segunda-feira, 18 de maio de 2026

#O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja! (Números 11.24-30)

                                                    24 de maio de 2026

Domingo de Pentecostes

Salmo 25.1-15; Números 11.24-30; Atos 2.1-21; João 7.37-39

Tema: O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja!

Texto: Números 11.24-30

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, existe algo curioso sobre o fogo. Quando ele aparece, ninguém consegue ignorá-lo. O fogo chama atenção. Ele aquece, ilumina, consome e transforma. No Pentecostes, Deus decidiu se revelar justamente assim, em vento e fogo. Mas talvez a maior surpresa da Bíblia seja esta, o Pentecostes não começou em Atos 2.

Muito antes das línguas de fogo em Jerusalém, muito antes dos discípulos pregando às multidões, o Espírito Santo já estava agindo. Já fortalecia pecadores cansados. Já sustentava líderes abatidos. Já distribuía dons ao povo de Deus.

O Pentecostes começou muito antes do Espírito Santo visivelmente em Jerusalém. No deserto, em meio à murmuração, ao cansaço e à fraqueza, Deus já derramava o seu Espírito Santo.

E isso muda completamente a maneira como enxergamos Pentecostes.

Porque Pentecostes não é apenas um evento do passado. Pentecostes é o Espírito Santo trazendo vida onde existe desgaste. É Deus sustentando sua Igreja quando as forças acabam. É Cristo continuando a reunir pecadores pela sua Palavra.

E a mensagem de hoje é justamente esta: Ainda é Pentecostes.

Podemos falar de três “Pentecostes” bíblicos.

O primeiro aconteceu em Babel. Ali houve um “Pentecostes ao contrário”. As línguas dividiram os homens. O orgulho humano queria construir unidade sem Deus. O resultado foi confusão, dispersão e separação.

O segundo é o Pentecostes de Atos 2. O Espírito Santo desce sobre a Igreja e pessoas de muitas nações ouvem uma só mensagem, Cristo crucificado e ressurreto para salvação dos pecadores. O que Babel dividiu, o Evangelho começou a reunir.

Mas hoje o nosso olhar está sobre um terceiro Pentecostes, o Pentecostes do deserto, em Números 11.

Ali aprendemos algo fundamental, o Espírito Santo sempre foi o Deus que cria fé, sustenta seu povo e distribui dons para o cuidado da Igreja.

O Espírito Santo age em meio ao cansaço e à murmuração.

O povo caminhava pelo deserto. Deus sustentava diariamente Israel com o maná, o pão do céu. Mesmo assim, o povo reclamava.

A murmuração revelava um coração ingrato. O povo esquecia a graça recebida. O milagre diário já não bastava.

E Moisés também desanimou.

O grande líder, o homem escolhido por Deus, chega ao limite. Ele derrama diante do Senhor sua exaustão: “Eu sozinho não posso levar todo este povo” (Números 11.14).

Aqui vemos algo importante, até os servos de Deus enfraquecem.

O maior ataque do diabo contra o cristão não é apenas o sofrimento exterior, mas o desespero interior, quando o coração passa a duvidar da bondade de Deus. E é justamente aí que o Espírito Santo age. Não porque o povo merecesse. Não porque Moisés estivesse forte. Mas porque Deus é misericordioso. O Espírito Santo não é recompensa para os fortes. Ele é dádiva para pecadores cansados.

No Artigo V da Confissão de Augsburgo ensinamos que o Espírito Santo é dado através da Palavra e dos meios da graça para criar fé onde e quando Deus quiser. Ou seja, o Espírito Santo não vem porque o ser humano alcançou determinado nível espiritual. Ele vem porque Deus decidiu agir por misericórdia.

O Espírito Santo distribui dons para o cuidado do povo.

Deus manda separar setenta anciãos. E então acontece algo extraordinário: “o Senhor tomou do Espírito que estava sobre Moisés e o pôs sobre os setenta anciãos” (Números 11.25) e eles profetizaram.

Isso não significa que Moisés perdeu o Espírito. O Espírito Santo não se divide como um objeto. Ele é o próprio Deus agindo poderosamente em muitos ao mesmo tempo.

Toda verdadeira obra espiritual na Igreja é obra do Espírito Santo através da Palavra de Deus. Não existe ministério cristão sustentado pela capacidade humana. Por isso, Deus reparte dons.

O povo precisava de cuidado espiritual. Moisés não deveria carregar tudo sozinho. Aqui há uma grande lição para a Igreja, Pentecostes não é espetáculo espiritual. Pentecostes é Deus sustentando sua Igreja através da Palavra.

O Espírito Santo concede dons diferentes para servir o mesmo Cristo. Como escreve Paulo em 1Coríntios 12: “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Co 12. )

A Igreja não vive de carisma humano, estratégias humanas ou poder humano, mas exclusivamente do Evangelho em ação pelo Espírito Santo.

Onde a Palavra de Cristo é pregada, onde o Batismo é administrado, onde a absolvição é pronunciada, onde a Santa Ceia é recebida, ali o Espírito Santo está operando.

O Espírito Santo não pertence a um grupo exclusivo

Então surge o problema. Dois homens, Eldade e Medade, não estavam no tabernáculo. Mesmo assim receberam o Espírito e profetizaram. Josué ficou incomodado. Parecia errado. Parecia perda de controle. Parecia ameaça à autoridade. Mas Moisés responde: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Números 11.29).

Que palavras extraordinárias!

