03 de maio de 2026
Quinto
Domingo de Páscoa
Salmo
146; Atos 6.1-9; 1Pedro 2.2-10; João 14.1-14
Texto:
João 14.1-14
Tema: Em
Jesus Cristo, temos um quarto no hotel de Deus!
Ao
dizer: “Não se turbe o vosso coração”
(Jo 14.1), Jesus não ignora a dor; na verdade, Jesus reconhece a dor e quer nos
ensinar como lidar com a dor.
“Não fiquem
aflitos” (Jo 14.1) é dito num momento de tensão.
Jesus havia acabado de anunciar sua
partida e a traição de um dos discípulos.
Quem acompanha os telejornais
diariamente, vive em tensão. Onde irá terminar todo esse cenário de guerra?
A Europa está se militarizando, pois há relatos de treinamento nuclear entre
França e Polônia. O que será de um mundo que está se comunicando menos por
palavras ditas?
“Não fiquem
aflitos” (Jo 14.1).
O verbo turbar, grego tarássō,
indica agitação interior e profunda, quase que um abalo existencial.
As palavras de Jesus: “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1), não é um
conselho emocional. Jesus relaciona um mandamento a fé: “Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim”
(Jo 14.1).
A aflição, a perturbação, é combatida
não por esforço psicológico, mas pela confiança em Jesus Cristo.
Essa palavra de Jesus Cristo é
profundamente pastoral. Jesus interpreta o “coração
turbado”, “coração aflito”,
como aquele oprimido não só pelo medo externo, mas também pela consciência do
pecado. Por isso, Jesus Cristo oferece consolo objetivo, destacando que a fé nEle
vence tanto o medo da morte quanto a acusação da Lei. O coração encontra paz
não olhando para si mesmo, mas para a promessa de Cristo, em especial a
preparação de um lugar na casa do Pai (Jo 14.2).
Tempos atrás recebi uma ligação na
madrugada. Era uma pessoa dizendo que não conseguia dormir. Se sentia ameaçado
e estava com medo.
Ameaças, doença grave, conduzem a
perturbação e aflição. E essa perturbação e aflição são frutos da Lei. Pois,
situações difíceis logo conduz ao pensamento do pecado cometido.
A notícia de que Jesus não estaria
mais fisicamente com eles e ter indicado o convívio com um traidor, levou
aqueles discípulos ao medo e aflição. E Jesus transmite uma palavra de puro
evangelho convidando a confiança.
Temos aqui uma promessa. Não é uma
exigência no sentido de que você pode se acalmar diante da crise. Na verdade,
Jesus convida a confiar mesmo quando tudo parece ruir.
Jesus não anuncia para que se pare de
sentir medo, o convite é confiar, apesar do medo, naquele que venceu por você.
Só se vence o medo na fé em Jesus Cristo. O medo permanece, mas, a confiança
leva a prosseguir.
“Não fiquem
aflitos” (Jo 14.1) é dito num momento de tensão. Jesus havia acabado
de anunciar sua partida e a traição de um dos discípulos e Jesus não faz um
apelo para a calma, pelo contrário, Jesus convoca à fé que repousa na promessa
de Cristo.
“Na
casa de meu Pai há muitas moradas...” (Jo 14.2).
As muitas
moradas é uma ênfase na generosidade da graça de Deus. A vida eterna
é um projeto divino. O arquiteto desse projeto é o Pai e o executor desse
projeto foi Jesus. Devido a obra de Jesus há lugar para o pecador. O céu não é
um clube fechado, exclusivo para os perfeitos, mas uma casa onde irá viver
eternamente na bem-aventurança quem é redimido. Por essa razão Jesus prometeu: “voltarei”.
A esperança cristã não é uma mera
filosofia, é uma Pessoa, Jesus.
Dentro do projeto de Deus, edificar um
hotel e dentro dele um quarto para o pecador redimido, não é mera ostentação, o
intuito é que cada quarto seja preenchido. Não haverá apenas 144 mil quartos!
Diante disso, Tomé, o discípulo da
racionalidade pergunta sobre o caminho e Jesus responde com uma declaração que
se tornou uma das mais conhecidas e citadas pelas pessoas: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo
14.6).
O comentarista bíblico R.C.H. Lenski
destaca que os artigos definidos no grego, hē hodos, hē alētheia, hē zōē,
são exclusivos. Por caminho, não se está falando de um mapa. É
uma trilha aberta pelo sangue. A verdade não é um conceito
abstrato, mas uma realidade última. Por vida se refere a própria
essência da existência eterna.
Jesus não é alguém que indica o
caminho, Jesus é o caminho. Jesus é a verdade absoluta, fora dele apenas
ilusão. Jesus é a vida, fora dele, há apenas morte eterna.
Precisamos recordar que a conversa de
Jesus com Filipe revela a cegueira espiritual das pessoas. Disse Jesus: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9),
afirmando sua plena divindade. E isso é confortante, pois saber que Jesus é
Deus, é reconhecer que Jesus governa o universo que não está sem controle.
Aquele que salvou, que lavou os pés dos discípulos, governa o mundo com amor,
graça e misericórdia.
As palavras de Jesus “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e
outras maiores fará, ...” (Jo 14.12), enumeram que as obras de Jesus
testificam sua identidade. E esse Jesus ao dizer que os seus fazem obras
maiores que Ele se refere a propagação do Evangelho que converte almas.
Caríssimo irmão e irmã na fé.
Precisamos nos lembrar que manter um templo ativo e com exercício do ministério
da pregação, significa que essa obra de Jesus continua sendo efetivada. Com
dons, talentos e bens materiais que recebemos de Deus, investimos na obra de
Deus, preencher os quartos do hotel divino.
“E tudo
quanto pedirdes em meu nome...” (Jo 14.13) não são palavras que significam
um “abre-te sésamo”. Aqui Jesus
ensina a orar de acordo com a sua vontade e seus méritos. E por essas palavras
retornamos a frase inicial de Jesus, “Não fiquem
aflitos” (Jo 14.1). Pare de olhar para sua perturbação e aflição,
olhe para a promessa de Jesus Cristo.
Ligar o televisor, ou acompanhar as
notícias pelas redes sociais, é fácil ficar agitado. Diante dessa agitação,
Jesus garante que na casa do seu Pai há muitas moradas. E ele voltará para
levar consigo os que morreram e os que estiverem vivos na fé em Cristo que é o
caminho, a verdade e a vida. Saiba que Jesus e o Pai governam esse mundo,
assim, continuemos fazendo a obra. Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann