segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Templos purificados


Dia 04 de março de 2018
3º Domingo na Quaresma
Sl 19; Ex 20.1-17; 1Co 1.18-31; Jo 2.13-22
Tema: Templos purificados!

Por algumas semanas estudamos o evangelho de Marcos e já percebemos que há uma diferença entre ordem dos episódios narrados por Marcos com a ordem dos episódios narrados por João. Na verdade, Mateus, Marcos e Lucas narram o episódio da expulsão do templo no fim da atividade ministerial de Jesus, pouco antes da sua prisão, paixão e morte. Esse episódio foi a gota d’água, foi um dos motivos que levaram as autoridades a prender e matar Jesus.
João, o apostolo, coloca o episódio da expulsão dos cambistas e vendedores no começo da atividade ministerial de Jesus. Acredito que o ponto de vista de João, inspirado pelo Espírito Santo é indicar desde o início aos seus ouvintes que o ponto de encontro entre Deus e o ser humano se dá em Jesus.
Alguns dias antes da Páscoa dos judeus” (Jo 2.13, NTLH).
Desde os 12 anos de idade (Lc 2.42) Jesus ia ao Templo de Jerusalém. Não sabemos indicar com precisão quantas vezes havia estado em Jerusalém, mas, podemos afirmar que muitas foram as ocasiões.
Com certeza, todas as vezes em que Jesus ia ao Templo, observava a prática do povo de Deus. Povo que buscava observar a lei de Deus. No entanto, pela suposta observância da lei, acabaram corrompendo o templo, o santuário de Deus.
Mesmo que a lei apresentada por Moisés em Dt 14.24-26 permitisse a compra de animais para o sacrifício, algo incomodou Jesus.
Desde a construção do tabernáculo no deserto do Sinai, os judeus aprenderam sobre a importância do tabernáculo, tanto que a metade do livro de Êxodo trata desse tema. Pelo tabernáculo Deus habitava em meio ao seu povo pecaminoso (Ex 35.21).
A importância do tabernáculo era que o mesmo representava a parceria entre o ser humano e Deus para fazer do mundo um lugar onde Deus pudesse ser revelado.
Após a construção do Templo, os judeus tinham no Templo o centro do mundo, o lugar onde o céu tocava na terra (Ez 5.5).
Devido a isso, o apostolo João (Jo 2.13) ao relatar a purificação do templo, indica que o ministério público de Jesus foi o ministério de um verdadeiro profeta. Pois, assim como profetas anteriormente enviados por Deus, Jesus também denunciou os desvios do culto no templo. As celebrações e os sacrifícios ordenadas por Deus não eram mais realizados conforme a vontade de Deus.
João 2.14 - “no pátio do templo ...
Um dos elementos principais do Templo era o grande altar, onde eram oferecidos os sacrifícios. O sacrifício representava o mundo animal e o mundo vegetal. Os sacrifícios testemunhavam que tudo que há no mundo pertence ao criador. O sacrifício representava também um testemunho de fé, pois as posses eram dedicadas a Deus.
No pátio do Templo, os sacerdotes lavavam e purificavam os pés e as mãos, simbolizando que deixavam de lado o materialismo para servir a Deus.
E é exatamente por isso que Jesus se irrita, afinal, o materialismo havia contaminado toda a prática religiosa. Os líderes e os sacerdotes fizeram uma interpretação da lei apresentada em Dt 14.24-26 e a usaram em seu favor.
João 2.15 – Jesus expulsou todos dali...
O apostolo João usa uma palavra forte aqui. Jesus expulsou os cambistas e vendedores, pois haviam feito da casa de Deus um ponto comercial.
