quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quando as águas se levantam, Cristo continua sendo o Senhor.

09 de agosto de 2026 - Próprio 14 – 11° Domingo após Pentecostes

Salmo 18.1-6; Jó 38.4-18; Romanos 10.5-17; Mateus 14.22-33

Tema: Quando as águas se levantam, Cristo continua sendo o Senhor.

 

Será que Deus está vendo o que está acontecendo comigo?

O Salmo 18 é um cântico de Davi após experimentar a libertação de Deus. O contexto indica que Davi não está falando de uma teoria sobre Deus, fala como alguém que foi cercado pela morte e experimentou a intervenção divina.

Ao escrever “Eu te amo, ó Senhor, força minha” usando o verbo רָחַם (rāḥam) no sentido de amar profundamente, ter compaixão, demonstrar afeição, Davi não está destacando que “ele é forte”, mas que “Deus é a sua força”.

Temos aqui uma das grandes diferenças entre a fé bíblica e a espiritualidade moderna. A espiritualidade moderna diz que você precisa descobrir a força que existe dentro de você. A fé bíblica anuncia descubra aquele que é a sua força.

Para enfatizar com todas as letras que Deus é a sua força, Davi utiliza-se de sete imagens para um único Deus. Minha força; minha rocha; minha fortaleza; meu libertador; meu Deus; meu escudo; minha salvação; meu alto refúgio. Não se trata de uma mera repetição desnecessária, se trata de uma teologia experiencial pela qual Davi diz que “não sabe explicar tudo o que aconteceu com ele, mas sabe quem esteve com ele”.

Davi relata o drama vivido escrevendo que “laços de morte me cercaram”. A expressão hebraica apresenta a morte como um caçador que lança suas cordas sobre a vítima. Davi, no seu limite, não faz uma oração decorativa, ele grita. A fé verdadeira aprende a clamar.

Não existe na Bíblia, uma fé que nunca sofre, existe uma fé que clama em meio ao sofrimento. No sofrimento, Deus conduz o pecador a abandonar sua autoconfiança.

A história de Jó mostra que quando Deus respondeu os questionamentos de Jó, não fez uma explicação detalhada sobre o sofrimento. Deus revelou quem Ele é ao dizer: “Onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra?

        O problema no livro de Jó não é sobre o porquê Jó estava sofrendo? Mas, sobre quem sou eu diante do Criador? Por isso, a pergunta “onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra?” é ontológica, ou melhor, Deus questiona: “Onde você estava quando Eu criei aquilo que você sequer consegue compreender?

A utilização de imagens do mundo antigo, fundamentos da terra; medidas; cordel; bases; pedra angular; mar; portas; profundezas; morte, não visa fornecer uma cosmologia científica, o ponto é teológico, ou seja, destacar que o mundo não está fora de controle. O mundo possui um Criador; o caos não é Deus; o mar não é uma divindade rival; a morte não possui a última palavra.

Quando lemos que Jesus caminha sobre o mar, muito mais que uma descrição de que Jesus domina o mar, temos uma revelação cristológica. Jesus está fazendo algo que, no Antigo Testamento, pertencia ao próprio Deus. Por isso a reação dos discípulos: “verdadeiramente és Filho de Deus!

A narrativa apresentada por Mateus não termina com “Jesus realizou um milagre”, termina destacando quem é Jesus? E a resposta é Ele é o Filho de Deus.

Os discípulos não procuram Jesus no meio do mar. Jesus vai até eles. Na verdade, eles estavam tão ocupados em remar e com tanto desespero que nem sequer reconheceram a Cristo.

        O apostolo Paulo ao escrever aos Romanos não digas em teu coração” (Rm 10.6) objetiva enumerar que o homem religioso quer subir, alcançar Deus, conquistar Deus, produzir sua própria justiça. E Paulo questiona quem descerá ao abismo? para elencar que a lógica do Evangelho é surpreendente, pois o homem não precisa subir ao céu e nem descer ao abismo. Deus já realizou a obra em Cristo. E essa ...palavra está perto de ti” (Rm 10.8). O apostolo Paulo chega ao centro da questão enfatizando que Deus não está distante, Deus se aproxima através da Palavra, mesmo em meio a tempestade.

Não precisamos de uma experiência extraordinária para encontrar Deus. Deus vem ao nosso encontro por meios concretos: Palavra; Batismo; Santa Ceia; pregação; absolvição.

        Seja qual for a tempestade, por ela se é conduzido a confessar a fé. Por isso, nos convém olhar atentamente as palavras “se com a tua boca confessares...” (Rm 10.9).

Paulo utilizou o verbo ὁμολογέω. Esse significa confessar, declarar publicamente, reconhecer.

