segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Dia de Lembrança!

20 de novembro de 2016
Ultimo Domingo do Ano da Igreja
Salmo 46; Malaquias 3.13-18; Colossenses 1.13-20; Lucas 23.27-43
Tema: Dia de lembrança!

         A tecnologia avançou, mas a mesma através da rede social facebook constantemente faz relembrar fatos ocorridos a alguns anos atrás. Por mais que se tenha perdido o hábito de olhar álbuns fotográficos, a humanidade em seu avanço tecnológico precisa constantemente relembrar. Relembrar o passado é reviver com intensidade!  
         O próximo final de semana, o último domingo no calendário eclesiástico é considerado o domingo da lembrança. O último domingo da igreja é considerado o “Domingo do Cristo Rei”.
         Essa designação é uma viva expressão de fé. Uma fé confessante, ou seja, o ano “terminado” foi um ano abençoado pelo Cristo Rei. O Cristo vencedor da morte, do diabo e do mundo, aquele que ressuscitou, governou o ano e sua igreja.
         O último domingo da igreja é o domingo de lembrança – a lembrança de que é “o Cristo Rei” que os cristãos seguem e confessam.
         Quem e qual é o Cristo Rei que os cristãos seguem e confessam?
         Essa questão precisa ser refletida e respondida com muita calma. Para tal, é preciso relembrar as palavras anunciadas pela carta do apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl 1.13-20), também as palavras do evangelista Lucas (Lc 23.27-43). As palavras anunciadas por esses dois homens inspirados pelo Espírito Santo, lembram e relembram o Cristo Rei.
         O apóstolo Paulo relembra aos Colossenses que “Ele (Jesus) nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13).
           Jesus é o rei libertador das trevas, do domínio do diabo, do pecado e da morte eterna. O Rei Jesus domina no e pelo seu amor. Por causa desse amor, o apóstolo Paulo relembra que Jesus “transportou (e transporta) para o Reino do Filho do seu amor”.
         O “Filho do seu amor” é uma referência direta a obra do Cristo Rei. Jesus é o enviado de Deus para oferecer e dar a redenção.
     Redenção é um dos termos fundamentais da Bíblia. O mesmo compreende toda a história da salvação desde a remissão dos pecados até à ressurreição dos mortos. Redenção provém do latim “redimere” que é tradução do termo grego “lutrosis” ou “apolutrosis” e significa libertação através do pagamento de um resgate; soltura de quem está em escravidão ou prisão por dívida não paga.
          Ao escrever que os colossenses são “...filhos da promessa” o apóstolo Paulo relaciona os mesmos como descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Dessa maneira relembra aos Colossenses que eles eram escravos e foram libertados à exemplo da libertação da escravidão egípcia.
        É necessário lembrar e relembrar constantemente que “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1. 13 – 14), afinal, ter sido transportado significa que o cristão foi redimido.
       A lembrança da redenção era necessária e urgente. Muitos cristãos colossenses eram ex gentios que haviam sido transportados para uma nova vida pelo perdão. A lembrança da redenção recolocaria aqueles cristãos na certeza da salvação, haj visto que muitos estavam sendo ameaçados pela heresia colossense. Uma heresia que havia desviado muitos do padrão doutrinário cristão. O desvio ocorreu por causa das muitas correntes de pensamentos de fora da doutrina. Essas correntes se infiltraram na igreja por serem atrativas (2.16 – 17; 2.11; 3.11; 2.21; 2.23; 2.18; 1. 15 – 20; 2.2 – 3.9; 2.2; 2.4,8). Muitos cristãos passaram a compreender que o evangelho precisava ser complementado por algo.
        Ao saber que por causa da distorção do entendimento quanto ao evangelho, alguns cristãos de Colossos haviam se desviado da verdade, o apóstolo Paulo escreve uma carta onde exalta a superioridade de Jesus Cristo. O apóstolo mostra que Jesus é Senhor da criação e da reconciliação, Jesus é o mediador entre Deus e os homens.
         Jesus é o Rei!
     Quando Jesus foi enviado para realizar a missão da salvação, a expressão “Jesus é Rei” passou a ser escandalosa. Os judeus não suportavam a ideia de que o Cristo Rei fosse humilde, indefeso e aparentemente fraco. Pilatos não acreditou (Jo 18.37) que aquele homem diante dele no tribunal era o tão esperado Messias dos judeus.
       Assim como Pilatos, os líderes religiosos também duvidaram: se tu és o Messias...desça da cruz ... (Mc 15.32). Os soldados manifestaram: salve, rei dos judeus! ... (Mt 27.29). Um bandido exclamou: não és tu o Cristo ... (Lc 23.39). Acima da cabeça de Jesus, n alto da cruz registram: o Rei dos judeus (Jo 19.19). E em meio a toda essa zombaria e descrença do Cristo Rei, de onde não se esperava, surgiu uma bela confissão: quando vieres no teu reino... (Lc 23.42, um ladrão arrependido).
       O último Domingo da Igreja é o domingo da lembrança: Jesus é o Rei! É o domingo onde o cristão é relembrado sobre o Jesus da cruz. É na cruz que o cristão descobre qual e quem é o Rei Jesus que segue e confessa.
         Os cristãos de todas as épocas esperavam que Jesus viesse em glória e com seu exército de anjos em majestade e glória para julgar os vivos e os mortos. Mas, o que muitos haviam esquecido é que antes desse dia que está por vir, era necessário passar pela cruz. Na cruz o cristão lembra e relembra o Cristo Rei.
       Jesus é o Rei enviado para se manifestar na cruz. Todos aqueles que creem que “Ele (Jesus) ... libertou do império das trevas e ... transportou para o reino do Filho do seu amor, ...” tem o que o Rei oferece e dá ... a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1. 13 – 14). Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Recomendação aos ociosos!

