sexta-feira, 15 de março de 2013

Sem Jesus - a Igreja é uma ONG piedosa


 
SEM JESUS – a IGREJA é uma ONG piedosa.

         Esse título faz uma paráfrase do primeiro dia de pontificado do novo papa Francisco. Com certeza, é uma frase que a princípio já chama os protestantes Luteranos a uma conversa. Conversa sobre o período da Reforma.
         A Reforma aconteceu numa época em que a sociedade europeia passava por rápidas transformações. A mais importante foi à expansão das cidades. Pelos padrões modernos, as cidades eram pequenas, em torno de 30 a 50 mil pessoas. As poucas pessoas instruídas que viviam nas cidades faziam delas centros da politica e do mundo das ideias. E nesse meio, a nova teologia de Lutero se difundiu através de panfletos impressos nas cidades alemãs. Seus tratados eram lidos por pessoas, que em casa também as liam para seus familiares. A invenção da imprensa com tipos móveis possibilitou a difusão dessa nova teologia rapidamente para um grande público.
         A reforma protestante não nasceu num vazio. Ela surgiu em meio às profundas mudanças ocorridas desde o século XI e acabaram refletindo na teologia. E no período, denominado de idade média, a ênfase teológica já estava completamente mudada e o culto recaiu sobre a crucificação mais do que na alegria da ressurreição.
         A teologia, assim como vem acontecendo nos dias atuais, era muito valorizada como disciplina acadêmica. Na época da Reforma era lecionada por estudiosos respeitáveis na maioria das universidades. No entanto, a escolástica surgida no século XI, que empregava o método filosófico da dialética, (fazendo combinação da autoridade e razão, fé e erudição) estava sendo questionada quando Lutero chegou a Wittenberg. A escolástica teve vida curta, mas não foi menos importante por isso. Chegou ao fim no século XIII com o ocamismo, que dizia que a teologia não era ciência. E diante das muitas faces que a teologia estava aderindo, se tornou forte o rosto do ensino de que o homem é recompensado por dons de graça e que só era real aquilo que era particular ao homem.
         Entre o período antigo e o medieval houve transição de poder. O pontífice era Gregório, o Grande. E esse iniciou o ensino de que o mérito precedia a graça. O objetivo da graça era produzir o amor. Iniciou-se todo o sistema de penitência, por meio de: jejuns, orações e esmolas. Assim, todos podiam mitigar a punição eterna. Com Gregório, os fundamentos da teologia medieval foram lançados. Estava nascendo o cristianismo ocidental.
         Assim como entre a igreja antiga e a medieval, podemos dizer que agora da moderna para a pós-moderna estamos reiniciando com aquilo que no contexto da Reforma foi denominado de “teologia da humildade.” Claro que foi devido a essa teologia da humildade que o jovem Lutero aprendeu a teologia de Agostinho, que eclodiu na Reforma Protestante.
         O cenário no qual temos a Reforma, a igreja em si estava permeada pela piedade popular. E a teologia da piedade só estava permeada e estragando a igreja por que havia sido difundida através do sacramento da penitência, ensinado em sermões e literatura devocional. O povo havia sido ensinado a confessar os pecados que lembravam, e depois fazer expiação de acordo com a tarefa religiosa imposta pelo sacerdote.
         Se Jesus deixou de ser o centro a Igreja não se tornará uma Ong piedosa, ela já é uma ONG piedosa. E foi justamente contra isso que Lutero lutou no período da Reforma. Ele resgatou o verdadeiro ensino do evangelho e buscou fazer com que a Igreja deixasse de ser uma ONG lucrativa e voltar a ser a Igreja de Cristo. Mas quem é capaz de mexer numa fonte de lucro e não ser silenciado? Quem tentou a história respondeu que tentaram silenciar.
         Tirou-se Cristo do centro! De Igreja só restou o nome, pois sua função se tornou apenas a de uma associação. E por ser uma associação, podemos dizer que a mesma está em crise. Afinal, a Igreja Cristã não está em crise. Em crise estão as instituições, as associações, etc. E se há crise na associação chamada igreja, só há uma maneira de superar essa crise, voltar a Cristo, “o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” (1Tm 2.6). Precisamos desassociar de nós mesmos e nos associar àquilo que verdadeiramente é o nosso fundamento, JESUS.
         Deus nos abençoe a continuarmos Igreja Cristã, falando, testemunhando e vivendo Jesus Cristo como nosso salvador, pois o mesmo disse no alto da cruz: “Tudo Está completado!” (João 19.30). E se tudo está completo. Não há necessidade de piedade popular, seja: jejum, esmolas, peregrinar, etc. Afinal, em Cristo tudo está completo! Eu não completo aquilo que já está completo.
         Lembrar de Jesus, de todo o seu sofrimento, é lembrar da seriedade do nosso pecado. Fato esse que as penitências não o fazem. Olhar para Cristo é receber a certeza do perdão, fato esse que as indulgências não davam as pessoas que as possuíam.
         Sem Jesus – a Igreja é apenas uma ONG.
         Com a renuncia do agora Bispo emérito “Joseph Aloisius Ratzinger,” recordo o que eu disse numa sala de aula com 23 alunos num curso de História. “Ouçam bem, após quase 500 anos de Reforma protestante, o mundo novamente ouvirá Lutero.
         E com a frase de impacto dita pelo papa Francisco no dia 14 de março de 2013, “Sem Jesus, a igreja se tornará uma simples ong” Lutero fala o que sempre disse. Sem Jesus não há Igreja. Jesus é o fundamento da Igreja e da nossa fé.
         Abraços
         Em Jesus – o Senhor e Salvador Ressuscitado. E assim como ele ressuscitou, nós também ressuscitaremos.
         Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 12 de março de 2013