Confessar Jesus como Senhor significa reconhecer Jesus é quem Ele diz ser. Observe que em meio a tempestade, Jesus disse aos seus discípulos: eu sou e, logo depois os discípulos confessaram: verdadeiramente Ele é o Filho de Deus.

É preciso, antes de julgar, que os discípulos estavam no naquela tempestade não poder terem sido desobedientes. Eles estavam ali porque Jesus os mandou. Isso significa que não basta estar na obediência para não ter tempestade.

        Mateus narra que o barco estava longe. O verbo βασανιζόμενον carrega a ideia de ser atormentado, afligido. O barco não está simplesmente navegando, está sendo torturado pelas ondas e Jesus aparece entre três e seis da manhã, ou seja, depois de uma longa noite. Em meio ao cansaço e falta de força dos discípulos, Jesus veio até eles.

Jesus chegou até eles enumera a mesma estrutura de Romanos 10. Não foram os discípulos que “subiram até Jesus” foi “Jesus que veio até eles”. E Jesus veio até eles caminhando sobre o mar”. O mar não o domina; o vento não lhe causa medo; a tempestade não o assusta. Assim, quando retornamos a pergunta feita em Jó 38: quem é o Senhor que governa o mar? Recebe a resposta pelo evangelista Mateus de que é Jesus.

        Quando Jesus responde ...sou eu...” (Mt 14.27) diante do questionamento dos discípulos sobre quem ele era, achando ser um fantasma, Jesus se identifica assim como o Senhor se identificou com Moisés na sarça ardente.

Mesmo que em meio ao vento forte, os discípulos tenham encontrado segurança na Palavra de Jesus, também nessa situação, ocorre uma tensão muito humana. Pedro quer uma confirmação: Senhor, se és tu...”. Quem já não viveu uma situação em que a fé se mistura com a dúvida? Jesus não o rejeita, pelo contrário, convida: “Vem!”.

        E aqui está um ponto importante para nossa reflexão. Por um breve momento, Pedro anda sobre as águas. Pedro sai do barco e participa do milagre, mas sua fraqueza se mostra num detalhe, “reparando na força do vento, teve medo”.

Jesus vai ao encontro de Pedro, o segura firme, e estando seguro nas mãos de Cristo, o exorta: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” O grego ὀλιγόπιστε, homem de pequena fé” destaca uma fé pequena e vacilante. Temos aqui uma das grandes consolações do texto, Jesus não exige uma fé gigantesca para salvar.

        Pergunte-se: em quem a minha fé confia? A eficácia da fé não está na intensidade. Não se é salvo porque acreditamos “fortemente”. Uma fé fraca em Cristo também salva.

        Pedro queria caminhar sobre as águas e Cristo o conduz. Todavia, não consegue se sustentar por si só”. Na tempestade temos nossa fraqueza revelada e a necessidade de clamar por socorro.

Deus não constrói nossa confiança mostrando nossa capacidade. Cristo destrói nossa autoconfiança para nos ensinar a confiar somente nEle.

Quando Pedro estava afundando, “Jesus imediatamente estendeu a mão”. Temos aqui o verbo mais bonito dessa passagem, εὐθέως ἐκτείνας τὴν χεῖρα, imediatamente, estendendo a mão...” (Mt 14.31).

Observe que Jesus não espera Pedro melhorar. Jesus não diz para que Pedro, primeiro aumente sua fé. Jesus simplesmente estendeu a mão.

        O Evangelho dessa passagem é a palavra imediatamente. Pedro afunda e grita: Senhor, salva-me! e Cristo age, estendendo sua mão imediatamente.

Se no Salmo 18, o salmista escreveu “na minha angústia invoquei o Senhor”. Se em Romanos 10, Paulo anotou que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. E se o evangelista Mateus 14 destacou a súplica de Pedro: “Senhor, salva-me!”, tudo isso não são meras coincidências. É uma linha teológica que visa enfatizar que todo aquele que está em aflição pode clamar ao Senhor e o Senhor salva aquele que clama.

        É particularmente útil perceber a continuidade entre Antigo e Novo Testamento. O Deus que domina as águas em Jó e no Salmo não é diferente daquele que o evangelista Mateus narra sobre. O Senhor da criação está presente na pessoa de Jesus.

O relato sobre a caminhada sobre as águas não é uma história sobre Pedro. É uma história sobre quem Jesus é. E pela confissão dos discípulos, descobrimos que Jesus verdadeiramente é o Filho de Deus” (Mt 14.33).

        O que começou com medo; passou pela dúvida; se tornou clamor e salvação, para finalmente concluir em confissão. A tempestade se tornou lugar de revelação e isso é profundamente cristão.

Quantos ainda hoje se perguntam: Por que Deus permite a tempestade? A partir dos textos de hoje, a resposta é: para que conheçamos quem Jesus é quando nossas forças acabam. Deus não abandona seu povo no caos.