João 2.15-16
Tirem tudo isto daqui! Parem de fazer da casa do meu Pai um mercado!
Ao expulsar os cambistas, Jesus exerce seu ministério profético. Pelo relato da purificação do Templo, Jesus enfatiza as palavras do Profeta Miquéias (Mq 3.11-12); do Profeta Jeremias (Jr 26.1-18) e do Profeta Isaías (Is 66.1-4).
Ao dizer “Tirem tudo isto daqui! Parem de fazer da casa do meu Pai um mercado!” Jesus lembra ainda outras profecias. A profecia de Jeremias: “Será que vocês estão pensando que o meu Templo é um esconderijo de ladrões?” (Jr 7.11); a profecia de Zacarias: “E naquele dia não haverá nenhum vendedor no Templo do Senhor” (Zc 14.21); lembra também a profecia de Isaías: “Pois a minha casa será chamada de ‘Casa de Oração’ para todos os povos” (Is 56.7).
Para os judeus o Templo era um lugar privilegiado de encontro com Deus, mas os líderes a transformaram em uma verdadeira mina de ouro administrada pelos sacerdotes. Os sacrifícios com nuances de piedade, era apenas uma fonte de comércio e poder. O local onde a luz divina deveria brilhar, brilhava a ganância e o poder.
O que precisamos tirar do nosso meio? O que está impedindo que a luz de Cristo seja revelada em nosso meio? Infelizmente muitos estão preferindo tirar o evangelho que fala de Cristo.
Em nome do evangelho, muitos líderes estão vendendo vassouras ungidas, canetas abençoadas, envelopes para fogueira santa, ...
O ataque de Jesus não foi contra o templo. Jesus atacou a arrogância e a pretensão religiosa. Jesus a atacou a piedade como fonte de lucro.
João 2. 18-20
Diante desse ataque, os líderes religiosos, pedem um sinal, ou melhor, pedem as credenciais de Jesus. Ao apresentar as mesmas, Jesus não aponta para o passado, mas para o futuro: destruam e eu reconstruirei (Jo 2.19).
É preciso confessar que todos ficaram confusos com essa declaração. João indica que os discípulos só entenderam essa afirmação após a ressurreição de Cristo (Jo 2.22).
A ressurreição faz com que os discípulos compreendam e creiam.
Ao afirmar: “Derrubem este Templo, e eu construirei de novo em três dias!” (Jo 2.19), Jesus garante que o verdadeiro templo é seu corpo, morto e ressuscitado!
João 2.23-25
Jesus termina dizendo que conhece a natureza humana e sabe que a mesma é incrédula.
O que esse texto nos ensina?
Ensina que ainda muitos estão pedindo as credenciais de Jesus. Querem um sinal. Desejam mostrar a autoridade de Jesus. Mas, infelizmente muitos estão esquecendo que a credencial, o sinal e a autoridade de Jesus é manifestada em sua morte e ressurreição.
Não há igreja cristã sem a mensagem da ressurreição. A verdade é que a mensagem que caracteriza e distingue o cristianismo de outras religiões é a mensagem da ressurreição.
Nesse período de quaresma muitas pessoas estão oferecendo sacrifícios. Querem agradar a Deus por seu jejum, suas esmolas e romarias.
A mensagem da restauração do templo é tão atual como foi na época do ocorrido. As pessoas precisam entender que sem Jesus, o jejum quaresmal, a piedade, as ofertas, os dízimos, não passam de mera religiosidade aparente.
O ser humano não está conectado a um santuário físico. O “povo de Deus” não precisa mais ir à Jerusalém e oferecer sacrifícios de animais. Na pessoa de Jesus todos adoram verdadeiramente em espírito e em verdade. Em Jesus somos templos renovados. Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