Mais uma chance para a evangelização


17/03/13 – 5º Domingo na Quaresma

Sl 126 Is 43.16-21 Fp 3.(4b-7)8-14; Lc 20. 9 – 20

Tema: Mais uma chance para a evangelização

 
        Palavras de Jesus:

... Certo homem fez uma plantação de uvas, arrendou-a para uns lavradores e depois foi viajar, ficando fora por muito tempo. Quando chegou o tempo da colheita, ele mandou um empregado para receber a sua parte. Mas os lavradores bateram nele e o mandaram de volta sem nada. O dono mandou outro empregado, mas eles também bateram nele, depois o trataram de modo vergonhoso e o mandaram de volta sem nada. Então ele enviou um terceiro empregado, mas os lavradores também bateram nele e o expulsaram. Aí o dono da plantação pensou: “O que vou fazer? Já sei: vou mandar o meu filho querido. Tenho certeza de que vão respeitá-lo.”

- Mas, quando os lavradores viram o filho, disseram: “Este é o filho do dono; ele vai herdar a plantação. Vamos matá-lo, e a plantação será nossa.”

- Então eles jogaram o filho para fora da plantação e o mataram. Aí Jesus perguntou:

- E, agora, o que é que o dono da plantação vai fazer? Ele virá, matará aqueles homens e dará a plantação a outros lavradores. Então as pessoas que estavam ouvindo disseram:

- Que Deus não permita que isso aconteça!

Mas Jesus olhou bem para eles e disse:

- As Escrituras Sagradas afirmam: “A pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas.” Quem cair em cima dessa pedra ficará em pedaços. E, se a pedra cair sobre alguém, essa pessoa vai virar pó. Os mestres da Lei e os chefes dos sacerdotes sabiam que era contra eles que Jesus havia contado essa parábola e queriam prendê-lo ali mesmo, porém tinham medo do povo. Então começaram a vigiar Jesus. Pagaram alguns homens para fazerem perguntas a ele. Eles deviam fingir que eram sinceros e procurar conseguir alguma prova contra Jesus. Assim os mestres da Lei e os chefes dos sacerdotes teriam uma desculpa para o prender e entregar nas mãos do Governador romano.

        O que é maravilhoso nessa parábola é a reação do dono da vinha. Pois, quanto mais maldade dos lavradores, mais era o esforço para ganhá-los. Isso não quer dizer que Deus quer a violência contra os seus enviados. Na verdade, com isso, Deus mostra o quanto ama cada pecador por pior que seja.
        O dono da vinha é aquele que continuou tentando, tentando, tentando até que .... Bom! Isso é um assunto que continua, pois o dono que é Deus, continua tentando, tentando e tentado. Ele não desiste dos seus filhos. Continua, a exemplo do Pai esperando a volta do Filho pródigo. E para que essa volta aconteça continua enviando seus profetas para falar, comunicar o seu amor.
        Não podemos se é que somos os lavradores maus, continuar agindo violentamente para com os enviados de Deus e rejeitando os meios da graça oferecidos por Deus.
        Essa parábola faz um alerta: “...Ele virá, matará aqueles homens e dará a plantação a outros lavradores.” E isso indica que tenhamos cuidado, pois, em algumas situações somos como figueiras sem frutos, outras, andando em nossos caminhos errados como o filho pródigo, e em tantas outras oportunidades agimos como os lavradores maus, desprezando o que Deus nos dá gratuitamente.
        Será que estamos em meio à falência da fé cristã? Afinal, na Europa igrejas foram transformadas em danceterias. Pastores, aos milhares, estão abandonando o ministério público da pregação. Leigos e servas estão deixando de atuar na sua vocação diária.
        Os lavadores maus estão levando os bons lavradores a abandonarem a vinha, ou, a não viverem como bons vinhateiros na vinha se ali permanecem. E o pior ainda é que os lavradores maus estão impedindo que as pessoas estejam ou não na vinha, não vejam que o dono da mesma, continua tentando, tentando e tentando.
        Essa sua tentativa sem fim é por amor. Por amor, vem ao nosso encontro, mesmo que a maldade pareça estar dominando. Por amor, não desiste de nenhum de nós. E assim podemos nos perguntar: quantas vezes desistimos quando o Senhor queria tentar mais uma vez? E porque desistimos? Afinal: quantas vezes ele tentou conosco?
        A vinha de Deus, era o povo de Israel, hoje é a igreja cristã espalhada por todo o mundo. Os profetas forma os enviados de Deus, hoje, os enviados sãos os pastores. E a pergunta continua: “E, agora, o que é que o dono da plantação vai fazer?” já que muitos abandonaram a vinha, outros que na vinha estão sendo trabalhadores maus.
        Podemos dizer que a resposta é: matará os lavadores maus e arrendará a outros. Mas não é essa a resposta de Jesus. Ele diz: “As Escrituras Sagradas afirmam: “A pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas.” Quem cair em cima dessa pedra ficará em pedaços. E, se a pedra cair sobre alguém, essa pessoa vai virar pó.
        Conta-se que quando foi construído o templo de Jerusalém, os pedreiros se depararam com uma enorme pedra. Devido ao seu tamanho, peso e forma, os construtores resolveram deixá-la de lado. E assim, foram realizando a obra. Mas, quando chegaram na parte fundamental da obra que era justamente a esquina, a amarração para que a construção fosse sustentada e não caísse, viram que faltava uma pedra em especial. E iniciaram a procura. Procura aqui, ali. Pede aqui e ali e nada. Até que alguém teve a ideia de usar aquela pedra que haviam refugado.
        Para a surpresa de todos foi justamente essa pedra que sustentou toda a construção e se tornou a principal pedra. E essa pedra profeticamente passou a ser simbolizada para se referir à obra de Cristo. Ele foi rejeitado. Mas, sua ressurreição o tornou a principal pedra do edifício de Deus. Sem essa pedra o edifício não seria sustentado e cairia.
        Lavradores maus podem até continuar agindo com violência, mas, será o peso dessa pedra que os esmagará! Mas não hoje! Pois, o hoje ainda é uma chance para o arrependimento. Deus ainda está tentando, tentando e tentando. Ele continua enviando outros profetas para que os lavradores maus se arrependam e se agarrem na pedra que é Cristo para sua sustentação.
        Deus continua tentando, pois ama seus filhos e filhas e deseja a salvação de todos. E esse amor é o amor que leva a igreja, a composição de lavradores, para que continuem dando chance à evangelização.

