segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Um menino nos nasceu!

22 de janeiro
3º Domingo após Epifania
Sl 27.1-9; Is 9.1-4; 1Co 1.10-18; Mt 4.12-25
Tema: Um menino nos nasceu!

Sermão pregado em 26 de dezembro de 1531 pelo Reformador Martinho Lutero para o dia de Santo Estevão, Mártir.
Voltemos agora as palavras de Isaías com as quais podemos descobrir quem é a verdadeira igreja e como a mesma é consolada.
1 - A diferença entre o reino espiritual de Cristo e os reinos deste mundo.
O profeta nos diz: “Um menino nos nasceu, um filho nos é dado”. Já ouvistes o que significam essas palavras. Esse capítulo é na verdade um capítulo de inestimável valor, em que Isaías nos descreve com palavras sumamente belas e acertadas que classe de criança é Cristo. É a criança que nos leva sobre seus ombros a ti e a mim com todos os nossos pecados, misérias e dores. E isto fez não somente quando viveu na terra, senão que segue fazendo até o dia de hoje por meio da palavra do evangelho. Com o que Isaías nos disse sobre o menino Jesus, nos ensina ao mesmo tempo a discernir corretamente entre o reino espiritual e corporal. O reino corporal é aquele em que somos os súditos, os que têm que levar o rei a soberano, por que o mundo precisa de quem o aperte e o obrigue. O reino espiritual ao contrário é aquele em que o rei mesmo nos leva. Há, pois, uma grandíssima diferença entre esses dois reinos: no reino corporal, muitos milhares de homens levam uma só cabeça, um soberano; mas no reino espiritual, uma só cabeça, Cristo, leva um número incontável de homens. Certamente, ele leva os pecados do mundo inteiro, como disse Isaías (53:6): “O Senhor carregou nele o pecado de todos nós”; e o mesmo afirma São João Batista (João 1:29): “Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Lá na cruz ele levou nossos pecados, leva-os ainda hoje mediante seu Espírito de bondade, e nos faz pregar que ele é o Rei da misericórdia. Isso é uma parte da profecia.
2. A assombrosa imagem da igreja: desprezível diante do mundo, santa diante de Deus por Cristo.
Seguem agora os homens: “Admirável, Conselheiro, Deus forte. Pai eterno. Príncipe da Paz”. Com esses nomes, o profeta descreve em detalhe a índole do reino em si. Até agora havia retratado a pessoa do soberano como um rei que leva o reino sobre seus ombros. Aqueles nomes nos ensinam como está formada e que sinais particulares tem a igreja cristã. Se queres retratá-la, retrata-a como igreja que tem que ser levada e como igreja que é levada por Cristo. Esse levar, porém, por parte de Cristo, e esse “ser levadopor parte da igreja, fazem que o nome e o ofício de Cristo sejam o de Admirável, Conselheiro. “Admirável, Conselheirose chama também pela obra que ele leva a cabo em sua santa igreja cristã, a qual Ele governa de tal maneira que nenhuma razão humana pode compreender ou notar que essa igreja é verdadeiramente a igreja cristã. Não estabelece para ela residência oficial, não lhe fixa modos de proceder nem ritos, não lhe outorga traços distintivos externos alguns que permitam determinar com precisão onde está a igreja, quão grande ou quão pequena é. Se quiseres achá-la, não a encontrarás em nenhum outro lugar senão sobre os ombros de Cristo. Se queres imaginá-la, tens que fechar e prescindir de todos os demais sentidos e atender exclusivamente a descrição que te dá aqui o profeta. A igreja é, na verdade, um reino admirável, um reino que causa assombro, ou seja, um povo desprezível diante dos olhos do mundo, do diabo, e diante de si mesmo, um “opróbrio dos homens e desprezado do povo”, como diz o Salmo 22:6, uma “pedra rejeitada pelos edificadores”, como diz Mateus 21:42, porque tem um aspecto como se fosse não a esposa do Rei celestial senão do diabo. A verdadeira igreja cristã é na opinião do mundo um conjunto de hereges. Esse é o nome que a define. O inverso, os que são seguidores do diabo, esses levam o nome de “igreja”. Assim como os turcos consideram os cristãos como gente extremante insensata e diabos em pessoa, assim também os judeus e os papistas de hoje em dia não têm mais que burlas para os que constituem a igreja de Cristo. Tal é assim que a igreja não tem o aspecto, nome, imagem e semelhança de ser a igreja de Deus, senão do
diabo.
Agora bem: se esse aspecto tivesse a igreja apenas diante do mundo e do diabo, seria ainda tolerável, mas o que é verdadeiramente grave é que esse mesmo aspecto nós temos diante dos nossos próprios olhos. Essa é uma arte que o diabo domina com perfeição: o apartar nossos olhos totalmente do batismo, do sacramento e da palavra de Cristo, de modo que um tortura a si mesmo com o pensamento que expressara Davi (no Salmo 31:22): “Dizia eu em minha pressa: Cortado sou diante de teus olhos”. Este é nosso distintivo: que a igreja cristã deve ter aos seus próprios olhos – e eu diante de mim mesmo – uma aparência como se Cristo nunca nos houvesse conhecido como seus. Devo saber que essa é a santa igreja cristã, e que eu sou um cristão, e sem dúvidas, devo ver ao mesmo tempo que tanto a igreja como eu estamos cobertos por uma grossa capa de opróbrio do mundo que nos apelida de heréticos. Mais ainda: devo ouvir o que meu próprio coração me diz: Tu és um pecador. Estas grossas capas, o pecado, o diabo e o mundo cobrem de tal maneira a igreja e o cristão, que já não fica nada visível deles; o único que se vê é pecado e morte, o único que se ouve são as blasfêmias do mundo e do diabo. O mundo inteiro e quantos nele se orgulham de sábios, se põem contra mim, minha própria razão rompe as relações comigo; e não obstante, devo manter com todo firmeza: eu sou cristão, e com tal, justo e santo. Portanto, a santidade da igreja e a minha santidade