terça-feira, 26 de setembro de 2017

A mensagem da justificação motiva os luteranos comemorar!

01 de outubro de 2017
17º Domingo após Pentecostes!
Sl 25.1-10; Ez 18.1-4,25-32; Fp 2.1-4, 14-18; Mt 21.23-27
Tema: A mensagem da justificação motiva os luteranos comemorar!

Que belo texto temos a oportunidade para meditar. Jesus, conforme registrado no Evangelho de Mateus 21.23-27, fala sobre arrependimento e fé.
Jesus faz uma pergunta: “E que vos parece?” A partir daí passa a contar a parábola dos dois filhos. Apesar de termos nas Escrituras quatro evangelhos, a parábola dos dois filhos foi registrada apenas pelo evangelista Mateus.
Essa parábola faz parte de um bloco de três parábolas, onde Jesus ataca a ideia de merecimento que os líderes religiosos tinham sobre o ser membro do reino de Deus.
Ao responder aos líderes judeus, Jesus liga sua autoridade a autoridade de João Batista. Tanto Jesus como João Batista eram bem aceitos entre as pessoas comuns e as que eram rejeitadas pelos líderes judeus da época.
Na parábola, ambos os filhos receberam o mesmo convite: trabalhar na vinha do pai. O primeiro disse que iria, mas não foi. O segundo disse rudemente que não iria, mas “depois, arrependido, foi” (Mt 21.29 Revista e Atualizada). A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz dizendo que “depois mudou de ideia e foi”. As duas traduções estão corretas. Ambas traduziram o verbo grego metamelomai.
O termo metamelomai foi usado por Mateus por ocasião do relato de Judas após a traição. Judas se arrependeu, lastimou sua traição, mas, infelizmente não achou o caminho de volta.
Arrependimento tem um sentido amplo (a conversão como um todo) e um sentido restrito (reconhecimento do pecado, coração quebrantado e contrição). O segundo filho apresentado na parábola, arrependeu-se em sentido restrito, ou seja, reconheceu seu erro e sentiu tristeza. Sentiu o pesar de não ter cumprido a vontade do pai. O primeiro filho apresentado na parábola, não passou por essa tristeza. O mesmo não se preocupou com seus pecados. C.F.W. Walther, pastor Luterano disse em suas preleções sobre lei e evangelho que “não pode haver fé num coração que, primeiramente, não esteve atemorizado”.
Aqui é o ponto de Jesus. Os fariseus e os líderes religiosos judeus por nunca terem reconhecido seus pecados e nem sentido contrição por eles, estavam entre os que se achavam sãos e que não necessitavam de médico.
O que impedia os fariseus e líderes religiosos judeus reconhecerem a necessidade de se arrependerem era sua justiça própria. Não importava o quanto fossem convidados ao arrependimento, eles não conseguiriam voltar, pois se julgavam auto suficientes. Assim, as prostitutas, os cobradores de impostos e outros pecadores, julgando-se indignos, reconheciam que não haviam feito a vontade do Pai e se arrependeram e se agarraram em Jesus.
Os líderes judeus confiavam na sua dignidade.
Dignidade essa, que segundo eles vinha da observância da lei de Moisés, da participação assídua na sinagoga, das ofertas e dos dízimos, das doações e esmolas, da prática diária da oração. Os judeus, o primeiro filho da parábola, não julgavam necessário se arrependerem, pois eram obedientes e assim, justos diante de Deus.
Após contar a parábola (Mt 21.28-30), Jesus perguntou: “Qual dos dois filhos fez a vontade do Pai?” (Mt 21.31). Ao que os próprios judeus responderam, “o segundo” (Mt 21.31). E concordando com a resposta, Jesus declara que “publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus” (Mt 21.31).
Essa resposta de Jesus é a declaração de que Deus não aceita o pecador pela sua suposta obediência. A relação entre o ser humano e Deus é marcada pelo arrependimento e a fé.
Os líderes judeus não passaram pela metamelomai, ou seja, não se arrependeram e nem sequer creram na mensagem da justiça provinda através de Cristo.
Se os lideres judeus responderam e Jesus confirmou que o segundo filho agiu corretamente e arrependido voltou para fazer a vontade do Pai, cabe a pergunta: Qual é a vontade do Pai?
Bem, a vontade de Deus antes da obediência é que todos se acheguem a Ele, de graça, tocados por seu amor, depositando nEle toda a sua confiança e esperança.
Os líderes judeus estavam sendo convidados a experimentar aquilo que os publicanos, as prostitutas e tantos outros já haviam experimentado. Reconheceram sua indignidade e sentiram profunda tristeza por sua vida porca que estavam levando e sabiam que em Jesus estavam sendo aceitos por Deus.
Ser aceito por Deus era a angústia de Martinho Lutero e tantos outros na idade média. Como ser aceito por Deus? A resposta foi encontrada nas Escrituras Sagradas. Só se é aceito por Deus através da obra realizada por Jesus. Todo aquele que crê no sacrifício vicário de Cristo, tem a salvação. A fé não é uma obra humana, é um presente dado pelo Espírito Santo que atua pela Palavra.

