terça-feira, 9 de maio de 2017

Cada um no seu quadrado!

14 de maio de 2017
5º Domingo de Páscoa
Sl 146; At 6.1-9; 7.2ª,51-60; 1Pe 2.2-10; Jo 14.1-14.
Tema: Cada um no seu quadrado!

O episódio narrado por Lucas em Atos 6.1-9 apresenta segundo opinião de muitos estudiosos a terceira tentativa do diabo de destruir a recém iniciada atuação missionária da igreja. Se os apóstolos se ocupassem da administração da ação social da igreja, deixariam de ocupar-se com a responsabilidade de orar e pregar.
A situação é clara: “naqueles dias, multiplicou-se o números dos discípulos” (Atos 6.1). A excitação do crescimento foi abafada por um lamentável “goggysmos” (queixa, murmuração). Essa queixa era idêntica àquela que foi destinada a Moisés (Ex 16.7).
Uma igreja em crescimento, mas, mesmo assim muitos murmuravam contra os apóstolos. A queixa das pessoas era que os apóstolos recebiam o dinheiro das contribuições (Atos 4.35,37), mas, esse dinheiro segundo alguns estava sendo mal administrado.
Nas páginas do antigo testamento aprende-se que Deus prometeu defender as viúvas (Ex 22.22; Dt 10.18). No início da atuação missionária da igreja, os apóstolos se ocuparam em socorrer as viúvas que não podiam e não tinham ninguém para sustentá-las. Deus socorreu e socorre as viúvas pela igreja. Os apóstolos estavam ocupados na distribuição do dinheiro entre as pessoas necessitadas.
A questão se tornou polêmica porque havia dois grupos: os helenistas e os hebreus. Os helenistas “murmuravam” contra o segundo grupo, os hebreus. Murmuravam porque “as viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária” (v.1).
Observe que não há indicação de que esse esquecimento foi proposital. Talvez, isso é uma suposição, a causa era devido a uma falha administrativa ou de supervisão. Há aqueles que afirmam que a causa era uma tensão cultural. Os helenistas não só falavam grego, mas pensavam e agiam como gregos, enquanto que os hebreus não só falavam aramaico, mas estavam enraizados na cultura hebraica.
Para os apóstolos, parece que a questão era muito mais que essa suposta tensão cultural. Para os apóstolos o problema era a administração social (a organização da distribuição e a própria resolução da disputa). A organização e resolução dessa disputa ocupava demasiadamente os apóstolos e os impedia de se ocupar com seu verdadeiro ofício: ensino e pregação.
Não quero jogar pedra no telhado do vizinho, porque o meu é de vidro. Muito se questiona sobre o porquê de outras igrejas fazerem tanto e nós tão pouco na área social. A resposta é simples, direta e pode até magoar pessoas: somos falhos na administração social (Organização, distribuição e realização). A falha não é diretamente no recolhimento e na distribuição. A falha está no fato de que tudo está atrelado a pessoa do pastor. É um pastor-centrismo que não deveria existir. Observo que em muitos lugares “naquilo que o pastor não está envolvido, as coisas não andam”. O planejamento 2015-2018, quais planos estão em ação, porque?
O problema é que o pastor deixou de ser considerado como um ministro do evangelho, e se tornou um CEO (diretor de operações). O pastor ocupa todas as funções, precisa saber de tudo e resolver tudo.
O que fazer? Qual atitude tomar?
Os apóstolos apontaram o problema: “Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas” (Atos 6.2).
O pastor-centrismo não era algo bem vindo no início da atuação missionária da igreja. Na verdade, os apóstolos disseram que “cada um deveria ocupar seu espaço e sua função dentro da comunidade”.
Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos...” (Atos 6.2).
A situação foi conversada e discutida com todos. O problema foi compartilhado.
Lembre-se, os apóstolos não consideravam a ação social inferior ao ofício pastoral. Nada disso! Eles apenas enfatizaram que era uma questão de chamado. Ou seja, fomos chamados para: ensinar e orar.
Trago aqui um extrato inicial de um chamado feito para um pastor da IELB:
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A CONGREGAÇÃO EVANGÉLICA LUTERANA ___________, local, reunida em assembleia extraordinária em dia e ano, votou e decidiu entregar o presente CHAMADO DIVINO ao Rev. ______, para ser seu pastor, Guia Espiritual, Cura D’almas e Líder na missão evangelizadora.
Mediante o presente CHAMADO DIVINO, realizado de acordo com as normas da Palavra de Deus, a Paróquia requer de seu pastor:
1.     que ensine e pregue tanto pública como particularmente a Palavra de Deus em sua originalidade e pureza, de acordo com as Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamento e, de acordo com as Confissões da Igreja Evangélica Luterana contidas no Livro de Concórdia de 1580, que são a verdadeira exposição e reta exegese da Palavra de Deus;
2.     que administre os sacramentos do Batismo e da Santa Ceia conforme a instituição deles pelo Senhor Jesus Cristo;
3.     que exerça a cura d’almas dos enfermos, fracos, desconsolados e desviados;
4.     que se dedique ao trabalho de instruir crianças, jovens, senhoras, e leigos na Palavra de Deus;
5.     que lidere os membros da igreja na evangelização das pessoas carentes de Cristo e da Salvação;
6.     que leve uma vida exemplar e cristã, em palavras e atitudes, constituindo-se em bom exemplo para todos, cf. Tt 1.6-9 e 1Tm 3.2-7 e, finalmente,
7.     procure trabalhar e coordenação e harmonia com os pastores do Distrito;
8.     que faça a obra de um verdadeiro evangelista e cura d’almas entre os que lhe são confiados, bem como de um evangelizador entre os que ainda não conhecem o Salvador.

