segunda-feira, 1 de junho de 2026

O médico dos pecadores (Mateus 9.9-13)

 07 de junho de 2026

Primeiro após Pentecostes – Próprio 5

Salmo 119.65-72; Oséias 5.15-6.6; Romanos 4.13-25; Mateus 9.9-13

Texto: Mateus 9.9-13

Tema: O médico dos pecadores

 

Imagine que, ao entrar aqui hoje, uma tela aparecesse exibindo todos os seus pecados, pensamentos, fracassos, vergonhas e segredos dos últimos anos. Tudo aquilo que você tenta esconder das outras pessoas. Tudo aquilo que faz você se sentir indigno diante de Deus.

Quantos permaneceriam sentados? Quantos correriam para a porta?

A verdade é que todos nós carregamos perguntas que nem sempre verbalizamos: “Será que Deus realmente pode me aceitar?” “Será que preciso melhorar primeiro para depois me aproximar de Cristo?

Vivemos em um mundo que funciona por mérito. Somos aceitos quando produzimos, valorizados quando acertamos e elogiados quando correspondemos às expectativas. Com o tempo, começamos a imaginar que Deus também age assim.

Mas então encontramos uma das cenas mais surpreendentes do Evangelho. Jesus não procura os mais admirados da sociedade. Não vai atrás dos especialistas em religião. Não escolhe alguém com currículo espiritual impecável. Ele para diante de um homem que todos consideravam um caso perdido. Um cobrador de impostos. Um pecador público. Um homem chamado Mateus.

E aquilo que Jesus faz com Mateus revela não apenas quem Mateus era. Revela, acima de tudo, quem Deus é.

Mateus era um homem rejeitado. Um cobrador de impostos. Um traidor aos olhos da sociedade. Um pecador público. Um homem que ninguém esperava ver no Reino de Deus.

E é justamente para ele que Jesus olha. Não com desprezo. Não com condenação. Mas com graça.

Segue-me”.

E nessa única palavra, toda a vida de Mateus muda. Isso porque o Evangelho começa exatamente assim, Cristo vai ao encontro daqueles que sabem, ou deveriam saber, que precisam desesperadamente de misericórdia.

          O texto começa dizendo que “Jesus viu um homem chamado Mateus”.

Os homens viam um traidor. Jesus via alguém que seria alcançado pela graça.

Esse “ver” de Cristo não é casual. É salvífico. Jesus não apenas observa; Ele escolhe. A iniciativa parte inteiramente dEle.

Mateus não estava procurando Jesus. Mateus não estava arrependido no templo. Mateus não fazia promessas espirituais. Ele estava sentado na coletoria. E isso é profundamente importante. Porque o Evangelho não começa quando o homem sobe até Deus. O Evangelho começa quando Deus desce até o pecador.

Essa é a essência da fé cristã e o coração da teologia luterana da justificação, Deus justifica ímpios. Cristo entra justamente no lugar onde o pecado está.

          Jesus olha para Mateus e diz, “Segue-me”. Jesus é curto, absoluto e sem negociação. Observe algo impressionante. Jesus não exige preparação moral prévia.

A Palavra de Cristo vem antes da mudança. E a Palavra cria aquilo que ordena, foi assim quando Deus disse “Haja luz” e foi assim quando Jesus disse para Mateus, “Segue-me”. Pela Palavra a vida nasce onde antes havia morte espiritual.

A conversão não nasce da força humana. Ela nasce da ação soberana da graça.

Ele se levantou e o seguiu”.

As obras não antecedem a salvação. As obras fluem dela. Mateus não segue Jesus para ser aceito. Mateus segue porque foi alcançado. Essa é a diferença entre religião e Evangelho.

          O texto continua dizendo que muitos publicanos e pecadores estavam à mesa com Jesus. Isso era explosivo no judaísmo.

Sentar-se à mesa significava comunhão, aceitação e reconhecimento.

Jesus não apenas chama pecadores individualmente. Ele cria uma nova comunidade.

A Igreja nasce aqui. Afinal, a Igreja não é reunião de perfeitos. Mas comunhão de perdoados.

A mesa de Cristo sempre escandaliza os orgulhosos. Porque nela há lugar para quebrados, cansados, culpados e indignos. Os fariseus não conseguem suportar aquilo. E por isso perguntam: “Por que come o vosso mestre com publicanos e pecadores?

Não é uma pergunta social, é uma pergunta teológica. Para fariseus, a santidade significava separação do impuro. Os fariseus construíram uma religião baseada na exclusão e Jesus estabelece o Reino da reconciliação. Os fariseus confiavam na própria justiça. Jesus oferece justiça divina aos que não possuem nenhuma.

          Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes”. Aqui Cristo revela o diagnóstico da humanidade. O pecado é doença mortal da alma e o homem não possui capacidade de autocura. Jesus Cristo é o médico, o único remédio.

Observe o paradoxo. Os mais distantes da cura não são os pecadores conscientes. São os que acreditam estar saudáveis. Jesus não está dizendo que os fariseus realmente são justos. Há ironia em suas palavras.

