segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A graça no Evangelho!

05 de fevereiro
5º Domingo após Epifania
Sl 112.1-12; Is 58.3-9; 1Co 2.1-12; Mt 5.13-20
Tema: A graça no Evangelho!

Ao ler os textos da Escritura Sagrada fico a imaginar como era a vida dos pregadores de cada época. Por mais que cada época tenha se dado em tempos diferentes, a única diferença está na modernização dos equipamentos, as pessoas, ao contrário, parecem ser sempre as mesmas, rebeldes, desobedientes e duvidosas do amor de Deus. Devido a sua rebeldia, desobediência e dúvida, as pessoas buscam agradar a Deus através de suas maquinações supostamente “cristãs, evangélicas ou católicas”.
O Profeta Isaías em seu tempo alertou o povo de Deus sobre o contraste entre a verdadeira religião e o espírito de formalismo. Entre o verdadeiro cristão e o cristão ex opere operato, (aquele que participa e se envolve religiosamente nas mais variadas programações eclesiásticas, mas, apenas como motivo para receber a retribuição divina).
Ao proclamar: “O Senhor Deus diz: “Grite com toda a força, sem parar! Grite alto, como se você fosse trombeta! Anuncie ao meu povo, os descendentes de Jacó, os seus pecados e as suas maldades. De fato, eles me adoram todos os dias e dizem que querem saber qual é a minha vontade, como se fossem um povo que faz o que é direito e que não desobedece às minhas leis. Pedem que eu lhes dê leis justas e estão sempre prontos para me adorar.” O povo pergunta a Deus: “Que adianta jejuar, se tu nem notas? Porque passar fome, se não te importas com isso?” O Senhor responde: “A verdade é que nos dias de jejum vocês cuidam dos seus negócios e exploram os seus empregados. Vocês passam os dias de jejum discutindo e brigando e chegam até a bater uns nos outros. Será que vocês pensam que, quando jejuam assim, eu vou ouvir as suas orações? O que é que eu quero que vocês façam nos dias de jejum? Será que desejo que passem fome, que se curvem como um bambu, que vistam roupa feita de pano grosseiro e se deitem em cima de cinzas? É isso o que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada?” (Is 58.1-5), o profeta Isaías está registrando a repreensão de Deus de um costume nada espiritual através do jejum. E é justamente nessa prática equivocada de jejum que as pessoas estavam depositando a sua confiança.  
Diante da constatação da falsa espiritualidade, o povo foi convidado a mostrar misericórdia para com os miseráveis. Deus disse: “Não! Não é esse o jejum que eu quero. Eu quero que soltem aqueles que foram presos injustamente, que tirem de cima deles o peso que os faz sofrer, que ponham em liberdade os que estão sendo oprimidos, que acabem com todo tipo de escravidão. O jejum que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes. “Então a luz da minha salvação brilhará como o sol, e logo vocês todos ficarão curados. O seu Salvador os guiará, e a presença do Senhor Deus os protegerá por todos os lados. Quando vocês gritarem pedindo socorro, eu os atenderei; pedirão a minha ajuda, e eu direi: ‘Estou aqui!’ Se acabarem com todo tipo e exploração, com todas as ameaças e xingamentos; se derem de comer aos famintos e socorrerem os necessitados, a luz da minha salvação brilhará, e a escuridão em que vocês vivem ficará igual à luz do meio-dia. Eu, o Senhor, sempre os guiarei; até mesmo no deserto, eu lhes darei comer e farei com que fiquem sãos e fortes. Vocês serão como um jardim bem-regado, como uma fonte de onde não para de correr água. Em cima dos alicerces antigos, vocês reconstruirão cidades que tinham sido arrasadas. Vocês serão conhecidos como povo que levantou muralhas de novo, que construiu novamente casas que tinham caído” (Is 58.6-12).