É necessário!

Dia 25 de fevereiro de 2018
2º Domingo na Quaresma
Sl 22.23-31; Gn 17.1-7,15-16; Rm 5.1-11; Mc 8.27-38
Tema: É necessário!

João Marcos descreve a relação de Jesus com seus discípulos. E nessa relação há um verdadeiro objetivo de Jesus, Ele quer ensinar seus discípulos o que de fato é necessário.
O que é necessário em sua vida hoje? O que é necessário para a igreja hoje?
Para ensinar sobre a principal necessidade dos discípulos, da igreja, e de toda a humanidade, num momento delicado no ministério de Cristo, o mesmo questiona os seus sobre o que as pessoas estavam dizendo quem ele era. Quem dizem os homens ser eu?
Jesus quer ouvir dos seus discípulos como ele estava sendo identificado na sociedade da época. Os discípulos revelam os que a pesquisa apontava, ou seja, Jesus era identificado com João Batista, Elias, qualquer outro profeta.
A identificação com João Batista era porque Jesus e João Batista foram vistos juntos muito pouco, ou quase nada, fora aquele encontro no batismo.
Sua identificação com Elias, se deve ao fato da profecia do profeta Malaquias de que o sol da justiça viria guiado por Elias. Jesus era Elias, não o salvador.
Ao ser identificado com um dos profetas do antigo testamento, devia-se a lembrança da profecia anunciada por Moisés (Dt 15.15-20). Uma identificação genérica.
A pesquisa da época apontava a tendência do pensamento reinante. Já observamos essa tendência em Marcos 6.14-16. Os judeus acreditavam que nos fins dos tempos, grandes personagens da história se manifestariam novamente.
Após ouvir a tendência corrente entre o povo, Jesus, e é isso que João Marcos quer transmitir, queria saber sobre a opinião dos discípulos.
Os discípulos já haviam vivenciado muitos ensinamentos de Jesus. Esses homens que já haviam convivido com Jesus muitos momentos durante o ministério na Galileia, deveriam ter outra opinião do que a corrente entre o povo.
Jesus pergunta, no entanto, sendo um momento crucial para o ministério de Jesus, momento em que inicia sua caminhada rumo a cruz, rumo à Jerusalém, Jesus busca uma afirmação dos discípulos. Até o momento, os demônios já haviam afirmado que Jesus era o Cristo (Mc 1.24; 3.11; 5.7).
Jesus pergunta: “E vocês, quem dizem que eu sou?” (Mc 8.27). Na caminhada, Jesus quer saber dos que estão mais próximos dele, como o chamavam? Ou, o que afirmavam sobre ele?
João Marcos escreveu seu evangelho com o objetivo de apresentar quem é o Cristo.
E no momento crucial do ministério é preciso saber quem os seus discípulos diziam ser Jesus.
Diferentemente do povo, diferentemente da ideia geral do povo, os discípulos por Pedro afirmam: Tu és o Messias.
Cristo o ungido – aquele que foi prometido que viria.
Falar que Jesus era o Cristo era dizer que Jesus era o rei, pois, Cristos tem uma semelhança no seu significado com o título basileus, rei. O rei era o ungido. Confessar que alguém era o messias era confessar o aspecto real desse alguém. Os discípulos estavam consoantes com as primeiras palavras de Jesus apresentadas no evangelho de Marcos: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo; ...” (Mc 1.15).
A resposta dos discípulos a respeito do pensamento do povo e a resposta dos próprios discípulos já era uma resposta dada por outro alguém. A resposta do povo, mostrava a opinião geral do povo a respeito de Cristo. A resposta dos discípulos foi dada pelo poder do Espírito Santo (Mt 16.17).
Tanto o povo, bem como os discípulos, tiraram a resposta de algum lugar. O povo, dizia quem era Jesus a partir de um consenso geral entre as pessoas. Os discípulos souberam responder por causa do poder do Espírito Santo e porque estavam sempre na companhia de Jesus.
O verso 27 descreve que Jesus e os discípulos estavam caminhando.
João Marcos descreve quem é Jesus. E o apresenta na visão dos que estão fora do caminho e daqueles que estão na caminhada com Jesus.
Quem é Jesus?
Para saber quem Jesus é, os que estão no caminho precisam constantemente ser ensinados que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado ... morto ... e ressuscitasse (Mc 8.31).
É necessáriodeve acontecer - Verbo δεω que é usado nos evangelhos para designar aquilo que conforme o propósito divino deve ocorrer para que os planos de Deus se realizem.
Essa pequena palavra: “é necessário” é como estar na frente de um trilho de trem com a placa: Pare! Olhe! Escute!
João Marcos relata o episódio da confissão de Pedro não por mero acaso, mas por julgar o ensinamento de Jesus nesse exato momento como sendo algo necessário, urgente e importante. Jesus ensinando a partir de agora, ou seja, a partir da confissão de Pedro que o Filho do homem deve sofrer muitas coisas.