Moisés compreende algo que Josué ainda não entendia. o Espírito Santo não pertence a uma elite espiritual. O Espírito sopra onde quer.

Nos Evangelhos, os discípulos também tiveram ciúmes espirituais. João Batista enfrentou isso. Paulo enfrentou isso. E a Igreja continua enfrentando isso hoje.

Existe sempre a tentação de pensar, “só nós temos o Espírito”; “só nosso grupo”; “só nossa tradição”; “só nossa organização”. Mas Pentecostes destrói toda arrogância espiritual.

O Espírito Santo pertence a Cristo. E Cristo derrama seu Espírito para alcançar pecadores.

O Espírito Santo opera mediante a Palavra externa do Evangelho. Portanto, ninguém pode monopolizar o Espírito, manipulá-lo ou controlá-lo. Ele age soberanamente através do Evangelho de Cristo (Fórmula de Concórdia).

O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja!

No período da pandemia, muitos cultos foram transmitidos online e pessoas afastadas voltaram a ouvir o Evangelho. Muitas congregações continuaram a transmitir seus cultos e isso permite muitas pessoas ouvirem o Evangelho. Isso nos lembra algo precioso, o Espírito Santo não ficou e nem está preso a paredes dos templos.

Durante séculos, a Igreja se reuniu em casas, cavernas, prisões, campos e desertos. E o mesmo Espírito continuou agindo.

Quando a Palavra de Cristo é anunciada, o Espírito Santo continua chamando, iluminando, convertendo, santificando.

Martinho Lutero no significado do Terceiro Artigo do Credo explica: “Creio que não posso, por minha própria razão nem força, crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele; mas o Espírito Santo me chamou pelo Evangelho”.

Esse é o verdadeiro Pentecostes. Pentecostes não é primariamente emoção. Não é espetáculo. Não é exaltação humana. Pentecostes é Cristo sendo anunciado. E pecadores sendo trazidos à fé pelo Espírito Santo.

Queridos irmãos, ainda é Pentecostes.

Sempre que o Evangelho é pregado, ainda é Pentecostes.

Sempre que um pecador é chamado ao arrependimento, ainda é Pentecostes.

Sempre que alguém recebe o consolo do perdão, ainda é Pentecostes.

Sempre que uma pessoa afastada retorna a Cristo, ainda é Pentecostes.

O mesmo Espírito que agiu no deserto, o mesmo Espírito derramado em Jerusalém, continua agindo hoje através da Palavra e dos Sacramentos.

E esse Espírito sempre aponta para uma única realidade, Jesus Cristo, crucificado e ressurreto, o Salvador dos pecadores.

Queridos irmãos, o mundo procura poder em muitas coisas: influência, números, emoção, aparência, espetáculo. Mas Deus continua operando da mesma maneira simples e poderosa: através da sua Palavra.

O Espírito Santo continua agindo. Continua chamando. Continua reunindo. Continua perdoando. Continua restaurando pecadores cansados.

Ainda é Pentecostes quando uma criança é batizada. Ainda é Pentecostes quando um coração endurecido se arrepende. Ainda é Pentecostes quando um pecador escuta: “Teus pecados estão perdoados”. Ainda é Pentecostes quando Cristo é pregado.

O verdadeiro milagre de Pentecostes nunca foram apenas línguas de fogo. O verdadeiro milagre é que o Espírito Santo continua transformando corações mortos em povo vivo de Deus.

Esse mesmo Espírito que fortaleceu Moisés no deserto, que foi derramado sobre os discípulos em Jerusalém, continua hoje apontando para um único Salvador: Jesus Cristo, crucificado e ressurreto pelos pecadores.

Por isso, a Igreja não vive de força humana. Não vive de carisma humano. Não vive de estratégias humanas. A Igreja vive do Espírito Santo agindo através do Evangelho. E enquanto Cristo for anunciado, enquanto houver perdão para pecadores, enquanto o Evangelho for pregado, ainda será Pentecostes. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Olhos iluminados para Cristo (Ef 1.15-23)

 14 e 17 de maio de 2026

Ascensão do Senhor

Salmo 47; Atos 1.1-11; Efésios 1.15-23; Lucas 24.44-53

Texto: Efésios 1.15-23

Tema: Olhos iluminados para Cristo

 

          A Ascensão é uma solenidade litúrgica, comum em todas as Igrejas cristãs, que se celebra no quadragésimo dia após a Páscoa da Ressurreição.

          Nos versículos iniciais (Ef 1.3-14) o apóstolo Paulo exortou a agradecer a Deus por três motivos: pela obra da redenção (v. 6-7); por revelar esse plano secreto para a igreja (v.8-9); “...por Ele nos ter abençoado...” (Ef 1.3). Redenção, o plano secreto e a bênção é uma referência direta a Jesus Cristo. Tudo o que Deus fez e faz é “para o louvor da sua glória”.

A perícope de Efésios 1.15 a 23 é apenas uma frase. É a maior frase de toda a Bíblia. É possível dividir essa frase da seguinte maneira.

Versículos 15 e 16ª: ação de graças;

Versículos 16b ao 19ª: oração do apostolo pelos cristãos da Ásia Menor;

Versículos 19b ao 23: exaltação do poder de Deus dispensado para a igreja;

Os versos 15-23 é um documento anexo. É a página 2 do mesmo assunto.