Estamos em pleno século 21, cercado por esses dois filhos descritos na parábola contada por Jesus e registrada por Mateus.
Mesmo que a igreja cristã está celebrando 500 anos de Reforma, mesmo que a milhares de anos há a Palavra de Deus, ainda há filhos que querem se justificar pelas obras da lei.
Nesse mês de outubro de 2017, luteranos do mundo inteiro, estarão celebrando 500 anos da Reforma. Qual é a razão para essa comemoração? A razão principal é que a Escritura Sagrada continua sendo comunicada. O amor de Deus continua sendo proclamado. E por meio dessa pregação pessoas se arrependem e voltam a Deus em Jesus. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

Bibliografia
Revista Igreja Luterana. Junho, 2008. Volume 67, Nº 1. Júlio Jandt e Vilson Scholz.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Viver d acordo com o evangelho

24 de setembro de 2017
16º Domingo após Pentecostes
Sl 27.1-9; Is 55.6-9; Fp 1.12-14,19-30; Mt 20.1-16
Tema: Fp 1. 27: “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo.....

O que você entende por essas palavras de Paulo?
Paulo escreve essa carta da cadeia (Fp 1.7). E sua exortação é para que os filipenses se mantenham unidos.
Primeira Parte
Viver de acordo com o evangelho de Cristo é um desafio; um privilégio e uma responsabilidade. Isso só é possível permanecendo no amor, na graça e na dependência de Jesus Cristo, pois “com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”.
Paulo nos versículos 29 e 30 diz que viver de acordo com o evangelho é um privilégio. E esse privilégio não está só no servir, mas também no sofrer por causa do evangelho.
Disse o apostolo Paulo: “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...
Viver de acordo com o evangelho de Cristo é viver de acordo com a boa notícia que recebemos, ou, conforme o termo grego, Paulo aconselha a “Viver como um cidadão...
É preciso relembrar que ... sendo Filipos era uma colônia romana, seus moradores eram obrigados a viver regidos pelas leis do império romano. Assim, a exortação de Paulo “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...” é “vivam como cidadãos do reino...”.
Qual é o nosso reino? Qual é a nossa pátria? Paulo responde na carta aos Filipenses 3.20 e Jesus disse, conforme registrou o apostolo João (Jo 18.36).
Havia entre os cristãos filipenses uma forte ligação com o apostolo Paulo. Enviaram Epafrodito com mantimentos e com a responsabilidade de trazer notícias a respeito de Paulo que estava preso e já era idoso. Na carta nada nos é relatado sobre a situação pessoal de Paulo e nenhuma queixa foi registrada. Ao contrário, o apostolo Paulo testemunha que em todas as situações, Deus é quem abre a “porta da palavra” (Cl 4.3) para que o evangelho seja proclamado.
Paulo não se preocupa em dar notícias sobre sua situação pessoal. O apostolo busca reafirmar aos cristãos o que eles já sabem. Não importa a situação que se está vivendo, o desfecho final de qualquer situação é para salvação.
Paulo sabe e confessa que Nero poderia apenas aprisionar e matar seu corpo, mas não poderia de maneira nenhuma aprisionar e matar o evangelho.