Os “sãos” são aqueles que pensam não precisar de misericórdia. E talvez esse seja o maior perigo dentro da Igreja.

Há pecadores quebrantados que choram pelo pecado. E há religiosos que nunca choram porque acreditam já serem suficientemente bons.

O pecado reconhecido pode conduzir ao arrependimento. Mas a justiça própria fecha o coração para o Evangelho. O inferno da alma começa quando alguém acha que consegue salvar a si mesmo.

          Jesus então cita o profeta Oséias, dizendo: “Misericórdia quero, e não sacrifício”.

O problema não era o culto em si. O problema era uma religião cheia de rituais, mas vazia de amor. Era uma Ortodoxia sem misericórdia. Sacrifício sem compaixão. Doutrina sem graça.

Os fariseus conheciam textos bíblicos, mas não conheciam o coração de Deus. Porque o coração de Deus é misericórdia.

Deus prefere misericórdia porque misericórdia reflete seu próprio caráter. A cruz é a maior prova disso. Na cruz, Cristo não morreu por justos. Cristo morreu por pecadores.

Não vim chamar justos, mas pecadores”.

Esse versículo resume o Evangelho inteiro. Resume Romanos. Resume Gálatas. Resume a Reforma. Resume a justificação pela fé.

          No final desta história, existem apenas dois grupos diante de Jesus.

De um lado estão os fariseus: pessoas que acreditavam ter justiça suficiente para apresentar diante de Deus. Pessoas que enxergavam os pecados dos outros, mas eram cegas para a própria necessidade de misericórdia. Do outro lado está Mateus, um homem sem desculpas, sem méritos e sem máscaras. Um homem que nada tinha para oferecer além da sua culpa.

E é justamente Mateus quem se levanta para seguir Cristo.

A grande pergunta deste texto não é se você é pecador. Isso já está resolvido. A pergunta é: você reconhece que é?

Porque somente quem sabe que está doente procura o Médico. Somente quem sabe que está perdido deseja ser encontrado. Somente quem sabe que é pecador compreende a grandeza da cruz.

Hoje Cristo continua passando diante das coletorias da vida. Continua olhando para homens e mulheres quebrados. Continua chamando os culpados, os cansados, os fracassados e os indignos. Continua dizendo: “Segue-me”.

Talvez você tenha vindo hoje pensando que precisa melhorar para que Deus o aceite. O Evangelho anuncia exatamente o contrário: Cristo o chama para que Ele mesmo o transforme.

Portanto, não olhe para suas obras. Não olhe para seu passado. Não olhe para suas quedas. Olhe para Cristo. Porque o mesmo Jesus que chamou Mateus continua recebendo pecadores. E a melhor notícia do Evangelho é esta: enquanto houver um pecador arrependido, haverá lugar à mesa do Salvador. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 25 de maio de 2026

A Igreja existe para pregar, batizar e ensinar (Mt 28.16-20)

 31 de maio de 2026

Domingo da Santíssima Trindade

Salmo 8; Gênesis 1.1-2.4a; Atos 2.14a, 22-36; Mateus 28.16-20

Texto: Mateus 28.16-20

Tema: A Igreja existe para pregar, batizar e ensinar

 

Existe uma pergunta que acompanha a humanidade desde os tempos mais antigos: Quem é Deus?

Povos criaram imagens, filosofias, sistemas religiosos e tentaram explicar o divino pela razão, pela emoção ou pelo poder. Uns imaginaram um deus distante; outros, um deus impessoal; outros um deus que apenas observa o sofrimento humano sem agir.

O cristianismo faz uma afirmação absolutamente única, Deus se revelou.

Não é um deus inventado, é o Deus vivo que entrou na história. O Pai que cria; o Filho que assume nossa carne e morre na cruz; o Espírito Santo que chama, ilumina, santifica e preserva a Igreja na verdadeira fé. Por isso celebramos o Domingo da Santíssima Trindade.

Não celebramos uma fórmula teológica fria, não é um quebra-cabeça filosófico. Celebra-se o Deus que age, que salva, que vem ao encontro do pecador.

O Pai não permaneceu em silêncio, enviou o Filho. O Filho não abandonou o mundo, realizou a redenção. O Espírito Santo não deixou a Igreja órfã, continua chamando pessoas pela Palavra e pelos Sacramentos.

As palavras de Jesus registradas em Mateus 28.16–20 revela o próprio coração da Igreja. A autoridade de Cristo; o Batismo em nome da Trindade; a missão universal e a promessa consoladora: “Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação do século” (Mt 28.20).

Enquanto muitos desejam uma espiritualidade sem doutrina, religião sem verdade e fé sem compromisso, no Domingo da Trindade somos lembrados que não podemos criar Deus à nossa imagem. Deus se revela a nós e sua revelação é como Pai, Filho e Espírito Santo.

Essa celebração surgiu na tradição cristã ocidental, dedicada ao mistério do Deus Triuno, Pai, Filho e Espírito Santo, sendo celebrado no primeiro domingo após Pentecostes.

