segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão! (Jo 20.19-31)

 12 de abril de 2026

Segundo Domingo de Páscoa

Salmo 148; At 5.29-42; 1Pedro 1.3-9; João 20.19-31

Texto: João 20.19-31

Tema: O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão!

 

Muitas pessoas vivem a vida espiritual como que em um apartamento com as portas trancadas e as luzes apagadas. Muitos vivem no medo contemporâneo:

o medo de que nossos erros do passado vazem;

a culpa por termos falhado com quem amamos;

e a ansiedade paralisante sobre o amanhã;

No relato de João, os discípulos estão exatamente assim. Eles não estavam apenas escondidos dos judeus; estavam escondidos de si mesmos, carregando o peso de terem abandonado o Mestre na hora do sofrimento.

Imagine uma pessoa que, após cometer um erro grave no trabalho ou no casamento, se isola e não atende o telefone, esperando apenas o julgamento. É nesse cenário de portas trancadas pela culpa que o Cristo Ressuscitado aparece e diz: “Paz seja convosco”.

Jesus Cristo, ressuscitado, aparece e diz: “Paz seja convosco”.

Essa paz significa perdão dos pecados; significa que Jesus estava ali, vitorioso, mas não disposto a repreender e sim, trazer consolo aos pecadores assustados.

Paz seja convosco” não é uma mera saudação ou “oi” casual, é a própria mensagem do Evangelho.

Era necessário que Jesus proclamasse seu evangelho, pois os discípulos estavam cheios de medo e culpa por terem abandonado Cristo na hora do seu sofrimento. Dessa firma a primeira palavra do Cristo ressuscitado é perdão e reconciliação.

Jesus não veio para acusar, mas restaurar pecadores. A paz de Cristo é o resultado da justificação pela fé. Assim, quando ao final do culto nos saudamos com a paz de Cristo, estamos afirmando nossa justificação em Cristo.

Por essa razão, as palavras de Jesus Cristo: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” é a manifestação do Cristo ressuscitado que institui e confirma o ministério da Igreja para que as pessoas deixem de ser acusadas pelos seus pecados e recebam a justificação perante Deus através de Cristo. Igreja não é detentora de moralidade. A Igreja detém o evangelho.

Esse envio fundamenta o ministério da Palavra. Deus instituiu o ministério para que o Evangelho e os sacramentos sejam administrados, por meio dos quais o Espírito Santo cria fé.

Assim, o texto mostra que Cristo envia ministros, para proclamar o Evangelho e aplicar o perdão de pecados.

          Jesus sopra sobre os discípulos e diz: “Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados”.

          Esse versículo é base direta da doutrina do Ofício das Chaves. Qual é o seu ofício? Ou seja, o que você faz?

O ofício das chaves é àquilo que a igreja faz pela autoridade dada por Cristo à Igreja para perdoar pecados aos arrependidos e reter pecados aos impenitentes.

Lucas em Atos 5 nos apresenta a Igreja exercendo essa autoridade delegada. Quando Pedro e os apóstolos dizem perante o Sinédrio que “importa obedecer a Deus antes que aos homens” (At 5.29), eles estão protegendo o ministério que Cristo instituiu no cenáculo. O texto de Atos reforça que a autoridade da Igreja para pregar o perdão, mencionado explicitamente em Atos 5.31: “para dar a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” vêm diretamente do Cristo exaltado, e nenhuma autoridade terrena pode silenciar esse “Ofício”.

O sopro do Espírito Santo sobre a igreja não significa que agora ela é poderosa em línguas estranhas e outros eventos. A igreja cheia do Espírito Santo exerce seu ministério da absolvição. Afinal, quando o pastor anuncia o perdão em nome de Cristo, é o próprio Cristo quem perdoa. A absolvição é uma promessa real de Deus aplicada ao pecador.

Caríssimo irmão e irmã no Senhor: a absolvição é verdadeira voz do Evangelho, não é uma mera declaração humana.

A quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados”. A absolvição proclamada na igreja é a voz de Deus.

          Naquele dia Tomé não estava presente. Parece não significar nada uma faltar um culto, mas, para Tomé, o prejuízo foi ter que suportar a dor da culpa e incredulidade por mais uma semana. Tomé não acredita no testemunho dos outros discípulos e exige: ver, tocar, experimentar.

          Temos aqui uma verdadeira revelação da fraqueza da natureza humana. Quando vezes, nos desesperamos quando a fé é fraca.

          A grande notícia é que Jesus Cristo não abandona os fracos na fé, ou quando a incredulidade bate a porta. Uma semana depois, Jesus se aproxima novamente e convida Tomé: “Põe aqui o teu dedo”. Esse foi o abraço de Jesus em Tomé. E diante desse abraço, Tomé faz uma das mais nobres confissões apresentadas no Novo Testamento: “Senhor meu e Deus meu”.

A dúvida de Tomé revela a tensão entre ver e crer. Tomé representa a fraqueza comum de todos os cristãos; afinal, até os apóstolos lutaram com dúvidas. E quão confortador é para nós lermos que Jesus Cristo não rejeitou Tomé, pelo contrário, concedeu sinais para fortalecer a sua fé. Jesus Cristo é paciente com a fé fraca, inclusive a sua.

Esse Tomé, alcançado pelo evangelho do perdão, confessa: “Senhor meu e Deus meu!” está fazendo uma das mais claras confissões da divindade de Cristo no Novo Testamento.

Essas palavras são as quais nós nos apoiamos para defender a cristologia contra erros cristológicos. Assim afirmamos que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Volto a repetir o motivo pelo qual confessamos nossa fé com as palavras do Credo. Ou seja, quando muitas igrejas não fazem uso do Credo, deve-se ao fato delas não terem essa verdadeira cristologia.

