segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador (Jo 14.15-21)

 10 de maio de 2026

Sexto Domingo de Páscoa

Salmo 66.8-20; Atos 17.16-31; 1Pedro 3.13-22; João 14.15-21

Texto: João 14.15-21

Tema: Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador


Ser mãe em 2026 não é apenas cuidar, amar e educar, é também enfrentar um cenário de constantes tensões, julgamentos e limites redefinidos. Em meio a birras públicas, pressões sociais e mudanças legais, muitas mães se veem questionando se ainda sabem como exercer sua própria autoridade. O que antes era resolvido com rigidez, hoje exige equilíbrio, consciência e responsabilidade.

          A mãe vai no mercado com seu(sua) filho(a) e a criança quer algo e por não poder lhe dar, a criança se joga no chão, grita, chora. Diferentemente de antigamente, a mãe não pode bater, sacudir, puxar com força ou humilhar a criança.

          Diante dessa realidade, muitas mães sentem que a tarefa materna ficou limitada e está difícil lidar com o(a) filho(a).

          Ser mãe virou um exercício constante de navegação entre direitos, deveres e uma rede de proteção cada vez mais estruturada. Para muitos, isso parece sufocante à primeira vista, mas na prática tudo isso existe para apoiar.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) continua sendo a base, pois garante que crianças tenham prioridade absoluta em saúde, educação, segurança e convivência familiar. Recentemente, normas inspiradas na chamada Lei Henry Borel reforçaram mecanismos contra negligência e violência, inclusive dentro de casa. Isso trouxe mais responsabilidade para os pais, mas também mais suporte do Estado quando necessário.

Mãe você não está sozinha. Há mais estruturas, tais como escolas, conselhos tutelares, serviços de saúde e assistência social e eles não são “inimigos”, são parte de uma rede que pode ajudar em momentos difíceis.

O foco das leis não é impedir a educação, mas evitar a violência. Dar limites, corrigir e orientar continuam sendo parte essencial da maternidade, só que com respeito à integridade da criança.

Além das leis, existe o peso das redes sociais, opiniões externas e padrões irreais de “mãe perfeita”. Nenhuma legislação exige perfeição, apenas cuidado, proteção e responsabilidade.

Seja da família, profissionais ou serviços públicos, buscar apoio não é sinal de falha, é uma forma de garantir um ambiente melhor para você e seu filho. O cenário atual tenta equilibrar duas coisas: proteger a criança e preservar o papel da família.

          Diante disso, destaco as palavras de Jesus, narradas pelo evangelista João no trecho do capítulo 14.15-21, onde o próprio Jesus destaca sua presença e poder para caminhar junto ao cristão “o consolador e a evidência do amor divino”.

Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16).

          Eu pedirei ao Pai” o verbo ἐρωτήσω indica intercessão pessoal de Jesus. Não é uma súplica inferior, mas uma petição baseada na unidade entre o Filho e o Pai. Temos aqui uma dinâmica trinitária, onde o Filho pede, o Pai dá e o Espírito é enviado.

Ouvir Jesus dizer “Eu pedirei ao Pai”, nos conduz a refletir no fato de que sendo o Filho igual ao Pai, por que Jesus disse que iria “pedir” ao Pai? Jesus Cristo fala segundo sua natureza humana. Sendo Deus, Jesus é igual ao Pai; sendo homem, Jesus é intercessor, por isso no versículo 13 onde Jesus nos orienta a suplicar por seus méritos e nome.

O que Jesus pedirá ao Pai? Outro Auxiliador” (Jo 14.16). A palavra “outro” ἄλλον é crucial. “Outro” significa do mesmo tipo. O Espírito não é inferior nem diferente em essência de Jesus Cristo. “Auxiliadorπαράκλητος, consolador, advogado, ajudador, intercessor.

          Ao se destacar “outro Auxiliador” é preciso compreender que o termo “outro” evita confusão. Por outro se diz que o Espírito não é o Filho, mas também não é inferior a Jesus. Pai, Filho e Espírito compartilham a mesma essência e “outro” indica distinção de pessoa, não de natureza.

          O Espírito Santo assume o papel que Jesus exercia visivelmente de forma invisível. Jesus foi o primeiro parakletos (1João 2.1). O Espírito Santo é o segundo, não sendo inferior, mas continuando essa presença. Parakletos é o consolador em meio à perseguição e o defensor contra-acusação, em especial da consciência e do diabo. O paracleto combate o desespero espiritual.

          Esse paracleto é “O Espírito da verdade” pois revela Jesus Cristo. O Espírito Santo não apenas transmite, mas participa da essência divina da verdade e guia os discípulos à compreensão correta. Sem o Espírito Santo, a verdade pode ser ouvida, mas não entendida e crida.

A mãe e a família têm suporte para ajudar na educação do(a) filho(a). O discípulo também não está sozinho, o próprio Jesus disse que pediria ao Pai, o Espírito da Verdade, “para ficar com vocês para sempre” (Jo 14. 16). O Espírito Santo é uma permanência absoluta e isso contrasta com o Antigo Testamento, onde o Espírito Santo vinha temporariamente sobre pessoas específicas. Jesus anuncia que a partir da sua subida aos céus, o Espírito Santo habita permanentemente nos crentes. Enquanto em Jesus Cristo, a presença era visível; pelo Espírito Santo, a presença é interna e permanente.