        Os textos (Salmo 18.1-6; Jó 38.4-18; Romanos 10.5-17; Mateus 14.22-33) trazem uma teologia da descida de Deus diante da religião humana que tenta subir até Deus.

        Desde os pais da igreja, há uma interpretação de que o barco em meio a tempestade é a imagem da Igreja. Claro que não se pode forçar a alegoria, mas, pela própria narrativa nos é permitido aplicar pastoralmente dessa forma.

O barco, a igreja, está em águas agitadas; está longe da terra; enfrenta vento contrário; carrega discípulos; parece vulnerável; mas está sob a Palavra de Jesus, sou eu, não tenham medo.

        A Igreja pode estar no meio da tempestade, mas não está abandonada por Cristo.

        Pedro comete um erro muito humano. Passa a medir Jesus pelo tamanho da tempestade que parece ser bem maior.

        Se você estiver numa tempestade, não pergunte se “sua fé é suficientemente forte?” Maior que a tempestade é Cristo e é justamente Ele por suas mãos (Evangelho) que nos agarra e nos sustenta. Quando Pedro estava afundando, Cristo estendeu a mão.

        Não olhe para o tamanho da sua fé, olhe para Cristo que pelo evangelho nos estende a sua graça.

O vento pode ser forte. A noite pode ser longa. A fé pode ser pequena. O barco pode estar prestes a afundar, mas Jesus Cristo continua sendo Senhor sobre as águas.

Você não precisa caminhar sobre as águas para provar que tem fé! Você é colocado na fé naquele que caminha sobre as águas e que de fato é o Senhor, o Filho de Deus!

Uma fé pequena em Cristo é suficiente. Cristo continuará sendo aquele que “imediatamente estendeu a mão” e a Igreja confessará que “verdadeiramente és Filho de Deus”. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

Se quiser voluntariamente fazer um pix edson.ronaldotre@gmail.com

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Quando a voz de Cristo vence o medo!

 09 de agosto de 2026

Próprio 14 – Décimo Primeiro Domingo após Pentecostes

Salmo 18.1-6; Jó 38.4-18; Romanos 10.5-17; Mateus 14.22-33

Texto: Mateus 14.22-33

Tema: Quando a voz de Cristo vence o medo!

 

Você já viu seu pai com medo? Imagine um homem sentado sozinho dentro do carro, depois de um dia difícil. Ele respira fundo. Olha para o celular. Uma mensagem sobre o filho. Uma conta que ainda não sabe como vai pagar. Uma preocupação com a família. Uma conversa que ficou mal resolvida. Um medo que ele não contou para ninguém. Então ele desliga o carro, enxuga o rosto e entra em casa.

Existem tempestades que ninguém vê. Existem homens que aprenderam a consertar coisas, pagar contas, trabalhar, proteger a família, resolver problemas... mas nunca aprenderam a dizer: eu estou com medo.

Além dos pais, existem filhos que carregam tempestades que ninguém percebe. Saudade, ausência, mágoas, palavras que nunca foram esquecidas, a vontade de ter tido um pai diferente. Ou simplesmente a dor de perceber que o pai que ama também é um homem limitado, imperfeito e cheio de lutas.

Talvez por isso o Evangelho de hoje seja tão atual.

O evangelista Mateus nos leva para dentro de uma tempestade. O vento soprava contra o barco. As ondas batiam com força. Homens experientes estavam remando. Mas não conseguiam avançar. Eles estavam fazendo tudo o que sabiam fazer e, mesmo assim, estavam afundando. Essa possivelmente é uma das experiências mais difíceis da vida: quando fazemos tudo o que conseguimos e ainda assim não conseguimos controlar o que está acontecendo. Naquela noite os discípulos descobriram que há tempestades que são maiores do que a nossa experiência. É aí que o Evangelho começa a falar conosco.

O Evangelho de hoje nos conduz para dentro de uma noite escura no mar. Ali descobrimos algo decisivo, Cristo não abandona seu povo nas águas.

          O “...barco já estava no meio do lago. E as ondas batiam com força no barco porque o vento soprava contra ele” (Mt 14.24), a expressão βασανιζόμενον ὑπὸ τῶν κυμάτων, literalmente significa “atormentado pelas ondas”.

Desde os Pais da Igreja o barco frequentemente simboliza a Igreja atravessando o mundo cercada por perigos. A igreja continua sendo “açoitada” por divisões, vícios, frieza espiritual, ansiedade, pressões econômicas, afastamento da fé.

Gostamos de acreditar que conseguimos resolver tudo. “Eu dou conta”; “Eu sei o que fazer”; “Eu já passei por isso antes”; “Eu consigo”; mas chega um momento em que não adianta já ter passado por isso ou aquilo e é justamente aí que Deus nos ensina que a nossa segurança não está na força que temos, mas naquele que está conosco.

Há tempestades que nos deixam cansados.