provém da fé. Embasam-se não em algo dentro de nós mesmos, senão exclusivamente em Cristo. Diga a igreja: “Eu sei que sou pecadora”, e confie-se jazer por inteira no cárcere do pecado e no perigo de morte. “Em mim não há mais que iniquidade, em Cristo não há mais que justiça; e se eu creio em Cristo, Sua justiça chega a ser minha justiça”. Isso excede toda razão e sabedoria humanas. Parece ser algo totalmente inaceitável. Pois todos os entendidos dizem: a justiça é certa qualidade ou santa maneira de ser no homem mesmo. Assim como a cor branca e negra estão na parede mesma ou no pano mesmo, assim a santidade deve estar na alma mesma do homem justo. Mas então vem meu próprio coração e me diz: eu não sou assim, não sou um santo. E o mesmo me diz Satanás e o mundo. Se tenho contra mim as declarações do mundo, de Satanás e do meu próprio coração, que posso dizer? Precisamente o que diz nosso texto: que Cristo é o Admirável Conselheiro. Ele governa a sua igreja e a seus cristãos de forma admirável de modo que somos justos, sábio, limpos, fortes, cheios de vida, filhos de Deus, ainda que diante do mundo e diante seus próprios olhos pareçam todo o contrário. A que devo me ater porém para vencer a fé aparente? Ao mesmo a que se ativeram os pastores: a Palavra.
O mesmo Cristo procede de forma sumamente estranha ao que sua própria pessoa se refere; quer se fazer nosso Rei, e se deita num presépio e nasce de uma pobre virgem que apenas tem com que lhe envolver. Deveria ter por mãe a uma rainha, e por berço um deslumbrante palácio- sem dúvida vive como um mendigo. Não é, na verdade, assombroso no seu aspecto pessoal? Por isso precisamos aprender abrir os olhos, como os pastores, e julgar não segundo a aparência exterior, senão segundo as palavras que foram ditas sobre essa criancinha. Devo dizer, pois: Considero santos a todos os crentes, e me considero um verdadeiro santo a mim mesmo, não por minha própria conduta irrepreensível, senão por causa do batismo, do sacramento da santa ceia, da palavra de Deus, e de meu Senhor Jesus Cristo em quem eu creio. Então terás achado a definição correta. Se observo a mim mesmo, sem batismo, santa ceia e a palavra, não vejo mais que pecado e injustiça, o diabo em pessoa que me atormenta sem cessar. E se os observo a todos vós desprovidos da santa ceia, do batismo e da palavra divina, não vejo em vós santidade alguma. Ainda que estais sentados no templo ouvindo a palavra de Deus e orando, não vos fica nada de santidade se descontamos a palavra e os sacramentos.
3. Os sinais distintivos da verdadeira igreja de Cristo.
A aparência exterior não é, pois, o decisivo; decisivo é isto: olha se estás batizado, se ouves com agrado a pregação da palavra de Deus, se sentes o sincero desejo de receber a santa ceia. Estes são os sinais que Deus te dá, a isso deves dirigir teu olhar; assim poderás dizer: vejo em mim claros sinais de que pertenço a igreja Cristã. O aspecto exterior, em efeito, não basta para te converter num crente de verdade. Entretanto, onde se prega o evangelho sem falsos agregados humanos, onde se administram os sacramentos na forma devida e onde cada qual desempenha fielmente as tarefas próprias de seu ofício ou profissão, ali encontrarás com absoluta certeza o povo de Deus. Portanto, não te guies pela cor que as coisas têm por fora, senão pela palavra divina. Se te guias pela aparência exterior, e não pela palavra, pronto cairás no erro. Por que razão? Pela razão de que exteriormente não acharás num cristão nada que o distinga de outro homem. Mais ainda: há incrédulos e pagãos que se comportam mais decorosamente e que apresentam um aspecto mais honrável que muitos cristãos. Ah, a aparência exterior! Aí tem sua origem os ímpios e insensatos monges e freiras que queriam criar à igreja cristã uma imagem orientada no que exteriormente impressiona a vista. Daí também vem suas cogulas (Túnica de mangas largas e compridas e capuz usada pelos religiosos de algumas ordens) e tonsuras (é uma cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau de Ordem no clero, chamado também de "prima tonsura"). “Aqui, no estado monástico, estão os homens santos” diziam. “Vós que viveis no mundo vos entregais a vãos afazeres e práticas puramente corporais”. Coisa diabólica é que a máscara que põe certa gente possa causar tanta impressão no mundo. Eu sei que entre todos vós há apenas dez que não se deixariam impressionar por mim se eu quisesse fazer gala daquela santidade que pratiquei nos meus anos de monge. Evidentemente, o batismo e a santa ceia atraem os olhares muito menos que o hábito e a austeridade de um franciscano. Este sim tem que jejuar, aquele ao contrário é um simples costureiro. Por isso é preciso que aprendas a conhecer o que é e como é na realidade a igreja cristã, e que não te deixes enganar pelas aparências. Uma mulher que faz o que Deus lhe manda, que está batizada, que ouve o evangelho e o guarda qual luz em seu coração, que tem seu marido, que dá a luz filhos, que cumpre com suas tarefas como boa esposa e mãe, essa mulher é uma santa, ainda que aos olhos das pessoas não pareça. Pois o batismo que recebeu e a fé que tem em seu coração, são coisas que meus olhos não veem; vejo, ao contrário, que ela anda pela casa, ocupada no cuidado de seus filhos, e em mil outros afazeres domésticos. Por isso parece que não há nada de particular naquela mulher. Todavia, se permanece no evangelho e no trabalho que Deus lhe encomendou, é um membro genuíno da igreja cristã, não por sua probidade, senão por estar batizada, por ter em seu coração o evangelho, por ser morada de Cristo. Quem porém tem em conta que essa mulher é uma cristã e uma santa? Entretanto vem uma beguina (de Lambert Le Bèque, fundador no século XII do primeiro convento destas religiosas. Eram beatas ou merceeiras que praticavam uma vida ascética em comum, parecida com a monacal, a maior parte das vezes nos chamados beguinários, na área da atual Bélgica) com sua cara de vinagre. O que ocorre? A esta a consideram uma santa, a cujo lado a mulher com marido e filhos e o muito trabalho não são nada! Assim é como se nosso Senhor convertesse o mundo em um montão de tontos, incapazes de reconhecer a um cristão. “Igreja cristãesses são os que receberam o batismo, que têm um coração cheio de fé, e que levam a vida como homem comum. Nesse sentido deves considerar a igreja, e por esses sinais conhecê-la. O mundo ao contrário não a julga dessa maneira, e por isso erra em seu juízo. O mundo perguntará, por exemplo: Acaso não há também entre os gentios matronas tão respeitáveis como as que há entre os cristãos? E o que dizer dos tempos de tribulação? Ah, quantos padecimentos! Ah, a quantas perseguições está exposto um cristão batizado e que confessa sua fé no Senhor! Não parece senão que Deus lhe houvesse abandonado por completo, e assim o sente às vezes no seu coração.
4. A igreja, desprezada, se consola com a palavra e os sacramentos.
Desse modo, nosso Deus e Senhor faz que todos os sábios cheguem a ser néscios, permitindo que a imagem verdadeira de Sua igreja quase desapareça sob um cúmulo de escândalos. Não obstante, aquele que é membro dessa igreja pensa: “apesar de o mundo me desprezar e me perseguir, todavia creio em Cristo, estou batizado e tenho o evangelho; e a esse evangelho, esse batismo e a esse Cristo lhes ponho em meu coração um valor tão alto que ao seu lado o mundo inteiro não me parece valer mais que uma farpa”. E isto é bem certo: o evangelho de Cristo que o crente tem em seu coração possui diante de Deus um poder justificador tão grande que, ainda que o mundo inteiro estivesse repleto de pecados, todos eles seriam nada mais que uma gota de água em comparação com a imensidão do mar. Não é pouca coisa se fixar na palavra de Deus e se ater a ela. Tão grande coisa é, que aquele que o fizer, tudo o que lhe encerre parecerá como uma partícula de poeira. Assim, pois, a igreja cristã é santa, apesar do mau aspecto que tem aos lhos do mundo, e apesar de estar coberta de tribulações e escândalos. E ninguém pode captar inteiramente a santidade e justiça da igreja, nem ainda o que tem fé, e muito menos se pode sondar com a perfeita razão humana. Quem quiser conhecer realmente a igreja cristã e a seus membros, tem que tomar como elementos de juízo a palavra do evangelho, os sacramentos, a fé e os frutos da fé e do evangelho. E tu mesmo, para comprovar se és santo e cristão, considera se tens o batismo e o evangelho, se ouves e crês na palavra de Cristo. Se, logo, manténs puro teu matrimônio, se honras a teu pai e a tua mãe, etc., o que seja, se obedeces gostosamente ao Senhor, e evitas gostosamente o que é contrário a sua vontade: esse são então os frutos da tua fé.
Mas se alguma vez dás um tropeço, isso não te infligirá um dano irreparável. Pensa em teu batismo, refugia-te no evangelho que te oferece perdão e absolvição, diz a ti mesmo: “Se me ocorrem maus pensamentos, caí em pecado. Porém fui batizado, tenho a palavra de Deus com sua promessa de remissão: isso é para mim uma santidade maior que o mundo inteiro com tudo o que nele há. Cristo é meu mediador cheio de misericórdia, tão misericordioso que a fúria de todos os diabos que pudessem me aterrorizar não é mais que um leve lampejo comparado com o fogo de Seu amor, nada mais que uma gota de água comparada com o mar de suas compaixões. Ele está ao meu lado e me ajuda”. Assim devemos e podemos nos consolar pensando nesse imenso tesouro que possuímos na palavra e nos sacramentos.
5. Conclusão: Cristo é na verdade o Admirável Conselheiro
Tudo isso nos ensina por que Cristo é chamado “Admirável, Conselheiro”: Ele tira de nossa vista e de nosso pensamento toda a santidade e sabedoria próprias. Toda a santidade, toda a sabedoria que a igreja cristã possui se embasa na palavra e nos sacramentos. Se quiseres julgar a igreja segundo seu aspecto exterior, chegarás a um resultado inteiramente falso, pois verás os cristãos como gente assustada, cheia de pecados e imperfeições. Mas se consideras os cristãos como gente que foi batizada, que crê em Cristo e que demonstra sua fé produzindo frutos de amor a Deus e ao próximo e levando com paciência sua cruz, então teu juízo será correto. Pois esse é o distintivo em que se há de conhecer a igreja de Cristo. Nós ao contrário, os que somos membro da igreja, devemos ter o batismo e a palavra em alta estima ao ponto que todos os bens e tesouros do mundo nos pareçam nada comparados com eles. Fazendo isso reconhecemos corretamente a igreja cristã e podemos consolar a nos mesmos dizendo: “Em minha própria pessoa sou um pecador, mas em Cristo, no batismo, na palavra, sou santo”. Atenhamos, portanto, para estes nomes: “Admirável, Conselheiro”. Então podemos enfrentar os falsos mestres que virão. Pois não cabe dúvida de que depois dos monges de antigamente com sua falsa imagem da igreja de Cristo, virão outros, não menos perniciosos. O mundo não pode ir contra o seu costume: insistirá em querer retratar a igreja cristã segundo sua aparência exterior. Todavia, o único retrato fiel da igreja é o que acabo de pintar-lhes: o retrato em que se destacam o evangelho, os sacramentos, a fé e os frutos da fé. O batismo é a luminosa cor branca, a palavra e a fé são a gloriosa cor azul do céu e os frutos do evangelho e da fé são as diversas outras cores que distinguem os cristãos, cada qual em seu estado e profissão. Amém!