Jesus se despede com a certeza de que não abandona os seus. O Espírito dá a presença contínua de Cristo e a garantia de que a fé não depende de sinais visíveis.

          O “para sempreεἰς τὸν αἰῶνα não é apenas “por muito tempo”. Jesus fala de presença eterna e irrevogável. A igreja vive sob uma nova realidade da presença divina.

          Esse é um dos textos mais claros sobre a Trindade. O Filho pede, o Pai envia e o Espírito habita. Todavia, não há hierarquia de inferioridade ou superioridade. Há distinção de pessoas e unidade de essência.

          O que temos aqui é que a igreja nunca está abandonada. A presença de Deus não é mais localizada apenas no templo. A comunhão com Cristo continua através do Espírito Santo.

O Espírito Santo torna Cristo presente. Ele ensina, consola e fortalece continuamente. O Espírito Santo nunca fala de si mesmo, Ele sempre aponta para Cristo.

          Ao expressar: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16) Jesus transmite a promessa viva para o cristão em meio à luta.

João 14.16–17 destaca a promessa de que a presença visível de Cristo será substituída por uma presença espiritual igualmente real, permanente e divina. O Espírito Santo, que habita nos crentes e mantém a comunhão viva com o próprio Cristo.

Diante de tantas exigências, transformações e inseguranças, uma verdade permanece firme: ninguém foi chamado para caminhar sozinho. Assim como a mãe encontra apoio em redes de cuidado e proteção, o cristão encontra no próprio Deus a presença constante que sustenta, orienta e consola.

A promessa de Jesus em João 14 não é apenas teológica, é profundamente prática, o Espírito Santo é o auxílio diário em meio às dúvidas, ao cansaço e às responsabilidades.

Ser mãe hoje exige mais consciência, mas também oferece mais suporte. Da mesma forma, viver a fé não elimina as dificuldades, mas garante companhia constante. O Espírito da verdade não apenas ensina, mas fortalece; não apenas orienta, mas permanece. E é nessa presença contínua que a mãe, a família e a igreja encontram não apenas direção, mas também esperança para continuar, mesmo nos dias mais difíceis. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Em Jesus Cristo, temos um quarto no hotel de Deus! (João 14.1-14)

 03 de maio de 2026

Quinto Domingo de Páscoa

Salmo 146; Atos 6.1-9; 1Pedro 2.2-10; João 14.1-14

Texto: João 14.1-14

Tema: Em Jesus Cristo, temos um quarto no hotel de Deus!

 

Ao dizer: “Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.1), Jesus não ignora a dor; na verdade, Jesus reconhece a dor e quer nos ensinar como lidar com a dor.

          Não fiquem aflitos” (Jo 14.1) é dito num momento de tensão.

          Jesus havia acabado de anunciar sua partida e a traição de um dos discípulos.

          Quem acompanha os telejornais diariamente, vive em tensão. Onde irá terminar todo esse cenário de guerra? A Europa está se militarizando, pois há relatos de treinamento nuclear entre França e Polônia. O que será de um mundo que está se comunicando menos por palavras ditas?

          Não fiquem aflitos” (Jo 14.1).

          O verbo turbar, grego tarássō, indica agitação interior e profunda, quase que um abalo existencial.

          As palavras de Jesus: “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1), não é um conselho emocional. Jesus relaciona um mandamento a fé: “Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim” (Jo 14.1).

          A aflição, a perturbação, é combatida não por esforço psicológico, mas pela confiança em Jesus Cristo.

          Essa palavra de Jesus Cristo é profundamente pastoral. Jesus interpreta o “coração turbado”, “coração aflito”, como aquele oprimido não só pelo medo externo, mas também pela consciência do pecado. Por isso, Jesus Cristo oferece consolo objetivo, destacando que a fé nEle vence tanto o medo da morte quanto a acusação da Lei. O coração encontra paz não olhando para si mesmo, mas para a promessa de Cristo, em especial a preparação de um lugar na casa do Pai (Jo 14.2).

          Tempos atrás recebi uma ligação na madrugada. Era uma pessoa dizendo que não conseguia dormir. Se sentia ameaçado e estava com medo.

          Ameaças, doença grave, conduzem a perturbação e aflição. E essa perturbação e aflição são frutos da Lei. Pois, situações difíceis logo conduz ao pensamento do pecado cometido.

          A notícia de que Jesus não estaria mais fisicamente com eles e ter indicado o convívio com um traidor, levou aqueles discípulos ao medo e aflição. E Jesus transmite uma palavra de puro evangelho convidando a confiança.

          Temos aqui uma promessa. Não é uma exigência no sentido de que você pode se acalmar diante da crise. Na verdade, Jesus convida a confiar mesmo quando tudo parece ruir.

          Jesus não anuncia para que se pare de sentir medo, o convite é confiar, apesar do medo, naquele que venceu por você. Só se vence o medo na fé em Jesus Cristo. O medo permanece, mas, a confiança leva a prosseguir.

