segunda-feira, 14 de julho de 2025

A melhor parte não será tirada!

 20 de julho de 2025

Sexto Domingo após Pentecostes

Salmo 27. 7 – 14; Gênesis 18. 1 – 10ª; Colossenses 1. 21 – 29; Lucas 10. 38 – 42

Texto: Lucas 10.38-42

Tema: A melhor parte não será tirada!

 

Após conversar com o intérprete da lei, Jesus e seus discípulos seguem sua caminhada. Um fato ocorrido nessa caminhada é narrado apenas pelo evangelista Lucas. E essa história têm uma preciosa lição.

Eram dias em que a oposição contra Jesus aumentava, tanto que o intérprete da lei queria conseguir alguma prova contra Jesus (Lc 10.25). As autoridades judaicas já planejavam a prisão e a condenação de Jesus. Em meio a isso, Lucas narra um breve relato de uma família que acolhe Jesus (Jo 12.1-8).

Ao hospedar Jesus e seus discípulos, a correria foi intensa. Era preciso se dedicar ao preparo da comida e isso era exaustivo. E em meio a essa correria e preocupação em preparar tudo, qualquer mulher iria chamar a atenção de sua irmã. Afinal, ficar ouvindo um homem e deixar a outra preparar tudo sozinha era inaceitável.

Em tempos em muitas pessoas estavam rejeitando a mensagem de Jesus e outros se tornando opositores, esse breve relato do Marta e Maria muitos nos exorta.

Essas duas mulheres, com personalidades diferentes, amavam Jesus. O evangelista João (Jo 11.5) destaca que Jesus também amava Marta, Maria e Lázaro.

A personalidade dessas duas mulheres não é destacada apenas aqui nesse relato de Lucas, mas também no relato do apostolo João (Jo 11.17ss), no momento de luto, onde Marta também é ativa e Maria contemplativa.

O relato de Lucas 10 visa enfatizar sobre o verdadeiro descanso em meio a correria. Como dedicar-se em ouvir Jesus, mesmo que haja muitas coisas importantes e necessárias para fazer.

Recordemos aqui o terceiro mandamento, onde Deus deixa claro que em meio a correria, é preciso ouvir sua Palavra. Afinal, ouvir a Palavra de Deus é santificar o dia do descanso. Ou seja, relaxar é ouvir o que Deus têm a me dizer em meio a correria e preocupação.

Marta não está errada em servir e querer oferecer a melhora comida e a melhor recepção. Seu equívoco é não estar concentrada nem no servir e nem no ouvir. Na verdade, Marta está com espírito dividido. Por esse motivo, Jesus repete seu nome, Marta, Marta, duas vezes. Jesus é amoroso com Marta. Jesus deseja centralizá-la novamente. Assim, Jesus anuncia que Maria não deixou que o trabalho ou qualquer outra coisa tirasse sua atenção daquilo que estava fazendo, que era ouvir Jesus.

Marta, Marta, seu servir é importante, mas você não sabe se serve ou se escuta.

Muitas são as correrias da semana? Mesmo estando aqui no culto, pode ser que estejamos distraídos, preocupados. E essas distrações e preocupações não nos deixam descansar.

O corre-corre diário, as agitações e preocupações, impedem as pessoas de descansar. As pessoas desejam e precisam de descanso. Não é em vão que o turismo do sono cresceu 8% em nível mundial em 2024.

Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela” (Lc 10.41-42).

Facilmente perde-se o centro quando se está envolvido no cansaço proveniente de uma sociedade competitiva e ativa.

Ainda hoje Jesus chama por duas vezes o nosso nome: fulano, fulano, ... e seu intuito amoroso é nos centralizar. A correria e a preocupação  estão tirando o necessário da nossa vida! Responda com sinceridade: Quantas coisas também importantes têm tirado coisas necessárias da sua agenda?

Recorde-se que na sua agenda semanal há um compromisso divino. Sim. Um compromisso divino, pois, ao dar seus mandamentos, Deus disse: “Meu povo, eu, o Senhor, sou o seu Deus. Eu o tirei do Egito, a terra onde você era escravo” (Ex 20.2). Deus libertou o seu povo da escravidão. E um povo livre, precisa ouvir a voz do seu libertador. E esse libertador, pediu para que na sua agenda de sete dias, você tenha um dia para descansar nEle. E esse ouvir não é um aprisionamento, mas liberdade. Afinal, o libertador é que concede todas as bênçãos para que os seus libertos possam usufruir do descanso.

Na epistola ao Gálatas, o apostolo Paulo escreveu: “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres. Por isso, continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente” (Gl 5.1). Parafraseando esse versículo para nossa reflexão, podemos dizer: cuidado, para que a correria não o impeça de descansar em seu libertador que é Cristo. E o descanso de Jesus Cristo é o seu perdão concedido pela Palavra e Sacramento. Esse descanso, a parte necessária não será tirada. Amém


Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Amar sem dizer eu te amo

 13 de julho 2025

Quinto Domingo após Pentecostes

Salmo 41; Levítico 19.9 – 18; Colossenses 1. 1 – 14; Lucas 10. 25 – 37

Texto: Levítico 19

Tema: Amar sem dizer eu te amo

 

... ame os outros como você ama a você mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19. 18).

