segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Glória é a Cruz!

26 de fevereiro
Último Domingo após Epifania - Transfiguração do Senhor
Sl 2.6-12; Ex 24.8-18; 2Pe 1.16-21; Mt 17.1-9
Tema: A Glória é a Cruz!

Na festa mais popular do Brasil, carnaval, as pessoas usam máscaras e fantasias. A verdade é que as pessoas revelam o seu verdadeiro “eu” atrás da máscara ou da fantasia. As pessoas se auto revelam por detrás de algo que não apresenta seu rosto.
A transfiguração de Jesus que só pôde ser descrita como algo resplandecente como o sol e branco como a luz revela algo extraordinário.
O relato da transfiguração apresentado por Mateus e Marcos mostram que “seis dias depois” (Mt 17.1; Mc 9.2) Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João. O pesquisador Lucas, relata que a transfiguração de Jesus se deu aos mesmos discípulos, mas “oito dias depois” (Lc 9.28).
A enumeração dos “seis dias depois” ou “oito dias depois” é uma referência ao fato da transfiguração ter se dado após o anuncio de Jesus aos seus discípulos de que era necessário sofrer muitas coisas, ser crucificado e ressuscitar. 
O momento era crítico. O ministério de Jesus na Galiléia estava terminando e iniciando a sua subida a Jerusalém rumo a sua paixão e morte. A transição é marcada pelas palavras de Jesus: “quem quer ser meu seguidor, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz” (Mt 16.24).
Jesus chama Pedro, Tiago e João e os leva, em particular, a um monte. Nesse monte, acontece algo fantástico: “E foi transfigurado diante deles; ...” (Mt 17.2; Mc 9.2). O evangelista Lucas relata que, ao orar, Jesus foi transfigurado.
O detalhe apresentado por Mateus e Marcos é que Jesus foi transfigurado “diante dos discípulos” Pedro, Tiago e João. Por mais que a luz fosse intensa como o brilho do sol, os discípulos não foram impedidos de ver a transfiguração.
Se houvesse os modernos celulares que há atualmente, teríamos essas cenas divulgadas em alguma rede social. Mas, como não havia fotos, tudo foi relatado pelos discípulos. Por mais que não houvesse palavras específicas para descrever o episódio da transfiguração, o evento foi real. Anos mais tarde o apóstolo Pedro em sua segunda carta relatou que: “...não demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares de sua majestade” (2Pe 1.16).
Pedro, Tiago e João viram Moisés e Elias.
Moisés e Elias foram os profetas mais importantes apresentados no Antigo Testamento. A presença de Moisés e Elias na transfiguração era a certeza do cumprimento de duas promessas feitas por Deus e relatadas no Antigo Testamento.
A promessa feita por Deus e transmitida por Moisés dizia que: “O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” (Dt 18.15).
João Batista, quando estava na cadeia enviou seus discípulos para perguntar a Jesus: “És tu o profeta que havia de vir, ou havemos de esperar outro” (Mt 11.3; Lc 7.19-20).
O profeta Elias, segundo relato bíblico (2Rs 2.11) foi levado vivo ao céu. Esse episódio deu origem a muitas crenças entre o povo de Israel, e uma delas era que os judeus esperavam a sua vinda antes do Dia do Senhor.
O evento da transfiguração é a confirmação de que Jesus é o profeta enviado por Deus. Isso se comprova diante do estado de exultação de Pedro, Tiago e João e a voz de Deus declarar: “...a ele ouvi” (Mt 17.5). Desde Moisés, o povo de Deus ouvira a promessa: “O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” (Dt 18.15).
Deus testemunha através de sua Palavra que Jesus é seu filho, o Messias, o salvador, o enviado para salvação de todos.
Na transfiguração o ponto importante não é o evento em si, não é o que os discípulos conseguiram descrever apenas como sol e luz. O ponto alto desse episódio é a pessoa de Jesus.
Quando Deus exclama para Pedro, Tiago e João: “... é meu Filho amado, em quem me comprazo; ...” (Mt 17.5), está trazendo a lembrança de que Jesus é o Cristo, o Salvador, assim como já havia sido anunciado desde a queda em pecado através de muitos profetas (Sl 2.7; Gn 22.2; Is 42.1; Dt 18.15).