          Não fiquem aflitos” (Jo 14.1) é dito num momento de tensão. Jesus havia acabado de anunciar sua partida e a traição de um dos discípulos e Jesus não faz um apelo para a calma, pelo contrário, Jesus convoca à fé que repousa na promessa de Cristo.

          Na casa de meu Pai há muitas moradas...” (Jo 14.2).

          As muitas moradas é uma ênfase na generosidade da graça de Deus. A vida eterna é um projeto divino. O arquiteto desse projeto é o Pai e o executor desse projeto foi Jesus. Devido a obra de Jesus há lugar para o pecador. O céu não é um clube fechado, exclusivo para os perfeitos, mas uma casa onde irá viver eternamente na bem-aventurança quem é redimido. Por essa razão Jesus prometeu: “voltarei”.

          A esperança cristã não é uma mera filosofia, é uma Pessoa, Jesus.

          Dentro do projeto de Deus, edificar um hotel e dentro dele um quarto para o pecador redimido, não é mera ostentação, o intuito é que cada quarto seja preenchido. Não haverá apenas 144 mil quartos!

          Diante disso, Tomé, o discípulo da racionalidade pergunta sobre o caminho e Jesus responde com uma declaração que se tornou uma das mais conhecidas e citadas pelas pessoas: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14.6).

          O comentarista bíblico R.C.H. Lenski destaca que os artigos definidos no grego, hē hodos, hē alētheia, hē zōē, são exclusivos. Por caminho, não se está falando de um mapa. É uma trilha aberta pelo sangue. A verdade não é um conceito abstrato, mas uma realidade última. Por vida se refere a própria essência da existência eterna.

          Jesus não é alguém que indica o caminho, Jesus é o caminho. Jesus é a verdade absoluta, fora dele apenas ilusão. Jesus é a vida, fora dele, há apenas morte eterna.

          Precisamos recordar que a conversa de Jesus com Filipe revela a cegueira espiritual das pessoas. Disse Jesus: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9), afirmando sua plena divindade. E isso é confortante, pois saber que Jesus é Deus, é reconhecer que Jesus governa o universo que não está sem controle. Aquele que salvou, que lavou os pés dos discípulos, governa o mundo com amor, graça e misericórdia.

          As palavras de Jesus “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, ...” (Jo 14.12), enumeram que as obras de Jesus testificam sua identidade. E esse Jesus ao dizer que os seus fazem obras maiores que Ele se refere a propagação do Evangelho que converte almas.

          Caríssimo irmão e irmã na fé. Precisamos nos lembrar que manter um templo ativo e com exercício do ministério da pregação, significa que essa obra de Jesus continua sendo efetivada. Com dons, talentos e bens materiais que recebemos de Deus, investimos na obra de Deus, preencher os quartos do hotel divino.

          E tudo quanto pedirdes em meu nome...” (Jo 14.13) não são palavras que significam um “abre-te sésamo”. Aqui Jesus ensina a orar de acordo com a sua vontade e seus méritos. E por essas palavras retornamos a frase inicial de Jesus, “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1). Pare de olhar para sua perturbação e aflição, olhe para a promessa de Jesus Cristo.

          Ligar o televisor, ou acompanhar as notícias pelas redes sociais, é fácil ficar agitado. Diante dessa agitação, Jesus garante que na casa do seu Pai há muitas moradas. E ele voltará para levar consigo os que morreram e os que estiverem vivos na fé em Cristo que é o caminho, a verdade e a vida. Saiba que Jesus e o Pai governam esse mundo, assim, continuemos fazendo a obra. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 20 de abril de 2026

De ovelhas perdidas ao cuidado do Pastor das nossas almas! (1Pedro 2.19-25)

 Quarto domingo de Páscoa

26 de Abril de 2026

Salmo 23; Atos 2.42-47; 1Pedro 2.19-25; João 10.1-10

Texto: 1Pedro 2.25

Tema: De ovelhas perdidas ao cuidado do Pastor das nossas almas!

 

Vocês eram como ovelhas que haviam perdido o caminho, mas agora foram trazidos de volta para seguir o Pastor, que cuida da vida espiritual de vocês” (1Pe 2.25).

O texto grego: ἐπεστράφητε νῦν ἐπὶ τὸν ποιμένα καὶ ἐπίσκοπον τῶν ψυχῶν ὑμῶν, traz dois títulos cristológicos: ποιμήν (poimēn): Pastor; ἐπίσκοπος (episkopos): Supervisor/Bispo.

Com esses termos, o apóstolo Pedro enumera duas dimensões complementares do cuidado de Jesus Cristo.

A Bíblia nos compara com ovelhas e isso não se deve a nossa “fofura”, mas é devido à distração e vulnerabilidade. E por causa disso, é tão urgente e necessário o cuidado de Jesus.

Ποιμήν (poimēn): o pastor que guia, alimenta e resgata.

A palavra poimēn era usada literalmente para pastores de ovelhas. No contexto bíblico esse termo assume forte carga teológica, pois no Antigo Testamento, Deus é descrito como o Pastor de Israel (Salmo 23); os líderes, sendo bons ou maus, eram chamados de pastores do povo. No Novo Testamento, Jesus é descrito como o pastor que assumiu esse papel de forma plena. O próprio Cristo disse: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10).