O maior desejo do apostolo Paulo era que Cristo fosse engrandecido. E ele testemunha que mesmo estando preso, isso estava acontecendo através da prisão. E viver de acordo com evangelho de Cristo é uma das maneiras de engrandecer a Cristo.
Mesmo que o apostolo Paulo não soubesse o que iria acontecer com ele, transmite seu desejo (Fp 1.20). O apostolo, as vésperas do seu julgamento, não queria abandonar a sua fé, convicção e certeza de que ele era cidadão do reino dos céus. E essa fé, convicção e certeza buscava transmitir aos filipenses.
Ao exortar “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...”, Paulo não quer que os filipenses deixem que as intrigas, a desunião os afastem um do outro, ou até mesmo do reino. Por isso, através de sua exortação, tem como desejo alertar aos filipenses que não se esqueçam de que pátria eles fazem parte e que não deixem de viver conforme o rei dessa pátria. Diante dessa verdade, pode-se ler os textos de Rm 12.2; Fp 3.18-21; Ef 4.1; Cl 1.10; 1Ts 2.11-12; 4.1; 2Pe 1.4-9; 3.11,14.
Nesse mundo somos cidadãos do mundo, mas temos como rei o nosso Deus. Nas palavras do apostolo João (Jo 17. 1 – 21ss) Jesus deixa claro que mesmo estando no mundo, não se vive conforme o mundo. E para auxiliar os cristãos a viverem de acordo com o evangelho de Cristo viver neste mundo, Deus nos dá o Espírito Santo.
Segunda Parte
Viver de acordo com o evangelho de Cristo só é possível estando certo da salvação e sem medo dos inimigos.
Quais são esses inimigos? Alguns são citados por Paulo em Fp 3.2,18. Pode-se destacar que aqueles que perseguem os cristãos também são inimigos.
Diante da perseguição, dos ensinamentos falsos, os filipenses deveriam se manter firmes e inabaláveis. Deviam continuar vivendo de acordo com o evangelho de Cristo.
Paulo esclarece que a vitória não será daquele que por suas forças permanece fiel, mas sim, a vitória do cristão vem de Deus (Ef 2.8; Jo 15.16; Cl 3.12; 1Jo 5.4-5).
Permanecendo na fé, a vitória é certa (Jo 3.18). E Paulo tem essa certeza, por isso confessou no “Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro”. E essa é a atitude que Paulo deseja que os filipenses tenham diante dos inimigos que anunciam outro evangelho.
Não pode haver fuga diante dos inimigos, ou da perseguição, pois nossa pátria não está nesse mundo, Rm 14.8; Rm 8.37.
Aplicação
Você quer continuar vivendo de acordo com o evangelho?
Este é o desafio, o privilégio e a oportunidade. Assim, não descuide da união. Continuem firmes e unidos. O termo firme, usado no versículo 27 é um termo militar. Significa que todos estão plantados em seus postos e não se afastarão por nada. Permanecer firme é: “permanecer na verdade”. A verdade de que estamos no mundo, mas, nossa pátria é o céu e somos governados pelo evangelho.
Continuar vivendo de acordo com o evangelho é permanecer na verdade. Não se desvie dela, nem quando estiver sendo perseguido, nem quando tentarem te enganar com falsos ensinos e não se desunam. A verdade é uma só: 2Sm 7.28; Sl 119.160; 138.2; Jo 14.6; 17.17.
Vivam de acordo com o evangelho de Cristo!
Deus nos abençoe! Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A prática do perdão ao ultimo extremo!

17 de setembro de 2017
15º Domingo após Pentecostes
Sl 103.1-12; Gn 50.15-21; Rm 14.1-12; Mt 18.21-35
Tema: A prática do perdão ao último extremo!