13 de novembro de 2016
26º Domingo após Pentecoste
Salmo 98; Malaquias 4.1-6; 2Tessalonicenses 3.6-13; Lucas 21.5-28
Tema: Diante fim, viva normalmente!

         Muitas são as frases memoráveis ditas pelos personagens do seriado mexicano Chaves. Uma das que me lembro foi pronunciada pelo personagem Madruga: “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar”.  
         Ruim é ter que trabalhar – é uma frase dita por aquelas pessoas que não veem objetivo nenhum no seu trabalho. Milhares de pessoas trabalham com a filosofia do desenho animado Simpsons, não fazem greve, mas atuam relaxadamente”. Há milhares de pessoas que trabalham, no entanto, seu trabalho visa tão somente uma boa casa, um bom carro .... É um trabalho voltado ao capitalismo consumista.
         A epístola do apóstolo Paulo aos tessalonicenses, em especial - 2Ts 3.6-13 – limita-se ao assunto trabalho. Se porventura algum leitor estender a mesma até o verso 16 poderá compreender o trecho como uma disciplina comunitária. Mas, é possível, mesmo sem a leitura dos versos 14 ao 16, refletir sobre a disciplina comunitária quanto ao trabalho.
         A segunda carta aos Tessalonicenses foi escrita numa situação histórica especifica. Essa determinada situação histórica conduziu muitos cristãos daquela congregação a um problema característico. O problema era resumido da seguinte maneira: se Cristo estava para voltar - não havia necessidade de trabalhar. Para piorar a situação, aconteceu que além de não estarem trabalhando, estavam se intrometendo na vida de outras pessoas (2Ts 3.11), “as pessoas se intrometiam em coisas que não lhes dizia respeito” (1Tm 5.13).
         A ociosidade não era devido ao desemprego, mas pela falsa interpretação de que estando próximo o fim, não havia necessidade do trabalho. Porque trabalhar? Investir? Construir? O trabalho passou a ser realizado numa perspectiva meramente humana.
         Os sinais apontavam a iminente volta de Cristo. Diante do fim, era necessário viver sem preocupação com as coisas desse mundo. A única dedicação cristã deveria ser a oração, a reflexão e o aumento no número de adeptos.
         A mensagem sobre a iminente volta de Cristo estava desanimando muitos quanto ao trabalho. A consequência disso foi o rápido empobrecimento de um pequeno grupo da congregação. E esse grupo, devido a ociosidade acabou precisando ser sustentado. Passaram a ser um peso para outros cristãos.
         Nessa situação, o apóstolo Paulo manda um recado: A congregação tem permissão para assumir uma santa preguiça? A ociosidade diante de uma falsa interpretação preocupou o apóstolo Paulo. A ociosidade colocava em cheque a mensagem do evangelho. O trabalho passou a ser tido como algo mundano e deveria ser desprezado já que todos estavam diante da volta de Cristo.
         Enquanto esteve em Tessalônica, o apóstolo Paulo hospedou-se na casa de Jasom (Atos 17.5). Mesmo sendo apóstolo e hospedado na casa de um irmão na fé, Paulo trabalhou para pagar seu sustento (1Co 9.3-14; 2Co 11.7-10). E ao escrever a segunda epístola aos Tessalonicenses, Paulo recomenda que os cristãos esperem a volta de Cristo vivendo na normalidade do dia-a-dia. Dentro dessa normalidade, era necessário continuar trabalhando em prol do sustento.
         Ao encararem o trabalho como carnal e sem necessidade diante do retorno de Cristo, o apóstolo Paulo apresenta o mesmo sob outra perspectiva. O trabalho é agradável a Deus. Cada qual precisa saber os benefícios do trabalho.
         O apóstolo Paulo recomenda que os cristãos não deixem de trabalhar e de viver sua vida normalmente por causa de entusiastas que estão atrapalhando o evangelho. O trabalho do cristão é feito com tranquilidade (2Ts 3.12).
         Ao expressar sobre a tranquilidade (Hësychia) do trabalho, o apóstolo fala sobre a paz e o sossego do mesmo. Essa paz e sossego provém da certeza de que tudo quanto se possui e é, são bênçãos divinas.
         É necessário lembrar que apenas um pequeno grupo na congregação em Tessalônica estava encarando o trabalho como algo mundano realizado tão somente para o mundo e para benefício do mundo. Assim, recomendações, tal como a de Jesus “...não andeis ansiosos pela vossa vida...vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;...” (Mateus 6.25,32) passou a ser compreendida como estímulo a preguiça. E para combater essa falsa interpretação o apóstolo Paulo escreve a segunda carta aos Tessalonicenses.
         O cristão trabalha tranquilamente neste mundo, ou seja, em paz e sossego, reconhecendo que o mesmo é uma bênção de Deus. O trabalho do cristão é diferente dos outros trabalhos. A diferença está no fato do cristão não estar amarrado ao sacrifício material, capitalista e consumista que o trabalho impõe. O cristão sabe que seu trabalho não visa apenas as coisas desse mundo. O cristão compreende que seu trabalho é uma realização de amor ao próximo. O trabalho cristão visa servir ao próximo. Nessa perspectiva a recomendação do apóstolo Paulo é que cada um espere pelo senhor servindo ao seu próximo, pois, em Jesus, todo pecador foi servido por Deus. Amém!


Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O anticristo não deixa ir à salvação!

06 de novembro de 2016
25º Domingo após Pentecoste
Salmo 148; Êxodo 3.1-15; 2Tessalonicenses 2.1-8, 13-17; Lucas 20.27-40
Tema: O anticristo não deixa ir à salvação!

         O apóstolo Paulo nos deixa um texto (2Ts 2.1-17) riquíssimo em temas: Vinda de Jesus Cristo (v. 1); Opondo-se e se levantando contra Deus (v. 4); Revelação do mistério da iniquidade (v.7); Dando graças a Deus por ter nos escolhido (v.13); Permanecer firme e guardar as tradições (v. 15). No entanto, todos esses temas, conduzem o leitor e ouvinte a uma única reflexão: é preciso cuidar para que ninguém tire o Evangelho do centro.
         Numa mensagem apocalíptica, muitos imaginam apenas encontrar os temidos sinais do terremoto, guerra, pai contra filho, filho contra pai, .... No entanto, o apostolo aponta para outro sinal, e esse por sua vez, é sorrateiro, perigoso e pode causar dano eterno. O sinal é apresentado como sendo: “homem da iniquidade” (2Ts 2. 3). Esse homem da iniquidade é inimigo de Deus e de Jesus Cristo.
        Muitos buscam mostrar que o fim do mundo está próximo, encontrando e apontando para os sinais evidentes, mas o que pouco se fala é sobre o anticristo. O anticristo é descrito pelo apóstolo Paulo como sendo “adversário de Cristo, que se exalta sobre tudo que se chama Deus ou se adora como Deus, e se assenta no templo de Deus como se fosse Deus” (2Ts 2.3,4). É difícil saber quem é o anticristo, pois o mesmo faz parte da igreja. Mas, o Espírito Santo moveu Paulo a escrever a sua característica principal: “adversário de Cristo”.
         Milhares de pessoas que se autodenominam cristãs, não sabem o que constitui o anticristo e o domínio do anticristão. As pessoas veem o reinado do anticristo no panteísmo, materialismo, ateísmo, socialismo, niilismo, anarquismo e outros terríveis ismos dos quais a idade moderna se tornou herdeira. No entanto, o anticristo está sentado no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus (2Ts 2.4).
         O papado e o papa são tidos como sendo anticristo. Afinal, ao tentar se aproximar de outros, o faz com a máscara de estar interessado pela causa de Cristo e da igreja cristã, mas, a verdade é que seu real intuito e objetivo é apenas lutar em favor de si mesmo e de seu domínio.
         O anticristo é aquele que encara Jesus Cristo como um novo Moisés, um legislador, e transforma o evangelho em doutrina de obras meritórias ao mesmo tempo em que (o anticristo), condena e amaldiçoa os que ensinam que o Evangelho é a mensagem da graça ilimitada de Deus em Cristo. Assim, o anticristo não está apenas no papado. O anticristo não aceita o evangelho no real e verdadeiro sentido da palavra. O anticristo se interessa mais pelas leis da sua igreja, que pela própria lei de Deus.
         Essa semana muitos vibraram com a visita do Papa Francisco à Suécia para as comemorações dos 500 anos de Reforma. No entanto, quero destacar um fato que merece nossa atenção. Dois meses antes da morte de Lutero, foi aberto o Concilio de Trento. O objetivo era curar feridas mortais que o papado havia recebido pela Reforma proposta por Lutero. Era necessário reconstruir o papado.
         Nesse Concílio, na sexta sessão, foi feito o seguinte decreto: “Se alguém disser que os homens são justificados somente pela imputação da justiça de Cristo ou somente pelo perdão dos pecados, excluindo-se a graça e o amor que através do Espirito Santo são derramados em nossos corações, e lhe são inerentes; ou que a graça pela qual somos justificados nada mais é do que favor de Deus – que seja anátema...
         O papado até tem a cruz, mas sem seu significado em conexão com Cristo. Sempre voltam a Maria para que ela evite que o navio de Pedro afunde.
         O anticristo é “adversário de Cristo”, ou seja, não deixa Cristo sobressair-se, ou ser evidenciado assim como verdadeiramente deveria ser: o salvador, o único e suficiente salvador.
         Queria muito que desse encontro na Suécia o papado fosse convertido a Cristo como sendo seu Salvador, mas, temo na verdade é que aqueles que estão em Cristo se rendam à tradição e excluam Cristo.
         Vive-se numa época apocalíptica, e a grande tentação é seguir qualquer um. Nesse período apocalíptico é necessário estar e permanecer em Cristo, ...porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13). Sim, o Espírito Santo chama à fé e preserva na fé pela Verdade, por isso, o anticristo é adversário de Cristo, ou seja, não permite que Cristo seja evidenciado, pois, sem Cristo, não há salvação.
         O viver cristão consiste num constante ir. Ir para a salvação. Esse ir para a salvação é um ponto central para o entendimento do texto, afinal, milhares de pessoas vivem suas vidas como se a vida fosse interrompida pela morte. Não há um lugar para ir. Não há um refúgio. Talvez, seu refúgio seja deixar alguém que reze por sua alma, para que a mesma seja liberta do purgatório. Quanta miséria é viver sem a certeza da salvação.
         Não se sabe quando será a vinda de Jesus Cristo, ou mesmo o dia da morte. A preocupação não deve ser o dia e a hora, como uma oportunidade de arrependimento. O Espírito Santo me conduz na fé e na verdade hoje. A minha vida consiste em estar indo em direção à salvação.
         Muitos já se revoltaram contra Deus e o abandonaram. Esse abandono ocorreu e ocorre pelo fato de se deixarem conduzir pelo erro, pela mentira, pelo engano. Foram iludidos assim como Eva e Adão.
         Buscar sinais dos tempos do fim não ajuda em nada. Por busca de sinais, o anticristo, o adversário de Cristo, não deixa que muitos o vejam como alguém que desvia de Cristo e da salvação eterna.
         Ficar exclamando que Jesus breve virá, não auxilia e nem consola as pessoas. É necessário que se diga que o grande perigo é desviar-se da “santificação do Espírito e fé na verdade...” (v.13), ou seja, da verdade do evangelho.
         Ficar preso aos sinais que supostamente se darão no ar, na água e na terra, apenas afastará as pessoas do maior sinal, ou seja, desviar-se do evangelho que é o meio pelo qual Deus nos chamou e chama para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