Ao fazer uso da expressão ποιμήν (poimēn), o apóstolo Pedro ecoa essa interpretação e mostra que Jesus Cristo não apenas aponta o caminho, Jesus conduz pessoalmente. Jesus é àquele que restaura o que está perdido, lembrando assim a mensagem do profeta Ezequiel.

Ao usar essa expressão ποιμήν (poimēn), Pedro não quer apenas dizer que a ovelha é provida, conduzida intencionalmente e buscada por Jesus Cristo, seu intuito é destacar o cuidado relacional e sacrificial de Jesus por sua ovelha.

Por ἐπίσκοπος (episkopos), o apóstolo Pedro destaca que Jesus é o supervisor que vigia e guarda. Jesus é aquele que observa por cima (epi = sobre; skopeō = observar, vigiar). Numa linguagem atual, Jesus é o drone que observa por cima o tempo todo. Ele é um guardião atento.

ἐπίσκοπος (episkopos) ocorre em Atos 20.28 e 1Timóteo 3.1-7, todavia, aqui no texto de 1Pedro 2.25, o destaque é que Jesus é o guardião de nossas almas. Enquanto Lucas em Atos 20.28 e Paulo em 1Timóteo 3.1-7 descrevem a organização da igreja, Pedro enumera que Jesus não é um inspetor que pune, mas um supervisor que supervisiona para preservar e atentamente curar.

Vocês eram como ovelhas que haviam perdido o caminho, mas agora foram trazidos de volta para seguir o Pastor, que cuida da vida espiritual de vocês” (1Pe 2.25).

Quando o apostolo Pedro interliga os dois títulos cristológicos, ποιμήν (poimēn), Pastor; e, ἐπίσκοπος (episkopos), Supervisor/Bispo, visa formar uma cristologia pastoral completa, enumerando o cuidado visível, próximo, afetivo (ποιμήν, poimēn) e o cuidado invisível, constante e intencional (ἐπίσκοπος (episkopos). Jesus Cristo é aquele que cuida caminhando conosco e observando profundamente.

          Vocês eram como ovelhas que haviam perdido o caminho, mas agora foram trazidos de volta para seguir o Pastor, que cuida da vida espiritual de vocês” (1Pe 2.25). O texto grego: “ἐπεστράφητε νῦν ἐπὶ τὸν ποιμένα καὶ ἐπίσκοπον τῶν ψυχῶν ὑμῶν” traz como verbo central “ἐπεστράφητε, vocês foram trazidos de volta.

Esse verbo está na voz passiva, isso indica que “não foram vocês que voltaram”, mas “vocês foram reconduzidos”.

O significado é que a ovelha não se salva sozinha, é o Pastor que a traz de volta. A iniciativa é divina. É uma ação redentora. É um cuidado contínuo. O Pastor que traz a ovelha de volta, cuida da alma da sua ovelha.

          A imagem que Pedro retrata é de que a ovelha que estava desgarrada, ou seja, que vivia em vulnerabilidade total, sendo trazida de volta, está sob cuidado pastoral (poimēn) e vigilância amorosa (episkopos).

O apóstolo Pedro descreve a natureza do relacionamento entre Jesus Cristo e sua ovelha, onde nos conduz e supervisiona a nossa alma. Jesus busca sua ovelha quando está perdida e a carrega quando ferida e, observa quando está frágil e a sustenta continuamente.

A imagem do “Pastor e Bispo das nossas almas” resume o coração do Evangelho, pois descreve a transição do estado de perdição para o estado de cuidado contínuo, pois a ovelha é um animal que precisa de um pastor. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cristo caminha com discípulos em fuga (Lc 24.13-35)

 Terceiro Domingo de Páscoa

19 de abril de 2026

Salmo 116.1-14; Atos 2.14a,36-41; 1Pedro 1.17-25; Lucas 24.13-35

Texto: Lucas 24.13–35

Tema: Cristo caminha com discípulos em fuga.

 

Há algo profundamente humano nessa cena.

Dois discípulos caminham… mas não é apenas uma caminhada. É uma fuga.

Um pastor contou que, certa vez, percebeu que um membro fiel da igreja havia “sumido” aos poucos. Ele não saiu brigado. Não negou a fé. Apenas começou a faltar… depois parou de servir… depois desapareceu.

Meses depois, ao reencontrá-lo, ouviu: “Pastor, eu não saí da igreja de uma vez… fui saindo por dentro”.

É exatamente isso que está acontecendo nesse texto, conforme narrado por Lucas.

Eles estão indo embora… por dentro.

          Discípulos podem estar em fuga sem perceber.

          Não abandonaram oficialmente. Mas estão longe no coração.

É como alguém em um relacionamento que ainda mora na mesma casa… mas emocionalmente já foi embora. Fala. Convive. Responde. Mas não está mais presente.

Há pessoas na igreja hoje que estão presentes no corpo, mas ausentes na alma.

Aqueles discípulos estavam caminhando, uma caminhada de 11Km e enquanto caminhavam conversavam sobre tudo… mas continuavam confusos.