Após a dúvida e tendo Jesus aparecido a Tomé, é da sua boca que ouvimos o testemunho da união pessoal das duas naturezas em Cristo. As palavras de Tomé destroem qualquer tentativa de querer negar Jesus como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

          É claro que a fé não depende de experiência visível. A fé depende da Palavra de Deus. O pecador é justificado pela fé, uma fé que nasce e é alimentada quando se ouve o Evangelho. Somos, conforme a Palavra de Jesus, muito mais felizes e abençoados que Tomé, pois, mesmo sem ter visto Jesus fisicamente, cremos. Encontramos Cristo na Palavra e nos Sacramentos.

          Jesus disse para Tomé: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. A fé não se baseia em visões, milagres e experiências místicas. Dessa forma, permaneça na Palavra mesmo quando os sentidos dizem o contrário.

          O apóstolo Pedro escreve “A quem, não havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” (1Pe 1.8). O resultado prático da bem-aventurança é uma viva esperança que sustenta mesmo em meio a provações. O alvo da fé é a salvação da alma, algo que independe do toque físico que Tomé exigiu.

          No final do texto, João explica por que escreveu seu evangelho: “Estas coisas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo”. A Escritura Sagrada nos foi dada para produzir fé e essa fé traz vida em Cristo. A função do Evangelho não é apenas informar fatos históricos, mas criar fé salvadora. Em outras palavras, a Escritura Sagrada é suficiente como testemunho de Cristo. O nome que carregamos em nossa igreja: Igreja Evangélica reforça que a Palavra de Deus é a única norma de doutrina, pregação e prática.

O evangelho não é apenas história; o evangelho foi escrito para produzir fé e trazer vida e salvação. A fé nasce da Palavra de Deus: sem a Palavra de Deus nem o mundo existiria.

          A pericope, João 20.19-31, ensina cinco coisas essenciais: (Repita comigo):

1.    A instituição do ministério da Palavra;

2.    O estabelecimento do ofício das chaves e da absolvição;

3.    A confissão da divindade de Cristo;

4.    A fé baseada na Palavra, não na visão ou milagre;

5.    O propósito evangelístico da Escritura, conduzir a salvação;

O Jesus Cristo que veio para nos resgatar na cruz, continua presente na Igreja através do Evangelho, da absolvição e dos sacramentos.

A fé dos cristãos de todas as épocas cumpre a bem-aventurança de Jesus: crer sem ver, confiando na Palavra apostólica registrada nas Escrituras. Assim, recebemos dessas palavras do apostolo João o consolo do Cristo ressuscitado, o poder do perdão dos pecados e a natureza da fé cristã.

          Jesus continua nos abraçando com suas palavras, em especial as palavras: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. Feliz é você que, mesmo sem experiência pessoal com Cristo. Mesmo sem um milagre extraordinário, crê em Jesus.

          A fé verdadeira é confiar não no que os olhos veem, mas na promessa de Deus.

          As Escrituras Sagradas continuam entre nós para mostrar que Jesus é o Cristo; para produzir a fé e dar vida eterna.

          Ao sairmos daqui hoje, levemos conosco a certeza de que a nossa fé não é sustentada por aquilo que tocamos, mas por aquele que nos toca através de sua Palavra. Tomé precisou ver para crer, mas Jesus olhou através dos séculos, viu cada um de vocês e nos chamou de “bem-aventurados”. Por quê? Porque nós cremos sem ver.

Nossa segurança não reside em milagres visíveis ou em arrebatamentos emocionais, mas na autoridade do Ofício das Chaves: quando o perdão é anunciado, o próprio Deus está abrindo as portas do céu para você. A Igreja não é um clube de perfeição moral, mas o lugar onde pecadores cansados encontram o abraço de Cristo na Absolvição. Que a confissão de Tomé “Senhor meu e Deus meu!” seja o fôlego da sua vida nesta semana.

Nossa segurança não reside no nosso desempenho moral, mas na autoridade da cruz.

          Ao olharmos para a trajetória de medo dos discípulos e para a dúvida de Tomé, percebemos que a nossa própria história está refletida ali. Jesus, em sua infinita paciência, não nos descarta por nossa fé fraca; Ele nos abraça através do Evangelho e dos Sacramentos. A mensagem central deste texto é clara: a Igreja é o lugar da reconciliação, onde a voz do pastor ao anunciar a absolvição é a própria voz de Deus abrindo as portas do céu para o arrependido.

Portanto, não saia daqui hoje buscando sinais visíveis ou experiências místicas para sustentar sua caminhada. Saia com a certeza de que você é o “bem-aventurado” de quem Jesus falou. Nossa segurança não repousa no que sentimos, mas na promessa de que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, o nosso “Senhor e Deus”. Que a Palavra de Deus, que foi escrita para que creiamos e tenhamos vida, seja a única norma da sua fé e o consolo para sua alma. Vá em paz, perdoado e fortalecido pelo Cristo que venceu a morte e hoje caminha ao seu lado. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 30 de março de 2026

A ressurreição é o amém de Deus ao está consumado de Cristo na cruz!

 05 de abril de 2026

Domingo de Páscoa

Salmo 16; Atos 10.34-43; Colossenses 3.1-4; Mateus 28.1-10

Texto: Mateus 28.1-10

Tema: A ressurreição é o amém de Deus ao está consumado de Cristo na cruz!

 

Há notícias que mudam o dia. Outras mudam a história. Existe uma notícia que mudou… tudo.