Através da falsa espiritualidade, assim como os fariseus e escribas, pelo jejum o povo apresentava a si mesmo. A falsa espiritualidade do povo afastava as outras pessoas de Deus. E o desejo de Deus era, é e continuará sendo salvar a todos. Por isso, quer que sua misericórdia através de seus filhos e filhas brilhe como sol do meio dia.
Wayne Jacobsen e Dave Coleman no livro: Por que você não quer mais ir à igreja? respondem à pergunta título esclarecendo que as pessoas não querem ir mais a igreja porque quando pequenas apenas aprenderam a cumprir um mero ritual. Ir à igreja se tornou um hábito saudável. E por mais que as regras e os rituais sejam para muitos algo necessário, lembre-se, nada escraviza mais do que as regras que criamos na expectativa de agradar a Deus. Nenhuma prisão é tão terrível quanto a obrigação religiosa. É necessário abandonar as velhas práticas religiosas que sugerem aceitabilidade pessoal por parte de Deus e redescobrir o verdadeiro evangelho.
A cidade de Corinto que moralmente era mais suja que um chiqueiro, aderiu a ação redentora de Deus não pela sabedoria ou oratória do apóstolo Paulo, mas simplesmente pela loucura do Evangelho e fraqueza da cruz. A mensagem do evangelho foi o poder de Deus que transformou os coríntios. O conteúdo da mensagem da cruz transformou os coríntios em santos diante de Deus (1Co 2.1).
Não importa o quanto realizamos, e se as realizamos na expectativa de conseguir a aprovação de Deus. A única coisa que torna nossas ações agradáveis diante de Deus é aquilo que é realizado pela fé (Hb 11.6).
O povo a quem Isaias proferiu a palavra de Deus dava muito valor ao jejum e por ele buscava o favor de Deus. Após anos de uma prática religiosa completamente equivocada, buscavam em Deus resposta ao não favorecimento aos seus esforços.
Deus respondeu ao seu povo (vv.3 – 5) que toda a prática religiosa visava apenas seu egoísmo. Afinal, pensavam em si mesmos. Iam ao Templo, mas, não aproveitavam para santificar o dia. A ida ao Templo visava apenas momento para seus negócios. Iam ao Templo, mas, escravizavam seus trabalhadores, ao invés de permiti-los participarem da graça de Deus. Mesmo que o dia fosse sagrada, nada poderia atrapalhar seus lucros (Am 8.5). A pratica religiosa do povo era apenas externa.
Por mais esforço, Deus não aprova seus filhos pelas suas práticas religiosas externas. A aprovação está no Filho de Deus, no alto da cruz. Não há nada para fazer para Deus amar mais, Deus simplesmente ama. A certeza desse amor muda a vida humana. A certeza desse amor faz com que a misericórdia de Deus brilhe como o sol do meio dia.
Tenho escutado muitas pessoas, e a maioria se queixa que Deus as abandonou. Há aqueles que dizem: “quando era forte e saudável sempre ia aos cultos e fazia minhas ofertas, hoje, veja como estou”. Essas pessoas sofrem por concluir que elas merecem o favor de Deus por tudo que fizeram.
A essência não está na religiosidade externa, mas na conversão de coração e vida. E para que haja conversão e vida, a Palavra de Deus precisa ser constantemente pregada e entendida de maneira correta.
Infelizmente, para aprisionar seguidores, a própria Palavra de Deus se tornou um manual de regras e deixou de transmitir a mensagem da cruz. Infelizmente a mensagem da cruz passou a ser pregada dentro de parâmetros humanos de racionalidade. Passaram a proclamar Jesus através de comprovação racional (assim, se numa determinada igreja há milagres, é porque lá há fé).
Queridos no Senhor Jesus Cristo! Nenhum sistema racional consegue explicar que o Filho de Deus veio ao mundo e acabou como maldito na cruz para libertar os malditos pecadores. Não existe nenhum discurso brilhante e inteligente para esclarecer tal obra. A graça de Deus se mostra através do Evangelho. E o Evangelho se revela através de atos de amor diários que são realizados sem o objetivo de auto promoção. Deus nos abençoe! Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