O evangelista Mateus usa uma palavra rara para apresentar a história que foi contada por Jesus. O evangelista Mateus utiliza o termo makrothymia: que expressa passividade, submissão resignada a uma situação que é, para todos os efeitos práticos irremediável.
Paciência é a palavra adotada pelos tradutores para Makrothymia. No entanto, essa paciência é refrear a ira e a fúria. Esse é um atributo de Deus, “o Senhor é tardio em irar-se...” (Na 1.3).
Os israelitas apelavam para a clemência, para a paciência de Deus, quando reconheciam seus pecados. Eles sabiam que Deus em sua clemência e paciência sempre estava disposto a conceder sua graça. Mas mesmo assim, todo israelita sabia que era possível fazer irromper a ira de Deus (Sl 7.12; Mt 18.35).
Muitos cristãos hoje sofrem por causa da clemência e paciência de Deus. Mateus 18.15-20 retrata as três maneiras para se resgatar o caído.
O profeta Jonas é um belo exemplo de alguém que sentiu grande dificuldade em concordar com a paciência e clemência de Deus (Jn 4.2).
Deus é paciente e clemente, afinal, seu objetivo é salvar o homem pecador.
Jesus havia instruído seus discípulos sobre a ação cristã diante de um pecado cometido contra a pessoa. Jesus ressalta três alternativas para se restabelecer a convivência entre as pessoas. Jesus também ressalta a disposição em perdoar, não apenas quatro vezes que era comum entre os rabinos, mas sempre.
Ao contar a parábola do servo incompassivo, Jesus ilustra a atitude divina para com o perdão e a nossa maneira de tratar o próximo.
A dívida do primeiro servo na parábola não tinha a menor possibilidade de ser paga. Esse por sua vez clama pela paciência do rei, pois resgataria todo o empréstimo. O rei, por sua vez, fez muito mais que isto: perdoou-lhe a dívida toda.
Esse servo perdoado ao sair encontrou um homem que lhe devia uma valor correspondente a uma diária de trabalho (Mt 20.2). Esse servo também clamou por paciência, mas, não recebeu o mesmo tratamento.
Jesus ensinou a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12,14-15). O perdão não depende de sentimentos humanos comuns, o perdão está intimamente ligado com a atitude que lhe foi mostrada, ou seja, “assim como eu me compadeci ... igualmente devias tu”. Os incompassíveis serão excluídos da misericórdia de Deus (Mt 18.35), e aqueles que recebem o perdão de Deus devem demonstrar a mesma atitude de perdão para com os outros.
Conforme o Novo Testamento, “igreja” significa comunidade dos crentes em Jesus. A igreja é santa por ter sido chamada por Jesus, por ter sido santificada por Cristo e vivificada pelo Espírito Santo. A igreja é o povo santo. A igreja é composta por aqueles que depositam sua confiança em Cristo e esperam receber apenas dele a justiça e a salvação. A igreja é a composição de pessoas perdoadas em Cristo. Lutero disse que “a igreja está repleta de perdão dos pecados”. O perdão é o maior presente dado à igreja! O perdão é o maior recurso da igreja! O perdão é a prática até o último extremo.
Com a parábola do credor incompassivo Jesus apresenta a clemência de Deus para com o pecador que não consegue de maneira nenhuma saldar sua dívida diante de Deus.
Deus é paciente para com o pecador (1Pe 3.20). E essa paciência visa salvar (1Tm 1.16; 2Pe 3.15).
A igreja depende exclusivamente dessa paciência divina. Em sua paciência, Deus conserva aberta a porta para uma nova vida na prática do perdão.
No mundo em que se vive, a prática do perdão tem se tornado anormalidade. Mas, na igreja essa prática expressa algo recebido de Deus. A igreja “não recebe em vão a graça de Deus” (2Co 6.1). A paciência e o perdão para com outro pecador não é uma virtude, mas uma modo de vida. Vive o perdão aquele que é perdoado!
O único motivo em Deus perdoar o pecador que tem para com Deus uma dívida que não pode ser saldada é a sua graça e o seu amor. O perdão não foi conquistado pelo pecador. A verdade é que o pecador não o merece, o recebe das mãos graciosas de Deus em Jesus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Atitudes de um relacionamento com Deus!

17 de setembro de 2017
15º Domingo após Pentecostes
Sl 103.1-12; Gn 50.15-21; Rm 14.1-12; Mt 18.21-35
Tema: Atitudes de um relacionamento com Deus!

