas bênçãos, a maior bênção no deserto era a Água. A água era a maior celebridade da festa. Ela era o motivo da celebração. Deus havia dado água no deserto. A água foi a preciosidade das mãos de Deus durante a caminhada nos quarentas anos no deserto.
A maior celebridade, a água, estava sendo celebrada. E no exato momento em que o sacerdote carregava a água, “Jesus se pôs de pé e disse bem alto: - Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7.37). Nesse momento, a celebração foi interrompida pela discussão em torno de quem de fato era Jesus. E como sempre foi, é e será, Jesus causou separação. Alguns queriam louvá-lo, outros queriam prendê-lo.

Jesus continua oferecendo a água viva – mas, assim como há muitos países carente de água potável, há milhões de pessoas carentes da água viva.
E exatamente por isso, Jesus convida: “...se alguém tiver sede venha a mim e beba ...”.
Disse o filósofo Carlinhos Braw, sucesso no carnaval de 2011: “Bebeu água, não! Tá com sede, tô! Olha, olha, olha, olha a água mineral”.
Sem querer criar um sucesso para o carnaval e sem criar slogan do Refrigerante Sprite, Jesus disse: “...se alguém tiver sede venha a mim e beba ...”. Deixe a sede, venha a fonte de água viva.
Jesus fala de uma água viva, ou seja, uma água que está vivendo, sempre viva e atuante. Essa água viva flui tão somente de Jesus. O evangelista João (Jo 4.14) apresentou o relato da mulher samaritana que ouviu de Jesus que a água que Ele, Jesus, oferece e dá, é uma fonte de água que jorra. Jesus oferece e dá a água da vida. Jesus é a origem da água da vida.
Quem é a água viva?
Ao falar sobre a água viva - Jesus estava falando a respeito do Espírito Santo. Na festa do tabernáculo, quando Jesus interrompeu a festa, o Espírito Santo ainda não havia sido enviado porque Jesus não havia sido glorificado (É preciso ficar claro que o Espírito Santo é atuante desde a criação do mundo).
Mesmo atuante, o Espírito Santo, a água viva vinda de Jesus, foi enviado e atua como aquele que faz lembrar tudo a respeito da obra de Jesus. O Espírito Santo lembra o que Jesus falou e fez. A água da vida, o Espírito Santo, trabalha a partir da obra de Cristo. O Espírito Santo não trabalha fora da obra de Cristo.
A denominação cristã a qual você faz parte, revela a água viva. Sua denominação é uma fonte a jorrar da água viva?
Quem crê habita no Espírito: “fluirão rios de água viva”.
Jesus afirmou que essa promessa está registrada na Escritura Sagrada. As Escrituras Sagradas as quais o Novo Testamento se refere é o Antigo Testamento.
Onde está registrado que “rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim” (Jo 7.38)? Essa profecia foi registrada pelo profeta Isaias (Is 43), Zacarias (Zc 14) e Ezequiel (Ez 47).
O profeta Ezequiel foi enviado para comunicar ao povo que a glória de Deus que havia saído do templo estava de volta. A glória do Senhor, ao voltar, escore por baixo das portas do templo formando um rio caudaloso que chega ao mar morto e lhe dá vida.
No Novo Testamento aprendemos que a glória de Deus é a obra de Jesus Cristo realizada na cruz. Essa glória é oferecida por Deus através dos meios da graça (Batismo, Pregação e Santa ceia).
Assim, afirmo que Rios de água viva correm da IELB. Afinal, como luteranos sabemos que a nossa tarefa primordial é pregar e administrar os sacramentos como Jesus nos deixou.
Parabéns IELB. 113 anos fazendo correr rios de água viva para que pessoas recebam a graça de Deus. Amém.
 
Rev. Edson Ronaldo Tressmann

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Todos perseveravam unânimes em oração

Atos 1. 12 – 26

“Todos perseveravam unânimes em oração...” (At 1.14)

