terça-feira, 26 de julho de 2011

Pão e Vida

31/07/11 – 7º Domingo após Pentecostes
Sl 136. 1 - 9; Is 55. 1 - 5; Rm 9. 1 - 5; MT 14. 13 - 21;
Tema: Pão e Vida
Introdução
Panem et circenses, que significa “pão e (jogos) circenses”, ou como popularmente é conhecido: pão e circo. Essa foi uma política criada pelos antigos romanos, que provia comida e diversão ao povo. E o objetivo disso era diminuir a insastifação do povo contra os governantes. Eram oferecidos combates sangrentos por meio dos gladiadores e nos estádios, por ocasião desses combates, o povo recebia gratuitamente o pão. O custo dessa política foi enorme, os impostos foram elevados e  a economia do Império ficou sufocada. Mas, essa política era para  ficar bem falado junto ao povo. O pão e o circo ainda continua sendo um sistema adotado por muitos governos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Pois assim como em Roma, enquanto se diverte e come se esquece dos problemas e se evita os protestos.
            No episódio narrado por Mateus 14. 13 – 21 estaria Jesus exercendo essa política romana? Afinal vemos uma multidão que estava ali, e que estavam buscando cura para os seus muitos doentes.
            Jesus mesmo querendo ficar sozinho, pois havia recebido a triste noticia do assassinato de João Batista, se compadeceu daquela multidão. E já que buscava cura, Jesus curou muitas pessoas. No entanto, Jesus foi além da cura física. Ele promoveu um ensino coletivo, de que Deus, vai além de nossos problemas, e que na relação Deus / homem, Deus está ocupado conosco em toda e qualquer circunstância.
            Observemos que:
            1 – Jesus se retirou para um lugar deserto. Queria ficar sozinho. João Batista, o maior de todos os profetas nascido de mulher havia tido sua cabeça cortada e oferecida numa bandeja.
            2 – A multidão que já haviam vivenciado outras curas e milagres, seguem a pé as margens do lago e chegam até Jesus.
            3 – Jesus em seu amor e misericórdia, compadeceu de todos que ali estavam e curou muitas pessoas dessa multidão.
            4 – Sendo tarde, já próximo ao anoitecer, a solução dada pelos discípulos foi despedir as pessoas e pedirem que fossem embora. Afinal, o que eles foram buscar já havia sido realizado. Os enfermos estavam curados.
            5 – Acontece algo imprevisível. Jesus confronta os seus discípulos. Não despeçam as multidões, dêem a ela o que necessitam. Dêem comida.
            6 – Temos apenas 5 pães e 2 peixes. Creio ser melhor mandá-los embora, afinal esses 5 pães e 2 peixes não dão para nada. Aqui temos 5 mil homens, fora as mulheres e as crianças.
            7 – Tragam todos aqui. Mas, Senhor, são apenas 5 pães e 2 peixes.
            8 – A multidão foi solicitada a sentar-se na grama, e erguendo os olhos ao céu, Jesus abençoou os peixes e os pães, e deu aos seus discípulos, e estes distribuíram a multidão.
            9 – Todos comeram, ficaram satisfeitos e sobrou comida.
            Será que nossa reação diante dos problemas não é mesma? Afinal focamos em nós mesmos, nas nossas capacidades. E muitas vezes esquecemos de olhar além de nós mesmos.
            Pão e Circo – será que essa política doutrinária não está sendo praticada por muitas igrejas? Eu não duvido de que Deus cura. Mas, friamente falando, há muito teatro, e assim o pão acaba se tornando falso, e o circo verdadeiro.
            E por esse circo e falso pão, milhares de pessoas estão deixando de lado o verdadeiro pão, a verdadeira vida. Apenas olham para os problemas e para cada um desses problemas encontra-se a  solução quase que imediata, sendo apenas questão de doação e seguimento de algumas semanas.
            Deus olha além de nós. Enquanto queremos cura, Deus nos oferece pão e vida. Enquanto queremos riqueza, apresenta que o maior tesouro é estar rno seu Reino. Deus é misericordioso, conhecendo nossas necessidades, que vão além daquilo que nós acreditamos ser, somos convidados a nos preocupar apenas em buscar as coisas do Reino, pois todas as outras coisas nos serão acrescentadas. Estamos no reino, somos a pérola preciosa, somos o valiosos terreno que custou a vida de Jesus. E se estamos inseridos no reino, o seu governo é justo, misericordioso e nada nos faltará. Jesus é quem governa seu reino, no qual estamos inseridos desde o batismo, e com sua Palavra nos orienta, com seu batismo contiua inserindo outros milhares no seu reino e com seu verdadeiro corpo e sangue dados com e sob o pão e o vinho fortalece a cada um em seu reino para que firmes na fé continuem sua caminhada no reino de amor, no reino de pão e vida.

