segunda-feira, 25 de maio de 2026

A Igreja existe para pregar, batizar e ensinar (Mt 28.16-20)

 31 de maio de 2026

Domingo da Santíssima Trindade

Salmo 8; Gênesis 1.1-2.4a; Atos 2.14a, 22-36; Mateus 28.16-20

Texto: Mateus 28.16-20

Tema: A Igreja existe para pregar, batizar e ensinar

 

Existe uma pergunta que acompanha a humanidade desde os tempos mais antigos: Quem é Deus?

Povos criaram imagens, filosofias, sistemas religiosos e tentaram explicar o divino pela razão, pela emoção ou pelo poder. Uns imaginaram um deus distante; outros, um deus impessoal; outros um deus que apenas observa o sofrimento humano sem agir.

O cristianismo faz uma afirmação absolutamente única, Deus se revelou.

Não é um deus inventado, é o Deus vivo que entrou na história. O Pai que cria; o Filho que assume nossa carne e morre na cruz; o Espírito Santo que chama, ilumina, santifica e preserva a Igreja na verdadeira fé. Por isso celebramos o Domingo da Santíssima Trindade.

Não celebramos uma fórmula teológica fria, não é um quebra-cabeça filosófico. Celebra-se o Deus que age, que salva, que vem ao encontro do pecador.

O Pai não permaneceu em silêncio, enviou o Filho. O Filho não abandonou o mundo, realizou a redenção. O Espírito Santo não deixou a Igreja órfã, continua chamando pessoas pela Palavra e pelos Sacramentos.

As palavras de Jesus registradas em Mateus 28.16–20 revela o próprio coração da Igreja. A autoridade de Cristo; o Batismo em nome da Trindade; a missão universal e a promessa consoladora: “Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação do século” (Mt 28.20).

Enquanto muitos desejam uma espiritualidade sem doutrina, religião sem verdade e fé sem compromisso, no Domingo da Trindade somos lembrados que não podemos criar Deus à nossa imagem. Deus se revela a nós e sua revelação é como Pai, Filho e Espírito Santo.

Essa celebração surgiu na tradição cristã ocidental, dedicada ao mistério do Deus Triuno, Pai, Filho e Espírito Santo, sendo celebrado no primeiro domingo após Pentecostes.

A doutrina da Trindade já era central desde os primeiros séculos do cristianismo, mas não existia uma festa específica para ela. A celebração começou a surgir localmente entre os séculos VIII e IX em regiões da Europa ocidental. A oficialização universal da festa aconteceu em 1334, quando Papa João XXII determinou sua celebração em toda a Igreja Latina. O objetivo principal era fortalecer a doutrina da Trindade diante de heresias; ensinar os fiéis sobre um dos fundamentos centrais da fé cristã; e, concluir o ciclo pascal mostrando a plenitude da revelação divina, o Pai envia o Filho, o Filho realiza a redenção e o Espírito Santo é derramado em Pentecostes.

Os luteranos celebram o Domingo da Santíssima Trindade porque preservaram grande parte do calendário litúrgico histórico da Igreja cristã ocidental. O luteranismo não rejeita as festas tradicionais que estão em harmonia com as Escrituras e servem ao ensino da fé cristã.

Essa celebração resume a obra da salvação anunciada ao longo do ano litúrgico e confessa publicamente a fé no Deus Triuno. Além do mais, o Domingo da Trindade marca, em muitas tradições luteranas, o início do chamado “Tempo após Pentecostes”.

Para os luteranos, a festividade possui profundo valor catequético e doutrinário.

       Mateus 28.16 – 20 é entendido como a instituição do ministério da Palavra; a universalidade da missão da Igreja; a centralidade do Batismo e do ensino e a maravilhosa promessa da presença de Cristo.

Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18 – 20).

       Não é um mandamento missionário, é a própria estrutura da Igreja cristã. A missão não nasce da Igreja, mas da autoridade universal de Cristo. Cristo reina “no céu e na terra”; sobre reis, consciências, pecado e morte; e governa sua Igreja pela Palavra e pelos Sacramentos.

A missão da Igreja não é expansão institucional, mas administração dos meios da graça. Com essa afirmação destaco o perigo atual da igreja. Ouço pessoas dizendo: - essa igreja; - esse determinado pastor é missionário; e, acaba-se esquecendo que onde há pregação e administração dos sacramentos, ali há missão e a é pura atividade missionária de Deus.

       Jesus disse: “Fazei discípulos”. Como é possível fazer discípulos para Jesus?

       Isso acontece de duas formas inseparáveis, batizando e ensinando. Observe que a Igreja não converte por força; não produz fé por decisão humana. Isso se dá pela autoridade de Cristo que pelo Batismo e ensino faz discípulos.

Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18 – 20).

       Jesus destaca que a Igreja é essencialmente missionária.Todas as nações” significa judeus e gentios; pobres e ricos; toda língua e povo.

Jesus rejeita a ideia de uma Igreja fechada em um povo ou num território. A Igreja existe onde o Evangelho é pregado puramente e os sacramentos são administrados corretamente.

A eficácia da missão não depende da força humana, mas da presença contínua de Cristo.

       O ministério é instituído por Cristo e o pastor não fala em nome próprio; não governa por autoridade pessoal; ele é servo da Palavra.

       Jesus Cristo não mandou organizar poder político; transformar cultura pela espada ou produzir moralismo. Jesus enviou sua igreja para pregar, batizar e ensinar.

       “Eis que estou convosco…” é uma promessa diante do sofrimento pastoral; das fraquezas da Igreja e diante das perseguições. Essa promessa mostra a perpetuidade da Igreja.

Estou convosco todos os dias…” conforta a Igreja, destacando que ela jamais desaparecerá, não importa o sofrimento, as fraquezas e as perseguições. Cristo sempre preservará sua Igreja por sua Palavra e por seu Evangelho concedido no Batismo e no Ensino.

       Cristo possui toda autoridade; a Igreja existe para fazer discípulos; um discípulo é feito pelo Batismo e Ensino; o ministério é divinamente instituído; os meios da graça são centrais; a missão é universal; Cristo permanece presente em sua Igreja; não é apenas uma ordem, é a instituição contínua da Igreja.

       No Domingo da Santíssima Trindade confessamos que o próprio Deus entrou na história para resgatar o pecador. Cada vez que o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo é pronunciado no Batismo, na liturgia, o céu toca a terra e Deus vem ao encontro do pecador com graça, perdão e vida eterna.

A Igreja de Cristo sempre existirá, essa é a Palavra eterna do Deus Triuno. Quando chegar o último dia, veremos face a face aquele que confessamos pela fé, um só Deus, eternamente bendito, Pai, Filho e Espírito Santo, a quem pertence toda honra, glória, majestade e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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