É como assistir a um filme complexo e, ao final, discutir a história… sem realmente entender o enredo. Você viu as cenas… mas não captou o significado.

Assim estavam os discípulos: viram os acontecimentos, mas não entenderam o plano de Deus.

Atualmente temos muito conteúdo, mas pouca compreensão.

          Jesus está com eles… e eles não sabem.

Há uma história conhecida de um homem que sonhou que caminhava com Deus na praia. Ele via dois pares de pegadas. Mas nos momentos mais difíceis… havia apenas um par.

Ele perguntou: “Senhor, por que me deixaste sozinho?” E Deus respondeu: “Não te deixei. Foi ali que eu te carreguei”.

A presença de Deus não depende da nossa percepção.

Você pode não sentir… mas Cristo não te abandonou.

          Aqueles discípulos sabiam de tudo. Jesus falou sobre a cruz, morte e sobre o túmulo vazio, todavia, não entenderam.

É como alguém que recebe um diagnóstico médico com todos os exames em mãos… mas não entende o que aquilo significa sem o médico explicar.

Eles ouviram isso tudo de Jesus e ouviram os fatos testemunhado pelas mulheres, alguns discípulos. Os dados estavam lá. Mas faltava interpretação. Aliás, devido a uma interpretação equivocada do messianismo a partir do Antigo Testamento é que estavam desapontados e desesperançados. Sem a interpretação correta da Escritura, os fatos não produzem fé.

          Jesus os chama de “néscios e tardos de coração”, ou seja, não entendiam e não respondiam. Eram lerdos demais para compreender e aceitar a verdade diante dos olhos.

Uma criança pode ouvir o conselho dos pais várias vezes… entender as palavras… mas demorar a obedecer. Não é falta de audição. É resistência. Assim somos nós muitas vezes com Deus.

O problema não é “não saber” … é “não querer crer imediatamente”.

          Jesus começa a explicar as Escrituras.

Um viajante perdido em uma estrada escura não precisa de emoção… precisa de luz. A Palavra é essa luz. A luz não substitui o caminho, revela o caminho.

A igreja não precisa de mais entretenimento espiritual. Precisa de clareza bíblica.

          Eles disseram que enquanto Jesus explicava as Escrituras “o coração ardia…”.

É como quando alguém lembra de algo que reacende a esperança uma promessa, uma palavra, uma verdade esquecida. De repente, algo muda por dentro… mesmo antes das circunstâncias mudarem.

Deus trabalha primeiro no interior, depois no exterior.

          No partir do pão, eles reconhecem Jesus.

Há momentos simples da vida, uma mesa, uma conversa, um encontro que marcam mais do que grandes eventos.

Deus muitas vezes se revela no ordinário. Não despreze a comunhão, a igreja local, os momentos simples. Não se desconecte. Que o wifi da comunhão esteja sempre conectado pela Palavra e Santa Ceia. A conexão nos faz voltar a caminhar seguro.

Se Cristo te alcança… você não continua no mesmo caminho.

          Quando alguém encontra algo valioso, uma cura, uma solução, uma alegria, não consegue guardar só para si. Testemunho não é obrigação. É transbordamento.

          Todos nós, em algum momento, somos esses discípulos. Confusos, desanimados, caminhando na direção errada. Todavia, Cristo vem ao nosso encontro; Cristo nos confronta; Cristo nos ensina; Cristo se revela.

          Imagine alguém caminhando à noite, sem direção… até que alguém se aproxima com uma lanterna e diz: “Você está no caminho errado, mas eu posso te mostrar o caminho de volta”.

Muitas pessoas estão caminhando em meio a confusão, desesperançadas. Cristo, a luz do mundo caminha ao lado. E o seu caminhar, não é para te condenar, mas para trazer de volta ao caminho e a dar novamente a conexão.

Quando Cristo é reconhecido… o caminho de volta nunca é pesado demais.

Ninguém é capaz de produzir fé. A fé nasce pela Palavra e pelos Meios de Graça. Não é o homem que sobe até Deus. É Deus que desce até o homem, pela Palavra.

          Cristo continua vindo ao encontro do caminhante confuso e desesperançado. Cristo continua falando pela Palavra. Cristo continua se dando nos Sacramentos para que corações voltam a arder, olhos sejam abertos e vidas conectadas a comunhão. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão! (Jo 20.19-31)

 12 de abril de 2026

Segundo Domingo de Páscoa

Salmo 148; At 5.29-42; 1Pedro 1.3-9; João 20.19-31

Texto: João 20.19-31

Tema: O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão!

 

Muitas pessoas vivem a vida espiritual como que em um apartamento com as portas trancadas e as luzes apagadas. Muitos vivem no medo contemporâneo:

o medo de que nossos erros do passado vazem;

a culpa por termos falhado com quem amamos;

e a ansiedade paralisante sobre o amanhã;

No relato de João, os discípulos estão exatamente assim. Eles não estavam apenas escondidos dos judeus; estavam escondidos de si mesmos, carregando o peso de terem abandonado o Mestre na hora do sofrimento.

