Terceiro Domingo de Páscoa
19
de abril de 2026
Salmo
116.1-14; Atos 2.14a,36-41; 1Pedro 1.17-25; Lucas 24.13-35
Texto:
Lucas
24.13–35
Tema: Cristo
caminha com discípulos em fuga.
Há
algo profundamente humano nessa cena.
Dois
discípulos caminham… mas não é apenas uma caminhada. É uma fuga.
Um
pastor contou que, certa vez, percebeu que um membro fiel da igreja havia “sumido” aos poucos. Ele não saiu brigado. Não
negou a fé. Apenas começou a faltar… depois parou de servir… depois
desapareceu.
Meses
depois, ao reencontrá-lo, ouviu: “Pastor, eu não
saí da igreja de uma vez… fui saindo por dentro”.
É
exatamente isso que está acontecendo nesse texto, conforme narrado por Lucas.
Eles
estão indo embora… por dentro.
Discípulos podem estar em fuga sem perceber.
Não abandonaram oficialmente. Mas estão
longe no coração.
É
como alguém em um relacionamento que ainda mora na mesma casa… mas
emocionalmente já foi embora. Fala. Convive. Responde. Mas não está mais
presente.
Há
pessoas na igreja hoje que estão presentes no corpo, mas ausentes na alma.
Aqueles
discípulos estavam caminhando, uma caminhada de 11Km e enquanto caminhavam
conversavam sobre tudo… mas continuavam confusos.
É
como assistir a um filme complexo e, ao final, discutir a história… sem
realmente entender o enredo. Você viu as cenas… mas não captou o significado.
Assim
estavam os discípulos: viram os acontecimentos, mas não entenderam o plano de
Deus.
Atualmente
temos muito conteúdo, mas pouca compreensão.
Jesus está com eles… e eles não sabem.
Há
uma história conhecida de um homem que sonhou que caminhava com Deus na praia. Ele
via dois pares de pegadas. Mas nos momentos mais difíceis… havia apenas um par.
Ele
perguntou: “Senhor, por que me deixaste sozinho?”
E Deus respondeu: “Não te deixei. Foi ali que eu
te carreguei”.
A
presença de Deus não depende da nossa percepção.
Você
pode não sentir… mas Cristo não te abandonou.
Aqueles discípulos sabiam de tudo.
Jesus falou sobre a cruz, morte e sobre o túmulo vazio, todavia, não entenderam.
É
como alguém que recebe um diagnóstico médico com todos os exames em mãos… mas
não entende o que aquilo significa sem o médico explicar.
Eles
ouviram isso tudo de Jesus e ouviram os fatos testemunhado pelas mulheres,
alguns discípulos. Os dados estavam lá. Mas faltava interpretação. Aliás, devido
a uma interpretação equivocada do messianismo a partir do Antigo Testamento é
que estavam desapontados e desesperançados. Sem a interpretação correta da
Escritura, os fatos não produzem fé.
Jesus os chama de “néscios e tardos de coração”, ou seja, não
entendiam e não respondiam. Eram lerdos demais para compreender e aceitar a
verdade diante dos olhos.
Uma
criança pode ouvir o conselho dos pais várias vezes… entender as palavras… mas
demorar a obedecer. Não é falta de audição. É resistência. Assim somos nós
muitas vezes com Deus.
O
problema não é “não saber” … é “não querer crer imediatamente”.
Jesus começa a explicar as Escrituras.
Um
viajante perdido em uma estrada escura não precisa de emoção… precisa de luz. A
Palavra é essa luz. A luz não substitui o caminho, revela o caminho.
A
igreja não precisa de mais entretenimento espiritual. Precisa de clareza
bíblica.
Eles disseram que enquanto Jesus
explicava as Escrituras “o coração ardia…”.
É
como quando alguém lembra de algo que reacende a esperança uma promessa, uma
palavra, uma verdade esquecida. De repente, algo muda por dentro… mesmo antes
das circunstâncias mudarem.
Deus
trabalha primeiro no interior, depois no exterior.
No partir do pão, eles reconhecem
Jesus.
Há
momentos simples da vida, uma mesa, uma conversa, um encontro que marcam mais
do que grandes eventos.
Deus
muitas vezes se revela no ordinário. Não despreze a comunhão, a igreja local,
os momentos simples. Não se desconecte. Que o wifi da comunhão esteja sempre
conectado pela Palavra e Santa Ceia. A conexão nos faz voltar a caminhar
seguro.
Se
Cristo te alcança… você não continua no mesmo caminho.
Quando alguém encontra algo valioso, uma
cura, uma solução, uma alegria, não consegue guardar só para si. Testemunho não
é obrigação. É transbordamento.
Todos nós, em algum momento, somos
esses discípulos. Confusos, desanimados, caminhando na direção errada. Todavia,
Cristo vem ao nosso encontro; Cristo nos confronta; Cristo nos ensina; Cristo
se revela.
Imagine alguém caminhando à noite, sem
direção… até que alguém se aproxima com uma lanterna e diz: “Você está no caminho errado, mas eu posso te mostrar o
caminho de volta”.
Muitas
pessoas estão caminhando em meio a confusão, desesperançadas. Cristo, a luz do
mundo caminha ao lado. E o seu caminhar, não é para te condenar, mas para trazer
de volta ao caminho e a dar novamente a conexão.
Quando
Cristo é reconhecido… o caminho de volta nunca é pesado demais.
Ninguém
é capaz de produzir fé. A fé nasce pela Palavra e pelos Meios de Graça. Não é o
homem que sobe até Deus. É Deus que desce até o homem, pela Palavra.
Cristo continua vindo ao encontro do
caminhante confuso e desesperançado. Cristo continua falando pela Palavra. Cristo
continua se dando nos Sacramentos para que corações voltam a arder, olhos sejam
abertos e vidas conectadas a comunhão. Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann
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