21 de junho de 2026
Próprio
7 – Quarto Domingo após Pentecostes
Salmo
91.1-10; Jeremias 20.7-13; Romanos 6.12-23; Mateus 10.5ª, 21-33
Tema:
Entre a cruz e a proteção de Jesus!
Onde posso estar realmente seguro?
Protegemos
a casa com muros e câmeras, o carro com seguro, o celular com senha. Protegemos
o dinheiro no banco, os filhos, a saúde, o patrimônio e o futuro.
Nunca
tivemos tantos recursos para produzir segurança e, paradoxalmente, nunca fomos
uma geração tão dominada pelo medo. Afinal, existe um medo difícil de vencer. É
o medo de perder quem amamos, medo da doença, medo da rejeição, medo do
sofrimento, medo da morte.
Inúmeras
vezes, as pessoas vão a um culto buscando vencer o medo e chegando num culto,
como esse hoje, ouvimos Jesus, e o nosso Salvador não promete uma vida fácil. O
profeta Jeremias foi ridicularizado. O apóstolo Paulo fala da luta contra o
pecado. E o salmista no Salmo 91 proclama a proteção do altíssimo.
Compreenda
que a proteção de Deus não significa ausência de cruz. Na verdade, significa
presença de Deus na cruz.
Primeira
parte
O esconderijo do Altíssimo tem um nome: Cristo.
Ao
declarar: “A pessoa que procura segurança no
Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do Todo-Poderoso” (Sl
91.1), o salmista utiliza o verbo hebraico yashab que significa morar, permanecer,
fazer residência.
O
salmista não fala de uma visita de domingo. Não fala de uma oração ocasional. Fala
de alguém que fez de Deus a sua casa.
Martinho
Lutero ao comentar esse Salmo escreveu que “a
verdadeira fortaleza do cristão não são muralhas, mas a Palavra de Deus".
O
esconderijo do Altíssimo não é um castelo. Não é uma igreja. Não é um lugar
geográfico. É uma pessoa. É Cristo.
Quem
está em Cristo continua enfrentando tempestades, mas nunca as enfrenta sozinho.
O
Salmo 91 não promete que nenhuma doença chegará. Não promete que nenhuma
lágrima será derramada. Promete que Deus jamais
abandonará aqueles que pertencem a Ele.
Segunda
parte
A Palavra permanece quando tudo parece desmoronar
O
profeta Jeremias chega ao limite, a ponto de dizer: “Todos zombam de mim, caçoando o dia inteiro” (Jr 20.7).
O
profeta Jeremias virou motivo de piada, todos faziam bullying com ele.
A
fidelidade de Jeremias para com a Palavra de Deus produziu isolamento. Seu
ministério trouxe sofrimento. Então ele pensa em desistir. Mas não consegue,
pois: “...a tua mensagem fica presa dentro de
mim e queima como fogo no meu coração. Estou cansado de guardá-la e não posso
mais aguentar” (Jr 20.9).
As
emoções do profeta estavam esgotadas, mas a Palavra de Deus continuava viva.
Algo
semelhante aconteceu com Martinho Lutero.
Há
505 anos, diante do imperador Carlos V, dos bispos, dos príncipes e das maiores
autoridades do seu tempo, um simples monge era pressionado a renunciar tudo o
que havia escrito de acordo com a Palavra de Deus sendo contrário a venda de
indulgências e a justificação pelas obras.
De
um lado, o poder político; de outro lado, o poder religioso.
Martinho
Lutero, humanamente estava sozinho no meio deles, mas sustentado pela Palavra, declarou
contrariamente àquilo que as autoridades desejavam: “Minha consciência está cativa à Palavra de Deus”.
Martinho
Lutero perdeu proteção humana das autoridades políticas. Foi declarado fora da
lei. Seus livros foram proibidos. Sua vida passou a correr perigo. Todavia,
vivenciou aquilo que o Salmo declara: quem habita no esconderijo do Altíssimo jamais está
desprotegido.