29 de janeiro 2017
4º Domingo após Epifania
Sl 15; Mq 6.1-8; 1Co 1.18-31; Mt 5.1-12

Tema: Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

Cada empresa tem sua missão. A missão representa a razão de sua existência.
Em certo sentido, a igreja cristã é uma empresa, mas, não na forma humana e sim divina. 
Como empresa divina a missão da igreja, o que representa sua existência é a mensagem que proclama. E essa mensagem tem como conteúdo a cruz.
Quando se fala sobre a cruz como conteúdo central, sobre o que de fato representa a missão e razão existencial da igreja cristã, depara-se com um paradoxo. Paradoxo com o qual o apóstolo Paulo também se deparou. Afinal, a mensagem da cruz, sinônimo de maldição para os judeus, passou a ser escândalo e loucura.
Nos dias atuais, para muitos, a mensagem da cruz se tornou sinônimo de catolicismo. Tanto que, muitas são as pessoas que se recusam usar um crucifixo, quer seja na ornamentação do corpo ou até mesmo na parede do altar do templo.
Quando o apóstolo Paulo escreve aos coríntios sobre a mensagem da cruz ser loucura e escândalo, é necessário lembrar que essa mensagem era tida como louca e escandalosa pelo próprio Paulo, antigamente Saulo (At 26.10; Fp 3.4-7)
A igreja cristã que tem como missão e característica a mensagem da cruz enfrenta uma crise. Não a crise econômica, mas, a crise que representa o seu maior desafio, a proclamação da mensagem da cruz. Afinal, a mensagem da cruz continua sendo loucura e escândalo para muitos.
A mensagem da cruz que era escândalo para os judeus que identificavam a morte na cruz como maldição, continua sendo ainda hoje para muitos que não a suportam a cruz por se dizerem livres de qualquer coisa que os identifique com o catolicismo. Imaginam esses que a cruz é um símbolo católico e não levam em consideração o fato de que a cruz é a mensagem central da empresa divina, a igreja.
Ao mesmo tempo em que a mensagem da cruz é escândalo, é também loucura. Loucura para os que se perdem. Os que se perdem, não se perdem por não adorarem a cruz. Se perdem por se recusarem a crer na obra realizada por Jesus na cruz.
No sermão do monte, Jesus em suas primeiras palavras anunciadas em seu ministério de pregação, falou sobre os ...que são espiritualmente pobres,...”.  Os “... espiritualmente pobres,...” (v.3) são todos aqueles que não colocam a sua confiança, consolo e segurança nos bens materiais e nem prendem nesse mundo o seu coração. Os “espiritualmente pobres” são aqueles que se reconhecem perdidos e sabem que sua salvação está somente na obra realizada por Jesus na cruz.
Ao anunciar a mensagem de que “felizes são os espiritualmente pobres...” Jesus enfatiza que na “mensagem da cruz,” na obra realizada na cruz, está todo fundamento da vida cristã. É uma mensagem contra a falsa segurança.
Convém lembrar que a “mensagem da cruz” é vital e essencial, pois é o poder de Deus” para salvação. Sendo “poder de Deus,” todos aqueles que se reconhecem pecadores e merecedores da condenação, os “pobres espiritualmente,” não sofrem de orgulho pessoal ou farisaico.
O que salva o pecador é o “poder de Deus” que atua pelo evangelho. A mensagem da cruz, que faz parte da missão e caraterística da empresa divina, não é motivação para o ego humano.
Na cruz, Deus se fez louco para pagar o preço devido pelos sócios de sua empresa. Essa mensagem que advém da cruz é o poder de Deus para santificar as pessoas, mesmo aqueles coríntios que viviam em meio a muita podridão. O evangelho continua sendo o poder de Deus para salvar o pecador, mesmo aquele que vive em meio a podridão do século XXI. 
A mensagem da cruz precisa continuar sendo proclamada. Ela é o poder pelo qual Deus continua agindo nesse mundo. A mensagem da cruz é doce e amável para os discípulos e crentes na obra de Jesus. No entanto, é uma mensagem aborrecedora e insuportável para muitos daqueles que se julgam capazes de se salvar através de suas supostas realizações.
A mensagem da cruz é uma mensagem atual para os espiritualmente pobres.
Quando Jesus iniciou seu ministério de pregação, muitos entendiam que a riqueza apresentava a pessoa aceita por Deus. Ao proferir que Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do céu é delas,” Jesus instrui que os pobres e miseráveis são amados por Deus. Os pobres não são rejeitados nem abandonados por Deus devido a sua condição social. A graça de Deus não se apresenta nas riquezas desse mundo, mas, na mensagem da cruz.
A empresa divina, tem perdido sua missão e a caraterística divina por ser controlada por homens de negócio que pensam e agem humanamente nas coisas terrenas. E por causa das coisas terrenas, a mensagem da cruz, que “não vende, nem traz lucros humanos” é rechaçada.
O diabo, maior concorrente da empresa divina, tem muitas armadilhas para obscurecer a mensagem da cruz. E a maior dessas armadilhas é manter viva e atual a mensagem de que Deus mostra sua aceitação para com o pecador quando o mesmo é rico nesse mundo.
Não é a riqueza desse mundo que mostra o amor de Deus pelo ser humano. A amostra do amor de Deus pelo ser humano está resumida na mensagem da cruz. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Um menino nos nasceu!

