terça-feira, 24 de setembro de 2013

A maior necessidade do teu próximo hoje: a comunicação


29/09/13 – 19º Domingo após Pentecostes

Sl 146; Am 6. 1 - 7; 1Tm 6. 6 - 19; Lc 16. 19 - 31

Tema: A maior necessidade do teu próximo hoje: a comunicação.


         Num primeiro momento, a olhar para o tema, rapidamente pensamos. De fato, a maior necessidade do meu próximo é a comunicação. Vivemos na era das comunicações. Não há distância que um celular, internet não resolva. 
         Quando olhamos para o texto bíblico, Lucas 16. 19 – 31, e para o tema, fica a pergunta: porque a maior necessidade do meu próximo é a comunicação?
         Bem! Vamos estudar o texto.

16.19 Jesus continuou: — Havia um homem rico que vestia roupas muito caras e todos os dias dava uma grande festa. 16.20 Havia também um homem pobre, chamado Lázaro, que tinha o corpo coberto de feridas, e que costumavam largar perto da casa do rico. 16.21 Lázaro ficava ali, procurando matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do homem rico. E até os cachorros vinham lamber as suas feridas. 16.22 O pobre morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão, na festa do céu. O rico também morreu e foi sepultado. 16.23 Ele sofria muito no mundo dos mortos. Quando olhou, viu lá longe Abraão e Lázaro ao lado dele. 16.24 Então gritou: “Pai Abraão, tenha pena de mim! Mande que Lázaro molhe o dedo na água e venha refrescar a minha língua porque estou sofrendo muito neste fogo!” 16.25 — Mas Abraão respondeu: “Meu filho, lembre que você recebeu na sua vida todas as coisas boas, porém Lázaro só recebeu o que era mau. E agora ele está feliz aqui, enquanto você está sofrendo. 16.26 Além disso, há um grande abismo entre nós, de modo que os que querem atravessar daqui até vocês não podem, como também os daí não podem passar para cá.” 16.27 — O rico disse: “Nesse caso, Pai Abraão, peço que mande Lázaro até a casa do meu pai 16.28 porque eu tenho cinco irmãos. Deixe que ele vá e os avise para que assim não venham para este lugar de sofrimento.” 16.29 — Mas Abraão respondeu: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!” 16.30 — “Só isso não basta, Pai Abraão!”, respondeu o rico. “Porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados.” 16.31 — Mas Abraão respondeu: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.” (http://www.sbb.org.br)

 
         Na mensagem anterior, na semana passada, falamos do Administrador infiel. O dono solicitou prestação de contas. Desesperado, o administrador agarrou-se na sua única alternativa de salvação, na misericórdia divina. Mais uma vez estamos diante de uma parábola.

         Das 44 parábolas narradas pelos evangelistas, essa é a única onde o personagem tem um nome: Lázaro. Que significa, “Deus ajuda.

         Esta parábola não é um posicionamento de Jesus com respeito a riqueza e pobreza. Nem tampouco, sobre a questão crucial da vida além da morte.

         O verdadeiro objetivo de Jesus nessa parábola é advertir as pessoas que se assemelham ao homem rico e seus irmãos.

         Jesus está se comunicando com os cobradores de impostos, pessoas de má fama, fariseus, saduceus, intérpretes da lei e seus discípulos. Nessa comunicação Jesus mostra que sua missão se resume na busca pelo pecador perdido.

         Com a parábola do administrador infiel, Jesus quer nos ensinar que só agarrando-se na misericórdia divina é que se consegue a salvação. Com a passagem bíblica desse culto, Lucas 16. 19 – 31, Jesus mostra que nEle, as Escrituras, o Antigo Testamento, estava sendo cumprido. Tudo o que havia sido anunciado por Moisés e pelos profetas, em Jesus, estava se cumprindo. Toda a humanidade, todos os Lázaros, estava sendo ajudada. Pois, a semelhança de Lázaro, como pecadores, necessitamos de cuidado, amparo e alguém que nos socorra.  

         Jesus está se comunicando, e sua comunicação visa advertir as pessoas que se assemelham ao homem rico e seus irmãos. Advertir as pessoas que vivem suas vidas tranquilamente sem levar em consideração o ensino da Palavra de Deus. Pessoas que vivem suas vidas pensando que cada vida é uma nova reencarnação que as está purificando. Pessoas que semelhantemente ao rico, vivem suas vidas egoisticamente, fazendo-se surdos para a Palavra de Deus. Pessoas que vivem suas vidas na filosofia de que precisam aproveitar a vida, afinal, com a morte tudo acaba.