Naquela manhã, o mundo ainda carregava o peso da sexta-feira. O silêncio da morte parecia definitivo. A cruz ainda estava fresca na memória. A esperança, aparentemente, havia sido enterrada junto com um corpo em um túmulo selado. Mas então… a terra tremeu.

Não foi apenas um abalo físico. Foi como se a criação inteira estivesse reagindo, anunciando que algo impossível havia acontecido. Aquilo que parecia encerrado estava, na verdade, começando.

O túmulo não conseguiu reter. A pedra não conseguiu impedir. A morte não conseguiu vencer. E desde aquele momento, nada, absolutamente nada, pode permanecer como antes.

O cristianismo não é uma filosofia de autoajuda ou um código moral abstrato; é um fato fincado no solo da história. Mateus registra um grande terremoto. Geologicamente, a terra tremeu em Jerusalém naquele tempo, mas espiritualmente, aquele tremor foi o cosmos reagindo à maior notícia da eternidade.

A terra tremeu na Sexta-feira porque o autor da vida morria. A terra tremeu no Domingo porque a morte estava sendo despejada de seu próprio território.

A ressurreição é o "Amém" do Pai ao "Está Consumado" do Filho. Se o túmulo estivesse ocupado, nossa fé seria apenas um clube social. Mas, porque Ele ressuscitou, este evento deve abalar as estruturas da sua vida hoje!

Mateus nos apresenta dois grupos diante do anjo deslumbrante como um relâmpago. Neles, contemplamos dois destinos diferentes diante da glória de Deus:

Os guardas: homens de guerra, treinados pelo Império, tornaram-se “como mortos”. O medo deles é o pavor do juízo. Para quem rejeita o Rei, sua glória é uma sentença de paralisia.

As Mulheres: Maria Madalena e as outras não tinham espadas, tinham amor. Para elas, o anjo diz: “Não tenham medo!”.

Perceba o contraste: o medo dos guardas é o pavor do tribunal; o “não temais” das mulheres é o convite da graça. O Rei que foi humilhado na Sexta-feira agora subjuga o terror da morte. Para quem crê, a ressurreição não é uma ameaça, é o fim de todo o pavor.

O anjo chama Jesus de “o Crucificado”. Isso nos ensina que a cruz não foi um acidente de percurso ou um erro de estratégia. A cruz foi o trono onde o Rei governou e venceu nossos inimigos.

O anjo declara: “Ele não está aqui; já ressuscitou, como tinha dito”. A ressurreição valida cada palavra de Jesus. Ele é Rei porque sua palavra é inabalável. O que Jesus prometeu no Cenáculo e no Getsêmani, Ele assinou com sangue na cruz e carimbou com o túmulo vazio. No grego, os verbos “crucificado” e “ressuscitou” indicam ações concluídas no passado com efeitos que duram para sempre. A dívida foi paga e o recibo foi rasgado!

O cristianismo não se baseia em um sentimento vago, mas em um lugar vazio.

O anjo convida a examinar as evidências. Os lençóis dobrados mostram que não houve pressa. Ladrões fogem; o Ressurreto tem autoridade e ordem.

Deus escolheu mulheres como as primeiras testemunhas em uma cultura onde o depoimento feminino não tinha valor jurídico. Se a história fosse uma mentira inventada, teriam usado homens influentes. Deus usa o que o mundo ignora para envergonhar os fortes.

O Reino de Jesus não é um monumento estático para ser visitado; é um movimento. Jesus não está esperando no túmulo; Ele é o Rei que “vai adiante de vocês”.

Se na Sexta-feira a placa dizia “Este é Jesus, o Rei dos Judeus” como uma acusação de morte, no Domingo o anjo a proclama como um decreto de vida eterna.

O apóstolo Paulo nos convoca ao escrever na carta aos Colossenses: “Se vocês foram ressuscitados com Cristo, ponham o seu interesse nas coisas lá do alto” (Cl 3.1).

Pare de viver como se o túmulo ainda estivesse ocupado por seus pecados.

Pare de ser escravo do medo e das emoções instáveis.

Olhe para cima: sua vida não está enterrada no chão das circunstâncias; ela está escondida com Cristo em Deus.

Que o terremoto da ressurreição remova hoje a pedra da descrença e da apatia dos nossos corações. Não servimos a um mártir morto, mas a um Rei Vivo. Que a nossa vida seja o reflexo desse túmulo vazio.

A ressurreição não é apenas uma verdade para ser celebrada… é uma realidade para ser vivida.

O túmulo está vazio, mas, muitas vezes, nossos corações ainda estão cheios de medo, culpa e incredulidade. Vivemos como se a pedra ainda estivesse no lugar, como se a morte ainda tivesse a última palavra. Mas não tem.

A ressurreição não permite uma fé morna. Ela não combina com uma vida parada. Ela não se encaixa em uma espiritualidade superficial. Ela chama. Ela confronta. Ela transforma. Amém!

 

Edson Ronaldo Tressmann
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Jesus, tu és o meu Rei!

 03 de abril

Sexta-feira Santa

Salmo 22; Isaías 52.13-53.12; Hebreus 4.14-16; 5.7-9; João 19.17-30

Texto: Mt 27.37

Tema: Jesus, tu és o meu Rei!

 

Há momentos na história em que o homem pensa estar no controle… mas, na verdade, está apenas cumprindo algo muito maior do que consegue compreender.

Naquela sexta-feira, parecia que Roma governava, que os líderes religiosos haviam vencido e que um homem estava sendo silenciado para sempre. Parecia o fim. Mas, no alto de uma cruz, entre o céu e a terra, Deus estava escrevendo a declaração mais ousada da eternidade, não com tinta, mas com sangue.