Quão importante e necessária continua sendo a lição da transfiguração?
As pessoas estão começando a se impressionar com fatos, sinais, e se esquecendo de que Cristo é o Salvador.
Pedro, Tiago e João reconheceram que era bom estar ali com Jesus, Moisés e Elias. O tempo poderia parar ali. Ali eles poderiam viver para sempre. Mas, nesse exato momento são lembrados que Jesus é aquele que veio para cumprir a missão do Pai. Era necessário ir à Jerusalém. Era necessário tomar a cruz.
Milhares de pessoas estão buscando a igreja para resolver problemas físicos, imprevistos financeiros .... As propagandas são as mais variadas: PARE DE SOFRER; NOITE DOS MILAGRES. Os frequentadores dessas igrejas deixaram de ser congregados e passaram a ser clientes consumidores. Algumas poucas igrejas se tornaram estabelecimentos onde se adquire determinada bênção, basta ....
Foi Deus quem disse a Pedro, João e Tiago enquanto estavam em estado de êxtase: “Escutem o que ele diz” (Mt 17.5).
Quem é “ele”? A quem Deus se refere? Jesus.
Quem é Jesus? As palavras do Credo Apostólico que é uma confissão retirada de porções bíblicas responde: “Creio em Jesus Cristo, seu único Filho nosso Senhor, concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria...”. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Jesus sabia e sabe que cada um necessita de bens espirituais, materiais e livramento do mal. Ele nos incentiva a pedir essas coisas na oração do Pai Nosso.
Jesus adverte para que não nos deixemos encantar tão somente pelas coisas desse e nesse mundo. Não se pode perder de vista que, como filhos de Deus, carregamos nossa cruz. Carregar a cruz nesse mundo em muitas situações requer abandonar coisas desse e nesse mundo.
Jesus é o cumprimento da promessa anunciada por Deus através do profeta Moisés (Dt 18.15).
Mateus escreve o evangelho aos judeus através de muitas citações do Antigo Testamento. O objetivo é mostrar aos judeus que Jesus era de fato o Filho de Deus que veio cumprir as promessas feitas e anunciadas por Deus em todos os tempos.
A transfiguração, um fato tão esplendoroso que, Pedro, Tiago e João apenas conseguiram descrever como Sol e Luz, apresenta Moisés e Elias no intuito de ressaltar a pessoa e obra de Jesus!
Moisés e Elias representavam a lei e os profetas. Jesus veio para cumprir a lei e os profetas (Mt 5.17; Rm 10.4; Is 53.5). O pesquisador Lucas em seu escrito, inspirado pelo Espírito Santo, mostra que o conteúdo da conversa entre Jesus, Moisés e Elias era justamente a sua caminhada rumo a cruz (Lc 9.31).
É necessário continuar carregando a nossa cruz. É bom estar livre de problemas por causa do evangelho e de Cristo, mas, por mais que seja bom estar tranquilo, é necessário carregar a cruz por causa do evangelho e de Cristo.
Nossa caminhada ainda não terminou. É preciso continuar. Por mais que a cruz esteja pesada, é preciso persistir e Jesus nos anima: “erguei-vos e não temais!” (Mt 17.7). Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Vingue-se: ofereça o outro lado da face!

19 de fevereiro
7º Domingo após Epifania
Sl 119.33-40; Lv 19.1-2,9-18; 1Co 3.10-23; Mt 5.38-48
Texto para prédica: Mateus 5.38-48
Tema: Vingue-se: ofereça o outro lado da face!

O desejo de vingança pode levar uma pessoa a fazer coisas absurdas. Aquela velha mágoa escondida se pudesse ser vingada, como seria?
Casos absurdos como: Genghis Khan; Katie Collman; cartas de Alan Ralsky “pai do spam”; o massacre da noite de São Bartolomeu, retratam fatos absurdos que se faz por vingança.
Cientistas da University College London monitoraram a atividade cerebral de um grupo de voluntários enquanto estes observavam pessoas de quem gostavam e não gostavam sendo fisicamente castigadas. Enquanto as mulheres pareciam sentir empatia por todos os punidos, os homens mostravam sinais de prazer ao ver seus inimigos sentindo dor.