 

Você é aquilo que mais ama. Você se torna aquilo que você adora.

No capítulo 19 de Levítico, a frase “Eu sou o Senhor” ou “Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” aparece 16 vezes. Com isso, o Senhor deseja inculcar para os seus quem Ele deseja que você se torne.

A característica fundamental de Deus é o amor. A natureza de Deus é amor. E esse amor, Ele deseja que seja a característica e a natureza do seu povo. Amor não é apenas uma palavra. É a essência de Deus. Deus ama e deseja que os seus amem.

O amor não são palavras. O amor é prático. É ação. É possível que alguém ame sem nunca ter dito eu te amo. A parábola do bom samaritano ensina isso. Aquele samaritano, limpou as feridas, levou até um local seguro e proporcionou cuidados extras. Sem dizer, eu te amo, amou.

A lei da colheita conforme descrita em Levítico 19.9-10 destaca o amor prático. Um exemplo disso seria não colher a soqueira do arroz, mas, deixá-la para os necessitados.

... ame os outros como você ama a você mesmo” é uma das declarações do Antigo Testamento mais citadas no Novo Testamento. Sobre o amar uns aos outros nas mais variadas situações, no Novo Testamento são feitas 179 menções.

... ame os outros como você ama a você mesmo” (Lv 19.18) era um mandamento conhecido por todo israelita. No entanto, quando o mestre da lei foi desafiado por Jesus para ir e amar o próximo, tentando se desculpar, questionou: quem é o meu próximo?

O meu próximo conforme ensinado por Jesus na parábola do bom samaritano é todo àquele que precisa do meu socorro e eu tenho como ajudar. Se caso, possa ajudar alguém que necessita e não o faço, não estou amando meu próximo.

Quem é o meu próximo?

17 — Não guarde ódio no coração contra outro israelita, mas corrija-o com franqueza para que você não acabe cometendo um pecado por causa dele. 18 Não se vingue, nem guarde ódio de alguém do seu povo, mas ame os outros como você ama a você mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19.17-18).

O mestre da lei ao ouvir que um samaritano socorreu o judeu assaltado foi difícil de assimilar. O judeu caído e quase morto deveria ter sido socorrido por outro judeu (sacerdote e o levita), mas não foi. Dessa forma, quando Jesus questionou sobre quem havia sido o próximo daquele homem ferido, a resposta do mestre da lei foi: àquele que o socorreu.

Sua raiva era tão grande ao samaritano, que nem sequer respondeu samaritano.

A ira, a raiva, o ódio, é um sentimento perigoso. É um sentimento que faz maquinar vingança, maus pensamentos e leva a querer prejudicar o outro.

Não guarde ódio no coração”.

A expressão guardar deseja transmitir a ideia de nutrir algo. Dessa forma, a ordem é: não fique nutrindo ódio internamente. O ódio é uma pequena semente que pode florescer e levar a causar danos irreversíveis. Basta lembrar de Caim.

Não guarde ódio no coração contra outro israelita, mas corrija-o com franqueza...

O termo corrigir de acordo com a palavra hebraica transmite a ideia de julgar, corrigir, convencer outra pessoa. Amar alguém é repreender essa pessoa para que pare de fazer o que está fazendo.

Em nossos dias, parece que a repreensão não poder ser feita, mas, pelo texto de Levítico 19.17 aprendemos que faz parte do amor (Lv 19.17; Gl 6.1-2; 1Tm 5.20).

Há alguma coisa que está fazendo você odiar, sentir raiva ou ira de outra pessoa? Vá e converse com a pessoa sobre o motivo e resolva a situação no diálogo franco e amoroso. Isso levará o ofensor a se arrepender e, ele será salvo e você não incorrerá no perigo de fazer algo que cause prejuízo para o outro e para você.

Recorde que, confrontar a pessoa que nos levou a sentir ódio e raiva, não têm como objetivo humilhar ou ridicularizar. O objetivo é resolver o conflito.

O apostolo Paulo na carta aos Coríntios no capítulo 13 escreveu que o amor é um guia que leva a superar divergências no relacionamento.

O apostolo Paulo na carta aos Romanos, ao citar Levítico 19.18: “... ame os outros como você ama a você mesmo” enfatizou que “o amor é o cumprimento da lei” (Rm 13.10). O amor conduz a ação em prol do outro. A motivação do amor é servir ao outro.

O próximo, objeto do amor, é todo àquele que precisa de socorro e e u posso socorrer. Amar o próximo não envolve ajudar apenas de quem gostamos. É ir ao encontro de alguém que nos causa dor, raiva e até nos leva ao ódio.