Edson Ronaldo Tressmann

Cristo_para_todos@hotmail.com

terça-feira, 5 de março de 2013

Parábola de um filho que volta para casa

10/03/13 – 4º Domingo na Quaresma
Sl 32 Is 12.1-6 2 Co 5.16-21; Lc 15. 1 – 3, 11 – 32
Tema: Parábola de um filho que volta para casa

         Somente o evangelista e pesquisador Lucas registrou essa parábola. No entanto, creio eu, até mesmo por causa de músicas sertanejas, é uma das parábolas mais conhecida. Quem não se lembra dela quando um filho vai embora?
         Ao mesmo tempo em que a parábola é conhecida, acredito que seu verdadeiro ensino muitas vezes é negligenciado e não conhecido por todos. Jesus e Lucas inspirado pelo Espírito Santo em seu propósito quer ensinar que, para o filho arrependido, há um Deus de braços abertos pronto para perdoar e dar a oportunidade para reiniciar.
         Com a leitura da parábola facilmente encontramos três personagens. O pai e seus dois filhos.
         Cada um desses possui características importantes e essenciais para nossa compreensão do texto.
         O filho mais moço: Acredito que esse seja o mais conhecido. Ele se deixou levar pela suposta facilidade de uma vida independente do pai. Fez os cálculos e concluiu que com a parte da herança podia deixar o lar paterno e viver em outro lugar tranquilamente. E poderia mesmo, a questão é que seu erro foi procurar viver independente do pai. E querendo ser independente do pai acabou se perdendo nos caminhos da vida.
         O filho cobiçoso por uma vida independente julgou que sua vida longe da casa e do pai era melhor. Pois, poder sair à hora que quisesse, chegar quando quisesse, não ter que prestar contas de onde estava e com quem estava e o que comprava era a melhor vida que alguém poderia ter. E assim, buscando viver sua independência do pai saiu de casa.
         O pai, sempre cauteloso, amoroso, mas também educador, sabia que seu filho iria voltar. Pois, ninguém vive uma vida independente do pai. E assim, a imaturidade do filho mais novo o levou a consumir toda sua herança e por falta de administração e palavras amigas e sabias do pai, acabou perdendo tudo.
         O filho mais velho: é o terceiro personagem em nosso texto, mas o segundo que queremos observar. Esse é o tipo de filho que todo pai quer ter. Era trabalhador. Sempre ao lado do pai. Mas, como “nem tudo que reluz é ouro ele tinha um problema. Era duro de coração. Era alguém que devido a sua moral, estava chateado com a volta do irmão. Afinal, quem em são consciência faria uma festa para receber de volta um filho que desperdiçou tudo.
         O pai: Só o fato de que quando seu filho estava vindo, e ainda longe da casa, o pai lhe avistou mostra uma das suas principais características: amoroso. O correr e abraça-lo e nem sequer querer saber o que havia feito o torna exemplo de amor.
         Outra característica desse pai é sua compreensão e sensibilidade para com seus dois filhos. Ele não trata nenhum de maneira diferente, assim como podemos concluir numa primeira e rápida leitura. Aos seus dois filhos quer ensinar que ambos, tanto o que esbanjou tudo e voltou maltrapilho, bem como aquele que sempre esteve ali ao seu lado, são completamente dependentes dele. E nesse amor e dependência podem viver suas vidas tranquilamente.
         Essa parábola tem como pano de fundo a acusação de pessoas, que a exemplo do filho mais velho se julgavam merecedores de maior atenção e destaque. O versículo 2 diz: “Os fariseus e os mestres da lei criticavam Jesus, dizendo: - Este homem se mistura com gente de má fama e toma refeições com eles” (Lc 15.2). 
         E diante dessa observação do filho mais velho, os que “supostamente” sempre estiveram em casa, trabalhavam pelo reino de Deus, Jesus conta a parábola do filho perdido. E com esses personagens quer ensinar que ali diante dele, estavam os dois filhos. O maltrapilho, as prostitutas, pecadores, cobradores de impostos, etc. E também o filho mais velho, os fariseus, mestres da lei, publicanos, etc. E em Jesus, o Pai, recebia o pecador maltrapilho de volta, mas não deixava de amar o filho mais velho. O filho mais velho que não queria aceitar o amor que o pai dispensava ao seu irmão mais novo.
         Diante desses dois filhos, Jesus, chega ao ponto alto da parábola. A real diferença entre os irmãos. E ambos estão ali diante de Jesus.
         O filho mais moço: os pecadores, publicanos, samaritanos e gentios. Esses viveram boa parte de suas vidas longe da casa do pai. Não haviam sido socorridos e acabaram tendo que cuidar de porcos.
         Eis um detalhe enriquecedor ao nosso texto, “cuidar de porcos.” Os judeus considerarem os porcos animais impuros segundo a lei dada por Deus a Moisés, Lv 11. 7 – 8. Cuidar de porcos era o trabalho mais desprezível. E o pior, era que, se não podia nem tocar neles, imaginem querer dividir com eles a comida?
          Isso ilustra bem a situação a qual chegou aquele filho, o irmão mais novo. O irmão mais velho, os fariseus, escribas estavam dizendo que segundo a lei, eram deveriam ser desprezados, eram nojentos e haviam cuspido na lei de Deus, ao querer dividir com os porcos a comida.
         Jesus, com amor e carinho, lembrando que a característica do pai além de amor é compreensão e sensibilidade, diz ao filho mais velho, os fariseus e escribas, que foi diante dessa situação desesperadora que o filho mais novo caiu em si e procurou voltar para a casa do pai. E só voltou por saber aquilo que o mais velho ainda não havia aprendido: o quanto o pai ama seus filhos.
         Esse amor desconhecido pelo filho mais velho o estava levando a agir com orgulho e arrogância. Mesmo distante de casa, o filho mais novo se lembrou do pai amoroso que havia deixado. E confiante nesse amor, teve forças para voltar.