Os ditos populares: “aqui se faz, aqui se paga”; “deixa isso nas mãos de Deus”; “Deus fará justiça”; reflete o desejo que o ser humano tem de vingança. É conhecida a expressão de Ramón Valdez (1923 -1988): “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. 
A vingança mata a alma e envenena por ser uma resposta impulsionada pela raiva, ódio, rancor e injustiça. A resposta vingativa está relacionada a falta de perdão. A falta de perdão “mata e envenena a alma”.
Pessoas vingativas canalizam todo o rancor para si mesmas. Esse rancor causa problema psicossomático, transtorno de alimentação, depressão e outros. Entre todos, o pior prejuízo é emocional.
O desejo de vingança começa na infância, quando a criança quer chamar atenção da mãe ou da professora. Pode chegar a ser patológica, quando põe em risco a vida de alguém (ameaças verbais e não verbais). A mês precisa de tratamento.
A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. No sermão do monte, Jesus fala sobre o comportamento extraordinário do cristão diante do desejo de vingança: “Volte o outro lado da face.
A vingança nos torna piores que nossos inimigos, enquanto que o perdão nos torna superiores.
Jesus convida a fazer parte de um grupo diferente. O grupo daqueles que não querem a vingança, mas oferecem a outra face ao agressor. Fazer parte desse grupo é um privilégio divino. É o privilégio daqueles que vivem a vida na alegria do perdão.
No mundo desenvolveu aos poucos a filosofia de que apenas os fortes sobrevivem. Esses supostos “fortes”, são aqueles que “não levam desaforo para casa”.
Ao falar aos seus discípulos, Jesus lhes orienta como viver adequadamente no regime espiritual. No Reino espiritual, Deus governa pela sua Palavra, objetivando a salvação.
Quando se constata que a “vingança” se tornou uma atitude normal, afinal, muitos veem na vingança um sinal de que a “justiça, principalmente a divina, foi feita”, se conclui que não se sabe a diferença entre justiça e vingança. A justiça visa reconciliar; a vingança visa punir, retaliar
Na época de Jesus havia confusão entre justiça e vingança. A lei que havia sido dada por Deus através de Moisés enquanto o povo estava rumo a terra prometida prescrevia: “olho por olho, dente por dente”. No entanto, os fariseus e escribas, enganados pela sua equivocada interpretação, chegaram a conclusão e ensinavam que a “vingança” era perfeitamente permitida pela lei de Deus.
Toda uma geração havia sido contaminada pela distorção da lei de Deus. Assim, ao invés de “amor ao próximo”, o povo sentia “ódio pelo malfeitor”. A vontade de Deus: “amor ao próximo” foi distorcido pela permissão a vingança. Havia equívoco entre a vida no regime espiritual e a vida no regime secular. 
Aquela velha mágoa escondida se pudesse ser vingada, como seria? Jesus disse: “...qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;”. Essa é a melhor vingança! O ódio é superado com amor. 
Ao dizer “...qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;” Jesus mostra que além de ser espiritual, é necessário viver como tal. Esse é o comportamento cristão perante Deus e o mundo. Esse é o conselho de Jesus para que os cristãos estejam com seus corações presos em Deus que deseja a reconciliação. O regime secular se preocupa apenas com poder, punição e vingança. O cristão vive no regime espiritual.
Muitos cristãos ocupam cargos públicos, tais como: vereador, advogado, juiz. Esses estão investidos de autoridade pelo próprio Deus. Quando estão exercendo seu ministério como autoridade secular precisam e devem cumprir com seu ofício público. No entanto, o cristão leigo, sem a investidura de autoridade secular, deve apenas esperar a execução daquele que está investido de autoridade, mas sem o desejo de vingança. Lembre-se: a justiça visa reconciliar, resgatar. E com o objetivo de resgatar o ser humano, o Espírito Santo, inspirou Moisés a escrever o livro de Levítico. Esse livro trata da santificação necessária para servir ao Deus santo. Pela fé na obra em Jesus sou tornado santo e na fé em Jesus sirvo a esse Deus santo. “Santo sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
Levítico capítulo 19 é uma orientação à vida santificada.