Adaptado pelo Rev. MST Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Graça e Paz - aos santos e sua igreja!

15 de janeiro 2017
2º Domingo após Epifania
Sl 40.1-11; Is 49.1-7; 1Co 1.1-9; Jo 1.29-42

Tema: Graça e Paz - aos santos e sua igreja! 

As mais variadas músicas mostram o pensamento e a prática de vida de muitas pessoas. Cazuza em 1988 lançou a música: Brasil, mostre a tua cara. Era a distante década de 80, mas, parecendo atual, protestava contra os escanda-los políticos, as desigualdades sociais e às injustiças. Anos antes, em 1978, a música cantada por Legião Urbana, “Que país é esse?” já questionava a sociedade brasileira.
Já passaram algumas décadas dessas e de outras canções. E todas as músicas, mesmo em pleno ano de 2017, trazem embutidas questões sociais, políticas e religiosas.
Se ainda se pergunta assim como Renato Russo: Que país é esse? a resposta pode ser: “um país que está perdendo nível cultural, pois, a julgar pelas músicas, não consegue mais decorar duas ou três frases, e se repete apenas oppppppppdurante minutos”.
Se o Brasil continua mostrando a sua cara, fica-se impressionado com a face apresentada e por vezes com a face oculta do Brasil ou dos Brasis.
Os sermões são proferidos para um público alvo: cristãos que se dispõe a acordar no domingo pela manhã e ir ao Templo ou trocar o futebol e o churrasco do sábado à noite pelas horas de louvor e adoração. Para esses é necessário perguntar: vocês desejam ter suas faces reveladas à outros?
O apóstolo Paulo juntamente com Sóstenes, mostra a todos a face dos congregados da congregação de Corinto. A verdade era que muitos moradores da cidade de Corinto estavam buscando se “corintizar” ou seja, levar uma vida de prazeres desenfreados.
A “cara” dos cristãos de Corinto não era muito bonita. Era uma “cara” marcada pelas diferenças sociais, pessoas egoístas e egocêntricas. Alguns faziam tudo o que queriam, afinal, para esses tudo era lícito. A mensagem da cruz de Cristo havia perdido a importância.
Na congregação havia as panelinhas. Muitos cristãos em Corinto não tinham problemas doutrinários, mas, problemas quanto a sua prática eclesiástica. A Congregação dos Coríntios suportava entre eles pessoas que viviam vidas desregradas sexualmente. Havia aqueles que não suportavam o apóstolo Paulo, pois o mesmo repreendia severamente os pecados.
Ainda há congregação com essa “cara”? Qual é a “cara” da nossa congregação? Refletir sobre essas questões é importante e necessário, afinal, se o pastor apontar a “cara” da congregação, será odiado por muitos e acusado por outros de falta de ética.
O apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios fala sobre a união com Jesus Cristo e o poder que o evangelho de Cristo exerce sobre a pessoa. A verdade é que o evangelho muda a nossa “cara”. O evangelho, o poder de Deus, continua sendo proclamado para continuar mudando as “caras” das pessoas, afinal, cada qual é pecador e precisa diariamente do evangelho para gradativamente ir mudando a sua “cara”.
Não pensem que foi fácil para o apóstolo Paulo mostrar a “cara” dos cristãos de Corinto e através da proclamação do evangelho dizer-lhes que “não adianta apenas vergonha na cara, é necessário uma vida diária na fé, na obra realizada por Cristo na cruz para que possam ver Deus cara a cara na eternidade”.
Os cristãos de Corinto, por estarem se “corintianizando” não julgavam muitas de suas ações como escandalosas e que envergonhavam o evangelho. Para mostrar a verdadeira “cara” dos Coríntios, Paulo enumera que não é qualquer um que lhes está escrevendo, mas, o “apóstolo de Jesus Cristo”.
Já que a maioria dos cristãos eram gregos, a palavra “apóstolo” indicava que quem escrevia, o fazia em nome de um emissário e não por conta própria. De acordo com o direito estatal e internacional da época, o “emissário autorizado” falava e agia com autoridade máxima. Havia todo um país por trás da atuação do mesmo. Sendo Paulo, “apóstolo”, “emissário enviado da parte de Deus”, falava e agia com autoridade suprema.
Sem aceitar a autoridade do apóstolo Paulo, de nada adiantaria descobrir sobre como é a “cara” dos coríntios e a nossa. Deus em sua palavra mostra a minha “cara”. Deus, através do evangelho muda a nossa “cara”.
Para saber a “cara” dos cristãos de Corinto é necessário ler a carta enviada pelo apóstolo Paulo na íntegra. Para saber a “cara” da nossa congregação é só perguntar aos seus congregados. Cada qual irá falar determinada característica e assim, se conseguirá visualizar a “cara” que a congregação tem.
Analisando a “cara” da congregação, pode-se repetir o conselho popular: “tome vergonha na cara”. No entanto, para que a nossa “cara” seja transformada é necessário a constante pregação do evangelho. E o evangelho transmitido pelo apóstolo Paulo é que mesmo que a “cara” da congregação de Corinto e a nossa não seja bonita, pelo poder do Espírito Santo ainda somos a “igreja de Deus...
Ao escrever “igreja de Deus que está em Corinto” o apóstolo Paulo enumera que, apesar da “cara corintiana que envergonha a todos”, Deus realizou um grande milagre. Existe uma igreja! A igreja persiste!
O fato da igreja existir e persistir em Corinto e também entre nós, não se deve ao fato de sermos pessoas boas, mas, ao fato de que Deus ama seus filhos.
Apesar da nossa “cara” não justificar o fato de sermos a “igreja de Deus”, Deus pelo poder do evangelho nos “chama para ser santos”.
Os “santos” são aqueles que pertencem a Deus por ter Jesus Cristo pago o preço. Os “santos” não são pessoas especialmente devotas e perfeitas no âmbito da igreja. Os “santos” são aqueles que pertencem a Deus. Esses “santos” recebem a saudação: “Graça e paz”.
Essa saudação só foi possível porque os Coríntios tiveram sua “cara” transformada pelo evangelho. A graça, “charis”, “chairen” é desejo de bem estar e felicidade. Bem estar e felicidade possibilitado pelo evangelho.
Apesar de nossa “cara” apenas trazer “vergonha”, até fazendo com que outros se afastem e nem se interessem pela igreja, Deus continua se manifestando ao mundo, numa verdadeira epifania através de seus “santos e sua igreja”. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Quem é o servo sofredor?

08 de janeiro 2017
1º Domingo após Epifania
Sl 29; Is 42.1-9; Rm 6.1.11; Mt 3.13-17
Tema: Quem é o servo sofredor?


Toda pessoa que inicia a leitura da Bíblia traz consigo inúmeras perguntas. Assim aconteceu com um homem etíope. Esse homem o qual não conhecemos por nome, mas, pelo que sabemos era ministro da fazenda da Etiópia. Esse homem havia ido à Jerusalém provavelmente por ser simpatizante do judaísmo. Após sua visita, voltava para sua casa com um rolo que havia adquirido e estava lendo.
O etíope adquiriu um rolo do profeta Isaías e dentro de sua carruagem lia atentamente o texto que era ouvido por Filipe que acompanhava do lado de fora.