22 de janeiro
3º Domingo após Epifania
Sl 27.1-9; Is 9.1-4; 1Co 1.10-18; Mt 4.12-25
Tema: Um menino nos nasceu!

Sermão pregado em 26 de dezembro de 1531 pelo Reformador Martinho Lutero para o dia de Santo Estevão, Mártir.
Voltemos agora as palavras de Isaías com as quais podemos descobrir quem é a verdadeira igreja e como a mesma é consolada.
1 - A diferença entre o reino espiritual de Cristo e os reinos deste mundo.
O profeta nos diz: “Um menino nos nasceu, um filho nos é dado”. Já ouvistes o que significam essas palavras. Esse capítulo é na verdade um capítulo de inestimável valor, em que Isaías nos descreve com palavras sumamente belas e acertadas que classe de criança é Cristo. É a criança que nos leva sobre seus ombros a ti e a mim com todos os nossos pecados, misérias e dores. E isto fez não somente quando viveu na terra, senão que segue fazendo até o dia de hoje por meio da palavra do evangelho. Com o que Isaías nos disse sobre o menino Jesus, nos ensina ao mesmo tempo a discernir corretamente entre o reino espiritual e corporal. O reino corporal é aquele em que somos os súditos, os que têm que levar o rei a soberano, por que o mundo precisa de quem o aperte e o obrigue. O reino espiritual ao contrário é aquele em que o rei mesmo nos leva. Há, pois, uma grandíssima diferença entre esses dois reinos: no reino corporal, muitos milhares de homens levam uma só cabeça, um soberano; mas no reino espiritual, uma só cabeça, Cristo, leva um número incontável de homens. Certamente, ele leva os pecados do mundo inteiro, como disse Isaías (53:6): “O Senhor carregou nele o pecado de todos nós”; e o mesmo afirma São João Batista (João 1:29): “Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Lá na cruz ele levou nossos pecados, leva-os ainda hoje mediante seu Espírito de bondade, e nos faz pregar que ele é o Rei da misericórdia. Isso é uma parte da profecia.
2. A assombrosa imagem da igreja: desprezível diante do mundo, santa diante de Deus por Cristo.
Seguem agora os homens: “Admirável, Conselheiro, Deus forte. Pai eterno. Príncipe da Paz”. Com esses nomes, o profeta descreve em detalhe a índole do reino em si. Até agora havia retratado a pessoa do soberano como um rei que leva o reino sobre seus ombros. Aqueles nomes nos ensinam como está formada e que sinais particulares tem a igreja cristã. Se queres retratá-la, retrata-a como igreja que tem que ser levada e como igreja que é levada por Cristo. Esse levar, porém, por parte de Cristo, e esse “ser levadopor parte da igreja, fazem que o nome e o ofício de Cristo sejam o de Admirável, Conselheiro. “Admirável, Conselheirose chama também pela obra que ele leva a cabo em sua santa igreja cristã, a qual Ele governa de tal maneira que nenhuma razão humana pode compreender ou notar que essa igreja é verdadeiramente a igreja cristã. Não estabelece para ela residência oficial, não lhe fixa modos de proceder nem ritos, não lhe outorga traços distintivos externos alguns que permitam determinar com precisão onde está a igreja, quão grande ou quão pequena é. Se quiseres achá-la, não a encontrarás em nenhum outro lugar senão sobre os ombros de Cristo. Se queres imaginá-la, tens que fechar e prescindir de todos os demais sentidos e atender exclusivamente a descrição que te dá aqui o profeta. A igreja é, na verdade, um reino admirável, um reino que causa assombro, ou seja, um povo desprezível diante dos olhos do mundo, do diabo, e diante de si mesmo, um “opróbrio dos homens e desprezado do povo”, como diz o Salmo 22:6, uma “pedra rejeitada pelos edificadores”, como diz Mateus 21:42, porque tem um aspecto como se fosse não a esposa do Rei celestial senão do diabo. A verdadeira igreja cristã é na opinião do mundo um conjunto de hereges. Esse é o nome que a define. O inverso, os que são seguidores do diabo, esses levam o nome de “igreja”. Assim como os turcos consideram os cristãos como gente extremante insensata e diabos em pessoa, assim também os judeus e os papistas de hoje em dia não têm mais que burlas para os que constituem a igreja de Cristo. Tal é assim que a igreja não tem o aspecto, nome, imagem e semelhança de ser a igreja de Deus, senão do
diabo.
Agora bem: se esse aspecto tivesse a igreja apenas diante do mundo e do diabo, seria ainda tolerável, mas o que é verdadeiramente grave é que esse mesmo aspecto nós temos diante dos nossos próprios olhos. Essa é uma arte que o diabo domina com perfeição: o apartar nossos olhos totalmente do batismo, do sacramento e da palavra de Cristo, de modo que um tortura a si mesmo com o pensamento que expressara Davi (no Salmo 31:22): “Dizia eu em minha pressa: Cortado sou diante de teus olhos”. Este é nosso distintivo: que a igreja cristã deve ter aos seus próprios olhos – e eu diante de mim mesmo – uma aparência como se Cristo nunca nos houvesse conhecido como seus. Devo saber que essa é a santa igreja cristã, e que eu sou um cristão, e sem dúvidas, devo ver ao mesmo tempo que tanto a igreja como eu estamos cobertos por uma grossa capa de opróbrio do mundo que nos apelida de heréticos. Mais ainda: devo ouvir o que meu próprio coração me diz: Tu és um pecador. Estas grossas capas, o pecado, o diabo e o mundo cobrem de tal maneira a igreja e o cristão, que já não fica nada visível deles; o único que se vê é pecado e morte, o único que se ouve são as blasfêmias do mundo e do diabo. O mundo inteiro e quantos nele se orgulham de sábios, se põem contra mim, minha própria razão rompe as relações comigo; e não obstante, devo manter com todo firmeza: eu sou cristão, e com tal, justo e santo. Portanto, a santidade da igreja e a minha santidade provém da fé. Embasam-se não em algo dentro de nós