terça-feira, 20 de julho de 2021

Deus ainda se lembra da humanidade!

 25 de julho de 2021

Salmo 136.1-9; Gênesis 9.8-17; Efésios3.14-21; Marcos6.45-56

Texto: Gênesis 9.8-17

Tema: Deus ainda se lembra da humanidade!

 

Dizem que no fim do arco-íris tem um tesouro. O fato é que o próprio arco-íris é um tesouro. Esse arco com cores exuberantes é o sinal deixado por Deus para lembrá-lo do seu cuidado pela humanidade. Assim, ao vermos um arco-íris, recordamos que Deus está se lembrando da sua promessa de proteção e cuidado.

O mundo, já perplexo devido a pandemia, extremamente preocupado e ocupado em conter as variantes do SARS-COV2, acompanha nos telejornais uma enchente considerada “catástrofe histórica” na Alemanha que deixa mais de 170 mortos.

Aqui no sul do Brasil, em especial Querência do Norte, Paraná, após uma longa estiagem que ocasionou a perda da plantação de milho, duas geadas consecutivas deteriorou a pouca pastagem que ainda havia.

Essas e muitas outras situações levam pessoas ao questionamento do que está ocorrendo e as conduzem ao desespero.

Tomás de Aquino declarou que o desespero é um dos piores pecados. Ele é mortífero, afinal, o desespero afunda o pecador numa depravação moral e o conduz a dúvida a respeito de Deus. O desespero faz concluir que Deus não fará nada de bom e assim, surgem perguntas como: Onde está Deus? Há motivos para agradecer a Deus mesmo em meio a todos esses eventos?

O povo de Deus, durante a peregrinação no deserto, em situações desesperadoras tornou-se pessimista (Ex 17.3).

Noé havia acabado de sair da arca (Gn 9). Será que ao ver árvores retorcidas, lama e pedras, desesperou-se? Deus com sua promessa e o sinal do arco-íris tranquiliza Noé na sua missão de recomeço. O sinal de Deus além de atenuar Noé, o fez ser esperançoso. O arco-íris renova a esperança e dá ânimo àquele que atravessou a tempestade.

O arco-íris é o sinal de Deus para esse mundo desesperado e assustado diante de tantas tragédias.

Aquecimento global, mudanças climáticas, readequação do agricultor em meia às incertezas de cada estação, conduzem milhares ao desespero. Ouça a promessa tranquilizante de Deus: “então me lembrarei da minha aliança” (Gn 9.15).

Deus nunca esquece a sua criação. Nas tempestades, conduz como que dentro de uma arca, e ao final da tempestade, mostra seu amor e misericórdia através do sinal, o arco-íris. O problema é que o arco-íris tornou-se um símbolo de um grupo que deseja continuar vivendo sua depravação moral e não se arrepender.

O dilúvio foi uma grande catástrofe. Vivemos em meio a muitas calamidades. O sinal de Deus no céu mostra que sua bondade e cuidado maior que a funestação.

Deus não exclui nada do seu amor. Homens, mulheres e os animais são alvo da promessa de Deus. Jesus enfatizou que um simples pardal está na agenda diária de Deus (Mt 10.29).

Deus é criador e sustentador da vida. Deus criou e conserva sua criação. E para mostrar essa conservação, anuncia para Noé a sua promessa e ainda hoje nos permite ver o sinal que nos faz recordar da lembrança de que Deus está se lembrando de nós. Amém!

ERT

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 13 de julho de 2021

Os sem Deus em Deus por Cristo!

 18 de julho de 2021

Salmo 23; Jeremias 23.1-6; Efésios 2.11-22; Marcos 6.30-44

Texto: Efésios 2.11-22

Tema: Os sem Deus em Deus por Cristo!

 

...os não judeus ... estavam separados de Cristo ... não pertenciam ao povo escolhido de Deus...” (Ef 2.11-12).

 

As palavras dos versos 11 e 12 nos fazem refletir profundamente sobre nós se caso Deus não tivesse nos enviado seu Filho. Afinal, eu não sou judeu, assim, sou gentio, dessa forma, não sendo judeu, estaria separado de Cristo e não pertenceria ao povo de Deus.

Sem o evangelho da salvação em Cristo, as pessoas estão mortas e são escravas de satanás e da própria carne. Os 10 primeiros versos do capítulo 2 dessa carta de Paulo aos cristãos da Ásia Menor, o apóstolo escreve como Deus veio buscar e dar vida a todos em Cristo. No capítulo 2 da carta de Paulo aos Efésios, em especial nos 10 versículos iniciais, o apostolo descreve a bênção da salvação pela fé sem as obras da lei. Uma salvação dada por graça pela graça de Deus.

Ouça novamente as palavras e pense na sua situação sem Cristo, sem a graça, sem o evangelho: “...os não judeus ... estavam separados de Cristo ... não pertenciam ao povo escolhido de Deus...” (Ef 2.11-12).

O não judeu (gentio) era alguém estranho àquele que Deus havia escolhido para ser seu povo. O não judeu (gentio) era àquele que não fazia parte do povo de Deus. Se continuasse sendo assim, eu estaria separado de Cristo e não pertenceria ao povo escolhido de Deus. Graças a graça de Deus, o apostolo Paulo, na carta aos cristãos da Ásia Menor passo, a saber, que não importa qual seja minha nacionalidade ou raça, sou povo de Deus (Ef 2.11-22). Em Cristo, Deus só tem um povo. Não há mais distinção entre grego e judeu.

Deus escolheu Abrão (Gn 12.3) e dele fez seu povo escolhido. A partir do neto de Abrão, Jacó, Deus deu a nação o nome de Israel. Deus poderia ter escolhido outra pessoa, outra nação, outra raça. A Índia já se projetava como uma nação grandiosa. A China já tinha seu começo. Deus poderia ter escolhido os filisteus, um povo guerreiro e forte. No entanto, escolheu um povo pequeno e insignificante, liderado por patriarcas que conduziam seus rebanhos na terra de ninguém. Para seu povo, Deus fez promessas, uma aliança. Para o seu povo, Deus entregou sua lei e providenciou por meio deles o tabernáculo, o templo e o culto. Assim, o mundo religioso passou a ser dividido em dois grupos. O judeu (escolhido de Deus) e o não judeu (sem Deus).