Após ter sido convidado pelo etíope a entrar na carruagem, o ministro da fazenda lhe perguntou: “Quem é o servo sofredor?
Essa foi a pergunta de uma pessoa que era apenas simpatizante do judaísmo. No entanto, é uma pergunta que muitos cristãos de carteirinha ainda não sabem a resposta.
O profeta Isaías por ocasião de sua pregação, estava diante de um povo oprimido e humilhado pelo cativeiro babilônico. Mas, essa situação não o impediu de apontar para todas as promessas cumpridas por Deus e indicar que estava por vir o tempo em que restauraria completamente Israel.
João, o Batista, também apontou para Jesus.
O próprio Deus por ocasião do Batismo de Jesus indicou que o servo sofredor era Jesus, aquele que havia sido enviado para ocupar o lugar do pecador, por isso Jesus aceitou ser batizado por João.
A resposta sobre quem de fato é o servo sofredor faz uma diferença enorme e estonteante entre o povo de Deus.
O povo de Deus no antigo testamento estava como que cego e sem liberdade. Nessa situação não viam nenhuma luz. Tudo parecia estar fadado ao fracasso. No entanto, o profeta anunciou que o servo de Deus, o servo sofredor, o escolhido de Deus, viria e seria seu resgatador.
É necessário que a comemoração desse período de Epifania volte e traga seu verdadeiro sentido. De acordo com o calendário litúrgico, epifania significa uma manifestação divina. A Epifania é a manifestação de Cristo. No entanto, se a igreja cristã com seus muitos congregados se esquecerem do servo sofredor, muitos cristãos de carteirinha e outros que estão a caminho, viverão como cegos.
Epifania existe e existirá cada vez mais quando os “Epiphanius[1] foram desmascarados e juntamente com outros apontarem somente para Jesus, a exemplo de Isaías, João Batista.
O servo sofredor segundo a profecia anunciada por Isaías é a “aliança com o povo e luz para os gentios;...” (Is 42.6). Jesus foi enviado para as ovelhas perdidas de Israel (Mt 10.5,6; 15.24) e também para ser a “luz dos gentios”.
O apóstolo Paulo na carta aos Romanos (Rm 11) e aos cristãos da Ásia Menor (Efésios 2.11-22) fez uma analogia da Oliveira (símbolo no A.T. para Israel) e os galhos naturais e enxertados. Os gentios que ouviram e aceitaram o evangelho e pelo poder do Espírito Santo creram na obra de Jesus foram enxertados na Oliveira.
O Servo sofredor se dispôs a sofrer em lugar dos pecadores (judeus, gentios, luteranos, católicos, assembleianos, etc). Todos somos pecadores e como tal necessitamos da luz que é irradiada pelo servo sofredor que veio para ocupar nosso lugar.
Infelizmente, enquanto que muitos críticos da Palavra de Deus apontam e testificam que não se sabe quem de fato é o servo sofredor, há também muitos pregadores que ao invés de fazer “brilhar a luz de Jesus” sobre todos, acabam sendo “Epiphanius,” ou seja, heréticos que apontam para outros meios de salvação.
O ministro da fazenda da Etiópia perguntou: Quem é o servo sofredor? recebeu de Filipe a verdadeira manifestação de Deus, a verdadeira Epifania, pois Filipe “anunciou-lhe Jesus” (At 8.35).
Que assim seja em todo nossa epifania. Que das Escrituras Sagradas ouçamos a voz de Deus que nos diz: “Este é o meu único Filho, em quem realizo toda a obra de salvação em favor de todos os pecadores”. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann


[1] Foi um bispo da cidade de Salamina e metropolita da ilha de Chipre no final do século IV. Ele ganhou um a reputação como um forte defensor da ortodoxia cristã. É também conhecido por ter escrito um enorme compêndio de heresias que ameaçaram o cristianismo primitivo até o seu tempo.


O tempo litúrgico visa auxiliar os cristãos a celebrar os acontecimentos mais importantes da fé cristã. Ao longo do ano, a igreja cristã, segue um calendário dando destaques as principais datas religiosas que ao longo da história do povo de Deus foram celebradas.
Todo o calendário litúrgico visa ressaltar a história da salvação. Inicia-se no ciclo de natal, nascimento de Jesus, ciclo de natal, a morte e ressurreição de Jesus, e o ciclo de pentecostes, a descida e atuação do Espírito Santo e a vida da igreja no mundo.
O tempo litúrgico está ligado ao termo grego leitourgia (liturgia e serviço), envolvendo assim a ação de Deus na história, bem como através de seu povo no mundo, com objetivo de salvar a todos os pecadores.
Epifania significa “aparição, manifestação”. De acordo com o calendário litúrgico significa uma manifestação divina. No sentido filosófico, epifania significa uma sensação profunda de realização, no sentido de compreender a essência das coisas. É como se algo difícil fosse solucionado.
A Epifania do Senhor é um dia festivo. Sempre comemorado dois domingos após o natal. A Epifania é a manifestação de Cristo.
Epifania é o terceiro evento mais importante do calendário cristão. Surgiu antes mesmo da festa de natal e é comemorado dia 06 de janeiro. A partir dessa data segue-se o Tempo comum até a Quaresma, que é o tempo após a Epifania.
Na Epifania celebra-se a manifestação ou encarnação de Deus no mundo através da obra de Jesus Cristo. A igreja lembra na epifania o nascimento de Jesus com a visita dos reis magos do oriente e ainda o começo do ministério de Jesus aqui na terra, a partir de seu batismo.
Dentro de um quadro maior, a epifania está enquadrado dentro do ciclo de natal que inicia-se desde o primeiro domingo de advento até a Epifania.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Uma oportunidade - o Tempo!

Mensagem de ano novo
31 de dezembro de 2016
Sl 90.1-12; Is 30.15-17; Rm 8.31-39; Lc 12.35-40
Tema: Uma oportunidade – o Tempo!