mesmos, senão exclusivamente em Cristo. Diga a igreja: “Eu sei que sou pecadora”, e confie-se jazer por inteira no cárcere do pecado e no perigo de morte. “Em mim não há mais que iniquidade, em Cristo não há mais que justiça; e se eu creio em Cristo, Sua justiça chega a ser minha justiça”. Isso excede toda razão e sabedoria humanas. Parece ser algo totalmente inaceitável. Pois todos os entendidos dizem: a justiça é certa qualidade ou santa maneira de ser no homem mesmo. Assim como a cor branca e negra estão na parede mesma ou no pano mesmo, assim a santidade deve estar na alma mesma do homem justo. Mas então vem meu próprio coração e me diz: eu não sou assim, não sou um santo. E o mesmo me diz Satanás e o mundo. Se tenho contra mim as declarações do mundo, de Satanás e do meu próprio coração, que posso dizer? Precisamente o que diz nosso texto: que Cristo é o Admirável Conselheiro. Ele governa a sua igreja e a seus cristãos de forma admirável de modo que somos justos, sábio, limpos, fortes, cheios de vida, filhos de Deus, ainda que diante do mundo e diante seus próprios olhos pareçam todo o contrário. A que devo me ater porém para vencer a fé aparente? Ao mesmo a que se ativeram os pastores: a Palavra.
O mesmo Cristo procede de forma sumamente estranha ao que sua própria pessoa se refere; quer se fazer nosso Rei, e se deita num presépio e nasce de uma pobre virgem que apenas tem com que lhe envolver. Deveria ter por mãe a uma rainha, e por berço um deslumbrante palácio- sem dúvida vive como um mendigo. Não é, na verdade, assombroso no seu aspecto pessoal? Por isso precisamos aprender abrir os olhos, como os pastores, e julgar não segundo a aparência exterior, senão segundo as palavras que foram ditas sobre essa criancinha. Devo dizer, pois: Considero santos a todos os crentes, e me considero um verdadeiro santo a mim mesmo, não por minha própria conduta irrepreensível, senão por causa do batismo, do sacramento da santa ceia, da palavra de Deus, e de meu Senhor Jesus Cristo em quem eu creio. Então terás achado a definição correta. Se observo a mim mesmo, sem batismo, santa ceia e a palavra, não vejo mais que pecado e injustiça, o diabo em pessoa que me atormenta sem cessar. E se os observo a todos vós desprovidos da santa ceia, do batismo e da palavra divina, não vejo em vós santidade alguma. Ainda que estais sentados no templo ouvindo a palavra de Deus e orando, não vos fica nada de santidade se descontamos a palavra e os sacramentos.
3. Os sinais distintivos da verdadeira igreja de Cristo.
A aparência exterior não é, pois, o decisivo; decisivo é isto: olha se estás batizado, se ouves com agrado a pregação da palavra de Deus, se sentes o sincero desejo de receber a santa ceia. Estes são os sinais que Deus te dá, a isso deves dirigir teu olhar; assim poderás dizer: vejo em mim claros sinais de que pertenço a igreja Cristã. O aspecto exterior, em efeito, não basta para te converter num crente de verdade. Entretanto, onde se prega o evangelho sem falsos agregados humanos, onde se administram os sacramentos na forma devida e onde cada qual desempenha fielmente as tarefas próprias de seu ofício ou profissão, ali encontrarás com absoluta certeza o povo de Deus. Portanto, não te guies pela cor que as coisas têm por fora, senão pela palavra divina. Se te guias pela aparência exterior, e não pela palavra, pronto cairás no erro. Por que razão? Pela razão de que exteriormente não acharás num cristão nada que o distinga de outro homem. Mais ainda: há incrédulos e pagãos que se comportam mais decorosamente e que apresentam um aspecto mais honrável que muitos cristãos. Ah, a aparência exterior! Aí tem sua origem os ímpios e insensatos monges e freiras que queriam criar à igreja cristã uma imagem orientada no que exteriormente impressiona a vista. Daí também vem suas cogulas (Túnica de mangas largas e compridas e capuz usada pelos religiosos de algumas ordens) e tonsuras (é uma cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau de Ordem no clero, chamado também de "prima tonsura"). “Aqui, no estado monástico, estão os homens santos” diziam. “Vós que viveis no mundo vos entregais a vãos afazeres e práticas puramente corporais”. Coisa diabólica é que a máscara que põe certa gente possa causar tanta impressão no mundo. Eu sei que entre todos vós há apenas dez que não se deixariam impressionar por mim se eu quisesse fazer gala daquela santidade que pratiquei nos meus anos de monge. Evidentemente, o batismo e a santa ceia atraem os olhares muito menos que o hábito e a austeridade de um franciscano. Este sim tem que jejuar, aquele ao contrário é um simples costureiro. Por isso é preciso que aprendas a conhecer o que é e como é na realidade a igreja cristã, e que não te deixes enganar pelas aparências. Uma mulher que faz o que Deus lhe manda, que está batizada, que ouve o evangelho e o guarda qual luz em seu coração, que tem seu marido, que dá a luz filhos, que cumpre com suas tarefas como boa esposa e mãe, essa mulher é uma santa, ainda que aos olhos das pessoas não pareça. Pois o batismo que recebeu e a fé que tem em seu coração, são coisas que meus olhos não veem; vejo, ao contrário, que ela anda pela casa, ocupada no cuidado de seus filhos, e em mil outros afazeres domésticos. Por isso parece que não há nada de particular naquela mulher. Todavia, se permanece no evangelho e no trabalho que Deus lhe encomendou, é um membro genuíno da igreja cristã, não por sua probidade, senão por estar batizada, por ter em seu coração o evangelho, por ser morada de Cristo. Quem porém tem em conta que essa mulher é uma cristã e uma santa? Entretanto vem uma beguina (de Lambert Le