É preciso dialogar sobre isso, pois, acredito que muitas vezes ocorre desvios de função por parte de um pastor. O chamado pastoral se resume a que? Como congregação não se tem falado sobre esse assunto. Um assunto necessário e urgente. Por isso o faço num dia tão especial como é o dia das mães.
O pastor não faz nada sozinho! Infeliz daquele que assim pensa e age. Mas, compreendo aqueles que assim o fazem. Há pastores que fazem por si só para não se incomodar com aqueles que querem usar seus dons não para benefício do Reino de Deus, mas pensam em si mesmos. Vale a pena ler Efésios 4.1-6.
Os apóstolos estavam sendo tentados pelo diabo a se desviarem da sua real função: pregação e oração.
Convocaram a comunidade e alertaram sobre o problema.
Não é razoável...” conforme o termo grego (ouk areston estin), “não está certo”. Diante de Deus isso não está certo.
O apóstolo João em seu evangelho (João 8.29) mostra que Jesus fazia aquilo que agradava a Deus, ou seja, aquilo que estava em consonância com a sua vontade. O termo grego arestos, aparece só 4 vezes no NT, sendo duas em Atos, (6.2; 12.3), e significa “agradável, certo” e o termo sublinha a união entre aquele que é enviado e aquele que envia.
Ao dizer: “não é razoável – não está certo” é o mesmo que dizer, “estamos agindo como enviados por parte daquele que nos enviou”.
Quando se estuda o livro de Atos, pastores e membros gostam de versículos que enfatizam o ir de casa em casa, testemunhar, etc. Mas, observe: esse trecho nos desafia a irmos um pouco além daquilo no que nos enclausuramos. O desfio é: cada qual fazer a sua parte.
Pastor confiar a administração à diretoria eleita.
Confiar as respectivas comissões as suas atribuições.
A congregação confiar ao pastor o único e exclusivo exercício que o mesmo precisa exercer: ensinar e orar.
Cada qual precisa exercer com amor, humildade, respeito a sua vocação como filho de Deus.
Não podia haver desvio de função a tarefa prioritária. Qual é a nossa prioridade como congregação? A mesma só irá se realizar mediante profundo estudo das Escrituras. Ao criar o homem, Deus: “lhe soprou nas narinas o fôlego de vida....” (Gn 2.7). O mesmo acontece quando se estuda a Palavra de Deus. Pela Palavra, Deus “sopra no homem o fôlego da vida... a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.17).
Sem o fôlego da vida se está morto.
Nosso desejo precisa ser: “Pastor, por favor, ocupe-se do estudo da Bíblia e nos transmita esse fôlego. Nós estaremos ocupados de todas as outras coisas”.
Essa é a sugestão dos apóstolos Atos 6.3-4.
A igreja entendeu o plano, ou seja, entendeu que os apóstolos foram enviados para a pregação e oração. Esse foi, é, e continua sendo o plano de Deus. Vale a pena ler Efésios 4.7-16.
Após a divisão da responsabilidade, aquilo que estava em perigo “a pregação da palavra”, é relato por Lucas que “crescia a palavra de Deus”.

A maior preocupação e ocupação da igreja é a Palavra de Deus, ela precisa crescer. Deus utiliza os mais variados dons para que a sua Palavra cresça e através dela muitos discípulos sejam feitos. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 2 de maio de 2017

Uma igreja cheia do Espírito Santo!

4º Domingo de Páscoa
07 de maio de 2017
Sl 23; At 2.42-47; 1Pe 2.19-25; Jo 10.1-10.
Tema: Uma igreja cheia do Espírito Santo!