Jesus disse: “era necessário que ... fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, ...” (Mc 8.31).
Com essas palavras Jesus indica que àqueles que eram responsáveis pelo testemunho da palavra de Deus e propagar a obra do Messias o rejeitarão.
No evangelho de Marcos, essa é a primeira vez que Jesus é claro com aquilo que acontecerá com ele. A crucificação de Jesus não é um acidente de percurso. É um projeto divino.
Pare! Olhe! Escute! É necessário – isso precisa acontecer!
Só sabe que isso foi preciso quem está no caminho, ou seja, os que estão na companhia de Cristo. Por isso, no verso 30 vemos a proibição de Jesus que a ninguém isso fosse contado.
O messianismo de Jesus só é entendido pela obra da cruz. Sem o morrer e o ressuscitar, há um falso cristianismo. Sem a cruz, sem a paixão, não há cristianismo.
Por um momento, Pedro reconheceu pelo poder do Espírito Santo que Cristo era o Ungido de Deus. Mas, por si mesmo, Pedro passa a censurar Jesus (Mc 8.32). Não se consegue olhar para a cruz por si mesmo. É preciso o poder do Espírito Santo (1Co 12.3).
Por si mesmo, Pedro apenas cogitou, ou seja, não estava em sintonia com o plano de Deus. Não estava em harmonia e nem com o mesmo ponto de vista.
O diabo sempre quis afastar Jesus da cruz. E nesse momento, o diabo age, defendendo o Cristos - o rei do mundo. O diabo quer que se negue o sofrimento de Cristo. Tudo o que Jesus ouviu do diabo após seu batismo, ouve agora daqueles que estavam no caminho.
Jesus responde aos seus amigos, pois quer ensiná-los: “tu não pensas como Deus quer e sim como homens” (Mc 8.33). Considerar as coisas de Deus é ir a cruz. O plano de Deus é a cruz. Jesus precisa morrer na cruz para reconciliar o homem com Deus. O plano do diabo e daqueles que não estão em harmonia com os planos de Deus é evitar a cruz.
O plano de Deus passa pela cruz. E é exatamente por isso que no verso 34 Jesus disse: “se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo”.
Jesus não está dizendo que as pessoas não podem ter desejos. Negar a si mesmo é negar a tendência natural de querer um Deus que se manifesta na cruz.
Jesus está ensinando aos seus discípulos que é preciso tomar partido. E o partido cristão é a cruz. Aos coríntios, Paulo escreveu que prefere pregar a loucura do evangelho ao invés da sabedoria humana que afasta da cruz.
Negar a si mesmo é negar o que há de mais profundo dentro de mim. E dentro de mim, por mim mesmo, sempre busco me auto justificar. Mas, quando acho que estou forte, daí algo me passa uma rasteira e me mostra que sem Cristo eu estou perdido.
Pedro acabou de testemunhar a fé e depois logo nega o sofrimento de Cristo.
Negar a si mesmo é dar um basta a minha fidelidade como auto promoção, ou auto justificação. Sem Cristo, não estou em paz com Deus. E reconhecer a Cristo só é possível pelo poder do Espírito Santo.
O maior inimigo do ser humano, aliado a satanás é desviar-se da obra de Cristo. Todos nós corremos o risco de nos afastar da obra de Cristo. Sem a obra de Cristo na cruz, não há salvação, pois, a salvação é a maior necessidade humana.
No verso 35 Jesus disse: “aquele que quer salvar a própria vida”. Essa é a tendência humana, salvar-se a si mesmo. Como é possível salvar a si mesmo?
Quem ignora o caminho de Cristo, o caminho da cruz, acabará sendo destruído. Jesus disse: “aquele que quer salvar a própria vida a perderá; e quem perder a vida por minha causa e por causa do evangelho, esse a salvará” (Mc 8. 35).
Com o uso do verbo απολέσει que significa ser destruído, perder, de acordo com João 3.16 “para que não pereça...seja condenado, Jesus ensina aos seus discípulos que “aquele que perder a sua vida por causa de mim e do evangelho a salvará”.
Jesus fala sobre uma vida a caminho, ou seja, uma vida ligada a obra de Cristo. Negar essa obra é perder a vida.
No verso 38 ouvimos as palavras de Jesus: “aquele que por ventura se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração que é adúltera (idolatria A.T.) também o filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória com os anjos.
A obra de Jesus está ligada ao fim. Em Cristo o fim não é o fim.
Viver com Cristo é viver eternamente na comunhão com Deus.
O texto (Mc 8.) é muito próprio para refletir sobre o que é de fato necessário. A paixão e morte de Cristo é necessária para a história da humanidade.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Na provação - Confissão!

