quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Servos no Reino!

Texto: Marcos 1. 29-39
29 Logo depois, Jesus, Simão, André, Tiago e João saíram da sinagoga e foram até a casa de Simão e de André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre. Assim que Jesus chegou, contaram a ele que ela estava doente. 31 Ele chegou perto dela, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar. A febre saiu da mulher, e ela começou a cuidar deles. (NTLH)
Tema: servos no reino!
Estudando o texto
Jesus havia saído de Nazaré, uma pequena cidade, no norte da Palestina, foi ao rio Jordão para ser batizado por João Batista. Após seu batismo, o Espírito Santo levou Jesus para o deserto para ser tentado pelo diabo. Após ter vencido a tentação, Jesus caminhando a beira do lago da Galiléia, chamou seus primeiros discípulos. A região da Galiléia era uma composição de cidades às margens do lago de Genesaré, essas cidades eram: Cafarnaum, Corazim e Magdala, Caná, Nazaré e Naim.
Após ser batizado e João Batista ter sido preso, Jesus então definitivamente inicia seu ministério.
Caminhando junto ao mar da Galiléia, chamou seus dois primeiros discípulos. Os irmãos, Simão e André. Continuando sua caminhada, agora, acompanhado por Simão e André, chamou os irmãos, Tiago e João (Mc 1.16 - 19).
Jesus, agora com 4 discípulos, vão a Cafarnaum, que na época era uma grande cidade. Era uma cidade de fronteira, possuía uma importante alfandega (Mt 9.9). Até por isso, o centurião romano construiu ali uma sinagoga, como mostra de sua amizade com os judeus.
Cafarnaum era o centro comercial e social de toda a região da Galiléia.
Chegando em Cafarnaum, Jesus, Simão, André, Tiago e João vão a uma sinagoga (Mc 1.21 – 28).
Era sábado pela manhã. E sendo assim, era natural que todos os homens estariam na sinagoga, pois assim determinava a lei de Deus.
Na sinagoga as Escrituras (Antigo Testamento) era estudada. E uma pessoa apta era convidada pata ensinar. E Jesus foi o convidado. Todos se maravilharam do seu ensino e da doutrina como havia sido exposta.
E para completar, Jesus, para reafirmar seu ensino, curou um homem endemoniado. E a fama de Jesus se espalhou por toda a cidade.

O evangelho de Marcos mostra Jesus em constante ação, está sempre caminhando. Nessa caminhada, Jesus cura, expulsa demônios, confronta seus adversários e instrui seus discípulos.
Assim, nosso texto de estudo Mc 1.29 – 39, inicia com as palavras: logo depois – Logo depois desse evento na sinagoga, Jesus, Simão, André, Tiago e João saíram da sinagoga e foram até a casa de Simão e de André.

No relato anterior ao que agora vamos estudar (Mc 1.21-28) mostra Jesus desafiando a religiosidade da época. Ele expõe de uma maneira nova, a mensagem do reino de Deus. Ao curar o homem possesso por um demônio em dia de sábado é um questionamento aos que mesmo sabendo que o reino de Deus havia chegado em Jesus permaneciam sob o jugo das leis que discriminam pessoas, principalmente as doentes e empobrecidos.
Enquanto que os líderes religiosos ficaram furiosos com Jesus, o povo, ficou maravilhado. Tanto que as pessoas buscaram Jesus no fim daquele dia (v. 32), pena que não se desapegaram da lei (v.32, quando não era mais sábado).

Chegando na casa de Simão e André, constatou-se que a sogra de Pedro estava doente. Qual era a doença? Febre.
Na Palestina havia vários tipos de febre. Febre pequena e febre grande (malária) (Lc 4.38). A febre era considerada uma doença grave.
Segundo a lei do sábado, era proibido durante esse dia, ajudar pessoas doentes e dar de comer.
Jesus, chegou perto dela, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar (v. 31).
O reino de Deus chegou! Ele está aqui.
Com a chegada do reino de Deus, inaugura-se uma nova etapa.
Jesus restabelece a ordem das coisas. A religiosidade havia invertido tudo. E Jesus coloca tudo no seu devido lugar.
Jesus mostra que ele é maior que o sábado. Ele é o cumprimento da lei (Cl 2.17).
Temos diante de nós (Mc 1.29-31), um relato sem alarde. Nem sequer uma palavra foi dita. Jesus simplesmente se aproximou dela, segurou sua mão e a ajudou a levantar. Três ações que mostram sua acolhida.
Chegar perto, segurar a mão e ajudar a levantar, manifesta aproximação com amor e compaixão.
Essas três atitudes de Jesus mostram a quebra da barreira da indiferença e da separação. Jesus é a chegada do reino de Deus, é o evangelho atuante em meio a um povo oprimido socialmente pelos romanos e espiritualmente pelos fariseus, saduceus e escribas.
Texto Bíblico
29 Logo depois, Jesus, Simão, André, Tiago e João saíram da sinagoga e foram até a casa de Simão e de André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre. Assim que Jesus chegou, contaram a ele que ela estava doente. 31 Ele chegou perto dela, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar. A febre saiu da mulher, e ela começou a cuidar deles.