...desde que ouvi falar da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor que vocês têm por todos os irmãos na fé, ... (Ef 1.15) é uma síntese perfeita que caracteriza a verdadeira Igreja: Fé e Amor.

Os Monges e ermitões, devido a sua fidelidade a Cristo, se separavam das pessoas e abandonavam atividades ordinárias da vida para permanecer isolados em lugares desérticos.

Os Caçadores de hereges da inquisição espanhola eram fiéis a Cristo a ponto de perseguir àqueles que pensavam de maneira diferente.

Os Fariseus tinham lealdade a Deus e isso os fazia se considerar justos a ponto de desprezar àqueles que consideravam menos leais.

A Igreja verdadeira atua em duplo amor. Amor a Cristo e amor aos homens. Por essa razão, Paulo destaca que “não para de agradecer a Deus por causa dos cristãos da Ásia Menor. Sempre se lembrava deles em suas orações” (Ef 1.16). A partir disso, Paulo desenvolve sua oração tríplice (Ef 1.17-19ª).

1) - Deus lhes dê o seu Espírito;

2) – Deus ilumine a mente;

3) – que os cristãos conheçam a esperança para a qual Deus os chamou;

Espírito de sabedoria (Ef 1.17): sofia, a sabedoria das coisas profundas de Deus. A súplica é para que a Igreja se aprofunde no conhecimento das verdades eternas.

Nesse ponto precisamos refletir sobre o que é necessário haver entre nós.

Ministério que ensine:A Bíblia, e somente a Bíblia, é a religião dos protestantes” (William Chillingworth). Não me interessa o que pense o pregador, mas Deus.

Sentido de proporção. É estranho na vida da Igreja que nos fóruns, seminários e assembléias, consagra-se horas para discussões dos problemas e dedica-se pouco tempo para estudo da Palavra de Deus. Quão importante seria marcarmos um dia inteiro para estudar determinado tema teológico?

É muito arriscado deixar de estudar. Certo dia fui consultar e o médico receitou um remédio que já havia deixado de fabricar há 10 anos. Isso mostra falta de capacitação, estudo, atualização.

O Espírito Santo age pelos meios da graça: Batismo, Pregação e Santa Ceia. Pelo poder do Espírito Santo, Deus nos é revelado e conhecemos o que precisa ser conhecido (Ef 1.17).

Dentro da Tríplice oração do apóstolo Paulo (Ef 1.17-19ª), ele ora:

Mente iluminada: ...Peço que Deus abra a mente de vocês...” (Ef 1.18). O pedido era para que tivessem os olhos iluminados do coração.

No Antigo Testamento, iluminar os olhos é uma expressão do Salmo 13.3, 19.8; Ed 9.8. No Antigo Testamento. coração designa o cerne do ser humano, o centro da pessoa.

A pergunta é: Por qual motivo Paulo faz esse pedido para que haja mente iluminada?

O fato é que a queda em pecado escureceu esse centro vital e o matou (Ef 4.18; 5.8; 2Co 4.4; Ef 2.5; 5.14). Por essa razão, só o Espírito é capaz de realizar tal obra (1Co 2.14-16; At 26.18). Essa iluminação só é comparada a criação da luz no primeiro dia (2Co 4.6).

O Espírito Santo só age pela Palavra e essa Palavra o Diabo deseja impedir que as pessoas escutem (2Co 4.4). Por isso, as pessoas cristãs sofrem tanto, pois, para tentar impedir de que ouçam a Palavra, o Diabo que anda em derredor, procurando alguém para devorar, lança toda sorte de infortúnios. Por essa razão, Jesus, ao ensinar a orar o Pai Nosso, nos exortou a pedir para que seja feita a vontade de Deus, assim na terra como no céu. Isso significa pedir para que Deus impeça que todo mau conselho e vontade dos que não nos querem deixar ouvir e crer na Palavra sejam impedidos.

O apóstolo Paulo súplica para que ao iluminar a mente da pessoa, todos compreendam a sua esperança que é a riqueza da sua herança.

Dentro da Tríplice oração do apóstolo Paulo (Ef 1.17-19ª), ele ora para que os cristãos conheçam a esperança para a qual Deus os chamou (Ef 1.19).

Essa esperança é a vida eterna. Jesus Ressuscitou e subiu vitorioso aos céus e a Igreja possui todo o poder na terra.

A época em que vivemos se caracteriza como sendo de desespero. Jamais foi tão necessário como agora fazer ouvir a mensagem da esperança cristã.

Recorde-se que o mundo não está caminhando para a dissolução, mas para consumação e Paulo deseja que os cristãos saibam como é grande o seu poder que age em nós, ... (Ef 1.19).

A igreja recebe e têm o poder de Deus em Cristo. Por essa razão é que Jesus garantiu que nem as portas do inferno irão prevalecer contra a igreja (Mt 16.18). Esse poder não é qualquer poder (Ef 1.19b-21). Esse poder foi dado para a igreja (Ef 1.22).

A igreja não é qualquer coisa. Ela é o corpo de Cristo. A igreja goza da mesma grandeza, poder e honra que Jesus Cristo goza. “Esse poder que age em nós é a mesma força poderosa que ele usou quando ressuscitou Cristo ...” (Ef 1.19b e 20).

O apóstolo Paulo ressalta a grandeza, a qualidade e a eficácia da igreja. Todavia, a igreja corre perigo de se afastar de Deus, mesmo possuindo todo esse poder, grandeza e qualidade.