         A parábola do Rico e Lázaro comunicada por Jesus busca abrir os olhos das pessoas. Pessoas presas em suas tradições religiosas, cerimoniais e leis. Isso estava cegando as pessoas, e as impedia de ver o óbvio. Jesus estava ali para buscar o perdido, nos quais eles estavam inseridos.

         A maior necessidade do teu próximo hoje é que você comunique o amor de Deus em Jesus.

         Muitos de nós conhecemos praticamente de cor e salteado essa parábola. Mas, mesmo assim, milhares precisam ter seus olhos abertos. Afinal, esquece-se o óbvio, Jesus.

          Para aquela geração, a nossa geração, a geração do rico e dos seus irmãos, continua a advertência de que precisa voltar-se a Jesus. Para que essa volta aconteça, Deus em Jesus se comunicou conosco e deseja continuar se comunicando com as pessoas através de nossas bocas.

         Só isso não basta, Pai Abraão!”, respondeu o rico. “Porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados (Lc 16.30).

         Como me comunicar com um doente, alguém que está sofrendo, se não tenho nenhum milagre? Infelizmente a tentação de não termos milagres para mostrar paralisa nosso testemunho. Lembre-se querido filho e filha de Deus, você é o maior milagre de Deus. O próprio Jesus, diante da perspectiva de um milagre que Tomé desejava disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29). O milagre é crermos, mesmo sem ver um milagre. Reconhecemos que a fé é o maior milagre em nossa vida. As pessoas precisam reconhecer os homens de Deus pelo Evangelho que proclamam e não pelos supostos milagres que realizam.

         A maior necessidade do teu próximo hoje é que você comunique o amor de Deus em Jesus. Essa comunicação visa advertir as pessoas que se assemelham ao homem rico e seus irmãos para que voltem a Jesus, reconheçam Jesus como seu Salvador e Senhor de suas vidas.

         Jesus está se comunicando, e sua comunicação visa advertir as pessoas que se assemelham ao homem rico e seus irmãos que não olham mais para Cristo e nem o recebem como Salvador. A maior necessidade do teu próximo hoje é que você comunique o amor de Deus em Jesus. A geração do rico e dos seus irmãos necessita da comunicação da vida, “... Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!” (Lc 16.29). Então, filho e filha de Deus, “...Eu cri; por isso, é que falei” (2Co 4.13), afinal, “...a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Deus nos abençoe a suprir a maior necessidade do nosso próximo, a comunicação da vida. Sejamos os comunicadores do amor de Deus em Jesus a todos. Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann
(44) 3462 2796 ou  9856 8020

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Provando da Misericórdia Divina


22/09/13 – 18º Domingo após Pentecostes
Sl 113; Am 8. 4 - 7; 1Tm 2. 1 – 15; Lc 16. 1 - 15
Tema: Provando da Misericórdia Divina
 

        Jesus está caminhando rumo a Jerusalém. As parábolas apresentadas pelo evangelista Lucas desde o capítulo 15 ao 18.14, tratam de um único tema: a misericórdia divina. Podemos até colocar esse tema em nossa parábola de estudo, Lc 16. 1 – 15.