O ano de 2016 foi marcado por guerras, mortes e violações dos direitos humanos mundo afora.
A crise de refugiados bateu recorde de mortes – mais de 7 mil, de acordo com a Organização Internacional de Migrações (OMI).
O furacão Mathew deixou 900 mortos em sua passagem pelo Haiti.
O Equador foi atingido por um violento terremoto, magnitude de 7,8 graus. Mais de seiscentas pessoas morreram e trinta mil desabrigadas.
O traficante mais procurado do século XXI e líder do cartel de Sinaloa foi preso pela terceira vez. A prisão aconteceu nos primeiros dias do ano de 2016.
No início do ano, em janeiro, a OMS (organização Mundial de Saúde) enquadrou pela primeira vez o vírus zika como emergência sanitária mundial. Estima-se que de três a quatro milhões de pessoas em todo o mundo tenha contraído a infecção.
Houve ataques terroristas em Bruxelas por parte do EI (Estado Islâmico). Foram explosões em pontos estratégicos, tais como Aeroporto de Zavantem e a estação de metrô Maalbeck, num saldo de 30 mortos e 300 feridos.
Onze milhões e quinhentos mil arquivos, baseados em informações de um escritório de advocacia do Panamá denunciavam um esquema global de ocultação de patrimônio e dinheiro por parte de líderes mundiais, chefes de estado e figuras públicas.
O avião da empresa EgyptAir com 66 pessoas caiu no trajeto entre Paris e Cairo. Não houve sobreviventes. Recentemente, o Ministério da Aviação do Egito divulgou um relatório que revelou indícios de explosivos nos restos mortais das vítimas, sinalizando que a queda pode ter sido resultado de uma explosão. Outro acidente de avião foi o que vitimou toda uma equipe de futebol. Foram 71 pessoas mortas e pelo que tudo indica, falta de combustível, irresponsabilidade humana.
Países buscaram se isolar de outros. Houve tentativa de golpe militar na Turquia. A cidade de Aleppo, que era o principal centro financeiro da Síria, está reduzida a pó e a população sofre com falta de itens essenciais e com a violência da guerra. O mundo presenciou em pleno século XXI, uma enorme tensão racial nos EUA.
O mundo está angustiado pelos teste nucleares realizados pela Coréia do Norte.
Há somente no Sudão do Sul, conforme a ONU, 3,7 milhões de pessoas passando fome. A fome é o resultado da guerra civil iniciada no final de 2013.
Não foi apenas o Brasil que teve sua presidente destituída do cargo. O mesmo aconteceu com a presidente da Coréia do Sul.

Poderia relatar muitas outras notícias, no entanto, essas apresentam de maneira muito viva e real as situações narradas pelo apóstolo Paulo na sua carta aos Romanos (Rm 8.31-39).
Muitos eventos ocorridos em 2016, são fatos que casam angústia, perseguição, tribulação, fome, desespero. São situações que afetam o corpo e a mente, situações que ferem o corpo e prejudicam a vida.
Em sua oração, assim como relatado no Salmo 90, Moisés pede que “Deus lhe ensine a contar todos os seus dias, para que alcance um coração sábio” (Sl 90.12).
A vida humana é muito breve, não passa de um resumo de uma história eterna.
O sábio Salomão em seu último escrito, após ter vivido muitas experiências, ressaltou que “há tempo para tudo debaixo do céu” (Ec 3.1-8). Com essa expressão, Salomão ensina que em os tempos, permitidos por Deus, precisam ser vividos com fé e esperança.
Todo tempo - bom ou ruim é uma oportunidade de Deus. Uma oportunidade, conforme apresentada pelo profeta Isaías: “Pois somente a tentação ensina a prestar atenção na palavra” (Is 28.19).
As pessoas, quer seja em conversas, ou em publicações nas redes sociais, estão agradecendo por esse ano estar terminando. Qual será o motivo? A julgar pelas notícias, os muitos momentos de aflição, angustia, perseguição, fome, violência, levam muitos a louvar pelo ano trágico que está por terminar. Mas, saber que o ano está terminando e outro iniciando resolverá alguma coisa?
Pode-se perguntar, assim como perguntou o apóstolo Paulo: “O que dizer diante dessas coisas?” (Rm 8.31).
A resposta está na maneira como se vê todos os acontecimentos nos mais variados tempos permitidos por Deus.
Os mais variados tempos, bons ou ruins, são determinados e assim como não é possível dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço, não é possível viver dois tempos opostos num mesmo momento. Cada coisa tem a sua ocasião.
O capítulo 8 de Romanos é o capítulo das perguntas sem resposta para os que não creem. Mas, aos que creem, mesmo que racionalmente não encontrem respostas, pela fé não apenas a sabem como a vivenciam.
Aqueles que creem que Deus não poupou seu próprio Filho, antes o entregou por nós, tem a respostas certa para as perguntas feitas pelo apóstolo Paulo (vv.31-39).
1 – Se Deus é por nós, quem será contra nós? (v. 31)
2 – Será que Deus não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (v.32).
3 – Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? (v.33).
4 – Quem condenará os eleitos de Deus? (Rm 8.34).
5 – Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? (Rm 8.35)
O que dizer diante dessas coisas?” (Rm 8.31). Nada! São perguntas sem respostas humanas. Para essas perguntas há somente a resposta da fé.
Paulo não faz nenhuma referência aos desejos humanos. A verdade é que o apóstolo enfatiza que Deus também dará uma cruz ao cristão. Tudo o que Deus realizou por nós foi na cruz e é na cruz que o cristão vive e se gloria.
As circunstâncias e os tempos podem ser os mais variados possíveis e podem mudar a qualquer momento, mas, Deus não muda.
Moisés ensina uma bela oração para o um novo ano: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12). Uma oração de quem já “sabe que é mais que vencedor” (Rm 8.37). Afinal, pela maravilhosa obra do Espírito Santo, todos aqueles que estão em Cristo, por mais que seja atingido por terremoto, fome, perseguição, angústia, tribulação, não será separado do amor de Jesus.
A maravilhosa obra do Espírito Santo faz com que os filhos e filhas de Deus tenham plena e inabalável segurança no amor e na misericórdia de Deus que age em todos os tempos e concede as mais variadas oportunidades.
2016 não é um ano para se esquecer – 2016 é ainda um ano, para isso temos tempo ainda, para louvar a Deus! Afinal, muitas oportunidades foram recebidas das mãos graciosas de Deus para crescimento e testemunho. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Natal é o carimbo de Deus!

Mensagem de Natal
25 de dezembro de 2016
Sl 2; Is 52.7-10; Hb 1.1-6; Jo 1.1-14
Tema: Natal é o carimbo de Deus!