Bibliografia


A correta distinção de lei e evangelho, um conjunto de preleções de Carl Ferdinand Wilhelm Walther. Fora proferidas entre os anos de 1884 – 1885 e estenografadas e transcritas por alunos de teologia do Seminary de Saint Louis, EUA.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Luterano!

30 de outubro de 2016
24º Domingo após Pentecostes – Celebração ao Dia da Reforma
Sl 130; Is 1.10-18; 2Ts 1.1-5, 11-12; Lc 19.1-10
Tema: Luterano!

         Muitas das guerras religiosas que existiram e existem se deve ao fato de cada qual ter orgulho de sua fé. Você tem orgulho de sua fé? Sei que os luteranos tem orgulho de sua fé, mas, que diferença tem feito a fé luterana no Brasil?
         Será que ainda se consegue ouvir a ironia do profeta Isaías, agora que restam poucos dias para as comemorações dos 500 anos de Reforma? Os Luteranos da IELB se orgulham de fazer parte de uma Igreja Confessional. Mas, seria essencial que os luteranos ainda pudessem ouvir a ironia do profeta Isaias: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1.3). Com essas palavras, o profeta Isaías ironiza vigorosamente a fé dos israelitas.
         Os luteranos estão em contagem regressiva para a comemoração seus 500 anos. O dia 31 de outubro de 1517 será um dia de festa e gratidão à Deus. Mas, a exemplo dos israelitas, os luteranos também são ironizados com as palavras do profeta Isaías (Is 1.3). 
         Daqui alguns dias faltarão apenas 365 dias para os 500 anos. Muitos luteranos conseguem responder: - Quantos são! - Quantas paróquias possuem! – Quantos pastores! Mas, minha grande preocupação é que em meio aos preparativos dos festejos para os 500 anos de Reforma, poucos luteranos consigam responder: Quem são? e Porque são?
         Deus através do profeta Isaías ironiza a religiosidade dos israelitas (Is 1.11-15). Diante dessa ironia, Deus convida o seu povo, um povo cristão, a se lavar, purificar, aprender a fazer o bem, atender a justiça, repreender o opressor, defender o direito do órfão, auxiliar as viúvas (Is 1.16-17).
         Através do profeta Isaías, Deus é irônico com os luteranos, pois, a julgar-se justo e perdoado por Deus, em inúmeras situações, os luteranos se opõe a justiça nesse mundo, vive amigavelmente com ladrões, ama o suborno, deseja os presentes dos corruptos, não defende os direitos do próximo. Para muitos só importa o que se crê, pois, pela fé se está em paz com Deus. No entanto, é preciso refletir: Refletir na ironia de Deus para com seus filhos.
     Parece ser radicalismo refletir sobre a ironia de Deus num culto onde os luteranos celebram 499 anos. Mas, ... Porque se é luterano? Quem sãos os luteranos?
         “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18).
         O convite da graça, do perdão é dirigido a um povo que está em rebeldia contra Deus. A rebeldia é a não prática da justiça nesse mundo.
         Deus é irônico diante da injustiça, mas, ao mesmo tempo, continua convidando através de sua ironia, tantos os injustiçados quanto os que cometem as injustiças a se alegrar e viver sob a sua graça. Viver pela graça é praticar graça! O Luterano conhece a graça de Deus, no entanto, muitas vezes não vive e nem prática essa graça na sua vida diária.