           Que expectativa você tem sobre o que Jesus te oferece?
            Conseguimos perceber que Jesus tem um plano diferente do nosso?
            Jesus vai além de nossos esforços diários e nos convida a termos uma profundidade maior com ele em sua Palavra. Jesus assim como diz o evangelho de hoje continua se compadecendo das multidões, por isso, continua oferecendo pão e vida - o pão é o alimento dados pela palavra e pela palavra que alimenta dá também vida, através do batismo e da santa ceia. acheguemo-nos a Jesus, reconheçamos nossa necessidade de pão e vida e saibamos que nEle estamos alimentados e vivos. amém!
Pr Edson Ronaldo Tressmann

domingo, 17 de julho de 2011

Qual nosso apreço pelo tesouro?

24/07/11 – 6º Domingo após Pentecostes
Sl 125; Dt 7. 6 - 9; Rm 8. 28 - 39; Mt 13. 44 - 52
Tema: Qual nosso apreço pelo tesouro?
Nas primeiras parábolas (Mt 13.1-43) que estudamos anteriormente, observamos que Jesus falou da semente e do semeador. A semente é a palavra de Deus, o semeador é Cristo e aqueles que antes e após ele semearam e semeiam a palavra de Deus. As parábolas falam do mistério do Reino de Deus. E Reino, inclusive o de Deus, é composto por pessoas. E na parábola registrada em Mt 13. 44 – 52 vemos a exposição de Jesus sobre como as pessoas encontraram e apreciaram o tesouro, que é o Reino de Deus.
            Jesus em seus ensinos usava um recurso didático, conhecido como parábola. De um fato conhecido pelas pessoas transformava num ensinamento vital. E relatos de tesouros escondidos eram comuns e bastante conhecidos na época. Os textos bíblicos não podem ser retirados de seus contextos, inclusive histórico. Por isso, precisamos recordar que naquele período não havia segurança quanto aos bens, não haviam bancos, seguros, etc. Eram dias e anos de muitas revoluções e banditismo. Era comum que as pessoas dividissem seus bens em três partes. Uma parte era usada no dia-a-dia; outra era convertida em pérolas preciosas, e ainda uma terceira era enterrada. O fato de alguém achar um tesouro escondido ilustra o mistério do reino de Deus.
          Mesmo que o objetivo do ensinamento de Jesus nas duas parábolas seja único, há uma diferença a ser observada. Na parábola do tesouro escondido é dito que o homem achou sem procurá-lo, foi por acaso. Na parábola das pérolas o homem estava procurando pérolas e também por acaso, encontra uma pérola muito preciosa entre outras.
            No versículo 44 é dito: “O reino do céu é como um tesouro escondido num campo, que certo homem acha e esconde de novo. Fica tão feliz, que vende tudo o que tem, e depois volta, e compra o campo”. A pessoa está vivendo sua vida normalmente. E nesse seu viver diário estava voltado para todas as coisas, mas não nas coisas de Deus. E nesse viver diário, de repente, se defrontou com a Palavra de Deus. E por esta Palavra foi chamado e iluminado, como bem explicou Lutero no terceiro artigo do Credo apostólico: “Creio que por minha própria razão ou força, não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a Ele, mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, ...”. E no evangelho reconheceu o maior de todos os tesouros, o Reino de Deus.
            Na segunda parábola: “O reino do céu é também como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola” (Mt 14.45-46).
            O homem está procurando pérolas. Em outras palavras está buscando uma satisfação pessoal, sendo essas a riqueza. As duas parábolas apresentam que inesperadamente ambos são confrontados com a Palavra de Deus. Pelo evangelho são chamados a fé. E pelo evangelho reconhecem a graça de Cristo. Cristo é o maior tesouro. Diante da Palavra de Deus só nos resta confessar que Cristo com seu Reino é o nosso maior tesouro.
            Nestas duas parábolas Jesus mostra que não é a pessoa que busca ou se esforça em encontrar a Deus. Espiritualmente somos cegos, mortos e inimigos de Deus, por isso, em seu amor e misericórdia Deus nos busca e vem ao nosso encontro em Jesus. E pelo evangelho, sua Palavra, Deus nos chama à fé. E todos que foram encontrados por Deus e muitos que foram buscados e achados por Deus, reconhecem Cristo e seu Reino como seu maior tesouro. E assim, a exemplo do apóstolo Paulo reconhecemos: “... o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual, perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo, e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseado na fé; para o conhecer e o poder da sua ressurreição (Fp 3.7-10).
            Para terminar seu precioso ensino Jesus diz: “O Reino do céu é ainda como uma rede que é jogada no lago. Ela apanha peixes de todos os tipos. E, quando está cheia, os pecadores a arrastam para a praia e sentam para separar os peixes: os que prestam são postos dentro dos cestos, e os que não prestam são jogados fora. No fim dos tempos também será assim: os anjos sairão, e separarão as pessoas más das boas, e jogarão as pessoas más na fornalha de fogo. E ali elas vão chorar e ranger os dentes de desespero” (Mt 13.47 – 50).
            Aqui temos um pescador que lança a sua rede, e seleciona os peixes, ficando com os bons e jogando fora os peixes que não prestam.
Essas palavras de Jesus são para sua igreja neste mundo. A palavra é lançada constantemente. E sendo lançados a todos, muitos a ouvem. Entre estes muitos, há os fiéis e os hipócritas. Há os que verdadeiramente confessam sua fé em Jesus, e há os que mesmo numa igreja, verdadeiramente não crêem. Essa parábola assemelha-se a do joio no meio do trigo.
Podemos até fingir ser trigo, ou seja, ser um bom peixe no aquário de Deus, mas ao dono, aquele que nos chamou pelo evangelho, a esse não tem como enganar. Por isso, a separação será feita no dia do juízo.
Desde o batismo fomos acolhidos e integrados no Reino de Deus. Cristo e seu reino é o nosso maior tesouro. Que saibamos valorizar esse tesouro e que sejamos assim como um pai de família, ou seja, que apresentemos ao mundo que em Cristo somos afortunados e que dessa fortuna enriquecemos a todos. Amém!
Pr. Edson Ronaldo Tressmann
Lançando as redes do evangelho para que muitos estejam nos cestos celestiais.
cristo_para_todos@hotmail.com