Jesus Cristo exaltado se relaciona com a Igreja (Ef 1.22). Sendo o cabeça, Cristo não se sobrepõe a Igreja. Minha relação com Cristo é a relação com a Igreja. A Igreja obedece a Cristo (Ef 5.21); a Igreja se relaciona em amor uns com os outros (Ef 5.25). Cristo é a base e o alvo da Igreja em direção a qual a Igreja cresce e se desenvolve (Ef 4.15; 2.20).

A última parte da maior frase da Bíblia (Ef 1.15-23) traz dois pensamentos de suma importância. A Igreja é o corpo de Cristo; a Igreja completa Cristo (Ef 1.23). Aquilo que está na mente só faz efeito no corpo por causa do trabalho do corpo. Nesse sentido, a glória que Cristo oferece ao mundo só faz efeito pela atuação da Igreja.

Quero concluir com uma ilustração que se contava na igreja antiga:

Quando Jesus voltou para o céu conversou com o anjo Gabriel.

O anjo disse para Jesus: “sofreste terrivelmente lá abaixo entre os homens. E eles sabem o que fizeste por eles?

Jesus respondeu: “Oh, não! ainda não. Na realidade, apenas poucas pessoas na Palestina sabem”.

O anjo Gabriel questionou: “O que fez para que todos possam saber?

Jesus disse: “Pedi a Pedro, Tiago e João e mais alguns que dediquem suas vidas para falar de mim a outros. E estes outros para outros mais, e assim sucessivamente”.

Gabriel questionou: “mas o que acontecerá se Pedro, Tiago e João se cansarem; se os que venham depois deles se esquecerem? O que acontecerá se já não falarem mais de ti? Têm algum outro plano?

Jesus respondeu: “Não tenho nenhum outro plano; conto com eles”.

A Igreja é o corpo e o complemento de Cristo. Ou seja, Jesus conta conosco.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador (Jo 14.15-21)

 10 de maio de 2026

Sexto Domingo de Páscoa

Salmo 66.8-20; Atos 17.16-31; 1Pedro 3.13-22; João 14.15-21

Texto: João 14.15-21

Tema: Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador


Ser mãe em 2026 não é apenas cuidar, amar e educar, é também enfrentar um cenário de constantes tensões, julgamentos e limites redefinidos. Em meio a birras públicas, pressões sociais e mudanças legais, muitas mães se veem questionando se ainda sabem como exercer sua própria autoridade. O que antes era resolvido com rigidez, hoje exige equilíbrio, consciência e responsabilidade.

          A mãe vai no mercado com seu(sua) filho(a) e a criança quer algo e por não poder lhe dar, a criança se joga no chão, grita, chora. Diferentemente de antigamente, a mãe não pode bater, sacudir, puxar com força ou humilhar a criança.

          Diante dessa realidade, muitas mães sentem que a tarefa materna ficou limitada e está difícil lidar com o(a) filho(a).

          Ser mãe virou um exercício constante de navegação entre direitos, deveres e uma rede de proteção cada vez mais estruturada. Para muitos, isso parece sufocante à primeira vista, mas na prática tudo isso existe para apoiar.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) continua sendo a base, pois garante que crianças tenham prioridade absoluta em saúde, educação, segurança e convivência familiar. Recentemente, normas inspiradas na chamada Lei Henry Borel reforçaram mecanismos contra negligência e violência, inclusive dentro de casa. Isso trouxe mais responsabilidade para os pais, mas também mais suporte do Estado quando necessário.

Mãe você não está sozinha. Há mais estruturas, tais como escolas, conselhos tutelares, serviços de saúde e assistência social e eles não são “inimigos”, são parte de uma rede que pode ajudar em momentos difíceis.

O foco das leis não é impedir a educação, mas evitar a violência. Dar limites, corrigir e orientar continuam sendo parte essencial da maternidade, só que com respeito à integridade da criança.

Além das leis, existe o peso das redes sociais, opiniões externas e padrões irreais de “mãe perfeita”. Nenhuma legislação exige perfeição, apenas cuidado, proteção e responsabilidade.

Seja da família, profissionais ou serviços públicos, buscar apoio não é sinal de falha, é uma forma de garantir um ambiente melhor para você e seu filho. O cenário atual tenta equilibrar duas coisas: proteger a criança e preservar o papel da família.

          Diante disso, destaco as palavras de Jesus, narradas pelo evangelista João no trecho do capítulo 14.15-21, onde o próprio Jesus destaca sua presença e poder para caminhar junto ao cristão “o consolador e a evidência do amor divino”.

Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16).

          Eu pedirei ao Pai” o verbo ἐρωτήσω indica intercessão pessoal de Jesus. Não é uma súplica inferior, mas uma petição baseada na unidade entre o Filho e o Pai. Temos aqui uma dinâmica trinitária, onde o Filho pede, o Pai dá e o Espírito é enviado.

Ouvir Jesus dizer “Eu pedirei ao Pai”, nos conduz a refletir no fato de que sendo o Filho igual ao Pai, por que Jesus disse que iria “pedir” ao Pai? Jesus Cristo fala segundo sua natureza humana. Sendo Deus, Jesus é igual ao Pai; sendo homem, Jesus é intercessor, por isso no versículo 13 onde Jesus nos orienta a suplicar por seus méritos e nome.

O que Jesus pedirá ao Pai? Outro Auxiliador” (Jo 14.16). A palavra “outro” ἄλλον é crucial. “Outro” significa do mesmo tipo. O Espírito não é inferior nem diferente em essência de Jesus Cristo. “Auxiliadorπαράκλητος, consolador, advogado, ajudador, intercessor.