O cristão é um ser dividido, difícil de entender, afinal, interiormente, é fé, exteriormente, carne. Pela fé, o cristão é alguém puro, perfeito, sacerdote real. Mas, na carne e vivendo nesse mundo, o cristão é assaltado por inclinações malignas, tais como, impaciência, medo, ódio, rancor, desejo de vingança, ...
O grande problema é que a fé ainda não penetrou por completo sobre a carne. Nesse sentido, temos uma grande lição por aprender de José e Davi. Homens simples. Pecadores assim como nós o somos, no entanto, o relacionamento com Deus, os torna exemplos para cada nós em pleno século XXI.
Davi era filho numa família de oito irmãos. Era pastor de ovelhas. Foi nomeado rei pelo próprio Deus. José era filho numa família de 12 irmãos. Foi vendido, preso, foi feito governador pelo Faraó.
Davi e José são dois personagens, um presente no relato (Gn 50.15-21) e Davi, autor do Salmo 103.
Pensando nesses dois personagens destaco o tema: atitudes de um relacionamento com Deus!
1 – O exemplo de Davi.
Davi significa amado. Passou sua vida em Belém de Judá. Era o mais novo dos oito filhos de Jessé (1Sm 16.10,11; 17.12-14). No registro da tribo de Judá em 1Crônicas 2.13-15 aparece apenas sete desses filhos. Isso ocorreu por ter morrido um deles antes de ser registrado. A mãe de Davi era uma mulher terna e piedosa (Sl 86.16; 116.16). Davi tomava conta das ovelhas de seu pai. Foi feito rei em lugar de Saul. Como rei, Davi, num momento de deslize, cometeu dois graves pecados: adultério e assassinato.
O profeta Natã foi enviado por Deus para conversar sobre seu pecado. Após o relato da conhecida parábola da cordeirinho (2Sm 12.1-13), Davi profundamente arrependido, reconheceu seu pecado e recebeu perdão desses pecados que deveriam ser punidos pela morte em praça pública (Lv 20.10).
Essa experiência de pecado, arrependimento e perdão foi marcante na vida de Davi. Ele escreveu dois salmos sobre essa experiência (Sl 32 e 51). Davi teve uma experiência vivencial da desgraça que é ser pecador. Por ser pecador, o ser humano é capaz de todas as atrocidades que provém da carne.
O arrependimento, o perdão e a fé fizeram de Davi um homem diferente a medida em que o tempo foi passando.
No Salmo 103, Davi, que tinha o dom da música (1Samuel 16.16-18), canta a graça de Deus. Davi faz uma descrição bela e profunda de Deus. Davi exclama que Deus é amor. Por esse amor, um amor misericordioso, todo nosso ser louva a Deus. Todo o louvor brota do agir de Deus. Deus é aquele que perdoa, resgata, coroa e sacia. O agir de Deus revela quem Ele é. “Deus guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ...” (Ex 34.7).
Davi, que havia sido criado num lar piedoso e cristão, ouviu falar dos atos poderosos de Deus, tanto que o Salmo 103, nas palavras de Lutero, pode ser uma pequena Bíblia. Afinal, toda a Bíblia é aqui resumida. Davi pede que ninguém se “esqueça dos benefícios de Deus” (Sl 103.2).
Deus não ama o ser humano por uma razão, por uma qualidade do ser humano. Deus ama por que ele é amor, fonte de amor. Dessa fonte de amor sobressai todo o temor a Deus.
Temer a Deus significa guardar a sua aliança e lembrar-se de cumprir os seus preceitos (Sl 103.18). Os que temem ao Senhor é a composição da assembleia reunida no templo para adorar e rezar (Sl 22.26). O temor ao Senhor se dá na prática religiosa. Ensinar o temor não é imprimir medo, mas ensinar orações, os dez mandamentos, iniciar uma vida de confiança em Deus.
A relação de Davi com Deus, era uma relação ancorada no amor e na misericórdia de Deus. Por causa desse amor e misericórdia, Davi bendizia ao Senhor (Sl 103.1; 104.1; 146.1). Bendizer é a tradução do termo hebraico barakh e significa responder por algo recebido.
Atitudes de um relacionamento com Deus! Bendizer.
Atitudes de um relacionamento com Deus!
1 – O exemplo de José
Quando fala-se sobre as atitudes de um relacionamento com Deus precisamos nos lembrar de José. A atitude de José foi de perdão.
José significa possa ele acrescentar. Era o décimo dos onze filhos de Jacó. O filho preferido de Jacó. Isso, por que José foi um filho em sua velhice, provavelmente Jacó tinha entre 90 e 91 anos. Outro motivo era por ser filho de Raquel, sua esposa amada, por quem Jacó trabalhou quatorze anos (Gn 29.30).
