31 de maio de 2026
Domingo
da Santíssima Trindade
Salmo
8; Gênesis 1.1-2.4a; Atos 2.14a, 22-36; Mateus 28.16-20
Texto:
Mateus 28.16-20
Tema:
A Igreja existe para pregar, batizar e ensinar
Existe
uma pergunta que acompanha a humanidade desde os tempos mais antigos: Quem é Deus?
Povos
criaram imagens, filosofias, sistemas religiosos e tentaram explicar o divino
pela razão, pela emoção ou pelo poder. Uns imaginaram um deus distante; outros,
um deus impessoal; outros um deus que apenas observa o sofrimento humano sem
agir.
O
cristianismo faz uma afirmação absolutamente única, Deus se revelou.
Não
é um deus inventado, é o Deus vivo que entrou na história. O Pai que cria; o
Filho que assume nossa carne e morre na cruz; o Espírito Santo que chama,
ilumina, santifica e preserva a Igreja na verdadeira fé. Por isso celebramos o
Domingo da Santíssima Trindade.
Não
celebramos uma fórmula teológica fria, não é um quebra-cabeça filosófico.
Celebra-se o Deus que age, que salva, que vem ao encontro do pecador.
O
Pai não permaneceu em silêncio, enviou o Filho. O Filho não abandonou o
mundo, realizou a redenção. O Espírito Santo não deixou a Igreja órfã, continua
chamando pessoas pela Palavra e pelos Sacramentos.
As
palavras de Jesus registradas em Mateus 28.16–20 revela o próprio coração da
Igreja. A autoridade de Cristo; o Batismo em nome da Trindade; a missão
universal e a promessa consoladora: “Eis que
estou convosco todos os dias, até à consumação do século” (Mt
28.20).
Enquanto
muitos desejam uma espiritualidade sem doutrina, religião sem verdade e fé sem
compromisso, no Domingo da Trindade somos lembrados que não podemos criar Deus
à nossa imagem. Deus se revela a nós e sua revelação é como Pai, Filho e
Espírito Santo.
Essa
celebração surgiu na tradição cristã ocidental, dedicada ao mistério do Deus
Triuno, Pai, Filho e Espírito Santo, sendo celebrado no primeiro domingo após
Pentecostes.
A
doutrina da Trindade já era central desde os primeiros séculos do cristianismo,
mas não existia uma festa específica para ela. A celebração começou a surgir
localmente entre os séculos VIII e IX em regiões da Europa ocidental. A
oficialização universal da festa aconteceu em 1334, quando Papa João XXII
determinou sua celebração em toda a Igreja Latina. O objetivo principal era
fortalecer a doutrina da Trindade diante de heresias; ensinar os fiéis sobre um
dos fundamentos centrais da fé cristã; e, concluir o ciclo pascal mostrando a
plenitude da revelação divina, o Pai envia o Filho, o Filho realiza a redenção
e o Espírito Santo é derramado em Pentecostes.
Os
luteranos celebram o Domingo da Santíssima Trindade porque preservaram grande
parte do calendário litúrgico histórico da Igreja cristã ocidental. O luteranismo
não rejeita as festas tradicionais que estão em harmonia com as Escrituras e
servem ao ensino da fé cristã.
Essa
celebração resume a obra da salvação anunciada ao longo do ano litúrgico e
confessa publicamente a fé no Deus Triuno. Além do mais, o Domingo da Trindade
marca, em muitas tradições luteranas, o início do chamado “Tempo após Pentecostes”.
Para
os luteranos, a festividade possui profundo valor catequético e doutrinário.
Mateus 28.16 – 20 é entendido como
a instituição do ministério da Palavra; a universalidade da missão da Igreja; a
centralidade do Batismo e do ensino e a maravilhosa promessa da presença de
Cristo.
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto
ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho
ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”
(Mt 28.18 – 20).
Não é um mandamento missionário, é a
própria estrutura da Igreja cristã. A missão não nasce da Igreja, mas da
autoridade universal de Cristo. Cristo reina “no
céu e na terra”; sobre reis, consciências, pecado e morte; e governa
sua Igreja pela Palavra e pelos Sacramentos.
A
missão da Igreja não é expansão institucional, mas administração dos meios da
graça. Com essa afirmação destaco o perigo atual da igreja. Ouço pessoas
dizendo: - essa igreja; - esse determinado
pastor é missionário; e, acaba-se esquecendo que onde há pregação e
administração dos sacramentos, ali há missão e a é pura atividade missionária
de Deus.
Jesus disse: “Fazei
discípulos”. Como é possível fazer
discípulos para Jesus?
Isso acontece de duas formas
inseparáveis, batizando e ensinando. Observe que a
Igreja não converte por força; não produz fé por decisão humana. Isso se dá
pela autoridade de Cristo que pelo Batismo e ensino faz discípulos.
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto
ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho
ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”
(Mt 28.18 – 20).
Jesus destaca que a Igreja é
essencialmente missionária. “Todas as nações”
significa judeus e gentios; pobres e ricos; toda língua e povo.
Jesus
rejeita a ideia de uma Igreja fechada em um povo ou num território. A Igreja
existe onde o Evangelho é pregado puramente e os sacramentos são administrados
corretamente.
A eficácia da missão não depende da
força humana, mas da presença contínua de Cristo.
O ministério é instituído por Cristo e o
pastor não fala em nome próprio; não governa por autoridade pessoal; ele é
servo da Palavra.
Jesus Cristo não mandou organizar poder
político; transformar cultura pela espada ou produzir moralismo. Jesus enviou sua igreja para pregar,
batizar e ensinar.
“Eis que
estou convosco…” é uma promessa diante do sofrimento pastoral; das
fraquezas da Igreja e diante das perseguições. Essa promessa mostra a perpetuidade
da Igreja.
“Estou convosco todos os dias…” conforta a
Igreja, destacando que ela jamais desaparecerá, não importa o sofrimento, as
fraquezas e as perseguições. Cristo sempre preservará sua Igreja por sua
Palavra e por seu Evangelho concedido no Batismo e no Ensino.
Cristo possui toda autoridade; a Igreja
existe para fazer discípulos; um discípulo é feito pelo Batismo e Ensino; o
ministério é divinamente instituído; os meios da graça são centrais; a missão é
universal; Cristo permanece presente em sua Igreja; não é apenas uma ordem, é a
instituição contínua da Igreja.
No Domingo da Santíssima Trindade
confessamos que o próprio Deus entrou na história para resgatar o pecador. Cada
vez que o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo é pronunciado no Batismo,
na liturgia, o céu toca a terra e Deus vem ao encontro do pecador com graça,
perdão e vida eterna.
A
Igreja de Cristo sempre existirá, essa é a Palavra eterna do Deus Triuno. Quando
chegar o último dia, veremos face a face aquele que confessamos pela fé, um só
Deus, eternamente bendito, Pai, Filho e Espírito Santo, a quem pertence toda
honra, glória, majestade e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.
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