segunda-feira, 13 de julho de 2026

Quando Deus parece em silêncio, o Reino continua crescendo.

 19 de julho de 2026

Próprio 11 – Oitavo Domingo após Pentecostes

Salmo 119.57-64; Isaías 44.6-8; Romanos 8.18-27; Mateus 13.34-43

Tema: Quando Deus parece em silêncio, o Reino continua crescendo.

 

Você já teve a impressão de que Deus está em silêncio? Você ora e a enfermidade continua; trabalha e ora, mas parece que a injustiça prospera; parece que o mal sempre vence; a mentira avança mais rápido que a verdade;

Essa é uma das maiores crises da nossa geração! Estamos cercados por guerras, violência, ansiedade, doenças, crises econômicas, polarização política, inteligência artificial transformando o mundo em velocidade assustadora, mudanças culturais profundas... e onde está Deus?

As quatro leituras desse culto (Salmo 119.57-64; Isaías 44.6-8; Romanos 8.18-27; Mateus 13.34-43) respondem que Deus nunca deixou o seu trono. Ele continua governando, e faz isso do mesmo modo de sempre, por sua Palavra.

Caríssimos, quando tudo muda, Deus continua sendo nossa herança. O salmista faz uma das declarações mais extraordinárias da Escritura: “O Senhor é a minha porção”; “Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que eu tenho;” (Sl 119.57). Ocorre mais outras três vezes nas Escrituras, Sl 16.5; 73.25-26; Lm 3.24.

Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que eu tenho;” Não é meu patrimônio... meu emprego... minha saúde... minha aposentadoria... meu partido... minha família... meu sucesso... é o Senhor.

O problema é que em nossa cultura somos ensinados que nossa identidade depende daquilo que possuímos. Por essa razão, quando alguém nos pergunta: quem é você? Normalmente se responde: “Sou médico;” “Sou empresário;” “Sou aposentado;” “Sou professor;Mas, e quando tudo isso desaparece? Quem somos? O salmista responde que eu ainda pertenço ao Senhor.

Martinho Lutero dizia que “quem possui Deus, possui tudo, ainda que nada tenha”. Exatamente por isso que o salmista escreveu “as cordas dos ímpios me cercam...”; “Os maus armaram uma armadilha para me pegar, mas eu não esqueço a tua lei” (Sl 119.61), ou seja, mesmo quando estiver achando que tudo está perdido, não esqueça da Palavra. Atualmente as armadilhas, ou as cordas que nos prendem são o cancelamento, a pressão ideológica, a ansiedade, a comparação constante, as redes sociais, o medo do futuro. Todavia, a Palavra continua fazendo exatamente o mesmo, mantendo o cristão firme.

        Quando o mundo parece fora de controle e parece que está, lembre-se que Deus continua no trono.

O profeta Isaías fala para um povo prestes a perder tudo. Jerusalém cairia, o templo seria destruído, a Babilônia parecia invencível. Humanamente falando, para o povo de Deus, Deus parecia derrotado. E, pelo profeta Deus anuncia: “Eu sou o Primeiro e Eu sou o Último” (Is 44.6; 41.4; 48.12; Ap 1.17-18; 2.8; 22.13). Essa conexão entre Isaías e Apocalipse é um dos mais belos testemunhos bíblicos da divindade de Cristo.

Eu sou o Primeiro e Eu sou o Último” (Is 44.6). Que afirmação extraordinária! Antes da Babilônia existir... Deus já era Deus. Depois da Babilônia desaparecer... Deus continuou sendo Deus. Antes dos impérios... Antes das crises financeiras... Antes das guerras... Antes da inteligência artificial... Antes das mudanças culturais... Deus já era o Senhor e continuará sendo.

Deus não promete ausência de dificuldades, Deus promete sua presença, por isso proclama “não temais” (Is 44.8). Ou seja, não haverá apenas dias fáceis e tranquilos, mas conforte-se em saber que ninguém tirou Deus do trono. Deus ainda governa esse mundo que não está esquecido e nem abandonado. Apesar das inquietações, saiba que nenhum mercado, nenhum governo, nenhuma tecnologia, nenhuma ideologia, nenhum ídolo moderno, é o primeiro e o último que continua governando.

O apostolo Paulo amplia nosso olhar mostrando algo impressionante. Não somos apenas nós que sofremos, toda a criação está gemendo (Rm 8.22). Árvores, oceanos, animais, humanos, toda criação geme, sofre, tudo envelhece, tudo se desgasta, tudo morre. Por quê? Porque o pecado não destruiu apenas o coração humano. O pecado atingiu toda a criação. Por isso existem doenças, terremotos, enchentes, secas, câncer, demência, luto.