Uma placa foi pregada. Três línguas foram usadas. Nenhuma delas conseguiu conter o peso daquela verdade. O que começou como zombaria… tornou-se revelação. O que foi escrito para humilhar… tornou-se a proclamação do verdadeiro Rei.

Sugestão Visual: Uma coroa de espinhos e uma placa de madeira envelhecida no centro do altar com a inscrição: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.

Naquela sexta-feira, o que foi projetado para ser uma peça de ironia tornou-se a maior declaração teológica da história. Pilatos escreveu aquelas palavras para provocar os judeus; os soldados as leram para ridicularizar um homem desfigurado.

Contudo, no plano eterno, Deus estava usando a caneta de um pagão para assinar uma verdade absoluta: aquele homem pendurado entre o céu e a terra, vertendo sangue e água, é de fato e por direito o Rei do Universo.

Como profetizou Isaías, Jesus não tinha beleza nem majestade que nos agradasse (Is 53.3-7). Paulo nos lembra que a glória de Jesus não foi manifestada em um palácio, mas no “esvaziamento” da cruz (Fp 2.5-11). Por isso, João registra a defesa de Jesus perante Pilatos: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36).

Acima da cabeça de Cristo, a placa brilhava em três línguas (Hebraico, Latim e Grego), alcançando todo o mundo civilizado da época. O mundo via um criminoso; Deus via o Cordeiro.

Os líderes religiosos tentaram editar a verdade, pedindo a Pilatos: “Não escrevas 'O Rei', mas que ele 'disse ser' o Rei”. A resposta de Pilatos foi profética: “O que escrevi, escrevi”. Deus não permitiu que aquela placa fosse alterada porque a realeza de Jesus não é uma opinião, uma alegação ou um “post” sujeito a curtidas; é um fato cósmico.

Diferente dos reis da terra, que exigem o sangue de seus súditos para proteger suas coroas, este Rei derrama o seu próprio sangue para proteger seus súditos.

Jesus não convocou legiões de anjos. Por quê? Porque seu Reino é feito de pessoas resgatadas, e o resgate exigia o prego. Cada golpe de martelo era um selo de perdão.

No Reino de Deus, a lógica é invertida. A vida nasce da morte, a exaltação nasce da humilhação. Ele venceu o pecado e a morte justamente quando parecia ter sido tragado por eles. Aquela placa era o “Título de Propriedade” de Cristo sobre a humanidade que Ele comprava naquele instante.

A cruz é o trono onde Jesus assina o nosso decreto de anistia. Ele é o Rei que:

- Recebe a condenação em nosso lugar.

- Escolhe salvar o ladrão ao Seu lado enquanto Ele mesmo se entrega à morte.

- Troca o brilho do ouro pelo vermelho do sangue para que tivéssemos livre acesso ao Pai.

Hoje, Sexta-Feira Santa, a pergunta não é se Jesus é Rei, a história e a eternidade já selaram isso. A pergunta crucial é: Jesus é o Rei da sua vida?

Não olhe para a cruz apenas como uma tragédia histórica. Olhe para ela como o campo de batalha onde o seu Rei venceu a sua maior guerra. Ajoelhe-se diante daquele que não usou o seu poder para descer da cruz, mas usou o seu amor para permanecer nela até o fim.

Diga hoje com convicção: “Jesus, Tu és o meu Rei”. Se Jesus é o seu Rei, Jesus tem a palavra final sobre o seu medo, sobre a sua culpa e sobre o seu futuro. Na Sexta-Feira Santa, o Rei morre para que os súditos vivam. Que a placa pregada no madeiro seja, hoje, gravada com fogo em nossa alma.

O mais impressionante não é que aquela placa tenha sido escrita. O mais impressionante é que ela continua sendo verdadeira… quer o mundo aceite ou não.

Impérios caíram. Reis foram esquecidos. Coroas se tornaram pó. Mas aquele homem crucificado continua reinando.

E aqui está o ponto que não pode ser ignorado: você não pode olhar para a cruz e permanecer neutro. Porque se Ele é Rei, e Ele é, então isso muda tudo. Muda a forma como você vive. Muda a forma como você enfrenta a dor. Muda a forma como você lida com o pecado, com a culpa e com o futuro.

A cruz não permite espectadores. Ela exige rendição. Naquela sexta-feira, muitos passaram diante da cruz e seguiram suas vidas como se nada tivesse acontecido.

Hoje, dois mil anos depois, ainda há quem faça o mesmo. Mas alguns… param. Olham. Reconhecem. E se rendem. Porque entendem algo que os outros não perceberam: aquele não era apenas um homem morrendo… era um Rei reinando.

E a pergunta que ecoa até hoje não é se a placa estava certa. A pergunta é: você já se curvou diante dela na certeza de que Jesus é teu Rei? Porque no final, não será sobre o que estava escrito no madeiro… mas sobre o que está escrito, ou não, no seu coração. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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O banquete da entrega. A fé desfruta o que a razão não explica.

 02 de abril de 2026

Quinta-feira Santa

Salmo 116.12-19; Êxodo 24.3-11; Hebreus 9.11-22; Mateus 26.17-30

Texto: Mateus 26.17-30

Tema: O banquete da entrega. A fé desfruta o que a razão não explica.

 

Na Jerusalém dos dias comuns, a vida seguia em um ritmo quase previsível. Ruas conhecidas, rostos familiares, uma cidade com algo entre 20 e 30 mil habitantes. Mas tudo mudava completamente com a aproximação da Páscoa judaica.

Dias antes da celebração, começava uma verdadeira invasão de peregrinos. Vindos da Galileia, da Judeia, e até de terras distantes do Império Romano, multidões subiam para a cidade santa. O que era uma cidade relativamente pequena se transformava em um mar de gente. As ruas ficavam apertadas, as casas lotadas, e os arredores tomados por acampamentos improvisados. Jerusalém podia facilmente ultrapassar a marca de 100 mil pessoas, talvez muito mais.