Dia 18 de fevereiro de 2018
1º Domingo na Quaresma
Sl 25.1-10; Gn 22.1-18; Tg 1.12-18; Mc 1.9-15
Tema: Na provação – Confissão!

As pessoas gostam de histórias tocantes!
A pessoa que não conhece o final da história e a acompanha, depois de descobrir o seu final fica tocado com a história do quase sacrifício de Isaque.
Essa fantástica história descrita por Moisés (Gn 22.1-18), relata apenas o episódio, mas nada nos proíbe pensar na pressão psicológica para o pai Abraão. Ele havia aguardado por vinte cinco anos o cumprimento da promessa de ter um filho, e agora Deus o nisah, ou seja, “prova”. Após anos de espera, após a promessa de que por meio de Isaque faria uma grade descendência, agora de um momento para outro, Deus o prova, sem Abraão saiba e pede o sacrifício de Isaque.
Toda a história se desenrola no monte Moriá. Mil anos após esse episódio, esse local foi comprado por Davi de Ornã para nele ser construído o Templo de Jerusalém (1Cr 21.18; 2Cr 3.1). O monte Moriá (2Crônicas 3.1) é o morro de Jerusalém, onde Salomão construiu o Templo.
Abrão é um exemplo de fé e essa fé é demonstrada nesse relato extraordinário.
Abraão não sabia como a história iria terminar. Deus sim! Deus prova seus filhos. Assim como Deus havia solicitado, Abraão foi sacrificar seu filho. Para ele o fim seria voltar para casa e explicar para Sara o que havia feito.
Pode-se pensar que Abraão tenha orado a exemplo de Jesus no Getsêmani: “Pai, se for possível, passa de mim este cálice”. Deus passou, mas de uma maneira espetacular.
Abraão passou por um teste! O teste de Deus.
O relato bíblico termina assim como se iniciou, ou seja, Deus falando. Quando Deus não está falando, Abraão fala o essencial. E nessa fala, mesmo sem saber, apenas pela fé, Abraão faz uma belíssima confissão de que Deus resolveria tudo da melhor maneira: “... eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (Gn 22.5).
Abraão vivia, caminhava e falava movido pela fé. Outra confissão de fé se deu quando seu filho, aquele que seria o sacrifício perguntou: “...onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22.7). Nesse momento Abraão respondeu convicto que: “...Deus proverá para si, ...” (Gn 22.8).
Deus Proverá!
A palavra daah aparece três vezes no texto (v.7,8,14). Ao fazer uso da palavra daah, Moisés autor do relato Bíblico, inspirado pelo Espírito Santo confirma que Deus vê e provê. Deus sabe o que os seus filhos precisam, Deus vê o que de fato seus filhos necessitam, e provê todo o necessário a seu tempo.
A Bíblia diz que Deus prova seus filhos e filhas! O apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos diz que as tribulações levam a esperança. A tribulação é a oficina da esperança.
Em muitas das provações vê-se que o povo de Deus falhou. O episódio descrito em Êxodo 17 mostra que Moisés e o povo falhou na prova enviada por Deus. O rei Ezequias também foi provado (2Cr 32). Nessa provação, Deus permitiu que Ezequias tomasse uma decisão errada (2Cr 32.31) e arcasse com suas consequências.
Abraão não sabia o que, quando e como Deus iria prover, mas pela fé confessou que Deus proveria.
Deus proverá é uma afirmação de fé!
Ao dizer que Deus iria prover, é como se Abraão estivesse dizendo, “meu filho, não vamos pensar nisso agora. Vamos apenas subir o monte e lá veremos o que irá acontecer”.
Diante da provação, é possível observar duas afirmações de fé: “Voltaremos” (Gn 22.5) e “Deus proverá para si” (Gn 22.8). Abraão caminhava, agia e falava pela fé. Eram anos vivendo sob a dependência de Deus. A fé não compreende, ela apenas crê. A fé apenas espera. E espera nos piores momentos da vida.
Não estava sendo fácil para Abraão, mas, ao mesmo tempo estava sendo mais fácil que muitos conseguem imaginar. Afinal, caminhar, agir e viver pela fé é diferente de tudo que se possa explicar. A perspectiva do cristão é que Deus sempre faz o que é melhor para seus filhos. E a provação é um desses feitos divinos.
Deus prova seus filhos (1Ts 2.4) para que aprendam a viver na prática da fé. A fé torna os filhos e filhas íntimos de Deus. E essa intimidade se dá pelas provas as quais os filhos são submetidos. Abraão foi submetido a uma dura prova, mas, tenha certeza, saiu do teste ainda mais fortalecido e o mesmo aconteceu com Isaque.
Na fronteira da terra prometida, Moisés, aquele que não poderia entrar na terra prometida por ter falhado em um teste, ressaltou ao povo: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava o teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos” (Dt 8.2). Nas provações e humilhações provindas de Deus, seus filhos e filhas são ensinados a viver sob a total dependência de Deus (Dt 8.5; Sl 119.71).
Quando Satanás, um ser celestial, que integrava a corte do Senhor e dialogo familiarmente com Deus, diz que havia acabado de rodear a terra e passear por ela. Ao que Deus lhe pergunta: “Observaste o meu servo Jó?” (Jó 1.8). Ao que o anjo questionou: “Será que não é por interesse próprio que Jó te teme?” (Jó 1.9).
Quão atual é essa provação: “cristãos que servem a Deus em busca de uma recompensa”.
Como o cristão está se portando na enfermidade? Jó, não se rebela contra Deus, na verdade, se curva em humildade e arrependimento confiante no amor de Deus.
A provação é um meio de Deus para que seus filhos o busquem na sua Palavra e estimula a oração (Sl 50.15; Tg 5.13).
Não pense que a provação pela qual você está passando é mais intensa que de outros, pois não é. Deus, em seu amor e misericórdia, sabe a medida, intensidade e duração do teste. Observem Abraão, ele estava com tudo pronto para sacrificar o filho, Deus, sem nenhum adiantamento e nem atraso disse: “Não estenda a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” (Gn 22.12).
A provação é um meio divino pelo qual age para o bem da alma do pecador.
O teste de Abraão foi no monte Moriá. Monte Moriá significa “Deus se faz ver”. Moriá faz parte da cadeia de montanhas da qual o calvário fazia. Moriá e o Calvário estava distante 300 metros um do outro.
Deus se fez ver pela fé de Abraão e anos mais tarde, com o sacrifício do seu único filho Jesus.
A provação é um meio divino pelo qual Deus faz com que o mundo veja seu amor e misericórdia. Deus se faz ver pela nossa caminhada e ação na fé.
No princípio do teste, Abraão deve ter criado uma certa confusão mental. Será que esse Deus é semelhante aos deuses que adorava anteriormente? Ele me pede que eu sacrifique meu filho. Mas, isso é um costume pagão, dos muitos deuses cananeus. No entanto, ao final do teste, Abraão, pela fé novamente descobriu que Deus é diferente. Na provação, Deus quer tirar do nosso coração qualquer rival, qualquer outro deus.
O segundo mandamento cai nesse momento em minha cabeça. Deus disse: “Não tomarás em vão o meu santo nome...”. Tomar o nome de Deus em vão é deixar de lado a prática da fé, pela oração, louvor e agradecimento nos piores momentos da vida.
Abraão na sua pior provação apenas caminhou, viu tudo, e falou com fé. Na provação, cada filho e filha é convidado a caminhar, ver e falar pela fé. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Deus em Jesus se reaproxima de seus filhos