Ser judeu era sinônimo de ser povo de Deus. Parecia que não ser judeu era estar predestinado à condenação e a uma vida sem Deus.

Para deixar clara a separação entre judeu e não judeu, a lei marcava a distinção. Elementos na lei dietária não permitia um judeu se assentar com qualquer um a mesa. A circuncisão identificava a qual Deus o circunciso pertencia. O calendário religioso com seus dias e festas destacava o diferencial desse povo como sendo o único que conhecia o Deus verdadeiro. Deus se revelou somente à eles.

Mas será que Deus visava a separação e condenação dos outros povos?

A lei, a circuncisão, o calendário, os dias santos, as festas, tinham como objetivo incutir a noção de santidade e separação do pecado e do mundo e como eles seriam uma luz a brilhar para outras nações. Infelizmente o povo de Deus se tornou soberbo e afastou-se dos gentios e assim, deixaram de brilhar como uma luz para tirá-los da escuridão.

A lei ensina a diferença entre o certo e errado. As datas e as festas mostram que Deus é dono do tempo. A lei era a didática para ensinar sobre quem era Deus.

Israel era separado dos outros povos e a separação tinha como objetivo manter a verdade em Israel. Afinal, se houvesse mistura, haveria mistura de crenças e isso geraria sincretismo. Mas, tendo isso como objetivo, o povo judeu julgou-se superior a ponto de isolar-se a ponto de separar-se por completo de tudo e de todos. Tudo se tornou errado, pecaminoso, tudo tornou motivo para afastar-se, pois, tudo era impuro e profano.

Assim, nos dias de Jesus, vemos o quanto os judeus estavam exacerbados quanto a separação dos outros povos. Vangloriavam-se da lei e menosprezavam os outros povos.

A vinda de Jesus Cristo mudou essa situação e o apostolo Paulo ensina isso aos cristãos da Àsia Menor. A igreja, o novo Israel, era composta por judeus e não judeus.

As palavras do apostolo Paulo: “...os não judeus ... estavam separados de Cristo ... não pertenciam ao povo escolhido de Deus...” (Ef 2.11-12), mostra que os não judeus eram desprezados; separados da aliança e sem esperança; não tinham conhecimento de Deus.

As palavras do apostolo Paulo: “...os não judeus ... estavam separados de Cristo ... não pertenciam ao povo escolhido de Deus...” (Ef 2.11-12), mostra que das promessas de Deus, os nãos judeus estavam fora. Os não judeus estavam iludidos e sem esperança.

Os não judeus viviam num mundo sem Deus. Não criam no verdadeiro Deus. As palavras: “...os não judeus ... estavam separados de Cristo ... não pertenciam ao povo escolhido de Deus...” (Ef 2.11-12) descrevem a profunda solidão de quem está sem Deus no mundo.

Paulo descreve a terrível situação dos não judeus. Ou seja, estavam sem Deus. De nada importava a sabedoria, a riqueza, a filosofia, a cultura, sem Deus, isso é nada.

Jesus Cristo é a intromissão de Deus na história com o objetivo de salvar. Jesus não se intromete para paralisar nosso divertimento, ou paralisar nossa vida. Pelo contrário, Cristo é a intromissão de Deus para reverter a situação catastrófica de uma vida sem Deus.

Em Jesus Cristo, Deus mudou a situação de toda humanidade.

A separação de um povo para si foi o meio usado por Deus para restaurar a amizade entre Deus e o ser humano. Em Jesus Cristo, aqueles que eram ignorados pelo povo de Deus, foram agregados ao povo de Deus (Ef 2.13). Os povos, em suas diferenças culturais e étnicas, em Cristo são um só (Ef 2.14). Em Cristo, o muro (a lei), que separava os não judeus dos judeus, foi derrubado. Se a lei separa Deus das pessoas, Cristo derrubou esse muro, cumprindo a lei em nosso lugar. Cristo aboliu na sua carne. Ao ser crucificado, a lei estava sendo pregada na cruz. Ela foi consumada e a sua condenação agora estava desfeita (Ef 2.15).

Se somente os judeus tinham acesso a Deus, em Cristo, Deus está acessível a todos (Ef 2.18). Essa é a paz que precisa ser evangelizada! (Ef 2.17).

A igreja, o povo de Deus, não pode incorrer no equívoco judeu e se isolar a ponto de não mais ser uma luz para o mundo. Pela igreja, Deus está acessível a todos, ao seu familiar, seu vizinho, amigo.

A igreja é a pátria dentro da pátria, é uma nação dentro da nação, são os separados para ajuntar, são os membros de uma grande família, é um edifício onde Deus habita. Isso não nos pode levar a excluir o outro, mas, ser a esperança do outro, o futuro do próximo e o Cristo que estende a mão. Deus tem um plano: um só povo, uma só nação.

A igreja não está e nem deve se dividir. Já estamos isolados por nossas placas denominacionais. E se nos isolarmos dentro da nossa denominação, deixaremos de ir ao encontro do outro a quem Deus deseja edificar em Cristo, habitar pelo Espírito.

Custou caro o fato de você ser igreja. “...os não judeus ... estavam separados de Cristo ... não pertenciam ao povo escolhido de Deus...” (Ef 2.11-12). Não fosse Cristo, sua obra, estaria sem Jesus e não pertenceria ao povo de Deus.

Deus em Cristo nos fez e faz igreja! Nessa comunhão, como um só povo, louvamos ao nosso Deus. Não sendo judeu, estávamos sem Deus, agora, por graça e misericórdia de Deus, temos Deus em Jesus Cristo. Amém!

ERT

Edson Ronaldo TREssmann

terça-feira, 6 de julho de 2021

Oportunidades!

11 de julho de 2021

Salmo 85.8-13; Amós 7.7-15; Efésios 1.3-14; Marcos 6.14-29

Texto: Marco 6.14-29

Tema: Oportunidades!