         A certeza do perdão não deve aliviar a consciência a ponto de conduzi-la a conclusão de que: “não importa o que eu faça, Deus sempre me perdoa”. É verdade que Deus em Jesus nos perdoa, mas, não se pode baratear a graça de Deus.
         O convite da graça para que o pecador venha e se alegre no perdão não é uma alternativa para uma vida hipócrita. O convite da graça mostra duas coisas essenciais: como Deus age com pecador e lhe perdoa, e como a graça de Deus transforma o ser humano.
         O convite da graça é sério e maravilhoso. É um chamado a fé verdadeira, afinal, só pode alegrar-se aquele que crê no perdão. Só vive nova vida aquele que vive na fé e no perdão.
         Deus ironiza seu povo através do profeta Isaías, porque o mesmo não vivia na fé e no perdão.
         “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18). Por “escarlata” o profeta Isaías está proclamando que entre o povo de Deus, um inseto, uma larva, só nasceu por causa de uma decomposição orgânica (carmesim). Esse inseto, essa larva, (escarlata) está manchando, arruinando o testemunho do amor de Deus entre seu povo.
         Tão logo o povo tenha reconhecido sua situação, o profeta Isaías anuncia que “em meio a decomposição tornarão a viver novamente”, pois “se tornarão como a lã”, ou seja, Deus continua lhes amando e nesse amor recupera seus filhos e os envia novamente com uma nova atitude.
         Quando através do profeta, Deus ironiza a fé dos israelita dizendo: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1.3), está convidando um povo envolvido na podridão e na decomposição ao arrependimento.
         A ironia de Deus não visa destruir, ela visa mostrar ao povo quão maravilhoso é seu perdão e quão maravilhosa é obra realizada na vida das pessoas através dos seus filhos perdoados.
         Quando através do profeta “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18), Deus ironiza a fé dos luteranos, justamente para lhes mostrar a diferença do cristão que orgulha da sua fé, mas não vive a fé, a graça e o perdão de Deus.
         Quem somos? Porque somos?
         A verdade é que o luterano, não é luterano por seguir Lutero. O luterano é luteranos porque agradece a Deus, o fato do mesmo ter levantado Lutero num período de decomposição espiritual e ter resgatado a verdade do evangelho.  
         Ser luterano deveria significar ser servo livre, perdoado e que vive sob a graça e a misericórdia de Deus. Uma graça e misericórdia que não faz diferença apenas na vida pessoal, mas em especial na vida coletiva.
      O luterano não está apenas mentalmente e emocionalmente envolvido na mensagem que Lutero redescobriu. O luterano é um cristão que crê na obra magnífica de Jesus. O luterano reconhece que ao crer na obra magnífica de Jesus não o faz por si mesmo. O luterano não crê e nem é luterano por causa da tradição, dos regimentos ou estatutos. O luterano é luterano pela graça de Deus que o chama, ilumina e santifica pelo evangelho. Ser luterano é uma obra do Espírito Santo realizada através do Batismo e da pregação da Palavra. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Combatente da Fé!

23 de outubro de 2016
23º Domingo após Pentecostes
Sl 5; Gn 4.1-15; 2Tm 4.6-8,16-18; Lc 18.9-17
Tema: Combatente da fé!