1 – Após a ascensão (comemorada quinta – 25 de maio), os discípulos voltam para Jerusalém. O líder, Jesus, que havia sido morto, ressuscitado e assunto ao céus não estava mais com eles.
- Será que permaneceriam unidos?
- Será que o desejo pelo poder não contaminaria os discípulos?
- Quem seria o maior entre eles?
2 – A verdade é que todos, conforme Lucas no evangelho “estavam sempre no templo, louvando a Deus” (Lc 24.53) e conforme seu relato no livro de Atos “perseveravam unânimes em oração” (At 1.14).
3 – Cada congregação tem seus planos e objetivos. Aqui não é diferente. Temos um plano de ação. Temos um objetivo.
- o problema é que: diante das dificuldades da realização desses planos e objetivos, muitas vezes não sabemos como lidar com as mesmas.
4 – Observando a lista dos discípulos em Lucas (Lc 6.14-16) e Atos (At 1.13), observo que não há grandes mudanças, mas um fato chama atenção. Os irmãos Pedro e André são citados primeiro no evangelho e em Atos os irmãos Pedro e André são separados por João e Tiago. No versículo 16, todos, não só os 11 discípulos, as mulheres e os cento e vinte são denominados “irmãos”.
5 – Todos esses perseveravam unânimes em oração
- A palavra unânimes é empregada por Lucas 10 vezes e só mais uma vez no restante do NT.
- A unanimidade era mais que uma simples reunião e atividade conjunta. Por unanimidade na oração, quer dizer que todos tinham um só objetivo, estavam de acordo naquilo que oravam. Todos estavam impulsionados num mesmo propósito.
6 – Engraçado que os que agora oravam muitas vezes foram pegos por Jesus dormindo.
- a igreja agora reunida havia presenciado por tantas vezes Jesus, o filho, orando ao Pai. E após sua morte e ressurreição, a igreja se pega a falar com seu Pai em oração, por saber e reconhecer o amor do Pai pelos seus filhos.
- O desafio da igreja é orar! Lutero dizia: “Hoje, tenho muitas coisas para fazer, por isso, preciso orar mais”.
- Temos tantos planos e objetivos – mas, estamos orando? O problema é que como igreja, confiamos em nossas habilidades, nossas metas. Já te ocorreu que em determinado momento Deus muda os nossos passos caminhos para prestarmos mais atenção onde estamos caminhando?
7 – Na quarta-feira, no culto em lembrança a ascensão, ressaltei para vocês que evangelizar custa caro. Não podemos nos conformar que o trabalho na igreja seja feito no improviso. Para o bem do evangelho precisamos do melhor.
8 – Os discípulos nesse primeiro momento não disputaram pelo poder.
- Eles oravam perseverantes!
- Perseveravam – significa que estavam ocupados e persistentes nessa atividade. Paulo também faz essa referência em Rm 12.12; Cl 4.2.
9 – Porque os discípulos permaneceram unânimes e perseverantes na oração?
- Lucas diz em At 1.4,5,8 – que eles permanecessem em Jerusalém esperando o cumprimento da promessa a respeito do Espírito Santo.
- A motivação, o impulso, para oração era a promessa de Deus.
- Não haveria testemunho sem o Espírito Santo!
- Graças a Deus que pelo batismo, pela Pregação da Palavra, recebemos o Espírito Santo. Somos motivados, animados e impulsionados a oração por recebermos a certeza de que Deus nos ouve e nos atende.
- Você tem orado? Com qual frequência? Qual é o conteúdo da sua oração? Que tal como igreja orarmos pelas mesmas coisas? Compartilharmos motivos de oração. Uma igreja unânime e perseverante na oração é tudo o que precisamos em dias em que ninguém mais nos ouve. Na oração Deus, como disse o salmista: “pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada. Deus faz que o solitário more em família ... ” (Sl 68.5). Uma família unânime e perseverante em oração. Amém!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Chegou a hora!

28 de maio de 2017
7º Domingo de Páscoa
Sl 68.1-10; At 1.12-26; 1Pe 4.12-19; 5.6-11; Jo 17. 1-11.
Tema: Chegou a hora!

A expressão: Chegou a hora! É uma expressão forte, que em algumas situações causa alegria, em outras causa tristeza.
Quando foi a última vez em que você ouviu essa frase? A comprovação de que a hora havia chegado era para alegria ou tristeza?
Quando Jesus disse que “é chegada a hora...”, estaca dizendo que aceita o carregar a cruz. Ele será submisso até o fim.
Vejam – chegou a hora, Jesus está chegando para julgar os vivos e os mortos!
Mas como? Não estou preparado? Não há mais tempo, Jesus chegou!
Na época em que o apóstolo Pedro escreveu sua carta aos cristãos dispersos pela região do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bítinia, havia uma eminente desatenção, esfriamento e desanimo quanto a volta de Cristo.
O alerta do apóstolo Pedro diz que todos estejam sóbrios e vigilantes. Afinal, as atrações mitológicas apesar de serem sutis, eram capazes de afastar os cristãos da fé em Jesus Cristo.
Pedro diz para os cristãos não se iludirem, pois a qualquer momento Cristo voltará, e se perderem o foco, poderão perder a vida eterna.
Chegou a hora, mas, ainda há mais uma noite!
Jesus disse que a hora havia chegado, mas ainda havia algumas horas. Assim é conosco, a hora chegou, mas ainda temos um tempo, graças a Deus.
E se há tempo, “sejamos sóbrios e vigilantes” (1Pe 5.8).
Se ainda há tempo, já que Cristo não voltou, “levante-se e se mecha”. Isso mesmo. O termo “gregoreo” (vigilante), significa alguém que está em movimento. Estar vigilante não é cruzar os braços e simplesmente esperar. (Mt 24.42; 25.13; 26.41; 1Co 16.13; Cl 4.2; Ap 3.2-3; 16.15). Estar em movimento requer que cada cristão não perca a atenção, mas que continue também sóbrio, ou seja, “em completa clareza mental”. Não se deixe levar pelas coisas do mundo, nem pelo medo da perseguição e nem pelas dúvidas diante das aflições. É necessário que enquanto há tempo, os cristãos permaneçam sóbrios (1Ts 5.6-8; 2Tm 4.5).
Ter clareza mental diante dessas situações levará o cristão a prática da oração (1Pe 4.7).
Sejam sóbrios e vigilantes” (1Pe 5.8).
Não continuem sentados, sem ação e neutralizados em vosso pensamento. Levantem-se a façam algo, afinal, o diabo que é adversário da igreja quer impedir o seu serviço, a sua atuação nesse mundo que carece do testemunho do Jesus ressuscitado.
Os apóstolos de Cristo, aqueles que foram escolhidos e enviados para testemunhar sobre a ressurreição de Jesus, podem ser devorados junto aos que lhes foram confiados.
Deus, através da congregação local, atua pelos meios da graça oferecendo e dando perdão. O diabo, quer devorar os cristãos em seu desespero, sofrimento e angústia. Sua tentativa é cegar o entendimento dos incrédulos, para que a luz do evangelho não resplandeça sobre elas (2Co 4.4). Por isso, “sejam sóbrios e vigilantes” (1Pe 5.8).
O apóstolo Pedro, assim como Jesus, sabia que por nós mesmos somos fracos. Jesus orou pelos seus devido a sua fraqueza.
Por sermos fracos devido ao pecado, Pedro aconselha a nos “humilhar”.
O humilhar-se, do verbo tapeinos significa “estar em baixo”.
De acordo com o Novo Testamento, “estar em baixo”, descreve a vida dos discípulo que tem um relacionamento com Deus. Nesse relacionamento, sabe que pelo poder de Deus, será libertado de qualquer coisa que o queira afastar do amor de Deus (Rm 8.37).
Chegou a hora!
O apóstolo Pedro sabe que os cristãos a quem escreve iriam passar por tempos difíceis. Para vencer esses tempos difíceis é necessário vigilância e sobriedade. Essa vigilância e sobriedade só é possível debaixo das mãos poderosas de Deus. Jesus orou: “Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que eles sejam um, assim como nós” (Jo 17.11). Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Inquietação, leva à ação missionária!