 

No dia-a-dia surgem muitas oportunidades. Todavia, a oportunidade é acompanhada de decisão e indecisão. Será que é isso mesmo? Vou fazer isso? Não vou fazer? Vou aceitar essa proposta? Não posso aceitar agora?

Ao perder determinada oportunidade, devido a nossa indecisão e por termos tomado uma decisão equivocada, nos arrependemos ou nos culpamos e vivemos com essa incógnita.

O texto mostra um homem que ao ouvir falar de Jesus, não o reconhece como Salvador. O texto mostra um homem acusado por sua consciência devido a uma decisão que tomou diante de uma indecisão e por ter sido também uma oportunidade aproveitada por sua companheira Herodias.

Jesus, aquele que com seu perdão poderia apaziguar a consciência e a culpa de Herodes tornou-se o profeta João Batista ressuscitado que apenas voltou para atormentá-lo novamente.

O capítulo 6 do evangelho de Marcos nos apresenta muitas oportunidades. A chance foi aproveitada por alguns e perdida por outros.

No caso do presente texto (Mc 6.14-29), vemos que a pregação de João Batista causou mal-estar dentro do palácio e no próprio relacionamento de Herodes e Herodias.

Herodes, conforme relata o evangelista (Mc 6.20) reconhecia a verdade na pregação de João Batista e aproveitou muitas oportunidades para ouvi-lo. A pregação de João Batista deixava Herodes “perplexo” (Mc 6.20, NVI). Outras traduções dizem que a pregação de João Batista fazia com que Herodes “ficasse muito impressionado” (Tradução Século XXI), “sentia-se muito embaraçado” (Tradução Católica, Santuário), a tradução judaica traz que a pregação de João Batista deixava Herodes “profundamente abalado”.

Herodes teve a oportunidade de ouvir o maior profeta (Mt 11.11) enviado da parte de Deus, mas, não a aproveitou a ponto de se arrepender e deixar levar pela verdade. Uma verdade que o arremeteu, mas, que seu orgulho não foi capaz de superar (Mc 6.26).

A verdade de João Batista (Lv 18.16; 20.21) incomodou Herodias a ponto de aproveitar a oportunidade e se vingar daquele profeta (ler Mc 6.21-25).

Ódio e Orgulho!

Estamos vivendo em meio a uma pandemia. A pandemia do COVID. No entanto, parece que nesse tempo não temos nos dado conta de outros vírus que estão fazendo graves estragos. Um desses vírus é o ódio.

Milhares de pessoas guardam em seu íntimo uma mágoa, uma decepção e buscam uma oportunidade de vingança. O que parece ser um alívio momentâneo. Um desejo que parece ter sido saciado passa a ser acompanhado por inúmeros males.

O ódio, a raiva leva a antipatia. Ser antipático é virar para o outro lado para não enxergar. É aquele que é oposto em seus sentimentos só para contrariar e mostrar que é contrário.

Aproveitando a etimologia da palavra ódio, tomo a liberdade para dizer que o ódio e a raiva continuam sendo o joio semeado pelo inimigo para prejudicar as boas relações e amizades. Todos nós temos um fígado! Esse órgão produz a bile. Na medicina antiga dizia-se que a preponderância da bile, a substância liberada pelo fígado, tinha tudo a ver com o temperamento da pessoa briguenta. O colérico (irritado e briguento) tem mais bile no sangue.

A raiva e o ódio são um vírus presente em nossa corrente sanguínea. Nosso inimigo pode se aproveitar de oportunidades ímpares para sobrepujar nosso desejo de vingança e assim causar inúmeros estragos na nossa vida. Nesse caso, o remédio não é Ursodiol, ou suco de maça, alcachofra, beterraba. O remédio é ouvir a Palavra de Deus que nos fala da importância e necessidade do perdão. Como bem escreveu o apostolo Pedro: “o amor perdoa muitíssimos pecados” (1Pe 4.8). Todavia, não é o ouvir de Herodes. Reconhecer a verdade, mas, praticar a verdade ouvida.

O ódio de Herodias a fez aproveitar-se da oportunidade em que a soberba e orgulho de Herodes estavam em jogo (Mc 6.26). E mesmo que a verdade anunciada por João Batista o incomodasse, Herodes deixou-se levar por seu orgulho, arrogância e soberba.

Preferiu, mesmo que indeciso, assassinar João Batista a ser ridicularizado pelos seus convidados.

Ódio e Orgulho são duas coisas que nos levam a fazer o que não deveríamos fazer. Ódio e Orgulho nos impedem de seguir o que ouvimos da verdade. A verdade não pode apenas nos impressionar, mas, precisam nos levar a ação, a prática. E sempre têm alguém, usado como servo do diabo, para silenciar a verdade.

A verdade só pode ser silenciada com sangue. A história registra que: “o sangue dos mártires é a semente dos cristãos” (Tertuliano).

Herodes era profundamente impactado pela Palavra de Deus anunciada por João Batista. Mas, seu orgulho, desviou da verdade ouvida. No entanto, esse homem um ano mais tarde teve outra oportunidade (Lc 23.7-11). Encontrou-se pessoalmente com Jesus. Poderia ter suplicado perdão, mas, preferiu ver um milagre feito por Jesus. Pobre Herodes! Perdeu a maior oportunidade da sua vida. E você? Tem aproveitado as oportunidades que o ouvir da Palavra dão para rever sua vida?

Parece que a história de João Batista termina no túmulo. Mas, o precursor a quem ele anunciava já estava por finalizar seu ministério. Jesus também foi morto, mas, venceu a morte. Ele ressuscitou e assim os mortos em Cristo também ressuscitarão. Os Herodes desse mundo também ressuscitarão, no entanto, para a condenação eterna.

Deus nos permita aproveitar as oportunidades de pregação da Palavra e prática da mensagem de Cristo. Amém!

ERT

Edson Ronaldo TREssmann

terça-feira, 29 de junho de 2021

Na fraqueza e com espinho na carne - Cristo é força e sua graça é suficiente!

04 de julho de 2021

Salmo123; Ezequiel 2.1-5; 2Coríntios 12.1-10; Marcos 6.1-13

Tema: Na fraqueza e com espinho na carne - Cristo é força e sua graça é suficiente!