Estamos vivendo o período da páscoa, próximos ao dia de pentecostes (dia 04 de junho). Os versículos 15-36 de Atos capítulo 2 é um sermão proferido pelo apóstolo Pedro diante da ação do Espírito Santo que de tão extraordinário fez as pessoas pensarem que os discípulos estavam bêbados. Diante do extraordinário, Pedro disse: “...Estas pessoas não estão bêbadas, como vocês estão pensando, ... O que está acontecendo é o cumprimento de uma profecia anunciada pelo profeta Joel” (Atos 2.15-16). 
Mais ou menos 870 após o profeta Joel, o apostolo Pedro profere essas palavras. Para Deus, uma promessa feita é o mesmo que uma promessa cumprida. Para os seres humanos, tudo é demorado, mas para Deus tudo é muito rápido e dinâmico (Sl 90.4).
A promessa, não só a do Pentecostes, mas todos os eventos relacionados a salvação do ser humano, está registrada nas Escrituras Sagradas.
Pentecostes é a ação espetacular do Espírito Santo. Pentecostes é o cumprimento de uma profecia – a profecia de que o Espírito Santo age para operar o que a razão não é capaz, ou seja, a fé. 
Já desde aqueles dias, por causa da bebida alcoólica, as pessoas eram capazes de falar uma língua estranha. Outros estranharam que era muito cedo para alguém estar bêbado.
Quando as promessas de Deus são cumpridas, o homem em sua racionalidade limitada, não compreende e nem fica atento as mesmas. Para alguns, o extraordinário era que havia um grupo bêbado falando estranhamente. Alguns de vocês sabem que um bêbado até fala enrolado, mas, não dá para dizer que é outra língua.
Quando as pessoas não conhecem os atos poderosos de Deus estranham qualquer ação que Deus realiza.
A cena do Pentecostes foi extraordinária!
Homens comuns falando diferentes línguas e comunicando a mensagem a respeito de Jesus Cristo para muitos povos ao mesmo tempo. Não foi um aplicativo que fez a tradução simultânea, foram homens que falaram e pessoas que ouviram em sua língua.
A ação do Espírito Santo foi tão espetacular que houve espanto e admiração. O espanto e a admiração ocorreu através de duas situações: 1) - aqueles que queriam saber o que isso significava e, 2) - os que resumiram tudo como algo possível por causa da bebida alcoólica.
O sermão do apóstolo Pedro, equilibrado em Lei e Evangelho, mostra as grandes coisas que o Espírito Santo faz na vida das pessoas. A ação do Espírito Santo é tão poderosa que faz pessoas regirem com espanto. Traz pessoas a fé, naquela oportunidade, quase três mil pessoas foram batizadas.
O Espírito Santo é poderoso! Ele não age apenas num único momento, numa situação específica, (Jo 3.8; Ec 11.5). Sua ação ocorre em várias situações e seu poder dura por toda uma vida.
A igreja que aumentou em quase três mil pessoas naquele único dia continuou perseverante. “E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações” (Atos 2.42).
Sobre essa igreja cheia do Espírito Santo, João Crisóstomo (347 – 407), um grande pregador da igreja antiga, disse que “era uma congregação angelical. Não considerava exclusivamente seu nem uma das coisas que possuía. Dessa igreja cheia do Espírito Santo foi cortada a raiz de muitos males ... ninguém acusava, ninguém invejava, ninguém tinha ressentimentos; não havia orgulho nem desprezo ... O pobre não sabia o que era vergonha, o rico não conhecia arrogância”.
O Espírito Santo é poderoso e continua agindo entre os filhos de Deus, “a comunhão dos santos”. O Espírito Santo continua agindo entre os mesmos para fazer desses santos uma congregação cheia do Espírito. “E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações” (Atos 2.42).
1 - Uma igreja cheia do Espírito Santo é uma igreja perseverante nos ensinamentos dos apóstolos.
Lucas, o médico pesquisador que escreveu o Evangelho de Lucas e o livro de Atos, ambos para Teófilo, quis relatar em seu Evangelho sobre a pessoa e obra de Jesus em favor dos gentios. Em Atos, seu objetivo foi mostrar como Deus continua sua ação através do Espírito Santo e como a mensagem sobre Jesus se espalhou por todos os cantos da terra.
Para que a mensagem sobre Jesus chegue a todos os locais, o Espírito Santo pelo seu poder os fez e faz “perseverantes”.
                            1 – na doutrina dos apóstolos;
                            2 – na ação generosa;
                            3 – no partir do pão;
                            4 – no orar;
Uma igreja só é perseverante pelo poder e atuação do Espírito Santo. O Espírito Santo torna pessoas perdidas em salvas. Quando um perdido é alcançado pela ação poderosa do Espírito Santo, a mesma se revela na “perseverança”.
Os primeiros alunos matriculados na escola primária da fé cristã, perseveravam na doutrina, no ensino dos apóstolos. Quero destacar uma coisa que sempre me chama atenção na IELB. A igreja tida como luterana, nasceu através do abrir e interpretar a Bíblia. A correta aplicação da Palavra de Deus, fez com que Lutero lutasse contra uma igreja que estava enclausurada num sistema filosófico denominado escolástica e a libertou da mesma, mas, como a mesma não o quis, surgiu assim a igreja luterana.
Quanto tempo é utilizado para estudo da Palavra de Deus numa reunião de diretoria? No culto, quanto tempo é utilizado para estudo e reflexão na Palavra de Deus?
E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, ...” (Atos 2.42).
É necessário lembrar que naquele início de expansão do cristianismo, não havia dogmática, catecismo, mas, havia o que sempre foi o fundamento, a parede e o telhado da igreja cristã: a Bíblia (na época o Antigo Testamento).
Naquela época os primeiros alunos tinham a sua disposição o texto do antigo testamento que já apontava para a maravilhosa obra de Deus que seria realizada em seu Filho Jesus Cristo. Essa era a doutrina dos apóstolos, ou seja, salvação por meio da obra realizada por Jesus Cristo.
Nós, IELB, temos a nossa disposição muito mais que os primeiros cristãos tinham. Além do Antigo, temos o Novo Testamento, dois catecismos (maior e menor), dogmática, confissões. E claro, temos a atuação do Espírito Santo entre nós pela Pregação, pelo Batismo e pela Santa Ceia.
Lembrem-se: os cristãos que receberam o poder do Espírito Santo não abandonaram o ensino transmitido por pessoas. Seguiam perseverantes nos pés dos apóstolos, aprendendo tudo o que era necessário aprender.
A igreja cheia do Espírito Santo continuava atuando pela poder do Espírito. “E todos continuavam firmes, ... vivendo em amor cristão, ...” (Atos 2.42).
A “perseverança em torno da Palavra de Deus”, meio pelo qual o Espírito Santo age, conduzia todos os cristãos a viverem na generosidade.
A palavra “Koinonia” vem “koinos” que significa comum, ou seja, “ter algo comum com alguém”. A koinonia expressa o que partilhamos uns com os outros, tanto no que damos como no que recebemos.
Lucas, ao fazer a referência ao “viver em amor cristão” deseja expressar a generosidade de uns para com os outros. Ao dizer isso, mostra o tamanho dessa generosidade. “Todos os que criam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros o que tinham. Vendiam as suas propriedades e outras coisas e dividiam o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade de cada um” (Atos 2.44-45).
A perseverança no amor cristão, no cuidado cristão é perturbador a igreja do século XXI. Há possibilidade de cuidarmos dos necessitados se só captamos recursos para manter a estrutura eclesiástica? Em Querência temos cerca de 12 mil habitantes. Desses, cerca de 4 mil pessoas passam dificuldade. Será que 8 mil não conseguem cuidar de 4 mil. O cálculo é simples, 2 pessoas, cuidam de uma. O problema é o individualismo.
Na época em que se deu o primeiro Pentecostes, havia uma comunidade de líderes essênios, a comunidade de Qumran, a leste de Jerusalém que prescrevia que todo judeu que fazia parte do povo da aliança deveria socorrer o pobre, o necessitado e o estrangeiro. No entanto, aquele que desejava aderir a comunidade de Qumran precisava entregar todas as “suas propriedades e seus ganhos ao tesoureiro da congregação...”.
Ao contrário desse rigor da lei da comunidade de Qumran, pelo poder do Espírito Santo, as pessoas doavam de livre e espontânea vontade. Os verbos “vendiam e distribuíam” no original grego está no tempo imperfeito, indicando assim que a venda e a partilha eram ocasionais, em resposta às necessidades específicas e de livre e espontânea vontade.
A generosidade é sempre voluntária – todo cristão é chamado à generosidade, em especial aos pobres e necessitados. Os necessitados são oportunidades que Deus nos dá para servir.
O Antigo Testamento traz inúmeras exortações a generosidade. Entre seu povo, Deus visava inculcar a tradição de cuidado para com o pobre. Deus ordenou que a décima parte fosse dada aos levitas, que viviam do ensino da lei de Deus, ao estrangeiro, ao órfão e a viúva (Dt 26.12). A igreja cheia do Espírito se apresenta pelo socorro ao necessitado (At 2.45; 4.34-35; 1Jo 3.17).
Não podemos escapar do desafio desses versículos. Quando há necessitados a nossa volta, é a pregação de Lei anunciada a cada um de nós que possuímos bens e pouco ou nada fazemos em favor dos necessitados.
E todos continuavam firmes, ...partindo o pão de casa em casa...” (Atos 2.42).
Nem todos haviam vendido as suas casas. Todas as reuniões era uma preciosa oportunidade para celebrar a santa ceia. Na santa ceia, Deus nos dá algo: Perdão.
E todos continuavam firmes, ... fazendo orações” (Atos 2.42).
A comunhão entre os cristãos não é só manifestada pelo socorro aos necessitados. Ela é manifestada também pela oração. As orações também auxiliam pessoas que delas precisam.
Essa igreja cheia do Espírito Santo “estava cheia de temor” (Atos 2.43). O serviço, o louvor, a honra dos filhos de Deus era dado porque Deus havia visitado a cidade. Havia sido crucificado. Havia ressuscitou e agora pelo poder do Espírito Santo testemunhava essa verdade.
A igreja cheia do Espírito Santo que perseverava na doutrina dos apóstolos; que agia com generosidade; que participava da santa ceia e que orava, era uma igreja que testemunhava. “Louvavam a Deus por tudo e eram estimados por todos. E cada dia o Senhor juntava ao grupo as pessoas que iam sendo salvas” (Atos 2.47).
A igreja cheia do Espírito Santo estava ocupada em evangelizar. O Espírito Santo é missionário. Ele agiu para que quase três mil pessoas juntamente com outros perseverassem na doutrina, na generosidade, no partir do pão e nas orações. Isso com um objetivo: que outros fossem acrescentados as fileiras cristãs. Amém! 