E é exatamente nesse cenário que acontece a Quinta-feira Santa.

Enquanto do lado de fora havia barulho, movimento e aglomeração, dentro de um cenáculo tudo era silêncio, intimidade e profundidade. A cidade estava cheia de gente celebrando a antiga libertação do Egito. Mas, em um ambiente reservado, Jesus celebrava algo infinitamente maior.

A superlotação de Jerusalém também ajuda a entender a urgência e a tensão daquela noite. As autoridades estavam em alerta. Qualquer movimento poderia gerar tumulto. Por isso, tudo acontece quase escondido, longe da multidão, longe dos olhares públicos.

Assim, no meio de uma cidade tomada por milhares de pessoas, Deus escolhe agir de forma discreta. Não no centro do barulho, mas na profundidade de uma mesa. Não diante das multidões, mas diante de poucos.

Porque, enquanto Jerusalém transbordava de gente, naquela quinta-feira à noite o céu se concentrava em um único lugar: uma mesa, um pão e um cálice.

          Naquela noite em Jerusalém, aparentemente tudo era apenas uma refeição. Uma mesa preparada. Pão partido. Cálices de vinho circulando entre amigos. Mas, na verdade, o que acontecia ali mudaria para sempre a história. Enquanto a cidade celebrava a antiga libertação do Egito, dentro de um cenáculo silencioso o próprio Deus estava preparando uma libertação ainda maior. Não mais da escravidão do faraó, mas da escravidão do pecado.

Àquela mesa estavam homens imperfeitos, cheios de dúvidas, medos e fraquezas. Um deles trairia. Todos os outros fugiriam. Ainda assim, Jesus se senta com eles.

E é justamente nesse cenário de fragilidade humana que Jesus parte o pão e declara algo absolutamente escandaloso e maravilhoso: “Isto é o meu corpo… isto é o meu sangue”.

Naquela noite, Deus não apenas explicou o amor. Deus se deu em alimento.

A Quinta-feira Santa marca o início da Festa dos Pães sem Fermento. Jesus prepara o ambiente com cuidado e discrição. O evangelista Marcos nos dá a entender que o local foi mantido em segredo para evitar que Judas antecipasse a traição antes da hora marcada.

Ao redor da mesa, Jesus não está mais “com pressa” como os antigos hebreus na saída do Egito (Ex 12.11). Ele se reclina. O descanso à mesa simboliza que a verdadeira libertação estava prestes a acontecer. Naquela noite, a tradição judaica previa quatro cálices de vinho, ervas amargas e o cordeiro pascal. Mas, entre o segundo e o terceiro cálice, Jesus interrompe a tradição milenar para instituir algo novo.

À mesa, o clima de celebração é cortado por uma revelação dolorosa: “Um de vocês me trairá”.

Judas era tão hábil em ocultar suas intenções que os outros discípulos não suspeitaram dele; cada um perguntou: “Sou eu, Senhor?”.

Note que todos chamam Jesus de Senhor, mas Judas é o único que o chama apenas de Rabi (Mestre). Para Judas, Jesus era um professor a ser analisado, não o Senhor a ser adorado.

A traição não torna Jesus uma vítima indefesa. O fato de Ele saber quem o trairia mostra que tudo o que estava por vir era uma deliberação divina. Jesus não foi pego de surpresa; Jesus se entregou voluntariamente.

Ao partir o pão e oferecer o vinho, Jesus profere palavras simples e poderosas: “Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue”.

Infelizmente, ao longo da história, a Ceia que deveria ser o símbolo da união tornou-se um campo de batalha doutrinário. Surgiram correntes para tentar explicar o inexplicável:

Transubstanciação: A mudança da substância.

Consubstanciação: A presença real com os elementos.

Símbolo: Uma lembrança memorial.

Presença Espiritual: Uma comunhão mística.

Jesus não pediu para analisar a Ceia; Jesus pediu para comer e beber. O sacramento é um presente de autoridade absoluta de Cristo para sua Igreja. Onde a mente humana esbarra no mistério, Jesus oferece o seu verdadeiro corpo e sangue e com isso o verdadeiro alimento.

Certa vez, perguntaram a Martinho Lutero como ele explicava a presença de Cristo na Ceia. Ele respondeu de forma surpreendentemente simples: “Eu não preciso explicar. Cristo disse: Isto é o meu corpo. Então eu tomo, como e agradeço”.

Às vezes tentamos resolver o mistério com argumentos. Mas a fé faz algo muito mais simples: confia na Palavra de Cristo, tomai, comei, isto é o meu sangue. Tomai, bebei, isto é o meu sangue.

O maior obstáculo para receber a graça da Santa Ceia não é a falta de inteligência, mas a falta de compreensão sobre o próprio pecado.

Muitos vivem como se não tivessem pecados, ou como se pudessem “pagar” suas falhas com boas obras e penitências. Assim, quem se julga merecedor, sai da mesa vazio.

A Ceia é o lugar do perdão imerecido. Jesus enfatiza que seu sangue é derramado “para remissão dos pecados”. É um plano conduzido pelo Pai para agraciar os caídos.

          Santa ceia é alimento para o coração e não para a mente. A Santa Ceia não foi feita para ser resolvida como uma equação matemática; ela foi feita para consolar o coração aflito.