21 de maio de 2017
6º Domingo de Páscoa
Sl 66.8-20; At 17.16-31; 1Pe 3.13-22; Jo 14.15-21
At 17.16-31
Tema: Inquietação, leva à ação missionária!

O que motiva pessoas testemunharem?
Uma vez que o cristão conhece a Cristo como seu Senhor e Salvador, seu coração é permeado por Deus. Por isso, agora ele está ansioso para ajudar a cada um receber os mesmos benefícios, pois seu maior prazer está neste tesouro, o conhecimento de Cristo”. O autor da frase, Lutero, disse que Testemunhar não é uma tarefa simples.

O apóstolo Paulo chegou pelo mar à Atenas, pelo lado norte. Já havia solicitado que Silas e Timóteo fossem enviados o mais rápido possível (At 17.15). Lucas, conforme escreveu (Atos 16.10), relata que Paulo esperava voltar à Macedônia. Enquanto esperava por Silas e Timóteo, Paulo ficou sozinho em Atenas.
Paulo poderia ter passeado em Atenas como um turista. Havia muitos edifícios e monumentos para visita. Havia muito para se debater, afinal, Atenas era também conhecida pela sua democracia.
O apóstolo Paulo poderia ter ficado fascinado com a arquitetura, história e sabedoria da cidade, mas, nada disso o impressionou.
O que impediu Paulo vislumbrar o esplendor de Atenas? Paulo não se impressionou com toda a beleza, porque Atenas estava submersa nos seus ídolos.
Lucas usa a expressão “kateidolos”, transmitindo a ideia de que a cidade estava “sob” os ídolos. Atenas era uma cidade “sufocada” pela idolatria. Paulo viu uma verdadeira floresta de ídolos. Era mais fácil encontrar um deus, do que um homem em Atenas.
Inquietação, leva a ação missionária!
1 - “seu espírito se revoltava” (v.16).
Lucas, o médico, empregou um termo da medicina: “paroxyno”. Esse termo é traduzido como “o espírito de Paulo se revoltava”. Paroxyno transmite a ideia de um ataque epilético. Esse termo é usado por Paulo em 1Co 13.5.
O verbo “paroxyno” – estimular, irritar, provocar, causar ira, conforme escrito por Lucas, está no tempo imperfeito, indicando que Paulo não perdeu o controle, mas foi reagindo progressivamente, ponderadamente.
O verbo “paroxyno” é empregado na LXX em relação ao Santo de Israel, ou seja, indica que essa é a reação apresentada pela Escritura ante a idolatria. Nos casos do bezerro de ouro no Sinai, a idolatria e imoralidade em relação a Baal-Peor, ou quando o Reino do Norte fez outro bezerro de ouro para adorar em Samaria, eles “provocaram, estimularam” a ira do Senhor (Is 65.2-3; Dt 9.7,18,22; Sl 106.28-29; Os 8.5).
O apóstolo Paulo foi provocado pela idolatria, e provocado à ira, ao desgosto e à indignação, assim como o próprio Deus se indigna diante da idolatria. É um sentimento de “ciúme” (Ex 34.14).
O espírito de Paulo se revoltou, pois ele sabia que o único que merece adoração é Deus. Deus sente ciúme, afinal, ninguém além dele deve ser adorado.
Na sua segunda carta (2Co 11.2), o apostolo Paulo deseja que os coríntios permaneçam leias a Jesus, afinal, era com Jesus que eles estavam comprometidos.
Quando Lucas escreveu que “seu espírito (de Paulo) se revoltava” (v.16), não estava relatando um descontrole emocional, nem que Paulo se julgava melhor que os atenienses a quem julgava como ignorante.
Paulo se revoltou, como quem estava tendo um ataque epilético, por causa da sua aversão a idolatria. Ele se sentou enciumado por Deus. No entanto, esse ciúme levou Paulo a compartilhar boas novas com os idólatras de Atenas. Paulo sabia que os atenienses agiam assim por estarem “sob” e serem “sufocados” pelos ídolos.
Deus não pode ter seu lugar negado. Sentir ciúme por Deus, é saber que só ele é merecedor da nossa honra, glória e louvor. Esse ciúme leva a agir para que outros olhem e revejam seus pontos de vista e voltem a adorar, louvar e glorificar ao Deus verdadeiro.
Inquietação, leva a ação missionária!
2 - Paulo viu, sentiu e agiu (v.17-18).