         O amor do pai é demonstrado com uma das mais belas figuras de amor na Bíblia. Diz o texto: “- Quando o rapaz ainda estava longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho, correu, e o abraçou, e beijou” (Lc 15.20). O pai estava ansioso pela volta do filho ao contrário do seu irmão mais velho.
         Diante do seu público, diante dos dois filhos de Deus, é como se Jesus estivesse dizendo: “Além de não socorrerem seus irmãos necessitados, não querem que o próprio Pai lhes acolha em seu próprio reino. Parem com isso, vejam o enorme amor do Pai. E não só para com eles que esbanjaram tudo, mas também com vocês.
         Lucas em sua pesquisa escrita a Teófilo deseja mostrar que Deus veio para acolher o pecador. E justamente é como pecadores que precisamos nos aproximar diante de Deus. Não adianta querermos nos justificar dizendo que ha muitos anos servimos a Deus na igreja. A que ha muitos anos fomos ofertantes fiéis. O que nos impulsiona ao serviço com alegria e a nossa volta diária a Deus é conhecer o seu amor. E amor de Deus é belissimamente narrado por Paulo: “Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado” (Rm 5.8).
         O amor do pai é demonstrado também quando o pai lhe devolveu a dignidade de filho colocando-lhe o anel no dedo. Esse filho que havia esbanjado sua parte passava novamente a ter direitos na outra parte que havia sobrado.
         Todo o esse amor do pai com seu filho mostrado na parábola é a demonstração do amor de Deus a cada um de nós seus filhos e filhas. O amor do Pai para conosco está manifestado no envio de seu Filho Jesus que ocupou o nosso lugar na cruz. Pois, por mais que tentemos, não conseguimos cumprir uma linha da lei de Deus, por mais que estejamos na igreja. E ele, assim como fez com seu povo no deserto em 40 anos de caminhada, quer mostrar a nós que somos e precisamos ser completamente dependentes dEle em Jesus.
         Este texto conhecido como “parábola do filho pródigo” pode muito bem ser denominado como “parábola do pai misericordioso.” E esse amor é direcionado de igual maneira aos seus dois filhos. O problema não é o pai, é o filho. E justamente por amor, Jesus está chamando o filho mais velho, mesmo que na igreja, para perto dEle, para que se abrigue e sirva por amor e nesse amor acolha seu irmão mais novo. É um convite ao arrependimento.
         Ao se deparar com a inveja do filho mais velho, o pai não recrimina. O pai lhe faz um maravilhoso convite para que entre e participe da festa. E aqui, o filho é chamado ao arrependimento, quando diante do convite seu pensamento deve ter sido: “Mas como participar de uma festa onde está esse vagabundo. Eu não posso. Ele estragou tudo.
         Diante desse exame de consciência feito através do convite para participar da festa o pai sabendo da reação do filho mais velho, acaba lhe explicando que o motivo da festa não é aprovação quanto ao erro do irmão mais novo. A festa é porque o filho mais novo conseguiu ver o quanto era amado pelo pai. Ele só voltou por ter conhecimento do amor do pai. E o pai quer que seus filhos o conheçam pelo seu amor.
         O filho mais velho é uma pessoa justa, correta em seu viver, perseverante. Mas, infelizmente é incapaz de aceitar a volta do irmão e principalmente o amor do pai. E esse é o problema do filho mais velho. E é desse problema que Jesus quer curar os fariseus e mestres da lei que o questionaram.
         Qualquer semelhança é mera coincidência. Mas, somos semelhantes ao filho mais velho. Inúmeras vezes não aceitamos no nosso meio aqueles que voltam e clamam por perdão. E essa atitude é vivida também em casa quando não conseguimos perdoar o marido, a esposa, o filho, a mãe, o pai, etc.
         Qualquer semelhança é mera coincidência. Mas, somos semelhantes aos dois filhos. Por hora somos filhos novos, que com imaturidade desperdiçamos a vida que Deus nos dá em meio a nosso abuso da liberdade cristã. Outras vezes somos filhos mais velhos, criticamos, julgamos e não aceitamos o mais fraco na fé.
         Mas, a boa noticia é que: quer sejamos o filho mais novo, quer sejamos o filho mais velho, nosso Pai é amoroso. E nesse amor está de braços a abertos para nos perdoar e nos restituir como seus verdadeiros filhos. Nesse amor nos convida à alegria com aqueles que estavam perdidos e voltaram ao lar.
         Quando a IELB até 2014 quer comunicar a vida, ela o faz para que tantos outros conheçam esse Deus amoroso e misericordioso. Pois, muitos ainda não conhecem dessa maneira. Temos milhões de filhos mais velhos que se julgam melhores do que são e se esqueçam de depender do amor desse Pai. Há milhões de filhos mais novos que estão desperdiçando suas vidas e que precisam encontrar o caminho de volta. Mas para isso, precisam recobrar sua memória e perceber o quanto o Pai lhes ama.
         Filho longe do Pai é vida com fome. Na semana passada, com o texto de Lucas 13. 1 – 9, aprendemos sobre a adubação para a produção de frutos. E numa adubação correta e eficaz os frutos são naturalmente produzidos. Os filhos, mais novos e mais velhos, precisam estar em casa, junto ao Pai. Não podemos nos satisfazer apenas com 33% da participação dos nossos membros em nossos cultos e estudos bíblicos. Não podemos também continuar com nossa mentalidade de irmão mais velho. Querendo barrar o irmão mais novo que quer voltar a sua casa. A volta do filho mais novo para casa é a imagem do pecador que percebe que só pode ser feliz na casa do seu pai. O filho mais velho é a figura daquele que esquece que estar com Deus é uma honra imerecida.
         Que nossos corações estejam alegres por estarmos na companhia do nosso Pai misericordioso. Que essa mesma alegria seja visível para com o nosso irmão que está de volta. E que esperemos com muita ansiedade pela volta daquele que está perdido e que o recebamos de braços abertos quando voltar à casa do seu Pai. Amém!
Pr Edson Ronaldo Tressmann
cristo_para_todos@hotmail.com