Jesus disse aos seus discípulos: — Havia um homem rico que tinha um administrador que cuidava dos seus bens. Foram dizer a esse homem que o administrador estava desperdiçando o dinheiro dele. Por isso ele o chamou e disse: “Eu andei ouvindo umas coisas a respeito de você. Agora preste contas da sua administração porque você não pode mais continuar como meu administrador.” — Aí o administrador pensou: “O patrão está me despedindo. E, agora, o que é que eu vou fazer? Não tenho forças para cavar a terra e tenho vergonha de pedir esmola. Ah! Já sei o que vou fazer... Assim, quando for mandado embora, terei amigos que me receberão nas suas casas.” — Então ele chamou todos os devedores do patrão e perguntou para o primeiro: “Quanto é que você está devendo para o meu patrão?” — “Cem barris de azeite!” — respondeu ele. O administrador disse: — “Aqui está a sua conta. Sente-se e escreva cinqüenta.” — Para o outro ele perguntou: “E você, quanto está devendo?” — “Mil medidas de trigo!” — respondeu ele. — “Escreva oitocentas!” — mandou o administrador. — E o patrão desse administrador desonesto o elogiou pela sua esperteza. E Jesus continuou: — As pessoas deste mundo são muito mais espertas nos seus negócios do que as pessoas que pertencem à luz. Por isso eu digo a vocês: usem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam vocês no lar eterno. Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes. Pois, se vocês não forem honestos com as riquezas deste mundo, quem vai pôr vocês para tomar conta das riquezas verdadeiras? E, se não forem honestos com o que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês? — Um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro. Os fariseus ouviram isso e zombaram de Jesus porque amavam o dinheiro. Então Jesus disse a eles: — Para as pessoas vocês parecem bons, mas Deus conhece o coração de vocês. Pois aquilo que as pessoas acham que vale muito não vale nada para Deus.

        Desse relato podemos destacar:

        - o administrador foi denunciado pelo seu patrão;

        - o patrão pede que o mesmo preste conta de seu gerenciamento;

        - o silêncio comprova sua culpa;

        - ele reconhece e vê a possibilidade de trabalhar em serviços, mesmo que dignos, mas não o pode por ser para ele uma humilhação;

        - Reconhece o pratão como um senhor justo e que exigia obediência;


        Qual foi o grande delito do administrador?

        O administrado adquiriu riqueza ilicitamente. Mesmo que a lei judaica proibisse, ele cobrava juros sobre empréstimos que as pessoas faziam ao seu patrão. Superfaturava sobre o trigo e o azeite de oliva com juros entre 20% a 50%. Pela lei judaica isso era cúmulo de injustiça. E conhecendo a lei, esse administrador sabia que era esperado dele todo o rigor na administração. Esperava-se que o administrador fosse fiel em seu gerenciamento. Mas, o texto indica que: ““Eu andei ouvindo umas coisas a respeito de você. Agora preste contas da sua administração porque você não pode mais continuar como meu administrador.”

        Mesmo que o administrador tenha tremido ao saber que o seu patrão sabia de toda a verdade, descobriu outra virtude de seu patrão. Afinal, deveria ter sido imediatamente preso e não ter mais acesso às contas do patrão. Mas, o patrão o deixa livre, e esse detalhe é muitíssimo importante em nossa parábola.

        O administrador percebe nesse ato do patrão sua imensa misericórdia. E conhecendo essa misericórdia, o administrador arrisca todas suas cartas. Sem que os outros saibam que havia sido despedido, ele chama um dos devedores e reduz os juros das dívidas. Na verdade, não estava reduzindo nada, estava apenas deixando de cobrar as taxas indevidas. E o objetivo é ser recebido posteriormente na casa desses empreiteiros.

        Reduzir as dívidas em até 50% levou muitos a comemorarem. Houve festa de gratidão na vila em resposta a imensa bondade do patrão. No entanto, o que não era conhecido, era o fato de que o administrador havia sido despedido e não podia dar tal ordem e nem sequer os devedores podiam assinar qualquer contrato. Mas, mesmo assim, o patrão elogia o administrador pela sua inteligência.

        Mas, o que levou o patrão a elogiar o administrador, se o mesmo não podia fazer o que fez?

        Bem. O pano de fundo histórico é muito importante nesse momento. Agora, tendo feito tudo isso, permitindo, por sua misericórdia que o administrador focasse solto e tendo liberdade para agir, o patrão passou a ter duas alternativas diante do acontecido, mesmo que não houvesse legitimidade para tal.

        Primeiro: poderia voltar aos devedores que seu mordomo havia sido despedido dias antes e que por isso o desconto não era válido.

        Segundo: ficar em silêncio e aceitar a gratidão daquelas pessoas que haviam recebido perdão de boa quantia de suas dívidas. As pessoas estavam louvando a generosidade do patrão. E no Oriente, a maior qualidade de um nobre é justamente sua generosidade.

        Já que a ideia de generosidade está desconstruída em nossos dias, citamos as palavras de Jesus: “as pessoas deste mundo são muito mais espertas nos seus negócios do que as pessoas que pertencem a luz” (Lc 16.8).