Texto: 2Corintios 12.7,9,10

...eu recebi uma doença dolorosa, que é como um espinho no meu corpo. Ela veio como um mensageiro de Satanás para me dar bofetadas e impedir que eu ficasse orgulhoso ... eu me sinto muito feliz em me gabar das minhas fraquezas, para que assim a proteção do poder de Cristo esteja comigo ... Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim

 

Gabar-se é fazer alarde de algo que na verdade não possui. Aquele que se gaba de alguma qualidade sua, precisa diminuir o outro. Para que as minhas qualidades sejam melhores e superiores, o outro precisa ser reduzido em suas fraquezas e defeitos.

O apostolo Paulo tinha muitos adversários e esses não conseguiam compreender como tal homem com certa doença, possuidor de fraquezas, perseguido, insultado, sofredor, com dificuldades financeiras, constantemente preso, era um apostolo.

Essas situações embaraçosas levavam os opositores ao ministério de Paulo a depreciarem a sua pessoa e função e assim fazer com que pessoas se afastassem do apostolo e assim da mensagem a respeito de Cristo a qual anunciava (2Co 10.1,10; 11.6,29).

Valorizamos as qualidades das pessoas. Buscamos qualificações e destaques. As fraquezas e defeitos passam a servir como mensagem de Satanás para confundir as pessoas.

Ao escrever essa sua segunda carta aos coríntios (que pelo que tudo indica é a quarta), o apostolo Paulo, nos capítulos 10 a 13, descreve uma verdadeira apologética contra seus acusadores, ou contra aqueles que apelavam para suas fraquezas para impedir que a mensagem a respeito de Cristo chegasse as pessoas.

Os opositores descaracterizavam o apostolo como não sendo merecedor de sê-lo devido aos seus sofrimentos, autossustento e falta de carisma. E ante esses “falsos apóstolos, obreiros enganadores, servos de justiça” (2Co 11.12-15), o apostolo Paulo se diz imensamente “feliz em se gabar das suas fraquezas” (2Co 12.9). Paulo enfatiza que suas fraquezas podem até diminui-lo como pessoa, mas, sua pessoa não é importante. O que importa é que Cristo mostra sua força, a graça de Deus é que o sustenta, e isso é que precisa ficar evidente: Cristo!

Ao seus acusadores, o apostolo relata um segredo que guardou por 14 anos (2CO 12.2), e diz que tem motivos excepcionais para se gabar, mas é justamente seu espinho na carne, suas fraquezas, que o impedem de gloriar-se. Suas fraquezas e seu espinho na carne destacam o poder da graça e da força de Cristo.

Enquanto os acusadores e opositores do ministério de Paulo usavam sua doença, suas fraquezas para minar o ministério, sendo uma mensagem de Satanás para causar confusão e esconder Cristo das pessoas, o apostolo diz que suas fraquezas e sua doença ressaltam a graça de Deus que é suficiente e a força de Cristo que supera qualquer fraqueza.

Ainda hoje há muita concorrência pela liderança na igreja. Muitos desejam ter certa superioridade espiritual. Há certa glória na moralidade. A busca por poder, honra e status, fazem opositores destacarem as fraquezas de outros e tentar dessa forma subir o degrau desejado da glória. Falta-nos olhar para esse relato do apostolo Paulo e destacar a importância da cruz, humildade, sacrifício e diaconia. Maior é aquele que serve e busca, mesmo em suas fraquezas, servir.

Quais são as suas fraquezas? Qual é o seu espinho na carne?

Se vocês conhecessem as minhas fraquezas, teriam nojo da minha pessoa. E se alguns já conhecem as minhas fraquezas, e mesmo assim permanecem no caminho que prego, louvado seja Cristo e sua graça.

Quais são as suas fraquezas? Qual é o seu espinho na carne?

No caso do apostolo Paulo, Tertuliano e Jerônimo (dois teólogos importantes no cristianismo) diziam que o espinho na carne de Paulo era enxaqueca. João Calvino enfatizava que o espinho na carne de Paulo era a tentação que o mesmo sentia em não cumprir seus deveres de apostolo. Martinho Lutero disse que o espinho na carne de Paulo eram seus adversários e perseguidores. Teólogos modernos ressaltam que o espinho na carne de Paulo era seu remorso por ter perseguido a igreja (sentimento de culpa). Há quem sugira uma doença nos olhos, depressão, solidão e até um problema familiar.

Cada uma dessas hipóteses mostra que assim como Paulo, também temos um espinho na carne e quão ruim era e é esse espinho na carne. Enxaqueca! Tentado para não realizar algo! Adversários! Perseguidores! Remorso! Culpa! Problema nos olhos! Depressão! Solidão! Problema familiar!

Enfrentamos fraquezas e cada qual possui um espinho na carne. E essas fraquezas e espinhos são usados como mensageiros de Satanás para confundir muitas pessoas e fazê-las afastar de Cristo. Quem já não ouviu a acusação: esse é pastor? Esse(a) é líder na igreja?

Querido irmão e irmã em Jesus, recorde-se do importante e necessário recado do apostolo Paulo: a fraqueza acha graça da e na fraqueza! Lembre-se: a fraqueza tira nosso brilho e glorifica a Cristo! É a força e a graça de Cristo atuando por nós, mesmo em meio as nossas fraquezas e espinho na carne.

Se o mensageiro de Satanás buscava menosprezar o apostolo e seu ministério por suas fraquezas e doença, o apostolo Paulo, ressalta que suas fraquezas e o espinho em sua carne apenas trouxeram benefícios ao apostolo.

Um cristão é muito mais humilde quando reconhece suas fraquezas e seu espinho na carne.

Se diante da fraqueza e do espinho na carne não se têm a oração respondida, é preciso entender que Deus não tira o que o glorifica em e por nós. A bênção é muito maior quando a fraqueza e o espinho não é retirado. Recorde-se: Na fraqueza, Cristo é força e sua graça é suficiente! Amém!

 

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ERT

Edson Ronaldo TREssmann

segunda-feira, 21 de junho de 2021

A graça de Deus faz entre os cristãos!

