25
de outubro 2026
Próprio
25 – Vigésimo Segundo Domingo após Pentecostes
Salmo
1; Levítico 19.1-2,15-18; 1Tessalonicenses 2.1-13; Mateus 22.34-46
Tema:
Do
espelho da Lei ao trono da graça
Meus
irmãos, o texto sagrado que nos é apresentado hoje coloca diante de nós duas
perguntas cruciais que definem o destino de toda alma humana. A primeira é
feita pelos fariseus a Jesus: “Qual é o grande
mandamento na lei?” A segunda é feita por Jesus aos fariseus: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho?”
Na
resposta a essas duas perguntas reside a chave para compreendermos a nossa
verdadeira condição diante de Deus e a gloriosa solução que Deus nos
providenciou em seu Filho Jesus.
Os
fariseus buscavam transformar a religião em um intrincado emaranhado de regras
para exaltação própria, Jesus reduz o debate à essência da relação do homem com
Deus. A incapacidade humana revelada na perfeição da Lei e a suficiência divina
revelada no Messias.
Quando
o doutor da Lei se aproxima de Jesus para testá-lo, nosso Senhor resume toda a
Lei de Deus em duas dimensões inseparáveis: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si
mesmo. Observe atentamente a profundidade dessa exigência: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de todo
o teu entendimento e de toda a tua alma”.
A
Lei de Deus não pede simplesmente uma conformidade externa, costumes religiosos
ou rituais aparentes. A Lei exige perfeição absoluta de motivações, afeições e pensamentos. Ela exige que o amor a
Deus e ao próximo seja o motor ininterrupto de cada pulsar do nosso coração. Contudo, devido à nossa natureza
caída, nenhum ser humano é capaz de cumprir essa ordem de forma perfeita.
Qual é, então, a função do Grande Mandamento?
Não é alimentar o orgulho moral. O
mandamento não foi dado para nos gabarmos de nossas boas obras. Os fariseus
buscavam na lei uma forma de autojustificação, apegando-se a regras externas
enquanto o coração permanecia distante e destituído de misericórdia. Aqui
recebemos uma advertência grave sobre uma ilusão. O maior erro da razão humana
é transformar a Lei em uma escada para o céu. Quando pregamos a Lei como meio
de salvação, deixamos os homens orgulhosos na sua hipocrisia ou desesperados no
seu pecado.
A Lei como Espelho. O
grande Mandamento funciona como um espelho divino. Ao olharmos para a perfeição
do amor exigido, não vemos a nossa grandeza, mas sim a nossa falência;
percebemos a nossa incapacidade, o nosso egoísmo e o nosso pecado. A Lei nos
mostra quem Deus é, Santo e
Perfeito, e quem nós somos, pecadores necessitados de redenção.
A
pergunta do doutor da Lei pretendia classificar obras de exterioridade, mas
Jesus usou a própria Lei para desnudar os impulsos secretos do coração humano.
Se
a história parasse aqui, estaríamos perdidos no desespero de uma condenação
inevitável. Mas louvado seja Deus, porque a história não termina no versículo
40!
Jesus
não deixa seus ouvintes presos ao desespero da Lei. Ele toma a iniciativa e
confronta os fariseus com uma pergunta acerca do Messias: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho?”
Prontamente, eles respondem: “De Davi”.
E, então, utilizando do Salmo 110.1, “Disse o
Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita...”, Jesus revela o
grande mistério de sua pessoa e obra.
Filho de Davi,
sua Humanidade: segundo a carne e a
descendência terrena, o Messias é homem verdadeiro, nascido da linhagem de
Davi.
Senhor de Davi,
sua Divindade: segundo a sua natureza
divina, Jesus é o eterno Deus, coexistente com o Pai.
Por que essa verdade é a nossa única esperança?
Aqui
entra o ensino doutrinário sobre as duas naturezas de Cristo. Para que Jesus
fosse o nosso Redentor, Jesus precisava ser verdadeiro homem para viver sob a
Lei e morrer em nosso lugar, e verdadeiro Deus para que a sua obediência e o seu
sacrifício tivessem um valor infinito e vencessem o poder da morte e da ira de
Deus. E essa verdade é destacada nos Credos da Igreja Cristã.
Aquilo
que a Lei exigia e nós não podemos cumprir, o “Senhor
de Davi” cumpriu por nós! Na sua humanidade, Jesus viveu em
obediência ativa perfeita, amando ao Pai e ao próximo sem falhas. Na sua
divindade, ofereceu-se na cruz em obediência passiva, vencendo os nossos
maiores inimigos: o pecado, a
morte e o diabo.
O
Evangelho não faz exigências, mas anuncia gratuitamente o que Cristo fez por
nós. Cristo é a solução para a impossibilidade oferecida pela Lei! Jesus é a
justiça que nos faltava e a redenção de que precisávamos.
Quando
o pecador é perdoado e justificado unicamente pela fé em Cristo, o puro
Evangelho, a sua relação com a Lei muda completamente.
Não
amamos a Deus e ao próximo para sermos salvos ou para merecermos o favor
divino. Não! Nós amamos porque fomos salvos! O amor e as boas obras deixam de
ser um fardo de barganha legalista e se tornam o fruto genuíno da gratidão e da
habitação do Espírito Santo em nosso coração. A Lei, que antes nos condenava
como um espelho de culpa, agora se torna para o cristão regenerado o trilho
seguro pelo qual caminhamos com alegria, impulsionados pelo amor de Cristo.
Meus irmãos, onde você se encontra hoje?
Você está tentando se justificar diante de Deus por meio de
rituais, tradições ou de uma moralidade aparente, como faziam os fariseus? Ou, você
reconheceu a sua incapacidade no espelho da Lei e correu para os braços daquele
que é o Filho e Senhor de Davi?
Que
o Espírito Santo nos tire de toda autoconfiança moral e nos leve ao pé da cruz
de Jesus. Nele, e somente Nele, encontramos o perdão das nossas falhas e a
força para amar a Deus e ao nosso próximo de todo o coração. Que assim seja.
Amém!
Edson
Ronaldo Tressmann
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