segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador (Jo 14.15-21)

 10 de maio de 2026

Sexto Domingo de Páscoa

Salmo 66.8-20; Atos 17.16-31; 1Pedro 3.13-22; João 14.15-21

Texto: João 14.15-21

Tema: Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador


Ser mãe em 2026 não é apenas cuidar, amar e educar, é também enfrentar um cenário de constantes tensões, julgamentos e limites redefinidos. Em meio a birras públicas, pressões sociais e mudanças legais, muitas mães se veem questionando se ainda sabem como exercer sua própria autoridade. O que antes era resolvido com rigidez, hoje exige equilíbrio, consciência e responsabilidade.

          A mãe vai no mercado com seu(sua) filho(a) e a criança quer algo e por não poder lhe dar, a criança se joga no chão, grita, chora. Diferentemente de antigamente, a mãe não pode bater, sacudir, puxar com força ou humilhar a criança.

          Diante dessa realidade, muitas mães sentem que a tarefa materna ficou limitada e está difícil lidar com o(a) filho(a).

          Ser mãe virou um exercício constante de navegação entre direitos, deveres e uma rede de proteção cada vez mais estruturada. Para muitos, isso parece sufocante à primeira vista, mas na prática tudo isso existe para apoiar.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) continua sendo a base, pois garante que crianças tenham prioridade absoluta em saúde, educação, segurança e convivência familiar. Recentemente, normas inspiradas na chamada Lei Henry Borel reforçaram mecanismos contra negligência e violência, inclusive dentro de casa. Isso trouxe mais responsabilidade para os pais, mas também mais suporte do Estado quando necessário.

Mãe você não está sozinha. Há mais estruturas, tais como escolas, conselhos tutelares, serviços de saúde e assistência social e eles não são “inimigos”, são parte de uma rede que pode ajudar em momentos difíceis.

O foco das leis não é impedir a educação, mas evitar a violência. Dar limites, corrigir e orientar continuam sendo parte essencial da maternidade, só que com respeito à integridade da criança.

Além das leis, existe o peso das redes sociais, opiniões externas e padrões irreais de “mãe perfeita”. Nenhuma legislação exige perfeição, apenas cuidado, proteção e responsabilidade.

Seja da família, profissionais ou serviços públicos, buscar apoio não é sinal de falha, é uma forma de garantir um ambiente melhor para você e seu filho. O cenário atual tenta equilibrar duas coisas: proteger a criança e preservar o papel da família.

          Diante disso, destaco as palavras de Jesus, narradas pelo evangelista João no trecho do capítulo 14.15-21, onde o próprio Jesus destaca sua presença e poder para caminhar junto ao cristão “o consolador e a evidência do amor divino”.

Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16).

          Eu pedirei ao Pai” o verbo ἐρωτήσω indica intercessão pessoal de Jesus. Não é uma súplica inferior, mas uma petição baseada na unidade entre o Filho e o Pai. Temos aqui uma dinâmica trinitária, onde o Filho pede, o Pai dá e o Espírito é enviado.

Ouvir Jesus dizer “Eu pedirei ao Pai”, nos conduz a refletir no fato de que sendo o Filho igual ao Pai, por que Jesus disse que iria “pedir” ao Pai? Jesus Cristo fala segundo sua natureza humana. Sendo Deus, Jesus é igual ao Pai; sendo homem, Jesus é intercessor, por isso no versículo 13 onde Jesus nos orienta a suplicar por seus méritos e nome.

O que Jesus pedirá ao Pai? Outro Auxiliador” (Jo 14.16). A palavra “outro” ἄλλον é crucial. “Outro” significa do mesmo tipo. O Espírito não é inferior nem diferente em essência de Jesus Cristo. “Auxiliadorπαράκλητος, consolador, advogado, ajudador, intercessor.

          Ao se destacar “outro Auxiliador” é preciso compreender que o termo “outro” evita confusão. Por outro se diz que o Espírito não é o Filho, mas também não é inferior a Jesus. Pai, Filho e Espírito compartilham a mesma essência e “outro” indica distinção de pessoa, não de natureza.

          O Espírito Santo assume o papel que Jesus exercia visivelmente de forma invisível. Jesus foi o primeiro parakletos (1João 2.1). O Espírito Santo é o segundo, não sendo inferior, mas continuando essa presença. Parakletos é o consolador em meio à perseguição e o defensor contra-acusação, em especial da consciência e do diabo. O paracleto combate o desespero espiritual.

          Esse paracleto é “O Espírito da verdade” pois revela Jesus Cristo. O Espírito Santo não apenas transmite, mas participa da essência divina da verdade e guia os discípulos à compreensão correta. Sem o Espírito Santo, a verdade pode ser ouvida, mas não entendida e crida.

A mãe e a família têm suporte para ajudar na educação do(a) filho(a). O discípulo também não está sozinho, o próprio Jesus disse que pediria ao Pai, o Espírito da Verdade, “para ficar com vocês para sempre” (Jo 14. 16). O Espírito Santo é uma permanência absoluta e isso contrasta com o Antigo Testamento, onde o Espírito Santo vinha temporariamente sobre pessoas específicas. Jesus anuncia que a partir da sua subida aos céus, o Espírito Santo habita permanentemente nos crentes. Enquanto em Jesus Cristo, a presença era visível; pelo Espírito Santo, a presença é interna e permanente.

Jesus se despede com a certeza de que não abandona os seus. O Espírito dá a presença contínua de Cristo e a garantia de que a fé não depende de sinais visíveis.

          O “para sempreεἰς τὸν αἰῶνα não é apenas “por muito tempo”. Jesus fala de presença eterna e irrevogável. A igreja vive sob uma nova realidade da presença divina.

          Esse é um dos textos mais claros sobre a Trindade. O Filho pede, o Pai envia e o Espírito habita. Todavia, não há hierarquia de inferioridade ou superioridade. Há distinção de pessoas e unidade de essência.

          O que temos aqui é que a igreja nunca está abandonada. A presença de Deus não é mais localizada apenas no templo. A comunhão com Cristo continua através do Espírito Santo.

O Espírito Santo torna Cristo presente. Ele ensina, consola e fortalece continuamente. O Espírito Santo nunca fala de si mesmo, Ele sempre aponta para Cristo.

          Ao expressar: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16) Jesus transmite a promessa viva para o cristão em meio à luta.

João 14.16–17 destaca a promessa de que a presença visível de Cristo será substituída por uma presença espiritual igualmente real, permanente e divina. O Espírito Santo, que habita nos crentes e mantém a comunhão viva com o próprio Cristo.

Diante de tantas exigências, transformações e inseguranças, uma verdade permanece firme: ninguém foi chamado para caminhar sozinho. Assim como a mãe encontra apoio em redes de cuidado e proteção, o cristão encontra no próprio Deus a presença constante que sustenta, orienta e consola.

A promessa de Jesus em João 14 não é apenas teológica, é profundamente prática, o Espírito Santo é o auxílio diário em meio às dúvidas, ao cansaço e às responsabilidades.

Ser mãe hoje exige mais consciência, mas também oferece mais suporte. Da mesma forma, viver a fé não elimina as dificuldades, mas garante companhia constante. O Espírito da verdade não apenas ensina, mas fortalece; não apenas orienta, mas permanece. E é nessa presença contínua que a mãe, a família e a igreja encontram não apenas direção, mas também esperança para continuar, mesmo nos dias mais difíceis. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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