 27 de junho de 2021

Salmo 30; Lamentações 3.22-33; 2Coríntios 8.1-9,13-15; Marcos 5.21-43

Texto: 2Corintios 8.1-15

Tema: A graça de Deus faz entre os cristãos!

 

Irmãos, queremos que vocês saibam o que a graça de Deus tem feito nas igrejas da província da Macedônia (2Co 8.1).

 

A palavra "graça" (2Co 8.1-15) ocorre seis vezes e, todas as vezes está associada com a contribuição cristã. Graça é o favor divino pelo homem pecador. Não merecemos nada de Deus, ele oferece e dá por amor e misericórdia (2Co 8.9).

Essa graça que nos reconcilia com Deus, é a graça que leva uma prática cristã.

 

Os irmãos dali têm sido muito provados pelas aflições por que têm passado. Mas a alegria deles foi tanta, que, embora sendo muito pobres, eles deram ofertas com grande generosidade. (2Co 8.2).

A graça de Deus tem realizado nas igrejas da Macedônia que mesmo entre as muitas desilusões que poderiam ter destroçado a vida deles, não deixaram de contribuir com alegria e generosidade.

Historiadores relatam que quase toda a Grécia nesse período estava enfrentando uma terrível condição de pobreza e opressão. Apesar de haver ricos, esses que eram pobres, não deixaram de ofertar mesmo em meio a situação financeira do país.

 

Afirmo a vocês que eles fizeram tudo o que podiam e mais ainda. E, com toda a boa vontade, pediram com insistência que os deixássemos participar da ajuda para o povo de Deus da Judeia e eles insistiram nisso (2Co 8.3,4).

A graça de Deus tornou prática e vivencial a atitude dos cristãos da Macedônia. Eles fizeram o que podiam e mais ainda. Eles pediram para ofertar e serem parceiros no auxílio ao povo de Deus na judeia.

Será que há outra graça de Deus em nossos dia? Não, mas parece que na prática sim. Afinal, o que tenho observado é que há apelo para que surjam ofertantes.

Tratam a contribuição cristã como instrumento de barganha. Dê e você receberá.

No entanto, lembrando: Irmãos, queremos que vocês saibam o que a graça de Deus tem feito nas igrejas da província da Macedônia (2Co 8.1). A graça de Deus conduz o pecador a contribuir de maneira cristã, correta, sadia e bíblica.

 

E fizeram muito mais do que esperávamos. Primeiro, eles deram a si mesmos ao Senhor e depois, pela vontade de Deus, eles se deram a nós também (2Co 8.5)

A graça de Deus tem realizado nas igrejas da Macedônia o que muitos não conseguem compreender racionalmente. Por isso, ao falar sobre contribuição cristã preferem apelar para a motivação da lei. Preferem pronunciar recompensas provenientes da contribuição ao invés de anunciar que a graça de Deus em Jesus nos dá a bênção de ser contribuinte e parceiro na missão de Deus.

A graça de Deus –ou seja, o amor de Deus pelos Macedônios os fez fazer mais do que o esperado.

A mensagem do evangelho os fez ver, compreender e aceitar tudo o que Deus fez em Jesus. Por Cristo os Macedônios foram comprados e enriquecidos e por isso, a mente e a decisão deles agora estava voltada toda para Deus.

 

De modo que pedimos a Tito, que começou a recolher essas ofertas, que continuasse e ajudasse vocês a completarem esse serviço especial de amor. Vocês mostram que, em tudo, são mais ricos do que os outros: na fé, na palavra, no conhecimento, na vontade de ajudar os outros e no nosso amor por vocês. E nesse novo serviço de amor queremos também que façam mais do que os outros. (2Co 8.6,7).

A graça de Deus fez os coríntios entender que foram auxiliados por Deus em Jesus. E a graça de Deus os fez ajudar e realizar um serviço especial de amor.

Destaco a frase de um bispo anglicano Azariah que trabalhou em Dornakal, na Índia, “arrependimento, fé, conversão, sinceridade e amor são imperfeitos enquanto não chegarem até ao fundo da bolsa, do bolso, da carteira”. A graça se revela aos olhos do mundo pela nossa contribuição. Ser contribuinte generoso e voluntário é uma marca de um seguidor de Cristo.

 

Não estou querendo mandar em vocês. O que eu estou querendo é que conheçam o entusiasmo com que as igrejas da Macedônia deram ofertas, para que assim vocês vejam se o amor de vocês é verdadeiro ou não. (2Co 8.9)

A graça de Deus é entusiasma. A graça de Deus foi usada como exemplo para que o mesmo entusiasmo contagiasse os cristãos de Corinto.

Não há igreja entusiasmada sem a graça de Deus. não tente fazer com a lei de Deus, entusiasma, pois, isso quem faz é a graça, o evangelho.

 

Porque vocês já conhecem o grande amor do nosso Senhor Jesus Cristo: ele era rico, mas, por amor a vocês, ele se tornou pobre a fim de que vocês se tornassem ricos por meio da pobreza dele (2Co 8.9)

A graça de Deus mostra a nossa riqueza. Somos tão ricos que temos uma casa no céu. Casa que não foi e nem é paga. Ela é oferecida e dada gratuitamente por Jesus.

Falar sobre contribuição cristã é apontar

para o Deus criador e preservador desse mundo;

para o Deus doador de todas as boas dádivas;

para nosso Redentor.

A contribuição cristã tem como fundamento a obra de Cristo na cruz. Cristo é a manifestação da graça, misericórdia e amor de Deus.

Deus nos ofertou seu filho.

 

Minha opinião sobre o assunto é esta: é melhor para vocês que terminem agora o que começaram no ano passado. Vocês foram os primeiros não somente a ajudar, mas também a querer ajudar. Portanto, continuem e completem o trabalho. Façam isso com o mesmo entusiasmo que tiveram no princípio, dando de acordo com o que têm. Porque, se alguém quer dar, Deus aceita a oferta conforme o que a pessoa tem. Deus não pede o que a pessoa não tem. (2Co 8.10-12).

A graça de Deus nos faz aceitar o que nossos líderes nos lembram. E somos lembrados que nossa oferta nos permite ser parceiro na missão de Deus.