Essa é a história mais curta e mais singela dos evangelhos. Não há nenhuma ênfase, não há um título ou nome para Jesus. É um milagre pelo qual ninguém fica admirado a não ser a sogra de Pedro. Que muito mais do que a cura, entendeu que Jesus era a chegada do reino de Deus entre o seu povo. Tanto que “a febre saiu da mulher, e ela começou a cuidar deles” (v. 31).
O que há de especial na frase “ela começou a cuidar deles” (v. 31)?
As mulheres eram marginalizadas na época quer seja pelo império romano, bem como pelos judaizantes.
Para se ter uma ideia, na presença de hospedes, que era o caso da sogra de Pedro, as mulheres não poderiam participar do banquete.
A mulher que vivia na obscuridade e no silêncio, sendo conhecida apenas como “sogra de Pedro” agora serve, ou seja, passa a ser uma discípula de Jesus.
Enquanto que na sinagoga, ante o poder de Jesus, a reação do povo foi de admiração, na casa de Simão, a reação foi de serviço.
Essa mulher, que talvez tivesse se indignado pelo fato de duas pessoas terem deixado seus afazeres (Mc. 1.18) de sustento familiar para seguir Jesus, agora se torna discípula de Cristo.
Marcos quer mostrar no evangelho quem é Jesus. E Jesus é a presença do reino de Deus entre seu povo. Jesus é o evangelho de Deus. Jesus é aquele que restabelece todas as coisas.
É interessante observar que o evangelho de Marcos, inicia relatando o serviço de uma mulher e termina (Mc 15.41) com muitas mulheres servindo, muitas mulheres sendo discípulas de Cristo.
Numa sociedade opressora, Jesus é libertador e restaurador.
Aplicação
Jesus não mudou só a realidade daquela senhora conhecida como sogra de Pedro. Ele mudou a nossa realidade. Pela queda em pecado, nosso destino era a condenação eterna. Jesus mudou a nossa situação.
começou a cuidar deles” (v. 31).
A Palavra de Deus deixa claro que a pessoa que foi liberta d domínio do pecado, da condenação do inferno e da lei, encontra a verdadeira motivação para servir ao Senhor.
A três atitudes de Jesus de aproximar, estender a mão e levantá-la restabeleceu a sua dignidade. Ela tornou-se uma discípula de Jesus.
Ser um discípulo é uma graça divina. Estar no reino de Deus é uma dádiva.
Ser um discípulo e estar no reino envolve servir!
Servir é diferente de reinar. Aquele que serve está na dependência daquele a quem serve.
Jesus veio para servir. Jesus é a ação amorosa de Deus pela humanidade pecadora.
Pelo serviço, Deus, através da sua igreja continua agindo amorosamente nesse mundo. E para que a igreja possa servir, Deus concedeu e concede a sua igreja vários dons.
Cura, evangelistas, mestres, pregadores, artistas, riquezas. No entanto, bem escreveu o apostolo Paulo aos Coríntios: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso” (1Co 12. 4-7). E que fim proveitoso seria esse? Servir a todos.
As atitudes de Jesus conduziram a sogra de Pedro a uma ação: começou a cuidar deles” (v. 31).
A ação de Deus em Jesus nos anima a servir com alegria e fidelidade. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Quase lá! Falta pouco para chegar!

Dia 28 de janeiro de 2018
4º Domingo de Epifania
Sl 111; Dt 18.15-20; 1Co 8.1-13; Mc 1.21-28
Tema: Quase lá! Falta pouco para chegar!

Quase lá! Falta pouco para chegar!
Essa frase define bem o livro de Deuteronômio. O quase lá! O falta pouco para chegar era apenas para o povo, pois, Moisés, o homem que havia liderado o povo por quarenta anos, não entraria na terra, no entanto, Deus lhe concedeu a graça de “...contemplar a terra com os olhos” (Dt 3.27).
Moisés, sabendo que não adentraria na terra prometida, faz um longo discurso ao povo de Israel. Ele, como aquele que havia duvidado, conclama o povo a prestar atenção a tudo o que Deus havia ensinado durante a peregrinação no deserto.
Moisés aponta para a missão de Israel na história e para a promessa futura. Moisés insiste na fé em Deus, que se mostra generoso nos seus dons e fiel as suas promessas.
A promessa proclamada por Moisés (Dt 18.15-20) apresenta o verdadeiro profeta. Um profeta, que com o passar dos anos, foi ansiosamente aguardado pelo povo. Vemos que João Batista (Mt 11.2; Lc 7.19) enviou discípulos para perguntar se Jesus de fato era aquele que estava por vir.
O apóstolo Pedro, após o dia de Pentecoste, em um discurso no templo, ressaltou que milhares de anos antes deles, Deus havia dito a Moisés: “O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser” (At 3.22). Pedro falava sobre o envio do salvador Jesus Cristo.
Estevão, diante de Jônatas, sucessor de Caifás, em seu julgamento, testemunha que a promessa dada por Deus através de Moisés se referia a Cristo. Jesus Cristo é o verdadeiro e excelentíssimo profeta.
Não sei dizer se o povo no deserto entendeu essa referência. Mas, o fato é que Deus, estava ocupado em cumprir a promessa feita no jardim do Éden após a queda em pecado (Gn 3.15).
Moisés, líder, profeta e guia, preparava o povo para sua entrada na terra prometida. E na terra prometida, dentre seu povo, Deus levantaria outro grande profeta, Jesus. Moisés estava dizendo ao povo para que não ficassem presos a ele, mas que pensassem e se fixassem naquele que viria. Pois, aquele que havia de vir era o profeta por excelência.
O capítulo dezoito de Deuteronômio (uma cópia da lei e não segunda lei) traz conselhos e instruções.
Esses conselhos e instruções eram necessários, afinal, o povo estava por adentrar na terra prometida, que apesar de manar leite e mel, era uma terra já contaminada pela adoração à outros deuses. E em meio a esse povo, a esses deuses, o povo de Deus deveria esperar somente em Deus, aquele que enviaria o verdadeiro profeta.
Faltava muito pouco e o povo já estaria na terra prometida, mas, antes de entrarem na terra prometida, era necessário ressaltar a confiança no verdadeiro e único Deus.
O maior problema na terra prometida seria a falta de confiança. Em meio a fertilidade, abandonar o Deus único e verdadeiro seria fácil.
Atualmente há muitas caricaturas a respeito de Jesus. Jesus tornou-se qualquer coisa, e deixou de ser salvador. Torna-se cada vez mais necessário falar sobre o verdadeiro profeta Jesus. O próprio Cristo disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15).
É necessário e urgente continuar apontando para o profeta. Enquanto que Moisés apontou para àquele que viria, hoje, se aponta para àquele profeta que veio. Jesus ressaltou: “Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.5). O apóstolo João deixou registrado em sua primeira carta que “...já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora” (1Jo 2.18).
Quem é o anticristo?
O anticristo é aquele que usurpa o lugar de Cristo. Os que usurpam e se opõe a Cristo, são aqueles que com suas doutrinas e práticas, se separam dos outros cristãos, ou seja, “...Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho” (1Jo 2.22), “e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (1Jo 4.3), “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo” (2Jo 7).
É tempo de Epifania, é tempo de manifestar a verdadeira luz. E a verdadeira luz é o verdadeiro profeta Jesus.
Aos poucos tiraram a cruz dos altares. Não que se deva adorar a cruz, no entanto, a cruz nos faz lembrar o sacrifício do verdadeiro profeta. Além da cruz, tiraram qualquer lembrança de Jesus das fachadas das igrejas. O que se destaca em quase todas é seu slogan. Muitas igrejas ostentam a imagem daquele que as mesmas tem como seu profeta, apóstolo e bispo. E Jesus, o verdadeiro profeta nem é lembrado.
É necessário, é urgente, continuar apontando para Jesus.
Quase lá! Falta pouco!
Pode-se dizer que a exemplo do povo de Deus na fronteira da terra prometida, está cada cristão em pleno século XXI. Quase lá! Falta pouco! Jesus voltará!
Moisés, quando estava preparando o povo para adentrar a terra prometida, apontou para o profeta que viria. Na promessa desse profeta que viria, o povo era convidado a permanecer.
No meio luterano dizemos quase que constantemente “já e ainda não”. Temos o céu, mas ainda não se está céu. E por não se estar ainda no céu, é preciso ser constantemente aconselhado e instruído a permanecer na fé no sacrifício realizado pelo verdadeiro profeta Jesus.
Após proclamar a promessa dada por Deus, Moisés anuncia que “...todo aquele que não ouvir as minhas palavras (do profeta que viria, Jesus), que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas” (Dt 18.19).
Na terra prometida, a qual o povo estava por tomar posse, era cheia de adivinhos e feiticeiros. Assim, seria necessário ouvir tudo o que Deus iria dizer ao povo através dos profetas, até a chegada do verdadeiro profeta Jesus.
Após a vinda de Jesus, muitos surgiram e surgirão dizendo que é o Cristo. E todo aquele que está e permanece em Jesus, o verdadeiro profeta, terá a vida eterna. Mas, aquele que se recusar em crer e preferir dar atenção e ouvidos aos falsos profetas, Deus lhe pedirá contas.
Os filhos de Deus, àqueles que creem, estão com os olhos fixos no céu em Jesus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

É preciso ouvir Jesus!

Dia 21 de janeiro de 2018
3º Domingo de Epifania
Sl 62; Jn 3.1-5,10; 1Co 7. 29-31; Mc 1.14-20
Tema: É preciso ouvir Jesus!