          Ao se destacar “outro Auxiliador” é preciso compreender que o termo “outro” evita confusão. Por outro se diz que o Espírito não é o Filho, mas também não é inferior a Jesus. Pai, Filho e Espírito compartilham a mesma essência e “outro” indica distinção de pessoa, não de natureza.

          O Espírito Santo assume o papel que Jesus exercia visivelmente de forma invisível. Jesus foi o primeiro parakletos (1João 2.1). O Espírito Santo é o segundo, não sendo inferior, mas continuando essa presença. Parakletos é o consolador em meio à perseguição e o defensor contra-acusação, em especial da consciência e do diabo. O paracleto combate o desespero espiritual.

          Esse paracleto é “O Espírito da verdade” pois revela Jesus Cristo. O Espírito Santo não apenas transmite, mas participa da essência divina da verdade e guia os discípulos à compreensão correta. Sem o Espírito Santo, a verdade pode ser ouvida, mas não entendida e crida.

A mãe e a família têm suporte para ajudar na educação do(a) filho(a). O discípulo também não está sozinho, o próprio Jesus disse que pediria ao Pai, o Espírito da Verdade, “para ficar com vocês para sempre” (Jo 14. 16). O Espírito Santo é uma permanência absoluta e isso contrasta com o Antigo Testamento, onde o Espírito Santo vinha temporariamente sobre pessoas específicas. Jesus anuncia que a partir da sua subida aos céus, o Espírito Santo habita permanentemente nos crentes. Enquanto em Jesus Cristo, a presença era visível; pelo Espírito Santo, a presença é interna e permanente.

Jesus se despede com a certeza de que não abandona os seus. O Espírito dá a presença contínua de Cristo e a garantia de que a fé não depende de sinais visíveis.

          O “para sempreεἰς τὸν αἰῶνα não é apenas “por muito tempo”. Jesus fala de presença eterna e irrevogável. A igreja vive sob uma nova realidade da presença divina.

          Esse é um dos textos mais claros sobre a Trindade. O Filho pede, o Pai envia e o Espírito habita. Todavia, não há hierarquia de inferioridade ou superioridade. Há distinção de pessoas e unidade de essência.

          O que temos aqui é que a igreja nunca está abandonada. A presença de Deus não é mais localizada apenas no templo. A comunhão com Cristo continua através do Espírito Santo.

O Espírito Santo torna Cristo presente. Ele ensina, consola e fortalece continuamente. O Espírito Santo nunca fala de si mesmo, Ele sempre aponta para Cristo.

          Ao expressar: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16) Jesus transmite a promessa viva para o cristão em meio à luta.

João 14.16–17 destaca a promessa de que a presença visível de Cristo será substituída por uma presença espiritual igualmente real, permanente e divina. O Espírito Santo, que habita nos crentes e mantém a comunhão viva com o próprio Cristo.

Diante de tantas exigências, transformações e inseguranças, uma verdade permanece firme: ninguém foi chamado para caminhar sozinho. Assim como a mãe encontra apoio em redes de cuidado e proteção, o cristão encontra no próprio Deus a presença constante que sustenta, orienta e consola.

A promessa de Jesus em João 14 não é apenas teológica, é profundamente prática, o Espírito Santo é o auxílio diário em meio às dúvidas, ao cansaço e às responsabilidades.

Ser mãe hoje exige mais consciência, mas também oferece mais suporte. Da mesma forma, viver a fé não elimina as dificuldades, mas garante companhia constante. O Espírito da verdade não apenas ensina, mas fortalece; não apenas orienta, mas permanece. E é nessa presença contínua que a mãe, a família e a igreja encontram não apenas direção, mas também esperança para continuar, mesmo nos dias mais difíceis. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

Se quiser fazer um pix solidário

edson.ronaldotre@gmail.com

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Em Jesus Cristo, temos um quarto no hotel de Deus! (João 14.1-14)

 03 de maio de 2026

Quinto Domingo de Páscoa

Salmo 146; Atos 6.1-9; 1Pedro 2.2-10; João 14.1-14

Texto: João 14.1-14

Tema: Em Jesus Cristo, temos um quarto no hotel de Deus!

 

Ao dizer: “Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.1), Jesus não ignora a dor; na verdade, Jesus reconhece a dor e quer nos ensinar como lidar com a dor.

          Não fiquem aflitos” (Jo 14.1) é dito num momento de tensão.

          Jesus havia acabado de anunciar sua partida e a traição de um dos discípulos.

          Quem acompanha os telejornais diariamente, vive em tensão. Onde irá terminar todo esse cenário de guerra? A Europa está se militarizando, pois há relatos de treinamento nuclear entre França e Polônia. O que será de um mundo que está se comunicando menos por palavras ditas?

          Não fiquem aflitos” (Jo 14.1).

          O verbo turbar, grego tarássō, indica agitação interior e profunda, quase que um abalo existencial.

          As palavras de Jesus: “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1), não é um conselho emocional. Jesus relaciona um mandamento a fé: “Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim” (Jo 14.1).

          A aflição, a perturbação, é combatida não por esforço psicológico, mas pela confiança em Jesus Cristo.