        O termo “espertas, esperto” transmite a ideia de “instinto de auto preservação.” Na parábola é esse instinto de auto preservação que leva o administrador a agir. Ele, pensando consigo mesmo, “não tenho forças para cavar a terra e tenho vergonha de pedir esmola,” mostra que seu maior desejo naquela situação é se auto preservar. E para que ele se preserve, se agarra na única coisa que o podia preservar, na generosidade, na misericórdia do seu patrão.

        Nesse sentido Jesus diz que nesse mundo, quando as pessoas precisam se auto preservar, elas sabem como agir. Mas, infelizmente, os filhos da luz não estavam nem aí diante do eminente fato de que o salvador do mundo estava ali.

        O patrão da parábola, o homem rico é Deus, criador do céu e da terra. Tudo o que há nesse mundo é dEle. Nós, seus filhos, somos os administradores. Como administradores do corpo, vida, dons, bens, evangelho, como estamos gerenciando?

        A parábola de Lucas 16 é uma parábola escatológica, ou seja, dos fins dos tempos. A pergunta pode ser feita de outra maneira: “Como está gerenciando se hoje fosse seu último dia de administração?” Será que nós também ouviríamos a frase: “Eu andei ouvindo umas coisas a respeito de você. Agora preste contas da sua administração porque você não pode mais continuar como meu administrador.”

        Como estamos gerenciando? Tudo o que temos e somos veio e vem como um empréstimo de Deus. Ele não nos cobra juros, apenas deseja que administremos da melhor maneira possível.

        Nesse mundo somos agentes administrativos no Reino de Deus. E diante das muitas vezes em que fomos e somos negligentes só resta nos apegar na misericórdia do nosso Pai celestial.

        As parábolas do administrador infiel, do filho pródigo e do fariseu e do publicano anunciam a necessidade de apego na misericórdia divina.

        Tanto Filho Pródigo como o Administrador traem a confiança neles depositada. Nenhum dos dois apresentou desculpas. Eles sabem e reconheceram seu erro. No entanto, filho pródigo e administrador infiel provam da misericórdia do pai e do patrão. O filho não foi punido nem o administrador foi preso.

        Desde o inicio do capítulo 15 vemos que os cobradores de impostos, as pessoas de má fama estavam juntos dos discípulos e desejavam ouvir e aprender de Jesus. Fariseus e mestres da lei criticavam Jesus pela sua atitude de acolhimento a essas pessoas. Jesus conta a parábola da ovelha e da moeda perdida, do filho pródigo, do administrador desonesto, do rico e de Lázaro, da viúva e do juiz, do fariseu e do publicano. Em todas essas histórias, Jesus se apresenta como enviado de Deus para buscar o perdido. Está comunicando que cada pecador desesperado, assim como o administrador infiel, precisa se agarrar na única alternativa que os salva, na misericórdia divina, no próprio Jesus Cristo.

        Deus nos abençoe. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

cristo_para_todos@hotmail.com

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Deus é assim!


15/09/13 – 17º Domingo após Pentecostes

Sl 119. 169 - 176; Ez 34. 11 - 24; 1Tm 1. 12 - 17; Lc 15. 1 - 10

Tema: Deus é assim!

 

          Ovelha é um animal ingênuo. Facilmente se perde. Precisa de alguém que a guie. Quando uma ovelha se perde, não consegue voltar sozinha. A ovelha se perde por ingenuidade, tentação e curiosidade. Imaginem a moeda? Se a ovelha que é um animal com vida, ao se perder não consegue voltar sozinha, a moeda sem vida ao ser perdida, se não houver quem a procure nunca mais será encontrada. Uma ovelha pode se perder para sempre. A ovelha perdida pode ser atacada por animais ferozes, cipós terrestres que prendem seus pés e as matam, espinhos que as ferem e causam inflamação, ou podem cair num penhasco. A moeda sendo perdida pode ser encoberta por sujeira, areia ou terra e nunca mais ser encontrada.

         Conhecendo a situação das ovelhas, das moedas perdidas, Deus se apresenta assim como é. O bom pastor, uma Boa dona de casa.

         Uma grande multidão cercava Jesus. Queriam ouvi-lo. A multidão dos que o rodeavam para ouvir era composta por pecadores, que eram pessoas difamadas, excluídas da sociedade. Mas, justamente essas pessoas foram recebidas por Jesus, elas eram a ovelha e a moeda perdida. Jesus as ensinava, dormia em sua casa, a exemplo de Zaqueu.