João Marcos tem por objetivo apresentar aos seus leitores e ouvintes a questão sobre a identidade de Jesus. Quem é Jesus?
Esse livro que trata sobre quem é Jesus foi escrito para uma antiga e nova igreja.
Já no século um havia muita confusão sobre quem era Jesus. E em pleno século vinte e um, é muito familiar os Jesus fabricados, distorcidos e nebulosos.
No âmbito religioso, Jesus tem recebido muitas faces. E as faces de Jesus dependem do público que o busca. E dependendo do púbico, todos falam, menos Jesus. Há aqueles que dizem que o Espírito lhes falou numa visão, num sonho, ... Mas, e Jesus tem falado com você? E se tem falado, o que ele está dizendo?

É preciso ouvir Jesus!

E Jesus diz: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Jesus nos ensina uma preciosa lição sobre arrependimento, fé e reino de Deus.
É preciso ouvir Jesus falar sobre arrependimento!
O problema é que as pessoas dizem que não tem do que se arrepender. Há até aqueles que dizem que não se arrependem do que fizeram, e se fosse necessário, fariam novamente.
As pessoas estão vivendo em dias pós-modernos. E uma das tendências da pós-modernidade é justamente o enfraquecimento da certeza de que há um Deus. O importante na pós-modernidade é a valorização da “deusa razão”. E racionalmente falando, o homem é o centro de tudo. E todas as coisas faz sobressair o ser humano. Nada, deve diminuir o ser humano, o centro de todas as coisas. Assim, falar em pecado é ultrapassado. Falar na necessidade de arrependimento é antiquado. Há aqueles que dizem que não há do que se arrepender, o que é necessário é corrigir o passado.
O ser humano que diz ouvir sonhos, visões, ... deixou de ouvir Jesus. E ele disse: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Arrependei-vos!
A palavra arrependimento tem um sentido amplo e restrito.
Em sentido amplo, se refere à conversão em seu todo, ou seja, reconhecimento do pecado, contrição e fé. Em sentido restrito, arrependimento significa reconhecer o pecado, quebrantar o coração e contrição.
Arrependei-vos é reconhecer o pecado, chorar pelo mesmo. É como juntar os cacos de algo que foi quebrado.
O homem precisa arrumar seu passado, ou precisa corrigir-se e viver de maneira nova a partir de hoje?
Qualquer que seja a sua resposta – observe que é necessário arrepender-se.
É necessário reconhecer seus pecados, abandoná-los e viver diferente e para que se possa viver diferente, é preciso novamente ouvir Jesus: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Se não reconhecermos que pecamos por que somos pecadores, nunca reconheceremos a necessidade do arrependimento.
A antropologia precisa analisar o homem de duas maneiras. Diante de Deus (entra em choque com a razão), e Diante dos homens. O homem tem livre arbítrio diante dos homens, mas não temos livre arbítrio diante de Deus. Diante das coisas diárias, o homem tem livre arbítrio, mas diante das coisas espirituais não. Nós não fazemos nada para nos aproximar de Deus. Assim, pelos atos externos parecemos bons, mas no íntimo somos ruins. E já que temos livre arbítrio nas coisas diárias, precisamos reconhecer que somos responsáveis. Pare de colocar a culpa no destino. Reconheça seus pecados, suas falhas, e tome outro rumo em sua vida.
Precisamos reconhecer que somos pecadores. E em nosso livre arbítrio diário infelizmente, somos guiados pela nossa corrupção pecaminosa. Todos nós, inclusive batizados e cristãos, pecamos.
Muitas vezes as pessoas me perguntam: Na igreja Luterana as pessoas precisam se confessar ao pastor? Minha resposta, o problema não é ato de confessar em si, o problema é quando as pessoas se confessam apenas como mero ritual. Como um requisito a ser cumprido para se salvar ou se livrar da punição divina.
O que você precisa saber é que sem arrependimento você irá para o inferno.
Por isso, é preciso ouvir Jesus: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Ao falar sobre arrependimento, Jesus enfatiza que o ser humano é pecador.
É interessante lembrar como era Roma quando João Marcos escreveu o evangelho.
A cidade de Roma com um milhão de habitantes hospedava um misto colorido de povos, línguas, culturas e religiões. O empurra-empurra nas ruas era tanto que se permitia o tráfego de carroças somente à noite. O porto de Roma, Óstia, tornou-se o centro do cenário mundial. As construções públicas eram de primeira, e as casas particulares não ficavam para atrás. Nas casas de muitos patrícios, a água corria de canos de prata para banheiras de mármore, espelhos de metal enfeitavam as paredes, instalações de ar quente aqueciam o ambiente. As paredes eram cobertas de tapeçaria cara, os assoalhos de mosaico, os tetos de lambris. O desperdício nos banquetes não tinham limites. Havia músicas ao vivo nos jantares. E muitas vezes, flores choviam do teto.