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Parábola da Figueira sem fruto


03/03/13 – 3º Domingo na Quaresma
Sl 85; Ez 33. 7 – 20; 1Co 10. 1 – 13; Lc 13. 1 - 9
Tema: Parábola da figueira sem fruto.

         Temos para nosso estudo nesse culto o relato que Jesus, o Filho de Deus, fala sobre o Pai, o dono da vinha, e que por três anos esperou a produção de frutos de uma figueira.
         A ênfase no fato do dono estar indo durante 3 anos procurar frutos e não encontrar é justamente para mostrar o quão assustador era a situação. A produção de frutos numa figueira acontece após três anos de plantada. E estando indo procurar por três anos e não tendo encontrado, mostra que realmente estava ocupando a terra inutilmente. Pois, tudo já havia sido feito, já era tempo de produzir. A melhor alternativa era cortar fora. Durante 6 anos, aquela figueira estava ocupando a terra inutilmente. Estava tirando os nutrientes das outras plantas e não produzindo nada.
          Por que ocupar a terra inutilmente? Corte-a! A pergunta e a resposta são atuais ao nosso mundo empreendedor. Mas, o que de fato muda a situação é o pedido do responsável: “eu vou adubá-la e se não produzir frutos corte-a”. Dê-lhe mais uma chance. Mais uma! Apenas uma!
         O pedido foi feita pelo próprio filho do dono, que era o único que podia negociar uma nova chance junto ao Pai.
         Sendo a figueira uma planta que suga muito a terra, roubando proteínas que poderiam ajudar outras plantas na sua produção, é necessário que esteja plantada em boa terra, ou que seja muito bem adubada. Para isso, requer-se que o dono faça um grande investimento. Seja na compra de uma terra fértil ou na adubação de uma terra inferior.
         No contexto bíblico essa informação é importante. O antigo testamento não fala em adubar a vinha, a única referência no profeta Isaias (5.1) é que Deus tinha sua vinha num vale fertilíssimo. E se estava plantada em terra boa, a adubação era desnecessária, mas não a produção de frutos. No entanto, a produção foi de uvas bravas.
         O evangelista Lucas é o único a relatar essa parábola, fazendo referência direta a atitude negativa de Israel e seus líderes, assim como anunciado pelos profetas Isaias (5.1) e Jeremias (2.21; 8.13).
         Lucas destaca que esse episódio ocorreu durante a viagem de Jesus para Jerusalém. Esse relato sobre a figueira que não está produzindo fruto quer nos ensinar sobre o pecado e o arrependimento.
         O versículo 3 diz: “..., se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram” e no versículo 5 “..., se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram.
         A fé sem frutos é coisa morta. Com essas palavras somos chamados a deixar de lado a nossa comodidade humana.
          Já que a figueira está ocupando inutilmente a terra, o dono quer cortá-la. Mas, o viticultor, o filho do dono, Jesus, intercede pela figueira pedindo-lhe mais uma chance.
         Isso é que torna essa parábola Impressionante. Mesmo que não há frutos, e sabendo da necessidade do mesmo, o filho intercede por ela.
         A intercessão do Filho pela figueira fez com que o Pai, o dono, lhe desse mais uma chance. Por causa da intercessão de Jesus recebemos mais um ano para continuarmos sendo capacitados. E Jesus dá a garantia da capacitação, pois vai continuar nos adubando mesmo que não tenhamos produzido frutos em anos anteriores. Ele não deseja que sejamos cortados. Na verdade, Jesus nos dá a fé e faz como que operemos de acordo com a fé. Ele dá e fortalece a fé e nos dá oportunidades para mostrar essa fé.
         Junto a sua intercessão vem a promessa da adubação. Adubação realizada pela Pregação da Palavra e do recebimento do Sacramento do Altar. Com isso, o nosso dono espera a produção dos frutos.
         O apóstolo Paulo disse na sua carta aos cristãos da Ásia Menor: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Em Cristo Jesus somos capacitados a realizar boas obras. As boas obras procedem da fé. Procedem da adubação que Jesus realiza em nós pelos seus meios da graça. O adubo usado é da melhor qualidade, certificada pelo INMETRO Divino. No entanto, infelizmente, observamos que em vez de crescermos em boas obras, estamos deixando que a nossa velha natureza nos guie e não realizamos as boas obras que Deus espera. Assim nos tornamos negligentes na prática da obra na igreja, na sociedade e na família.
         Estamos nos tornando negligentes no trabalho na e pela igreja; negligentes na prática da oração; em nossas ofertas para o reino de Deus; no trabalho evangelístico; etc.
         Mesmo diante da procura dos frutos e não os tendo encontrado, Jesus intercedeu e intercede por nós e garante que por mais um ano estará nos adubando para que os frutos sejam produzidos.
         Jesus em seu amor e misericórdia está nos adubando constantemente com a Pregação da PALAVRA, com seu CORPO E SANGUE dados com e sob o pão e o vinho. O adubo é o melhor de todos. Mas porque os frutos muitas vezes não são encontrados? E pensando por um momento naqueles que pelos meios da graça fazem a adubação: Como estamos adubando? Ou o que poderiamos fazer para que esse adubo chegue a mais pessoas?
         Os frutos só podem ser produzidos em Cristo: “Como, porém, em tudo, manifestais superabundância, tanto na fé e na palavra como no saber, e em todo cuidado, e em nosso amor para convosco, assim também abundeis nesta graça” (2Co 8.7) e: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus” (2Co 9.8-11). Por isso: “... não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.9-10) e: “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos” (Tt 3.14) pois, “Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens” (Tt 3.8).
         Os frutos não são para a nossa salvação, eles são reflexos da nossa salvação. Eu não vejo ninguém atrás de uma árvore, mas pela sombra da pessoa observo que há alguém atrás da árvore. Assim é o fruto produzido pelo cristão: “Eu sou a videira, vós, os ramos permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (Jo 15.4-5).
         O fruto só é produzido naquele que está em Jesus. Fora de Jesus, podem até existir boas iniciativas e feitos, mas, os mesmos não têm valor diante de Deus. Frutos agradáveis a Deus são produzidos pela fé em Jesus.
Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queima” (Jo 15.6).
         As boas obras não salvam, mas, não podemos simplesmente cruzar os braços e dizer que não queremos fazer o que Deus espera que façamos, por isso a advertência do apóstolo Tiago: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tg 2.24).
         Tiago quer despertar as consciências ociosas e seguras em sua fé morta. Os de fé morta são as pessoas que se dizem cristãs, mas não produzem frutos.
         A vida cristã é uma vida vivida numa pista de mão dupla assim como diz o autor a carta aos Hebreus: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala. Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé. Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa” (Hb 11.1-11).
         Na fé se produz frutos.
         Jesus intercedeu por nós, figueiras fracas e sem frutos. Mas, ao mesmo tempo amados pelo Filho do dono que continua nos adubando para podermos produzir os frutos necessários para o nosso bem, do nosso próximo e para honra e glória de Jesus. Amém!
Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capacitados para entender nossa maior necessidade