A santificação é apresentada no relacionamento com o próximo. O santificado, ou seja, aquele que foi e é perdoado em Jesus, promove a honestidade, a solidariedade e a justiça entre as pessoas.
Jesus no sermão do monte convida a todas as pessoas a se apegarem nEle somente. Somente Ele foi e é perfeito. Sua obra perfeita nos anima a viver o desafio divino. O ponto principal é que, quando não consigo viver o desafio de Deus, a fé na obra de Jesus (sua morte na cruz e ressurreição), me dá o perdão e desse perdão recebo forças para continuar realizando o desafio colocado por Deus. A fé no sacrifício de Jesus me torna perfeito aos olhos do Pai.
Jesus é a “justiça de Deus” - a reconciliação com o Pai.
Diante do pecado humano, Deus ofereceu a outra face e veio ao nosso encontro através da obra salvadora de seu Filho Jesus. Diante das nossas ofensas e pecados, Deus continua vindo ao nosso encontro para nos perdoar e auxiliar na vida de perdão. Amém! 






Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Na maior negligência humana - vivendo a verdadeira fé em Cristo!

12 de fevereiro
6º Domingo após Epifania
Sl 119.1-8; Dt 30.15-20; 1Co 3.1-9; Mt 5.21-37
Tema: Na maior negligência humana - vivendo a verdadeira fé em Cristo!

O trabalho de educação cristã é árduo e difícil. A dificuldade está no simples detalhe de que nem todos, igreja, sociedade e família estão unidos!
Muitas escolas iniciam o ano letivo nessa semana. O sonho de qualquer escola é que a família se envolva na vida escolar do filho. O sonho da sociedade é que a escola, a igreja e a família eduque melhor as crianças. O sonho das famílias é que a sociedade desenvolva programas educacionais atrativos para que as crianças se ocupem e os pais tenham tempo para trabalhar. O sonho da igreja, desde o desencadeamento da Reforma Protestante é que a família, igreja e sociedade estejam de mãos dadas na educação.
No entanto, cada qual, quer seja, igreja, sociedade ou família, transferem a responsabilidade para o outro e assim nenhuma das partes assume sua função essencial dentro da engrenagem para que se tenha verdadeiros cidadãos civis, políticos e cristãos.
Negligenciar uma criança, um jovem, não é um crime menor do que o de estuprar uma adolescente” (Lutero).
Em dois de seus escritos, 1524 e 1530, Lutero se ocupou com o tema educação. Entre tantos conselhos, destaco que “quando a escola progride, tudo progride”.
Mas, porque será que a escola não está progredindo? E em consequência, a sociedade?
O apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios diz que não pôde ensinar além do que ensinou aos Coríntios. Mesmo que os Coríntios tivessem sidos levados a fé, mesmo que estivessem em Cristo, eram apenas crianças nas coisas relacionadas a fé. Como “crianças na fé”, a mensagem cristã não podia ser além de leite. Não era possível prosseguir além do bê-á-bá.
Queridos pais!
Nas escolas, muitos filhos ao invés de aprenderem a disciplina propriamente dita, precisam aprender noções básicas de higiene, ou comportamento. O tempo que poderia ser aproveitado no real e verdadeiro ensino escolar, precisa ser gasto para ensinar o bê-á-bá de casa. 
Não estranhem, mas, o mesmo acontece com muitos dos alunos de catecismo. Eles precisam ser ensinados a orar o Pai Nosso, a confessar a fé com as palavras do Credo. A única expectativa de muitos pais ao matricular o filho no catecismo é que agora o mesmo irá aprender a orar. O pior é que muitos pais nem isso incentivam.
Todos são responsáveis, mas, se não houver uma parceria entre as famílias, a igreja e a sociedade, sinto muito, mas, os resultados serão muito poucos.
Como pastor e pregador convido as famílias cristãs a uma parceria!
O apóstolo Paulo escreveu: “se não é possível ir além do leite, do básico, é porque temos um problema”. E segundo o apóstolo Paulo o problema entre os coríntios persistia por um simples fato: eram “carnais”.