A graça de Deus não nos aceita pelo que temos para oferecer. Deus em Jesus já nos resgatou e aceita a nossa gratidão daquilo que temos para oferecer.

 

Não estou querendo aliviar os outros e pôr um peso sobre vocês. Já que agora vocês têm bastante, é justo que ajudem os que estão necessitados. Em alguma outra ocasião, se vocês precisarem, e eles tiverem bastante, aí eles poderão ajudá-los. Assim todos são tratados com igualdade (2Co 8.13-14)

A graça de Deus nos torna solidário. E o mundo carece de solidariedade.

 

A graça de Deus tem realizado nas igrejas da Macedônia e também tem realizado nas nossas igrejas.

A graça de Deus continuará realizando, pois continuará sendo testemunhada por nossa boca e pelo nosso bolso. Amém.

Edson Ronaldo TRessmann

terça-feira, 15 de junho de 2021

Em tudo mostramos que somos servos de Deus!

 20 de junho de 2021

Salmo124; Jó 38.1-11; 2Coríntios 6.1-13; Marcos 4.35-41

Texto: 2Co 6.1-13

Tema: Em tudo mostramos que somos servos de Deus!

 

No capítulo 5.18-21, o apostolo Paulo escreveu sobre o ministério da reconciliação. A reconciliação entre o ser humano e Deus. Uma reconciliação buscada e realizada pelo ofendido, ou seja, por Deus. Deus em Jesus reconciliou o homem consigo. É bela a descrição do ministério da reconciliação. Deus em Jesus resolveu a maior tragédia humana. Esse é o puro evangelho – Deus busca o homem. Na religião e religiosidade – o homem busca a Deus. Nessa busca por Deus, o homem pega atalhos, mediadores e intercessores. O mundo esqueceu-se de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2Co 5.19).

Há três perigos ante o ministério da reconciliação (2Co 6.1-3).

O perigo de receber em vão a graça de Deus, ou seja, receber a mensagem da reconciliação de Deus em Jesus como sendo destituída de verdade. O perigo de desprezar a pregação, não aproveitando a oportunidade de ouvi-la. E também há o perigo de censurar o evangelho através de escanda-los.

Ao escrever aos coríntios, o apostolo disse que Deus o habilitou para ser ministro de uma nova aliança (2Co 3.6). Além de ter lhe dado o ministério da reconciliação (2Co 5.18), confiou a ele a palavra da reconciliação (2Co 5.19). Todo esse ministério da justiça de Deus é sublime e glorioso (2Co 3.9). Desse ministério de Deus, o apostolo era embaixador (2Co 5.20).

Nesse contexto, Paulo escreve aos coríntios nesse capítulo (2Co 6.1-13), sobre as muitas situações que enfrentou, mas em meio a essas tempestades (assim que João Crisóstomo chama essa perícope) a mensagem do evangelho da reconciliação chegou aos coríntios.

Enquanto que os coríntios desprezavam o embaixador e a mensagem que o mesmo trazia, o apostolo aproveitou todos as provações (2Co 5.4-5), tempestades (2Co 5.8-10), paradoxos (2Co 5.10-13) e situações de amor (2Co 5.11-13), para transmitir a mensagem da reconciliação. Afinal, Paulo diz: “E nós, na qualidade de cooperadores com ele, ...” (2Co 6.1).

O apostolo sabe que todas as coisas são benéficas, até mesmo o sofrimento e as rejeições, pois tudo contribui para que a mensagem da reconciliação seja anunciada. Deus nos dá a honra se colaborarmos como seus embaixadores nesse mundo. Afinal, “todas as coisas fazem parte daquilo que Deus quer para nós” (1Ts 3.2). E para os coríntios Deus desejava os atender e socorrer com a salvação.

Mas, enquanto isso, os coríntios estavam esvaziando a mensagem da graça, fazendo com que se essa mensagem não tivesse valor, por causa do vaso (2Co 4.7), Paulo.

Paulo, precisou falar dele, não porque queria, “pois proclamava a Cristo como Senhor” (2Co 4.5), no entanto as circunstâncias o obrigou a falar dele mesmo. E nessa pericope (2Co 6.1-13) relata episódios, características que o ajudaram a ser o colaborador para que a mensagem do evangelho chegasse aos coríntios e muitos outros. Tanto que Paulo sabe que o que está em jogo não é a sua pessoa, mas a mensagem do evangelho. O problema não é Paulo, pois ele não censurou, ou seja, não criou dúvidas quanto ao evangelho, ele não tirou ninguém do caminho de Cristo (escanda-lo). O problema era dos coríntios que não estavam aceitando a mensagem do evangelho por não aceitarem os sofrimentos e tribulações que Paulo enfrentou (2Co 11.23-30). E por mais que fosse rejeitado, ele se recomenda aos coríntios como seu pastor e apostolo.

Todos os sofrimentos e tribulações foram oportunidades divinas para que o evangelho fosse anunciado através do cooperador na missão de Deus.

Assim como os israelitas não estavam entendendo que Deus estava agindo na história para salvar (2Co 6.2; Is 49.8), os coríntios não entendiam que Deus tivesse como embaixador e colaborar alguém como Paulo. Se para os coríntios, o apostolo Paulo não era recomendável por causa dos sofrimentos e tribulações, o apostolo disse que “em tudo mostramos que somos servos de Deus” (2Co 6.4), ou seja, ele só atende e executa os pedidos do seu Senhor Jesus Cristo. E por isso, mesmo que os coríntios estejam recebendo a graça de Deus como sendo sem valor por causa dos acontecimentos na vida de Paulo, o apostolo passa a enumerar as situações e ressaltar a ação de Deus em todas elas.

Ao escrever: “em tudo mostramos que somos servos de Deus” (2Co 6.4), “suportando com muita paciência ...” (2Co 6.4).

Paciência (hupomone): não há uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar toda a plenitude do seu significado. Descreve uma planta capaz de sobreviver em circunstâncias severas e desfavoráveis. Relacionada com as aflições significa habilidade de suportar as situações de uma maneira profunda sabendo para onde está sendo conduzido. João Crisóstomo (347 – 407) ao falar sobre essa palavra, ressaltou que essa paciência é como um fruto que nunca se seca, uma fortaleza que não pode ser invadida, um porto que não conhece tormentas. É manter-se calmo em meio a uma forte tempestade. Nem a violência dos homens, nem os poderes do diabo podem lesá-la.

Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência ...” (2Co 6.4), o apostolo enumera que diante de todos os tipos de pressões, saia de cada uma delas com um sorriso no rosto. Não ficou reclamando dos sofrimentos e tribulações, ao contrário, sabia que “todas essas coisas” (Rm 8.28) eram oportunidades para que Deus fosse glorificado. Paulo diz que não se perde pelo sofrimento e tribulação, pois mantém-se focado no alvo final (2Co 4.7 ss). Enquanto os coríntios insistissem em ver só a tribulação e o sofrimento, a graça de Deus, passaria despercebida.

Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições ...” (2Co 6.4). a paciência é ressaltada, pois, não eram quaisquer aflições. O termo grego Thlipsis são as desilusões que podem destroçar a vida.

Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições, os sofrimentos ...” (2Co 6.4), ou angústias (stenochoria). Descreve alguém que está encurralado num lugar sem ter como escapar.

Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições, os sofrimentos e as dificuldades” (2Co 6.4), necessidades da vida (anagké). Paulo descreve as cargas que retratam as necessidades materiais, emocionais e físicas.

Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições, os sofrimentos e as dificuldades” (2Co 6.4), o apostolo fala sobre as pressões internas.

Paulo escreveu que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “Temos sido chicoteados, presos e agredidos nas agitações populares. Temos trabalhado demais, temos ficado sem dormir e sem comer” (2Co 6.5).

Conforme o apostolo relata na carta aos Gálatas (Gl 6.17), as chicotadas deixaram cicatrizes em seu corpo. Relatos de Lucas no livro dos Atos dos Apostolos, Paulo foi preso em Filipos, Jerusalém, Cesáreia e Roma (At 16.23; 21.33; 23.23; 28.20). Paulo foi agredido nas agitações populares (At 13.50-51).

Ao dizer que trabalhava demais e ficava sem dormir e sem comer, estava dizendo que seu trabalho o havia levado ao esgotamento, era um trabalhar até fatigar-se. Declarou que trabalhou mais que outros (1Co 15.10). Com o termo agrupnia, o apostolo relatou que voluntariamente ficava sem dormir ou encurtava suas noites de sono para devotar mais tempo ao trabalho evangelístico, ao cuidado da igreja e da oração. Voluntariamente jejuava, nesteia, para ter ais tempo para o trabalho.

Ao escrever “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “Temos sido chicoteados, presos e agredidos nas agitações populares. Temos trabalhado demais, temos ficado sem dormir e sem comer” (2Co 6.5), o apostolo Paulo enumera as pressões externas. Pressões que poderiam ter impedido de comunicar o evangelho.

Ao escrever “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). “Por meio da nossa pureza, conhecimento, paciência e delicadeza, mostramos que somos servos de Deus. Por meio do Espírito Santo, temos mostrado isso pelo nosso amor verdadeiro, pela mensagem da verdade e pelo poder de Deus. Por vivermos em obediência à vontade de Deus, temos as armas que usamos tanto para atacar como para nos defender” (2Co 6.6-7).

As pressões internas e externas só puderam ser superadas por causa do que Deus outorga a mente.

Ao escrever que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). “Por meio da nossa pureza,...” (2Co 6.6) - (hagnotes) – mostrando ao ser atingido pelo evangelho, sua vida e seus motivos se tornaram puros, ou seja, não anunciava o evangelho por pretensões pessoais. E isso se devia ao fato do que Paulo havia entendido do evangelho.

Seu conhecimento do evangelho, bem como sua pureza se revelava na paciência.

Essa palavra, apesar de ser a mesma na língua portuguesa, no grego foi escrita de maneira diferente da palavra usada no verso 4. Enquanto que no verso 4, Paulo enumerou que a paciência era conseguir vencer os obstáculos com um sorriso no rosto. Agora, ao fazer uso da palavra makrothumia, ressalta uma virtude cristã (2Co 6.6; 1Tm 1.16; 2Tm 3.10), ou seja, mesmo que há oportunidade para se vingar, não o faz.

Essa virtude não tinha nenhum valor para os gregos, para eles a grande virtude era a vingança.

Paulo sabia que era preciso suportar as pessoas, mesmo quando estão equivocadas e agem com crueldade.

Quando Paulo escreveu que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). “Por meio da nossa ... delicadeza” (chrestotes), estava dizendo que suportava tudo, por pensar mais nos outros que em si mesmo.

... mostramos que somos servos de Deus. Por meio do Espírito Santo, ...” (2Co 6.6). O apostolo sabia que não levaria a cabo a missão de Deus sem o Espírito Santo. Ele concede dons e os frutos do Espírito (Gl 5.22-23).

Paulo escreveu aos coríntios para “mostrar que ele e seus companheiros eram servos de Deus. Por meio do Espírito Santo, temos mostrado isso pelo nosso amor verdadeiro, ...” (2Co 6.6), ou melhor, amor não fingido. Esse amor não paga mal com mal, pelo contrário, vence o mal com bem. É uma amor que não busca a vingança.

Para as pressões internas e externas, Deus outorga a mente pelo poder do Espírito Santo, pureza, paciência, delicadeza e amor verdadeiro.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) inclusive em qualquer situações e consideração, tanto que escreve “... pela mensagem da verdade e pelo poder de Deus. ...” (2Co 6.7).

Essa mensagem da verdade, por mais que proferida por ele, é uma mensagem que provém de Deus e só pode ser proferida pelo poder de Deus.

Essa mensagem de é instrumento de ataque e defesa diante dos questionamentos dos coríntios (2Co 6.7).

Por meio do Espírito Santo, temos mostrado isso pelo nosso amor verdadeiro, pela mensagem da verdade e pelo poder de Deus” (2Co 6.6-7).

Em tudo mostramos que somos servos de Deus!