24/02/13 – 2º Domingo na Quaresma
Sl 4; Jr 26. 8 - 15; Fp 3. 17 – 4.1; Lc 13. 31 - 35
Tema: Capacitados para entender nossa maior necessidade.


         Nós luteranos somos muito críticos. Não vou dizer que isso em si é ruim. Acredito que isso até nos ajuda em certo sentido. O problema é que, olhamos demais para os outros e apontamos para suas falhas e defeitos. Assim exaltamos a nossa qualidade naquele determinado assunto.
         Para que possamos fazer uma analise da nossa congregação e paróquia, respondamos sinceramente: Qual é a nossa maior necessidade?
         Talvez pensemos em dinheiro, afinal nossa caixa anda negativo. Cultos mais dinâmicos. Quem sabe um pastor melhor, mais jovem, músico, simpático, etc. Capacitados para entender nossa maior necessidade.
         Essa questão eu não quero responder de bate pronto. Espero que cheguemos juntos a conclusão de parte desse tema. Para isso iremos dar uma boa olhada nos 4 textos bíblicos propostos para esse culto.
         Primeiramente:
         Salmo 4 ... alguns destaques.
         O Sl 4 e o Sl 3 são de Davi. Os títulos são idênticos. Só há uma mudança no final do salmo. Confiança em Deus na adversidade, ... na angustia.
         Davi está fugindo devido à revolta de seu filho Absalão. E em meio a essa situação, ele se mostra verdadeiramente confiante em Deus, a ponto de dizer: “em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro” (Sl 4.8).
         Dormir sossegado em meio a perseguição. Isso só é possível na fé em Deus. E esse é o testemunho do salmista.
         Davi é testemunha fiel de Deus. Sempre ouviu a respeito dos atos poderosos de Deus em favor do povo. E além de ouvir, inúmeras vezes sentiu os atos poderosos de Deus. Ele foi escolhido para ser rei ainda jovem. Deus lhe concedeu vitórias em muitas batalhas. E diante dos atos poderosos de Deus, Davi não se cala, não esconde sua confiança.
         Quando queremos responder a questão de qual é a nossa maior necessidade, em segundo lugar precisamos olhar para o texto do profeta Jeremias 26.
         O profeta Jeremias já estava atuante em seu ministério profético por 20 anos. E ali no pátio do templo depois de “anunciar o que Deus ordenou” foi ridicularizado pelos sacerdotes e pelos falsos profetas. Mas, não se intimidou, continuou falando da parte de Deus àquilo que Deus lhe enviou para falar.
         A ridicularização e a opressão não intimidaram o profeta que não se cansava de falar sobre os atos poderosos de Deus, tanto os do passado, quanto os do presente como os do futuro.
         O próprio chamado do profeta  já havia sido um ato poderoso de Deus. Então porque se calar? Nada motivaria o profeta a se calar.
         Quando queremos responder a questão de qual é a nossa maior necessidade, em terceiro lugar precisamos olhar para o texto de Filipenses 3. 17 – 4.1.
         Na sua carta aos filipenses, o apostolo Paulo, entre os agradecimentos pela ajuda, procura esclarecer sobre o cuidado que eles precisavam ter com o falso ensino.
         Os cristãos da cidade de Filipos estavam começando a aceitar o ensino de que não havia necessidade de responsabilidade com a vida secular.
         Falsos mestres estavam semeando a mentira de que os cristãos por serem cidadãos dos céus não precisavam se comprometer e nem ter responsabilidades com as coisas nesse mundo. E diante dessa falsificação bíblica, Paulo transmite o verdadeiro ensinamento de Deus, apontando aos cristãos que já somos salvos por aquilo que Jesus fez na cruz, mas ainda não estamos no céu.
         Em meio às coisas ruins desse mundo, as tragédias, a corrupção, nós, como filhos de Deus, herdeiros do céu, somos chamados a ter uma postura ética e social nesse mundo.
         Enquanto nesse mundo, não podemos nos abster dos problemas sociais. Como cristãos precisamos viver uma vida ética em meio às corrupções, uma vida de agente social em meio às dificuldades que as pessoas enfrentam.
         Quando queremos responder a questão de qual é a nossa maior necessidade, em quarto lugar precisamos olhar para o texto do evangelho de Lucas 13. 31 – 35.
         Jesus Cristo está dando testemunho de si mesmo. E em minha opinião é um dos mais belos retratos do amor de Jesus para conosco pecadores. Ele se compara a uma galinha que cuida de seus pintinhos. A galinha além de abrigar seus pintinhos na chuva, ela também procura comida para que os seus fiquem bem alimentados.
         E esse testemunho é feito diante de alguns fariseus simpáticos a pregação de Jesus. Esses o haviam alertado para que não fosse para Jerusalém, pois corria perigo de morte. E mesmo que estivesse sendo alertado, Jesus aproveita o ensejo para testemunhar: “Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém” (Lc 13.33).
         Mesmo sendo alertado, Jesus sabia que estava indo para Jerusalém para sofrer e morrer. Jesus sabe que precisa ir, pois, Ele é o sacrifício agradável a Deus.
         Capacitados para entender nossa maior necessidade.
         Qual e a relação entre todos os textos? Qual é o tema que aparece nos quatro textos lidos e apresentados hoje?
         Coragem para testemunhar. Relembremos Davi, Jeremias, Paulo que convida a uma vida de testemunho e ainda Jesus.
         Carecemos de testemunhas pessoais do amor de Cristo.
         Jesus na cruz gritou o grito da vitória, o qual daqui alguns dias, iremos novamente ouvir e comemorar: “Está Consumado!
         A obra está realizada. Nós agora somos do Pai. Esse grito não pode ser calado. E nós somos enviados para comunicar esse grito a milhares de pessoas que carecem ouvi-lo.
         Capacitados para entender nossa maior necessidade.
         Que cheios de coragem, assim como Davi, Jeremias, Paulo e Jesus testemunhemos para todos sobre o nosso Senhor Jesus. Pois, se ao criticarmos os outros em determinado assunto, saibamos que na questão do testemunho estamos sendo falhos, mas somos justamente nós que muito somos amados por Deus e temos uma enorme bênção para testemunhar, JESUS É O SALVADOR. Ele é a galinha que nos abriga em suas asas. Amém!

Pastor Edson Ronaldo Tressmann
cristo_para_todos@hotmail.com

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Capacitados a nos abrigar na sombra do Altíssimo

17/02/13 – 1º Domingo na Quaresma
Sl 91. 1 - 13; Dt 26. 1 - 11; Rm 10. 8b - 13; Lc 4. 1 - 13
Tema: Capacitados a nos abrigar na sombra do Altíssimo