Imagine uma pessoa que, após cometer um erro grave no trabalho ou no casamento, se isola e não atende o telefone, esperando apenas o julgamento. É nesse cenário de portas trancadas pela culpa que o Cristo Ressuscitado aparece e diz: “Paz seja convosco”.

Jesus Cristo, ressuscitado, aparece e diz: “Paz seja convosco”.

Essa paz significa perdão dos pecados; significa que Jesus estava ali, vitorioso, mas não disposto a repreender e sim, trazer consolo aos pecadores assustados.

Paz seja convosco” não é uma mera saudação ou “oi” casual, é a própria mensagem do Evangelho.

Era necessário que Jesus proclamasse seu evangelho, pois os discípulos estavam cheios de medo e culpa por terem abandonado Cristo na hora do seu sofrimento. Dessa firma a primeira palavra do Cristo ressuscitado é perdão e reconciliação.

Jesus não veio para acusar, mas restaurar pecadores. A paz de Cristo é o resultado da justificação pela fé. Assim, quando ao final do culto nos saudamos com a paz de Cristo, estamos afirmando nossa justificação em Cristo.

Por essa razão, as palavras de Jesus Cristo: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” é a manifestação do Cristo ressuscitado que institui e confirma o ministério da Igreja para que as pessoas deixem de ser acusadas pelos seus pecados e recebam a justificação perante Deus através de Cristo. Igreja não é detentora de moralidade. A Igreja detém o evangelho.

Esse envio fundamenta o ministério da Palavra. Deus instituiu o ministério para que o Evangelho e os sacramentos sejam administrados, por meio dos quais o Espírito Santo cria fé.

Assim, o texto mostra que Cristo envia ministros, para proclamar o Evangelho e aplicar o perdão de pecados.

          Jesus sopra sobre os discípulos e diz: “Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados”.

          Esse versículo é base direta da doutrina do Ofício das Chaves. Qual é o seu ofício? Ou seja, o que você faz?

O ofício das chaves é àquilo que a igreja faz pela autoridade dada por Cristo à Igreja para perdoar pecados aos arrependidos e reter pecados aos impenitentes.

Lucas em Atos 5 nos apresenta a Igreja exercendo essa autoridade delegada. Quando Pedro e os apóstolos dizem perante o Sinédrio que “importa obedecer a Deus antes que aos homens” (At 5.29), eles estão protegendo o ministério que Cristo instituiu no cenáculo. O texto de Atos reforça que a autoridade da Igreja para pregar o perdão, mencionado explicitamente em Atos 5.31: “para dar a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” vêm diretamente do Cristo exaltado, e nenhuma autoridade terrena pode silenciar esse “Ofício”.

O sopro do Espírito Santo sobre a igreja não significa que agora ela é poderosa em línguas estranhas e outros eventos. A igreja cheia do Espírito Santo exerce seu ministério da absolvição. Afinal, quando o pastor anuncia o perdão em nome de Cristo, é o próprio Cristo quem perdoa. A absolvição é uma promessa real de Deus aplicada ao pecador.

Caríssimo irmão e irmã no Senhor: a absolvição é verdadeira voz do Evangelho, não é uma mera declaração humana.

A quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados”. A absolvição proclamada na igreja é a voz de Deus.

          Naquele dia Tomé não estava presente. Parece não significar nada uma faltar um culto, mas, para Tomé, o prejuízo foi ter que suportar a dor da culpa e incredulidade por mais uma semana. Tomé não acredita no testemunho dos outros discípulos e exige: ver, tocar, experimentar.

          Temos aqui uma verdadeira revelação da fraqueza da natureza humana. Quando vezes, nos desesperamos quando a fé é fraca.

          A grande notícia é que Jesus Cristo não abandona os fracos na fé, ou quando a incredulidade bate a porta. Uma semana depois, Jesus se aproxima novamente e convida Tomé: “Põe aqui o teu dedo”. Esse foi o abraço de Jesus em Tomé. E diante desse abraço, Tomé faz uma das mais nobres confissões apresentadas no Novo Testamento: “Senhor meu e Deus meu”.

A dúvida de Tomé revela a tensão entre ver e crer. Tomé representa a fraqueza comum de todos os cristãos; afinal, até os apóstolos lutaram com dúvidas. E quão confortador é para nós lermos que Jesus Cristo não rejeitou Tomé, pelo contrário, concedeu sinais para fortalecer a sua fé. Jesus Cristo é paciente com a fé fraca, inclusive a sua.

Esse Tomé, alcançado pelo evangelho do perdão, confessa: “Senhor meu e Deus meu!” está fazendo uma das mais claras confissões da divindade de Cristo no Novo Testamento.

Essas palavras são as quais nós nos apoiamos para defender a cristologia contra erros cristológicos. Assim afirmamos que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Volto a repetir o motivo pelo qual confessamos nossa fé com as palavras do Credo. Ou seja, quando muitas igrejas não fazem uso do Credo, deve-se ao fato delas não terem essa verdadeira cristologia.