Dia 11 de fevereiro de 2018
6º Domingo de Epifania – Transfiguração do Senhor
Sl 50.1-6; 2Rs 2.1-12 ou Ex 34.29-35; 2Co 3.12-13; Mc 9.2-9
Tema: Deus em Jesus se reaproxima de seus filhos.

Ilustração - Introdução
Há uma estátua muito famoso de Miquelângelo que traz Moisés com um par de cifres acima de seus olhos. Estudiosos dizem que Miquelângelo representou Moisés dessa maneira devido a uma tradução equivocada da Vulgata do verbo querén.
O verbo Querén significa “emitir raios de luz”, mas também pode significar “chifres”. A vulgata traduziu que o rosto de Moisés tinha chifres. E assim Miquelângelo o registrou em sua pintura.
Contextualizando
O episódio apresentado em Êxodo 34.29-35 apresenta a descida de Moisés do Monte Sinai.
No monte Sinai aconteceu algo maravilhoso, “Deus falou com Moisés”. Esse fato, foi tão espetacular que o rosto de Moisés irradiava luz. Era a luz de Deus brilhando por sobre Moisés.
O povo ansiosamente aguardava Moisés. Mas, era um aguardar diferente da subida anterior de Moisés ao monte. Na primeira vez em que Moisés subiu ao monte Sinai, o povo impaciente, não suportando a demora de Moisés, resolveu fabricar e adorar o bezerro de ouro (Ex 32). Essa imagem era o que eles tinham de familiar, pois lhes lembrava o deus Apes do Egito, onde por muitos anos estiveram escravizados.
No capítulo 34 de Êxodo, há um povo esperando. Eram as mesmas pessoas, mas parece ser uma multidão diferente.
A rebelião, revolta contra Deus e volta ao passado idólatra, fez com que Deus desejasse destruir aquele povo e reiniciar uma nova geração por meio de Moisés (Ex 32.10). No entanto, Moisés, lembrou o próprio Deus de que havia uma promessa para ser cumprida (Ex 32.13) e assim Deus volta atrás e resolve dar mais uma chance, porém, os idólatras foram feridos com a morte (Ex 32.35).
Deus, mediante Moisés havia mostrado toda a sua graça ao povo. E após o perdão e a reaproximação, restabelece seus mandamento. É interessante notar que dessa vez, é Moisés quem escreve os mandamentos, sendo que na primeira oportunidade as pedras da lei haviam sido escritas pelo dedo do próprio Deus (Ex 31.18). Essa iniciativa de Deus mostra que seu amor pelo povo não havia terminado e que queria restabelecer uma aliança com seus filhos e filhas.
Texto
Êxodo 34.29-33
Quando Moisés desceu do monte Sinai, carregando as duas placas da aliança, o seu rosto estava brilhando, pois ele havia falado com Deus. Mas ele não sabia disso. Arão e todo o povo ficaram com medo de chegar perto de Moisés quando viram o seu rosto brilhando. Porém Moisés os chamou, e Arão e todos os líderes do povo chegaram perto dele, e ele falou com todos. Depois disso todo o povo de Israel se reuniu em volta de Moisés, e ele lhes entregou todas as leis que o Senhor Deus lhe tinha dado no monte Sinai. Quando Moisés acabou de falar com eles, ele cobriu o rosto com um véu.
Aqui é narrado como Moisés foi recebido pelos líderes de Israel ao descer da montanha. O rosto de Moisés estava brilhando.
Êxodo 34.34-35
Sempre que entrava na Tenda Sagrada para falar com o Senhor, Moisés tirava o véu. Quando saía, ele contava ao povo de Israel tudo o que Deus lhe havia mandado dizer, e o povo via que o seu rosto continuava brilhando. Porém Moisés cobria de novo o rosto com o véu até que entrava de novo na Tenda para falar com Deus.
O rosto de Moisés continuava brilhando. Esse brilho estava relacionado a tenda da congregação (Ex 33.7-11).
Se a ordem de escrever os Dez Mandamentos era um gesto de reaproximação de Deus com seu povo. Os raios de luz vistos no rosto de Moisés apresentam a intervenção direta de Deus na história do seu povo. Todo o brilho do rosto de Moisés enfatiza o esplendor da Palavra de Deus.
Todo culto se encerra sob a bênção do Senhor: O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós.
Essa bênção, conhecida como araônica e pronunciada pelo sacerdote ao povo, é o desejo de Deus, com sua Palavra, estar sempre presente entre seus filhos.
A bênção do Senhor: O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós é a presença de Deus na vida e no trabalho das pessoas. O brilho do rosto de Deus sobre cada um de nós é a manifestação da presença da glória de Deus em nosso viver diário.
O brilho no rosto de Moisés era a certeza da reaproximação de Deus. O brilho no rosto de Moisés mostrava e garantia ao povo que Deus estava ao seu lado.
Na presença de Deus e sob sua orientação, o povo estava possibilitado de caminhar orientado, seguro e confiante pelo deserto em direção a terra prometida.
A cada culto, somos despedidos sob a bênção de Deus. Durante o seu dia-a-dia, em quais situações Deus tem feito brilhar o seu rosto sobre ti?
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Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

No monte com Cristo!

Dia 11 de fevereiro de 2018
6º Domingo de Epifania – Transfiguração do Senhor
Sl 50.1-6; 2Rs 2.1-12 ou Ex 34.29-35; 2Co 3.12-13; Mc 9.2-9

Ex 34.29-35 e Mc 9.2-9
Tema: No monte com Cristo!