Não esqueça o carimbo!
O carimbo mostra a seriedade do documento.
Na China, o carimbo é mais importante que a própria escrita, tanto que, a assinatura só tem valor com o carimbo. Desde a antiguidade até o presente, o carimbo fixa o seu crédito e sua promessa, e dá autenticidade à sua escrita. Artistas chineses ainda hoje seguem o costume de carimbar suas obras e assiná-las.
Jesus Cristo é autenticação da obra de Deus em prol do pecador. “... expressão exata do seu ser ...” Hb 1.3.
Jesus é a autenticação do documento anunciado e escrito pelos profetas. As profecias anunciadas pelos profetas é o documento de Deus. Jesus é o carimbo que autentica o mesmo.  
O autor a carta aos Hebreus registrou que Jesus “expressa a imagem do ser de Deus”. O termo grego charakter significa carimbo ou gravação de cera que autenticava o documento.
Além de autenticar o documento (a Bíblia), o autor a carta aos Hebreus ao ressaltar que “... depois de ter feito a purificação dos pecados” (Hb 1.3), faz uso do termo poiesamenos (ter feito, tendo feito). Esse termo corresponde ao bará da língua hebraica, e significa criar.
O autor a carta aos Hebreus enfatiza que Jesus Cristo não só autentica o documento, as profecias de Deus anunciadas pelos profetas no Antigo Testamento como, compara a obra de Jesus em pé de igualdade com o ato criador de Deus. Em Jesus surge uma nova criação (2Co 5.17).
Esta nova criação, as novas criaturas, precisam saber que “nestes últimos tempos, nos falou pelo Filho”.
Os últimos tempos, dias, é uma referência ao tempo em que se vive, um tempo escatológico. O tempo da preparação para a segunda vinda de Jesus.
Nestes últimos tempos é necessário saber quem é Jesus.
Jesus é o ponto final da obra de salvação. Jesus é a o carimbo que autentica a obra de Deus.
Jesus, assim como proclamado pelo evangelista João, “tabernaculou entre nós”. Isso significa dizer que a glória vista por Moisés no monte Sinai quando recebeu os dez mandamentos, que a glória presenciada pelo povo de Israel no tabernáculo, é a glória vista e recebida em Jesus.
Sendo o tabernáculo, de acordo com a orientação de Deus, a esquina de encontro entre Deus e o seu povo (Ex 36.26; Js 6.24). O fato de Jesus ter tabernaculado entre nós, mostra que Ele é a esquina de encontro do seu povo com Deus.
Não é possível encontrar Deus fora de Cristo.
O ser humano em sua ignorância não compreende o fato de Deus ter se feito homem. Não compreende o fato de Deus ter nascido numa manjedoura e ter morrido numa cruz. 
Não esqueça do carimbo!
Não esqueça que Jesus é a autenticação da obra de Deus em prol do pecador. Sem Jesus, o documento de Deus, a Bíblia, perde todo seu valor. Sem Jesus, as profecias dos profetas e apóstolos não tem nenhum sentido. Sem Jesus, o natal, a páscoa, ou qualquer outro dia não tem sentido. Natal só é natal, só é a boa notícia por causa de Jesus. Amém!

M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O evangelho de Deus!

4º Domingo no Advento
18 de dezembro de 2016
Sl 24; Is 7.10-17; Rm 1.1-7; Mt 1.18-25
Tema: O evangelho de Deus!

O primeiro capítulo da carta aos Romanos em si apresenta de maneira transparente toda a mensagem de Paulo aos Romanos. Os versículos 1-6 da carta de Paulo aos Romanos pode ser classificado de: Paulo e o evangelho; os versículos 7 a 13: Paulo e os Romanos; os versículos 14 a 17: Paulo e a evangelização.
É interessante observar que o livro histórico de Lucas (Atos dos Apóstolos) culminou com o relato de que o evangelho chegou a Roma. No livro de Atos, o médico e pesquisador Lucas termina sua apresentação mostrando Paulo pregando o evangelho em Roma. Qual foi o evangelho pregado em Roma?
Possivelmente a carta aos Romanos tenha sido a primeira peça literária cristã que os romanos tiveram conhecimento. Exatamente por isso, Paulo expressa que o evangelho de Deus é Jesus Cristo. Se apresenta como “servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1) 
Não há igreja sem os meios da graça (Batismo, Pregação e Santa Ceia). Não há apóstolo sem evangelho.
Há muitos que ostentam o título de apóstolo. Mas, tal título só pode ser ostentado para quem tem como credencial “pregador do evangelho”.
Saber o que é o evangelho de Deus, auxilia na compreensão sobre quem de fato é verdadeiro apóstolo. Jesus alertou que nos últimos tempos haveria falsos profetas e mestres.
O evangelho tem origem em Deus.
A carta aos Romanos é um livro sobre Deus, sobre o evangelho de Deus.
Paulo inicia essa carta apresentando-se como apóstolo.
Apóstolo significa “enviado”. O termo apóstolo pode ser aplicado aos doze discípulos chamados por Jesus para serem suas testemunhas, e, num sentido mais lato, aos missionários do Evangelho.
Paulo se considera apóstolo por anunciar a notícia do evangelho de Deus. Desculpe-me a ousadia, mas, seu pastor pode receber o título de apóstolo? A igreja, a congregação a qual frequenta, pode ser classificada como apostólica?
A resposta está no fato de pregar ou não o evangelho de Deus!
O apóstolo de Jesus é aquele que se ocupa com a proclamação do evangelho de Deus. Um apóstolo não reparte com outros especulações humanas e filosóficas, ele reparte a mensagem do evangelho de Deus.
O apóstolo está ocupado em repartir o evangelho de Deus, a boa nova do próprio Deus para um mundo perdido. Um mundo que necessita tão somente do evangelho salvador.
Mas do que se trata o evangelho de Deus? É toda a profecia do Antigo Testamento que trata a respeito de Jesus Cristo que veio da descendência de Davi.
O evangelho de Deus é Jesus!
O evangelho de Deus é a boa notícia – a boa noticia de Deus é seu Filho Jesus. Essa notícia é tão extraordinária que Deus enviou anjos para proclamá-la naquela primeira noite de natal.
Ao enfatizar que é servo e apostolo por causa do evangelho, o apóstolo Paulo mostra que o evangelho provém de Deus e que o mesmo é Jesus.
Ao definir espetacularmente que “o evangelho de Deus é Jesus” as portas das Escrituras são escancaradas para o pecador. Jesus é o evangelho de Deus!
A igreja moderna busca ser uma igreja semelhante ao Google. Ou seja, busca resposta imediata para todo o qualquer assunto. Cristãos e supostos apóstolos estão buscando responder sobre tudo, mas, esquecendo-se de “dar razão da sua esperança” (1Pe 3.15).
Muitos púlpitos se transformaram em verdadeiros palanques filosóficos, políticos e sociais. Muitos apóstolos e igrejas ditas apostólicas deixaram de ser o local de onde o evangelho de Deus emana.
Eu, Paulo, servo de Cristo Jesus, ... Deus me chamou e me separou para ser seu apóstolo, a fim de que eu anuncie a boa notícia do evangelho de Deus” (Rm 1.1).
Há boas livrarias, inclusive, há muitos sites na internet onde é possível baixar livros sobre os mais variados temas e assuntos. No entanto, cada culto, cada estudo bíblico, o tema sempre deve ser o mesmo: o evangelho de Deus!
A igreja é de Deus! Precisa preservar a Palavra de Deus. E a Palavra de Deus é seu evangelho – Jesus, aquele que foi enviado pelo Pai para resgatar os pecadores.
A oração da igreja precisa ser um clamor por servos e apóstolos que simplesmente se ocupem em proclamar o evangelho de Deus – Jesus.
Ao escrever a carta aos Romanos, Paulo está em Corinto (inverno de 57/58 d.C), prestes a partir para Jerusalém, de onde ele esperava dirigir-se a Roma e a Espanha (Rm 15.22-32; 1Co 16.3-6; At 19.21; 20.3). O perigo que os cristãos convertidos do judaísmo e do paganismo corriam era se desentenderem em relação ao evangelho de Deus. Para que isso não acontecesse, Paulo lhes anuncia o mesmo tema que havia anunciado aos Gálatas, o puro e doce evangelho de Deus – a salvação pela fé na obra realizada por Jesus, assim como proclamada pelos profetas.
Eu, Paulo, servo de Cristo Jesus, ... Deus me chamou e me separou para ser seu apóstolo, a fim de que eu anuncie a boa notícia do evangelho de Deus” (Rm 1.1).
O evangelho da igreja e do apóstolo não é um evangelho pessoal - é a mensagem do coração de Deus. Um Deus amoroso e misericordioso que enviou seu Filho.
O evangelho de Deus é a mensagem expressa nas páginas das Sagradas Escrituras, no Antigo e Novo Testamento, pelos profetas, discípulos e apóstolos. Essa continua sendo a missão e tarefa primordial de um apóstolo e de uma igreja apostólica. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Inércia Constante!