          Essa palavra de Jesus Cristo é profundamente pastoral. Jesus interpreta o “coração turbado”, “coração aflito”, como aquele oprimido não só pelo medo externo, mas também pela consciência do pecado. Por isso, Jesus Cristo oferece consolo objetivo, destacando que a fé nEle vence tanto o medo da morte quanto a acusação da Lei. O coração encontra paz não olhando para si mesmo, mas para a promessa de Cristo, em especial a preparação de um lugar na casa do Pai (Jo 14.2).

          Tempos atrás recebi uma ligação na madrugada. Era uma pessoa dizendo que não conseguia dormir. Se sentia ameaçado e estava com medo.

          Ameaças, doença grave, conduzem a perturbação e aflição. E essa perturbação e aflição são frutos da Lei. Pois, situações difíceis logo conduz ao pensamento do pecado cometido.

          A notícia de que Jesus não estaria mais fisicamente com eles e ter indicado o convívio com um traidor, levou aqueles discípulos ao medo e aflição. E Jesus transmite uma palavra de puro evangelho convidando a confiança.

          Temos aqui uma promessa. Não é uma exigência no sentido de que você pode se acalmar diante da crise. Na verdade, Jesus convida a confiar mesmo quando tudo parece ruir.

          Jesus não anuncia para que se pare de sentir medo, o convite é confiar, apesar do medo, naquele que venceu por você. Só se vence o medo na fé em Jesus Cristo. O medo permanece, mas, a confiança leva a prosseguir.

          Não fiquem aflitos” (Jo 14.1) é dito num momento de tensão. Jesus havia acabado de anunciar sua partida e a traição de um dos discípulos e Jesus não faz um apelo para a calma, pelo contrário, Jesus convoca à fé que repousa na promessa de Cristo.

          Na casa de meu Pai há muitas moradas...” (Jo 14.2).

          As muitas moradas é uma ênfase na generosidade da graça de Deus. A vida eterna é um projeto divino. O arquiteto desse projeto é o Pai e o executor desse projeto foi Jesus. Devido a obra de Jesus há lugar para o pecador. O céu não é um clube fechado, exclusivo para os perfeitos, mas uma casa onde irá viver eternamente na bem-aventurança quem é redimido. Por essa razão Jesus prometeu: “voltarei”.

          A esperança cristã não é uma mera filosofia, é uma Pessoa, Jesus.

          Dentro do projeto de Deus, edificar um hotel e dentro dele um quarto para o pecador redimido, não é mera ostentação, o intuito é que cada quarto seja preenchido. Não haverá apenas 144 mil quartos!

          Diante disso, Tomé, o discípulo da racionalidade pergunta sobre o caminho e Jesus responde com uma declaração que se tornou uma das mais conhecidas e citadas pelas pessoas: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14.6).

          O comentarista bíblico R.C.H. Lenski destaca que os artigos definidos no grego, hē hodos, hē alētheia, hē zōē, são exclusivos. Por caminho, não se está falando de um mapa. É uma trilha aberta pelo sangue. A verdade não é um conceito abstrato, mas uma realidade última. Por vida se refere a própria essência da existência eterna.

          Jesus não é alguém que indica o caminho, Jesus é o caminho. Jesus é a verdade absoluta, fora dele apenas ilusão. Jesus é a vida, fora dele, há apenas morte eterna.

          Precisamos recordar que a conversa de Jesus com Filipe revela a cegueira espiritual das pessoas. Disse Jesus: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9), afirmando sua plena divindade. E isso é confortante, pois saber que Jesus é Deus, é reconhecer que Jesus governa o universo que não está sem controle. Aquele que salvou, que lavou os pés dos discípulos, governa o mundo com amor, graça e misericórdia.

          As palavras de Jesus “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, ...” (Jo 14.12), enumeram que as obras de Jesus testificam sua identidade. E esse Jesus ao dizer que os seus fazem obras maiores que Ele se refere a propagação do Evangelho que converte almas.

          Caríssimo irmão e irmã na fé. Precisamos nos lembrar que manter um templo ativo e com exercício do ministério da pregação, significa que essa obra de Jesus continua sendo efetivada. Com dons, talentos e bens materiais que recebemos de Deus, investimos na obra de Deus, preencher os quartos do hotel divino.

          E tudo quanto pedirdes em meu nome...” (Jo 14.13) não são palavras que significam um “abre-te sésamo”. Aqui Jesus ensina a orar de acordo com a sua vontade e seus méritos. E por essas palavras retornamos a frase inicial de Jesus, “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1). Pare de olhar para sua perturbação e aflição, olhe para a promessa de Jesus Cristo.

          Ligar o televisor, ou acompanhar as notícias pelas redes sociais, é fácil ficar agitado. Diante dessa agitação, Jesus garante que na casa do seu Pai há muitas moradas. E ele voltará para levar consigo os que morreram e os que estiverem vivos na fé em Cristo que é o caminho, a verdade e a vida. Saiba que Jesus e o Pai governam esse mundo, assim, continuemos fazendo a obra. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 20 de abril de 2026

De ovelhas perdidas ao cuidado do Pastor das nossas almas! (1Pedro 2.19-25)

 Quarto domingo de Páscoa

26 de Abril de 2026

Salmo 23; Atos 2.42-47; 1Pedro 2.19-25; João 10.1-10

Texto: 1Pedro 2.25

Tema: De ovelhas perdidas ao cuidado do Pastor das nossas almas!

 

Vocês eram como ovelhas que haviam perdido o caminho, mas agora foram trazidos de volta para seguir o Pastor, que cuida da vida espiritual de vocês” (1Pe 2.25).