A doutrina da Trindade já era central desde os primeiros séculos do cristianismo, mas não existia uma festa específica para ela. A celebração começou a surgir localmente entre os séculos VIII e IX em regiões da Europa ocidental. A oficialização universal da festa aconteceu em 1334, quando Papa João XXII determinou sua celebração em toda a Igreja Latina. O objetivo principal era fortalecer a doutrina da Trindade diante de heresias; ensinar os fiéis sobre um dos fundamentos centrais da fé cristã; e, concluir o ciclo pascal mostrando a plenitude da revelação divina, o Pai envia o Filho, o Filho realiza a redenção e o Espírito Santo é derramado em Pentecostes.

Os luteranos celebram o Domingo da Santíssima Trindade porque preservaram grande parte do calendário litúrgico histórico da Igreja cristã ocidental. O luteranismo não rejeita as festas tradicionais que estão em harmonia com as Escrituras e servem ao ensino da fé cristã.

Essa celebração resume a obra da salvação anunciada ao longo do ano litúrgico e confessa publicamente a fé no Deus Triuno. Além do mais, o Domingo da Trindade marca, em muitas tradições luteranas, o início do chamado “Tempo após Pentecostes”.

Para os luteranos, a festividade possui profundo valor catequético e doutrinário.

       Mateus 28.16 – 20 é entendido como a instituição do ministério da Palavra; a universalidade da missão da Igreja; a centralidade do Batismo e do ensino e a maravilhosa promessa da presença de Cristo.

Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18 – 20).

       Não é um mandamento missionário, é a própria estrutura da Igreja cristã. A missão não nasce da Igreja, mas da autoridade universal de Cristo. Cristo reina “no céu e na terra”; sobre reis, consciências, pecado e morte; e governa sua Igreja pela Palavra e pelos Sacramentos.

A missão da Igreja não é expansão institucional, mas administração dos meios da graça. Com essa afirmação destaco o perigo atual da igreja. Ouço pessoas dizendo: - essa igreja; - esse determinado pastor é missionário; e, acaba-se esquecendo que onde há pregação e administração dos sacramentos, ali há missão e a é pura atividade missionária de Deus.

       Jesus disse: “Fazei discípulos”. Como é possível fazer discípulos para Jesus?

       Isso acontece de duas formas inseparáveis, batizando e ensinando. Observe que a Igreja não converte por força; não produz fé por decisão humana. Isso se dá pela autoridade de Cristo que pelo Batismo e ensino faz discípulos.

Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18 – 20).

       Jesus destaca que a Igreja é essencialmente missionária.Todas as nações” significa judeus e gentios; pobres e ricos; toda língua e povo.

Jesus rejeita a ideia de uma Igreja fechada em um povo ou num território. A Igreja existe onde o Evangelho é pregado puramente e os sacramentos são administrados corretamente.

A eficácia da missão não depende da força humana, mas da presença contínua de Cristo.

       O ministério é instituído por Cristo e o pastor não fala em nome próprio; não governa por autoridade pessoal; ele é servo da Palavra.

       Jesus Cristo não mandou organizar poder político; transformar cultura pela espada ou produzir moralismo. Jesus enviou sua igreja para pregar, batizar e ensinar.

       “Eis que estou convosco…” é uma promessa diante do sofrimento pastoral; das fraquezas da Igreja e diante das perseguições. Essa promessa mostra a perpetuidade da Igreja.

Estou convosco todos os dias…” conforta a Igreja, destacando que ela jamais desaparecerá, não importa o sofrimento, as fraquezas e as perseguições. Cristo sempre preservará sua Igreja por sua Palavra e por seu Evangelho concedido no Batismo e no Ensino.

       Cristo possui toda autoridade; a Igreja existe para fazer discípulos; um discípulo é feito pelo Batismo e Ensino; o ministério é divinamente instituído; os meios da graça são centrais; a missão é universal; Cristo permanece presente em sua Igreja; não é apenas uma ordem, é a instituição contínua da Igreja.

       No Domingo da Santíssima Trindade confessamos que o próprio Deus entrou na história para resgatar o pecador. Cada vez que o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo é pronunciado no Batismo, na liturgia, o céu toca a terra e Deus vem ao encontro do pecador com graça, perdão e vida eterna.

A Igreja de Cristo sempre existirá, essa é a Palavra eterna do Deus Triuno. Quando chegar o último dia, veremos face a face aquele que confessamos pela fé, um só Deus, eternamente bendito, Pai, Filho e Espírito Santo, a quem pertence toda honra, glória, majestade e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 18 de maio de 2026

#O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja! (Números 11.24-30)

                                                    24 de maio de 2026

Domingo de Pentecostes

Salmo 25.1-15; Números 11.24-30; Atos 2.1-21; João 7.37-39

Tema: O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja!

Texto: Números 11.24-30

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, existe algo curioso sobre o fogo. Quando ele aparece, ninguém consegue ignorá-lo. O fogo chama atenção. Ele aquece, ilumina, consome e transforma. No Pentecostes, Deus decidiu se revelar justamente assim, em vento e fogo. Mas talvez a maior surpresa da Bíblia seja esta, o Pentecostes não começou em Atos 2.