          Lutero dizia que Deus frequentemente conduz o cristão ao limite de suas forças para ensinar que a preservação da vida depende da graça e não do poder humano. Porque enquanto tudo vai bem, o homem confia em si mesmo, mas é no meio das tempestades que aprendem a clamar.

          Já de madrugada, entre as três e as seis horas, Jesus foi até lá, andando em cima da água” (Mt 14.25).

Jesus chega quando estamos no limite.

Perceba o horário. Era de madrugada, era o momento mais escuro. Os discípulos estavam cansados, pois tinham passado horas lutando contra o vento. E é justamente nesse momento que Jesus aparece.

Isso ensina que o silêncio de Deus não significa seu abandono.

Às vezes pensamos: “Deus se esqueceu de mim”; “Deus não está vendo”; “Por que Ele não faz alguma coisa?”; mas o fato de você não perceber, não significa que Deus não esteja trabalhando.

Jesus estava longe dos olhos dos discípulos, mas não estava longe deles. Isso também acontece conosco. Há momentos em que não conseguimos enxergar a presença de Deus, mas Ele continua presente.

A fé não depende daquilo que os nossos olhos conseguem enxergar. A fé depende daquilo que Cristo prometeu. Por isso, Romanos 10.17 diz: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo”.

Isso é muito importante. A fé não nasce porque a vida ficou fácil. A fé nasce quando Cristo fala.

          A fé dos discípulos não seria sustentada se o mar estivesse tranquilo, a fé é sustentada pela voz do Senhor. Isso também vale para nós. A fé não é sustentada pela estabilidade financeira, pelo sucesso dos filhos, pela ausência de problemas. A fé é sustentada pela Palavra de Cristo.

          Ao verem Jesus andando sobre o mar, os discípulos gritam de medo e pensam estar vendo um fantasma.

O coração humano, devido sua natureza pecaminosa, frequentemente interpreta a presença de Deus como ameaça quando ainda não reconhece sua voz.

No meio do medo, Jesus fala: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!” (Mt 14.27).

Quando se ouve Jesus Cristo falar: “Sou eu”, ἐγώ εἰμι, “EU SOU”, não se trata apenas de uma identificação. Há um eco claro do nome divino revelado no Antigo Testamento. Ou seja, o Senhor que andou sobre as águas é o próprio Deus encarnado que anteriormente havia se revelado a Moisés na sarça ardente.

O Senhor está no meio da tempestade. E há algo muito bonito nessa cena. Jesus não acalma primeiro o mar para depois falar. Primeiro Ele fala, depois vem a paz. Isso é fundamental para a vida cristã. Temos aqui o centro de Romanos 10.17 onde a fé nasce quando Cristo fala.

Muitas vezes, queremos que Deus mude as circunstâncias para então conseguirmos ter paz. Todavia, Jesus em muitas situações faz o contrário. Primeiro Ele nos dá a sua Palavra no meio das circunstâncias para crermos que Ele vem ao nosso encontro.

          A tempestade, o vento e as ondas podem continuar, mas, se a Igreja é o barco, nesse barco existe uma Palavra, a Palavra de Deus. Essa Palavra muda tudo. No entanto, é preciso observar que Pedro anda sobre as águas, mas também tem medo.

Ao ouvir a Palavra de Jesus, Pedro exclama: “Senhor, se é o senhor mesmo, mande que eu vá até aí andando em cima da água”. Jesus responde: “Venha!

Pedro sai do barco e acontece algo extraordinário. Ele anda sobre as águas. Contudo é preciso observar que enquanto Pedro olha para Jesus, ele caminha seguramente, mas, a força do vento, as ondas, a tempestade, faz Pedro deixar de olhar para Jesus Cristo.

Isso é muito parecido com o que acontece conosco. Passamos muito tempo olhando para o tamanho dos problemas, das notícias, dos conflitos, nos sentimos fracos e julgamos não conseguir controlar e assim deixamos de olhar para Jesus Cristo e o medo nos paralisa.

Pedro acreditava, tinha fé, tanto que ouviu o convite de Jesus sobre vir e foi, mas Pedro também teve medo. Isso é muito importante. Ter fé não significa nunca sentir medo.

Muitos cristãos também têm fé e sentem medo. Um pai cristão pode confiar em Deus e ainda assim chorar, orar e continuar preocupado, conhecer a Palavra e, mesmo assim, passar por noites de angústia. Isso não significa que a fé desapareceu, significa que somos seres humanos pecadores.

          Enquanto os olhos de Pedro permaneceram fixos em Cristo, ele caminhava sobra as águas, em meio ao vento e a tempestade. Entretanto, Mateus narra que “...quando sentiu a força do vento, ficou com medo e começou a afundar” (Mt 14.30). Nossos olhos naturais, devido a natureza pecaminosa, muitas vezes desviam o olhar de Jesus Cristo. É preciso relembrar as palavras do apostolo Paulo aos coríntios: “Porque vivemos pela fé e não pelo que vemos” (2Co 5.7).

