30 de agosto de 2026
Próprio
17 – Décimo Quarto Domingo após Pentecostes
Salmo
26; Jeremias 15.15-21; Romanos 12.9-21; Mateus 16.21-28
Texto:
Mateus 16.21-28
Tema:
A morte diária do ego!
Meus
irmãos e irmãs, se há uma coisa que define a cultura do nosso tempo, é a nossa
obsessão pelo “eu”. Vivemos em uma
época que nos ensina, do amanhecer ao anoitecer, a olhar para dentro de nós
mesmos, a buscar a nossa autossatisfação, a promover a nossa imagem e a
proteger, a qualquer custo, os nossos próprios interesses. A sociedade moderna
nos diz que a chave para a felicidade é a autoafirmação: construir uma
reputação sólida, acumular conforto e garantir que os nossos desejos estejam
sempre no centro. Desde o momento em que a gente acorda até a hora de deitar, o
mundo fica dizendo no nosso ouvido: Você tem que
pensar em você primeiro. Faça a sua vontade. Garanta o seu terreno, proteja o
seu orgulho e não leve desaforo para casa.
A
gente aprende desde cedo a colocar o nosso “eu”
no centro de tudo e é ele que precisa mandar na nossa casa, no nosso trabalho,
nas nossas conversas e até na igreja.
O
pastor Timothy Keller explicou no livro Ego Transformado que o nosso “ego” é feito de quatro coisas: é vazio, porque tenta encher o coração com
coisas que passam e nunca se satisfaz. É
dolorido, qualquer palavra torta, qualquer coisinha que não sai
do nosso jeito já faz a gente remoer raiva e ficar chateado. É ocupado, passa o tempo todo querendo se
comparar com o vizinho ou provar que está certo. É
frágil, qualquer tempestade, perda ou decepção derruba de uma
vez.
O
grande perigo na caminhada com Deus é querer usar o Senhor só para abençoar a
nossa vontade. As pessoas desejam que Deus guarde sua lavoura, proteja sua
saúde e faça seus gostos interesseiros, mas não quer que Jesus mande em sua
vida que em muitas situações pede para “abrir mão” dos nossos
interesses.
Mateus
16 traz um relato sobre Pedro e por ele Jesus nos dá um recado muito claro e
direto. Jesus não
veio para fazer nossas vontades; Jesus pede o ego morra para e vivamos
verdadeiramente.
O
texto bíblico (Mt 16.21-28) apresenta um momento de grande virada no ministério
de Jesus, “Desde então” (Mt 16.21).
Até
antes desse episódio, Jesus estava ensinando as multidões, curando os doentes e
fazendo grandes milagres. E num momento a sós com seus discípulos, Pedro pelo
poder do Pai fez uma verdadeira declaração de fé: “Tu
és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”
E,
desde aquele momento, Jesus começa a
explicar como seria de fato a sua missão. Jesus disse aos discípulos que
precisava ir para Jerusalém, que iria passar por muitos sofrimentos nas mãos
das autoridades, que seria morto numa cruz e que, ao terceiro dia,
ressuscitaria.
Ao
ouvir isso, os discípulos se chocaram e Pedro, que pelo poder do Pai tinha
acabado de confessar que Jesus era o Messias, agora, por força de si mesmo, chama
Jesus de lado e o repreende
dizendo: “Deus não permita isso, Senhor!
Isso nunca vai acontecer com o Senhor!” (Mt 16.22).
Por que Pedro fez isso? Pedro queria um Messias
forte, com poder terreno, sem dor, sem sofrimento e sem cruz. Pedro queria a
vitória de Jesus, mas não queria o caminho da dor. Pedro quis que Jesus e sua
missão coubesse em seu próprio pensamento.
A
resposta de Jesus para Pedro foi dura e direta: “Para
trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço no meu caminho, porque não
pensa nas coisas de Deus, mas sim nas coisas dos homens” (Mt 16.23).
Por que Jesus falou assim com Pedro?
Porque a ideia de alcançar a glória sem passar pela cruz era a mesma tentação
que o diabo tinha apresentado a Jesus no deserto (Mt 4).
Jesus
Chamou Pedro de pedra de tropeço. Uma
pedra de tropeço é uma pedra no meio do caminho. É a pedra escondida na terra
que faz a junta de bois parar; que quebra o arado ou; que faz o caminhante
tropeçar e cair feio.
Quantos estão tropeçando em pedras de tropeço
ou até sendo uma pedra de tropeço. Pessoas querem um Jesus
que perdoe os pecados, todavia, quando se pede que se abra mão dos próprios interesses por sua causa,
parece ser inadmissível. Jesus pede para você “abrir mão” da sua razão e
perdoar àquele que te ofendeu; passe por essa provação sem murmúrio.
Ainda
há muitas pessoas sendo pedra de tropeço, ou seja, buscam um Jesus que sirva
aos seus interesses, ao invés de servirem aos interesses de Cristo.
Diante
do ataque do diabo por boca de Pedro, vendo Jesus que seus discípulos não
tinham entendido o seu caminho, Jesus olha para eles e diz: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a
sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).
Jesus
usa três ordens bem claras aqui.
Negar a si mesmo
A
palavra usada para “negar” é a mesma
que Pedro usou mais tarde, na noite em que Jesus foi preso, quando disse três
vezes: “Eu não conheço este homem!”.
Negar a si mesmo é olhar para a própria
vontade, o orgulho, a teimosia, e dizer com firmeza: “...vocês não têm autoridade sobre mim; ...”.