         Em muitos lares encontramos a Bíblia aberta nesse Salmo ou em quadros de porcelanas.
         São belas as palavras desse salmo, mas infelizmente, muitos equivocadamente a usam de maneira mágica.
       Lutero diz que esse salmo é de conforto e nos anima a confiarmos em Deus em tempos de necessidade e tentação.
         O salmo 91 tem como pano de fundo o Primeiro mandamento. Qual é o primeiro mandamento?Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses diante de mim.
         O que proíbe esse mandamento? Proíbe a idolatria.
         O que é idolatria? Culto prestado a ídolos com amor e paixão exagerada.
         O Catecismo Menor do Dr. Martinho Lutero descreve a idolatria como adoração a uma criatura como si fosse realmente Deus (idolatria grosseira), e ainda, amar e confiar mais em criaturas do que em Deus (idolatria disfarçada). E diante dessas manifestações de idolatria, podemos citar as palavras de Jesus: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28).
         O que ordena o Primeiro mandamento? Confiar em Deus acima de todas as coisas. E confiando em Deus somos capacitados a nos abrigar na sombra do Altíssimo.
         O salmo 91 é o comunicado de Deus que manifesta a certeza do seu cuidado e sua proteção.
         A figura apresentada pelo salmista é a de um hospedeiro. E pelos costumes orientais, tendo esse hospedeiro, o hospede têm a garantia da proteção integral. E sabendo que Deus é o hospedeiro, o salmista diz que “aquele que procura segurança” a encontra.
         Na sombra de Deus, que é defensor e protetor, o salmista se abriga. E além de encontrar proteção para os perigos, o salmista também encontra um Deus carinhoso que o cobre com suas asas.
         O que chama à atenção na leitura do salmo 91? v.9 e 10 “Pois disseste: O Senhor é meu refugio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará a tua tenda”.
         Nenhum mal pode cair sobre você. Nenhum Mal? Parece haver uma contradição nessa parte das Escrituras. Pois, se de um lado o salmista diz que “nenhum desastre lhe acontecerá, e a violência não chegará perto da sua casa” de outro lado temos Jesus que ao ensinar a orar, disse: “Mas livra-nos do mal.Se devemos pedir para que Deus nos livre do mal, como o salmista diz que “...Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará a tua tenda”? Esse é o ponto crucial. Não podemos fazer dessas palavras algo mágico.
         Eu vejo muitos filhos de Deus, cristãos sinceros, que segundo o nosso ponto de vista passam por maus bocados. Há cristãos acamados há anos. Há os que perdem entes queridos em desastres. Há os que sofrem.
         No entanto, cabe-nos entender que tudo o que acontece, seja bom ou ruim aos nossos olhos, sobrevêm sobre nós com a permissão de Deus. Mas, será que Deus permite também a tragédia? A dor? O sofrimento? Deus não é amor?
         O Deus apresentado pelo salmista, mesmo como o protetor de todos os perigos e amoroso, não é apenas um Deus que permite coisas extraordinariamente boas aos nossos olhos. Ele também permite coisas ruins em nossa vida. E essas coisas ruins em nossa vida é a boa tentação para o nosso próprio bem. Quantas vezes quando estamos em maus bocados, somos aconselhados a buscar auxilio em outros meios que Deus condena: benzedura, macumba, etc. E assim como diante do ruim, Deus somos tentados para o bem, o nosso inimigo se aproveita para nos tentar para o mal, ou seja, nos desviar de Deus, nos conduzir a crenças falsas e desespero. Então tanto as palavras do salmo como a oração de Jesus é um convite para confiança em Deus, a nossa sombra protetora.