Será que não se pode ir além do leite por sermos carnais?
Ao iniciar sua carta aos coríntios o apostolo Paulo reconheceu aqueles cristãos como sendo “a igreja de Deus” e “santos em Cristo” (1Co 1.2). Também somos “a igreja de Deus” e “santos em Cristo”. Ainda, a exemplo da congregação de Corinto, há entre nós muitos dons. No entanto, apesar de ser “igreja de Deus”, “santos em Cristo” e “milionários em dons”, infelizmente, a exemplo do coríntios, ostentamos a velha natureza.
O povo de Deus prestes a entrar na terra prometida, ouve a sentença divina: “Escolham entre o bem e o mal” (Dt 30.15).
Era um momento crucial na história do povo que após quarenta anos estava por tomar posse da terra que havia sido prometida a Abraão, Isaque, Jacó. Lendo os episódios narrados pelos profetas é fácil saber qual foi a escolha do povo.
Se a escola progride, tudo progride! Se a família progride, tudo progride! Se a sociedade progride, tudo progride! Mas, se cada qual quiser progredir por si mesmo, nada irá progredir.
Os coríntios não podiam ser ensinados além do bê-á-bá não por serem pecadores, afinal, todos são pecadores, mas, porque os mesmos viviam como pecadores. Na sua vida religiosa, mostravam todo amor para com Deus e no dia-a-dia, esqueciam-se do próximo.
Dentro e fora da igreja não havia progresso! O ciúme e as discórdias destruíam a “igreja de Deus, os santos em Cristo...”. O apóstolo Paulo escreve aos coríntios para lhes dizer que o ciúme e a discórdia os apresentavam como carnais.
Não adianta fazer o que os coríntios estavam fazendo, ou seja, não adianta se esconder atrás dos dons, se o maior de todos, a fé, não se revela em amor ao próximo.
Os coríntios tinham uma vida eclesial excelente, mas, consideravam somente as coisas humanas. Buscavam sabedoria, mas a viviam em ciúmes e discórdias.
Todos são iguais no trabalho que prestam a Deus. Quem exerce seu ministério na sociedade, o precisa fazer da melhor maneira. Assim é com aquele que exerce seu ministério na escola e na igreja.
A sociedade em geral irá colher progresso se cada qual realizar o seu trabalho conforme o “Senhor lhe concedeu”. Ninguém pode fugir da sua responsabilidade. Não somos melhores ou piores devido ao nosso serviço, nossa importância está no fato de termos recebido de Deus um serviço para fazer. O resultado, o crescimento vem de Deus.
A sociedade, a escola e a família, precisam da ação de Deus. Essa ação é a mais necessária e importante. Deus age através da sua Palavra e Sacramentos. Deus é o grande trabalhador na igreja, na sociedade e na família. Mas, infelizmente, muitos diante da escolha entre o bem e o mal, optaram pelo mal e estão colhendo seus frutos.
Só em Deus, vivendo a verdadeira fé em Cristo, na certeza do perdão diário é que como ferramentas nas mãos de Deus iremos realizar adequadamente nosso trabalho (1Co 3.10) e assim, a escola, a sociedade e a família irão progredir! Amém.

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A graça no Evangelho!

05 de fevereiro
5º Domingo após Epifania
Sl 112.1-12; Is 58.3-9; 1Co 2.1-12; Mt 5.13-20
Tema: A graça no Evangelho!

Ao ler os textos da Escritura Sagrada fico a imaginar como era a vida dos pregadores de cada época. Por mais que cada época tenha se dado em tempos diferentes, a única diferença está na modernização dos equipamentos, as pessoas, ao contrário, parecem ser sempre as mesmas, rebeldes, desobedientes e duvidosas do amor de Deus. Devido a sua rebeldia, desobediência e dúvida, as pessoas buscam agradar a Deus através de suas maquinações supostamente “cristãs, evangélicas ou católicas”.