        A oração é uma característica na vida de uma pessoa cristã. O conteúdo da oração revela a fé do orante. Nas palavras do evangelho (Lc 18.9-17) vê-se dois modelos de oração e de fé. O modelo falso, exemplificado pela oração do fariseu e o modelo autêntico, exemplificado pelo publicano.
           O fariseu ora numa atitude que não exprime ação de graças a Deus pelos seus feitos e pela sua misericórdia. A oração farisaica visa a autossatisfação. O fariseu se considera justo, bondoso e piedoso e assim, por causa de sua auto justificação julga os outros como injusto e não cristão. A fé farisaica o faz ver a si mesmo. O publicano, ao contrário, não multiplica palavras que o auto justifica. Sua oração é simples e humilde e demonstra que a verdadeira fé está no Deus misericordioso de Deus. Ele reconhece, afinal, sua consciência está permeado pela sua própria indignidade, sua miséria humana, e por isso, está desejoso do perdão e da misericórdia de Deus. A verdadeira oração nasce da fé no Deus misericordioso.
    Quando o apóstolo Paulo escreveu que “Combateu o bom combate, completou a carreira, guardou a fé” (2Tm 4.7) ressalta que conservou a fé.
        Como o apóstolo Paulo conservou a fé? Ele, a conservou no combate, na corrida diária. Ele conservou sua fé a anunciando e se opondo aos que queriam simplesmente limitar a mensagem a um grupo seleto. Sendo assim, cada cristão conserva a fé, vivendo a fé no dia-a-dia.
            O cristão não pode ser negligente como Caim, ou seja, achar que não tem responsabilidade nenhuma pelo seu próximo.
           É uma infelicidade, mas, ainda reina entre os cristãos o espírito de individualismo. Ao compor o Salmo 5, Davi mostra que a grande dificuldade do ímpio reside no fato do mesmo “alimentar a soberba do coração”. Ainda há muitas pessoas que se julgam melhores que outras pela suposta observação da lei. Essas pessoas tem se tornado seus próprios ídolos. No entanto, é em meio aos ímpios que cada cristão precisa “combater o bom combate”.
           Combater o bom combate é ser responsável por àqueles que vivem ao redor. Combater o bom combate é mostrar para as pessoas que a misericórdia de Deus é que justifica e salva. Combater o bom combate é alimentar-se e oferecer esse alimento.
           O cristão tem um papel muito importante. Davi nas palavras do Salmo 5 faz uma diferenciação entre a religiosidade das pessoas piedosas e a das ímpias. As pessoas piedosas vivem, humildemente, na esperança e no temor em relação a Deus. As pessoas ímpias evitam, orgulhosamente, que se chegue “ao temor a Deus e à fé na sua misericórdia”.
             Combater o bom combate é viver a vida na misericórdia de Deus, ou seja, saber e reconhecer perdoado de todos os pecados. 

      De acordo com o salmo 5 bem como o texto de Lucas 18.9-17, as pessoas que confiam em suas obras e que vivem seguras em sua prosperidade, desesperam, o mais tardar, na hora da morte. E viver na graça e na misericórdia de Deus é combater o bom combate, testemunhando que sem Jesus, não há salvação.
          O salmista Davi tinha em mente ao compor o salmo (Sl 5) os hipócritas do seu tempo. Milhares de pessoas estavam inflamadas por sua justiça própria nas suas obras e na sua suposta piedade. Essas pessoas acreditavam que não necessitavam da graça de Deus.
       Combater o bom combate é viver dependente da graça e da misericórdia de Deus em Jesus. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Quando se é ferido por Deus na luta diária!

16 de outubro de 2016
22º Domingo após Pentecostes
Sl 121; Gn 32.22-30; 2Tm 3.14-4.5; Lc 18.1-8
Tema: Quando se é ferido por Deus na luta diária!