domingo, 10 de julho de 2011

A boa semente de Deus

17/07/11 - 5º Domingo após Pentecostes
Sl 119. 57 - 64; Is 44. 6 - 8; Rm 8. 18 - 27; Mt 13. 24 – 30, 36 - 43
Tema: A boa semente de Deus

            A modernidade e seus perigos. Entre tantos, quero citar o mais ardiloso de todos – o homem é levado a crer que o diabo, “nosso inimigo que anda em redor procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8), não existe. Dizem por aí que é uma personificação do mal, sendo assim, o inferno é aqui na terra, em meio à violência, a corrupção, drogas, prostituição, etc. Milhares de pessoas estão vivendo suas vidas sem perceber a sua terrível situação, pecadores que necessitam da graça de Deus em Cristo Jesus, e que sem Jesus Cristo terão um triste fim, o inferno.
            Olhemos a parábola do joio e do trigo. Após a leitura, (Mt 13. 24 – 30) qual é a impressão dessas palavras? Muitas vezes se diz, ou pensa que é dentro da igreja que o joio e o trigo permanecerão juntos até o fim dos tempos. Precisamos nos lembrar que Jesus se refere ao campo, ou seja, mundo. Claro que a igreja está dentro do mundo, mas Jesus está deixando claro que os cristãos vivendo no mundo, são a boa semente semeada para produzir bons frutos, ou seja, frutos que os diferenciem do joio. A questão é: Viver entre o joio, ou me afastar do joio e viver só entre o trigo? Diante dessa questão convido a reflexão no seguinte tema: A boa semente de Deus.
            Qual?
1 – Aquela que produz bons frutos;
            Os servos chegaram ao dono do campo e perguntaram, “queres que arranquemos o joio?”. A resposta é surpreendente, NÃO. Espere a hora da colheita. Deixem os dois juntos.
            Deixar viver junto: essa foi a resposta do dono. Ele sabia que as raízes estão entrelaçadas, e ao arrancar o joio, pode-se arrancar junto o trigo. Vivemos juntos, trigo e joio, no vasto campo do mundo. E há apenas uma diferença, os frutos. A presença do joio aparece mediante os frutos.
            O trigo é usado para alimentar, o joio, ao contrário é venenoso e pode matar. Aparentemente são parecidos. A planta venenosa é traída pelos seus frutos, ela não pode enganar sempre, sua identidade é comprovada dia após dia.
            O joio foi semeado entre o trigo, para estragar o trigo. Mas Deus em sua sabedoria nos dá meios, Palavra e Sacramentos para permanecermos boa semente. O inimigo do homem, o diabo, aproveita a escuridão para não ser visto e nem repelido.
            Deus quer salvar o mundo, mas o inimigo, quer destruir. Faz isso através da permanência de muitos na escuridão. Disse Paulo aos coríntios: “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4). O nosso inimigo não se satisfaz somente com isso, tenta para que o trigo, a boa semente, murche e caia no sono espiritual. Estamos propensos a queda, precisamos ser despertados, assim como Jesus precisou despertar seus discípulos para a vigilância. Precisamos estar alertas, continuar sendo trigo, sendo a boa semente, porque vivemos junto com o joio. Compartilhamos idéias, projetos em comum, somos vizinhos, trabalhamos no mesmo lugar, temos sofrimentos e problemas comuns, nos ajudamos, colaboramos um com o outro. Mesmo em meio a tantas coisas comuns, apenas uma coisa nos distingue, os frutos. Somos filhos de Deus, pertencemos a Deus, sabemos e reconhecemos nosso estado deplorável como pecador, e em Jesus Cristo sabemos que somos amados e perdoados. O joio, a semente venosa, não reconhece sua situação e despreza aquilo que Deus em Jesus fez e faz a toda a humanidade, e por esse desprezo estão se deixando levar a perdição. Deus: “...deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” (1Tm 2.4-6).
            Vivemos tempos conturbados, dias em que dúvidas surgem a todo instante, “vale a pena ser honesto?” “Vale a pena continuar sendo fiel?” “Não seria melhor fazer como muitos fazem, são corruptos e se dão bem?” O joio causa tristeza, desânimo, nos deixa abatidos, mas em nosso coração foi semeada a boa semente, nós agora somos as boas sementes. E para permanecermos boa semente, Deus na Palavra, no Corpo e no Sangue, continua nos alimentando para que através de nós, nossos frutos, outros sejam atraídos e se tornem trigo.