A ação do apóstolo Paulo foi positiva (testemunho).
Paulo não resmungou, não chorou, não praguejou, não amaldiçoou. Paulo compartilhou as boas novas do evangelho.
A indignação justa que agitou seu espírito, motivou-o a abrir a boca. Abriu a boca todos os dias entre os judeus tementes a Deus na sinagoga e entre aqueles que frequentavam o Areópago. Também debateu com filósofos, epicureus e estóicos.
Paulo tinha uma habilidade incrível. Falava com a mesma facilidade entre os religiosos, os transeuntes nas praças e os filósofos.
O diálogo de Paulo com os judeus, tementes a Deus, transeuntes e filósofos, pode ter durado muitos dias. Suas palavras lhe deram a maior de todas as oportunidades de seu ministério: pregar no Areópago.
Os filósofos reagiram chamando Paulo de “tagarela”. Ao fazer uso do termo “spermologos” - “apanhador de grãos”. A palavra era usada para descrever os pássaros que se alimentavam de grãos e carniça. Assim, ao chamar Paulo de “tagarela”, os filósofos estavam dizendo que o apostolo era “catador de lixo”.
A palavra “tagarela” era dita para mestres que não tinham ideia própria e que, sem escrúpulos nenhum plagiavam os outros, apanhando restos de conhecimento aqui e ali. Quando os filósofos chamaram Paulo de “tagarela”, estavam dizendo que ele era “plagiador ignorante”, “papagaio” ou “tagarela intelectual”.
Parece que ele está falando de estranhos deuses” – “daimonia”, ou seja, um semideus, deuses secundários. De acordo com o contexto, “deidades estrangeiras”. Os atenienses imaginaram que Paulo estivesse falando sobre um novo par de deuses, Jesus e a Ressurreição.
Alguns dizem com base no v.18, que Paulo estava sendo acusado de introduzir novos deuses, e assim foi lhe solicitado que prestasse contas do seu ensino. Diante da corte, uma comissão de educação da cidade, expôs a sua crença e seu ensino, uma afirmação pessoal do evangelho (v.22-23).
O tema da mensagem de Paulo foi o altar anônimo. Um Deus desconhecido. No entanto, esse Deus desconhecido pelos atenienses é o Deus criador do universo (v. 24), o mantenedor da vida (v.25), o governador de todas as nações (v.26-28), o pai dos seres humanos (v.28-29).
Com esses argumentos Paulo mostra que a idolatria é uma tentativa fracassada de limitar, domesticar, domar, mimar, alienar e destronar a Deus. A idolatria é uma tentativa de colocar Deus sob o controle humano. A idolatria é uma inversão da ordem, ou seja, o homem imagina que pode criar e governar a Deus.
Diante disso tudo, Paulo diz que Deus é juiz do mundo (v. 30-31). Por esse motivo, toda ignorância e idolatria é indesculpável. Deus se revela em todas as coisas.
As pessoas hoje continuam rejeitando evangelho. Não por julgá-lo falso, mas por julgá-lo insignificante. As pessoas querem respostas a toda sua experiência. Mas o evangelho narra “todo o desígnio de Deus” (At 20.27).
Falta sentir o ciúme de Deus em nós. Só oramos “Santificado seja o teu nome”, mas não vivemos essa oração.
A ação de Paulo começou pelos olhos. Ele viu, sentiu e falou.
Paulo não se limitou a “reparar”. Nos versículos (16,22,23) Lucas faz uso do termo “theoreo” ou “anatheoreo” – “observar, considerar”. Paulo viu e observou pessoas que criadas por Deus, mantidas por Deus, governadas por Deus e filhos de Deus dando a honra devida a Ele somente para outros deuses criados por homens como um meio de aproximar deus dos homens.
Infelizmente os ídolos estão ocupando o lugar de Deus. E atualmente, assim como sempre foi, muitas coisas ocupam o lugar de Deus: a fama, a riqueza, o poder, a comida, o álcool, pais, esposa, filhos, amigos, trabalho, lazer, propriedades, ...
o seu espírito se revoltava...” – Será que estamos tendo epilepsia diante da idolatria, quer seja individual ou coletiva? Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 9 de maio de 2017

Cada um no seu quadrado!