Bèque, fundador no século XII do primeiro convento destas religiosas. Eram beatas ou merceeiras que praticavam uma vida ascética em comum, parecida com a monacal, a maior parte das vezes nos chamados beguinários, na área da atual Bélgica) com sua cara de vinagre. O que ocorre? A esta a consideram uma santa, a cujo lado a mulher com marido e filhos e o muito trabalho não são nada! Assim é como se nosso Senhor convertesse o mundo em um montão de tontos, incapazes de reconhecer a um cristão. “Igreja cristãesses são os que receberam o batismo, que têm um coração cheio de fé, e que levam a vida como homem comum. Nesse sentido deves considerar a igreja, e por esses sinais conhecê-la. O mundo ao contrário não a julga dessa maneira, e por isso erra em seu juízo. O mundo perguntará, por exemplo: Acaso não há também entre os gentios matronas tão respeitáveis como as que há entre os cristãos? E o que dizer dos tempos de tribulação? Ah, quantos padecimentos! Ah, a quantas perseguições está exposto um cristão batizado e que confessa sua fé no Senhor! Não parece senão que Deus lhe houvesse abandonado por completo, e assim o sente às vezes no seu coração.
4. A igreja, desprezada, se consola com a palavra e os sacramentos.
Desse modo, nosso Deus e Senhor faz que todos os sábios cheguem a ser néscios, permitindo que a imagem verdadeira de Sua igreja quase desapareça sob um cúmulo de escândalos. Não obstante, aquele que é membro dessa igreja pensa: “apesar de o mundo me desprezar e me perseguir, todavia creio em Cristo, estou batizado e tenho o evangelho; e a esse evangelho, esse batismo e a esse Cristo lhes ponho em meu coração um valor tão alto que ao seu lado o mundo inteiro não me parece valer mais que uma farpa”. E isto é bem certo: o evangelho de Cristo que o crente tem em seu coração possui diante de Deus um poder justificador tão grande que, ainda que o mundo inteiro estivesse repleto de pecados, todos eles seriam nada mais que uma gota de água em comparação com a imensidão do mar. Não é pouca coisa se fixar na palavra de Deus e se ater a ela. Tão grande coisa é, que aquele que o fizer, tudo o que lhe encerre parecerá como uma partícula de poeira. Assim, pois, a igreja cristã é santa, apesar do mau aspecto que tem aos lhos do mundo, e apesar de estar coberta de tribulações e escândalos. E ninguém pode captar inteiramente a santidade e justiça da igreja, nem ainda o que tem fé, e muito menos se pode sondar com a perfeita razão humana. Quem quiser conhecer realmente a igreja cristã e a seus membros, tem que tomar como elementos de juízo a palavra do evangelho, os sacramentos, a fé e os frutos da fé e do evangelho. E tu mesmo, para comprovar se és santo e cristão, considera se tens o batismo e o evangelho, se ouves e crês na palavra de Cristo. Se, logo, manténs puro teu matrimônio, se honras a teu pai e a tua mãe, etc., o que seja, se obedeces gostosamente ao Senhor, e evitas gostosamente o que é contrário a sua vontade: esse são então os frutos da tua fé.
Mas se alguma vez dás um tropeço, isso não te infligirá um dano irreparável. Pensa em teu batismo, refugia-te no evangelho que te oferece perdão e absolvição, diz a ti mesmo: “Se me ocorrem maus pensamentos, caí em pecado. Porém fui batizado, tenho a palavra de Deus com sua promessa de remissão: isso é para mim uma santidade maior que o mundo inteiro com tudo o que nele há. Cristo é meu mediador cheio de misericórdia, tão misericordioso que a fúria de todos os diabos que pudessem me aterrorizar não é mais que um leve lampejo comparado com o fogo de Seu amor, nada mais que uma gota de água comparada com o mar de suas compaixões. Ele está ao meu lado e me ajuda”. Assim devemos e podemos nos consolar pensando nesse imenso tesouro que possuímos na palavra e nos sacramentos.
5. Conclusão: Cristo é na verdade o Admirável Conselheiro
Tudo isso nos ensina por que Cristo é chamado “Admirável, Conselheiro”: Ele tira de nossa vista e de nosso pensamento toda a santidade e sabedoria próprias. Toda a santidade, toda a sabedoria que a igreja cristã possui se embasa na palavra e nos sacramentos. Se quiseres julgar a igreja segundo seu aspecto exterior, chegarás a um resultado inteiramente falso, pois verás os cristãos como gente assustada, cheia de pecados e imperfeições. Mas se consideras os cristãos como gente que foi batizada, que crê em Cristo e que demonstra sua fé produzindo frutos de amor a Deus e ao próximo e levando com paciência sua cruz, então teu juízo será correto. Pois esse é o distintivo em que se há de conhecer a igreja de Cristo. Nós ao contrário, os que somos membro da igreja, devemos ter o batismo e a palavra em alta estima ao ponto que todos os bens e tesouros do mundo nos pareçam nada comparados com eles. Fazendo isso reconhecemos corretamente a igreja cristã e podemos consolar a nos mesmos dizendo: “Em minha própria pessoa sou um pecador, mas em Cristo, no batismo, na palavra, sou santo”. Atenhamos, portanto, para estes nomes: “Admirável, Conselheiro”. Então podemos enfrentar os falsos mestres que virão. Pois não cabe dúvida de que depois dos monges de antigamente com sua falsa imagem da igreja de Cristo, virão outros, não menos perniciosos. O mundo não pode ir contra o seu costume: insistirá em querer retratar a igreja cristã segundo sua aparência exterior. Todavia, o único retrato fiel da igreja é o que acabo de pintar-lhes: o retrato em que se destacam o evangelho, os sacramentos, a fé e os frutos da fé. O batismo é a luminosa cor branca, a palavra e a fé são a gloriosa cor azul do céu e os frutos do evangelho e da fé são as diversas outras cores que distinguem os cristãos, cada qual em seu estado e profissão. Amém!