Após a dúvida e tendo Jesus aparecido a Tomé, é da sua boca que ouvimos o testemunho da união pessoal das duas naturezas em Cristo. As palavras de Tomé destroem qualquer tentativa de querer negar Jesus como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

          É claro que a fé não depende de experiência visível. A fé depende da Palavra de Deus. O pecador é justificado pela fé, uma fé que nasce e é alimentada quando se ouve o Evangelho. Somos, conforme a Palavra de Jesus, muito mais felizes e abençoados que Tomé, pois, mesmo sem ter visto Jesus fisicamente, cremos. Encontramos Cristo na Palavra e nos Sacramentos.

          Jesus disse para Tomé: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. A fé não se baseia em visões, milagres e experiências místicas. Dessa forma, permaneça na Palavra mesmo quando os sentidos dizem o contrário.

          O apóstolo Pedro escreve “A quem, não havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” (1Pe 1.8). O resultado prático da bem-aventurança é uma viva esperança que sustenta mesmo em meio a provações. O alvo da fé é a salvação da alma, algo que independe do toque físico que Tomé exigiu.

          No final do texto, João explica por que escreveu seu evangelho: “Estas coisas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo”. A Escritura Sagrada nos foi dada para produzir fé e essa fé traz vida em Cristo. A função do Evangelho não é apenas informar fatos históricos, mas criar fé salvadora. Em outras palavras, a Escritura Sagrada é suficiente como testemunho de Cristo. O nome que carregamos em nossa igreja: Igreja Evangélica reforça que a Palavra de Deus é a única norma de doutrina, pregação e prática.

O evangelho não é apenas história; o evangelho foi escrito para produzir fé e trazer vida e salvação. A fé nasce da Palavra de Deus: sem a Palavra de Deus nem o mundo existiria.

          A pericope, João 20.19-31, ensina cinco coisas essenciais: (Repita comigo):

1.    A instituição do ministério da Palavra;

2.    O estabelecimento do ofício das chaves e da absolvição;

3.    A confissão da divindade de Cristo;

4.    A fé baseada na Palavra, não na visão ou milagre;

5.    O propósito evangelístico da Escritura, conduzir a salvação;

O Jesus Cristo que veio para nos resgatar na cruz, continua presente na Igreja através do Evangelho, da absolvição e dos sacramentos.

A fé dos cristãos de todas as épocas cumpre a bem-aventurança de Jesus: crer sem ver, confiando na Palavra apostólica registrada nas Escrituras. Assim, recebemos dessas palavras do apostolo João o consolo do Cristo ressuscitado, o poder do perdão dos pecados e a natureza da fé cristã.

          Jesus continua nos abraçando com suas palavras, em especial as palavras: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. Feliz é você que, mesmo sem experiência pessoal com Cristo. Mesmo sem um milagre extraordinário, crê em Jesus.

          A fé verdadeira é confiar não no que os olhos veem, mas na promessa de Deus.

          As Escrituras Sagradas continuam entre nós para mostrar que Jesus é o Cristo; para produzir a fé e dar vida eterna.

          Ao sairmos daqui hoje, levemos conosco a certeza de que a nossa fé não é sustentada por aquilo que tocamos, mas por aquele que nos toca através de sua Palavra. Tomé precisou ver para crer, mas Jesus olhou através dos séculos, viu cada um de vocês e nos chamou de “bem-aventurados”. Por quê? Porque nós cremos sem ver.

Nossa segurança não reside em milagres visíveis ou em arrebatamentos emocionais, mas na autoridade do Ofício das Chaves: quando o perdão é anunciado, o próprio Deus está abrindo as portas do céu para você. A Igreja não é um clube de perfeição moral, mas o lugar onde pecadores cansados encontram o abraço de Cristo na Absolvição. Que a confissão de Tomé “Senhor meu e Deus meu!” seja o fôlego da sua vida nesta semana.

Nossa segurança não reside no nosso desempenho moral, mas na autoridade da cruz.

          Ao olharmos para a trajetória de medo dos discípulos e para a dúvida de Tomé, percebemos que a nossa própria história está refletida ali. Jesus, em sua infinita paciência, não nos descarta por nossa fé fraca; Ele nos abraça através do Evangelho e dos Sacramentos. A mensagem central deste texto é clara: a Igreja é o lugar da reconciliação, onde a voz do pastor ao anunciar a absolvição é a própria voz de Deus abrindo as portas do céu para o arrependido.

Portanto, não saia daqui hoje buscando sinais visíveis ou experiências místicas para sustentar sua caminhada. Saia com a certeza de que você é o “bem-aventurado” de quem Jesus falou. Nossa segurança não repousa no que sentimos, mas na promessa de que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, o nosso “Senhor e Deus”. Que a Palavra de Deus, que foi escrita para que creiamos e tenhamos vida, seja a única norma da sua fé e o consolo para sua alma. Vá em paz, perdoado e fortalecido pelo Cristo que venceu a morte e hoje caminha ao seu lado. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 30 de março de 2026

A ressurreição é o amém de Deus ao está consumado de Cristo na cruz!

 05 de abril de 2026

Domingo de Páscoa

Salmo 16; Atos 10.34-43; Colossenses 3.1-4; Mateus 28.1-10

Texto: Mateus 28.1-10

Tema: A ressurreição é o amém de Deus ao está consumado de Cristo na cruz!

