Próprio 27 24º DOMINGO APÓS PENTECOSTES
Salmo
70; Amós 5.18-24; 1Tessalonicenses 4.13-18; Mateus 25.1-13.
Texto:
Mateus 25.1-13
Texto: Mateus
25.1-13
Tema: A
geração coca cola e a volta de Cristo!
Em
1984, a banda brasileira Legião Urbana lançou a música Geração Coca-Cola, uma composição critica a
influência cultural, consumismo e formação de uma juventude condicionada por
padrões impostos pela sociedade.
Essa
expressão se tornou uma referência cultural para refletir sobre uma geração
influenciada pelo consumo e pelos modelos de comportamento de seu tempo, uma
geração marcada pelo imediatismo.
Vivemos
em meio a uma geração que quer tudo para ontem! Uma geração do consumo rápido,
da satisfação instantânea, da comunicação imediata e dos resultados sem demora.
Uma geração com dificuldade de esperar e que, abandona aquilo que exige
perseverança.
As
características dessa geração é:
Quer
comida rápida: miojo, que fica pronto em três minutos.
Quer
respostas rápidas: pergunta ao Google e espera encontrar tudo
imediatamente.
Quer
entregas rápidas: pede um fast-food e acompanha o entregador
pelo aplicativo.
Quer
comunicação rápida: manda uma mensagem e fica impaciente
quando não recebe resposta.
Quer
dinheiro rápido: procura oportunidades de ganhar sem
construir uma trajetória.
Quer
resultados rápidos: deseja sucesso sem passar pelo processo.
Quer
emagrecer rapidamente, enriquecer rapidamente, crescer rapidamente e conquistar
rapidamente.
Essa
dificuldade de esperar tem contaminado a mentalidade da igreja que passou a
querer oração respondida imediatamente; promessa sem processo; vitória sem
batalha; viver os resultados da fé sem assumir as responsabilidades da
caminhada cristã.
Nesse
contexto, a parábola das Dez Virgens, apresenta uma mensagem extraordinária.
Jesus
conta a história de dez jovens que aguardavam a chegada de um noivo. Todas
tinham lâmpadas, estavam esperando, participavam da mesma expectativa. Todavia,
cinco eram prudentes e cinco, insensatas. E
o detalhe que muda toda a interpretação da história: o noivo demorou!
As
insensatas estavam preparadas para uma chegada rápida enquanto as prudentes
estavam preparadas para uma espera prolongada e o noivo demorou.
A
fé verdadeira não é demonstrada apenas quando tudo acontece rapidamente, mas
quando é preciso continuar esperando sem abandonar a fidelidade a Deus.
Numa
geração que quer tudo para ontem, refletir nessa parábola, aprendemos que
precisamos permanecer preparados.
Mateus
25.1-13 utiliza a imagem de uma celebração matrimonial. A chegada do noivo era
um momento de expectativa, e as jovens participantes aguardavam para
acompanhá-lo junto com a noiva à celebração.
O texto deixa claro que as jovens
aguardavam o noivo e precisavam manter suas lâmpadas preparadas e deveriam
estar prontas para acompanhá-lo quando chegasse.
Essa
parábola está inserida no discurso escatológico de Jesus, iniciado em Mateus
24. (Mateus 24.36-44, a imprevisibilidade da vinda do Filho do Homem. Mateus
24.45-51, o servo fiel e o servo infiel. Mateus 25.1-13, as dez virgens. Mateus
25.14-30, a parábola dos talentos. Mateus 25.31-46, o juízo das nações).
Mateus
destaca o desenvolvimento de uma sequência de ensinamentos sobre a
responsabilidade de viver preparado para sua manifestação futura.
Em
Mateus 24.42, ouvimos Jesus dizer: “Vigiai,
pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” e
Mateus 25.13 encerra a parábola: “Vigiai, pois,
porque não sabeis o Dia nem a hora”. Essa ligação é fundamental.
A
parábola das Dez Virgens não é simplesmente uma história sobre um casamento. É
uma advertência sobre a preparação necessária para a chegada do Filho do Homem.
O
ponto central de comparação entre a narrativa e a realidade espiritual é a
necessidade de uma preparação pessoal, perseverante e antecipada para a chegada
inesperada de Cristo.
A
história apresenta dez jovens que aguardam um noivo mostrando a realidade
espiritual de pessoas que aguardam a manifestação de Cristo. O contraste está
entre aquelas que se prepararam adequadamente e aquelas que negligenciam sua
preparação, deixando isso para depois.
Jesus
apresenta dois grupos: cinco prudentes e cinco insensatas.
No grego, a palavra phronimoi
significa prudentes, sensatas, sábias. Já mōrai significa insensatas,
imprudentes, sem discernimento.