A história entre José e seus irmãos é uma das mais longas da Bíblia. Vai desde o capítulo 37 de Gênesis até o capítulo 50. Uma história marcada por preferência, inveja, ódio, traição, prisão, sofrimento e por fim perdão e reconciliação.
O relato de Gênesis 50.15-21 é o final de uma triste vida de irmãos que desconfiavam do perdão do irmão. Jacó, o pai havia morrido e os irmãos de José estavam medo. José já os havia perdoado (Gn 45.5), mas achavam que o perdão iria terminar com a morte do pai e seriam escravizados por José. E com mais uma mentira, os irmãos insistiram no perdão. Diante desse novo pedido dos irmãos, José, um homem que vivia em atitude a sua relação com Deus, novamente (Gn 45.5) lhes disse: “Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus?” (Gn 50.19).
A vida de José foi uma vida marcada pela misericórdia, graça e amor de Deus.
A misericórdia, a graça e ao amor de Deus esteve com ele quando foi jogado na cisterna, já que alguns irmãos queriam matá-lo (Gn 37). O amor e a misericórdia de Deus esteve com José quando ele foi vendido pelos irmãos a uma caravana de ismaelitas que descia para o Egito. José reconheceu que a graça, o amor e a misericórdia de Deus estava com ele, até mesmo no momento da prisão. A relação de José com Deus foi uma relação fundamentada na graça, amor e misericórdia divina. José vivenciou o fato de que Deus controla tudo.
Deus controla todos os eventos da humanidade. Isso com um objetivo. O objetivo é que todos cheguem ao arrependimento e assim sejam salvos (Gn 42.21; Is 45.7; Am 3.6; Rm 8.28).
José aprendeu na sua relação com o Deus misericordioso e amoroso que tudo coopera para os propósitos de Deus. O propósito de Deus em nossa vida é sempre revelar seu amor, sua graça e sua misericórdia.
Se temos, pela fé, uma relação com esse Deus amoroso e misericordioso, a nossa vida nesse mundo, ainda na carne, precisa ser uma vida de atitude em relação a Deus e as pessoas. Em relação a Deus, a nossa atitude é de resposta, de ação de graças, de louvor. Em relação ao próximo, a nossa atitude precisa ser de perdão.
Querido irmão e irmã em Jesus.
Muitas pessoas encontram dificuldade em perdoar. Lembre-se de José. Após anos, teve uma enorme oportunidade para se vingar dos seus irmãos, mas, ao invés da vingança, ele simplesmente viu a mão poderosa, amorosa e misericordiosa de Deus.
Todo aquele mal que fizeram à você, Deus, em amor, graça e misericórdia, reverteu para o teu bem. As pessoas fazem maldades por estarem na carne e por que a fé ainda não penetrou por completo sobre a carne. Por outro lado, muitos que com a boca confessam-se cristãos, não perdoam, por que não conseguem ver a mão amorosa, misericordiosa de Deus, que transformou os eventos ruins para o nosso bem.
Nesse momento me lembro do episódio do chamado de Moisés. Num primeiro momento, Moisés não quis aceitar o chamado (Ex 3.1-15) por estar chateado com Deus. Deus precisou curá-lo ao longo de seu chamado e caminhada.
Deus reverte o mal para o nosso bem e para o bem de muitas pessoas. José, num momento, que para muitos deveria ser de vingança, foi um momento precioso de confissão de fé: “Estamos aqui a salvo, porque Deus, reverteu a maldade de vocês até mesmo para o bem de vocês”.
Muitas pessoas, assim como os discípulos, não compreenderam que toda a maldade do homens para com Jesus, o filho de Deus, era para salvação. O “...é necessário ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mt 16.21), causou espanto não só em Pedro, mas também em muitos judeus, gregos e demais raças.
Jesus, o pendurado na cruz, “... o maldito de Deus ...” (Dt 21.23), se fez maldição em nosso lugar, para que recebêssemos a salvação (Gl 3.13-14). A cruz, loucura para os que se perdem, é o poder de Deus para os que são salvos (1Co 1.18).
Na cruz, Deus em seu Filho, se relaciona conosco. A relação de Deus conosco é uma relação de amor, graça e misericórdia. Assim sendo, nossa vida precisa ser uma vida de atitude.
Atitudes de um relacionamento com Deus! Uma atitude de resposta ao amor de Deus, de louvor, ação de graças, oração. Também uma vida de perdão para com aquele que fez algum mal contra nós, pois, Deus por amor e misericórdia reverteu para o nosso próprio bem e até mesmo para o bem da pessoa que tentou nos prejudicar.
Deus nos abençoe numa vida de atitude que provém de um relacionamento com Deus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

sábado, 9 de setembro de 2017

A igreja na prática do perdão!

Romanos 13.8-10 e Mateus 18.15-20
Tema: A igreja na prática do perdão!

As pessoas dizem que o número “treze” é o número do azar, mas o que poucos perceberam é que exatamente um número treze é selecionado para o dia do casamento. Quem já não ouviu 1 Coríntios 13 num casamento. Pode-se ainda relembrar Hebreus 13 e Romanos 13. Todos esses textos falam da proeminência do amor (mas não leia Apocalipse 13! Sobre a sátira satânica do governo).
O autor a carta aos Hebreus, em especial Hb 13, nos espanta com a afirmação de que quem ama, demonstrando hospitalidade, poderá chegar a receber anjos em sua casa sem o saber. 1Co 13, fala sobre o amor como sendo óculos pelos quais vemos o dom do outro. Romanos 13 é inesperado.
O apóstolo Paulo havia acabado de escrever 11 capítulos, elaborando longos e detalhados argumentos, citando dezenas de passagens do Antigo Testamento, para reconceituar a lei dentro da perspectiva da fé. Agora, no capítulo 13, ele simplesmente resume estes milhares de palavras em sete: “quem ama o próximo cumpre a lei”!
A fé instrui – o amor limita.
A fé liberta – o amor põe barreiras.
Como uma comunidade de fé, uma comunidade instruída, uma comunidade liberta – vive esse amor?
A igreja na prática do perdão!
A igreja cristã é a continuação e presença da pessoa e ação de Jesus. E nesse sentido ela tem uma grande responsabilidade.
Mateus 18 é o grande capítulo do perdão. A igreja vive na prática do perdão.
Mateus 18.1-5 traz a pergunta sobre quem é o maior no reino dos céus?
Em Romanos 14 aprendemos que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito (Rm 14.17).
O maior no reino dos céus é aquele que serve (Lc 22.26).
Jesus, usa como exemplo uma criança. A palavra criança pode ser usada para criancinha, como para servo, empregado. A criança menor de 12 anos e o empregado representava socialmente os pobres e humildes. O maior no reino dos céus é aquele que serve despretensiosamente.
A igreja na prática do perdão!
Mateus 18.6-9, nos alerta sobre o perigo dos escanda-los. E um dos escanda-los vivido pela igreja é a falta de perdão ao irmão faltoso.
Mateus 18.10-14 nos fala sobre o afastamento do irmão. Você já procurou saber porque determinado irmão se afastou? Se você foi o responsável, qual foi a sua atitude? Jesus sente prazer pelo retorno da ovelha perdida.
A igreja na prática do perdão!
Quando se fala sobre amar o próximo, buscara a ovelha perdida, cuidar com os escanda-los, é preciso olhar com carinho as palavras de Jesus em Mateus 18.15-20.
Se teu irmão pecar
É possível não pecar?
Ninguém é perfeito. Nem mesmo dentro da igreja encontramos alguém sem pecado. Todos somos pecadores. No entanto, a grande pergunta é: Como agimos com o irmão, cujo pecado conhecemos?
Você lembra as palavras do oitavo mandamento? Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Deus deseja nos manter com um bom nome. E é justamente por isso, que seu conselho é: “Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só” (Mt 18.15).
Mantenha o bom nome do próximo. Não saia logo contando o pecado que você sabe que o mesmo cometeu. Converse com ele, pois, se houver arrependimento, você estará fazendo com que o mesmo permaneça no reino dos céus. “O amor não pratica o mal contra o próximo” (Rm 14.10).
Para que haja perdão, reconciliação é necessário arrependimento. E com o objetivo de ganhar o seu irmão faltoso, Jesus recomenda: converse com ele. Não destrua o seu bom nome. Não o afaste da igreja.
Se porventura, aquela pessoa não te ouvir, arrume testemunhas de sua confiança. Pessoas que não irão comentar com outras e tente novamente ganhar seu irmão. Se não ouvir mesmo assim, leve o assunto à igreja.
Mas, para que a igreja resolva tudo da melhor maneira, precisa saber que vive na prática do perdão.
Lembre-se: tenho observado que muitas pessoas se auto excluem. Elas mesmas supõem que não encontrarão acolhimento e perdão na igreja e assim se excluem.
Tenho visitado pessoas afastadas da igreja e nessas visitas é unânime a fala: “pastor, eu não vou por enquanto, pois as pessoas vão me olhar diferente. Eu não sei o que elas vão pensar de mim”.
A prática do perdão precisa ser uma prática da encarnação de Jesus.
É importante lembrar que essa é a terceira parte do evangelho de Mateus, Jesus está indo a cruz. "É necessário ..."
Todos os salvos, aqueles que sabem que são pecadores e que necessitam da misericórdia e do perdão de Jesus, são mais compreensivos, tolerantes.
No amor não há lugar para o ódio, a vingança, a exigência, o radicalismo.
A igreja na prática do perdão – perdoa, para que haja harmonia, paz e tranquilidade.
A igreja na prática do perdão – perdoa, para que haja mais união (Cl 3.14). Só o amor une – e a maior manifestação de amor que pode haver é o perdão.
A igreja na prática do perdão – perdoa, pois só pelo amor há identificação (Jo 13.34,35). Somos diferentes uns dos outros, mas quando nos amamos e nos perdoamos, parecemos ser iguais.
A igreja na prática do perdão – perdoa, pois só pelo perdão há comunhão. Onde não há perdão não há comunhão. Pessoas estão onde se sentem amadas e perdoadas.
A igreja na prática do perdão – perdoa, pois no perdão há edificação (1Co 8.1).
Deus, ao longo da história tem com seu povo uma relação de amor e perdão. E esse amor e perdão são as marcas de vida da igreja. Amém!
Rev. Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A igreja na prática do perdão!