O nosso próximo que mais nos amou e ama é Jesus. Ele nos socorreu na cruz. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

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Quem é o meu próximo? (Lc 10.25-37)

 13 de julho 2025

Salmo 41; Levítico 19.9 – 18; Colossenses 1. 1 – 14; Lucas 10. 25 – 37

Texto: Lc 10.25 - 37

Tema: Quem é o meu próximo?

 

A Bíblia destaca três ocasiões pelas quais Jesus chorou. Você saberia dizer quais vezes Jesus chorou? No túmulo de Lázaro, Jo 11.35; diante de Jerusalém por essa ter desprezado profetas, Lc 19.41; e quando estava prestes a morrer, Hb 5.7-9).

O evangelista Lucas e Mateus registram uma grande alegria da parte de Jesus. Você saberia dizer qual?

Naquele momento, pelo poder do Espírito Santo, Jesus ficou muito alegre e disse: - Ó Pai, Senhor do céu e da terra, eu te agradeço porque tens mostrado às pessoas sem instrução aquilo que escondeste dos sábios e dos instruídos. Sim, ó Pai, tu tiveste prazer em fazer isso. - O meu Pai me deu todas as coisas. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e também aqueles a quem o Filho quiser mostrar quem o Pai é” (Lc 10.21-22).

Jesus mostra que a bondade de Deus é tão grande. E esse é o Senhor nosso, um Senhor bondoso. E em sua bondade oferece e dá a salvação independente da sabedoria e instrução.

Ouvimos na leitura do livro de Levítico de que Deus é o Senhor! E se perguntássemos quem é esse Senhor, a resposta é a de Jesus: é o Senhor do céu e da terra, ou seja, que governa a criação. E crer nesse Senhor não é mérito humano, é graça decorrente da bondade de Deus (Ef 2.8).

Diante dessa alegria vista pelas pessoas no semblante e nas palavras de Jesus, o intérprete da lei que era instruído e sábio, desejou saber: o que fazer para herdar a vida eterna? Em outras palavras àquele intérprete gostaria de saber se não era preciso realizar nada para ser salvo.

Jesus faz duas questões interessantes para o intérprete: o que as Escrituras (Antigo Testamento) dizem sobre e como ele, um intérprete da lei, lia o que as Escrituras ensinavam sobre como alcançar a salvação?

A resposta do intérprete da lei foi: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo” (Lc 10.27). Uma junção de Dt 6.5 e Lv 19.18. E com essa resposta Jesus disse ao intérprete de que ele estava correto em sua resposta e destacou ainda: “Faça isso e você viverá” (Lc 10.28).

Se o intérprete lia o Antigo Testamento e entendia que era necessário amar a Deus e o próximo para ser salvo, Jesus então lhe diz: faça isso.

Jerusalém até Jericó

7 horas de viagem

Região mal afamada pela insegurança

Nesse ponto, o intérprete da lei, como todo bom advogado, buscou uma brecha na lei. Àquele homem perguntou: quem é o meu próximo? (Lc 10.29). Senhor, a lei não diz quem é o meu próximo e, talvez eu esteja errando sem saber. Diante disso, Jesus conta a parábola do Bom samaritano.

 

 

 

 

 

Se caso alguém fosse atacado naquela estrada, a chance de ser socorrido por alguém que passasse era por graça.

E passaram três pessoas. Todavia, nenhum soube que outra pessoa havia passado. O primeiro a poder socorrer e era justamente de onde aquele suposto judeu esperava receber auxílio era do sacerdote. Entretanto, o texto grego transmite com maestria a crueldade e dureza pela falta de misericórdia daquele sacerdote.

Estar ferido e exposto ao sol em areia quente era doloroso. A situação daquele homem que foi assaltado era terrível. Mas, passou um levita. Mas, esse homem, não querendo se atrasar para seus compromissos religiosos prescritos pela lei, também passou sem auxiliar.

A rigidez da lei levou sacerdote e levita a não socorrerem um necessitado. Pois, se porventura esse homem ferido morresse enquanto eles o socorriam, eles se tornariam impuros pela lei e queriam ficar puros e assim poderem cumprir suas obrigações religiosas.

De repente, um samaritano passou por ali. Os samaritanos eram odiados pelos judeus. Esse homem, sem os preceitos rigorosos da lei, exerceu com amor e misericórdia socorrendo esse homem. O samaritano não sabia se alguém já havia passado por ali, mas, quando ele passou não hesitou em socorrer um homem que se permanecesse ali, morreria.

Diante disso Jesus questionou ao intérprete da lei: “Na sua opinião, qual desses três foi o próximo do homem assaltado?” (Lc 10.36). E aquele homem que queria justificar-se diante de Jesus dizendo não saber quem era seu próximo, respondeu: “Aquele que o socorreu!” (Lc 10.37).