Adaptado pelo Rev. MST Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Graça e Paz - aos santos e sua igreja!

15 de janeiro 2017
2º Domingo após Epifania
Sl 40.1-11; Is 49.1-7; 1Co 1.1-9; Jo 1.29-42

Tema: Graça e Paz - aos santos e sua igreja! 

As mais variadas músicas mostram o pensamento e a prática de vida de muitas pessoas. Cazuza em 1988 lançou a música: Brasil, mostre a tua cara. Era a distante década de 80, mas, parecendo atual, protestava contra os escanda-los políticos, as desigualdades sociais e às injustiças. Anos antes, em 1978, a música cantada por Legião Urbana, “Que país é esse?” já questionava a sociedade brasileira.
Já passaram algumas décadas dessas e de outras canções. E todas as músicas, mesmo em pleno ano de 2017, trazem embutidas questões sociais, políticas e religiosas.
Se ainda se pergunta assim como Renato Russo: Que país é esse? a resposta pode ser: “um país que está perdendo nível cultural, pois, a julgar pelas músicas, não consegue mais decorar duas ou três frases, e se repete apenas oppppppppdurante minutos”.
Se o Brasil continua mostrando a sua cara, fica-se impressionado com a face apresentada e por vezes com a face oculta do Brasil ou dos Brasis.
Os sermões são proferidos para um público alvo: cristãos que se dispõe a acordar no domingo pela manhã e ir ao Templo ou trocar o futebol e o churrasco do sábado à noite pelas horas de louvor e adoração. Para esses é necessário perguntar: vocês desejam ter suas faces reveladas à outros?
O apóstolo Paulo juntamente com Sóstenes, mostra a todos a face dos congregados da congregação de Corinto. A verdade era que muitos moradores da cidade de Corinto estavam buscando se “corintizar” ou seja, levar uma vida de prazeres desenfreados.
A “cara” dos cristãos de Corinto não era muito bonita. Era uma “cara” marcada pelas diferenças sociais, pessoas egoístas e egocêntricas. Alguns faziam tudo o que queriam, afinal, para esses tudo era lícito. A mensagem da cruz de Cristo havia perdido a importância.
Na congregação havia as panelinhas. Muitos cristãos em Corinto não tinham problemas doutrinários, mas, problemas quanto a sua prática eclesiástica. A Congregação dos Coríntios suportava entre eles pessoas que viviam vidas desregradas sexualmente. Havia aqueles que não suportavam o apóstolo Paulo, pois o mesmo repreendia severamente os pecados.
Ainda há congregação com essa “cara”? Qual é a “cara” da nossa congregação? Refletir sobre essas questões é importante e necessário, afinal, se o pastor apontar a “cara” da congregação, será odiado por muitos e acusado por outros de falta de ética.
O apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios fala sobre a união com Jesus Cristo e o poder que o evangelho de Cristo exerce sobre a pessoa. A verdade é que o evangelho muda a nossa “cara”. O evangelho, o poder de Deus, continua sendo proclamado para continuar mudando as “caras” das pessoas, afinal, cada qual é pecador e precisa diariamente do evangelho para gradativamente ir mudando a sua “cara”.
Não pensem que foi fácil para o apóstolo Paulo mostrar a “cara” dos cristãos de Corinto e através da proclamação do evangelho dizer-lhes que “não adianta apenas vergonha na cara, é necessário uma vida diária na fé, na obra realizada por Cristo na cruz para que possam ver Deus cara a cara na eternidade”.
Os cristãos de Corinto, por estarem se “corintianizando” não julgavam muitas de suas ações como escandalosas e que envergonhavam o evangelho. Para mostrar a verdadeira “cara” dos Coríntios, Paulo enumera que não é qualquer um que lhes está escrevendo, mas, o “apóstolo de Jesus Cristo”.
Já que a maioria dos cristãos eram gregos, a palavra “apóstolo” indicava que quem escrevia, o fazia em nome de um emissário e não por conta própria. De acordo com o direito estatal e internacional da época, o “emissário autorizado” falava e agia com autoridade máxima. Havia todo um país por trás da atuação do mesmo. Sendo Paulo, “apóstolo”, “emissário enviado da parte de Deus”, falava e agia com autoridade suprema.
Sem aceitar a autoridade do apóstolo Paulo, de nada adiantaria descobrir sobre como é a “cara” dos coríntios e a nossa. Deus em sua palavra mostra a minha “cara”. Deus, através do evangelho muda a nossa “cara”.
Para saber a “cara” dos cristãos de Corinto é necessário ler a carta enviada pelo apóstolo Paulo na íntegra. Para saber a “cara” da nossa congregação é só perguntar aos seus congregados. Cada qual irá falar determinada característica e assim, se conseguirá visualizar a “cara” que a congregação tem.
Analisando a “cara” da congregação, pode-se repetir o conselho popular: “tome vergonha na cara”. No entanto, para que a nossa “cara” seja transformada é necessário a constante pregação do evangelho. E o evangelho transmitido pelo apóstolo Paulo é que mesmo que a “cara” da congregação de Corinto e a nossa não seja bonita, pelo poder do Espírito Santo ainda somos a “igreja de Deus...
Ao escrever “igreja de Deus que está em Corinto” o apóstolo Paulo enumera que, apesar da “cara corintiana que envergonha a todos”, Deus realizou um grande milagre. Existe uma igreja! A igreja persiste!
O fato da igreja existir e persistir em Corinto e também entre nós, não se deve ao fato de sermos pessoas boas, mas, ao fato de que Deus ama seus filhos.
Apesar da nossa “cara” não justificar o fato de sermos a “igreja de Deus”, Deus pelo poder do evangelho nos “chama para ser santos”.
Os “santos” são aqueles que pertencem a Deus por ter Jesus Cristo pago o preço. Os “santos” não são pessoas especialmente devotas e perfeitas no âmbito da igreja. Os “santos” são aqueles que pertencem a Deus. Esses “santos” recebem a saudação: “Graça e paz”.
Essa saudação só foi possível porque os Coríntios tiveram sua “cara” transformada pelo evangelho. A graça, “charis”, “chairen” é desejo de bem estar e felicidade. Bem estar e felicidade possibilitado pelo evangelho.
Apesar de nossa “cara” apenas trazer “vergonha”, até fazendo com que outros se afastem e nem se interessem pela igreja, Deus continua se manifestando ao mundo, numa verdadeira epifania através de seus “santos e sua igreja”. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Quem é o servo sofredor?

08 de janeiro 2017
1º Domingo após Epifania
Sl 29; Is 42.1-9; Rm 6.1.11; Mt 3.13-17
Tema: Quem é o servo sofredor?


Toda pessoa que inicia a leitura da Bíblia traz consigo inúmeras perguntas. Assim aconteceu com um homem etíope. Esse homem o qual não conhecemos por nome, mas, pelo que sabemos era ministro da fazenda da Etiópia. Esse homem havia ido à Jerusalém provavelmente por ser simpatizante do judaísmo. Após sua visita, voltava para sua casa com um rolo que havia adquirido e estava lendo.
O etíope adquiriu um rolo do profeta Isaías e dentro de sua carruagem lia atentamente o texto que era ouvido por Filipe que acompanhava do lado de fora.