            Nosso inimigo semeou e semeia o joio entre a boa semente. Precisamos reconhecer o perigo e o estrago que a semente venenosa é capaz de fazer. Fazemos parte do campo do mundo, e nesse enorme campo, as duas sementes não vivem separadas, estão misturadas, mas fica para cada um de nós a pergunta: Diante do joio qual é a minha reação? Indiferença, Satisfação, Acomodação, Negação. Estamos nós, sendo trigo, ou seja, transmitindo nossos valores? Ou estamos adotando o modelo do joio? Como boa semente, como filhos de Deus, discípulos de Jesus, somos enviados ao mundo, no meio de lobos, e como enviados de Deus, como boas sementes semeadas por Deus, estamos entre o joio para fazermos a diferença, para alimentarmos e não sermos envenenados.
            Jesus nos enviou, e pediu ao Pai que nos livre do mal, e além de orar, nos prometeu que ficaria conosco todos os dias até o fim dos tempos. E até esse dia, nos convêm permanecer neste mundo, assim como somos, trigo, boa semente de Deus, semeada para produzir bons frutos.
            A boa semente de Deus. Qual?
            2 – Aquela que será ajuntada e levada ao seu celeiro;
            Nós não podemos julgar nosso semelhante, esse é trigo, aquele é joio. Pois apenas vemos a cara, mas não conseguimos olhar o coração e ver se há ou não há fé. O julgamento não cabe a nós, será feito por Deus, no dia do julgamento. A nós cabe permanecer na Palavra, permanecer em Jesus, pois só ele é o caminho a verdade e a vida. E é nEle que veremos o Pai.
            Deus em seu amor e misericórdia dá a cada um de nós e também aos joios espalhados pelo mundo a chance de se arrepender, e reconhecer que só em Cristo está o perdão, a salvação. E nesse perdão a exemplo do trigo produzir bons frutos. Todos nós estamos expostos a tentação, “vigiai, pois, a todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem” (Lc 21.36). Não nos preocupemos em julgar, permaneçamos entre aqueles que no dia da separação serão separados em feixes e colocados no celeiro de Deus. E pela fé em Jesus eu faço parte desse grupo, além de me consolar com essa certeza, essa certeza precisa servir de estímulo a convidar outros, a chamar outros ao caminho verdadeiro, a Cristo. Permaneçamos produzindo o bom fruto, para que muitos se alimentem daquilo que nós somos alimentados.
            O profeta Isaías nos transmite a mensagem de que o povo de Deus é chamado a servir de testemunha do Senhor no meio do povo. A semente de Deus é chamada a permanecer como boa semente entre as más sementes espalhadas ao nosso redor. A boa semente do evangelho no batismo nos libertou da condenação; a boa semente do evangelho nos alimenta, perdoa e capacita para permanecermos como trigo; a boa semente do evangelho no Corpo e Sangue de Jesus também nos alimenta, perdoa e capacita a permanecermos boa semente. Aproveitemos esses meios para que regados resistamos às tentações, principalmente a de deixar de ser boa semente.
Pela boa semente do evangelho, Deus nos fez e faz boa semente, semeada por Deus para fazermos a diferença, para que todos vejam em nós o bom fruto, para que todos vejam em nós o amor de Deus manifestado em Jesus. Que o nosso viver em meio ao joio, seja um viver de amor, compreensão, respeito e perdão.
Tenhamos paciência em viver entre o joio. Por que paciência? Primeiro: por não sermos capazes de distinguir entre joio e trigo; Segundo: Deus em seu amor deseja e faz todo o possível para que o joio se torne trigo e assim faça parte dos feixes que serão separados e guardados no celeiro de Deus.
            A modernidade e seus perigos. A nós não cabe julgarmos quem é trigo, quem é joio, antes, nos cabe vigiar. Nos importa semear, e o restante fica com Deus. Deus sabe quem é joio, quem é trigo. Ele fará a separação. Que nós cristãos permaneçamos em Jesus para estarmos entre os feixes de trigo separados e guardados no celeiro celestial. Amém!
Pr. Edson Ronaldo Tressmann
Querência do Norte – PR
Numa missão entre o trigo no meio do joio.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A SEMENTE DO EVANGELHO E SEUS FRUTOS

