10 de maio de 2026
Sexto
Domingo de Páscoa
Salmo
66.8-20; Atos 17.16-31; 1Pedro 3.13-22; João 14.15-21
Texto: João 14.15-21
Tema:
Mãe, você não está sozinha: o Espírito Santo é o seu Auxiliador
Ser
mãe em 2026 não é apenas cuidar, amar e educar, é também enfrentar um cenário
de constantes tensões, julgamentos e limites redefinidos. Em meio a birras
públicas, pressões sociais e mudanças legais, muitas mães se veem questionando
se ainda sabem como exercer sua própria autoridade. O que antes era resolvido
com rigidez, hoje exige equilíbrio, consciência e responsabilidade.
A mãe vai no mercado com seu(sua)
filho(a) e a criança quer algo e por não poder lhe dar, a criança se joga no
chão, grita, chora. Diferentemente de antigamente, a mãe não pode bater,
sacudir, puxar com força ou humilhar a criança.
Diante dessa realidade, muitas mães
sentem que a tarefa materna ficou limitada e está difícil lidar com o(a)
filho(a).
Ser mãe virou um exercício constante
de navegação entre direitos, deveres e uma rede de proteção cada vez mais
estruturada. Para muitos, isso parece sufocante à primeira vista, mas na
prática tudo isso existe para apoiar.
O
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) continua sendo a base, pois garante
que crianças tenham prioridade absoluta em saúde, educação, segurança e
convivência familiar. Recentemente, normas inspiradas na chamada Lei Henry
Borel reforçaram mecanismos contra negligência e violência, inclusive dentro de
casa. Isso trouxe mais responsabilidade para os pais, mas também mais suporte
do Estado quando necessário.
Mãe
você não está sozinha. Há mais estruturas, tais como escolas, conselhos
tutelares, serviços de saúde e assistência social e eles não são “inimigos”, são parte de uma rede que pode
ajudar em momentos difíceis.
O
foco das leis não é impedir a educação, mas evitar a violência. Dar limites,
corrigir e orientar continuam sendo parte essencial da maternidade, só que com
respeito à integridade da criança.
Além
das leis, existe o peso das redes sociais, opiniões externas e padrões irreais
de “mãe perfeita”. Nenhuma legislação exige
perfeição, apenas cuidado, proteção e responsabilidade.
Seja
da família, profissionais ou serviços públicos, buscar apoio não é sinal de
falha, é uma forma de garantir um ambiente melhor para você e seu filho. O
cenário atual tenta equilibrar duas coisas: proteger a criança e preservar o papel da família.
Diante disso, destaco as palavras de
Jesus, narradas pelo evangelista João no trecho do capítulo 14.15-21, onde o
próprio Jesus destaca sua presença e poder para caminhar junto ao cristão “o consolador e a evidência do amor divino”.
“Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o
Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16).
“Eu
pedirei ao Pai” o verbo ἐρωτήσω indica intercessão pessoal de Jesus.
Não é uma súplica inferior, mas uma petição baseada na unidade entre o Filho e
o Pai. Temos aqui uma dinâmica trinitária, onde o Filho pede, o Pai dá e o
Espírito é enviado.
Ouvir
Jesus dizer “Eu pedirei ao Pai”, nos
conduz a refletir no fato de que sendo o Filho igual ao Pai, por que Jesus disse que iria “pedir” ao Pai? Jesus
Cristo fala segundo sua natureza humana. Sendo Deus, Jesus é igual ao Pai; sendo
homem, Jesus é intercessor, por isso no versículo 13 onde Jesus nos orienta a suplicar
por seus méritos e nome.
O que Jesus pedirá ao Pai? “Outro
Auxiliador” (Jo 14.16). A palavra “outro”
ἄλλον é crucial. “Outro” significa do
mesmo tipo. O Espírito não é inferior nem diferente em essência de Jesus Cristo.
“Auxiliador” παράκλητος, consolador, advogado, ajudador, intercessor.