Essa
classificação não é feita pela aparência, posição social ou participação na
celebração. É feita pela
maneira como cada grupo se preparou. As prudentes fizeram algo que as
insensatas não fizeram: levaram azeite em
recipientes adicionais.
As
prudentes não pensaram apenas na chegada imediata do noivo, elas consideraram a
possibilidade de uma espera prolongada. E aqui está uma importante aplicação
para nossa geração: não podemos construir uma vida espiritual pensando apenas
nos momentos em que tudo está bem. Precisamos estar alimentados na fé para
permanecermos firmes quando a resposta não chega, quando a porta não se abre e
quando a promessa parece distante. A geração Coca-Cola está acostumada a
consumir imediatamente. Mas a vida cristã exige uma reserva de perseverança. Não
podemos sustentar nossa caminhada somente com a oração que alguém fez por nós, precisamos cultivar nossa
comunhão com Deus.
As
insensatas tinham lâmpadas, mas não tinham provisão suficiente e não puderam acompanhar
o noivo e a noiva até o banquete.
Quantas
pessoas têm Bíblia, mas não cultivam o hábito de ler. Têm lugar na igreja, mas
não desenvolvem comunhão com Deus. Têm discurso, mas falta a prática. Têm
entusiasmo nos momentos de celebração, mas isso lhe falta quando enfrentam as
dificuldades.
Como está nossa vida de oração? Como está nosso relacionamento
com a Palavra? Como está nossa perseverança quando as respostas demoram? A
preparação espiritual não pode ser improvisada no último momento.
Uma geração acostumada a recarregar o
celular várias vezes ao dia não pode negligenciar a própria vida espiritual! Não
podemos ter bateria para passar horas nas redes sociais e não encontrar alguns
minutos para estar na presença de Deus. Não podemos deixar nossa vida
espiritual sem cuidado.
“Como o noivo estava demorando, as dez moças começaram a
cochilar e pegaram no sono” (Mt 25.5). Aqui está o coração da
mensagem! O Noivo demorou!
Observemos
um detalhe: as dez virgens adormeceram! Tanto as prudentes quanto as insensatas
dormiram. O problema não foi o sono, a diferença é notada quando ouviu-se o
grito: “O noivo está chegando! Venham se
encontrar com ele!” (Mt 25.6). Àquelas que não tinham óleo reserva,
não puderam ir ao encontro do noivo e assim perderam tempo e ao chegar no
banquete a porta já estava fechada.
Enquanto
o noivo não chegava, aparentemente não existia diferença entre os dois grupos,
ninguém sabia dizer quem era insensato e quem era prudente. Todas aguardavam, todas
estavam no mesmo ambiente, todas tinham lâmpadas. Mas, a demora do noivo e sua
chegada em hora avançada, revelou a diferença. Ele
chegou e agora?
Isso
acontece na caminhada cristã. No início da caminhada, pessoas demonstram
entusiasmo. Mas, o que acontece quando a
resposta demora? O que acontece quando a oração não é respondida no tempo
esperado? O que acontece quando a promessa parece distante? O que acontece
quando a vida cristã exige renúncia?
A espera é tempo de prova.
Vivemos
numa cultura que ensina as pessoas a não esperar. Quer comida rápida:
miojo. Quer respostas rápidas: Google. Quer entrega rápida:
fast-food. Quer comunicação rápida: aplicativos de mensagens. Quer
entretenimento imediato: basta abrir uma plataforma digital. Quer
resultados rápidos: procura atalhos.
A
Bíblia ensina que a caminhada cristã exige perseverança. O autor a carta aos Hebreus
escreveu: “Porque necessitais de paciência, para
que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa”
(Hb 10.36).
O
fato do noivo demorar não significa que ele havia desistido da celebração. O
fato de ainda aguardarmos a manifestação de Cristo não significa que sua
promessa tenha perdido a validade. O apóstolo Pedro escreveu: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a
têm por tardia” (2Pedro 3.9).
A
demora não é autorização para abandonar a perseverança e fidelidade em realizar
o que o chamado de Deus lhe confiou (Mt 25.14-30). Enquanto esperamos,
precisamos continuar orando; continuar obedecendo; continuar vivendo em
santidade; continuar anunciando o Evangelho; continuar servindo. Que a cultura
acostumada à velocidade não produza uma Igreja incapaz de perseverar.
“A meia-noite se ouviu este grito: O noivo está chegando!
Venham se encontrar com ele!” (Mt 25.6).
A
expressão “à meia-noite” marca o
inesperado da parábola. O grito interrompe a espera. O noivo está chegando! A
expectativa transforma-se em realidade. Todas precisam levantar-se e preparar
suas lâmpadas. E no verso 7 destaca que todas se levantaram e prepararam suas
lâmpadas.