Muito antes das línguas de fogo em Jerusalém, muito antes dos discípulos pregando às multidões, o Espírito Santo já estava agindo. Já fortalecia pecadores cansados. Já sustentava líderes abatidos. Já distribuía dons ao povo de Deus.

O Pentecostes começou muito antes do Espírito Santo visivelmente em Jerusalém. No deserto, em meio à murmuração, ao cansaço e à fraqueza, Deus já derramava o seu Espírito Santo.

E isso muda completamente a maneira como enxergamos Pentecostes.

Porque Pentecostes não é apenas um evento do passado. Pentecostes é o Espírito Santo trazendo vida onde existe desgaste. É Deus sustentando sua Igreja quando as forças acabam. É Cristo continuando a reunir pecadores pela sua Palavra.

E a mensagem de hoje é justamente esta: Ainda é Pentecostes.

Podemos falar de três “Pentecostes” bíblicos.

O primeiro aconteceu em Babel. Ali houve um “Pentecostes ao contrário”. As línguas dividiram os homens. O orgulho humano queria construir unidade sem Deus. O resultado foi confusão, dispersão e separação.

O segundo é o Pentecostes de Atos 2. O Espírito Santo desce sobre a Igreja e pessoas de muitas nações ouvem uma só mensagem, Cristo crucificado e ressurreto para salvação dos pecadores. O que Babel dividiu, o Evangelho começou a reunir.

Mas hoje o nosso olhar está sobre um terceiro Pentecostes, o Pentecostes do deserto, em Números 11.

Ali aprendemos algo fundamental, o Espírito Santo sempre foi o Deus que cria fé, sustenta seu povo e distribui dons para o cuidado da Igreja.

O Espírito Santo age em meio ao cansaço e à murmuração.

O povo caminhava pelo deserto. Deus sustentava diariamente Israel com o maná, o pão do céu. Mesmo assim, o povo reclamava.

A murmuração revelava um coração ingrato. O povo esquecia a graça recebida. O milagre diário já não bastava.

E Moisés também desanimou.

O grande líder, o homem escolhido por Deus, chega ao limite. Ele derrama diante do Senhor sua exaustão: “Eu sozinho não posso levar todo este povo” (Números 11.14).

Aqui vemos algo importante, até os servos de Deus enfraquecem.

O maior ataque do diabo contra o cristão não é apenas o sofrimento exterior, mas o desespero interior, quando o coração passa a duvidar da bondade de Deus. E é justamente aí que o Espírito Santo age. Não porque o povo merecesse. Não porque Moisés estivesse forte. Mas porque Deus é misericordioso. O Espírito Santo não é recompensa para os fortes. Ele é dádiva para pecadores cansados.

No Artigo V da Confissão de Augsburgo ensinamos que o Espírito Santo é dado através da Palavra e dos meios da graça para criar fé onde e quando Deus quiser. Ou seja, o Espírito Santo não vem porque o ser humano alcançou determinado nível espiritual. Ele vem porque Deus decidiu agir por misericórdia.

O Espírito Santo distribui dons para o cuidado do povo.

Deus manda separar setenta anciãos. E então acontece algo extraordinário: “o Senhor tomou do Espírito que estava sobre Moisés e o pôs sobre os setenta anciãos” (Números 11.25) e eles profetizaram.

Isso não significa que Moisés perdeu o Espírito. O Espírito Santo não se divide como um objeto. Ele é o próprio Deus agindo poderosamente em muitos ao mesmo tempo.

Toda verdadeira obra espiritual na Igreja é obra do Espírito Santo através da Palavra de Deus. Não existe ministério cristão sustentado pela capacidade humana. Por isso, Deus reparte dons.

O povo precisava de cuidado espiritual. Moisés não deveria carregar tudo sozinho. Aqui há uma grande lição para a Igreja, Pentecostes não é espetáculo espiritual. Pentecostes é Deus sustentando sua Igreja através da Palavra.

O Espírito Santo concede dons diferentes para servir o mesmo Cristo. Como escreve Paulo em 1Coríntios 12: “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Co 12. )

A Igreja não vive de carisma humano, estratégias humanas ou poder humano, mas exclusivamente do Evangelho em ação pelo Espírito Santo.

Onde a Palavra de Cristo é pregada, onde o Batismo é administrado, onde a absolvição é pronunciada, onde a Santa Ceia é recebida, ali o Espírito Santo está operando.

O Espírito Santo não pertence a um grupo exclusivo

Então surge o problema. Dois homens, Eldade e Medade, não estavam no tabernáculo. Mesmo assim receberam o Espírito e profetizaram. Josué ficou incomodado. Parecia errado. Parecia perda de controle. Parecia ameaça à autoridade. Mas Moisés responde: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Números 11.29).

Que palavras extraordinárias!