Após ter sido convidado pelo etíope a entrar na carruagem, o ministro da fazenda lhe perguntou: “Quem é o servo sofredor?
Essa foi a pergunta de uma pessoa que era apenas simpatizante do judaísmo. No entanto, é uma pergunta que muitos cristãos de carteirinha ainda não sabem a resposta.
O profeta Isaías por ocasião de sua pregação, estava diante de um povo oprimido e humilhado pelo cativeiro babilônico. Mas, essa situação não o impediu de apontar para todas as promessas cumpridas por Deus e indicar que estava por vir o tempo em que restauraria completamente Israel.
João, o Batista, também apontou para Jesus.
O próprio Deus por ocasião do Batismo de Jesus indicou que o servo sofredor era Jesus, aquele que havia sido enviado para ocupar o lugar do pecador, por isso Jesus aceitou ser batizado por João.
A resposta sobre quem de fato é o servo sofredor faz uma diferença enorme e estonteante entre o povo de Deus.
O povo de Deus no antigo testamento estava como que cego e sem liberdade. Nessa situação não viam nenhuma luz. Tudo parecia estar fadado ao fracasso. No entanto, o profeta anunciou que o servo de Deus, o servo sofredor, o escolhido de Deus, viria e seria seu resgatador.
É necessário que a comemoração desse período de Epifania volte e traga seu verdadeiro sentido. De acordo com o calendário litúrgico, epifania significa uma manifestação divina. A Epifania é a manifestação de Cristo. No entanto, se a igreja cristã com seus muitos congregados se esquecerem do servo sofredor, muitos cristãos de carteirinha e outros que estão a caminho, viverão como cegos.
Epifania existe e existirá cada vez mais quando os “Epiphanius[1] foram desmascarados e juntamente com outros apontarem somente para Jesus, a exemplo de Isaías, João Batista.
O servo sofredor segundo a profecia anunciada por Isaías é a “aliança com o povo e luz para os gentios;...” (Is 42.6). Jesus foi enviado para as ovelhas perdidas de Israel (Mt 10.5,6; 15.24) e também para ser a “luz dos gentios”.
O apóstolo Paulo na carta aos Romanos (Rm 11) e aos cristãos da Ásia Menor (Efésios 2.11-22) fez uma analogia da Oliveira (símbolo no A.T. para Israel) e os galhos naturais e enxertados. Os gentios que ouviram e aceitaram o evangelho e pelo poder do Espírito Santo creram na obra de Jesus foram enxertados na Oliveira.
O Servo sofredor se dispôs a sofrer em lugar dos pecadores (judeus, gentios, luteranos, católicos, assembleianos, etc). Todos somos pecadores e como tal necessitamos da luz que é irradiada pelo servo sofredor que veio para ocupar nosso lugar.
Infelizmente, enquanto que muitos críticos da Palavra de Deus apontam e testificam que não se sabe quem de fato é o servo sofredor, há também muitos pregadores que ao invés de fazer “brilhar a luz de Jesus” sobre todos, acabam sendo “Epiphanius,” ou seja, heréticos que apontam para outros meios de salvação.
O ministro da fazenda da Etiópia perguntou: Quem é o servo sofredor? recebeu de Filipe a verdadeira manifestação de Deus, a verdadeira Epifania, pois Filipe “anunciou-lhe Jesus” (At 8.35).
Que assim seja em todo nossa epifania. Que das Escrituras Sagradas ouçamos a voz de Deus que nos diz: “Este é o meu único Filho, em quem realizo toda a obra de salvação em favor de todos os pecadores”. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann


[1] Foi um bispo da cidade de Salamina e metropolita da ilha de Chipre no final do século IV. Ele ganhou um a reputação como um forte defensor da ortodoxia cristã. É também conhecido por ter escrito um enorme compêndio de heresias que ameaçaram o cristianismo primitivo até o seu tempo.


O tempo litúrgico visa auxiliar os cristãos a celebrar os acontecimentos mais importantes da fé cristã. Ao longo do ano, a igreja cristã, segue um calendário dando destaques as principais datas religiosas que ao longo da história do povo de Deus foram celebradas.
Todo o calendário litúrgico visa ressaltar a história da salvação. Inicia-se no ciclo de natal, nascimento de Jesus, ciclo de natal, a morte e ressurreição de Jesus, e o ciclo de pentecostes, a descida e atuação do Espírito Santo e a vida da igreja no mundo.
O tempo litúrgico está ligado ao termo grego leitourgia (liturgia e serviço), envolvendo assim a ação de Deus na história, bem como através de seu povo no mundo, com objetivo de salvar a todos os pecadores.
Epifania significa “aparição, manifestação”. De acordo com o calendário litúrgico significa uma manifestação divina. No sentido filosófico, epifania significa uma sensação profunda de realização, no sentido de compreender a essência das coisas. É como se algo difícil fosse solucionado.
A Epifania do Senhor é um dia festivo. Sempre comemorado dois domingos após o natal. A Epifania é a manifestação de Cristo.
Epifania é o terceiro evento mais importante do calendário cristão. Surgiu antes mesmo da festa de natal e é comemorado dia 06 de janeiro. A partir dessa data segue-se o Tempo comum até a Quaresma, que é o tempo após a Epifania.
Na Epifania celebra-se a manifestação ou encarnação de Deus no mundo através da obra de Jesus Cristo. A igreja lembra na epifania o nascimento de Jesus com a visita dos reis magos do oriente e ainda o começo do ministério de Jesus aqui na terra, a partir de seu batismo.
Dentro de um quadro maior, a epifania está enquadrado dentro do ciclo de natal que inicia-se desde o primeiro domingo de advento até a Epifania.

Dormindo tranquilo enquanto tudo parece desmoronar!

  18 de abril de 2021 Salmo 4; Atos 3.11-21; 1João 3.1-7; Lucas 24.36-49 Texto: Salmo 4 Tema: Dormindo tranquilo enquanto tudo parece...