Claro que isso tinha seu lado escuro. Haviam as favelas pobres; os navios, eram impulsionados por escravos cheios de desespero e ódio, que diariamente reabasteciam os portos de produtos. Havia crise econômica, corrupção, anarquia total, apodrecimento da sociedade e um clima geral de decadência. Observe que isso era no século 1 e parece que no século 21, nada mudou. Pior ainda, há muito mais cidades nessa situação.
Para essas pessoas, João Marcos lembra as palavras de Jesus que precisavam ser ouvidas: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
A ética do trabalho estava ausente quase de todo. Milhares viviam do subsidio do estado. Durante o dia matavam o tempo. O ponto alto da existência triste dessas pessoas era a vida noturna. Iam as orgias com a intenção de se embebedarem. Havia um verdadeiro carnaval nas ruas noturnamente. Os bordéis viviam lotados. Roma caminhava inconscientemente para o juízo de Deus. Nesse contexto, João Marcos escreve aos Romanos dizendo que Jesus lhes convida ao arrependimento, e a entrada no Reino.
As pessoas estão vivendo despreocupadamente em relação aos seus pecados, e assim, cada vez mais tornando impossível chegar a verdadeira fé.
 “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Quando o ser humano perde a noção do pecado e do quanto é pecador, perde também a necessidade do arrependimento e de crer no evangelho. Como diz um ditado: o tempero da comida é a fome.
Sem noção do pecado e da sua terrível consequência do mesmo, não há fome de arrependimento e do evangelho.
Todo pecador precisa ouvir as palavras de Jesus “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos...” (Mc 1.15).
Segunda Parte: É preciso ouvir Jesus!
Na semana passada ao meditar no Salmo 139, ouvimos que Deus nos examina e nos conhece. Ao fazer isso, Deus sabe perfeitamente a nossa situação, mas é necessário que cada um de nós olhe para sua situação. Tens cumprido a lei de Deus? Não! Então ouça o convite de Jesus: “... crede no evangelho” (Mc 1.15).
Ao dizer “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Jesus nos ensina uma preciosa lição sobre arrependimento, fé e reino de Deus.
Conforta tua consciência contra os terrores da lei. Lembre-se: “O tempo está cumprido...” (Mc 1.15), ou, “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, ...” (Gl 4.4-5).
Quando ouvimos as palavras de Jesus, é como se a fossemos amarrada a uma corda e lançados no fogo e após se sentir impotente destruído, ser tirado do fogo e ter os ferimentos curados.
O pecado é um fogo assustador e devorador. O evangelho é alivio e cura.
Para que os pecadores continuem sendo aliviados e curados, é necessário que a lei e o evangelho sejam pregados.
Ouça Jesus: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Crer no evangelho - significa reconhecer que não se consegue guardar a lei de Deus prescrita para mim. Crer no evangelho - significa que por ter desobedecido a lei de Deus, mereço ser condenado ao inferno. Crer no evangelho - é reconhecer que por não conseguir cumprir a lei, Cristo a cumpriu por mim. Ele é o Evangelho que eu tanto necessito.
Terceira parte: É preciso ouvir Jesus!
Jesus diz: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Jesus nos ensina uma preciosa lição sobre arrependimento, fé e reino de Deus.
o reino de Deus está próximo.
Reino de Deus não é uma referência a alguma denominação religiosa. Reino de Deus - é a ação de Deus em prol das pessoas com o objetivo de salvá-las. Reino de Deus - cresce à medida em que a igreja cristã anuncia a Palavra de Deus. Reino de Deus – é a atuação da igreja, por isso, Jesus chamou, se relacionou e enviou seus discípulos. Reino de Deus - está onde a Palavra de Deus é ensinada.
Toda pessoa que reconhece a voz de Jesus e crê no evangelho faz parte do Reino de Deus.
Através da atuação de cada filho(a) batizado(a) o Reino de Deus cresce. No entanto, isso não pode levar o cristão a se julgar melhor que outras pessoas, afinal, o cristão quando ora “Venha o teu Reino”, pede pelo Espírito Santo para poder crer e se manter no evangelho.
...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
A mensagem do arrependimento é necessário para que cada pecador reconheça sua situação desesperadora, e, somente assim reconhecerão que necessitam “crer no evangelho”. Sem o evangelho não há reino e nem Jesus.