O Profeta Isaías em seu tempo alertou o povo de Deus sobre o contraste entre a verdadeira religião e o espírito de formalismo. Entre o verdadeiro cristão e o cristão ex opere operato, (aquele que participa e se envolve religiosamente nas mais variadas programações eclesiásticas, mas, apenas como motivo para receber a retribuição divina).
Ao proclamar: “O Senhor Deus diz: “Grite com toda a força, sem parar! Grite alto, como se você fosse trombeta! Anuncie ao meu povo, os descendentes de Jacó, os seus pecados e as suas maldades. De fato, eles me adoram todos os dias e dizem que querem saber qual é a minha vontade, como se fossem um povo que faz o que é direito e que não desobedece às minhas leis. Pedem que eu lhes dê leis justas e estão sempre prontos para me adorar.” O povo pergunta a Deus: “Que adianta jejuar, se tu nem notas? Porque passar fome, se não te importas com isso?” O Senhor responde: “A verdade é que nos dias de jejum vocês cuidam dos seus negócios e exploram os seus empregados. Vocês passam os dias de jejum discutindo e brigando e chegam até a bater uns nos outros. Será que vocês pensam que, quando jejuam assim, eu vou ouvir as suas orações? O que é que eu quero que vocês façam nos dias de jejum? Será que desejo que passem fome, que se curvem como um bambu, que vistam roupa feita de pano grosseiro e se deitem em cima de cinzas? É isso o que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada?” (Is 58.1-5), o profeta Isaías está registrando a repreensão de Deus de um costume nada espiritual através do jejum. E é justamente nessa prática equivocada de jejum que as pessoas estavam depositando a sua confiança.  
Diante da constatação da falsa espiritualidade, o povo foi convidado a mostrar misericórdia para com os miseráveis. Deus disse: “Não! Não é esse o jejum que eu quero. Eu quero que soltem aqueles que foram presos injustamente, que tirem de cima deles o peso que os faz sofrer, que ponham em liberdade os que estão sendo oprimidos, que acabem com todo tipo de escravidão. O jejum que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes. “Então a luz da minha salvação brilhará como o sol, e logo vocês todos ficarão curados. O seu Salvador os guiará, e a presença do Senhor Deus os protegerá por todos os lados. Quando vocês gritarem pedindo socorro, eu os atenderei; pedirão a minha ajuda, e eu direi: ‘Estou aqui!’ Se acabarem com todo tipo e exploração, com todas as ameaças e xingamentos; se derem de comer aos famintos e socorrerem os necessitados, a luz da minha salvação brilhará, e a escuridão em que vocês vivem ficará igual à luz do meio-dia. Eu, o Senhor, sempre os guiarei; até mesmo no deserto, eu lhes darei comer e farei com que fiquem sãos e fortes. Vocês serão como um jardim bem-regado, como uma fonte de onde não para de correr água. Em cima dos alicerces antigos, vocês reconstruirão cidades que tinham sido arrasadas. Vocês serão conhecidos como povo que levantou muralhas de novo, que construiu novamente casas que tinham caído” (Is 58.6-12).
Através da falsa espiritualidade, assim como os fariseus e escribas, pelo jejum o povo apresentava a si mesmo. A falsa espiritualidade do povo afastava as outras pessoas de Deus. E o desejo de Deus era, é e continuará sendo salvar a todos. Por isso, quer que sua misericórdia através de seus filhos e filhas brilhe como sol do meio dia.
Wayne Jacobsen e Dave Coleman no livro: Por que você não quer mais ir à igreja? respondem à pergunta título esclarecendo que as pessoas não querem ir mais a igreja porque quando pequenas apenas aprenderam a cumprir um mero ritual. Ir à igreja se tornou um hábito saudável. E por mais que as regras e os rituais sejam para muitos algo necessário, lembre-se, nada escraviza mais do que as regras que criamos na expectativa de agradar a Deus. Nenhuma prisão é tão terrível quanto a obrigação religiosa. É necessário abandonar as velhas práticas religiosas que sugerem aceitabilidade pessoal por parte de Deus e redescobrir o verdadeiro evangelho.