Ele não respondeu samaritano. Pois, os judeus odiavam os samaritanos. Daí disse apenas que o próximo daquele judeu assaltado foi o que lhe socorreu.

Quem é o meu próximo?

Aquele que precisa da minha ajuda.

Seja o próximo do necessitado. Não importando quem quer que seja.

O amor sempre encontra o próximo. E o próximo está naquele irmão e irmã necessitados.

O próximo é aquele que exerce misericórdia com quem precisa da mesma, sem se importar com status, etnia, religiosidade.

O desafio é se tornar o próximo de alguém. O próximo do necessitado sou eu que posso ajudá-lo.

Entre os maiores necessitados estava eu, mas, Jesus me socorreu com sua morte na cruz. E por esse amor, eu sou enviado para amar, rendendo coração, alma e força a Deus e buscando socorrer os que encontro pelo caminho e precisam do meu auxílio. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 30 de junho de 2025

Dez lições aos enviados de Jesus (Lc 10.1-20)

 06 de julho de 2025

Quarto Domingo após Pentecostes

Salmo 66.1 – 7; Isaías 66.10 – 14; Gálatas 6.1-10,14 – 18; Lucas 10.1 – 20

Texto: Lucas 10.1 – 20

Tema: Dez lições aos enviados de Jesus

 

Esses setenta discípulos enviados por Jesus de dois em dois, dos quais não conhecemos nenhum por nome e só se sabe da sua existência por causa de Lucas. Muitos dizem que se trata de uma menção do evangelista aos que anunciam a Boa Nova. Outros destacam que se trata apenas de uma referência ao Antigo Testamento onde 70 anciãos, chamados por Moisés, ficaram cheios do Espírito Santo e mais dois que fora do acampamento profetizaram, por isso, algumas versões apresentam 72 como os enviados por Jesus.

Além disso, há também quem diga que esse relato de Lucas objetiva se referir ao envio de Jesus a todas as nações. Afinal, conforme o relato hebraico em Gênesis 10, os descendentes dos filhos de Noé, Sem, Cam, e Jafé, são 70.

Os fatos narrados acima são conjecturas. Todavia, o relato de Lucas nos conduz a reflexão sobre as instruções que podemos retirar desse relato. Dessa forma, aprenderemos em Lucas 10.1-20, Dez lições aos enviados de Jesus.

Lucas 10.1-7

Primeira lição: A necessidade da oração e intercessão para que a missão aconteça

Para muitas pessoas a missão e trabalho missionário requer muitas coisas e de fato muitas coisas são necessárias. Todavia, nesse relato de Lucas 10, aprendemos que podemos fazer missão de uma maneira muito simples e sem sair de casa: orando. Disse Jesus “...peçam ao dono da plantação que mande trabalhadores para fazerem a colheita” (Lc 10.2).

A intercessão e oração é um instrumento para levar adiante a causa de Jesus Cristo ao mundo. Só Deus levanta e envia obreiros para fazer sua obra entre os homens.

Segunda lição: É extremamente perigosa a natureza dessa obra divina

Jesus levanta, chama e envia os seus. E só poder da parte de Jesus mesmo, pois a natureza da missão é muito perigosa.

Jesus não ocultou os perigos e as provações dos seus enviados. Não alimentou e nem alimenta falsas pretensões ou coisas agradáveis. Jesus enfatiza que seus mensageiros são como ovelhas no meio dos lobos.

Uma tradição antiga narra que Pedro havia perguntado para Jesus sobre o que aconteceria se os lobos rasgassem os cordeiros. Jesus respondeu que os cordeiros não temessem os lobos, pois os cordeiros morrem apenas uma vez.

Martinho Lutero escreveu que “se puder, Caim continuará a assassinar Abel até o fim do mundo”.

O apostolo João escreveu: “Meus irmãos, não estranhem se as pessoas do mundo os odeiam” (1Jo 3.13).

O apostolo Paulo escreveu para Timóteo: “Todos os que querem viver a vida cristã unidos com Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12).

Terceira Lição: Não perder tempo com formalidades

Jesus não ensina a ser antissocial. A instrução de Jesus é para que os seus discípulos não percam tempo. Anos mais tarde, o apostolo Paulo escreveu: “Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm” (Ef 5.16).

A instrução de Jesus deve-se ao fato de as saudações orientais serem muito demoradas e, como a missão é urgente, não há tempo para perder com formalidades.

Quando Neemias estava reconstruindo os muros de Jerusalém e faltava apenas colocar os portões, foi convidado para ir se encontrar com Sambalate, Tobias, Gesém e Neemias respondeu: “Eu estou fazendo um trabalho importante e não posso descer até aí. Eu não vou deixar este trabalho só para ir falar com vocês” (Ne 6.3).

Quarta Lição: Não perder o foco central

Dentro do trabalho congregacional, é muito comum direcionar toda a energia para a abundância material. Em muitas situações, o dinheiro e as cortesias se tornam armadilhas para o mensageiro. Jesus destaca aos seus enviados que a urgência é outra: que a mensagem seja proclamada.