3º Domingo no advento
11/12/2016
Sl 146; Is 35.1-10; Tg 5.7-11; Mt 11.2-15
Tema: O cristão vive em constância inércia!

A inércia é uma massa (corpo, objeto) que está em repouso ou em movimento em linha reta, a menos que uma força atue sobre esse corpo, objeto.
Ilustração: Uma bola parada. Colocá-la em movimento. Para que o movimento aconteça é necessário que algo atue sobre ela (chute). Após chutada (em movimento) para que a mesma pare é necessário que uma força atue sobre ela (segurar com o pé).
O apóstolo Tiago ressalta que o cristão vive em constante inércia!
Há situações em que a inércia é um constante repouso. É preciso uma força para que do repouso o cristão passe a agir. Há situações em que o cristão em movimento precise de uma força para parar. Parar em seus erros e pecados.
Tiago é o apóstolo que fala sobre a inércia cristã. Tiago é o apóstolo da inércia da fé, uma inércia em movimento.
A exortação de Tiago não é doutrinária. Em especial é uma exortação motivacional para que os cristãos não sejam apenas ouvintes, inertes no repouso, mas praticantes da Palavra de Deus (Tg 1.22).
A vida prática da fé se dá nas mais variadas situações vivenciais do cristão. E como homem de fé, Tiago ressaltou que a força que o fazia agir era a fé viva e eficaz.
Querer o bem é a principal característica de um cristão. Muitas vezes, ele não vai além da boa intenção de praticá-lo. Antes que se dê conta, desviou-se do alvo proposto. E é justamente como um alerta, que o apóstolo Tiago exorta o cristão para que o mesmo não caia na inércia do repouso e deixe de viver a fé diante da eminente volta de Cristo. Tiago fala sobre sofrimento e perseverança diante da volta de Jesus Cristo (Tg 5.7-11).
Ao se referir a perseverança, Tiago faz uso da palavra grega “makrothymia” (paciência).
A paciência é uma ação voltada ao próximo e o enfrentamento das provações e tribulações diante dos sinais da volta de Jesus Cristo.
Tiago exorta a ação prática da fé numa disposição inabalável, num espírito que nunca se deixa abater, com um “coração fortalecido” (Tg 5.8). Do coração fortalecido, os profetas tiveram disposição e espírito inabalável (Tg 5.10).
Tiago exorta a ação prática da fé citando o exemplo da paciência e perseverança de Jó (Tg 5.11).
O cristão vive em constância inércia! Nessa inércia é exortado a agir pela fé é esperar constantemente no coração misericordioso de Deus (Tg 5.11).
O lavrador prepara a terra, semeia a semente, mas, não faz nada além disso. Após preparar a terra e semear, apenas espera. Espera que a semente germine e produza. E enquanto o lavrador permanece inerte, sem movimento, esperando a germinação e o fruto, a semente está em movimento, germinando e crescendo.
Tiago sabia que muitos cristãos corriam o risco de ficarem inertes ante a volta de Jesus Cristo. Os cristãos corriam o risco de deixar de agir na e pela fé. E, é exatamente por isso que exorta a todos os cristãos a movimentarem-se perseverantes diante do sofrimento e das dúvidas ante a volta de Jesus Cristo.
Constantemente os escritores do Novo Testamento consideravam a volta de Jesus como algo próximo. Devido a demora, muitos cristãos estavam desanimando.
O cristão vive em constância inércia! Uma inércia sem movimento.
Os cristãos vivem dias conturbados. Muitas são as provações diante do sofrimento e da espera pela volta de Cristo. O sofrimento e a espera conduz as queixas e murmurações.
Entre os exemplos de perseverança no sofrimento citados por Tiago, vê-se profetas. Entre os quais pode-se citar Isaías, que segundo a tradição foi serrado ao meio; Jeremias, apedrejado pelos seus conterrâneos. Os profetas eram homens de Deus que pacientemente esperaram no Senhor.
Outro exemplo de paciência e perseverança na tribulação foi Jó. Por mais que tenha sofrido, chorado, reclamado, discutido com amigos, Jó esperou em Deus.
O tempo de advento, de maneira especial, o segundo advento que se está vivendo, é de preparação. Nesse tempo de preparação é preciso ouvir atentamente a exortação do apóstolo Tiago: “..., tenham paciência até que o Senhor venha” (Tg 5.7). Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

A morte diária do ego! (Mt 16.21-28)

  30 de agosto de 2026 Próprio 17 – Décimo Quarto Domingo após Pentecostes Salmo 26; Jeremias 15.15-21; Romanos 12.9-21; Mateus 16.21-28...