A cidade de Corinto que moralmente era mais suja que um chiqueiro, aderiu a ação redentora de Deus não pela sabedoria ou oratória do apóstolo Paulo, mas simplesmente pela loucura do Evangelho e fraqueza da cruz. A mensagem do evangelho foi o poder de Deus que transformou os coríntios. O conteúdo da mensagem da cruz transformou os coríntios em santos diante de Deus (1Co 2.1).
Não importa o quanto realizamos, e se as realizamos na expectativa de conseguir a aprovação de Deus. A única coisa que torna nossas ações agradáveis diante de Deus é aquilo que é realizado pela fé (Hb 11.6).
O povo a quem Isaias proferiu a palavra de Deus dava muito valor ao jejum e por ele buscava o favor de Deus. Após anos de uma prática religiosa completamente equivocada, buscavam em Deus resposta ao não favorecimento aos seus esforços.
Deus respondeu ao seu povo (vv.3 – 5) que toda a prática religiosa visava apenas seu egoísmo. Afinal, pensavam em si mesmos. Iam ao Templo, mas, não aproveitavam para santificar o dia. A ida ao Templo visava apenas momento para seus negócios. Iam ao Templo, mas, escravizavam seus trabalhadores, ao invés de permiti-los participarem da graça de Deus. Mesmo que o dia fosse sagrada, nada poderia atrapalhar seus lucros (Am 8.5). A pratica religiosa do povo era apenas externa.
Por mais esforço, Deus não aprova seus filhos pelas suas práticas religiosas externas. A aprovação está no Filho de Deus, no alto da cruz. Não há nada para fazer para Deus amar mais, Deus simplesmente ama. A certeza desse amor muda a vida humana. A certeza desse amor faz com que a misericórdia de Deus brilhe como o sol do meio dia.
Tenho escutado muitas pessoas, e a maioria se queixa que Deus as abandonou. Há aqueles que dizem: “quando era forte e saudável sempre ia aos cultos e fazia minhas ofertas, hoje, veja como estou”. Essas pessoas sofrem por concluir que elas merecem o favor de Deus por tudo que fizeram.
A essência não está na religiosidade externa, mas na conversão de coração e vida. E para que haja conversão e vida, a Palavra de Deus precisa ser constantemente pregada e entendida de maneira correta.
Infelizmente, para aprisionar seguidores, a própria Palavra de Deus se tornou um manual de regras e deixou de transmitir a mensagem da cruz. Infelizmente a mensagem da cruz passou a ser pregada dentro de parâmetros humanos de racionalidade. Passaram a proclamar Jesus através de comprovação racional (assim, se numa determinada igreja há milagres, é porque lá há fé).
Queridos no Senhor Jesus Cristo! Nenhum sistema racional consegue explicar que o Filho de Deus veio ao mundo e acabou como maldito na cruz para libertar os malditos pecadores. Não existe nenhum discurso brilhante e inteligente para esclarecer tal obra. A graça de Deus se mostra através do Evangelho. E o Evangelho se revela através de atos de amor diários que são realizados sem o objetivo de auto promoção. Deus nos abençoe! Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

29 de janeiro 2017
4º Domingo após Epifania
Sl 15; Mq 6.1-8; 1Co 1.18-31; Mt 5.1-12

Tema: Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

Cada empresa tem sua missão. A missão representa a razão de sua existência.
Em certo sentido, a igreja cristã é uma empresa, mas, não na forma humana e sim divina. 
Como empresa divina a missão da igreja, o que representa sua existência é a mensagem que proclama. E essa mensagem tem como conteúdo a cruz.
Quando se fala sobre a cruz como conteúdo central, sobre o que de fato representa a missão e razão existencial da igreja cristã, depara-se com um paradoxo. Paradoxo com o qual o apóstolo Paulo também se deparou. Afinal, a mensagem da cruz, sinônimo de maldição para os judeus, passou a ser escândalo e loucura.
Nos dias atuais, para muitos, a mensagem da cruz se tornou sinônimo de catolicismo. Tanto que, muitas são as pessoas que se recusam usar um crucifixo, quer seja na ornamentação do corpo ou até mesmo na parede do altar do templo.