14 de maio de 2017
5º Domingo de Páscoa
Sl 146; At 6.1-9; 7.2ª,51-60; 1Pe 2.2-10; Jo 14.1-14.
Tema: Cada um no seu quadrado!

O episódio narrado por Lucas em Atos 6.1-9 apresenta segundo opinião de muitos estudiosos a terceira tentativa do diabo de destruir a recém iniciada atuação missionária da igreja. Se os apóstolos se ocupassem da administração da ação social da igreja, deixariam de ocupar-se com a responsabilidade de orar e pregar.
A situação é clara: “naqueles dias, multiplicou-se o números dos discípulos” (Atos 6.1). A excitação do crescimento foi abafada por um lamentável “goggysmos” (queixa, murmuração). Essa queixa era idêntica àquela que foi destinada a Moisés (Ex 16.7).
Uma igreja em crescimento, mas, mesmo assim muitos murmuravam contra os apóstolos. A queixa das pessoas era que os apóstolos recebiam o dinheiro das contribuições (Atos 4.35,37), mas, esse dinheiro segundo alguns estava sendo mal administrado.
Nas páginas do antigo testamento aprende-se que Deus prometeu defender as viúvas (Ex 22.22; Dt 10.18). No início da atuação missionária da igreja, os apóstolos se ocuparam em socorrer as viúvas que não podiam e não tinham ninguém para sustentá-las. Deus socorreu e socorre as viúvas pela igreja. Os apóstolos estavam ocupados na distribuição do dinheiro entre as pessoas necessitadas.
A questão se tornou polêmica porque havia dois grupos: os helenistas e os hebreus. Os helenistas “murmuravam” contra o segundo grupo, os hebreus. Murmuravam porque “as viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária” (v.1).
Observe que não há indicação de que esse esquecimento foi proposital. Talvez, isso é uma suposição, a causa era devido a uma falha administrativa ou de supervisão. Há aqueles que afirmam que a causa era uma tensão cultural. Os helenistas não só falavam grego, mas pensavam e agiam como gregos, enquanto que os hebreus não só falavam aramaico, mas estavam enraizados na cultura hebraica.
Para os apóstolos, parece que a questão era muito mais que essa suposta tensão cultural. Para os apóstolos o problema era a administração social (a organização da distribuição e a própria resolução da disputa). A organização e resolução dessa disputa ocupava demasiadamente os apóstolos e os impedia de se ocupar com seu verdadeiro ofício: ensino e pregação.
Não quero jogar pedra no telhado do vizinho, porque o meu é de vidro. Muito se questiona sobre o porquê de outras igrejas fazerem tanto e nós tão pouco na área social. A resposta é simples, direta e pode até magoar pessoas: somos falhos na administração social (Organização, distribuição e realização). A falha não é diretamente no recolhimento e na distribuição. A falha está no fato de que tudo está atrelado a pessoa do pastor. É um pastor-centrismo que não deveria existir. Observo que em muitos lugares “naquilo que o pastor não está envolvido, as coisas não andam”. O planejamento 2015-2018, quais planos estão em ação, porque?
O problema é que o pastor deixou de ser considerado como um ministro do evangelho, e se tornou um CEO (diretor de operações). O pastor ocupa todas as funções, precisa saber de tudo e resolver tudo.
O que fazer? Qual atitude tomar?
Os apóstolos apontaram o problema: “Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas” (Atos 6.2).
O pastor-centrismo não era algo bem vindo no início da atuação missionária da igreja. Na verdade, os apóstolos disseram que “cada um deveria ocupar seu espaço e sua função dentro da comunidade”.
Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos...” (Atos 6.2).
A situação foi conversada e discutida com todos. O problema foi compartilhado.
Lembre-se, os apóstolos não consideravam a ação social inferior ao ofício pastoral. Nada disso! Eles apenas enfatizaram que era uma questão de chamado. Ou seja, fomos chamados para: ensinar e orar.
Trago aqui um extrato inicial de um chamado feito para um pastor da IELB:
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A CONGREGAÇÃO EVANGÉLICA LUTERANA ___________, local, reunida em assembleia extraordinária em dia e ano, votou e decidiu entregar o presente CHAMADO DIVINO ao Rev. ______, para ser seu pastor, Guia Espiritual, Cura D’almas e Líder na missão evangelizadora.
Mediante o presente CHAMADO DIVINO, realizado de acordo com as normas da Palavra de Deus, a Paróquia requer de seu pastor:
1.     que ensine e pregue tanto pública como particularmente a Palavra de Deus em sua originalidade e pureza, de acordo com as Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamento e, de acordo com as Confissões da Igreja Evangélica Luterana contidas no Livro de Concórdia de 1580, que são a verdadeira exposição e reta exegese da Palavra de Deus;
2.     que administre os sacramentos do Batismo e da Santa Ceia conforme a instituição deles pelo Senhor Jesus Cristo;
3.     que exerça a cura d’almas dos enfermos, fracos, desconsolados e desviados;
4.     que se dedique ao trabalho de instruir crianças, jovens, senhoras, e leigos na Palavra de Deus;
5.     que lidere os membros da igreja na evangelização das pessoas carentes de Cristo e da Salvação;
6.     que leve uma vida exemplar e cristã, em palavras e atitudes, constituindo-se em bom exemplo para todos, cf. Tt 1.6-9 e 1Tm 3.2-7 e, finalmente,
7.     procure trabalhar e coordenação e harmonia com os pastores do Distrito;
8.     que faça a obra de um verdadeiro evangelista e cura d’almas entre os que lhe são confiados, bem como de um evangelizador entre os que ainda não conhecem o Salvador.