O texto grego: ἐπεστράφητε νῦν ἐπὶ τὸν ποιμένα καὶ ἐπίσκοπον τῶν ψυχῶν ὑμῶν, traz dois títulos cristológicos: ποιμήν (poimēn): Pastor; ἐπίσκοπος (episkopos): Supervisor/Bispo.

Com esses termos, o apóstolo Pedro enumera duas dimensões complementares do cuidado de Jesus Cristo.

A Bíblia nos compara com ovelhas e isso não se deve a nossa “fofura”, mas é devido à distração e vulnerabilidade. E por causa disso, é tão urgente e necessário o cuidado de Jesus.

Ποιμήν (poimēn): o pastor que guia, alimenta e resgata.

A palavra poimēn era usada literalmente para pastores de ovelhas. No contexto bíblico esse termo assume forte carga teológica, pois no Antigo Testamento, Deus é descrito como o Pastor de Israel (Salmo 23); os líderes, sendo bons ou maus, eram chamados de pastores do povo. No Novo Testamento, Jesus é descrito como o pastor que assumiu esse papel de forma plena. O próprio Cristo disse: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10).

Ao fazer uso da expressão ποιμήν (poimēn), o apóstolo Pedro ecoa essa interpretação e mostra que Jesus Cristo não apenas aponta o caminho, Jesus conduz pessoalmente. Jesus é àquele que restaura o que está perdido, lembrando assim a mensagem do profeta Ezequiel.

Ao usar essa expressão ποιμήν (poimēn), Pedro não quer apenas dizer que a ovelha é provida, conduzida intencionalmente e buscada por Jesus Cristo, seu intuito é destacar o cuidado relacional e sacrificial de Jesus por sua ovelha.

Por ἐπίσκοπος (episkopos), o apóstolo Pedro destaca que Jesus é o supervisor que vigia e guarda. Jesus é aquele que observa por cima (epi = sobre; skopeō = observar, vigiar). Numa linguagem atual, Jesus é o drone que observa por cima o tempo todo. Ele é um guardião atento.

ἐπίσκοπος (episkopos) ocorre em Atos 20.28 e 1Timóteo 3.1-7, todavia, aqui no texto de 1Pedro 2.25, o destaque é que Jesus é o guardião de nossas almas. Enquanto Lucas em Atos 20.28 e Paulo em 1Timóteo 3.1-7 descrevem a organização da igreja, Pedro enumera que Jesus não é um inspetor que pune, mas um supervisor que supervisiona para preservar e atentamente curar.

Vocês eram como ovelhas que haviam perdido o caminho, mas agora foram trazidos de volta para seguir o Pastor, que cuida da vida espiritual de vocês” (1Pe 2.25).

Quando o apostolo Pedro interliga os dois títulos cristológicos, ποιμήν (poimēn), Pastor; e, ἐπίσκοπος (episkopos), Supervisor/Bispo, visa formar uma cristologia pastoral completa, enumerando o cuidado visível, próximo, afetivo (ποιμήν, poimēn) e o cuidado invisível, constante e intencional (ἐπίσκοπος (episkopos). Jesus Cristo é aquele que cuida caminhando conosco e observando profundamente.

          Vocês eram como ovelhas que haviam perdido o caminho, mas agora foram trazidos de volta para seguir o Pastor, que cuida da vida espiritual de vocês” (1Pe 2.25). O texto grego: “ἐπεστράφητε νῦν ἐπὶ τὸν ποιμένα καὶ ἐπίσκοπον τῶν ψυχῶν ὑμῶν” traz como verbo central “ἐπεστράφητε, vocês foram trazidos de volta.

Esse verbo está na voz passiva, isso indica que “não foram vocês que voltaram”, mas “vocês foram reconduzidos”.

O significado é que a ovelha não se salva sozinha, é o Pastor que a traz de volta. A iniciativa é divina. É uma ação redentora. É um cuidado contínuo. O Pastor que traz a ovelha de volta, cuida da alma da sua ovelha.

          A imagem que Pedro retrata é de que a ovelha que estava desgarrada, ou seja, que vivia em vulnerabilidade total, sendo trazida de volta, está sob cuidado pastoral (poimēn) e vigilância amorosa (episkopos).

O apóstolo Pedro descreve a natureza do relacionamento entre Jesus Cristo e sua ovelha, onde nos conduz e supervisiona a nossa alma. Jesus busca sua ovelha quando está perdida e a carrega quando ferida e, observa quando está frágil e a sustenta continuamente.

A imagem do “Pastor e Bispo das nossas almas” resume o coração do Evangelho, pois descreve a transição do estado de perdição para o estado de cuidado contínuo, pois a ovelha é um animal que precisa de um pastor. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cristo caminha com discípulos em fuga (Lc 24.13-35)

 Terceiro Domingo de Páscoa

19 de abril de 2026

Salmo 116.1-14; Atos 2.14a,36-41; 1Pedro 1.17-25; Lucas 24.13-35

Texto: Lucas 24.13–35

Tema: Cristo caminha com discípulos em fuga.

 

Há algo profundamente humano nessa cena.

Dois discípulos caminham… mas não é apenas uma caminhada. É uma fuga.

Um pastor contou que, certa vez, percebeu que um membro fiel da igreja havia “sumido” aos poucos. Ele não saiu brigado. Não negou a fé. Apenas começou a faltar… depois parou de servir… depois desapareceu.