Moisés compreende algo que Josué ainda não entendia. o Espírito Santo não pertence a uma elite espiritual. O Espírito sopra onde quer.

Nos Evangelhos, os discípulos também tiveram ciúmes espirituais. João Batista enfrentou isso. Paulo enfrentou isso. E a Igreja continua enfrentando isso hoje.

Existe sempre a tentação de pensar, “só nós temos o Espírito”; “só nosso grupo”; “só nossa tradição”; “só nossa organização”. Mas Pentecostes destrói toda arrogância espiritual.

O Espírito Santo pertence a Cristo. E Cristo derrama seu Espírito para alcançar pecadores.

O Espírito Santo opera mediante a Palavra externa do Evangelho. Portanto, ninguém pode monopolizar o Espírito, manipulá-lo ou controlá-lo. Ele age soberanamente através do Evangelho de Cristo (Fórmula de Concórdia).

O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja!

No período da pandemia, muitos cultos foram transmitidos online e pessoas afastadas voltaram a ouvir o Evangelho. Muitas congregações continuaram a transmitir seus cultos e isso permite muitas pessoas ouvirem o Evangelho. Isso nos lembra algo precioso, o Espírito Santo não ficou e nem está preso a paredes dos templos.

Durante séculos, a Igreja se reuniu em casas, cavernas, prisões, campos e desertos. E o mesmo Espírito continuou agindo.

Quando a Palavra de Cristo é anunciada, o Espírito Santo continua chamando, iluminando, convertendo, santificando.

Martinho Lutero no significado do Terceiro Artigo do Credo explica: “Creio que não posso, por minha própria razão nem força, crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele; mas o Espírito Santo me chamou pelo Evangelho”.

Esse é o verdadeiro Pentecostes. Pentecostes não é primariamente emoção. Não é espetáculo. Não é exaltação humana. Pentecostes é Cristo sendo anunciado. E pecadores sendo trazidos à fé pelo Espírito Santo.

Queridos irmãos, ainda é Pentecostes.

Sempre que o Evangelho é pregado, ainda é Pentecostes.

Sempre que um pecador é chamado ao arrependimento, ainda é Pentecostes.

Sempre que alguém recebe o consolo do perdão, ainda é Pentecostes.

Sempre que uma pessoa afastada retorna a Cristo, ainda é Pentecostes.

O mesmo Espírito que agiu no deserto, o mesmo Espírito derramado em Jerusalém, continua agindo hoje através da Palavra e dos Sacramentos.

E esse Espírito sempre aponta para uma única realidade, Jesus Cristo, crucificado e ressurreto, o Salvador dos pecadores.

Queridos irmãos, o mundo procura poder em muitas coisas: influência, números, emoção, aparência, espetáculo. Mas Deus continua operando da mesma maneira simples e poderosa: através da sua Palavra.

O Espírito Santo continua agindo. Continua chamando. Continua reunindo. Continua perdoando. Continua restaurando pecadores cansados.

Ainda é Pentecostes quando uma criança é batizada. Ainda é Pentecostes quando um coração endurecido se arrepende. Ainda é Pentecostes quando um pecador escuta: “Teus pecados estão perdoados”. Ainda é Pentecostes quando Cristo é pregado.

O verdadeiro milagre de Pentecostes nunca foram apenas línguas de fogo. O verdadeiro milagre é que o Espírito Santo continua transformando corações mortos em povo vivo de Deus.

Esse mesmo Espírito que fortaleceu Moisés no deserto, que foi derramado sobre os discípulos em Jerusalém, continua hoje apontando para um único Salvador: Jesus Cristo, crucificado e ressurreto pelos pecadores.

Por isso, a Igreja não vive de força humana. Não vive de carisma humano. Não vive de estratégias humanas. A Igreja vive do Espírito Santo agindo através do Evangelho. E enquanto Cristo for anunciado, enquanto houver perdão para pecadores, enquanto o Evangelho for pregado, ainda será Pentecostes. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Olhos iluminados para Cristo (Ef 1.15-23)

 14 e 17 de maio de 2026

Ascensão do Senhor

Salmo 47; Atos 1.1-11; Efésios 1.15-23; Lucas 24.44-53

Texto: Efésios 1.15-23

Tema: Olhos iluminados para Cristo

 

          A Ascensão é uma solenidade litúrgica, comum em todas as Igrejas cristãs, que se celebra no quadragésimo dia após a Páscoa da Ressurreição.

          Nos versículos iniciais (Ef 1.3-14) o apóstolo Paulo exortou a agradecer a Deus por três motivos: pela obra da redenção (v. 6-7); por revelar esse plano secreto para a igreja (v.8-9); “...por Ele nos ter abençoado...” (Ef 1.3). Redenção, o plano secreto e a bênção é uma referência direta a Jesus Cristo. Tudo o que Deus fez e faz é “para o louvor da sua glória”.

A perícope de Efésios 1.15 a 23 é apenas uma frase. É a maior frase de toda a Bíblia. É possível dividir essa frase da seguinte maneira.