A
palavra grega ekosmēsan transmite a ideia de colocar em ordem, preparar ou ajustar.
Era um momento decisivo, e justamente aqui que aparece o problema: as insensatas não tinham azeite
adicional. A chegada do
noivo revelou o problema, problema que muitos irão enfrentar, pois estão
vivendo negligentemente.
Chegamos
ao momento mais dramático da parábola. As insensatas percebem que não tem óleo
para recarregar suas lamparinas e não poderão acompanhar junto com a noiva até
o noivo.
Durante
o período de espera, elas não consideraram necessária uma preparação adicional.
Mas, quando o noivo anuncia sua chegada, descobrem que precisam de algo que negligenciaram
durante a espera e havia tempo para se prepararem. E quando na hora H, as
insensatas procuram nas prudentes aquilo que deveriam ter levado consigo desde
o início. Mas, não foi possível! Aqui está uma advertência para nossa geração.
Existem
pessoas que querem viver da experiência espiritual dos outros. Querem a oração
da mãe. Querem a fé do pai. Querem a intercessão do pastor. Querem a
experiência dos irmãos. Querem os resultados de uma vida espiritual que elas
mesmas não cultivam. Mas existe uma dimensão da caminhada cristã que é pessoal
e intransferível. Ninguém pode desenvolver sua comunhão com Deus em seu lugar.
Ninguém pode se arrepender em seu lugar. Ninguém pode obedecer a Deus em seu
lugar. Ninguém pode viver uma vida de serviço em seu lugar. A fé dos outros
pode nos inspirar, mas não pode substituir nossa própria resposta a Deus. É o
mesmo que pedir para outro se alimentar e achar que eu irei usufruir os
nutrientes. A igreja caminha
ao seu lado, mas não pode caminhar em seu lugar. Não tente construir no
último minuto aquilo que deveria ter sido cultivado durante toda a caminhada.
Uma
das grandes características do imediatismo é o fato de que as pessoas querem
resultados imediatos, mas deixam para depois aquilo que realmente importa.
Deixam
para depois uma conversa necessária, um pedido de perdão, uma reconciliação,
uma mudança de comportamento, o compromisso com Deus, abandonar o pecado. Todavia,
existe um problema: ninguém
tem controle sobre o amanhã.
A
parábola apresenta uma advertência séria: haverá um momento decisivo. Você está preparado?
As
insensatas bateram à porta e pediram: “Senhor,
senhor, abre-nos” e ouviram: “Em
verdade vos digo que vos não conheço”.
A
expressão “não vos conheço” aponta
para a ausência de reconhecimento e relacionamento, não para falta de
informação intelectual.
A
porta fechada é um dos elementos mais solenes da parábola. Até aquele momento,
havia expectativa. Agora existe uma separação. Até aquele momento, havia
oportunidade de preparação. Agora a oportunidade de entrar naquela celebração
terminou. Essa imagem aponta para a seriedade do juízo e da manifestação futura
do Reino.
Jesus
não contou essa história para alimentar especulações sobre datas ou produzir
medo sem propósito. Ele
contou para despertar a responsabilidade espiritual de seus ouvintes.
Não
sabemos quando o Noivo virá, não sabemos o dia nem a hora, mas sabemos que
precisamos viver preparados. Por isso, Jesus conclui: “Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora”.
Vigiai (grēgoreite), permanecer vigilante, atento e preparado. Vigiar
significa viver diariamente em fidelidade a Cristo. É trabalhar sem transformar
o trabalho num deus. Estudar, planejar, empreender e realizar sonhos, mas sem
perder a perspectiva da eternidade. Viver sem permitir que os valores deste
mundo determinem nossa identidade espiritual. Não podemos passar a vida inteira preparando tudo para
viver neste mundo e esquecer de nos preparar para a eternidade!
Jesus
contou uma história que nos ensina que a espera faz parte da caminhada. A volta de Cristo não exige uma
Igreja ansiosa, mas uma Igreja preparada.
Não
precisamos abandonar nossas atividades cotidianas, mas tudo que realizar, fazer
debaixo da perspectiva da eternidade. Não é viver com medo do amanhã, mas na
fidelidade do hoje.
A
Palavra nos chama à preparação. É tempo de voltar à oração, voltar à Palavra, abandonar
o pecado, restaurar a comunhão com Deus, levar a sério a nossa caminhada
cristã.
A geração Coca-Cola quer tudo gelado,
rápido e pronto; mas Jesus está formando uma Igreja que sabe esperar,
perseverar e permanecer fiel! Amém
Se por esse trabalho você desejar fazer um pix voluntário edson.ronaldotre@gmail.com