Pr Edson Ronaldo Tressmann

cristo_para_todos@hotmail.com

segunda-feira, 24 de abril de 2017

...portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, ...” (1Pe 1.17)

30 de abril de 2017
3º Domingo de Páscoa
Sl 116.1-14; At 2.14ª,36-41; 1Pe 1.17-25; Lc 24.13-35.
Tema:...portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, ...” (1Pe 1.17)

Mesmo que as peregrinações seja algo cultural, realizado por muitos por fidelidade à tradição, com sentimento religioso intenso e como atuação de sua existência pascal, o mundo ficou extremamente chocado com o número de peregrinos, ou refugiados que deixaram sua pátria em busca de uma nova vida.
O dia 20 de junho marca o dia mundial do refugiado! Sei que ainda estamos em pleno mês de maio, mas, é preciso nos ocupar do tema, haja visto estar sendo descrito pelo texto bíblico de hoje: “...portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, ...” (1Pe 1.17).
Um refugiado, um peregrino, é aquele que é forçado a fugir da sua pátria natal por causa da guerra. Até o dia 20 de junho de 2015, o mundo estava assustado diante dos 65,3 milhões de refugiados no mundo. Desse número, a metade era de crianças.
O mundo não pode esquecer que os refugiados são pessoas, no entanto, são pessoas diferentes, pois a guerra levou sua casa, seu trabalho, seus parentes e seus amigos. Os refugiados, tal como peregrinos, precisam de socorro e auxilio de estranhos, numa cultura estranha a sua.
O ser humano foi criado para viver em harmonia com Deus, no entanto, de acordo com Gn 3.22-24, por causa da queda em pecado nos tornamos peregrinos, refugiados nesse mundo. O ser humano foi forçado a sair da sua pátria celestial e nesse mundo está em meio aos dessabores decorrentes da queda em pecado.
De acordo com a raiz hebraica, “peregrino”, significa viver entre pessoas que não são seus parentes consanguíneos, mas mesmo assim precisam desfrutar dos mesmos direitos civis como se fossem pessoas naturais do local. O peregrino é alguém completamente dependente da hospitalidade de outros.
Deus é dono da terra, de acordo com os textos de Lv 25.23; 1Cr 29.15 e os seus filhos são apenas estrangeiros e peregrinos, que dependem exclusivamente da hospitalidade de Deus.
Ao convidar os cristãos a continuarem sua peregrinação com temor é porque Pedro sabe o quão fácil é cair na armadilha do diabo. Ele mesmo após fazer uma brilhante confissão sobre a pessoa de Jesus, foi repreendido por Jesus (Mt 16.16,23).
Continuar a nossa peregrinação com temor se deve justamente ao fato de esquecermos de que tudo vem de Deus. O homem moderno, pós-moderno, esqueceu-se que tudo o que é e possui vem das graciosas mãos de Deus.
Mesmo tendo sido forçado a sair da nossa pátria celestial, Deus em seu amor não abandonou ao acaso. Continuou e continua estendendo a sua mão ao peregrino e refugiado nesse mundo.
Após vir ao encontro do homem, faz dele seu filho e filha. Assim, como seus filhos e filhas, o cristão reconhece que “sua pátria está nos céus” (Fp 3.20), e pela obra do Espírito Santo “não são mais estrangeiros e peregrinos nesse mundo” (Ef 2.19).
Isso mesmo: 1Pedro 1.17 + Ef 2.19 = já e ainda não.
O cristão sabe que é cidadão do céu, mas, sabe que ainda não está na sua pátria celestial. E enquanto não está em sua pátria, mesmo sabendo que seu lugar é a pátria celestial, continua sua peregrinação com temor, pois, sabe o risco que corre nessa sua peregrinação nesse mundo.
O apóstolo Pedro convida os cristãos, recém convertidos do paganismo a continuarem sua “...peregrinação, mesmo sabendo que não são deste mundo, com temor ...” (1Pe 1.17).
Ao escrever sua primeira carta, o apóstolo Pedro sabe que os cristãos estavam sendo tentados a abandonar a peregrinação cristã, a nova caminhada com Jesus, para voltar as velhas práticas religiosas. Os novos cristãos estavam sofrendo por causa de sua fé. A peregrinação não estava sendo fácil.
...portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, ...” (1Pe 1.17).
O apóstolo Pedro tem como objetivo ao escrever sua carta aos cristãos que estão longe da sua pátria celestial, para que continuem. Pedro lhes envia uma carta de esperança.
Quem está peregrinando, está em trânsito. São pessoas longe de sua pátria e precisam de auxilio e socorro. E é essa imagem que o apóstolo Pedro quer transmitir ao dizer: “Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1Pe 1.17).
O socorro vem daquele que nos concede a pátria celestial e que nos fez seu cidadão.
Deus socorre todos seus filhos que peregrinam nesse mundo. Deus ouve as orações. Deus deseja que lhe roguemos sem temor e com confiança, afinal, ele é nosso Pai e nós somos seus filhos.
Deus jamais abandonará seus peregrinos nesse mundo. Afinal, “...não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento...” (1Pe 1.18).
Deus pagou um preço muito grande para nos resgatar e ter de volta em seu reino. Ele pagou um preço muito alto para nos permitir sermos novamente cidadãos pertencentes ao céu.
Em peregrinação nesse mundo, podemos a exemplo do salmista perguntar: “Que posso eu oferecer a Deus, o Senhor, por tudo de bom que ele me tem dado?” (Sl 116.12).
A própria pergunta nos revela a resposta. Nada. Mas, mesmo assim o salmista diz que posso manifestar a minha gratidão através de algum voto, o qual não sou obrigado a fazer, afinal de contas, eu não sou capaz de cumprir.
E é exatamente por causa da minha situação, o apóstolo Pedro recomenda: “...portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, ...” (1Pe 1.17).
Ao explicar os dez mandamentos, Martinho Lutero ressaltava que “Devemos temer e amar a Deus”. Ou seja, toda a nossa vida em peregrinação é uma resposta ao amor de Deus. Deus nos criou, nos mantêm, nos salvou, nos preserva na fé, e virá para julgar, sem acepção de pessoas.
O apóstolo Pedro convida os peregrinos a permanecerem na peregrinação em Deus Pai que enviou seu único Filho para dar liberdade do pecado, do diabo e da morte eterna. Amém!