Recordo que a quase 15 anos atrás, a PEL Concórdia, na qual sou pastor estava enfrentando uma situação financeira complicadíssima. Eram meses de atraso salarial, incerteza quanto a quitação dos salários atrasados e até mesmo quanto a manutenção no futuro. Veio um chamado. E nesse o oferecimento e a garantia de um salário maior, junto a isso a garantia de emprego para a esposa. Que situação! Olhando para trás, não me arrependo de ter dito não para esse chamado. E o motivo de ter dito não era que a única coisa que despertava interesse era a garantia salarial e ganhar um pouco mais.

Ao ensinar sobre manter o foco com o primordial, aprendemos a quinta lição.

Quinta lição: Não perder a simplicidade e o contentamento em Jesus

O mensageiro não precisa ser agradado. O trabalho do mensageiro não tem como termômetro as coisas visíveis. O contentamento é a garantia de Jesus de que Ele está cuidando do seu enviado.

Para avançar com a sexta lição, é preciso ler Lucas 10.8-16

Sexta lição: A simplicidade da mensagem

Há uma tendência de querer argumentar. Muitos agem como se Deus nos tivesse contratado como advogados. (Certo dia numa conversa com um médico supostamente pendendo ao ateísmo, o questionei: por qual razão você é médico? E o médico respondeu: para salvar vidas. E logo disse: que tipo de vida você quer salvar. Não deveria se preocupar com isso, pois, sem Deus a vida não tem nenhum sentido. Fiquei sabendo algum tempo depois que está frequentando uma igreja cristã).

A Palavra de Deus provém da aljava de Deus e o Espírito Santo sopra onde quer. A Palavra de Deus é como a pedrinha usada por Davi que derrubou o gigante Golias.

Há tantas pessoas preocupadas em querer saber a cor dos olhos de Jesus e acabam perdendo a maravilha que é saber e crer que Jesus com seus olhos o olhou com amor.

Sétima lição: Rejeitar a mensagem de Cristo é um grave pecado

Jesus faz afirmativas terríveis. Entre suas afirmativas terríveis está a de que muitos podem saber e ver milagres, e mesmo assim, permanecer incrédulos.

Alguém pode até dizer, não há menção na Bíblia sobre os milagres realizados em Betsaida e Corazim. Bem, o apostolo João escreveu que Jesus fez muitos milagres não mencionados na Bíblia (Jo 20.31).

Deus chama. Deus quer salvar. Mas, muitos rejeitam.

A instrução de Jesus é para que haja cautela diante da incredulidade.

Adão e Eva viviam no paraíso. Eva foi enganada por argumentos que colocaram em xeque a Palavra dita pelo próprio Deus. Desde o Éden o diabo lança a semente da dúvida com intuito de conduzir para a incredulidade. E atualmente ele tem muitos servos a seu serviço para tal empreendimento.

Judas tencionou escrever sua epistola com intuito de descrever a salvação comum. Todavia, foi obrigado a escrever sobre a defesa da doutrina pura. A doutrina destaca o modo como se lê a Bíblia. Dessa forma, ler a Bíblia de maneira correta me mostra o verdadeiro Deus.

Diante dos pecados flagrantes, lembremos a urgência de levar a Palavra de Deus que conduz ao arrependimento e dá o perdão. Só não há perdão para a incredulidade.

É preciso cuidar para não se tornar insensível, apático e desinteressado com a pregação. Aos poucos a pessoa vai dormindo para Deus e pode acordar no inferno. A incredulidade é um pecado silencioso e condenatório.

As afirmativas terríveis de Jesus precisam ser ecoadas para que todos ouçam sobre o perigo da incredulidade.

Oitava lição: Honra aos ministros fiéis

Ao dizer: “Quem ouve vocês está me ouvindo; quem rejeita vocês está me rejeitando; e quem me rejeita está rejeitando aquele que me enviou” (Lc 10.16), Jesus enumera que as cidades estavam recebendo seus mensageiros com a mensagem do próprio Jesus.

Os setenta já haviam sido instruídos sobre a natureza perigosa da missão, quanto ao não perder tempo com formalidades, não perder o foco, permanecerem contentes com as bênçãos divinas, manterem a simplicidade da mensagem, e estarem atentos ao perigo da incredulidade. E, após isso ouvem Jesus dizer que esses enviados são seus embaixadores.

Sou um embaixador do Reino dos Céus aqui em Querência.

A rejeição e a perseguição não é algo pessoal, é contra àquele que você representa, do qual se é embaixador. Enquanto o Salvador envia com intuito de salvar, os lobos rejeitam e devoram os enviados. Todavia, o que hoje envia para salvar, é o Salvador que virá para julgar. Por isso, Jesus exorta: “Ai de ti...”.