Caríssimos irmãos, enquanto nossos olhos estão voltados para Jesus Cristo, caminhamos seguramente sobre aquilo que naturalmente nos destruiria.

A fé sempre está misturada com a fraqueza decorrente do pecado. Pedro realmente crê, mas também teme e assim somos nós. Pais cristãos querem confiar, querem conduzir a família, querem permanecer firmes, mas frequentemente sentem a força contrária, O medo e o desespero em muitas situações os levam ao naufrágio, pois deixam de olhar para Cristo.

O fato é que muitas vezes, queremos, assim como Pedro ter uma certeza de que é a Palavra de Deus e pedimos para ir até Cristo. Mas, somos constantemente impedidos de seguir em direção a Cristo e quando naufragamos, Jesus vem ao encontro e novamente nos alcança. A nossa esperança nunca esteve na perfeição da nossa fé. A nossa esperança está em Cristo.

          Quando Pedro afunda, Jesus estende a mão.

Ao perceber que estava afunadando, Pedro faz uma oração de apenas três palavras: Senhor, salva-me!No grego, Κύριε, σῶσόν με!

Que oração simples. Não houve discurso. Não houve explicação. Não houve tentativa de mostrar força. Pedro simplesmente reconheceu que não consigo se salvar. Imediatamente Jesus estendeu a mão.

Aqui está o coração do Evangelho. Pedro não foi salvo porque teve uma fé perfeita. Pedro foi salvo porque Jesus é um Salvador perfeito.

Não foi a mão de Pedro que segurou em Jesus. Foi a mão de Jesus que segurou Pedro. Essa diferença é fundamental e isso traz enorme consolo para nós.

Pais imperfeitos, mães imperfeitas, filhos imperfeitos, famílias imperfeitas, cristãos imperfeitos. Não somos salvos porque conseguimos fazer tudo certo, somos salvos porque Cristo nos alcança por sua Palavra, cuidado e promessa.

Quando você não sabe mais o que dizer, Cristo continua sendo seu Salvador.

A salvação não repousa na perfeição da fé, mas no objeto da fé que é Cristo. Nossa esperança não está na perfeição humana, está em Cristo.

          Mateus narra que quando Jesus entrou no barco “vento se acalmou” (Mt 14.32) e então os discípulos adoram dizendo “De fato, o senhor é o Filho de Deus!” (Mt 14.33).

A tempestade termina em adoração. O milagre não é apenas demonstração de poder, é revelação de quem Jesus é. Jesus não é apenas um mestre moral, não é apenas um profeta, Jesus é o Filho eterno de Deus que domina o caos, o mar, o medo, o pecado, a morte. E é exatamente por isso que sua Palavra cria fé.

Na carta aos Romanos (Rm 10.17), o apostolo Paulo não fala de qualquer palavra religiosa. Fala da Palavra de Cristo. A fé nasce porque o próprio Cristo vem ao encontro de pecadores através da sua Palavra. Por isso podemos confiar nele.

Pais não precisam ser heróis.

Hoje é Dia dos Pais e vivemos numa época em que os homens são forçados a “serem forte o tempo todo”; “não demonstrar medo”; “ter que resolver tudo”; “dar conta de tudo”; e o Evangelho mostra Pedro afundando no meio do mar por causa do medo.

Pai, aprenda a gritar: Senhor, salva-me!Essa é uma das maiores lições para um pai cristão: Você não precisa ser um herói. Você precisa saber para quem clamar.

Um pai cristão não é aquele que nunca enfrenta tempestades. É aquele que, no meio da tempestade, ensina sua família a ouvir a voz de Jesus. afinal, chegará o dia em que o dinheiro, a experiência e as forças não serão suficientes. Os conselhos não irão satisfazer e tudo que nossos filhos precisarão saber é que soubemos clamar para Jesus.

A maior herança que um pai pode deixar aos seus filhos não é uma conta bancária, uma casa, um carro, um sobrenome famoso. A maior herança é ensinar os filhos a ouvir a voz de Cristo e clamar a ele nas horas difíceis.

Queridos irmãos, o barco continua atravessando mares difíceis. A igreja e a família continuam enfrentando ventos contrários. Não obstante, o centro do Evangelho não é o tamanho da tempestade, é a presença de Cristo e sua Palavra.

Cristo ainda vem ao nosso encontro. Ele vem através da sua Palavra, do Batismo, da Absolvição, da Santa Ceia. Jesus continua estendendo suas mãos para pecadores cansados e assustados dizendo: Sou eu. Não tenham medo”.