É preciso dialogar sobre isso, pois, acredito que muitas vezes ocorre desvios de função por parte de um pastor. O chamado pastoral se resume a que? Como congregação não se tem falado sobre esse assunto. Um assunto necessário e urgente. Por isso o faço num dia tão especial como é o dia das mães.
O pastor não faz nada sozinho! Infeliz daquele que assim pensa e age. Mas, compreendo aqueles que assim o fazem. Há pastores que fazem por si só para não se incomodar com aqueles que querem usar seus dons não para benefício do Reino de Deus, mas pensam em si mesmos. Vale a pena ler Efésios 4.1-6.
Os apóstolos estavam sendo tentados pelo diabo a se desviarem da sua real função: pregação e oração.
Convocaram a comunidade e alertaram sobre o problema.
Não é razoável...” conforme o termo grego (ouk areston estin), “não está certo”. Diante de Deus isso não está certo.
O apóstolo João em seu evangelho (João 8.29) mostra que Jesus fazia aquilo que agradava a Deus, ou seja, aquilo que estava em consonância com a sua vontade. O termo grego arestos, aparece só 4 vezes no NT, sendo duas em Atos, (6.2; 12.3), e significa “agradável, certo” e o termo sublinha a união entre aquele que é enviado e aquele que envia.
Ao dizer: “não é razoável – não está certo” é o mesmo que dizer, “estamos agindo como enviados por parte daquele que nos enviou”.
Quando se estuda o livro de Atos, pastores e membros gostam de versículos que enfatizam o ir de casa em casa, testemunhar, etc. Mas, observe: esse trecho nos desafia a irmos um pouco além daquilo no que nos enclausuramos. O desfio é: cada qual fazer a sua parte.
Pastor confiar a administração à diretoria eleita.
Confiar as respectivas comissões as suas atribuições.
A congregação confiar ao pastor o único e exclusivo exercício que o mesmo precisa exercer: ensinar e orar.
Cada qual precisa exercer com amor, humildade, respeito a sua vocação como filho de Deus.
Não podia haver desvio de função a tarefa prioritária. Qual é a nossa prioridade como congregação? A mesma só irá se realizar mediante profundo estudo das Escrituras. Ao criar o homem, Deus: “lhe soprou nas narinas o fôlego de vida....” (Gn 2.7). O mesmo acontece quando se estuda a Palavra de Deus. Pela Palavra, Deus “sopra no homem o fôlego da vida... a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.17).
Sem o fôlego da vida se está morto.
Nosso desejo precisa ser: “Pastor, por favor, ocupe-se do estudo da Bíblia e nos transmita esse fôlego. Nós estaremos ocupados de todas as outras coisas”.
Essa é a sugestão dos apóstolos Atos 6.3-4.
A igreja entendeu o plano, ou seja, entendeu que os apóstolos foram enviados para a pregação e oração. Esse foi, é, e continua sendo o plano de Deus. Vale a pena ler Efésios 4.7-16.
Após a divisão da responsabilidade, aquilo que estava em perigo “a pregação da palavra”, é relato por Lucas que “crescia a palavra de Deus”.

A maior preocupação e ocupação da igreja é a Palavra de Deus, ela precisa crescer. Deus utiliza os mais variados dons para que a sua Palavra cresça e através dela muitos discípulos sejam feitos. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 2 de maio de 2017

Uma igreja cheia do Espírito Santo!

4º Domingo de Páscoa
07 de maio de 2017
Sl 23; At 2.42-47; 1Pe 2.19-25; Jo 10.1-10.
Tema: Uma igreja cheia do Espírito Santo!