10/07/11 – 4º Domingo após Pentecostes
Sl 65. 9 - 13; Is 55. 10 - 13; Rm 8. 12 - 17; Mt 13. 1 – 9, 18 - 23
Tema: A semente do evangelho e seus frutos

Introdução
            Na parábola do semeador, vimos 3 coisas que impediram o crescimento e a produção da semente. Sementes a beira do caminho, num terreno pedregoso, entre os espinhos.
Desenvolvimento
            O nosso texto de estudo para hoje é a parábola do semeador.
            O que é uma parábola? É comparação. Jesus usa um acontecimento do cotidiano para ensinar algo de valor fundamental. Ele fala sobre o semear, coisa necessária e vital. Todos entendiam o que Jesus falava. E eu quero explicar pra vocês o sentido da história que Jesus contou.
            Nessa parábola Jesus está colocando cada homem frente a frente com a Palavra de Deus, e diante dessa Palavra, cada um é levado a perguntar: Que tipo de solo eu sou? A Bíblia é o nosso espelho, e olhando para o ensinamento da parábola de que: “a semente é a palavra de Deus” observemos que três coisas são fundamentais: a semente (Palavra), o semeador (Pregador) e o solo (coração, mente e mãos). E em um desses três elementos, há um grave problema, pois nem toda semente está produzindo os frutos esperados.
Onde está o Problema?
            Na semente – não pode ser, pois a semente é a Palavra de Deus, e o próprio Deus anuncia ao profeta Isaías: “A minha Palavra não voltará vazia” (Is 55.11), “Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12), pois, “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).
            Onde está o Problema?
            No semeador – Carregando a semente numa sacola presa ao pescoço ou nas dobras da túnica, pacientemente, passo a passo pelo campo, vai atirando com ambas as mãos as sementes para todos os lados o quanto mais longe puder. Ele faz o que lhe é possível e lhe cabe.
            Onde está o Problema?
            No terreno – Com a semente lançada ao chão, segundo o costume da Palestina, segue-se o arar a terra. Assim a semente é levada ao coração da terra. Acontece que caminhar em um arado, acaba-se formando certos caminhos, e ali o solo fica mais duro.
 Com o arar algumas pedras acabam rolando ao lado e ficam cobertas por um pouco de terra. E os espinheiros podem chegar a altura de um homem quando crescidos.
            Onde a terra é dura a semente não penetra no coração da terra, e os passarinhos as comem. As sementes que caem sobre as pedras com um pouco de terra, germinam, mas, sem a profundidade necessária e secando-se a pouco terra, as sementes morrem. O arado sufoca os espinhos, mas eles crescem com as sementes e a sufocam.
            Jesus conta essa parábola a uma grande multidão, pois até o momento existiam muitas dúvidas sobre a sua pregação. Em Nazaré (Mc 6.1-6) sua pregação não teve grande sucesso, e Jesus foi rejeitado pelos seus contemporâneos. Ao curar um homem no sábado (Mc 3.1-6), trouxe sobre a sua própria pessoa a inimizade acirrada dos fariseus e herodianos. O discurso sobre o pão da vida (Jo6) levou à apostasia muitos discípulos.