Mesmo descrevendo isso, Paulo usa uma imagem surpreendente, “Pois sabemos que até agora o Universo todo geme e sofre como uma mulher que está em trabalho de parto” (Rm 8.22). Observe que Ele não diz dores de funeral, são dores de parto. Isso muda completamente a perspectiva, afinal, o parto dói, mas sua dor anuncia vida. Assim é o sofrimento cristão, ele anuncia vida. A cruz não é o capítulo final, a ressurreição é.

Enquanto gememos em decorrência ao sofrimento sem sequer conseguir formular uma oração, ouvimos uma das maiores consolações da Bíblia: o Espírito Santo ora quando você não consegue (Rm 8.26).

        Quando o joio parece vencer, o reino continua crescendo. Jesus responde uma pergunta antiga, por que Deus permite o mal? Quer que arranquemos o joio? É exatamente o que nossa geração quer fazer. Eliminar todos os maus e classificam quem são esses maus. Muitos pretendem criar uma sociedade perfeita. E a resposta de Jesus é um sonoro não, pois vocês arrancariam também o trigo.

O Reino de Deus cresce pela Palavra, a semente que é semeada pelo semeador. O Reino de Deus não cresce e nem se dá pela força, pela coerção, pela violência, pelo poder político e nem pela imposição cultural.

A missão da Igreja nunca foi construir o paraíso na terra. A missão da Igreja é anunciar o Cristo crucificado e enquanto realiza essa missão... o trigo cresce, o joio também. Às vezes parecem iguais, mas chegará o dia da colheita. E perceba a sublimidade; quem faz e fará a separação não somos nós, são os anjos. O julgamento pertence a Cristo, a nossa tarefa é outra. Apenas semeamos, pregamos, batizamos, ensinamos, amamos, perseveramos.

        As quatro leituras desse culto (Salmo 119.57-64; Isaías 44.6-8; Romanos 8.18-27; Mateus 13.34-43) se convergem. O salmista aconselha, permaneça na Palavra. O profeta Isaías diz, confie no Deus que tudo governa. Paulo aos Romanos escreveu, espere a glória futura. Jesus disse, continue semeando até que Eu volte.

É uma única mensagem.

Enquanto o mundo pergunta sobre quem está no controle, a Igreja responde que é Cristo.

Enquanto o mundo pergunta por que ainda existe sofrimento, a Igreja responde que é porque ainda aguardamos a nova criação.

Enquanto o mundo pergunta por que o mal ainda prospera, Jesus responde porque a colheita ainda não chegou.

        Tudo converge em Jesus Cristo. Ele é a nossa porção, é o Primeiro e o Último, é àquele cuja glória supera todos os sofrimentos, é o semeador que lançou a boa semente.

Na cruz... parecia que o joio havia vencido; parecia que Deus estava em silêncio; parecia que o mal triunfara; o Filho de Deus foi condenado. Os discípulos fugiram, o céu permaneceu escuro, e exatamente naquele aparente silêncio... Deus realizava a maior obra da história.

Na cruz, Cristo venceu o pecado, a morte e o diabo. Na ressurreição, inaugurou a nova criação que Romanos 8 anuncia. Por essa razão, a nossa esperança não está em uma melhora gradual do mundo, está naquele que morreu e ressuscitou.

O Reino continua oculto sob a cruz, mas sua vitória já foi conquistada e será plenamente revelada quando Cristo voltar em glória.

        Vivemos entre dois tempos. Ainda há joio; ainda há lágrimas; ainda há doenças; ainda há injustiça; ainda há cemitérios; ainda há cruz. Todavia, já existe algo novo. Existe perdão, Batismo, Santa Ceia, Palavra, Espírito Santo, existe o Cristo reinando.

Um dia a criação deixará de gemer. O joio desaparecerá, os justos resplandecerão como o sol. E isso não porque foram fortes, não porque venceram por si mesmos, mas por permaneceram unidos àquele que disse: “Eu sou o Primeiro e o Último; além de mim não há Deus” (Is 44.6).

Até esse dia, a Igreja continua vivendo da Palavra, sustentada pelo Espírito, firmada na cruz e alimentada pela esperança, confessando com o salmista: “Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que eu tenho;”, amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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