A Igreja e a família aprendem no meio do temporal aquilo que nunca aprenderiam num mar tranquilo: “De fato, o senhor é o Filho de Deus!” (Mt 14.33). Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

quinta-feira, 30 de julho de 2026

“Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre” (Sl 136.1)

 Reflexão sobre o Salmo 136.1-9

Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre (Sl 136.1)

 

Este versículo resume toda a história da salvação. Não é apenas um convite à gratidão, mas uma confissão de fé baseada naquilo que Deus é e no que Ele faz.

הוֹדוּ (hôdû), “Deem graças

O verbo vem da raiz יָדָה (yādāh) tem um significado muito mais amplo do que simplesmente “agradecer”. Pode significar, confessar; reconhecer publicamente; louvar; admitir a verdade.

Esse é o verbo usado tanto para confessar pecados (Lv 5.5), quanto confessar a grandeza de Deus (Sl 32.5; Sl 106.1). A verdadeira gratidão nasce da confissão.

Primeiro reconheço quem eu sou e depois reconheço quem Deus é. Não existe verdadeira adoração sem verdadeira confissão.

            לַיהוָה (laYHWH), ao SENHOR

Não é um deus qualquer, é o Deus da Aliança. O nome YHWH recorda Êxodo 3, onde Deus disse “EU SOU O QUE SOU”.

Sempre que Israel ouvia esse nome lembrava-se da libertação do Egito; da aliança; da fidelidade divina; das promessas.

O convite à gratidão está fundamentado na identidade de Deus.

כִּי־טוֹב (kî-ôv), porque Ele é bom”. טוֹב (ôv), não significa apenas “bonzinho”. É uma palavra extremamente rica e pode indicar, bondade moral; perfeição; beleza; benefício; aquilo que produz vida. É a mesma palavra usada em Gênesis 1, “E Deus viu que era bom”.

Dessa forma, quando o salmista afirma que “YHWH é bom”, está dizendo que Ele continua sendo o Deus Criador que produz vida, ordem e bênção. Sua bondade não depende das circunstâncias, faz parte da sua natureza.

חֶסֶד (esed). A palavra mais importante do versículo.

A palavra hebraica חֶסֶד (esed) é uma das mais importantes do Antigo Testamento e uma das mais difíceis de traduzir por um único termo. Dependendo da versão da Bíblia, aparece traduzida como misericórdia, benignidade, amor leal, amor fiel, graça, bondade, fidelidade ou amor constante.

O substantivo חֶסֶד (esed) ocorre cerca de 245 vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Há pequenas diferenças de contagem entre edições críticas e programas de pesquisa bíblica, mas 245 ocorrências é o número mais amplamente aceito.

A maior concentração está nos Salmos, onde a palavra ocorre aproximadamente 127 vezes, ou seja, mais da metade de todas as ocorrências.

Ocorre nos Salmos cerca de 127; em Jeremias, cerca de 31; em Provérbios, cerca de 21; em Gênesis, Êxodo e 2 Samuel, cerca de 12. Isso mostra que o tema do esed permeia toda a história da salvação.

Um dos textos mais importantes é Êxodo 34.6-7, quando Deus revela seu próprio caráter a Moisés: “O Senhor, o Senhor Deus, compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e grande em esed e fidelidade”. É como se Deus dissesse: Se você quiser saber quem eu sou, saiba isto: sou abundante em esed”. Essa autodeclaração tornou-se uma espécie de “credo” do Antigo Testamento e é retomada diversas vezes pelos profetas e pelos salmistas.

O Salmo 136 é único. A palavra esed aparece 26 vezes, uma em cada versículo. Cada ato de Deus na criação e na história da redenção recebe a mesma resposta da congregação: Porque o seu חֶסֶד dura para sempre”.

É como um refrão litúrgico que ensina que toda a história da salvação possui uma única explicação:

Deus criou o mundo... Porque o seu esed dura para sempre.

Deus libertou Israel do Egito... Porque o seu esed dura para sempre.

Deus abriu o Mar Vermelho... Porque o seu esed dura para sempre.

Deus sustentou seu povo no deserto... Porque o seu esed dura para sempre.

Deus deu a terra prometida... Porque o seu esed dura para sempre.

Tudo é explicado pelo esed de Deus.

Na perspectiva cristã, todo o esed do Antigo Testamento encontra seu cumprimento em Jesus Cristo.

João afirma que “o Verbo se fez carne... cheio de graça e de verdade” (João 1.14). A expressão “graça e verdade” ecoa Êxodo 34.6, onde Deus é descrito como abundante em esed (amor fiel) e 'emet (verdade/fidelidade). Em Cristo, o amor fiel da aliança torna-se plenamente visível.

O esed não é apenas um atributo de Deus; ele é revelado de maneira suprema na cruz. O Calvário é a maior manifestação do amor fiel de Deus, que permanece para sempre e alcança pecadores por pura graça.