Jesus não incentiva idolatrar o pastor, criar uma superstição ao redor dele. Jesus diz que, sendo o servo fiel a mensagem de Cristo, o escute com atenção e o honre por isso. Em outras palavras: não se torne um lobo, continue sendo ovelha ouvindo o pastor que te conduz com a Palavra de Cristo.

Para concluir as 10 lições apresentadas em Lucas 10.1-20 vamos ler Lucas 10.17-20

Nona lição: Cuidado com a vaidade do sucesso

Ao retornarem do empreendimento, havia uma certa ilusão na alegria dos discípulos. E, diante dessa empolgação e relato das alegrias, Jesus respondeu: “De fato, eu vi Satanás cair do céu como um raio” (Lc 10.18).

Parece estranho essa resposta de Jesus, todavia, com essas palavras, Jesus estava enfatizando que os corações daqueles jovens missionários foram sondados e o diabo conseguiu os ensoberbecer. Por amor, Jesus os repreende em sua exultação e os adverte contra o orgulho. E como isso é importante para os enviados de nossos dias.

Não há nada errado em desejar ter sucesso no trabalho missionário. No entanto, Jesus adverte o perigo para a alma no tempo do sucesso. Assim como muitos se deprimem quando os lobos atacam, quando as coisas não acontecem, muitos se exaltam e se perdem no tempo da prosperidade. São raríssimos os Sansões que matam um leão sem contar para os outros (Jz 14.6).

O maior perigo para a alma do enviado é quando tudo vai bem. É preciso vigilância dobrada. Nos dias de sucesso, o diabo cai do céu como um raio, e planta as sementes do mal. São raros os servos capazes de carregar uma taça cheia com a mão firme. Poucos permanecem humildes em dias de sucesso. No sucesso há muita honra para a sabedoria, capacidade e as decisões acertadas.

Caríssimo irmão não esqueça essa exortação especial de Jesus.

Décima lição: Nada supera a graça de Deus de escrever nosso nome no livro da vida

...não fiquem alegres porque os espíritos maus lhes obedecem, mas sim porque o nome de cada um de vocês está escrito no céu” (Lc 10.20).

Foi uma honra poder expulsar demônios, mas, nenhuma honra é maior que ser convertido, de ter o próprio nome escrito no registro do cartório divino.

É maravilho ter e ver dons espetaculares. O problema é quando esses são supervalorizados. Dons sem a graça de Deus são sem graça. Um dom sem a graça de Deus não salva e é utilizado pelo diabo para criar soberba. Há pessoas com dons extraordinários, mas não passam de Judas Iscariotes, ou um falso apostolo, e muitos estão a serviço do AntiCristo, afastando pessoas da fé em Cristo Jesus e as conduzindo a incredulidade.

A maior graça do cristão é saber que pela obra de Deus, por sua Palavra, que gera oposição e perseguição, o seu nome está escrito no livro da vida.

Muitas coisas são boas, todavia, nos seus devidos lugares. Mas, o extraordinário é saber que o nome está escrito no livro da vida. Recordemos o apostolo Paulo: “...ninguém pode dizer “Jesus é Senhor”, a não ser que seja guiado pelo Espírito Santo” (1Co 12.3).

Que reine entre nós o espírito de Lázaro (Lazarento – cheio de lepras), mas que ao nosso nome esteja escrito no livro da vida. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

 

Bibliografia

RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas: comentário Esperança. Tradução Werner Fuchs. Editora Evangélica Esperança, Curitiba, PR, 2005.

 

RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Lucas. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 2018.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Luteranos realmente livres!

 

Mensagem para celebrar os 121 anos da IELB

Texto base: Gálatas 5.1

Tema: Luteranos realmente livres!

 

Cerca de 3,8 milhões de estrangeiros ingressaram no Brasil entre os anos de 1887 e 1930, até 1914, haviam ingressado 2.732 milhões. A segunda guerra mundial reduziu a entrada de mais imigrantes, sendo que de 1915 até 1930 ingressaram apenas 1.064 milhões.

Desses milhões de imigrantes, o quarto maior grupo foram os alemães. Italianos ocupam a primeira posição (1.513.151); Portugal (1.462.117); Espanha (598.802) e Alemanha (250.000).

Desses 250 mil alemães, 21.225 filiaram-se ao Distrito Brasileiro do Sínodo de Missouri em 1924. Haviam 116 capelas e 35 paróquias.

A atuação nesses anos iniciais era realizada por missionários americanos. Apesar o sempre haver muita ênfase no fato de que a atuação da Igreja Luterana não era apenas as pessoas de origem alemã e mesmo que tenha existido já no início do trabalho uma comunidade exclusivamente de afro-brasileiros, o luteranismo sempre foi caracterizado como uma igreja de alemães.

O historiador René Gertz escreveu que “a opinião publica brasileira e os cientistas sociais que as comunidades de origem alemã, em especial as luteranas, se caracterizam pelo isolamento”.