         Na multidão havia também os publicanos, cobradores de impostos. Pessoas mal vistas e até odiadas pela sociedade. Ser publicano era como ser a pior espécie de ser humano.

         Na multidão havia também os fariseus, que se julgavam tão superiores, que criticavam a atitude de Jesus em receber pecadores. Os fariseus tinham todos os outros como pecadores por não seguirem a lei de Deus. Na época, havia uma relação de profissões, que segundo os fariseus, eram considerados como pecadores. Entre eles estavam, os pastores de ovelhas, os cobradores de impostos, os tecelões, os médicos, etc.

         Para esse público Jesus proclama a mensagem do bom pastor e da boa dona de casa. Jesus era o desprezado que havia vindo em busca de outros mais desprezados ainda. Como disse o apóstolo João: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11)

         Para esse público tão peculiar, assim como o nosso hoje. Afinal, vivemos em meio àqueles que julgamos pecadores, àqueles com uma moralidade irrepreensível.

         Uma dracma, moeda grega, tinha o mesmo valor de um denário, moeda romana. Com uma moeda dessas se pagava por uma diária de trabalho conforme Mateus 20.2,9,13. Com uma dracma, ou denário, era possível comprar uma medida de trigo ou três de cevada (Ap 6.6). A moeda representava um imenso valor para quem havia perdido.

         Jesus ao fazer uso do termo “dracma” está enfatizando que estava procurando os oprimidos, os doentes, os cansados de carregar suas pesadas cargas e fardos da lei.

         Essas duas parábolas mostram como Deus é. Ele é amoroso. Entre 100 ovelhas, sente falta de uma e vai em busca dessa única ovelha perdida. Deus é assim! É amoroso, pois incansavelmente, assim como uma dona de casa, revira todos os móveis em busca daquilo que lhe é precioso. Deus é assim! Além de amoroso, é alegre. E sua alegria está no ter encontrado a ovelha e a moeda perdida.


         As parábolas do capítulo 15 de Lucas mostram que, tanto a ovelha como a moeda estava em boas mãos. Eram amados, cuidados, mas, por um motivo ou outro foram perdidos. Perdidos só seriam encontrados se o dono sentisse sua falta e fosse à sua busca. Essa busca pelo perdido resumia a missão do Filho de Deus, Jesus.

         Deus é assim!

         No inicio da criação, quando tudo era muito bom, eis que o anjo lançou o pecado no mundo, levando homem e mulher a rebelar-se contra Deus. Deus poderia muito bem destruir tudo que havia feito e criar novamente. Mas, por ser sua obra prima, feitos a sua imagem e semelhança, Deus resolveu ir ao encontro do homem. Para que esse encontro fosse possível, deu a promessa de que enviaria seu filho e por essa promessa os que creram nela foram salvos. Em Jesus, tendo cumprido sua promessa, todos os que creram e creem nEle foram, são e serão salvos.

         Deus é assim! Ama a todos os pecadores. Como bem resume o apóstolo Paulo: “dos quais eu sou o principal,” (1Tm 1. 15) ou seja, de todos os pecadores, eu sou o maior de todos.

         Assim é Deus!

         Ele reage diante da perda de algo que lhe é precioso. Nós, pecadores, que merecemos a condenação eterna, somos alvos da preocupação de Deus. E essa preocupação foi manifestada em todo o plano bem elaborado e executado da salvação.

         O que motivou a perda da ovelha perdida foi sua busca sem a direção do pastor por outra pastagem. Ela foi seduzida, tentada, e assim se afastou do rebanho.

         A moeda perdida, mesmo que em boas mãos, acabou por descuido sendo perdida. Podemos nessa passagem dar um importante recado para a igreja. A igreja infelizmente é composta por pastores pecadores, por membros pecadores. E por esse detalhe, infelizmente, moedas e ovelhas acabam sendo perdidas. E hoje, é hora de olhar e perceber o quanto precisamos fazer para encontrar essas ovelhas e moedas perdidas.

         Qual é o valor da ovelha e da dracma perdida?