Estamos vivendo o período da páscoa, próximos ao dia de pentecostes (dia 04 de junho). Os versículos 15-36 de Atos capítulo 2 é um sermão proferido pelo apóstolo Pedro diante da ação do Espírito Santo que de tão extraordinário fez as pessoas pensarem que os discípulos estavam bêbados. Diante do extraordinário, Pedro disse: “...Estas pessoas não estão bêbadas, como vocês estão pensando, ... O que está acontecendo é o cumprimento de uma profecia anunciada pelo profeta Joel” (Atos 2.15-16). 
Mais ou menos 870 após o profeta Joel, o apostolo Pedro profere essas palavras. Para Deus, uma promessa feita é o mesmo que uma promessa cumprida. Para os seres humanos, tudo é demorado, mas para Deus tudo é muito rápido e dinâmico (Sl 90.4).
A promessa, não só a do Pentecostes, mas todos os eventos relacionados a salvação do ser humano, está registrada nas Escrituras Sagradas.
Pentecostes é a ação espetacular do Espírito Santo. Pentecostes é o cumprimento de uma profecia – a profecia de que o Espírito Santo age para operar o que a razão não é capaz, ou seja, a fé. 
Já desde aqueles dias, por causa da bebida alcoólica, as pessoas eram capazes de falar uma língua estranha. Outros estranharam que era muito cedo para alguém estar bêbado.
Quando as promessas de Deus são cumpridas, o homem em sua racionalidade limitada, não compreende e nem fica atento as mesmas. Para alguns, o extraordinário era que havia um grupo bêbado falando estranhamente. Alguns de vocês sabem que um bêbado até fala enrolado, mas, não dá para dizer que é outra língua.
Quando as pessoas não conhecem os atos poderosos de Deus estranham qualquer ação que Deus realiza.
A cena do Pentecostes foi extraordinária!
Homens comuns falando diferentes línguas e comunicando a mensagem a respeito de Jesus Cristo para muitos povos ao mesmo tempo. Não foi um aplicativo que fez a tradução simultânea, foram homens que falaram e pessoas que ouviram em sua língua.
A ação do Espírito Santo foi tão espetacular que houve espanto e admiração. O espanto e a admiração ocorreu através de duas situações: 1) - aqueles que queriam saber o que isso significava e, 2) - os que resumiram tudo como algo possível por causa da bebida alcoólica.
O sermão do apóstolo Pedro, equilibrado em Lei e Evangelho, mostra as grandes coisas que o Espírito Santo faz na vida das pessoas. A ação do Espírito Santo é tão poderosa que faz pessoas regirem com espanto. Traz pessoas a fé, naquela oportunidade, quase três mil pessoas foram batizadas.
O Espírito Santo é poderoso! Ele não age apenas num único momento, numa situação específica, (Jo 3.8; Ec 11.5). Sua ação ocorre em várias situações e seu poder dura por toda uma vida.
A igreja que aumentou em quase três mil pessoas naquele único dia continuou perseverante. “E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações” (Atos 2.42).
Sobre essa igreja cheia do Espírito Santo, João Crisóstomo (347 – 407), um grande pregador da igreja antiga, disse que “era uma congregação angelical. Não considerava exclusivamente seu nem uma das coisas que possuía. Dessa igreja cheia do Espírito Santo foi cortada a raiz de muitos males ... ninguém acusava, ninguém invejava, ninguém tinha ressentimentos; não havia orgulho nem desprezo ... O pobre não sabia o que era vergonha, o rico não conhecia arrogância”.
O Espírito Santo é poderoso e continua agindo entre os filhos de Deus, “a comunhão dos santos”. O Espírito Santo continua agindo entre os mesmos para fazer desses santos uma congregação cheia do Espírito. “E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações” (Atos 2.42).
1 - Uma igreja cheia do Espírito Santo é uma igreja perseverante nos ensinamentos dos apóstolos.
Lucas, o médico pesquisador que escreveu o Evangelho de Lucas e o livro de Atos, ambos para Teófilo, quis relatar em seu Evangelho sobre a pessoa e obra de Jesus em favor dos gentios. Em Atos, seu objetivo foi mostrar como Deus continua sua ação através do Espírito Santo e como a mensagem sobre Jesus se espalhou por todos os cantos da terra.
Para que a mensagem sobre Jesus chegue a todos os locais, o Espírito Santo pelo seu poder os fez e faz “perseverantes”.
                            1 – na doutrina dos apóstolos;
                            2 – na ação generosa;
                            3 – no partir do pão;
                            4 – no orar;
Uma igreja só é perseverante pelo poder e atuação do Espírito Santo. O Espírito Santo torna pessoas perdidas em salvas. Quando um perdido é alcançado pela ação poderosa do Espírito Santo, a mesma se revela na “perseverança”.
Os primeiros alunos matriculados na escola primária da fé cristã, perseveravam na doutrina, no ensino dos apóstolos. Quero destacar uma coisa que sempre me chama atenção na IELB. A igreja tida como luterana, nasceu através do abrir e interpretar a Bíblia. A correta aplicação da Palavra de Deus, fez com que Lutero lutasse contra uma igreja que estava enclausurada num sistema filosófico denominado escolástica e a libertou da mesma, mas, como a mesma não o quis, surgiu assim a igreja luterana.
Quanto tempo é utilizado para estudo da Palavra de Deus numa reunião de diretoria? No culto, quanto tempo é utilizado para estudo e reflexão na Palavra de Deus?
E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, ...” (Atos 2.42).