Versículos 15 e 16ª: ação de graças;

Versículos 16b ao 19ª: oração do apostolo pelos cristãos da Ásia Menor;

Versículos 19b ao 23: exaltação do poder de Deus dispensado para a igreja;

Os versos 15-23 é um documento anexo. É a página 2 do mesmo assunto.

...desde que ouvi falar da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor que vocês têm por todos os irmãos na fé, ... (Ef 1.15) é uma síntese perfeita que caracteriza a verdadeira Igreja: Fé e Amor.

Os Monges e ermitões, devido a sua fidelidade a Cristo, se separavam das pessoas e abandonavam atividades ordinárias da vida para permanecer isolados em lugares desérticos.

Os Caçadores de hereges da inquisição espanhola eram fiéis a Cristo a ponto de perseguir àqueles que pensavam de maneira diferente.

Os Fariseus tinham lealdade a Deus e isso os fazia se considerar justos a ponto de desprezar àqueles que consideravam menos leais.

A Igreja verdadeira atua em duplo amor. Amor a Cristo e amor aos homens. Por essa razão, Paulo destaca que “não para de agradecer a Deus por causa dos cristãos da Ásia Menor. Sempre se lembrava deles em suas orações” (Ef 1.16). A partir disso, Paulo desenvolve sua oração tríplice (Ef 1.17-19ª).

1) - Deus lhes dê o seu Espírito;

2) – Deus ilumine a mente;

3) – que os cristãos conheçam a esperança para a qual Deus os chamou;

Espírito de sabedoria (Ef 1.17): sofia, a sabedoria das coisas profundas de Deus. A súplica é para que a Igreja se aprofunde no conhecimento das verdades eternas.

Nesse ponto precisamos refletir sobre o que é necessário haver entre nós.

Ministério que ensine:A Bíblia, e somente a Bíblia, é a religião dos protestantes” (William Chillingworth). Não me interessa o que pense o pregador, mas Deus.

Sentido de proporção. É estranho na vida da Igreja que nos fóruns, seminários e assembléias, consagra-se horas para discussões dos problemas e dedica-se pouco tempo para estudo da Palavra de Deus. Quão importante seria marcarmos um dia inteiro para estudar determinado tema teológico?

É muito arriscado deixar de estudar. Certo dia fui consultar e o médico receitou um remédio que já havia deixado de fabricar há 10 anos. Isso mostra falta de capacitação, estudo, atualização.

O Espírito Santo age pelos meios da graça: Batismo, Pregação e Santa Ceia. Pelo poder do Espírito Santo, Deus nos é revelado e conhecemos o que precisa ser conhecido (Ef 1.17).

Dentro da Tríplice oração do apóstolo Paulo (Ef 1.17-19ª), ele ora:

Mente iluminada: ...Peço que Deus abra a mente de vocês...” (Ef 1.18). O pedido era para que tivessem os olhos iluminados do coração.

No Antigo Testamento, iluminar os olhos é uma expressão do Salmo 13.3, 19.8; Ed 9.8. No Antigo Testamento. coração designa o cerne do ser humano, o centro da pessoa.

A pergunta é: Por qual motivo Paulo faz esse pedido para que haja mente iluminada?

O fato é que a queda em pecado escureceu esse centro vital e o matou (Ef 4.18; 5.8; 2Co 4.4; Ef 2.5; 5.14). Por essa razão, só o Espírito é capaz de realizar tal obra (1Co 2.14-16; At 26.18). Essa iluminação só é comparada a criação da luz no primeiro dia (2Co 4.6).

O Espírito Santo só age pela Palavra e essa Palavra o Diabo deseja impedir que as pessoas escutem (2Co 4.4). Por isso, as pessoas cristãs sofrem tanto, pois, para tentar impedir de que ouçam a Palavra, o Diabo que anda em derredor, procurando alguém para devorar, lança toda sorte de infortúnios. Por essa razão, Jesus, ao ensinar a orar o Pai Nosso, nos exortou a pedir para que seja feita a vontade de Deus, assim na terra como no céu. Isso significa pedir para que Deus impeça que todo mau conselho e vontade dos que não nos querem deixar ouvir e crer na Palavra sejam impedidos.

O apóstolo Paulo súplica para que ao iluminar a mente da pessoa, todos compreendam a sua esperança que é a riqueza da sua herança.

Dentro da Tríplice oração do apóstolo Paulo (Ef 1.17-19ª), ele ora para que os cristãos conheçam a esperança para a qual Deus os chamou (Ef 1.19).

Essa esperança é a vida eterna. Jesus Ressuscitou e subiu vitorioso aos céus e a Igreja possui todo o poder na terra.

A época em que vivemos se caracteriza como sendo de desespero. Jamais foi tão necessário como agora fazer ouvir a mensagem da esperança cristã.

Recorde-se que o mundo não está caminhando para a dissolução, mas para consumação e Paulo deseja que os cristãos saibam como é grande o seu poder que age em nós, ... (Ef 1.19).