Rev. M.S.T.  Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 18 de abril de 2017

Para além do aqui e agora!

23 de abril de 2017
2º Domingo de Páscoa
Sl 148; At 5.29-42; 1Pe 1.3-9; Jo 20.19-31.
Tema: Para além do aqui e agora!

É interessante a designação de que João seja o apóstolo do amor.
Quando jovem, João era um jovem como tantos outros de nossa época. Era violento. Chegou a ser apelidado de “filho do trovão”.
Mas, seu conhecimento e convivência com Jesus, o transformou como um discípulo do amor. O amor de Jesus o transformou!
Ele, como ninguém sabia que a única coisa que poderia transformar as pessoas da sua época era a mensagem do amor. João ressalta o amor de Deus através de palavras belíssimas: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu seu único filho, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Em sua carta ressaltou: “Deus é amor” (1Jo 4.8).
Eram anos turbulentos aqueles em que João viveu. Muitas histórias a respeito de Jesus estavam circulando. No entanto, entre as muitas histórias, nem todas poderiam ser registradas. O importante não eram as histórias contadas por outros, muitas até inventadas, o importante e necessário era que todos fixassem seus pensamentos e conhecimentos na única e verdadeira história: a da salvação, descrita em breves palavras pelo próprio João.
João, na breve história sobre Jesus ressalta que, Jesus é Deus. Muitos duvidavam disso, assim como hoje. Jesus era tanto homem como Deus. Ele nasceu, viveu, cresceu na Palestina, bebia água, se alimentava, se cansava ao viajar, sofreu e morreu.
João destacou a humanidade de Jesus, pois, assim como é em nossos dias, alguns intelectuais seculares, mas ignorantes espirituais, consideravam Jesus um fantasma.
Jesus não foi um fantasma. Como verdadeiro homem, cumpriu a lei. Morreu, mas morto não ficou. Ele ressuscitou!
O apóstolo João tem apenas um propósito. Ele não quer que seu evangelho seja o único, no entanto, deseja ardentemente que o relato que apresentou em breves capítulos e páginas traga benefício aos que lerem, estudarem ou ouvirem. E essa benefício vai além da vida aqui e agora. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

domingo, 9 de abril de 2017

Não temais! Diante do ateísmo

Sermão para o Domingo de Páscoa
Sl 16; At 10.34-43; Cl 3.1-4; Mt 28.1-10
Tema: “Não temais! Diante do ateísmo” (Mt 28.10)