Negar a si mesmo não significa ficar se
diminuindo ou achando que não tem valor. Seus interesses são importantes e
Jesus não os desvaloriza, todavia, o negar a
si mesmo é tirar o seu orgulho do comando e entregar as rédeas
da vida nas mãos de Jesus.
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a
sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).
Tomar a sua cruz
No
tempo de Jesus, a cruz era o instrumento de execução mais terrível que existia.
Quando os moradores viam um homem caminhando pelas estradas carregando a
madeira da cruz nas costas, sabiam de três coisas. 1)
- Esse homem perdeu seus direitos (não adiantava mais discutir, dar explicações
ou tentar se defender); 2) - Esse
homem se rendeu (estava debaixo do poder do império). 3) - Esse homem estava num caminho sem
volta (quem saía carregando a cruz não voltava para casa no fim do
dia para jantar com a família, ele ia para a morte).
Tomar a cruz não é suportar as lutas
normais da vida. Tomar a cruz
é a decisão diária de se manter fiel a Jesus, mesmo quando o melhor parece ser
abandoná-lo.
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a
sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).
Siga-me
As
duas primeiras atitudes: negar a si mesmo
e tomar a cruz, são decisões firmes que a gente
toma de uma vez por todas. Mas, “seguir”,
significa um passo atrás do outro, todo santo dia.
Quando
caminhamos numa picada, dentro de uma mata com alguém, aquele que caminha na frente
é aquele que conhece o caminho. O caminhante segue atrás, pisando no caminho
por onde o guia passou. Por um breve momento, talvez com ego ainda inflado pelo
elogio, Pedro, quis caminhar na frente e ensinar a Jesus o que era melhor a se
fazer. Por isso, as palavras “Para trás de mim...”
é um chamado de Jesus para que Pedro ocupe o seu lugar e o siga, mesmo sendo
por um caminho árduo.
Jesus continua o seu ensino fazendo uma
conta muito simples, que qualquer pessoa entende: “Porque
quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a vida por minha
causa vai achá-la” (Mt 16.25).
O
mundo diz que para ganhar a vida você tem que ajuntar tudo o que puder. O mundo
diz que para ganhar a vida, é preciso defender seus direitos, pensar apenas no
seu bem-estar. E, em oposição a isso, Jesus diz claramente que, quem vive desse
jeito, buscando guardar tudo para si e defender seus direitos e fugindo do
compromisso com Deus, vai chegar no final da jornada com as mãos completamente
vazias. Por outro lado, aquele que “perde”
os seus próprios interesses por interesse de Cristo, aquele que gasta seu tempo
servindo aos irmãos, que usa os seus recursos para o bem do próximo e que deixa
o seu orgulho ser crucificado, encontra a verdadeira vida. Por isso, Jesus
questiona: “Pois que adianta ao homem ganhar o
mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que o homem poderá dar em troca da sua
alma?” (Mt 16.26).
Pense
naquele homem que trabalhou a vida inteira. Comprou muitas terras, encheu o pasto
de gado, ajuntou uma boa quantia no banco e conseguiu o respeito de todo mundo
na região. Mas, para conseguir tudo isso, viveu de costas para Deus,
alimentando seus próprios interesses e esquecendo da sua salvação. Quando
chegar a hora de partir desta terra e ele estiver diante de Deus (Mt 16.27), de que vão adiantar as escrituras dos terrenos, o gado ou
as benfeitorias? Nada disso compra a salvação de uma alma. O mundo inteiro não paga o valor
da nossa vida eterna. Caríssimos, vivemos apenas uma vez. Pode ser que
nossa vida seja interrompida pelo viver aqui, mas, a vida é uma. E o que será depois?
A
verdadeira libertação não é a gente se achar melhor do que os outros, nem ficar
se diminuindo. A verdadeira libertação é parar de pensar tanto em si mesmo e
começar a olhar para Cristo.
Quando
o ego morre:
-
Não se fica com raiva quando alguém não elogia;
-
Não perde o sono tentando defender a própria
fama;
-
Não fica amargurado quando as coisas na vida não
saem do nosso jeito.
-
Confia que a vida está guardada nas mãos daquele
que deu a própria vida por nós na cruz.
O
Evangelho da cruz é o evangelho da graça que transforma nossa vida inteira. A
salvação é um presente do amor de Deus e para caminhar com Jesus, o ego precisa morrer
diariamente.
Sob
a cruz de Cristo nosso homem velho precisa morrer para vivermos a verdadeira
vida. Que o Espírito Santo nos dê humildade e coragem para dizer não aos nossos
próprios interesses que tantas vezes nos fazem tropeçar e ser uma pedra de
tropeço. Deus abençoe a todos. Amém.
Oração
Senhor, nosso Deus e Pai querido, te agradecemos por tua Palavra
tão clara e verdadeira. Reconhecemos diante do Senhor que o nosso coração
muitas vezes é teimoso e cheio de orgulho. Muitas vezes queremos as tuas
bênçãos e não queremos ser uma bênção seguindo teus passos.
Perdoe nossos pecados e tira de nós o orgulho, a vaidade e o
desejo fazer prevalecer a nossa razão. Ensina e ajuda-nos a negar a nós mesmos,
carregar nossa cruz e seguir teu Filho. Em nome de Jesus, oramos. Amém.
Edson Ronaldo Tressmann
Se desejar fazer um pix solidário
edson.ronaldotre@gmail.com
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