Há 245 lembretes do esed no Antigo Testamento. Mas Deus decidiu escrever um último, definitivo e eterno lembrete não com tinta, mas com o sangue de seu próprio Filho na cruz. O Calvário é o esed de Deus tornado visível.

חֶסֶד (esed) é o amor que Deus promete e jamais abandona. Não é um sentimento. É compromisso. É fidelidade. É graça.

Sempre que aparece esed, Deus está agindo em favor de um povo que não merece.

            לְעוֹלָם (le‘ôlām), para sempre”. Literalmente: “até a eternidade”.

Não significa apenas “muito tempo”, significa sem fim, sem interrupção, sem mudança. A misericórdia de Deus nunca expira. Ela não possui prazo de validade.

Deem graças” é uma ordem que é seguida de duas razões, porque Ele é bom; porque o seu חסד (esed) dura para sempre.

A gratidão cristã nunca nasce dos sentimentos. Nasce da revelação de Deus.

            O imperativo, “Deem graças”, expõe nosso pecado. Por quê?

Lutero dizia que o Primeiro Mandamento resume todos os demais. Quem não vive em constante gratidão está confiando em outro deus. A ingratidão revela incredulidade. Na carta aos Romanos, no capítulo 1.21 diz: “Tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”.

O primeiro pecado mencionado por Paulo na carta aos Romanos não é homicídio, nem adultério, é a falta de gratidão. Isso pelo fato de que toda ingratidão nasce de um coração que esqueceu a graça.

Pensamos e vivemos dizendo: “Tenho direito”; “Mereço”; “Conquistei” e o Salmo 136 desmonta essa ilusão. Afinal, tudo vem do Senhor, pois Ele é bom. Mesmo quando nós não somos, sua bondade não depende da nossa fidelidade, depende apenas de quem Deus é.

            Seu חסד dura para sempre”. Aqui encontramos Cristo, onde na cruz mostra o significado máximo do esed.

Jesus assume nossa culpa, cumpre a aliança, paga nossa dívida, ressuscita e continua amando pecadores. A cruz prova que o amor de Deus não termina quando o nosso pecado começa.

            Vivemos numa cultura de reclamação. Quanto mais temos, mais sentimos que falta.

É importante distinguir gratidão de circunstâncias. O mundo agradece quando tudo vai bem. O cristão agradece porque Deus permanece o mesmo quando tudo parece ir mal. A bondade divina e o seu esed não oscilam com a economia, a saúde ou as emoções; eles permanecem firmes porque pertencem ao caráter imutável de Deus.

            Não damos graças como deveríamos. Somos ingratos porque, por natureza, confiamos mais em nós mesmos do que no Senhor.

            Apesar da nossa ingratidão, Deus permanece טוֹב (ôv) — perfeitamente bom; e seu חֶסֶד (esed) permanece para sempre. Esse amor fiel alcança seu ápice em Jesus Cristo, que garante definitivamente a reconciliação entre Deus e os pecadores.

A gratidão do cristão não é o preço da graça, mas a resposta de quem foi alcançado por ela. Em Cristo, confessamos com alegria: Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre”.

Tema: O milagre que você esqueceu de ver

Existe uma fotografia que se repete diariamente em milhões de casas.

Uma criança ganha um brinquedo novo. Durante alguns minutos ela sorri. Corre, abraça, brinca. Mas bastam poucos dias e o brinquedo perde o encanto. Logo ela pede outro, depois outro, outro. Na verdade, essa não é apenas a história das crianças. É a história da humanidade.

Vivemos na geração da satisfação imediata. Compramos um celular novo, meses depois ele parece velho. Compramos um carro, logo desejamos outro. Recebemos um aumento, rapidamente o salário deixa de ser suficiente.

Junto com as inúmeras possibilidades, tecnologia, medicina, conforto, há também ansiedade, frustração e reclamação.

As redes sociais nos convencem de que sempre existe alguém vivendo melhor do que nós. A propaganda diz diariamente: Você merece mais.

Sem perceber, começamos a viver olhando apenas para aquilo que ainda não temos. A gratidão desaparece. A reclamação domina.

Interessante perceber que Israel vivia exatamente isso. Bastaram poucos dias fora do Egito para esquecerem os milagres. Atravessaram o Mar Vermelho, receberam o maná, água da rocha, viram Deus agir, mesmo assim reclamavam.

Talvez o maior milagre desta semana tenha sido você acordar, seu coração bater, você respirar enquanto dorme. A terra continua girando. O sol nasceu outra vez e, talvez você nem tenha percebido, afinal, nos acostumamos com os milagres diários.

Deem graças ao Senhor...

Não porque tudo está perfeito, mas porque Deus continua sendo quem sempre foi.

            O texto começa com uma palavra extraordinária, וֹדוּ (Hôdû), do verbo יָדָה (Yadah). O curioso é que essa mesma palavra significa confessar, louvar, agradecer. Por quê? Porque, na Bíblia, ninguém agradece verdadeiramente antes de confessar.