O ateísmo vem crescendo avassaladoramente em nosso país. O Jornal A Folha de São Paulo, no dia 16/11/2014 publicou um artigo intitulado: “O ateísmo sai do armário”.
O título bastante curioso mostra que nos EUA, de acordo com a constituição do Tennessee, um cidadão não pode concorrer a um cargo público se não acreditar em Deus. Em Nashville, capital do Estado do Tennessee, um grupo de 150 pessoas se reúnem semanalmente nos domingos num fórum de ateus, que conta com mil inscritos. Os encontros são marcados com leitura de Margareth Mead e J.R.R. Tolkien. Cada pessoa canta canções dos Rolling Stones, Munford & Sons, etc. Isso acontece num estado em que é considerado o mais religioso do sul do país, título que disputa com Dallas, no Texas.
Certa vez um fazendeiro que viajava 75 Km para um desses encontros, ao parar num entreposto agrícola, relata que ouviu o vendedor contar para uma freguesa que um dos candidatos a xerife da cidade, escolhido por eleição direta, não frequentava nenhuma igreja. Ao que a cliente reagiu dizendo que esse cidadão não receberia seu voto, pois o mesmo devia ser imoral. Nisso o homem que estava indo a reunião do grupo de ateus se calou, conforme ele, “permaneceu no armário”.
Ele permaneceu publicamente no armário, mas, o fato é que aceleradamente o ateísmo vem crescendo avassaladoramente nos EUA. Isso assusta, pois, os EUA é um dos países mais religiosos do mundo. Lá os cristãos são três vezes mais que no Brasil. Nos EUA de 2007 para 2012, os que não tinham religião foi de 15% para 20%. No Brasil, esse número foi de 7% para 8%, de 2000 a 2010. Entre os jovens (18-30 anos), o número dos sem religião cresceu de 20% para 32%. Dos 8% da população brasileira sem religião, 10% são aqueles entre 15-29 anos (IBGE 2010).
O assunto ateísmo ainda é um tabu. Por ser um tabu, é polêmico tratar esse assunto em público. Mas, famosos gostam de falar sobre assuntos polêmicos. Buscam colocar-se se assim, para ver o quanto conseguem influenciar outros a tomar como certa a sua opinião. O ator Brad Pitt e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, promovem conferências anuais para os não crentes, chamadas “conferências dos céticos”. As redes sociais promovem as “paradas do orgulho ateu”.
Na internet é muito mais fácil ser ateu. Essa é uma afirmação de P.Z. Myers no livro “The Happy Atheist” (ateu feliz). O autor da obra afirma que Bush com sua política contribuiu grandemente para a causa ateísta.
  
O ateísmo está saindo do armário num país onde se popularizou a imagem retratando Jesus Cristo, entre George Washington e outros patronos da nação, segurando a Constituição como se fossem os Dez Mandamentos.
A identidade cristã cresceu convictamente nos EUA por reação ao socialismo e seus regimes forçados de ateísmo. E em pleno século XX, o ateísmo inaugurou-se com grande adesão e vai se desenvolvendo no século XXI.
Norman Geisler e Frank Turek no livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” enumera que os céticos se questionam sobre a possibilidade dos autores do Novo Testamento terem sido enganados. Teriam eles sido enganados no caso de acontecimentos miraculosos como a ressurreição de Jesus? Como os céticos excluem a ressurreição?
Os céticos apresentam a teoria da alucinação.
Alucinações não são experimentadas por grupos, mas apenas por indivíduos. Nesse aspecto, são muito parecidas com sonhos.
A teoria da alucinação não funciona porque Jesus não apareceu uma única vez para uma única pessoa — ele apareceu em dezenas de ocasiões diferentes, numa grande variedade de cenários, para diferentes pessoas, durante um período de 40 dias.
Ele foi visto por homens e mulheres. Foi visto caminhando, falando e comendo. Foi visto dentro e fora de lugares. Foi visto por muitos e por poucos. Um total de mais de 500 pessoas viu o Jesus ressurreto. Elas não estavam tendo uma alucinação ou vendo um fantasma, porque, em seis das 12 aparições, Jesus foi fisicamente tocado e/ou comeu comida verdadeira (v. tabela 12.1). A existência do túmulo vazio é a segunda falha fatal da teoria da alucinação. Se mais de 500 testemunhas oculares tiveram a experiência sem precedentes de ter a mesma alucinação em 12 ocasiões diferentes, então por que as autoridades judaicas ou romanas simplesmente não exibiram o corpo de Jesus pela cidade?
As autoridades adorariam ter feito isso, mas, aparentemente, não puderam fazê-lo porque o túmulo estava realmente vazio.
Dizem que as testemunhas foram ao túmulo errado. Talvez os discípulos tenham ido ao túmulo errado e, então, presumiram que Jesus havia ressuscitado. Essa teoria também possui duas falhas fatais.
Primeira falha: se os discípulos tivessem ido à sepultura errada, as autoridades judaicas e romanas teriam ido à sepultura certa e, então, teriam mostrado o corpo de Jesus na cidade. O túmulo era conhecido pelos judeus porque era um túmulo deles (pertencia a José de Arimatéia, membro do Sinédrio). O túmulo também era conhecido pelos romanos porque colocaram guardas ali. Como destaca William Lane Craig, a teoria do túmulo errado presume que todos os judeus (e os romanos) tiveram um tipo de “amnésia coletiva” permanente em relação àquilo que eles haviam feito com o corpo de Jesus.
Mesmo que os discípulos realmente tivessem ido ao túmulo errado, a teoria não explica de que maneira o Jesus ressurreto apareceu em 12 diferentes ocasiões. Em outras palavras, são as aparições que devem ser explicadas, e não apenas o túmulo vazio.
Perceba que o túmulo vazio não convenceu a totalidade dos discípulos (com a possível exceção de João) de que Jesus ressuscitara dos mortos. Foram as aparições de Jesus que os fizeram deixar de ser covardes assustados, fugitivos e céticos e se transformar na maior força missionária pacífica da história. Isso é especialmente verdadeiro com relação a um religioso inimigo do cristianismo, Saulo (Paulo). Ele não apenas não foi convencido pelo túmulo vazio, como estava perseguindo os cristãos logo após a ressurreição de Jesus. Foi necessária uma aparição do próprio Jesus para transformar Paulo. Parece que Tiago, o cético irmão de Jesus, também foi convertido depois de uma aparição de Jesus.
A conversão de Tiago foi tão dramática que ele se tornou líder da igreja de Jerusalém e, mais tarde, foi martirizado nas mãos do sumo sacerdote. O resumo é este: mesmo que alguém pudesse dar uma explicação natural para o túmulo vazio, não seria suficiente como prova contrária à ressurreição.
Eles não quebraram as pernas para apressar sua morte porque sabiam que já estava morto (as vítimas de crucificação frequentemente morriam por asfixia porque não podiam erguer o corpo para poder respirar. Quebrar as pernas, portanto, apressaria a morte). Além do mais, Pilatos foi verificar para certificar-se de que Jesus estava morto, e a morte de Jesus foi a razão de os discípulos terem perdido toda a esperança.
É incrível como o homem reluta em não crer. Claro que a fé não é obra humana, é presente de Deus, mas o ser humano pode se recusar a crer.
Isso não é nenhuma novidade.
O episódio da crucificação e também da ressurreição comunicam a respeito de Deus. Mas, o ser humano é tão surdo que não quis ouvir. Diz o relato bíblico que “houve um grande tremor de terra”. As pessoas ainda estavam comentando sobre o temor que havia acontecido na sexta feira por ocasião da crucificação de Jesus (Mt 27.51) e no domingo cedo, enquanto muitos dormiam, “houve um grande tremor de terra”.
O tremor da terra era tido como sinal da teofania e manifestação divina. Enquanto Deus se manifestava no alto da cruz como o sacrifício perfeito, Deus confirmava seu sacrifício através do tremor de terra, mas, as pessoas não quiseram ouvir.
As mulheres estavam indo visitar um morto. Viram Jesus morto, sepultaram Jesus. Choravam por Jesus. No entanto, o seu espanto mostra aquilo que é bem humano: elas, os discípulos, duvidaram do que Jesus havia dito antes da crucificação, “morrerei, mas ressuscitarei”.
O primeiro mensageiro da ressurreição, o anjo disse: “Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado, mas ele não está aqui; já foi ressuscitado, como tinha dito. Venham ver o lugar onde foi posto. Agora vão depressa e digam aos discípulos dele o seguinte: “Ele foi ressuscitado e vai adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês vão vê-lo.” Era isso o que eu tinha a dizer a vocês” (Mt 28.5-7).
Não temais! Essa é a primeira mensagem da páscoa dada pelo anjo do Senhor.
A “salvação vem por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pe 3.21). Ele venceu a morte. Apareceu durante 40 dias a muitos dos seus discípulos e outras pessoas que ficaram paralisados pelo medo.
Na quinta feira Jesus, ainda no Getsêmani, havia marcado um encontro com os seus discípulos. Ele disse que após sua prisão, crucificação e ressurreição, fossem para a Galiléia (Mt 26.32). Lá o encontrariam. No entanto, (Jo 20.26) apresenta os discípulos uma semana depois da ressurreição trancados, com medo em Jerusalém.
Quando por ocasião do sermão do monte, Jesus disse: “regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.12), agora mostra que a alegria está na certeza de que Jesus venceu a morte. Ele ressuscitou!
A mensagem do anjo: “Não temais” nos diz para permanecermos na alegria da ressurreição. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