         Jacó está numa região denominada Jaboque. Jaboque significa “lugar da travessia”. Um lugar de certa forma abandonado. Em Jaboque a pessoa atravessava sozinha, não havia companheiro na travessia. Naquela noite, Jacó foi o último a atravessar. Sua travessia foi surpreendentemente diferente de todas as outras travessias das muitas pessoas que lá atravessaram. Primeiramente Jacó atravessou toda sua família. Na manhã seguinte a travessia, a família recebeu um novo homem, um novo Jacó: Israel.
       Em Jaboque, Jacó teve uma experiência incrível, bem diferente daquela de Betel onde sonhou com uma escada vindo do céu. Jaboque é o lugar onde Jacó além de lutar com Deus, se rendeu e recebeu um nome: Israel.
       Israel significa alguém que luta com Deus (Gn 32.28). Lutar com Deus significa ansiar em Deus (Sl 130.7). Ansiar em Deus faz ser verdadeiro israelita.
       Jacó foi ferido por Deus na luta!
      Estranho! Deus parecia estar perdendo a luta para Jacó e precisou feri-lo!? Deus feriu seu servo. Deus ainda hoje fere seus servos, seus filhos e filhas.
      Qual é o objetivo de Deus ao nos ferir? A resposta a essa questão é que Deus precisa ferir nossos esforços.
      Nas mais variadas situações do dia a dia, encaramos os problemas como fáceis de serem resolvidos e sentimos orgulho de nossas realizações. Muitos, após as muitas quedas ao se levantarem pensam: “cai, mas estou de pé, isso por que sou forte”. Essas pessoas se esquecem que o levantar-se e o permanecer de pé provém da graça de Deus. Muitos se sentem donos da situação. Milhares de pessoas vivem suas vidas como se conseguissem controlar todas as coisas. Dessa maneira, as pessoas roubam a glória de Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios: “...quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Dia-a-dia, as pessoas roubam a glória de Deus e buscam receber os aplausos e aleluias para sua sabedoria, suas decisões...
      Deus fere seus filhos, a exemplo de Jacó, para mostrar que não são os próprios esforços que levam as pessoas as vitórias e conquistas. Ao ferir seus filhos, a exemplo de Jacó, Deus mostra que cada filho e filha depende exclusivamente dele. Jacó precisava ser ferido. Jacó precisava ser transformado. Deus o feriu e o transformou. De Jacó “enganador” para “alguém que espera em Deus” (Israel).
        Na luta com Deus, Jacó foi ferido na “coxa direita”.
       "Coxa direita” significa dizer que deixou de ter forças na perna em que se apoiava. Isso significa dizer que Jacó foi ferido em seu apoio, ou seja, em seus fundamentos.
      Quando Deus fere seus servos, seus filhos e filhas, o faz para atingir seus fundamentos. Milhares de pessoas cristãs pensam que estão vencendo as batalhas diárias sozinho. Outros, se julgam merecedores de uma determinada bênção. Há os que exclamam que Deus não pode negar uma bênção ao dizimista, ao que ora, jejua ...
      Quando o ser humano, se julga merecedor de algo, rouba a glória que pertence somente a Deus. Quando se rouba a glória de Deus, acontece o mesmo que aconteceu quando Jacó parecia estar vencendo a luta e ser mais forte que Deus. Nesse momento, Deus fere o ser humano em seus fundamentos, fere onde os mesmo se apoiam, para lhes dar um novo nome, uma nova vida.
      O “enganador” (Jacó) havia fugido de seu irmão após tê-lo enganado e estava aflito e preocupado diante de seu reencontro. Esse reencontro, aconteceria após Jacó ter enganado seu sogro. Após 20 anos, Jacó voltava para casa. No entanto, voltava para uma casa em que havia enganado seu irmão. Perguntas sobre sua reação, preocupação quanto ao reencontro era acompanhado pela fuga de seu sogro e de seus cunhados que acusavam Jacó de ter apossado das riquezas da família.
        Jacó é a imagem real de tudo o que é de mais ruim e antiético. Jacó é o tipo safado, enganador, corrupto, .... Mas, por amor, Deus feriu Jacó e muda seu nome.
      As esposas Lia, Raquel e os filhos já haviam atravessado o lago de Jaboque. A luta durante a madrugada havia sido intensa, mas, assim como um novo dia, tanto as esposas, quanto os filhos, bem como seu irmão Esaú, se depararam com um novo homem. A partir desse ponto da história, um homem mais manso.
     A IELB está em contagem regressiva para as comemorações dos 500 anos de Reforma. Martinho Lutero ao pregar a respeito do vau de Jaboque ressalta que a exemplo de Jacó, também lutou com Deus. Sua luta se deu por toda a sua vida. Lutero havia sido criado num lar severo. Ele viu com os estudos na Palavra de Deus, que era impossível aproximar-se de Deus através de seus próprios esforços.
       Deus fere seus servos, filhos e filhas, para lhes mostrar que não são os fundamentos desse mundo, não é a lógica humana que nos aproxima de Deus. Deus vem ao nosso encontro e nos fere, mas, seu ferimento não visa nos machucar, mas transformar e principalmente salvar.
       Deus precisa ferir nossos fundamentos para mostrar que foi o ferimento em seu filho Jesus que nos libertou e liberta. Amém!



Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O teu Deus é o meu Deus!

09 de outubro de 2016
21º Domingo após Pentecoste
Sl 111; Rt 1.1-19; 2Tm 2.1-13; Lc 17.11-19
Tema: O teu Deus é o meu Deus!