Nos paradoxos que conflitam entre si

Quando algo ou alguém é avaliado, recebe algum parecer. Paulo enumera os pareceres, no entanto, pareceres do ponto de vista de Deus e do ponto de vista dos homens. “Somos elogiados e caluniados; alguns nos insultam, outros falam bem de nós. Somos tratados como mentirosos, mas falamos a verdade; somos tratados como desconhecidos, embora sejamos bem conhecidos de todos; somos tratados como se estivéssemos mortos, mas, como vocês estão vendo, continuamos vivos. Temos sido castigados, mas não fomos mortos. Às vezes ficamos tristes, outras vezes ficamos alegres. Parecemos pobres, mas enriquecemos muitas pessoas. Parece que não temos nada, mas na verdade possuímos tudo” (2Co 6.8-10).

A avaliação a um servo de Deus na perspectiva humana calunia, insulta, trata como mentiroso, considera como desconhecido, morto, traz castigo e causa tristeza. No entanto, não importa como se é avaliado nesse mundo, o importante é realizar o trabalho de um embaixador e colaborador na missão de Deus.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “por honra e por desonra...” (2Co 6.8).

Para os coríntios e sua avaliação, Paulo era desonrado, (Atimia) é como se tivesse perdido seus direitos de cidadão e foi privado dos direitos civis. No entanto, sua honra estava em ser cidadão celestial.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...por infâmia e por boa fama ...” (2Co 6.8).

Os opositores do apostolo Paulo o odiavam e criticavam suas palavras e ações. Embora muitos reconheciam seu ministério, outros falavam dele pelas costas. No entanto, enquanto era difamado aqui e agora, sua boa fama devia-se a fidelidade ao ministério da reconciliação.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...como enganadores e sendo verdadeiros...” (2Co 6.8).

Para os inimigos um charlatão, para outros apostolo de Cristo. O ministério irrepreensível, sem censura e escanda-lo, mostrava que as acusações contra Paulo eram falsas. Ele andava de consciência limpa e sabia que a mensagem vinha de Deus, por isso era verdadeiro.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; ...” (2Co 6.9).

Os judeus caluniavam o apostolo Paulo dizendo que ele era um “desconhecido”, ou seja, que não valia nada, não tinha credenciais adequadas. Mas, para os da fé, Paulo era bem conhecido e amado.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “... como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; ...” (2Co 6.9).

Não bastasse as calúnias e difamações ao apostolado de Paulo, o mesmo viveu sob constante ameaça de morte. Foi apedrejado, açoitado, enfrentou feras. Foi atacado por uma multidão furiosa em Jerusalém. Pelos padrões humanos, a carreira de Paulo foi miserável. Mas, Deus tinha um propósito para realizar através da vida e ministério do apostolo Paulo, e enquanto isso não foi cumprido, Deus o preservou.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...como castigados, porém não mortos...” (2Co 6.9).

Deus preservou o apostolo Paulo da morte para cumprir a tarefa de levar o evangelho aos gentios. As aflições decorrentes do evangelho não são reprovação de Deus, mas oportunidades oferecidas pelo Senhor, para que seu nome seja glorificado.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...entristecidos, mas sempre alegres; ...” (2Co 6.10).

Paulo sabia que as tristezas vinham das circunstâncias que envolviam ser cooperador e embaixador de Cristo. Alegria da comunhão com Deus (At 16.19-26) o fazia superar todas essas tristezas. O apostolo mantinha-se alegre, pois seu olhar alvo estava no céu e não nas coisas do aqui e agora.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2Co 6.10).

O apostolo Paulo não mercadejava a Palavra (2Co 2.17), por isso, ao fazer uso da palavra (ptokós – pobres) diz que mesmo parecendo um miserável, indigente e mendigo, possuía um grande tesouro (2Co 4.7). Sua pobreza não lhe permitia ter influência, poder e prestígio nesse mundo, por isso não podia recorrer a esse mundo, mas tão somente em Deus. Por não possuir nada, sua total confiança estava em Deus. Sua esperança estava somente na graça de Deus. E era essa graça, esse tesouro que havia enriquecido e enriquecia a muitos, pois, era a única coisa para apresentar diante de Deus.

Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4).

Essa segunda carta de Paulo aos coríntios é considerada por muitos como sendo a carta das lágrimas. Pode ser também considerada a carta da reconciliação.

O jeito de Deus em reconciliar consigo o mundo, foi enviar Jesus, seu único filho para morrer pelo homem pecador. E para que essa mensagem da reconciliação chegasse aos coríntios, Deus usou um homem que não parecia possuir nada. Deus usou um homem em meio aos sofrimentos e tribulações. E justamente esses episódios aparentemente contraditórios à um homem de Deus, levaram a um conflito entre os coríntios e Paulo.

E ao enviar essa carta, tem por objetivo fortalecer o seu relacionamento com os coríntios. Por isso, termina essa pericope (2Co 6.1-13), com as seguintes palavras: “Queridos amigos de Corinto, temos falado francamente e temos aberto completamente o nosso coração para vocês. Não temos fechado o nosso coração; vocês é que têm fechado o coração de vocês é que têm fechado o coração de vocês para nós. Eu falo como vocês como se vocês fossem meus filhos. Tenham por nós os mesmos sentimentos que temos para com vocês e abram completamente o coração de vocês para nós” (2Co 6.11-13).

A influência negativa dos falsos mestres havia estremecido a relação entre os coríntios e o apostolo Paulo. O verdadeiro passou a ser mentiroso, o valioso, sem valor. O ministério da reconciliação, o maior tesouro que Deus coloca a nossa disposição, é facilmente distorcido e por essa distorção, Paulo foi renegado e seu apostolado questionado. No entanto, Paulo, não se cala. Não há fé calada. Ele testemunha aos coríntios o quanto Deus, mesmo em meio aos seus sofrimentos e tribulações, fez para que soubesse da reconciliação que há em Cristo Jesus.

em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). Amém

ERT

Edson Ronaldo TREssmann

Deus ainda se lembra da humanidade!

  25 de julho de 2021 Salmo 136.1-9; Gênesis 9.8-17; Efésios3.14-21; Marcos6.45-56 Texto: Gênesis 9.8-17 Tema: Deus ainda se lembra ...