 

Há notícias que mudam o dia. Outras mudam a história. Existe uma notícia que mudou… tudo.

Naquela manhã, o mundo ainda carregava o peso da sexta-feira. O silêncio da morte parecia definitivo. A cruz ainda estava fresca na memória. A esperança, aparentemente, havia sido enterrada junto com um corpo em um túmulo selado. Mas então… a terra tremeu.

Não foi apenas um abalo físico. Foi como se a criação inteira estivesse reagindo, anunciando que algo impossível havia acontecido. Aquilo que parecia encerrado estava, na verdade, começando.

O túmulo não conseguiu reter. A pedra não conseguiu impedir. A morte não conseguiu vencer. E desde aquele momento, nada, absolutamente nada, pode permanecer como antes.

O cristianismo não é uma filosofia de autoajuda ou um código moral abstrato; é um fato fincado no solo da história. Mateus registra um grande terremoto. Geologicamente, a terra tremeu em Jerusalém naquele tempo, mas espiritualmente, aquele tremor foi o cosmos reagindo à maior notícia da eternidade.

A terra tremeu na Sexta-feira porque o autor da vida morria. A terra tremeu no Domingo porque a morte estava sendo despejada de seu próprio território.

A ressurreição é o "Amém" do Pai ao "Está Consumado" do Filho. Se o túmulo estivesse ocupado, nossa fé seria apenas um clube social. Mas, porque Ele ressuscitou, este evento deve abalar as estruturas da sua vida hoje!

Mateus nos apresenta dois grupos diante do anjo deslumbrante como um relâmpago. Neles, contemplamos dois destinos diferentes diante da glória de Deus:

Os guardas: homens de guerra, treinados pelo Império, tornaram-se “como mortos”. O medo deles é o pavor do juízo. Para quem rejeita o Rei, sua glória é uma sentença de paralisia.

As Mulheres: Maria Madalena e as outras não tinham espadas, tinham amor. Para elas, o anjo diz: “Não tenham medo!”.

Perceba o contraste: o medo dos guardas é o pavor do tribunal; o “não temais” das mulheres é o convite da graça. O Rei que foi humilhado na Sexta-feira agora subjuga o terror da morte. Para quem crê, a ressurreição não é uma ameaça, é o fim de todo o pavor.

O anjo chama Jesus de “o Crucificado”. Isso nos ensina que a cruz não foi um acidente de percurso ou um erro de estratégia. A cruz foi o trono onde o Rei governou e venceu nossos inimigos.

O anjo declara: “Ele não está aqui; já ressuscitou, como tinha dito”. A ressurreição valida cada palavra de Jesus. Ele é Rei porque sua palavra é inabalável. O que Jesus prometeu no Cenáculo e no Getsêmani, Ele assinou com sangue na cruz e carimbou com o túmulo vazio. No grego, os verbos “crucificado” e “ressuscitou” indicam ações concluídas no passado com efeitos que duram para sempre. A dívida foi paga e o recibo foi rasgado!

O cristianismo não se baseia em um sentimento vago, mas em um lugar vazio.

O anjo convida a examinar as evidências. Os lençóis dobrados mostram que não houve pressa. Ladrões fogem; o Ressurreto tem autoridade e ordem.

Deus escolheu mulheres como as primeiras testemunhas em uma cultura onde o depoimento feminino não tinha valor jurídico. Se a história fosse uma mentira inventada, teriam usado homens influentes. Deus usa o que o mundo ignora para envergonhar os fortes.

O Reino de Jesus não é um monumento estático para ser visitado; é um movimento. Jesus não está esperando no túmulo; Ele é o Rei que “vai adiante de vocês”.

Se na Sexta-feira a placa dizia “Este é Jesus, o Rei dos Judeus” como uma acusação de morte, no Domingo o anjo a proclama como um decreto de vida eterna.

O apóstolo Paulo nos convoca ao escrever na carta aos Colossenses: “Se vocês foram ressuscitados com Cristo, ponham o seu interesse nas coisas lá do alto” (Cl 3.1).

Pare de viver como se o túmulo ainda estivesse ocupado por seus pecados.

Pare de ser escravo do medo e das emoções instáveis.

Olhe para cima: sua vida não está enterrada no chão das circunstâncias; ela está escondida com Cristo em Deus.

Que o terremoto da ressurreição remova hoje a pedra da descrença e da apatia dos nossos corações. Não servimos a um mártir morto, mas a um Rei Vivo. Que a nossa vida seja o reflexo desse túmulo vazio.

A ressurreição não é apenas uma verdade para ser celebrada… é uma realidade para ser vivida.

O túmulo está vazio, mas, muitas vezes, nossos corações ainda estão cheios de medo, culpa e incredulidade. Vivemos como se a pedra ainda estivesse no lugar, como se a morte ainda tivesse a última palavra. Mas não tem.

A ressurreição não permite uma fé morna. Ela não combina com uma vida parada. Ela não se encaixa em uma espiritualidade superficial. Ela chama. Ela confronta. Ela transforma. Amém!

 

Edson Ronaldo Tressmann
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