João Marcos no evangelho quer apresentar Jesus. Há muita confusão sobre quem é Jesus, por que pessoas estão falando, mas Jesus está deixando de dizer. Deixe Jesus dizer, e ele diz “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Amém!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

“Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1)

Salmo 139
Tema: “Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).

Há pelo menos 20 sondas espaciais ativas no sistema solar. Em Marte, há oito sondas. Três na lua. Uma em Vênus. Duas no sol e uma em Júpiter. Há também três em asteroides e três fora do sistema solar.
Cada descoberta que uma dessas sondas faz a respeito do sistema solar, o ser homem sente-se surpreendido. E seu espanto se deve ao fato de descobrir algo que ressalta a criação de Deus e não as teorias humanas.
Entre as publicações cientificas dos últimos 25 anos, as palavras mais usadas são: inesperado, surpreendente e fascinante, com o sentido de “não esperávamos por isso”. Ou seja, a sondas encontram exatamente aquilo que a ciência não quer reconhecer: “a grandeza de Deus”.
Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).
A palavra “sonda” é a tradução do termo hebraico chaqar. Essa palavra tem como significado pesquisar; procurar; penetrar; examinar detalhadamente”.
O profeta Jeremias disse ao povo de Israel: “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras” (Jr 17.10). Jesus revelou à João, e o mesmo escreveu em Apocalipse: “...todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (Ap 2.23).
Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).
Quem é esse que nos sonda? É Deus, o Senhor. E esse Deus e Senhor descrito pelo Salmista se apresenta nas palavras dessa bela poesia e cântico, como sendo Onipresente. Ou seja, está presente em toda a parte e enche todas as coisas.
Davi exalta a onipresença e onipotência de Deus. O profeta Jeremias anunciou: “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o Senhor. Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor” (Jr 23.24). Ou, como ressaltou Davi: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?” (Sl 139.7).
Depois de saber que Deus é quem me examina e conhece, cabe nos uma pergunta: Quando Deus pesquisa, procura, penetra, examina detalhadamente, o que ele encontra?
Não podemos ser ateístas e negar a realidade do pecado e nem ser panteísta, acusando Deus de ser a causa do pecado. O ensino da onipresença de Deus é uma maneira que Deus nos concede para podermos agir de maneira correta, tentando evitar o pecado, pois Deus não incentiva e nem aprova o pecado (Gn 2.17; 3.8; 4.6-7; Sl 5.4-5).
As pessoas negam que alguns seres humanos sejam pecadores. Muitos até afirmam que crianças não nascem em pecado. No entanto, lendo Romanos 6.23: “o salário do pecado é a morte”, fico pensando: se as crianças não tivessem pecado, de nenhuma maneira elas morreriam. Esse pecado não é pecado por ter sido cometido pela criança, mas o qual está cravado na geração humana após a queda em pecado no paraíso.
Quando Deus, em sua onipresença, onipotência e onisciência, examina profundamente o ser humano, o que ele realmente encontra é alguém que pensa, age e fala de maneira pecaminosa. Encontra um ser humano corrompido pelo pecado. E essa corrupção se apresenta dia após dia, através da violência, ódio, corrupção, ...
Sendo que o “Senhor, ... me sondas e me conheces” (Sl 139.1) o que fazer?
Podemos nos guiar pelo pedido de Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139. 23-24).
As sondas que os seres humanos enviam para o espaço tem o objetivo de que se avance cientificamente. Ao pedir que Deus nos sonde, é clamar para que tenha misericórdia de nós. É pedir uma luz, uma direção. É como gritar do íntimo em oração: Deus, eu não sei de fato quem sou, mas pelo pouco que sei, quero só uma direção. Ajuda-me!
Mas, por qual razão eu posso fazer esse pedido a Deus?
Por que Deus tem por mim amor (Rm 5.8). Por que Deus quer me sarar (Os 6.1).
Esse amor de Deus pode ser observado nas palavras do próprio Davi. Recorde que Davi teve duas grandes experiências em sua vida. Era um humilde pastor de ovelhas. Pela sua família, nem foi chamado a presença de Samuel, quando o mesmo foi enviado por Deus para fazer um dos filhos de Jessé o novo rei de Israel. Davi recebeu grandes vitórias nas guerras. Mas, esse Davi, “homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13.13-14; 16.12; Sl 89.20; At 13.22) também experimentou o pior do seu íntimo: cometeu adultério e assassinato. E após a maravilhosa experiência com o profeta Natã, recebendo de Deus o perdão, Davi, é o mais aconselhado a nos incentivar a pedir que Deus nos sonde a cada dia, afinal, “...onde o pecado abundou, superabundou a graça;” (Rm 5.20).
Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).
Após falar da sondagem onipotente e onipresente de Deus, Davi exclama que essa sondagem revela um Deus amoroso. Ao exclamar: “Tu criaste cada parte do meu corpo; tu me formaste na barriga da minha mãe” (Sl 139.13), o salmista ressalta pelo uso da palavra hebraica “qanah” - “formaste” a ideia de que aquele ser gerado é um ser adquirido e comprado por esse Deus que conhece e sabe todas as coisas. O Deus onipresente e onipotente é o Deus criador e redentor.
Por esse motivo, assim como Davi é possível exclamar: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139.14).
Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1). Essa sondagem e conhecimento “causa espanto e admiração”. Deus, pelo preço pago por nós, nos tornou distintos. E essa distinção já foi enumerada por ocasião da criação, quando foi dito que o ser humano foi criado a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27).
Todos somos a imagem e semelhança de Deus. Alguém sabe me dizer a cor do ser humano quando Deus os criou? O ser humano em muitas situações é racista. E o racismo é uma das consequências do pecado.
Ser a imagem e semelhança de Deus aponta para o contraste do ser humano aos animais. O ser humano foi criado para conhecer, servir e experimentar perfeito gozo em comunhão com Deus. Mas, após a queda com o conhecimento do homem sobre o amor e a misericórdia de Deus, o objetivo é que o ser humano confie em Deus e o adore como sendo único.
O ser humano foi criado com distinção e o salmista apresenta essa distinção com as palavras: “...quando os meus ossos estavam sendo feitos, quando eu estava sendo formado na barriga da minha mãe, ...” (Sl 139.15).
O termo hebraico “Ìasah” “fazer, fabricar, formar” nos remete a palavra grega que foi usada por Paulo na carta aos Efésios capítulo 2 verso 10 “poiema”, “uma obra, aquilo que foi feito”.
Tanto o salmista como Paulo transmite a ideia de um pintor que está pintando uma tela. O ser humano é uma obra primorosa de Deus. O ser humano foi criado numa perfeição sem igual, num riqueza de detalhes.
Que pena, com a queda em pecado, o homem continua sendo exaltado por sua inteligência, mas infelizmente exerce seu domínio sobre a criatura de maneira errada e perdeu a comunhão com Deus.
Mas Deus, por amor e misericórdia, continua em busca do ser humano para restaurar essa comunhão e o faz isso através de seu Filho Jesus.
Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).
É maravilhoso ler no Salmo que Deus nos conhece completamente e perfeitamente e mesmo assim nos ama. Amém.