         Eram dias em que “cada qual fazia o que bem entendia” (Jz 21.25) e muitos enfrentavam o problema da fome e da violência. Mesmo que houvesse alguns heróis, tais como Sansão, não se pode deixar de analisar e reconhecer a história de Rute.
         Num primeiro momento, é possível apenas caracterizar a história de Rute como uma história de amor de nora pela sogra. No entanto, ao analisar todo o relato em meio a terrível e calamitosa situação que vivia o povo de Israel, vê-se que a história de amor de uma nora chamada Rute por sua sogra chamada Noemi, apresenta em si o amor de Deus para com todos os povos. Deus tinha uma promessa para cumprir, a promessa de enviar seu Filho (Gn 3.15). Enquanto que a maioria do povo de Israel estava ocupado com a exploração, a violência, e fazer o que bem lhe agradava, Deus ocupava-se em realizar sua promessa.
         Os juízes tinham a tarefa de administrar a justiça. Eles eram heróis que guiavam o povo de Deus na luta para permanecer nos territórios conquistados. Os juízes eram guia, direcionamento e governo do povo.
         O povo não merecia, afinal, haviam se afastado de Deus. Mas, Deus é misericordioso e por amor sempre levantou juízes para libertar seu povo da opressão de outros povos. Entre esses juízes levantados por Deus, é possível lembrar-nos de Débora. Essa juíza e profetiza, aos pés de uma palmeira, governava o povo e atendia àqueles que solicitavam a sua mediação em casos de litígio (Jz 4.4-5). Deus levantou Gideão, um camponês humilde (Jz 6.11). Também enviou Jefté, filho de uma prostituta que liderou um bando de malfeitores (Jz 11.1,3). E ainda, Sansão (Jz 16.3).
         Todos esses juízes, mesmo sendo pessoas revestidas pelo poder do Espírito Santo, não viveram dias fáceis. Era um período complicado e delicado. Todos os anos em que Deus agia através dos juízes somou 410 anos. Anos caracterizados como um período da fragilidade da fé. Devido a fragilidade da fé, o período dos juízes (410 anos) foi um tempo propício para exclusividade da educação cristã.
         E é exatamente dessa maneira que a história de amor de uma nora não israelita por sua sogra israelita que o livro precisa ser lido e estudado. Ou seja, a história quer educar cristãmente o povo de Deus.
         O que desperta a atenção para essa história que visa educar cristãmente, é o fato de que o povo de Deus havia sido instruído por meio de Moisés e Josué a exterminar todos os estrangeiros. O objetivo era evitar contaminação na adoração a outros deuses.
         A instrução e ordem de Deus não foi cumprida (Jz 1.21,27,29,30,31,33,35). Essa desobediência contribuição para confusão e conflitos na fé (Jz 2.2,3; 2.11-13; 10.6). Mas, nem tudo estava perdido. Noemi mostrou a Rute o amor e a misericórdia de Deus e por isso, no momento de despedida, Rute testemunhou: “Não me inste para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16).
         Nos momentos da costura, do trabalho doméstico, Noemi falava sobre Deus e todos os seus feitos. O amor e a misericórdia de Deus foi compreendido por Rute, tanto que esse Deus era tudo o que ela tinha naquele momento.
         O amor de Deus encheu o coração de Rute cheio de coragem e dedicação para acompanhar sua sogra. Por meio de Rute, Deus dizia a Noemi e todo seu povo que não estava contra eles, mas, a favor de toda a raça humana, permitindo que a descendência fosse continuada e dela nasceria o salvador.
         O período dos Juízes (410 anos) foi complicado, mas, através de seus heróis, Deus visava ensinar seu povo. Para ensinar, Deus permitiu que toda a história acontecida nas terras de Moabe fosse testemunhada em todos os cantos da terra através dessa história de amor de uma nora moabita por sua sogra israelita.
         A família de Elimeleque parecia estar destinada a terminar nas terras de Moabe. A história apresenta uma família do povo de Deus que parecia a princípio ter sido esquecida por Deus em terras estrangeiras. Morre o pai, o marido. Após dez anos a morte bate na porta da família e dois filhos, dois maridos, morreram.
         Parecia ser um triste fim de uma família israelita que havia fugido da fome em busca de uma vida melhor. Mas, não foi!
         A tão sonhada vida boa e menos sofrida que havia sido buscada em Moabe, foi amarga. Essas foram as palavras de Noemi em Belém, após seu retorno: “Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Ditosa eu parti, porém o Senhor me fez voltar pobre; ...” (Rt 1.20,21).
         Deus que não abandona seu povo, e age mesmo que longe de onde está seu povo, ensina através da história de Noemi e Rute que quando tudo parece ruim e perdido, algo maravilhoso acontece. Deus usou Rute, a moabita, para dar continuidade a sua promessa (Gn 3.15).
         Noemi tinha um parente chamado Boaz. Esse foi, conforme a lei de Deus, o redentor de Rute ao se casar com ela. Rute e Boaz tiveram um filho chamado Obede. Esse foi pai de Jessé. Jessé foi pai de Davi. E Jesus, o Salvador, é conhecido como filho de Davi.
         De uma inspiradora história de amor de uma nora para com sua sogra, descobre-se o amor de Deus pelos seus filhos. Deus continua agindo através de sua igreja. Por mais que a mesma em muitas situações pense apenas em fazer o que bem lhe agrada, Deus, pela pregação e pelos sacramentos continua salvando seus filhos e filhas. Amém!


Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

A Igreja existe para pregar, batizar e ensinar (Mt 28.16-20)

  31 de maio de 2026 Domingo da Santíssima Trindade Salmo 8; Gênesis 1.1-2.4a; Atos 2.14a, 22-36; Mateus 28.16-20 Texto: Mateus 28.16...