Bibliografia:

Não tenho fé suficiente para ser ateu. Norman Geisler & Frank Turek. Vida Acadêmica, pp. 222-240.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

“Abri-me as portas da justiça; ...”

09 de abril de 2017
Sl 118.19-29; Is 50.4-9; Fp 2.5-11; Mt 27.11-66
Domingo de Ramos

Sl 118.19
Abri-me as portas da justiça; ...

Nos anos de 1984 a 1996 no canal de TV - SBT, todos os domingos, Silvio Santos apresentava um programa denominado: Porta da Esperança.
Era um programa baseado na assistência aos telespectadores. Na história da TV brasileira, esse é considerado o primeiro programa assistencialista, e serviu de modelo para outros, tais como: Voltando para Casa, Dia de Princesa, De volta para Minha Terra e Construindo um Sonho, Lar Doce Lar e Lata Velha.
No programa: Porta da Esperança, o telespectador escrevia sua história e enviava uma carta relatando a sua real necessidade (desde uma ferramenta de trabalho até uma casa), e também seus desejos (uma viagem a um instrumento musical), ou até mesmo, reencontrar alguém ou conhecer um artista famoso.
Os telespectadores selecionados, gravavam o programa, onde suas vidas eram apresentadas e seu pedido justificado para que houvesse alguém que atendesse o mesmo. Silvio Santos sempre soube manter o suspense. O suspense aumentava quando falava seu famoso bordão: “Vamos abrir as portas da esperança!!!...
Mesmo que esse quadro nunca tenha chegado ao quadro de liderança no Ibope na TV, o programa foi um sucesso e continua sendo lembrado por muitos.
O salmista diz: “Abri-me as portas da justiça; ...”.
No original hebraico, “portas” significa prefeituras, escolas, sinagogas, tribunais e todas as instituições públicas onde se trata de assuntos comunitários e públicos. Portas da justiçasignifica paróquias onde se desenvolve publicamente os ofícios da cristandade: pregar, ensinar, batizar, administrar e receber o sacramento, disciplinas, consolar.
O salmista ao pronunciar a respeito da porta da justiça, de maneira tipológica antecipava as palavras de Jesus, “Eu sou a porta” (Jo 10.9). Portas da justiça é referência aquilo que é tratado amplamente no Novo Testamento, como sendo, Perdão dos pecados, graça, fé.
Enquanto que as portas das escolas, das prefeituras, etc, insistem em obras e com elas produzem mais e mais pecadores, aumentando assim o pecado e a ira, Rm 3.19; 4.15; 7.7; Gl 3.10; 2.17; 1Co 15.56; 2Co 3.7; as portas da justiça de Deus, sua igreja e seu ministério visa admoestar, consolar, perdoar e animar o pecador justificado a permanecer firme em sua atuação cristã nesse mundo.
A porta da justiça de Deus permanece aberta! Ela está escancarada para todo aquele que deseja adentrar por ela (Sl 42.4; Lc 10.23; Mt 13.16). Pastores continuam sendo chamados para abrir as portas da justiça através da pregação da lei e do evangelho.
Jesus continua agindo em meio a sua igreja, através do ministério que ele sustenta, para manter viva pessoas que por suas próprias forças ou vontade não quereriam mais do que simplesmente abandonar a congregação, quer seja por um motivou ou outro (Ap 1.20).
Por amor e graça, Deus continua atendendo a oração feita pelo salmista: “Abri-me as portas da justiça; ...”, mantendo sua igreja, seus fiéis e seus pastores. Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