A igreja recebe e têm o poder de Deus em Cristo. Por essa razão é que Jesus garantiu que nem as portas do inferno irão prevalecer contra a igreja (Mt 16.18). Esse poder não é qualquer poder (Ef 1.19b-21). Esse poder foi dado para a igreja (Ef 1.22).

A igreja não é qualquer coisa. Ela é o corpo de Cristo. A igreja goza da mesma grandeza, poder e honra que Jesus Cristo goza. “Esse poder que age em nós é a mesma força poderosa que ele usou quando ressuscitou Cristo ...” (Ef 1.19b e 20).

O apóstolo Paulo ressalta a grandeza, a qualidade e a eficácia da igreja. Todavia, a igreja corre perigo de se afastar de Deus, mesmo possuindo todo esse poder, grandeza e qualidade.

Jesus Cristo exaltado se relaciona com a Igreja (Ef 1.22). Sendo o cabeça, Cristo não se sobrepõe a Igreja. Minha relação com Cristo é a relação com a Igreja. A Igreja obedece a Cristo (Ef 5.21); a Igreja se relaciona em amor uns com os outros (Ef 5.25). Cristo é a base e o alvo da Igreja em direção a qual a Igreja cresce e se desenvolve (Ef 4.15; 2.20).

A última parte da maior frase da Bíblia (Ef 1.15-23) traz dois pensamentos de suma importância. A Igreja é o corpo de Cristo; a Igreja completa Cristo (Ef 1.23). Aquilo que está na mente só faz efeito no corpo por causa do trabalho do corpo. Nesse sentido, a glória que Cristo oferece ao mundo só faz efeito pela atuação da Igreja.

Quero concluir com uma ilustração que se contava na igreja antiga:

Quando Jesus voltou para o céu conversou com o anjo Gabriel.

O anjo disse para Jesus: “sofreste terrivelmente lá abaixo entre os homens. E eles sabem o que fizeste por eles?

Jesus respondeu: “Oh, não! ainda não. Na realidade, apenas poucas pessoas na Palestina sabem”.

O anjo Gabriel questionou: “O que fez para que todos possam saber?

Jesus disse: “Pedi a Pedro, Tiago e João e mais alguns que dediquem suas vidas para falar de mim a outros. E estes outros para outros mais, e assim sucessivamente”.

Gabriel questionou: “mas o que acontecerá se Pedro, Tiago e João se cansarem; se os que venham depois deles se esquecerem? O que acontecerá se já não falarem mais de ti? Têm algum outro plano?

Jesus respondeu: “Não tenho nenhum outro plano; conto com eles”.

A Igreja é o corpo e o complemento de Cristo. Ou seja, Jesus conta conosco.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador (Jo 14.15-21)

 10 de maio de 2026

Sexto Domingo de Páscoa

Salmo 66.8-20; Atos 17.16-31; 1Pedro 3.13-22; João 14.15-21

Texto: João 14.15-21

Tema: Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador


Ser mãe em 2026 não é apenas cuidar, amar e educar, é também enfrentar um cenário de constantes tensões, julgamentos e limites redefinidos. Em meio a birras públicas, pressões sociais e mudanças legais, muitas mães se veem questionando se ainda sabem como exercer sua própria autoridade. O que antes era resolvido com rigidez, hoje exige equilíbrio, consciência e responsabilidade.

          A mãe vai no mercado com seu(sua) filho(a) e a criança quer algo e por não poder lhe dar, a criança se joga no chão, grita, chora. Diferentemente de antigamente, a mãe não pode bater, sacudir, puxar com força ou humilhar a criança.

          Diante dessa realidade, muitas mães sentem que a tarefa materna ficou limitada e está difícil lidar com o(a) filho(a).

          Ser mãe virou um exercício constante de navegação entre direitos, deveres e uma rede de proteção cada vez mais estruturada. Para muitos, isso parece sufocante à primeira vista, mas na prática tudo isso existe para apoiar.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) continua sendo a base, pois garante que crianças tenham prioridade absoluta em saúde, educação, segurança e convivência familiar. Recentemente, normas inspiradas na chamada Lei Henry Borel reforçaram mecanismos contra negligência e violência, inclusive dentro de casa. Isso trouxe mais responsabilidade para os pais, mas também mais suporte do Estado quando necessário.

Mãe você não está sozinha. Há mais estruturas, tais como escolas, conselhos tutelares, serviços de saúde e assistência social e eles não são “inimigos”, são parte de uma rede que pode ajudar em momentos difíceis.

O foco das leis não é impedir a educação, mas evitar a violência. Dar limites, corrigir e orientar continuam sendo parte essencial da maternidade, só que com respeito à integridade da criança.

Além das leis, existe o peso das redes sociais, opiniões externas e padrões irreais de “mãe perfeita”. Nenhuma legislação exige perfeição, apenas cuidado, proteção e responsabilidade.

Seja da família, profissionais ou serviços públicos, buscar apoio não é sinal de falha, é uma forma de garantir um ambiente melhor para você e seu filho. O cenário atual tenta equilibrar duas coisas: proteger a criança e preservar o papel da família.

