terça-feira, 18 de agosto de 2026

A opinião pública e a voz do Pai! (Mt 16.13-20)

 23 de agosto de 2026

Próprio 16 – Décimo Terceiro Domingo após Pentecostes

Salmo 138; Isaías 51.1-6; Romanos 11.33-12.8; Mateus 16.13-20

Tema: A opinião pública e a voz do Pai!

 

            A voz do povo é a voz de Deus! Será?

       Os evangelhos registram que Jesus tentou por muitas vezes ficar sozinho com seus discípulos. Por nove vezes, esse plano foi fracassado e nessa, a décima oportunidade, Jesus chegou com seus discípulos aos vales solitários onde está a nascente do rio Jordão, aos pés do Monte Hermon, na cidade de Cesareia de Filipe.

       Podendo ter um momento a sós com seus discípulos, Jesus questiona sobre a opinião pública sobre: “Quem o povo diz que o Filho do Homem é?” (Mt 16.13).

       A designação Filho do Homem aponta para o mediador encarnado que verdadeiramente nasceu da virgem Maria, sofreu, morreu, ressuscitou e voltará para julgar.

       A opinião pública a respeito sobre quem era Jesus variava. O Rei Herodes Antipas o tinha como ressurreição de João Batista. Outros, recordavam da profecia anunciada pelo profeta Malaquias (Ml 4.5) e diziam que Jesus era Elias devolvido a terra. Outros, recordando 2Macabeus (2Mac 2.4) acreditavam que o profeta Jeremias saiu da caverna, onde guardava o tabernáculo e arca da aliança. Outros diziam que Jesus fosse algum dos profetas.

       Apesar dessas opiniões positivas a respeito de Jesus, elas destacavam que Jesus não era o Messias. Além dessas opiniões positivas, vemos ao longo dos evangelhos opiniões negativas, tal como dos parentes de Jesus que o consideravam louco. Pessoas piedosas o tinham como alguém que andava com gente que não presta, tal como publicanos e pecadores e ainda um beberrão e comilão. Religiosos e políticos o tinham como um entusiasta, um inovador perigoso, charlatão e blasfemo.

       De acordo com a opinião pública, era unânime que Jesus não era o Messias. Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus. Isso fica mais evidente, quando Jesus perguntou se eles concordavam com essa opinião pública e ouvimos Pedro responder, como sendo uma voz direta de Deus, que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.16).

       A voz de Deus, diferentemente da opinião pública, disse por boca de Pedro que Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido. Ou seja, o Filho do Homem é o Filho do Deus vivo, é o próprio Deus vivo. O próprio apostolo João enfatiza Jesus como sendo o eterno filho de Deus (Jo 1.1-18).

       Essa verdade e confissão dada pelo Pai, por boca de Pedro, é a rocha sobre a qual a igreja está edificada. Pela opinião pública, por suas muitas posições mesmo que positivas sobre Jesus, apenas afastam pessoas dessa confissão central.

       Qual é a opinião pública sobre Jesus?

A opinião pública sobre Jesus é variada e complexa. Muitas pessoas o veem como um homem que pregou o amor, a fraternidade, a paz e a justiça, admirando sua coragem diante do poder estabelecido e sua dignidade diante da morte. No entanto, muitos não reconhecem Jesus como o Messias prometido, preferindo soluções sociais e econômicas que regulariam a vida do mundo. A pesquisa de Lee D. Ross revelou que as opiniões de grupos protestantes e católicos, liberais e conservadores, são muito diferentes da opinião que o próprio Jesus teria atualmente.

       Confessar e crer na voz do Pai de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo é essencial. A partir dela, recebemos da boca de Jesus uma maravilhosa promessa de Jesus: “...e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-la...” (Mt 16.18, NTLH); “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela...” (Mt 16.18, ARA).

       Os israelitas imaginavam o reino dos mortos como sendo uma fortaleza em que havia uma porta de entrada. Quem atravessasse essa porta se mantinha preso e ninguém retornava do reino dos mortos.

       Jesus, ao ter sido revelado pelo Pai, por boca de Pedro, que é o Filho do Deus vivo, o próprio Deus vivo, é o vencedor da morte. Ele não permaneceu na sepultura. E a igreja, os que creem nessa verdade de que Jesus é o vencedor da morte, é o Deus vivo, pode se alegrar e refugir na certeza de que há vida eterna.

       Por essa razão, a igreja, tal como um batalhão em prontidão, com soldados ativos, “...apresentam o ... corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional... sendo um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, ..., diferentes dons segundo a graça que nos foi dada... segundo a proporção da fé; ... dedicando-nos ao ministério; ...” (Rm 12.1,5-8).

       As portas do inferno, ou seja, opiniões públicas, mesmo que positivas a respeito de Jesus, querem nos afastar da fé no Cristo, o Filho do Deus vivo.

       As chaves do Reino dos céus continuam na igreja. Essa chave é Cristo, aquele que abre a porta do céu ao pecador arrependido. A mensagem do Cristo, o Filho do Deus vivo, como escreveu Paulo, continua sendo perfume para vida e para outros, cheiro de morte (2Co 2.12-14).

       Nem sempre a opinião pública é a voz de Deus e ainda hoje, a voz de Deus, pela confissão da Igreja, continua dizendo que Jesus é o Messias, o vencedor da morte que concede perdão, vida e salvação. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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