sábado, 1 de abril de 2017

Reflexão

Uma carta aos meus queridos amigos

A atual situação na qual encontra a IELB, com falta de pastores e muitas paróquias vacantes, tenho observado um certo desleixo por parte de muitos colegas. Um desses desleixos é que muitos chamados são de imediato ignorados. Os pastores chamados por determinada paróquia, nem sequer dão-se o respeito de receber e ler o que a Paróquia requer de seu pastor. Infelizmente, fazer isso com a Paróquia que gostaria de ter determinado pastor, não é justo e nem sequer ético.
Dias atrás, preparando um mini curso para colegas do Distrito Paraná Norte, me deparei com uma verdadeira joia de Carl Ferdinand Wilhem Walther. Entre os anos de 1884 – 1885, em suas preleções, disse:
Quando é designado um lugar para um candidato de Teologia desenvolver seu oficio de ministro Luterano, este lugar deve se tornar o lugar mais querido, mais lindo e mais precioso do mundo para ele. Ele não deve querer trocar o mesmo nem mesmo por um reino. Quer seja uma metrópole ou uma pequena cidade nos campos ou uma clareira em uma floresta, um lugar de grande crescimento ou o deserto, para ele deve ser uma miniatura do paraíso. Até os anjos abençoados descem do céu com alegria, seja quando e para onde for que o Pai os envia para ministrar àqueles que serão os herdeiros da salvação. Então, porque nós, pobres pecadores, deveríamos estar relutantes ou ter má vontade de segui-los com grande alegria a qualquer lugar onde podemos levar outras pessoas, nossos co-pecadores, para a salvação?
Pastores não deveriam escolher local, o local deve escolher os pastores! Eles sabem do que necessitam, e além das qualidades e dons, o que cada local precisa é de um evangelista, ou seja, alguém que lhes pregue o evangelho.
Infelizmente, o oficio ministerial, tem sido associado a uma vida de certas regalias. Assim, muitos apenas querem receber chamados de paróquias que lhes dê segurança total.
Lembre-se: as dificuldades, sejam elas quais forem, não deve desmotivar um pastor em aceitar um chamado, um novo desafio. A verdade é que ao receber um chamado de alguma paróquia com dificuldades, precisa encher o pastor com um ardente desejo em ir e despertar as pessoas de sua morte espiritual através dos meios da graça e fazer desses, cristãos vivos e ativos. Apesar do diabo, querer ainda dar o tombo final, mantendo muitos filhos de Deus sem um pastor, é preciso que alguém aceite o desafio e iniciar o ministério em determinado local com o poder da fé.
Tudo o que um evangelista tem e é a única coisa que precisa, é a poderosa Palavra de Deus. Com a Palavra de Deus, qualquer congregação, por mais que esteja sendo um deserto seco, pode se transformar em um jardim florescente de Deus.
Caro amigo, colega pastor!
Os desafios existem! Os desafios só são vencidos pela Palavra de Deus. Qual é a razão da vosso medo?
Quando um pastor se acomoda e acha que seus dias de trabalho e lutas terminaram, é alguém do qual só se pode ter muita pena. Está muito enganado se pensa que agora entrou num porto de descanso e paz, que quer aproveitar bem, já que agora ele é seu próprio chefe e não precisa aceitar ordens de pessoa alguma no mundo. Igualmente de penalizar, como atitude mencionada, é o ministro que olha seu ministério como uma profissão ou um negócio e decide preparar para si mesmo uma paróquia boa e confortável, sendo cuidadoso para não fazer inimigos e fazendo tudo para que todas as pessoas sejam seus amigos. Esses infelizes indivíduos planejam usar meios espirituais para proveito temporal. Eles não são verdadeiros ministros de Cristo e, no dia derradeiro, Deus lhes dirá: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade Mt 7.23.
A preocupação do ministro é que nenhuma alma se perca! E, ao escolher essa ou aquela paróquia, já que o momento está sendo muito propicio para isso, o ministro está fazendo acepção, julgando que só determinada paróquia merece o exercício do ministério que lhe foi confiado por Deus.
Cada ministro precisa olhar para um chamado, pensando tão somente nas pessoas que lhe serão confiadas. Infelizmente, o diabo está lançando a tentação de fazer com que o pastor olhe primeiro para suas regalias. E assim, as dificuldades paralisam qualquer análise de chamado.
Querido amigo, colega pastor, ao me dirigir a você por meio dessa carta, gostaria tão somente te levar a reflexão sobre o que de fato tem sido primordial em seu ministério.
Lembre-se: fomos separados para proclamar o evangelho. Diante de qualquer chamado, a primeira e única pergunta deve ser: há pessoas que querem e precisam ouvir o evangelho? Se a resposta for afirmativa, o chamado já merece ser analisado com muito carinho e respeito.
Deus abençoe a cada colega no exercício do ministério onde quer que esteja. E que ao deixar a atual paróquia para um novo desafio, o colega pastor possa testemunhar: aqui estou eu e todos aqueles que me confiaste; nenhum só se perdeu.
Forte abraço
Em Jesus
Edson Ronaldo Tressmann
A mesma está disponível em https://www.facebook.com/pastoredsonronaldo/
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“Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre” (Sl 136.1)

  Reflexão sobre o Salmo 136.1-9 “ Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre ” (Sl 136.1)   Este versículo...