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Fala, Senhor, porque o teu servo ouve


Dia 14 de janeiro de 2018
2º Domingo de Epifania
Sl 139.1-10; 1Sm 3.1-10(11-20); 1Co 6.12-20; Jo 1.43-51
Tema: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.

O texto de 1Samuel 3.1-20 é um daqueles escritos que precisa ser analisado em todo seu contexto para ser entendido a fim de que o ouvinte ou leitor tire a verdadeira lição. Por mais óbvio, não é exatamente isso que tem acontecido com a maioria das pericopes.
O contexto que perfaz 1Samuel 3.1-20 são os capítulos 1 ao 3. Toda essa parte narra a infância de Samuel. E da mesma algumas lições importantes a respeito de Deus podemos aprender.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
1 - Tempo certo!
Dentro dessa grande seção (1Samuel 1 a 3) é possível contrapor a piedade de Ana (1Sm 1.9; 2.1) e a casa de Eli.
Ana, mulher de Elcana, mulher piedosa fez um voto de consagrar seu filho caso Deus lhe concedesse.
Eli era sacerdote, descendente de Arão através de Itamar. Seus filhos eram desobedientes a lei de Deus. Eli, tornou-se tutor de Samuel (1Sm 2.12,22; 3.11). Mas, se a casa de Eli estava pervertida, seria adequado deixar o menino Samuel aos seus cuidados?
O apostolo Paulo quando escreveu sua carta aos Romanos, esclareceu que todos “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8. 28). Partindo desse princípio, conseguimos entender que Deus atua para que seus planos sejam realizados! Foi exatamente isso que ocorreu por ocasião da vida de Ana e do nascimento de Samuel.
Devido a depravação na casa de Eli, o momento era crucial para uma nova liderança. Deus escolheu e capacitou Samuel para ser esse novo líder. É preciso recordar que Paulo ao escrever aos Gálatas disse que “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4-5).
Deus no tempo e na história e no seu tempo de acordo com a sua promessa, as cumpre.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
2 - Preparação e chamado!
Samuel, aos cuidados de Eli, aprendeu a servir a Deus no santuário (1Sm 2.11,18). Já que os filhos de Eli (1Sm 2.12-17) eram filhos de Belial, ou seja, sem valor, indignos e incrédulos. Os filhos de Eli eram inúteis. E com Samuel aos cuidados de Eli, o mesmo era preparado para ser seu sucessor já que seus filhos não deveriam ser.
Samuel não era de linhagem sacerdotal. Deus o tornou um profeta (1Sm 3.1-20).
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
3 –Exerça sua função
Como profeta, Samuel, foi reconhecido em todo o Israel. Como profeta, reconhecido pelo povo, passou a ser o grande líder espiritual de Israel. Além disso, Samuel envolvido em questões políticas, tornou-se uma liderança em todos os sentidos. Alguns chegam a afirmar que de maneira tipológica, Samuel foi uma espécie de antecipação de Jesus, exercendo o ministério real, sacerdotal e profético.
Eli, não podia mais devido à idade exercer suas funções sacerdotais e assim, Samuel está a serviço no Templo. Seu serviço era cuidar da lâmpada, para que a mesma não se apagasse.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
4 – Reconhecendo a voz de Deus
Não se sabe se de fato há tantas visões e revelações como diz haver atualmente, mas naquela época, as visões e revelações eram raras. Exatamente por esse motivo, diante da teofania divina, Samuel não sabe como proceder.
Deus chama Samuel pelo nome. Samuel atende, mas se dirige a Eli. Somente na terceira ocasião é que Eli, sacerdote experiente, observa que algo especial estava acontecendo (1Sm 3.8). Ao saber do que se tratava, indicou o jeito de Samuel proceder: “fala, Senhor, porque o teu servo ouve”.
Samuel, ainda não conhecia a voz de Javé (1Sm 3.7). No entanto, Deus se pôs ao lado de Samuel e lhe falou (1Sm 3.10) e conforme a orientação dada por Eli, Samuel respondeu: “fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. O verbo “ouvir” expressa disposição para ouvir. Ou seja, estou pronto. O que tens a dizer, diga.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
5 – Diga o que tens a dizer