Ao se destacar “outro Auxiliador” é preciso compreender que o termo
“outro” evita confusão. Por outro se diz que o Espírito não é o Filho, mas
também não é inferior a Jesus. Pai, Filho e Espírito compartilham a mesma essência e “outro” indica distinção de pessoa, não de
natureza.
O Espírito Santo assume o papel que
Jesus exercia visivelmente de forma invisível. Jesus foi o primeiro parakletos (1João 2.1). O Espírito Santo é o
segundo, não sendo inferior, mas continuando essa presença. Parakletos é o consolador em meio à
perseguição e o defensor contra-acusação, em especial da consciência e do diabo.
O paracleto combate o desespero
espiritual.
Esse paracleto
é “O Espírito da verdade” pois revela
Jesus Cristo. O Espírito Santo não apenas transmite, mas participa da essência
divina da verdade e guia os discípulos à compreensão correta. Sem o Espírito Santo, a verdade
pode ser ouvida, mas não entendida e crida.
A
mãe e a família têm suporte para ajudar na educação do(a) filho(a). O discípulo
também não está sozinho, o próprio Jesus disse que pediria ao Pai, o Espírito
da Verdade, “para ficar com vocês para sempre”
(Jo 14. 16). O Espírito Santo é uma permanência absoluta e isso contrasta com o
Antigo Testamento, onde o Espírito Santo vinha temporariamente sobre pessoas
específicas. Jesus anuncia que a partir da sua subida aos céus, o Espírito
Santo habita permanentemente nos crentes. Enquanto em Jesus Cristo, a presença
era visível; pelo Espírito Santo, a presença é interna e permanente.
Jesus
se despede com a certeza de que não abandona os seus. O Espírito dá a presença
contínua de Cristo e a garantia de que a fé não depende de sinais visíveis.
O “para
sempre” εἰς τὸν αἰῶνα não é apenas “por muito tempo”. Jesus fala de presença
eterna e irrevogável. A igreja vive sob uma nova realidade da presença divina.
Esse é um dos textos mais claros sobre
a Trindade. O Filho pede, o Pai envia e o Espírito habita. Todavia, não há
hierarquia de inferioridade ou superioridade. Há distinção de pessoas e unidade
de essência.
O que temos aqui é que a igreja nunca está abandonada.
A presença de Deus não é mais localizada apenas no templo. A comunhão com
Cristo continua através do Espírito Santo.
O
Espírito Santo torna Cristo presente. Ele ensina, consola e fortalece
continuamente. O Espírito Santo nunca fala de si mesmo, Ele sempre aponta para
Cristo.
Ao expressar: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o
Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (Jo 14.16) Jesus
transmite a promessa viva para o cristão em meio à luta.
João
14.16–17 destaca a promessa de que a presença visível de Cristo será
substituída por uma presença espiritual igualmente real, permanente e divina. O Espírito Santo, que habita nos
crentes e mantém a comunhão viva com o próprio Cristo.
Diante
de tantas exigências, transformações e inseguranças, uma verdade permanece
firme: ninguém foi chamado
para caminhar sozinho. Assim como a mãe encontra apoio em redes de
cuidado e proteção, o cristão encontra no próprio Deus a presença constante que
sustenta, orienta e consola.
A
promessa de Jesus em João 14 não é apenas teológica, é profundamente prática, o
Espírito Santo é o auxílio diário em meio às dúvidas, ao cansaço e às
responsabilidades.
Ser
mãe hoje exige mais consciência, mas também oferece mais suporte. Da mesma
forma, viver a fé não elimina as dificuldades, mas garante companhia constante.
O Espírito da verdade não apenas ensina, mas fortalece; não apenas orienta, mas
permanece. E é nessa presença contínua que a mãe, a família e a igreja
encontram não apenas direção, mas também esperança para continuar, mesmo nos
dias mais difíceis. Amém
Edson Ronaldo Tressmann
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