         A ovelha e a dracma representam cada pecador perdido que Jesus veio buscar. A preciosidade da ovelha está no fato de cada ovelha ser única. Somos indivíduos únicos. E essa é uma dádiva divina, sermos únicos em bilhões de pessoas. A moeda perdida tem sua preciosidade no fato de ser tudo o que o seu dono precisa para suprir sua necessidade. Cada pessoa compõe o corpo que é Cristo. Estando perdido precisa ser buscado e encontrado.

         Deus é assim!

         Quando encontra sua ovelha perdida, mesmo que se afastou por conta própria, mesmo que tenha perdido a moeda por descuido de quem as tinhas na mão, se alegra pelo fato de tê-las encontrado novamente.

         Queridos e queridas, éramos a ovelha e a dracma perdida. Em Jesus fomos buscados e encontrados. Infelizmente, muitos por ingenuidade, pelas tentações ou sedução acabaram se perdendo, outros foram perdidos por descuido. No entanto, a exemplo de nós, assim como nós fomos buscados e encontrados, esses também precisam ser buscados e encontrados.

         Deus é assim!

         Amoroso e alegre. Em Jesus nos amou e ama. Em Jesus nos buscou e encontra. E quando nos encontra se alegra e faz com seus anjos no céu uma imensa festa. Amém!

 

Edson Ronaldo Tressmann

cristo_para_todos@hotmail.com

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Multidões diferentes, lição necessária.


08/09/13 – 16º Domingo após Pentecostes

Sl 1; Dt 30. 15 - 20; Fm 1 - 21; Lc 14. 25 - 35

Tema: Multidões diferentes, lição necessária.

 

        Nos textos bíblicos para nossa conversa, Deuteronômio 30. 15 – 20 e Lucas 14. 25 – 35, falam de duas multidões separadas por milhares de anos. Cerca de 1.300 anos. Quero acrescentar uma terceira multidão nessa conversa, nós, eu e você. Três multidões separadas por milhares de anos, mas possuem grandes semelhanças. A mesma distância que separa essas multidões parece que as une em suas semelhanças apresentadas pelos textos bíblicos. Multidões diferentes, lição necessária.

        Deuteronômio 30 bem como Lucas 14 nos transmite sobre as escolhas feitas e a prioridade na escolha.

         As escolhas feitas conforme Deus disse a Moisés são as seguintes:


Hoje estou deixando que vocês escolham entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. Se vocês obedecerem aos mandamentos do SENHOR, nosso Deus, que hoje eu estou dando a vocês, e o amarem, e andarem no caminho que ele mostra, e cumprirem todas as suas leis e todos os seus mandamentos, vocês viverão muito tempo na terra que vão invadir e que vai ser de vocês. E Deus os abençoará e lhes dará muitos descendentes. Porém eu lhes afirmo hoje mesmo que, se abandonarem a Deus e não quiserem obedecer e se caírem na tentação de adorar e servir outros deuses, nesse caso vocês serão completamente destruídos e não viverão muito tempo na terra que estão para possuir no outro lado do rio Jordão. Neste dia chamo o céu e a terra como testemunhas contra vocês. Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição. Escolham a vida, para que vocês e os seus descendentes vivam muitos anos. Amem o SENHOR, nosso Deus, obedeçam ao que ele manda e fiquem ligados com ele. Assim vocês continuarão a viver e viverão muitos anos na terra que o SENHOR Deus jurou que daria aos nossos antepassados Abraão, Isaque e Jacó.

 

        Viver requer tomar decisões. E decisões nem sempre são fáceis de serem tomadas. E a mais difícil é a decisão que Deus requer de seus filhos: adorá-lo e confiar nele acima de todas as coisas.

        Adorar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas implica em responder quem de fato é o nosso Deus. Jesus no sermão do monte disse: “Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês” (Mt 6.21).

        Viver é tomar decisões. Deus, nosso Pai, criador e sustentador quer que tenhamos uma vida boa, por isso, direciona a nossa escolha. Uma escolha que tem em si ricas bênçãos. E a bênção não está em nossa escolha, está na oferta que Deus noz faz. Sua oferta é de bem e vida.