Um pastor contou que certa vez um homem da igreja evitava participar da Santa Ceia. Sempre permanecia sentado. Depois de algum tempo, o pastor perguntou: “Por que você nunca vem à mesa do Senhor?” O homem respondeu: “Pastor, eu não me sinto digno”. O pastor então disse algo muito importante: “Se a mesa fosse para os dignos, eu também não poderia ir. A mesa é justamente para quem sabe que precisa de perdão”. Aquele homem começou a chorar. E naquele dia, pela primeira vez em muitos anos, ele se levantou e recebeu a Ceia.

O “re-viver” desta quinta-feira santa nos convida a silenciar as disputas doutrinárias e apenas aceitar o convite: Tomai e comei. A fé desfruta o que a razão não entende. Saímos desta celebração com o sabor do pão e do vinho, mas, acima de tudo, com a certeza de que a dívida foi paga e o perdão nos foi entregue gratuitamente pelo corpo e sangue de Jesus.

Aquela mesa continua posta. Não no cenáculo de Jerusalém, mas em cada altar onde Cristo reúne seu povo. E, curiosamente, os convidados continuam sendo do mesmo tipo: pecadores, falhos, gente que também se pergunta em silêncio: “Sou eu, Senhor?

A Santa Ceia não é a mesa dos perfeitos. É a mesa dos perdoados. Ali não recebemos uma teoria. Recebemos um presente.

Não somos convidados a entender tudo. Somos convidados a confiar. Por isso, quando nos aproximamos do pão e do vinho, não estamos apenas lembrando de algo que aconteceu há dois mil anos. Estamos recebendo hoje aquilo que foi conquistado naquela noite e consumado na cruz. Cristo ainda nos diz: “Tomai e comei”, “Tomai e bebei”. E nesse simples gesto, o céu toca a terra.

Saímos da mesa talvez sem compreender todos os mistérios, mas com algo muito mais importante: a certeza de que nossos pecados foram perdoados, nossa dívida foi paga e nossa vida foi reconciliada com Deus. Porque naquela noite, antes da cruz, Jesus já nos entregava o maior de todos os presentes: seu próprio corpo, seu próprio sangue, para o perdão dos nossos pecados.

Antes de nos aproximarmos da mesa do Senhor, pense em algo simples.

          Imagine alguém afogado em dívidas impossíveis de pagar. Cada dia chega uma nova cobrança. Cada carta aumenta o desespero. Não há saída. Então, um dia, alguém bate à porta. Entrega um envelope. Dentro dele há apenas uma frase: “A dívida foi paga”. Nenhuma parcela restante. Nenhuma condição escondida. Tudo foi quitado.

É exatamente isso que Jesus declara na mesa da Ceia.

Quando recebemos o pão e o vinho, corpo e sangue, estamos recebendo a garantia de que: nossa dívida diante de Deus foi paga. Não com prata. Não com ouro. Mas com o corpo e o sangue de Jesus Cristo.

Aqui está o que mais assusta: naquela mesa, ninguém era digno. Nem Pedro com sua impulsividade. Nem João com sua fragilidade. Nem os outros que fugiriam horas depois. E muito menos Judas, que já carregava a traição no coração. Ainda assim, Jesus partiu o pão. Ainda assim, ofereceu o cálice.

Isso significa uma coisa difícil de aceitar: se a mesa dependesse de mérito, ela estaria vazia até hoje. Mas ela não está.

O mais chocante não é que Jesus tenha dado seu corpo e seu sangue. O mais chocante é que Ele continua oferecendo… sabendo exatamente quem somos.

Ele sabe dos seus pensamentos. Ele conhece seus pecados escondidos. Ele vê aquilo que ninguém mais vê. E mesmo assim, Ele diz: “Tomai e comei”; “Tomai e bebei”.

A pergunta não é se você é digno. A pergunta é: você vai recusar um convite que custou sangue?

Porque naquela mesa não há meio termo. Ou você recebe… ou você rejeita.

E rejeitar não é apenas recusar pão e vinho. É virar as costas para o único pagamento que poderia quitar a sua dívida. Hoje, a mesa está posta e o convite é feito!

 

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Domingo de Ramos: o rei que entra, o servo que sofre, o Senhor que reina!

 29 de março de 2026

Domingo de Ramos

Salmo 118.19-29; Isaías 50.4-9; Filipenses 2.5-11; Mateus 26.1.27-66

Tema: Domingo de Ramos: o rei que entra, o servo que sofre, o Senhor que reina!

 

O Domingo de Ramos começa com aplausos, mas caminha inevitavelmente em direção ao silêncio da cruz. Entre ramos estendidos e vozes que clamam “hosana”, já ecoa, ainda que distante, o grito de rejeição. Aquele que entra em Jerusalém não é apenas celebrado como Rei, Ele avança como Servo, consciente de que sua coroa passará pela cruz.

As Escrituras nos colocam diante desse paradoxo sagrado: o Rei prometido é também a pedra rejeitada; o Senhor glorioso é o Servo que sofre; o Filho exaltado é o Cordeiro entregue. Em Salmo 118, as portas se abrem para recebê-lo com louvor. Em Isaías 50, vemos sua disposição em sofrer sem recuar. Em Filipenses 2, contemplamos sua humilhação voluntária e sua exaltação soberana. E em Mateus 26, encaramos a resposta humana, instável, contraditória, muitas vezes infiel.

O Domingo de Ramos não é apenas memória, é revelação. Revela quem Cristo é e revela quem nós somos diante de Jesus. Porque quando o Rei entra, nenhum coração permanece neutro.

O Domingo de Ramos não é apenas uma celebração da entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém é o início do caminho que conduz à cruz. A liturgia une louvor e sofrimento, glória e humilhação, porque revela quem Cristo realmente é e como o coração humano responde a Ele.

O Salmo 118.19–29 abre essa visão com um clamor de adoração: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”.