Esse mesmo verbo aparece em Levítico para a confissão dos pecados e aparece inúmeras vezes nos Salmos para o louvor e isso não é coincidência. Enquanto justificamos nossos pecados, nunca conheceremos a alegria da graça. Por isso nossos cultos começam com confissão e isso não porque Deus precise ouvir, mas porque nós precisamos reconhecer quem Deus é diante dos nossos pecados. A verdadeira gratidão nasce quando reconhecemos que eu não mereço.

            Deem graças” é um imperativo, e todo imperativo revela aquilo que não fazemos. Você vive agradecido? Você acorda louvando? Você termina o dia reconhecendo a graça? Ou reclama mais do que agradece?

Romanos 1 nos traz um maravilhoso ensinamento, pois o primeiro pecado mencionado por Paulo na decadência humana não é assassinato, nem adultério, nem sequer o roubo. O primeiro pecado é este: “Não lhe deram graças”.

O diagnóstico é que a ingratidão é idolatria. Toda reclamação constante revela que outro deus ocupa nosso coração. A murmuração é música para o diabo.

Conta-se que dois homens estavam presos na mesma cela. Ambos olhavam por uma pequena janela. Enquanto um via apenas a lama, o outro contemplava as estrelas. A diferença estava no coração.

            Atente-se ao fato de que é o nome de Deus que muda tudo, לַיהוָה ao Senhor”. Não é qualquer deus, é YHWH, é o Deus da Aliança, do Êxodo. Esse nome carregava séculos de memória.

Quando um israelita ouvia YHWH, lembrava imediatamente das dez pragas, da páscoa, do cordeiro, do sangue, do mar vermelho, do Sinai, da nuvem, do fogo, do maná, das promessas. Cada letra desse nome respirava fidelidade.

Hoje acontece o mesmo. Quando ouvimos o nome de Jesus... lembramos da cruz, do túmulo vazio, do Batismo, da Santa Ceia, do perdão, da ressurreição. Assim, não agradecemos a uma ideia, agradecemos uma pessoa.

            Deus é bom mesmo quando a vida não é, por isso, כי טוב porque Ele é bom.

Louvamos a Deus não porque hoje foi um bom dia, ou porque o salário aumentou; nem porque ninguém ficou doente. Agradecemos porque Deus é bom.

O fundamento da fé nunca são as circunstâncias. É o caráter de Deus.

טוב é a palavra usada sete vezes em Gênesis 1. Toda criação nasce dessa bondade. Mesmo depois da queda em pecado, depois da cruz, Deus continua sendo exatamente o mesmo.

            Lutero dizia que Deus muitas vezes esconde seu rosto atrás de máscaras (enfermidade, uma perda, uma cruz) e mesmo por trás dessas máscaras continua sendo um Pai Amoroso.

            O coração do evangelho numa única palavra, חסד, hesed. Nenhuma tradução consegue esgotá-la completamente. Diz-se que é misericórdia, graça, lealdade, amor da aliança, bondade perseverante, fidelidade, compromisso. Hesed é o amor que permanece quando nós falhamos, quando nós quebramos alianças. Como escreveu Chemnitz, “a fidelidade de Deus repousa em sua própria natureza e não na mutabilidade do homem”.

            O maior sermão sobre o חסד aconteceu numa sexta-feira, no Calvário. Ali Deus respondeu definitivamente, “o meu amor dura para sempre”.

Quando Pedro negou, o amor permaneceu. Quando Judas traiu, o amor permaneceu. Quando os soldados zombaram, o amor permaneceu. Quando os cravos perfuraram as mãos, o amor permaneceu. Quando o céu escureceu, o amor permaneceu e esse amor dura para sempre, pois Jesus disse, “Está consumado”.

            לְעוֹלָםpara sempre”, literalmente, até a eternidade. Tudo neste mundo acaba. Flores murcham. Juventude passa. Empresas fecham. Impérios desaparecem. Tecnologias envelhecem. Corpos adoecem. Mas existe uma coisa que nunca termina: o amor de Deus. Nosso descanso não está em nossa fidelidade, está na fidelidade eterna de Cristo.

            Na cultura da comparação a gratidão é destruída.

            Na cultura do desempenho o descanso é destruído.

            Na cultura dos direitos a percepção da graça é destruída.

            Na cultura da velocidade, a contemplação é impedida e sem contemplação não existe gratidão. Por isso o Salmo mande parar e olhar, confessar e agradecer.

Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre (Sl 136.1), resume toda a história da salvação. Não é apenas um convite à gratidão, mas uma confissão de fé baseada naquilo que Deus é e no que Ele faz. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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Quando as águas se levantam, Cristo continua sendo o Senhor.

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