         O salmista quer nos capacitar a nos abrigar debaixo da sombra do Altíssimo. E mostra que a vida debaixo da sombra do Altíssimo é uma vida de refugio e segurança. Não importa se estamos enfrentando acontecimentos ruins e trágicos em nossa vida. O que nos importa é que estamos abrigados a sombra do Altíssimo. E abrigados a sombra do Altíssimo podemos testemunhar como o apóstolo Paulo aos cristãos romanos: “Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com seu plano” (Rm 8.28), Elifaz a Jó: “Vez após vez Deus salvará você do perigo e não deixará que nenhum mal lhe aconteça. Em tempo de fome, Deus não deixará que você morra e em tempo de guerra ele o salvará da espada. Ele o protegerá das más línguas, e você não terá medo quando houver destruição. Você se rirá quando houver violência e faltarem alimentos e não terá medo dos animais selvagens. Nos seus campos as pedras não estorvarão o arado, ... Na sua casa você viverá em paz e, quando contar as suas coisas, não vai achar falta de nada” (Jó 5. 19-24) Paulo ao jovem pastor Timóteo: “O Senhor me livrará de todo o mal e me levará em segurança para o seu reino celestial. A ele seja dada a glória para todo o sempre! Amém!” (2Tm 4.18).
         O salmo 91 nos apresenta palavras de consolo e nos anima a confiar em Deus em tempos de necessidade e tentação. Pois vivendo na sombra do Altíssimo estamos seguros e protegidos.
         Capacitados a nos abrigar na sombra do Altíssimo.
         Quem mora em uma região muito quente, ou até mesmo, nesse período de verão, sabe da importância que têm uma sombra. A sombra refresca, tranqüiliza e dá alivio. E esse refresco, tranqüilidade e alivio temos a sombra do Altíssimo, pois Deus através do salmista nos quer transmitir suas promessas. E são essas promessas que nos aliviam e consolam. Quais são essas promessas? Além da proteção e do cuidado, os vv. 14-16 enumeram: Salvação; resposta aos pedidos; estar ao nosso lado nas horas de aflição; livramento e vida longa (eternidade).
         O profeta Isaías descreve (46.1-4) que os deuses são carregados nas costas pelos seus seguidores. E nessa situação, Deus comunica: “...Desde que vocês nasceram, eu os tenho carregado; sempre cuidarei de vocês. E, quando ficarem velhos, eu serei o mesmo Deus; cuidarei de vocês quando tiverem cabelos brancos. Eu os criei e os carregarei; eu os ajudarei e salvarei” (Is 46.3b–5). Se devido a nossa velha natureza somos tentados a carregar outros deuses acabamos por tomar o nome de Deus em vão.
         Mas, ao contrário disso, Deus pelo seu profeta anunciou e anuncia que em seu amor nos carrega no colo e protege. E conforme o salmista essa proteção e cuidado está embaixo da sombra do Altíssimo. A sombra está a nossa disposição. Deus nos ama tanto que continua nos esperando para nos abrigar embaixo dele. Ele nos ama e no seu amor oferece a sua sombra.
         Vivendo a sombra do Altíssimo, conhecendo seu cuidado e proteção, seu amor, seu carinho, só nos resta louvar a Deus testemunhando que “...,aprendi a viver satisfeito com o que tenho. Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo o lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco. Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação” (Fp 4.11b-13).
         Abrigados à sombra que é Cristo não se sofre o efeito dos raios ultravioletas e não se chega à exaustão a ponto de sofrer o dano eterno. Em Jesus recebemos a preciosa chance de não sofrermos a conseqüência desastrosa do pecado que é a perdição eterna.
         O Primeiro mandamento nos ensina a confiar em Deus acima de todas as coisas. O Salmo 91 nos apresenta palavras de consolo e ânimo. E esse consolo e ânimo nos levam a confiar em Deus nos momentos de dificuldade e tentação. Por isso, digamos com o salmista: “A pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do todo poderoso pode dizer a ele: ‘Ó Senhor Deus, tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em ti.” Amém!

Pr Edson Ronaldo Tressmann
cristo_para_todos@hotmail.com

A morte diária do ego! (Mt 16.21-28)

  30 de agosto de 2026 Próprio 17 – Décimo Quarto Domingo após Pentecostes Salmo 26; Jeremias 15.15-21; Romanos 12.9-21; Mateus 16.21-28...