Esse salmo, cantado na entrada em Jerusalém, proclama que o Messias é o Rei prometido. As portas da justiça se abrem, e o povo celebra. Mas há uma tensão: o mesmo texto fala da pedra rejeitada que se torna a principal. Ou seja, o Rei que chega será rejeitado.

Essa verdade se aprofunda em Isaías 50.4–9, onde nos é retratado o Servo do Senhor que ouve a Deus; que fala com fidelidade; que não recua diante do sofrimento; Ofereci as costas aos que me feriam…” (Is 50.6).

O Domingo de Ramos já carrega a sombra da cruz. Aquele que entra como Rei é o Servo que sofre voluntariamente. Ele não é vítima, Ele é obediente.

Essa obediência é plenamente revelada na carta aos Filipenses 2.5–11.

O apóstolo Paulo descreve o movimento de Cristo: sendo Deus, não se apegou à sua glória; esvaziou-se; humilhou-se; tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz. E então vem a exaltação: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho…” (Fp 2.10-11).

O que o Domingo de Ramos anuncia, a cruz realiza, e a ressurreição confirma: o Rei é glorificado justamente por meio da humilhação.

O texto do Evangelho narrado por Mateus 26.1, 27–66 nos leva ainda mais fundo: ele revela não apenas quem Cristo é, mas como os homens respondem a Ele.

Ali vemos a traição; a negação; o falso testemunho; a condenação injusta.

O mesmo Cristo que foi aclamado é rejeitado. O mesmo que foi exaltado com ramos é ferido, cuspido e condenado. E aqui está o ponto central do Domingo de Ramos: a revelação de Cristo sempre expõe o coração humano.

Diante de Jesus, não há neutralidade.

- Alguns louvam… mas não permanecem

- Outros conhecem… mas se calam

- Outros rejeitam abertamente

- E alguns creem, seguem e permanecem

A multidão que gritou “hosana” é a mesma que, dias depois, gritará “crucifica-o”. Isso não é apenas história, é um espelho da alma humana. Por isso, o Domingo de Ramos não é apenas celebração é confronto. Ele nos pergunta:

- Seu louvor é circunstancial ou perseverante?

- Sua fé é pública ou silenciosa?

- Seu coração segue Cristo… ou apenas o momento?

Os textos revelam um único movimento divino:

- No Salmo: o Rei é anunciado

- Em Isaías: o Servo sofre

- Em Filipenses: o Filho se humilha e é exaltado

- Em Mateus: o Cordeiro é entregue

Tudo converge para a mesma verdade: Cristo não veio apenas para ser admirado, veio para ser crido, seguido e confessado. Isso nos leva à mesma advertência ecoada por Jesus Cristo: o perigo não está apenas em rejeitar Cristo abertamente, mas em segui-lo superficialmente.

Neste Domingo de Ramos, a pergunta decisiva não é se você reconhece Jesus como Rei. A pergunta é: você está disposto a segui-lo também no caminho da cruz?

O caminho que começa com ramos não termina em aplausos, termina em rendição. O Cristo que foi aclamado é o mesmo que foi rejeitado, ferido e crucificado. E, ainda assim, é exatamente por esse caminho que Ele reina.

O Domingo de Ramos nos conduz a uma decisão inevitável. Não basta reconhecer o Rei à distância, nem celebrar sua chegada apenas quando tudo parece glorioso. O chamado é mais profundo: seguir o Cristo que entra em Jerusalém… e não abandoná-lo no Getsêmani; confessá-lo não apenas nos dias de vitória, mas também nos momentos de custo, silêncio e dor.

A cruz revela que não existe discipulado sem entrega, nem fé verdadeira sem perseverança. O Rei que entra é o Servo que sofre, e o Senhor que reina é aquele que se humilhou até o fim.

Diante disso, resta uma pergunta que não pode ser evitada: quando os ramos caírem e a multidão se calar, você ainda permanecerá com Ele?

Porque, no fim, não é sobre como começamos a jornada com Cristo é sobre permanecermos com Ele até o fim. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Quando Cristo chama, até os mortos vivem

 22 de março de 2026

Quinto Domingo na Quaresma

Salmo 130; Ezequiel 37.1–14; Romanos 8.1–11; João 11.1-45

Texto: João 11.1–45

Tema: Quando Cristo chama, até os mortos vivem

 

Existem momentos na vida em que a esperança parece desaparecer. Momentos em que a oração sobe aos céus… mas nenhuma resposta parece voltar. Momentos em que o silêncio de Deus pesa sobre o coração como uma noite longa e fria.

O Evangelho nos leva hoje para dentro de uma casa assim. Uma casa em Betânia. Uma casa cheia de lágrimas. Ali morava um homem chamado Lázaro. Ele estava doente. Muito doente. Suas irmãs, Marta e Maria, enviam uma mensagem simples a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está enfermo” (Jo 11.3).

É uma oração curta. Sem discursos. Sem exigências. Apenas confiança. Mas então acontece algo que parece incompreensível. Jesus não vai imediatamente. O evangelista João escreveu que que Jesus permaneceu ainda dois dias onde estava.

Imagine o coração daquelas irmãs. Cada hora passando. Cada respiração de Lázaro ficando mais fraca. Talvez elas olhassem repetidamente para a estrada esperando ver Jesus chegar. Mas Jesus não veio enquanto havia possibilidade. E então Lázaro morreu.

Quantas vezes nossa fé passa exatamente por esse momento? Oramos… Esperamos… Confiamos… E parece que Deus está em silêncio.

As palavras de Cristo: “Esta enfermidade não é para morte, mas para a glória de Deus” (Jo 11.4) não significa que Lázaro não morreria. Na verdade, essas palavras significam algo mais profundo: a morte não teria e não tem a última palavra.