            Pregadores do século XXI recebem as mesmas reações e ficam desanimados e frustrados. E Jesus? Será que não ficou frustrado e desanimado? A resposta é Não. Ele disse: “Reparem no semeador”. Hoje podemos tomar como exemplo os agricultores. Mesmo que houve fatores negativos, estão planejando plantar mais uma vez em 2012. Apesar das ameaças que cercam a lavoura, o agricultor não acaba com a plantação, vai adiante. O importante é não perder a confiança. Esperar pacientemente a hora da colheita e esperar por uma boa e rica recompensa.
            Qual é a explicação para esse fato? Apesar de qualquer coisa a Palavra (semente) produz seus frutos. Jesus diz que nela está o mistério do reino de Deus. Jesus como o enviado de Deus é a essência, o conteúdo da semente que ele mesmo, com o poder do Espírito Santo, semeia nos corações dos homens, através de anônimos homens espalhados pelos campos do mundo inteiro. E nesse variado campo quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Revela-se o poder transformador da vida individual, e assim a pessoa se torna um discípulo de Jesus, e um servo semeador da palavra.
            Se a palavra é poderosa, porque há diferentes reações à semente? É que a semente exige tudo do homem, uma entrega total a Cristo por fé. O homem que encontrou o tesouro oculto, a pérola preciosa, se desfez de tudo para ficar de posse apenas do que acabara de achar.
            Em muitos corações a Palavra não chega a amadurecer e a dar frutos que Deus espera porque:
- entra num ouvido e sai no outro;
- porque mesmo no culto, não se consegue se desfazer de suas preocupações, e assim não ouve o que Deus diz pela Pregação da Palavra;
- outros no viver diário não conseguem suportar as pedras das provações;
- tantos outros preferem os prazeres mundanos ao invés de ouvir e estudar a Palavra de Deus.
            A promessa de Deus é clara: “assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia” e só é assim quando acontece o que Jesus diz: “outra afinal caiu em terra boa, cresceu e produziu cem por um.Quem são esses? São os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam, “as minhas ovelhas escutam a minha voz;..” (Jo 10.27). E uma das características mais importante numa ovelha é justamente ter bons ouvidos. O que ouve atentamente consegue guarda e resistir às tentações de falsas doutrinas. O que ouve atentamente permanece perseverante mesmo em meio às coisas ruins do dia-a-dia. Ouvir é manter-se motivado mesmo em meio a situações desanimadoras. É buscar o reino de Deus, pois “quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5), disse Jesus.
Conclusão
            A semente continua sendo semeada em nossos corações. E essa pregação é feita em meio a situações que desanimam. No entanto, aos pregadores, semeadores vale lembrar que o poder está na semente (Palavra), e sendo assim, continuará produzindo seus frutos.
            Os ouvintes onde a semente já germinou, continuará crescendo e produzindo frutos pelo orvalho do Espírito Santo que é a Pregação da Palavra e Administração da Santa Ceia. Continuemos, reconhecendo que o problema está em nós, solo. E que por esse problema, estejamos sempre atentos a ouvir e estudar a Palavra de Deus, pois somente pela semente do evangelho continuaremos a produzir os frutos que Deus espera. Amém!
Pr. Edson Ronaldo Tressmann
Querência do Norte - PR

Dormindo tranquilo enquanto tudo parece desmoronar!

  18 de abril de 2021 Salmo 4; Atos 3.11-21; 1João 3.1-7; Lucas 24.36-49 Texto: Salmo 4 Tema: Dormindo tranquilo enquanto tudo parece...