        Adorar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas não é uma escolha fácil. Afinal, muitas são as ofertas para que busquemos e adoremos outros deuses. A adoração e busca de outros deuses está na maldição pela qual muitas pessoas estão vivendo em seus dias. A maldição em que muitos estão envolvidos se deve ao fato de se deixarem conduzir pela carne, pela velha natureza. Assim estão produzindo e colhendo, conforme o apóstolo Paulo, imoralidade sexual, impureza, ações indecentes, adoração a ídolos, feitiçarias, inimizades, brigas, ciumeiras, acessos de raiva, ambição egoísta, desunião, divisão, vícios (Gl 5. 19 – 21).

        Escolher a vida e o bem nem sempre é uma escolha fácil. Afinal, numa sociedade corrupta, onde se dá bem quem é desonesto, muitos escolhem pelo mesmo caminho. A vida se tornou uma escolha difícil.

        Atualmente, em meio aos pecados modernos não conseguimos separar tão claramente entre o bem e o mal. Muitas vezes, infelizmente descartamos o trigo e deixamos o joio. Até uma coisa bem feita pode se tornar um mal. Raras vezes o bem e o mal são separados adequadamente. Multidões diferentes, lição necessária.

        O povo de Deus liberto da escravidão do Egito estava terminando sua peregrinação de 40 anos pelo deserto. Esse povo foi escolhido por Deus. Sua escolha é para que através deles, a luz de Deus se manifestasse a todas as nações. Conforme o profeta Isaías essa luz era a salvação preparada por Deus no filho que nasceria desse povo. Disse o profeta: “O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas” (Is 9.2) e também o evangelista Lucas: “...Ele fará brilhar sobre nós a sua luz” (Lc 1.78b). Em Jesus, Deus nos escolheu e nos deu e dá a salvação, assim como Ele mesmo disse: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e deem fruto e que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que pedirem em meu nome” (Jo 15.16).

        O povo de Deus, escolhido por Deus para ser luz para as nações, agora estava entrando numa nova etapa no projeto de Deus. E tendo sido escolhidos por Deus, agora estavam sendo orientados a escolherem a vida, o bem, a bênção.

        Nós, povo de Deus, “Pois, por meio da fé em Cristo Jesus, todos vocês são filhos de Deus. Porque vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se revestiram com as qualidades do próprio Cristo” (Gl 3. 27 – 28). Como filhos de Deus, revestidos de Jesus Cristo, podemos escolher assim como aconselha Paulo: “Mas agora livrem-se de tudo isto: da raiva, da paixão e dos sentimentos de ódio. E que não saia da boca de vocês nenhum insulto e nenhuma conversa indecente. Não mintam uns para os outros, pois vocês já deixaram de lado a natureza velha com os seus costumes e se vestiram com uma nova natureza. Essa natureza é a nova pessoa que Deus, o seu criador, está sempre renovando para que ela se torne parecida com ele, a fim de fazer com que vocês o conheçam completamente. Como resultado disso, já não existem mais judeus e não-judeus, circuncidados e não-circuncidados, não-civilizados, selvagens, escravos ou pessoas livres, mas Cristo é tudo e está em todos. Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência” (Cl 3. 8 – 12).

        Como filhos de Deus, escolhidos por Deus, nos propõe escolher a vida, o bem, a bênção.

        Três multidões separadas por milhares de anos que possuem grandes semelhanças. A mesma distância que separa essas multidões as une em suas semelhanças apresentadas pelos textos bíblicos. Deuteronômio 30 bem como Lucas 14 nos transmite sobre as escolhas feitas e a prioridade na escolha. Multidões diferentes, lição necessária.

        Como filhos de Deus em Jesus, reconhecemos que as escolhas não são fáceis de serem tomadas. No entanto, nossas decisões estão baseadas na nossa nova vida, a vida em Cristo, pois, “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo” (2Co 5.17).

        Ouvimos que a primeira multidão foi aconselhada sobre a melhor escolha a se fazer. O evangelista Lucas mostra que Jesus ensinou outra multidão a priorizar suas escolhas.

        Não é fácil escolher, a vida é marcada por escolhas. Escolhas ruins, consequências terríveis. Escolhas boas, vida tranquila e boa. A dificuldade da escolha é visível em nossa sociedade. E justamente, nessa sociedade, Jesus nos colocou como seus filhos e nos capacita a vivermos como seus discípulos. E o discípulo é um escolhido de Deus, colocado por Deus em seu Reino. O discípulo sabe qual é a prioridade de suas escolhas. Multidões diferentes, lição necessária.