Aqui está uma verdade profunda da fé cristã: Deus às vezes permite que a situação pareça piorar antes de revelar a sua glória.

        Quando Jesus finalmente chega a Betânia, Lázaro já está morto há quatro dias. Para os judeus daquela época isso significava algo terrível: não havia mais nenhuma esperança.

O corpo já estava em decomposição. Tudo havia acabado. Marta corre ao encontro de Jesus e diz: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11.21).

Em quantas situações, mesmo que em pensamento, exclamamos: “Senhor… se o Senhor tivesse agido antes…?

Jesus exclamou para Marta algo que muda a história da humanidade: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25). Jesus não diz apenas que dá ressurreição. Jesus diz algo muito maior:

Ele é a ressurreição. Onde Cristo está, a morte não tem autoridade final.

        Depois disso Maria chega chorando. A multidão chora. O ar está pesado de luto. Então acontece algo extraordinário: “Jesus chorou” (Jo 11.35).

Duas palavras. Mas nelas está um dos maiores consolos do Evangelho. O Deus que ressuscita mortos também sente a dor do coração humano. Jesus Cristo não observa nosso sofrimento de longe. Ele entra nele. Ele caminha até o túmulo. O termo grego utilizado por Jesus em sua fala e escrito por João é enebrimesato e significa que Jesus ficou profundamente comovido. É um Jesus indignado contra a morte. Afinal, a morte não faz parte do plano original de Deus. Ela é o inimigo que entrou no mundo por causa do pecado.

        Então Jesus chega diante do túmulo. Uma caverna fechada por uma pedra. Jesus diz: “Tirai a pedra” (Jo 11.39). Marta responde com uma honestidade dolorosa: “Senhor… já cheira mal” (Jo 11.39). Essas palavras desejam destacar que a morte era real, definitiva e irreversível.

Mas então Jesus levanta os olhos ao céu e clama com grande voz: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43). Jesus disse o nome, pois, se dissesse, venha para fora, todos os mortos viriam.

Não há ritual. Não há esforço humano. Apenas a Palavra de Cristo. E acontece algo que ninguém esperava. O morto começa a se mover. As faixas funerárias ainda envolvem seu corpo. Passo após passo… Lázaro sai do túmulo. O impossível acabou de acontecer. O túmulo perdeu seu prisioneiro. E Jesus diz: “Desatai-o e deixai-o ir” (Jo 11.44).

        Entenda algo importante. Essa história não foi escrita apenas para contar um milagre impressionante. Ela aponta para algo muito maior. Quando Jesus chamou Lázaro para fora do túmulo, Ele estava mostrando o que um dia fará com todos os que pertencem a Jesus.

A riqueza não impede a morte. A medicina não a evita completamente. Nenhum poder humano vence a morte. Mas Cristo venceu.

Aquele que chorou diante do túmulo de um amigo é o mesmo que saiu do próprio túmulo três dias depois. E um dia Ele falará novamente. Como escreve o apóstolo Paulo: “Ao som da trombeta de Deus… os mortos em Cristo ressuscitarão” (1Ts 4.16-17).

Assim como Lázaro ouviu a voz de Cristo… um dia os que pertencem a Jesus e morreram em Cristo ouvirão essa mesma voz. E quando Cristo chama… até os mortos vivem.

        Há algo muito mais profundo que isso nessa história. Quando Jesus ressuscita Lázaro, os líderes religiosos começam a planejar a morte de Jesus. Lázaro sai do túmulo… para que Cristo caminhe em direção à cruz.

Jesus devolve a vida ao amigo sabendo que isso o levaria à própria morte. Porque essa é a essência do Evangelho. Cristo entrou na nossa morte para nos dar a sua vida.

Ele foi colocado em um túmulo para que o túmulo não fosse o nosso “destino final”.

A palavra cemitério vem do grego e significa literalmente: “lugar de dormir”. Porque para aqueles que estão em Cristo… a morte não é o fim. Não esqueça, após a morte há vida eterna. Em Jesus Cristo uma eterna bem-aventurança.

Essa história nos lembra algo próximo da nossa realidade. Ela acontece dentro de uma família. Uma casa com doença. Uma casa com lágrimas. Mesmo quem ama Jesus enfrenta momentos difíceis. Há conflitos entre marido e esposa. Distâncias entre pais e filhos. Feridas antigas dentro da família. No entanto, o Evangelho mostra algo poderoso: Jesus Cristo entra na casa onde há dor. Jesus não fica distante dos problemas da família. Por essa razão: leve sua família a Cristo. Leve seus conflitos a Jesus Cristo. Leve suas lágrimas a Cristo. Afinal, quando Cristo fala… até aquilo que parece morto pode voltar a viver.

Talvez alguém esteja vivendo como Marta e Maria. Mandou recado para Jesus em oração. Espera. Não entende o silêncio divino. Muitos estão lutando contra a ansiedade, pensando que a vida saiu do controle. Recorde-se: Jesus sabe exatamente o que está acontecendo. Jesus Cristo continua no controle. Ele não perdeu o governo da nossa história.

        A história termina com um homem saindo de um túmulo. Mas, essa história aponta para outro túmulo. Depois de chamar Lázaro para fora… Jesus caminhou em direção a Jerusalém. Lá seria preso. Julgado. Pregado numa cruz. Lá, o Filho de Deus seria colocado num túmulo. O Senhor da vida seria colocado atrás de uma pedra. Mas ao terceiro dia… a pedra foi removida. E o mesmo Senhor que disse: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43) saiu do próprio túmulo vitorioso.

Quando Cristo chama… até os mortos vivem. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão! (Jo 20.19-31)

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