Quando o apóstolo Paulo escreve aos coríntios sobre a mensagem da cruz ser loucura e escândalo, é necessário lembrar que essa mensagem era tida como louca e escandalosa pelo próprio Paulo, antigamente Saulo (At 26.10; Fp 3.4-7)
A igreja cristã que tem como missão e característica a mensagem da cruz enfrenta uma crise. Não a crise econômica, mas, a crise que representa o seu maior desafio, a proclamação da mensagem da cruz. Afinal, a mensagem da cruz continua sendo loucura e escândalo para muitos.
A mensagem da cruz que era escândalo para os judeus que identificavam a morte na cruz como maldição, continua sendo ainda hoje para muitos que não a suportam a cruz por se dizerem livres de qualquer coisa que os identifique com o catolicismo. Imaginam esses que a cruz é um símbolo católico e não levam em consideração o fato de que a cruz é a mensagem central da empresa divina, a igreja.
Ao mesmo tempo em que a mensagem da cruz é escândalo, é também loucura. Loucura para os que se perdem. Os que se perdem, não se perdem por não adorarem a cruz. Se perdem por se recusarem a crer na obra realizada por Jesus na cruz.
No sermão do monte, Jesus em suas primeiras palavras anunciadas em seu ministério de pregação, falou sobre os ...que são espiritualmente pobres,...”.  Os “... espiritualmente pobres,...” (v.3) são todos aqueles que não colocam a sua confiança, consolo e segurança nos bens materiais e nem prendem nesse mundo o seu coração. Os “espiritualmente pobres” são aqueles que se reconhecem perdidos e sabem que sua salvação está somente na obra realizada por Jesus na cruz.
Ao anunciar a mensagem de que “felizes são os espiritualmente pobres...” Jesus enfatiza que na “mensagem da cruz,” na obra realizada na cruz, está todo fundamento da vida cristã. É uma mensagem contra a falsa segurança.
Convém lembrar que a “mensagem da cruz” é vital e essencial, pois é o poder de Deus” para salvação. Sendo “poder de Deus,” todos aqueles que se reconhecem pecadores e merecedores da condenação, os “pobres espiritualmente,” não sofrem de orgulho pessoal ou farisaico.
O que salva o pecador é o “poder de Deus” que atua pelo evangelho. A mensagem da cruz, que faz parte da missão e caraterística da empresa divina, não é motivação para o ego humano.
Na cruz, Deus se fez louco para pagar o preço devido pelos sócios de sua empresa. Essa mensagem que advém da cruz é o poder de Deus para santificar as pessoas, mesmo aqueles coríntios que viviam em meio a muita podridão. O evangelho continua sendo o poder de Deus para salvar o pecador, mesmo aquele que vive em meio a podridão do século XXI. 
A mensagem da cruz precisa continuar sendo proclamada. Ela é o poder pelo qual Deus continua agindo nesse mundo. A mensagem da cruz é doce e amável para os discípulos e crentes na obra de Jesus. No entanto, é uma mensagem aborrecedora e insuportável para muitos daqueles que se julgam capazes de se salvar através de suas supostas realizações.
A mensagem da cruz é uma mensagem atual para os espiritualmente pobres.
Quando Jesus iniciou seu ministério de pregação, muitos entendiam que a riqueza apresentava a pessoa aceita por Deus. Ao proferir que Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do céu é delas,” Jesus instrui que os pobres e miseráveis são amados por Deus. Os pobres não são rejeitados nem abandonados por Deus devido a sua condição social. A graça de Deus não se apresenta nas riquezas desse mundo, mas, na mensagem da cruz.
A empresa divina, tem perdido sua missão e a caraterística divina por ser controlada por homens de negócio que pensam e agem humanamente nas coisas terrenas. E por causa das coisas terrenas, a mensagem da cruz, que “não vende, nem traz lucros humanos” é rechaçada.
O diabo, maior concorrente da empresa divina, tem muitas armadilhas para obscurecer a mensagem da cruz. E a maior dessas armadilhas é manter viva e atual a mensagem de que Deus mostra sua aceitação para com o pecador quando o mesmo é rico nesse mundo.
Não é a riqueza desse mundo que mostra o amor de Deus pelo ser humano. A amostra do amor de Deus pelo ser humano está resumida na mensagem da cruz. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

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