10 de setembro de 2017
14º Domingo após Pentecostes
Sl 32.1-7; Ez 33.7-9; Rm 13.1-10; Mt 18.1-20
Tema: A igreja na prática do perdão!

O que fazer com um pecador que está no pecado?
O antigo testamento apresenta que é necessário persuadi-lo a arrepender-se de sua vida pecaminosa (Lv 19.17; Ez 33.7-9).
De quem é essa tarefa?
Bem, muitos pensam que essa é a tarefa do pastor. Mas, essa missão é daquele que sabe dos pecados que o pecador anda cometendo.
O mundo age na contramão. Milhares de leis são criadas com o objetivo de proteger o indivíduo. No entanto, observando a situação, vê-se que as muitas leis estão apenas permitindo que o pecador continue vivendo em pecado com autorização do estado.
O antigo testamento enfatizou a necessidade de se conversar com o pecador que está vivendo em pecado. O novo testamento também dá ênfase nessa conversa (Mt 18.15; Lc 17.3; Gl 6.1).
A igreja na prática do perdão!
1 – Falando em particular
A missão de cada cristão precisa ser: conduzir meu próximo ao arrependimento e a Cristo.
Mostrar ao pecador o seu pecado não tem o objetivo de destruí-lo, pelo contrário, o objetivo é alertá-lo e auxiliá-lo para que viva. Cada cristão precisa ter em mente o objetivo do bom pastor Jesus, ganhar o irmão perdido.
Há pessoas que caminham, mas só se dão conta que estão no caminho errado quando alguém próximo lhe alerta. O mesmo se dá na situação do pecador em pecado. Muitos só irão saber que estão no pecado se alguém próximo lhes falar.
Disse Jesus: “Amarás o teu próximo, como você ama a si mesmo” (Mt 22.39). Assim sendo, se você estivesse no erro, gostaria de ser exortado? De que maneira? Jesus nos anima a proceder: “porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mt 18.11).
Quando se vai em busca do pecador desviado em seu pecado, o objetivo é apenas um, “colocar o pecador frente a frente com seu pecado para leva-lo ao arrependimento” (1Co 14.24-25; Ap 3.19). A igreja não pode se apressar em excomungar o pecador que está envolvido em pecado. A igreja não foi enviada para julgar, e nem se livrar do irmão faltoso.
A igreja na prática do perdão!
2 – Conversando com a igreja
A palavra “igreja” aparece no evangelho de Mateus apenas duas vezes. Em Mateus 18.17 e 16.18. A expressão “dize-o à igreja” é muito forte e impactante.
Com essas palavras, Jesus não tinha por objetivo tornar público o pecado para desmoralizar o pecador. A igreja conforme o Novo Testamento significa comunidade dos crentes em Jesus. Essa comunidade só é santa por ter sido chamada por Jesus, por ter sido santificada por Cristo, vivificada pelo Espírito Santo. A igreja é o povo santo.
Dize-o à igreja”, ou seja, diga aqueles que depositam sua confiança em Cristo e esperam receber apenas dele a justiça e a salvação. Todos aqueles que estão reunidos como perdoados em Cristo perdoam, “...tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18). Como disse Lutero, “a igreja está repleta de perdão dos pecados”.
Viver a prática do perdão é a característica do cristão e da igreja. Para a prática do amor Jesus dá três passos para a busca e o resgate do pecador desviado em seu pecado. A fé atua movida pelo amor (Rm 13.8-10).
O pecador em pecado é alvo do amor de Deus, amor esse vivido e praticado entre os irmãos na fé.
Lembre-se: Mateus 18 15-20 não é um texto que mostra os três passos para excomunhão do pecador. O texto mostra três atitudes de amor para resgatar o pecador. A verdade é que a igreja vive na prática do perdão! Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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