          Diante disso, destaco as palavras de Jesus, narradas pelo evangelista João no trecho do capítulo 14.15-21, onde o próprio Jesus destaca sua presença e poder para caminhar junto ao cristão “o consolador e a evidência do amor divino”.

Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16).

          Eu pedirei ao Pai” o verbo ἐρωτήσω indica intercessão pessoal de Jesus. Não é uma súplica inferior, mas uma petição baseada na unidade entre o Filho e o Pai. Temos aqui uma dinâmica trinitária, onde o Filho pede, o Pai dá e o Espírito é enviado.

Ouvir Jesus dizer “Eu pedirei ao Pai”, nos conduz a refletir no fato de que sendo o Filho igual ao Pai, por que Jesus disse que iria “pedir” ao Pai? Jesus Cristo fala segundo sua natureza humana. Sendo Deus, Jesus é igual ao Pai; sendo homem, Jesus é intercessor, por isso no versículo 13 onde Jesus nos orienta a suplicar por seus méritos e nome.

O que Jesus pedirá ao Pai? Outro Auxiliador” (Jo 14.16). A palavra “outro” ἄλλον é crucial. “Outro” significa do mesmo tipo. O Espírito não é inferior nem diferente em essência de Jesus Cristo. “Auxiliadorπαράκλητος, consolador, advogado, ajudador, intercessor.

          Ao se destacar “outro Auxiliador” é preciso compreender que o termo “outro” evita confusão. Por outro se diz que o Espírito não é o Filho, mas também não é inferior a Jesus. Pai, Filho e Espírito compartilham a mesma essência e “outro” indica distinção de pessoa, não de natureza.

          O Espírito Santo assume o papel que Jesus exercia visivelmente de forma invisível. Jesus foi o primeiro parakletos (1João 2.1). O Espírito Santo é o segundo, não sendo inferior, mas continuando essa presença. Parakletos é o consolador em meio à perseguição e o defensor contra-acusação, em especial da consciência e do diabo. O paracleto combate o desespero espiritual.

          Esse paracleto é “O Espírito da verdade” pois revela Jesus Cristo. O Espírito Santo não apenas transmite, mas participa da essência divina da verdade e guia os discípulos à compreensão correta. Sem o Espírito Santo, a verdade pode ser ouvida, mas não entendida e crida.

A mãe e a família têm suporte para ajudar na educação do(a) filho(a). O discípulo também não está sozinho, o próprio Jesus disse que pediria ao Pai, o Espírito da Verdade, “para ficar com vocês para sempre” (Jo 14. 16). O Espírito Santo é uma permanência absoluta e isso contrasta com o Antigo Testamento, onde o Espírito Santo vinha temporariamente sobre pessoas específicas. Jesus anuncia que a partir da sua subida aos céus, o Espírito Santo habita permanentemente nos crentes. Enquanto em Jesus Cristo, a presença era visível; pelo Espírito Santo, a presença é interna e permanente.

Jesus se despede com a certeza de que não abandona os seus. O Espírito dá a presença contínua de Cristo e a garantia de que a fé não depende de sinais visíveis.

          O “para sempreεἰς τὸν αἰῶνα não é apenas “por muito tempo”. Jesus fala de presença eterna e irrevogável. A igreja vive sob uma nova realidade da presença divina.

          Esse é um dos textos mais claros sobre a Trindade. O Filho pede, o Pai envia e o Espírito habita. Todavia, não há hierarquia de inferioridade ou superioridade. Há distinção de pessoas e unidade de essência.

          O que temos aqui é que a igreja nunca está abandonada. A presença de Deus não é mais localizada apenas no templo. A comunhão com Cristo continua através do Espírito Santo.

O Espírito Santo torna Cristo presente. Ele ensina, consola e fortalece continuamente. O Espírito Santo nunca fala de si mesmo, Ele sempre aponta para Cristo.

          Ao expressar: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16) Jesus transmite a promessa viva para o cristão em meio à luta.

João 14.16–17 destaca a promessa de que a presença visível de Cristo será substituída por uma presença espiritual igualmente real, permanente e divina. O Espírito Santo, que habita nos crentes e mantém a comunhão viva com o próprio Cristo.

Diante de tantas exigências, transformações e inseguranças, uma verdade permanece firme: ninguém foi chamado para caminhar sozinho. Assim como a mãe encontra apoio em redes de cuidado e proteção, o cristão encontra no próprio Deus a presença constante que sustenta, orienta e consola.

A promessa de Jesus em João 14 não é apenas teológica, é profundamente prática, o Espírito Santo é o auxílio diário em meio às dúvidas, ao cansaço e às responsabilidades.

Ser mãe hoje exige mais consciência, mas também oferece mais suporte. Da mesma forma, viver a fé não elimina as dificuldades, mas garante companhia constante. O Espírito da verdade não apenas ensina, mas fortalece; não apenas orienta, mas permanece. E é nessa presença contínua que a mãe, a família e a igreja encontram não apenas direção, mas também esperança para continuar, mesmo nos dias mais difíceis. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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