        Disse Jesus, narrado por Lucas no seu evangelho capítulo 14, versículos 25 – 35:

 
Certa vez uma grande multidão estava acompanhando Jesus. Ele virou-se para eles e disse: Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Se um de vocês quer construir uma torre, primeiro senta e calcula quanto vai custar, para ver se o dinheiro dá. Se não fizer isso, ele consegue colocar os alicerces, mas não pode terminar a construção. Aí todos os que virem o que aconteceu vão caçoar dele, dizendo: “Este homem começou a construir, mas não pôde terminar!” Se um rei que tem dez mil soldados vai partir para combater outro que vem contra ele com vinte mil, ele senta primeiro e vê se está bastante forte para enfrentar o outro. Se não fizer isso, acabará precisando mandar mensageiros ao outro rei, enquanto este ainda estiver longe, para combinar condições de paz. Jesus terminou, dizendo: Assim nenhum de vocês pode ser meu discípulo se não deixar tudo o que tem. O sal é uma coisa útil; mas, se perde o gosto, deixa de ser sal. É jogado fora, pois não serve mais nem para a terra nem para o monte de esterco. Se vocês têm ouvidos para ouvirem, então ouçam.

 

        O discípulo de Jesus tem um preço a pagar, mas esse preço não o faz discípulo, tendo sido já escolhido. O preço é que o discípulo não é aquele que está na multidão apenas por estar empolgado com um suposto milagre de Jesus, ou encantado com seu ensino. Ser discípulo é como disse Jesus: “Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar” (Lc 14. 26 – 27).

        Essas palavras assustam muitas pessoas. Muitos até imaginam que ser discípulo de Cristo se torna algo penoso e sofrido por essa afirmação. No entanto, precisamos entender o precioso e rico ensino de Jesus. Para isso primeiramente olhemos para o contexto.

        O evangelista Lucas apresenta Jesus no caminho para Jerusalém. Nessa caminhada rumo a cruz, Jesus está preparando seus discípulos, os seus escolhidos para todo o sofrimento que estaria diante deles em Jerusalém. Disse estas palavras às multidões que o seguiam. No entanto, Jesus era seguido por muitos, por interesse pessoal. Diante desse interesse pessoal, Jesus adverte que o discípulo, o escolhido por Deus, precisa estar disposto a carregar sua cruz.

        Outro detalhe que enriquece nossa compreensão das palavras de Jesus a multidão, não apenas naquela época, mas para nós ainda hoje, são as duas parábolas. Multidões diferentes, lição necessária.

        As duas parábolas tem como conexão o planejamento. O homem que vai construir e o rei que vai para a guerra.

        Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar” (Lc 14. 26 – 27).

        No caso do homem que vai construir a torre, o planejamento mostra se a obra vai ou não vai acontecer.

        A multidão a quem Jesus disse essas palavras e outros que estavam em Jerusalém conseguiu ir até a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Cantaram hosanas, jogaram suas vestes, folhas no chão para Jesus passar. Mas, ao verem que a obra de Jesus não era política, o abandonaram.

        A segunda parábola mostra um rei que precisa tomar uma decisão. Seu reino está para ser invadido. Lutar? Se render? O rei não podia ficar omisso.

        Ter sido escolhido por Jesus. E esse detalhe é riquíssimo. Afinal, o discípulo era quem escolhia seu mestre, mas sabemos pela Palavra de Deus que foi o mestre Jesus quem nos escolheu. Diante dessa escolha não podemos ficar omissos. Estamos prontos à correr todos os riscos de seguir Jesus ou buscamos maneiras de negociar para evitar o confronto com o mundo.

        De nenhuma maneira Jesus vai contra o quarto e sexto mandamento. Alerta para o fato e que muitos o abandonam diante da primeira dificuldade, da primeira provação na fé. Multidões diferentes, lição necessária.

        A vida é feita de escolhas e entre as escolhas algumas tem prioridade. A prioridade de Deus foi e é nos amar. Seu amor está revelado a nós no seu caminho e na sua chegada até a cruz. Jesus escolheu nos amar e nos tornar seus filhos e herdeiros.

        Diante da escolha que Deus em Jesus fez e faz por nós, na luz de Cristo podemos escolher e priorizar o discipulado, carregar a nossa cruz sabendo que aquele que a carregou em nosso lugar não nos abandona nem nos abandonará. Amém!

 

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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