A Igreja nunca quis, mas, acabou recebendo alcunha de igreja de alemães. Steyer (1999) comentou que a ajuda que a Igreja Luterana prestou aos alemães era uma responsabilidade étnica. Dizia-se: “são alemães, são luteranos, cabe-nos ajudá-los”.

Um fato pouco considerado era que os missionários, atendendo os alemães, não precisavam aprender uma nova língua. Por saberem alemão. Podiam logo transmitir a Palavra na língua materna desses imigrantes. O nome dado a Igreja era em alemão: Der Brasilianische District der deutschen evangelisch-lutherischen Synode von Missouri, Ohio und andem Staaten (Distrito Brasileiro do Sínodo Evangélico Luterano Alemão de Missouri, Ohio e outros Estados).

Aos poucos, o Synodo Evangélico Lutherano do Brasil sentiu a necessidade de abrasileira-se e na Convenção Nacional de 1953, o nome foi alterado para o que temos até hoje, Igreja Evangélica Luterana do Brasil, IELB. Mas, somente em 27 de janeiro de 1954 este nome foi registrado em cartório.

Observem um detalhe. Há atendimento aqui em Querência do Norte, PR, desde 1953, assim, também passamos por esse período de transição.

O nome Igreja Evangélica Luterana do Brasil, IELB, a igreja se desafiava a sair do reduto germânico, ser uma igreja brasileira, falar a língua do país e levar o evangelho ao povo brasileiro.

É verdade que o nosso DNA está atrelado a um denominado grupo de imigrantes europeus. Todavia, não podemos negar, a IELB tem em suas fileiras um trabalho prestado a sociedade brasileira.

Vou destacar o atendimento que já ocorre desde 1988 aqui em Querência do Norte, entre os acampados e assentados rurais denominados sem-terra.

Aliás, nesse ponto fico refletindo: como pode uma igreja alemã ir em busca de pessoas que na época eram denominados como terroristas, ladrões de terra?

Talvez seja como alguém me disse esses dias: foram lá porque tinha alemães e luteranos. Verdade! A Igreja Luterana sempre se ocupa com suas ovelhas, sejam elas quem forem e onde estejam. Diga-se de passagem: é uma mistura de fé missionária com ética cristã.

Celebramos 121 anos de Igreja Evangélica Luterana Do Brasil no Brasil em 2025 e ainda enfrentamos o paradigma: igreja de alemães querendo ser brasileira para os brasileiros.

Como se comunicar com um país pluricultural? Como se manter confessional sem incorrer no perigo de se pentecostalizar?

Querendo ou não, a marca “Igreja Alemã” ainda traz problemas para nossa amada igreja. Todavia, a IELB não é uma igreja para alemães. E hoje muito me alegro ao ver tantos sobrenomes Silva, Santos, Pereira, Nogueira, Oliveira em nossa lista de membros.

É preciso lembrar que em nenhum outro lugar a Igreja Luterana enfrentou tanta oposição, ameaça, antagonismo e animosidade e perseguição como no Brasil. Pastores foram presos, igrejas queimadas, escolas fechadas e o idioma alemão proibido (1917). O conflito internacional diante da guerra, fez a igreja sofrer. Muitos posicionamentos em prol da Alemanha, o uso da língua alemã, o cultivo das tradições alemãs, geraram antipatia e conflito com a opinião pública.

Em meio a esses conflitos, a confessionalidade luterana fez a diferença em sua comunicação. Afinal, para nós luteranos, a paz não é ausência de guerra, mas estar na fé em Jesus Cristo. E esta paz só o evangelho oferece e dá. Proclamar essa paz é o desafio da IELB. Por essa razão, nossa visão é: sermos uma Igreja Luterana confessional que vai ao encontro das necessidades das pessoas.

                    - Proclamando Cristo Para Todos;

                    - Compartilhando o evangelho de Jesus;

                    - Exercitando o amor de Jesus para as pessoas;

Ser Luterano não significa ser alemão;

Ser Luterano, conforme Martinho assinou na carta ao Papa Leão X, Martinius Eleutherios, significa ser Liberto.

Eleutherios é um jogo de palavras que significa liberto.

Ser luterano significa estar liberto do peso da lei divina que acusa e atemoriza. Ser luterano e estar livre da imposição papal. Ser luterano significa estar livre da tradição como regra de vida.

Ser luterano é confessar e viver como quem está em Cristo, e assim, salvo.

Cristo nos libertou para que sejamos realmente livres. Luteranos são livres, mas abusam da liberdade de não estarem presos a regras, que muitas vezes relaxam nas ofertas, na frequência aos cultos, na atuação na igreja.

Cristo nos libertou para que sejamos realmente livres – ser livre em Jesus Cristo é o DNA da IELB.

Continuemos Luteranos - nos sustentando pela Palavra final, a Bíblia. Sejamos Luteranos – professando Jesus Cristo que nos salva por sua graça redentora. Sejamos Luteranos - crendo unicamente em Jesus, pois só a fé na obra de Jesus Cristo salva.