Dois montes – Sinai e Hermon.
No Sinai – Deus se reaproxima do seu povo (Ex 34.29-35)
O episódio apresentado em Êxodo 34.29-35 apresenta a descida de Moisés do Monte Sinai. Havia um povo ansioso, confuso e desorientado.
Deus havia desejado destruir o povo e iniciar uma nova geração por Moisés. No entanto, Moisés tendo lembrado sobre a promessa que havia para cumprir, Deus buscou restabelecer a aliança com seu povo ordenando Moisés escrever as tábuas dos Dez Mandamentos que Moisés havia quebrado indignado diante da idolatria do povo.
Ao descer do Monte Sinai, o rosto de Moisés brilhava. Um evento que pode ser definido como transfiguração de Moisés. Seu rosto brilhava, ele entrava e saia do tabernáculo, e seu rosto continuava brilhando.
Esse brilho no rosto de Moisés representa o esplendor da Palavra de Deus. Mostra o desejo de Deus em estar junto com seu povo pela sua Palavra. O brilho no rosto de Moisés era a garantia da presença de Deus no meio do seu povo quando havia todos os motivos para se afastar do mesmo.
Dois montes – Sinai e Hermon
No Hermon – Jesus é a reaproximação do homem com Deus.
Jesus chama Pedro, Tiago e João e os leva, em particular, a um monte. Nesse monte, acontece algo fantástico: “E foi transfigurado diante deles; ...” (Mc 9.2; Mt 17.2).
A expressão transfigurado é escrita na forma passiva do verbo. Isso indica uma ação de Deus.
A transfiguração é um desses eventos que assim como os discípulos, não conseguimos encontrar palavras para explica-la. Exatamente por isso acaba se passando despercebido da lição desse texto.
Na transfiguração de Jesus a ênfase não é o evento em si; o ponto alto desse episódio é a pessoa de Jesus. A transfiguração é um evento importante para os discípulos e não para Jesus.
Assim como no evento ocorrido no deserto no monte Sinai, o momento era crítico. O ministério de Jesus na região da Galileia estava terminando. Jesus estava por iniciar sua caminhada em direção à Jerusalém. Jesus estava por iniciar seu trajeto rumo a cruz. A transição para essa nova etapa é marcada pelas palavras de Jesus: “quem quer ser meu seguidor, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz” (Mc 8.34).
Era necessário ir à Jerusalém. Era necessário tomar a cruz.
Assim, como no Monte Sinai o povo de Deus viu a presença gloriosa de Deus pelo brilho no rosto de Moisés, Pedro, Tiago e João enxergam é a legítima e única glória e majestade provinda da divindade de Jesus.
Deus agraciou Pedro, Tiago e João, permitindo-lhes enxergar um pedacinho do céu.
Tentem imaginar o espanto dos discípulos. Esses homens já haviam presenciado tantos milagres, e agora contemplam a glória de Deus revelada nesta transfiguração.
Dois montes – Sinai e Hermon
Século 21, e muitos são os montes dos quais muitos afirmam ter grande realizações. Há tantas revelações espantosas, magníficas, encantadoras, e assim, perde-se de vista a glória de Deus em Jesus.
Se os discípulos estavam desapontados com as declarações de Jesus sobre a manifestação da glória de Deus em Jesus, esta experiência da transfiguração serviu para animá-los a continuar a caminhada rumo a cruz. Como Jesus havia dito: “quem quer ser meu seguidor, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz” (Mc 8.34).
Até mesmo nessa situação é possível perceber a ação destruidora do diabo. Ele tentou mais uma vez, e dessa vez o fez através da proposta de Pedro: “Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar...” (v. 5).
Muitos querem subir os montes para que através das supostas maravilhas que lá acontecem, consigam manter seu poder e status.
Pedro, quis ficar no monte. Em outras Palavras, aqui é melhor Senhor. Para que ir até Jerusalém?
Deus interveio, assim como sempre intervém para manter o foco correto. E “uma nuvem os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi” (v. 7).
A expressão: “uma nuvem os envolveu;” – significa que o céu desceu, pois a exemplo de Mc 1.11, a voz da nuvem é o mesmo que a voz ter vindo do céu.
A voz de Deus foi ouvida no batismo, quando Jesus iniciou sua caminhada em direção a cruz, na transfiguração, a voz de Deus confirma aos discípulos o caminho da cruz. A na cruz se cumpre todas as profecias e se cumpre toda a lei (Moisés e Elias).
Quando Deus expressa: “a ele ouvi” (v. 7), está dizendo aos discípulos que por mais que estejam desapontados com a afirmação da caminhada rumo à cruz, eles não devem deixar de prestar atenção nisso.
Não importa quantos montes as pessoas estão buscando subir, pois, se Jesus não está no monte e nem é a razão da subida ao monte, perde todo seu valor e sentido. 
O monte da transfiguração não foi o último monte que Jesus subiu. Após o Hermom, Jesus subiu o Gólgota, e lá com sua cruz mostrou a verdadeira glória de Deus. Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

Dormindo tranquilo enquanto tudo parece desmoronar!

  18 de abril de 2021 Salmo 4; Atos 3.11-21; 1João 3.1-7; Lucas 24.36-49 Texto: Salmo 4 Tema: Dormindo tranquilo enquanto tudo parece...