É necessário lembrar que naquele início de expansão do cristianismo, não havia dogmática, catecismo, mas, havia o que sempre foi o fundamento, a parede e o telhado da igreja cristã: a Bíblia (na época o Antigo Testamento).
Naquela época os primeiros alunos tinham a sua disposição o texto do antigo testamento que já apontava para a maravilhosa obra de Deus que seria realizada em seu Filho Jesus Cristo. Essa era a doutrina dos apóstolos, ou seja, salvação por meio da obra realizada por Jesus Cristo.
Nós, IELB, temos a nossa disposição muito mais que os primeiros cristãos tinham. Além do Antigo, temos o Novo Testamento, dois catecismos (maior e menor), dogmática, confissões. E claro, temos a atuação do Espírito Santo entre nós pela Pregação, pelo Batismo e pela Santa Ceia.
Lembrem-se: os cristãos que receberam o poder do Espírito Santo não abandonaram o ensino transmitido por pessoas. Seguiam perseverantes nos pés dos apóstolos, aprendendo tudo o que era necessário aprender.
A igreja cheia do Espírito Santo continuava atuando pela poder do Espírito. “E todos continuavam firmes, ... vivendo em amor cristão, ...” (Atos 2.42).
A “perseverança em torno da Palavra de Deus”, meio pelo qual o Espírito Santo age, conduzia todos os cristãos a viverem na generosidade.
A palavra “Koinonia” vem “koinos” que significa comum, ou seja, “ter algo comum com alguém”. A koinonia expressa o que partilhamos uns com os outros, tanto no que damos como no que recebemos.
Lucas, ao fazer a referência ao “viver em amor cristão” deseja expressar a generosidade de uns para com os outros. Ao dizer isso, mostra o tamanho dessa generosidade. “Todos os que criam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros o que tinham. Vendiam as suas propriedades e outras coisas e dividiam o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade de cada um” (Atos 2.44-45).
A perseverança no amor cristão, no cuidado cristão é perturbador a igreja do século XXI. Há possibilidade de cuidarmos dos necessitados se só captamos recursos para manter a estrutura eclesiástica? Em Querência temos cerca de 12 mil habitantes. Desses, cerca de 4 mil pessoas passam dificuldade. Será que 8 mil não conseguem cuidar de 4 mil. O cálculo é simples, 2 pessoas, cuidam de uma. O problema é o individualismo.
Na época em que se deu o primeiro Pentecostes, havia uma comunidade de líderes essênios, a comunidade de Qumran, a leste de Jerusalém que prescrevia que todo judeu que fazia parte do povo da aliança deveria socorrer o pobre, o necessitado e o estrangeiro. No entanto, aquele que desejava aderir a comunidade de Qumran precisava entregar todas as “suas propriedades e seus ganhos ao tesoureiro da congregação...”.
Ao contrário desse rigor da lei da comunidade de Qumran, pelo poder do Espírito Santo, as pessoas doavam de livre e espontânea vontade. Os verbos “vendiam e distribuíam” no original grego está no tempo imperfeito, indicando assim que a venda e a partilha eram ocasionais, em resposta às necessidades específicas e de livre e espontânea vontade.
A generosidade é sempre voluntária – todo cristão é chamado à generosidade, em especial aos pobres e necessitados. Os necessitados são oportunidades que Deus nos dá para servir.
O Antigo Testamento traz inúmeras exortações a generosidade. Entre seu povo, Deus visava inculcar a tradição de cuidado para com o pobre. Deus ordenou que a décima parte fosse dada aos levitas, que viviam do ensino da lei de Deus, ao estrangeiro, ao órfão e a viúva (Dt 26.12). A igreja cheia do Espírito se apresenta pelo socorro ao necessitado (At 2.45; 4.34-35; 1Jo 3.17).
Não podemos escapar do desafio desses versículos. Quando há necessitados a nossa volta, é a pregação de Lei anunciada a cada um de nós que possuímos bens e pouco ou nada fazemos em favor dos necessitados.
E todos continuavam firmes, ...partindo o pão de casa em casa...” (Atos 2.42).
Nem todos haviam vendido as suas casas. Todas as reuniões era uma preciosa oportunidade para celebrar a santa ceia. Na santa ceia, Deus nos dá algo: Perdão.
E todos continuavam firmes, ... fazendo orações” (Atos 2.42).
A comunhão entre os cristãos não é só manifestada pelo socorro aos necessitados. Ela é manifestada também pela oração. As orações também auxiliam pessoas que delas precisam.
Essa igreja cheia do Espírito Santo “estava cheia de temor” (Atos 2.43). O serviço, o louvor, a honra dos filhos de Deus era dado porque Deus havia visitado a cidade. Havia sido crucificado. Havia ressuscitou e agora pelo poder do Espírito Santo testemunhava essa verdade.
A igreja cheia do Espírito Santo que perseverava na doutrina dos apóstolos; que agia com generosidade; que participava da santa ceia e que orava, era uma igreja que testemunhava. “Louvavam a Deus por tudo e eram estimados por todos. E cada dia o Senhor juntava ao grupo as pessoas que iam sendo salvas” (Atos 2.47).
A igreja cheia do Espírito Santo estava ocupada em evangelizar. O Espírito Santo é missionário. Ele agiu para que quase três mil pessoas juntamente com outros perseverassem na doutrina, na generosidade, no partir do pão e nas orações. Isso com um objetivo: que outros fossem acrescentados as fileiras cristãs. Amém! 

Pr Edson Ronaldo Tressmann

cristo_para_todos@hotmail.com

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