Ser Luterano é ser livre e viver a liberdade em Cristo Jesus. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 23 de junho de 2025

A liberdade para a qual Cristo me libertou envolve responsabilidade e limite! (Gl 5.1)

 29 de junho de 2025

Terceiro Domingo após Pentecostes

Salmo 16; 1Reis 19.9-21; Gálatas 5.1,13-25; Lucas 9.51 – 62

Texto: Gl 5.1

Tema: A liberdade para a qual Cristo me libertou envolve responsabilidade e limite!

 

Theodore Dalrympe, médico psiquiatra e escritor britânico, escreveu num ensaio denominado “E a faca entrou” sobre a premissa de que há muito debate político sobre a liberdade, todavia, no fundo, talvez as pessoas não queiram a liberdade, pois liberdade exige responsabilidade. Para Theodore é um erro supor que todos os homens queiram ser livres.

Viver em liberdade acarreta numa vida de responsabilidade. Tenho liberdade para qualquer coisa, todavia, essa liberdade traz consigo consequências.

Dalrympe, médico psiquiatra em prisões e hospitais descreve que todos tem a liberdade de fazer diferente, no entanto, essa liberdade incorre em ter que assumir erros. Dessa forma, ao invés de reconhecer seus erros e fazer diferente, as pessoas preferem se enxergar e colocar como vítima das circunstâncias.

Vivemos na cultura da vitimização, onde tudo passa a ser justificável pela situação social do indivíduo. A vitimização produz um ciclo de dependência e apatia, levando a pessoa a deixar de acreditar na capacidade para mudar de vida.

Infelizmente, muitos apoiam e incentivam a ideia de que o individuo não é livre, mas um refém da sua circunstância.

A liberdade cristã destaca com ênfase de que cada qual é livre, todavia, cada qual é responsável por sua liberdade.

Falar sobre liberdade é destacar a responsabilidade individual. Viver em liberdade é ter capacidade para escolher com responsabilidade e viver as consequências dessa escolha.

Todos temos liberdade de escolha! Toda decisão acarreta alegria ou tristeza! As decisões levam ao riso ou ao choro e sofrimento!

Na epístola aos Gálatas, o tema sobre a verdadeira liberdade é central.

Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres” (Gl 5.13).

Com a verdadeira liberdade em Cristo, temos a chance de fazer as melhores escolhas.

Liberdade cristã não implica fazer da própria vida o que bem se quer, pois, liberdade traz consigo responsabilidade. O próprio Deus anuncia “...cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Rm 12.14).

Ao escrever: “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres” (Gl 5.13), o apostolo Paulo enfatiza a responsabilidade e limite.

Tenho ouvido pessoas declararem que estão vivendo como se não houvesse amanhã. É preciso ter cuidado com esse tipo de vida. Cuidado com a busca da felicidade a qualquer custo. Extrapolar o hoje é jogar fora o amanhã. Minha liberdade cristã está limitada por responsabilidades e limites.

Cristo nos libertou ...

O Novo Testamento não transmite a ideia de liberdade, no sentido, de fazer o que bem se entende. A liberdade de acordo com o Novo Testamento é um modo de vida de acordo com a vontade de Deus. A liberdade anunciada no Novo Testamento é o ser escravo de Cristo (1Pe 2,16; 1Co 9.9).

Minha liberdade cristã não interfere apenas em minha vida. Saber que “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres” (Gl 5.13) é viver levando em conta que meu viver tem em vista o outro. Assim, a minha liberdade tem como responsabilidade a pessoa do próximo. Minha liberdade tem como limite a pessoa do próximo. Não é viver como se eu fosse o único ser vivente da terra.

Ao escrever aos Gálatas: “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres” (Gl 5.13), Paulo desejava chamar atenção dos judeus que queriam obrigar os gentios a se circuncidarem e viver sob a lei. O que os judeus ainda não haviam descoberto era que os gentios estavam libertos pelo evangelho de Cristo.

A frase “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres” (Gl 5.13) era para levar os judeus para a reflexão, pois ignoravam o ponto mais importante da lei: o amar o próximo. A liberdade do evangelho me coloca sob a liberdade de viver em favor do próximo que Deus também quer libertar pelo evangelho.

A frase “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres” (Gl 5.13) se contrapõe a ética dos nossos dias, baseada na filosofia hedonista (vale tudo pelo meu prazer), na filosofia naturalista (o mais forte predomina) e na filosofia relativista (viver como se não houvesse norma e nem lei).

Fui libertado no amor de Cristo e nesse amor vivo minha vida. Somos promotores da liberdade em amor, por isso, a vida tem como responsabilidade o próximo e o limite do viver é o próximo.

Lembre-se: Se faço tudo o que desejo, sem me preocupar comigo e com o outro, acabo perdendo a liberdade para a qual Cristo me libertou. Na fé em Cristo todas as minhas atitudes e decisões são exercícios de fé. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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