Meses depois, ao reencontrá-lo, ouviu: “Pastor, eu não saí da igreja de uma vez… fui saindo por dentro”.

É exatamente isso que está acontecendo nesse texto, conforme narrado por Lucas.

Eles estão indo embora… por dentro.

          Discípulos podem estar em fuga sem perceber.

          Não abandonaram oficialmente. Mas estão longe no coração.

É como alguém em um relacionamento que ainda mora na mesma casa… mas emocionalmente já foi embora. Fala. Convive. Responde. Mas não está mais presente.

Há pessoas na igreja hoje que estão presentes no corpo, mas ausentes na alma.

Aqueles discípulos estavam caminhando, uma caminhada de 11Km e enquanto caminhavam conversavam sobre tudo… mas continuavam confusos.

É como assistir a um filme complexo e, ao final, discutir a história… sem realmente entender o enredo. Você viu as cenas… mas não captou o significado.

Assim estavam os discípulos: viram os acontecimentos, mas não entenderam o plano de Deus.

Atualmente temos muito conteúdo, mas pouca compreensão.

          Jesus está com eles… e eles não sabem.

Há uma história conhecida de um homem que sonhou que caminhava com Deus na praia. Ele via dois pares de pegadas. Mas nos momentos mais difíceis… havia apenas um par.

Ele perguntou: “Senhor, por que me deixaste sozinho?” E Deus respondeu: “Não te deixei. Foi ali que eu te carreguei”.

A presença de Deus não depende da nossa percepção.

Você pode não sentir… mas Cristo não te abandonou.

          Aqueles discípulos sabiam de tudo. Jesus falou sobre a cruz, morte e sobre o túmulo vazio, todavia, não entenderam.

É como alguém que recebe um diagnóstico médico com todos os exames em mãos… mas não entende o que aquilo significa sem o médico explicar.

Eles ouviram isso tudo de Jesus e ouviram os fatos testemunhado pelas mulheres, alguns discípulos. Os dados estavam lá. Mas faltava interpretação. Aliás, devido a uma interpretação equivocada do messianismo a partir do Antigo Testamento é que estavam desapontados e desesperançados. Sem a interpretação correta da Escritura, os fatos não produzem fé.

          Jesus os chama de “néscios e tardos de coração”, ou seja, não entendiam e não respondiam. Eram lerdos demais para compreender e aceitar a verdade diante dos olhos.

Uma criança pode ouvir o conselho dos pais várias vezes… entender as palavras… mas demorar a obedecer. Não é falta de audição. É resistência. Assim somos nós muitas vezes com Deus.

O problema não é “não saber” … é “não querer crer imediatamente”.

          Jesus começa a explicar as Escrituras.

Um viajante perdido em uma estrada escura não precisa de emoção… precisa de luz. A Palavra é essa luz. A luz não substitui o caminho, revela o caminho.

A igreja não precisa de mais entretenimento espiritual. Precisa de clareza bíblica.

          Eles disseram que enquanto Jesus explicava as Escrituras “o coração ardia…”.

É como quando alguém lembra de algo que reacende a esperança uma promessa, uma palavra, uma verdade esquecida. De repente, algo muda por dentro… mesmo antes das circunstâncias mudarem.

Deus trabalha primeiro no interior, depois no exterior.

          No partir do pão, eles reconhecem Jesus.

Há momentos simples da vida, uma mesa, uma conversa, um encontro que marcam mais do que grandes eventos.

Deus muitas vezes se revela no ordinário. Não despreze a comunhão, a igreja local, os momentos simples. Não se desconecte. Que o wifi da comunhão esteja sempre conectado pela Palavra e Santa Ceia. A conexão nos faz voltar a caminhar seguro.

Se Cristo te alcança… você não continua no mesmo caminho.

          Quando alguém encontra algo valioso, uma cura, uma solução, uma alegria, não consegue guardar só para si. Testemunho não é obrigação. É transbordamento.

          Todos nós, em algum momento, somos esses discípulos. Confusos, desanimados, caminhando na direção errada. Todavia, Cristo vem ao nosso encontro; Cristo nos confronta; Cristo nos ensina; Cristo se revela.

          Imagine alguém caminhando à noite, sem direção… até que alguém se aproxima com uma lanterna e diz: “Você está no caminho errado, mas eu posso te mostrar o caminho de volta”.

Muitas pessoas estão caminhando em meio a confusão, desesperançadas. Cristo, a luz do mundo caminha ao lado. E o seu caminhar, não é para te condenar, mas para trazer de volta ao caminho e a dar novamente a conexão.

Quando Cristo é reconhecido… o caminho de volta nunca é pesado demais.

Ninguém é capaz de produzir fé. A fé nasce pela Palavra e pelos Meios de Graça. Não é o homem que sobe até Deus. É Deus que desce até o homem, pela Palavra.

          Cristo continua vindo ao encontro do caminhante confuso e desesperançado. Cristo continua falando pela Palavra. Cristo continua se dando nos Sacramentos para que corações voltam a arder, olhos sejam abertos e vidas conectadas a comunhão. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

Faltam nove sermões para 1 mil sermões publicados nesse blog.

Se desejar fazer um pix voluntário: edson.ronaldotre@gmail.com

#O Pentecostes do deserto e o Pentecostes da Igreja! (Números 11.24-30)

                                                     24 de maio de 2026 Domingo de Pentecostes Salmo 25.1-15; Números 11.24-30; Atos 2.1...