A mensagem é de castigo contra a casa de Eli (1Sm 3.11-14). Essa mensagem é dada por Samuel a Eli (vv. 15-18). Eli entende que era mensagem de Javé e concorda.
Dabar Iaweh – “Palavra de Javé”.
Naqueles dias a “palavra do Senhor era mui rara; ...” (1Sm 3.1).
Eli queria saber - se Deus falou, o que foi que falou?
De uma palavra rara, passou a ser uma palavra frequente para todo o Israel a partir de Samuel.
Assim como Samuel não conhecia a voz de Deus, através de Samuel todo o Israel passou a conhecer a Palavra de Deus.
Ouvir a Palavra de Deus é o que as pessoas necessitam, mas, infelizmente as pessoas querem ouvir o que lhes agrada. O apostolo Paulo escreveu a Timóteo: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (1Tm 4.3-4).
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
6 – Promessas de acordo com as promessas de Deus
A raridade da palavra de Deus estava relacionada ao fato de Deus reprovar atos de seu povo. A razão do silêncio de Deus era a desobediência do povo (1Sm 28.6; Sl 74.9; Lm 2.9; Ez 7.26; Am 8.11-12;). No antigo testamento é fácil observar o descontentamento de Deus atrelado à liderança. No tempo de Samuel, o descontentamento de Deus se revelou na liderança dos filhos de Eli. A partir dessa perspectiva chego à uma conclusão interrogativa: Será que Deus atendeu Ana por causa da sua promessa, ou a promessa de Ana estava de acordo com os planos de Deus? Deus tinha uma promessa para cumprir!
Quando se lê a história de Samuel, as pessoas ressaltam a promessa de Ana. Há pessoas que justificam suas promessas citando o exemplo de Ana. Mas, será que o ponto é a promessa de Ana? Na verdade não! O ponto está no cumprimento de Deus as suas promessas, ou para ser mais exato, a promessa de Ana estava de acordo com as promessas de Deus.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
7 – Num mundo que não ouve, Deus fala.
Deus se silencia, quando os líderes responsáveis pela orientação não cumprem seu dever. Será que em pleno século 21 Deus está em silêncio? O mundo com seus muitos ruídos não ouve mais o que Deus têm a falar.
O texto de 1Sm 3.1-10 mostra que Samuel estava no templo cuidando para que a lâmpada do Senhor não se apagasse. Essa informação destaca que mesmo havendo religiosidade, Deus pode estar em silêncio.
O Brasil é um país extremamente religioso, mas, será que em muitos templos, Deus fala?
Samuel estava envolvido na religiosidade israelita. Trabalhava no templo, mas não conhecia a voz de Deus.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
De maneira inesperada, Deus reata a comunicação com seu povo. Para essa comunicação, Samuel passou a ser muito importante para todo o povo de Israel.
De um Deus que estava em silêncio, para um Deus que se revela ao seu povo através do profeta Samuel.
Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.
8 - Deus continua falando.
Nesse novo ano eclesiástico, em especial 2018, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, adotou como a seguinte temática: Vou viver e anunciar o que o Senhor tem feito! No lugar onde fui colocado por Deus!
Querido amigo e amiga: Deus tem falado ao seu vizinho? Amigo?
É preciso lembrar que por mais que a religiosidade cerque seus amigos, vizinhos, familiares, milhares são as pessoas que não conhecem a voz de Deus.
Na época de Eli e Samuel, até mesmo a casa de Deus, enfrentava um tempo de frieza espiritual. Eli não era referência para o povo. Seus filhos davam um péssimo testemunho. O povo de Deus, espiritualmente estava numa situação catastrófica. Mas Deus em seu amor e misericórdia, ocupado em cumprir sua promessa, levanta um jovem. Deus chama Samuel e o torna profeta. Pois, o seu desejo era revelar seu amor a todo seu povo.
Deus ainda hoje continua desejando algo maravilhoso para seus filhos. Ele “...deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4).
O fim último de Deus é a salvação dos seus filhos, por isso: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. Amém!


Pr Edson Ronaldo Tressmann

Dormindo tranquilo enquanto tudo parece desmoronar!

  18 de abril de 2021 Salmo 4; Atos 3.11-21; 1João 3.1-7; Lucas 24.36-49 Texto: Salmo 4 Tema: Dormindo tranquilo enquanto tudo parece...