Terceira parte
A quem você pertence?
O
apóstolo Paulo faz uma pergunta que desmonta toda ilusão moderna de autonomia. Ele
afirma que ninguém é completamente livre. Todos servem a um senhor. Ou sé é
escravo do pecado ou se pertence a Cristo.
A
palavra grega doulos significa alguém que
pertence totalmente ao seu senhor. E Paulo anuncia uma notícia
extraordinária destacando que “Vocês foram
libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus para fazer o que é direito”
(Rm 6.18).
O
que o apostolo escreve aqui é que não vivemos sem um senhor. Todavia, nosso
Senhor é Jesus Cristo.
Assim,
vivemos em meio a um paradoxo. Enquanto o mundo diz que você pode fazer o que
quiser; Jesus Cristo anuncia que você pertence à Ele.
O
mundo promete uma liberdade que nos escraviza. Jesus Cristo chama para servi-lo
e destaca que esse servir é uma verdadeira liberdade.
Não
obedecemos para conquistar Deus. Obedecemos porque Deus já nos conquistou em
Cristo.
Jesus
conhece perfeitamente o futuro dos seus discípulos e não esconde essa realidade
deles. Jesus diz que haverá perseguição, famílias divididas, ódio, rejeição. Todavia,
no meio de tudo isso, por três vezes Jesus repete: “Não
temais” (Mt 10.26, 28, 31).
Não tenha medo, afinal, existe uma
verdade maior que qualquer perseguição. Os homens podem ferir nosso corpo, mas
não podem ferir nossa eternidade. Os homens podem prender um cristão, mas não
podem prender Cristo. É possível que tirem nossos bens, nossa reputação, nossa
liberdade. No entanto, não podem arrancar ninguém das mãos do Bom Pastor Jesus.
Jesus
usa o exemplo dos pardais. Dois deles eram vendidos por quase nada. Mesmo
assim, nenhum cai sem que o Pai saiba. E então Cristo olha para seus discípulos
e anuncia: “Vocês valem muito mais”
(Mt 10.31).
Jesus
não promete ausência de dor. Jesus promete sua presença constante.
Jesus diz para não temermos pelo fato de que antes de enfrentarmos
a cruz, Jesus a enfrentou sozinho. Na cruz, Jesus experimentou o abandono para
que nós jamais fôssemos abandonados. Jesus entrou no silêncio para que nós
ouvíssemos para sempre: “Eu estou com vocês”
(Mt 28.20).
Jesus
enfrentou o juízo para que recebêssemos graça. Jesus venceu a morte para que
nenhuma morte tenha a última palavra. Quando tudo parece perdido, olhamos para
a cruz. E quando olhamos para a cruz, descobrimos que o esconderijo do
Altíssimo tem braços abertos, mãos perfuradas e um lado traspassado. Nosso
refúgio é Cristo crucificado e ressuscitado.
Vivemos em um mundo que procura
segurança no dinheiro, no poder, na influência, na tecnologia e na aprovação
das pessoas. Todavia, tudo isso passa.
Existe
uma segurança que permanece quando tudo desmorona. É a segurança de sabermos
que tudo pertence a Cristo.
Por
essa razão, o cristão vive um paradoxo extraordinário. É perseguido, mas
protegido. É ferido, mas sustentado. É pecador, mas justificado. É servo, mas
livre. É frágil, mas pertence ao Senhor do universo.
A
Igreja não é reconhecida pelo conforto que possui. É reconhecida pela
fidelidade ao Evangelho que anuncia. E por isso, mesmo quando o mundo ameaça,
mesmo quando a cruz pesa, mesmo quando o medo bate à porta, ela continua
confessando com absoluta confiança: “Ó Senhor Deus,
tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em ti”
(Sl 91.2). E Cristo responde à sua Igreja: “Não
temais. Vocês pertencem a mim. Eu estive com vocês na cruz, estou com vocês
hoje e estarei com vocês até o fim dos tempos”.
Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann