domingo, 14 de julho de 2024

O Amado Pastor cuida da amada ovelha.

 Nono Domingo após Pentecostes

21 de julho 2024

Salmo 23; Jeremias 23.1-6; Efésios 2.11-22; Marcos 6.30-34

Texto: Salmo 23

Tema: O Amado Pastor cuida da amada ovelha.

 

Davi, nome que aparece cerca de 1.034 vezes em toda a Bíblia. Dos 66 livros da Bíblias, em 28 há referência a Davi. Enquanto há 14 capítulos dedicados a contar a história de Abraão e José, há cerca de 66 capítulos para contar a história de Davi.

Davi foi pastor de ovelhas, músico, compositor, poeta, guerreiro, servo na corte de Saul e depois rei.

Por causa de seus gravíssimos pecados, Davi poderia ter fracassado, mas, por viver na graça de Deus, fortaleceu-se. Em muitos de seus salmos, Davi descreve o amor, fé, humildade e confiança em Deus. O mais conhecido dos salmos é o 23. Salmo onde Davi descreve sua dependência de Deus, tal como a ovelha é dependente de seu pastor.

Como pastor de ovelhas, Davi sabia exatamente quais eram as necessidades da ovelha e que tipo de pastor a ovelha necessitava. Por isso, menciona os pastos verdejantes, as águas de descanso, o bordão e o cajado.

Assim como Davi era pastor das suas ovelhas e elas podiam contar com ele, a ponto de Davi ter matado leão e urso para defender as ovelhas (1Sm 17.34-39), o Senhor era pastor de Davi.

Quem é esse Senhor, o bom pastor? Anos mais tarde, Jesus disse: “Eu sou o bom Pastor; o Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Esse Bom Pastor Jesus disse que “conhece as suas ovelhas” (Jo 10.14).

Infelizmente a queixa anunciada pelos profetas de Deus continua sendo atual: “O meu povo é como ovelhas perdidas nas montanhas por culpa dos pastores. Como ovelhas, caminharam de montanha em montanha e esqueceram a sua casa” (Jr 50.6) e “...por não terem pastor, elas se espalharam. ... As minhas ovelhas andam perdidas pelos morros e pelas altas montanhas. Estão espalhadas por toda parte. Ninguém busca essas ovelhas, ninguém procura encontrá-las” (Ez 34.5-6)

O povo não sabia mais quem era seu pastor. A situação foi descrita pelo profeta Oséias com as palavras: “Meu povo padece por falta de conhecimento” (Os 4.6).

Jesus sentiu compaixão do povo a ponto de “ter grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36). Jesus é o pastor que conduz para as águas de descanso. Todo aquele que tem sede, ele dá água para beber (Ap 21.5-6).

Fico impressionado ao relacionar o significado do nome Davi ao significado do Salmo 23. Davi significa “Amado.” Assim, é possível parafrasear o Salmo 23: O Amado Pastor cuida da Amada ovelha.

O trabalho de um pastor de ovelhas no Oriente Médio é tremendamente interessante.

Devido ao clima seco da região desértica, as pastagens precisam ser encontradas longe do aprisco das ovelhas. Era preciso conduzir as ovelhas para lugares com pasto e água.

Em 1Samuel 23.29 está registrado que Davi se refugiou numa região da fonte de Gedi. Um lugar de fontes de água e cavernas. Um dos lugares mais quentes da terra, próximo do Mar Morto, abaixo do nível do Mar. Esse lugar é um oásis em meio ao deserto.

Esse lugar de descanso e refrigério é possivelmente o local onde Davi compôs o Salmo 23 e o 42. O espetacular diante dessa informação é que a Bíblia registra que o Mar Morto se tornará um lugar saudável (Ez 47.8) e o vale de Gedi lugar de pescadores (Ez 47.10). Ou seja, o Amado Jesus conduz a amada ovelha para esse lugar de descanso e refrigério (Ct 1.14).

Davi descreve a caminhada do pastor com suas ovelhas até a Fonte de Gedi. Uma caminhada cheia de perigos, mas tão necessária para que as ovelhas encontrassem pastagem e água fresca. O deserto era enfrentado todos os dias pelo pastor e pelas ovelhas.

Não era uma tarefa fácil atravessar o deserto com as ovelhas. A dificuldade era por causa das ovelhas.

Geralmente duas pessoas cuidavam das ovelhas. Um ancião e uma criança. O motivo é porque a ovelha não aceita a troca de proprietário. Podendo ficar deprimida pela ausência do seu pastor (Jo 16.22), chegando a recusar água ou comida dada pelo novo pastor. Por isso, as ovelhas eram vendidas a um matadouro se não tivesse pastor. Pois se fossem vendidas a outro pastor, elas não se adaptariam.

O cuidado de dois visava acostumar o rebanho em caso de doença ou morte de um dos pastores. Nosso pastor é só um: Jesus. Aquele que não nos deixa nada faltar. Por essa razão Jesus sentiu pena da multidão, pois pareciam ser ovelhas sem pastor, ou seja, deprimidas e necessitadas.

As palavras hebraicas Adonai Elohim destacam o título dado para Deus. É um pronome de tratamento destacando o Senhor, o meu pastor. E diante desse Senhor, o meu Pastor, a frase nada me faltará não tem o sentido de que terei tudo que desejar. O sentido é: tendo o Senhor, o Pastor, não tenho falta de nada, mesmo não tendo nada ou mesmo tendo tudo. Podemos compreender isso com as palavras de Jeremias em Lamentações, o Senhor é tudo o que eu tenho (Lm 3.24-26).

Ovelhas vivem constantemente com senso de medo e terror. Elas não possuem elementos naturais de auto defesa, tais como garras, dentes afiados ou veneno. Uma água turbulenta já as assustava, por isso, era necessário um lugar de água tranquila para que após a caminhada saciassem a sede e não fugissem da água. É irônico, mas, um animal como a ovelha pode morrer de sede mesmo diante de água.

Quantas ovelhas estão diante da água, mas passam sede?

O Amado Pastor cuida da amada ovelha. Certo Beduino relatou que nalgumas ocasiões, o pastor tem de pegar água com as mãos e trazer até a boca da ovelha para que beba e seja saciada. Assim é Deus, o Bom Pastor. Nos sacia pelas suas mãos (Jó 12.10).

Cuidar e proteger é a tarefa diária de um pastor. Por isso o salmista destaca que não dorme e nem cochila (Sl 121).

Ao fim do dia, era preciso voltar ao curral e, o retorno é destacado com as palavras: “ele me guia pelas veredas da justiça por amor do seu nome” – na certeza de um seguro retorno para casa. Todavia, mesmo seguro pela presença do pastor, não significa que o retorno será sem problemas. Davi escreveu: “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte.” O vale da sombra da morte é o caminho composto por vales íngremes e apertados, onde há constante riscos de morte.

Não tem como desviar a rota, ele vale íngreme e apertado faz parte do trajeto de volta para casa. “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14.22).

O ponto não é evitar o caminhar no vale da sombra da morte, a ênfase é que é possível atravessar, pois, o Bom Pastor está com seu rebanho.

A pergunta que intriga é: como as ovelhas atravessavam um lugar como esse?

Alguns pastores desenvolveram uma técnica de adestramento inusitada. Eles cantavam ou tocavam uma música para que as ovelhas ao som da voz ou da música se acalmassem e, numa fila indiana, atravessassem esse lugar perigoso. O cajado evitava a queda e se houvesse queda, o cajado era utilizado para o resgate. Além de resgate, o cajado era usado como vara em questão de desobediência.

O pastor sempre quer o bem do rebanho, por isso, guia e protege, mas também disciplina. Quantas vezes só aprendemos uma lição na dor?

Essa é a dinâmica da vida. Dias tranquilos, no vae de Gedi; dias atravessando o vale da sombra da morte. Dias tranquilos ao som da voz e da música do bom pastor; dias sendo resgatado por termos caído; dias apanhando por querer se desviar do caminho.

A cena espetacular narrada nesse Salmo é a chegada ao aprisco. As energias são supridas após terem atravessado o deserto e estarão prontas para dormir. Todavia, antes de dormir, é preciso fazer a contagem. Aliás, o que o pastor mais fazia durante o dia era contar as ovelhas. Jesus destaca que havendo a falta de uma, o pastor deixa as outras e vai atrás da perdida. Isso mostra o quão precioso é uma ovelha. Não é apenas uma ovelha a mais, é alguém tão precioso quanto as demais. Cada ovelha é como se fosse única. É o Amado cuidando da ovelha amada.

Saber que o nosso pastor Jesus é assim nos anima a continuar caminhando no deserto caótico da nossa existência. Com esse pastor um dia habitaremos seguros e para sempre em sua casa. Casa que ele nos preparou e que cada qual possui seu quarto. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

 

Bibliografia

DOWLEY, Tim. Pequeno Atlas Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. Páginas 62 e 63.

 

LAWRENCE, Paul. Atlas Histórico e Geográfico da Bíblia. Barueri/SP: Sociedade Bíblica do Brasil, SBB, 2013. Páginas 62 a 65.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Entrará no Reino do Céu somente quem faz a vontade de Deus!

Oitavo Domingo após Pentecostes

14 de julho 2024

Lecionário Anual

Salmo 26; Jeremias 23.16-29; Atos 20.27-38 ou Romanos 8.12-17; Mateus 7.15-23.

Texto: Mateus 7.15-23

Tema: Entrará no Reino do Céu somente quem faz a vontade de Deus!

 

Ilustração: usar uma máscara dessa no início da pregação.

Falsos mestres e falsos seguidores de Jesus são identificados não por suas palavras, mas pelos seus frutos.

Jesus disse: “vocês conhecerão os falsos profetas pelas coisas que eles fazem. Não é toda pessoa que me chama de “Senhor, Senhor” que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu” (Mt 7.20-21).

Os judeus que aparentemente sabiam tudo sobre os falsos profetas, tiveram suas consciências acordadas por essas palavras de Jesus.

O profeta Jeremias teve seu conflito com os profetas que disseram “Paz, paz, quando não há paz” (Jr 6.14; 8.11).

 

Cuidado com os falsos profetas! Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens” (Mt 7.15)

 

Lobos era o nome pelo qual os falsos governantes e falsos profetas eram chamados. Nos dias ruins, o profeta Ezequiel disse: “Seus príncipes no meio dela são como lobos que destroem a presa, derramando sangue e destruindo vidas, para obter ganhos desonestos” (Ez 22.27). Sofonias traçou um quadro sombrio do estado das coisas em Israel, quando: "Seus oficiais dentro dela são leões que rugem; seus juízes são lobos da tarde que não deixam nada até a manhã. Seus profetas são homens devassos e infiéis" (Sf 3.3). Quando Paulo estava alertando os anciãos de Éfeso sobre os perigos que viriam, ao se despedir deles pela última vez, disse: "Lobos ferozes entrarão no meio de vocês, não poupando o rebanho" (Atos 20.29). Jesus enviou seus discípulos como ovelhas no meio de lobos (Mt 10.16).

Jesus disse que os falsos profetas eram como lobos em pele de cordeiro. Quando o pastor cuidava de seus rebanhos na encosta da colina, sua vestimenta era uma pele de carneiro, usada com a pele por fora e a lã por dentro.

Esse manto de pele de carneiro tornou-se o uniforme dos profetas. Elias tinha um manto, e esse manto era peludo (1Reis 19.13,19; 2Rs 1.8). O manto de carneiro distinguia o profeta dos outros homens. No entanto, às vezes esse traje era usado por àqueles que não tinham o direito de usá-lo. O profeta Zacarias, ao narrar a imagem dos dias que viriam, disse: “Ele não vestirá um manto de pelos para enganar” (Zc 13.4).

Houve falsos profetas no Antigo Testamento e Novo Testamento e há ainda hoje. Como identificá-los?

 

Vocês o conhecerão pelo que eles fazem. Os espinheiros não dão uvas, e os pés de urtiga não dão figos. Assim, toda árvore boa dá frutas boas, e a árvore que não presta dá frutas ruins. A árvore boa não pode dar frutas ruins, e a árvore que não presta não pode dar frutas boas. Toda árvore que não dá frutas boas é cortada e jogada no fogo. Portanto, vocês conhecerão os falsos profetas pelas coisas que eles fazem” (Mt 7.16-20).

 

Judeus, gregos e romanos usaram a ideia de que uma árvore deve ser julgada pelos seus frutos. “Tal raiz, tal fruta”, dizia o provérbio. Sêneca declarou que o bem não pode crescer do mal, assim como uma figueira não pode crescer de uma oliveira.

Cuidado, há muito mais do que aparenta. Jesus disse: "As uvas são colhidas dos espinhos?" Havia um certo espinho, o espinheiro, que tinha pequenas bagas pretas que se pareciam muito com pequenas uvas. Jesus disse também: "figos são colhidos de cardos?" Havia um certo cardo que tinha uma flor que, pelo menos à distância, poderia muito bem ser confundida com um figo.

A questão é real, relevante e salutar. Pode haver uma semelhança superficial entre o verdadeiro e o falso profeta. O falso profeta pode usar as roupas certas e usar a linguagem certa; mas você não pode sustentar a vida com os frutos de um espinheiro ou com as flores de um cardo; e a vida da alma nunca poderá ser sustentada com o alimento que um falso profeta oferece.

A pergunta que fica é: qual é o fruto pelo qual podemos nos certificar que o profeta ou seguidor é verdadeiro?

Observe que Jesus está nos alertando sobre o perigo de sermos enganados pelos sinais externos (máscaras). Por isso, a ênfase está no dito de Jesus: “quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu” (Mt 7. 21) é o divisor de águas.

Esta frase é dita por Jesus tanto aos falsos profetas quanto aos falsos seguidores de Jesus.

 

Não é toda pessoa que me chama “Senhor, Senhor” que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu. Quando aquele diz chegar, muitas pessoas vão me dizer: “Senhor, Senhor, pelo poder do seu nome anunciamos a mensagem de Deus e pelo seu nome expulsamos demônios e fizemos muitos milagres! Então eu direi claramente a essas pessoas: “Eu nunca conheci vocês! Afastem-se de mim, vocês que só fazem o mal!”” (Mt 7.21-23).

 

O falso ensino do falso profeta produz uma religião que consiste unicamente nas observâncias das coisas externas (se preocupam com datas, festividades, roupas, bebidas e comidas). Recordemos que os escribas tinham a religiosidade como uma observância da lei cerimonial (lavar as mãos, guardar sábado, dízimos).

É fácil confundir Religião e religiosidade com práticas religiosas. Religião se tornou sinônimo de ir à igreja, observar regras, manter em dia suas obrigações religiosas e ler a Bíblia.

Cristianismo é o pulsar do coração. É uma atitude de coração. Um coração transformado pelo perdão de Jesus Cristo.

Religião dos falsos mestres apenas consiste numa religiosidade de proibições. A falsa religião está intimamente ligada a frase: “não farás”. Daí, falsos religiosos que não assistem tv, não dançam, não fumam, não... se sentem mais santificados e purificados. Se ser cristão é apenas se abster das coisas, fácil é ser cristão! Isso muitos hipócritas conseguem fazer.

A essência cristã não consiste em não fazer coisas. A essência é fazer coisas, fundamentadas e surgidas da fé.

Ensino falso produz religião fácil. Cuidado com os falsos ensinos que conduzem ao falso pretexto.

Jesus destaca que os falsos mestres farão e dirão coisas maravilhosas e impressionantes. Todavia, Jesus diz que isso seria usado sob falsos pretextos. Recorde-se: chegará o dia do ajuste de contas.

Jesus enumera que não são as palavras que diferenciam os falsos mestres e religiosos. A diferença está no fazer a vontade de Deus.

Em que consiste fazer a vontade de Deus?

Se fazer a vontade de Deus consiste em guardar os dez mandamentos, toda a humanidade seria condenada, pois ninguém consegue observar a lei de Deus.

A vontade de Deus foi descrita por Jesus ao dizer: “a vontade do meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; ...” (Jo 6.40).

A vontade do Pai é que as pessoas venham a Cristo, creiam em Cristo. O maravilhoso é que Deus concede a sua Palavra para que as pessoas venham e creiam em Cristo. E é dessa Palavra que os falsos mestres querem afastar as pessoas.

O fruto genuíno de um verdadeiro profeta e verdadeiro seguidor de Deus é Jesus Cristo. E desse fruto que é Cristo, frutinhas são produzidas todos os dias (oferta, louvor, adoração...).

Entrará no Reino do Céu somente quem faz a vontade de Deus! E a vontade de Deus é que se venha a Cristo e creia nEle. Amém!

 

Edson Ronaldo Tressmann


segunda-feira, 1 de julho de 2024

Protesto divino diante da incredulidade! (Mc 6.11)

 Sétimo Domingo Após Pentecostes

07 de julho de 2024

Salmo 123; Ezequiel 2.1-5; 2Coríntios 12.1-10; Marcos 6.1-13

Texto: Marcos 6.1-13

Tema: Protesto divino diante da incredulidade!

 

...se em algum lugar as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, vão embora. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente” (Mc 6.11)

 

Protestos são naturais e surgem de maneira espontânea devido a uma indignação.

Nos últimos 18 anos, o número de protestos ao redor do mundo mais que triplicou conforme dados indicados pelo estudo “Protestos Mundiais – Um estudo das principais questões de protesto no século 21”.

O aumento no número de protestos tem em comum a queixa de que os governantes não têm respondido adequadamente às demandas. Os geradores de protestos são desigualdade, corrupção, questões ambientais, racismo, justiça ética e igualdade de gênero.

Jesus retorna com seus discípulos para Nazaré. Cidade na qual Jesus foi criado e era conhecido. Sua família ainda vivia nessa cidade. Após ser rejeitado, Jesus envia seus discípulos de 2 em 2 para uma jornada missionária.

Assim como há geradores de protestos no mundo caído, o gerador do protesto divino “...sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente” (Mc 6.11) é a incredulidade.

O envio missionário de Jesus significa que todos têm direito a ouvir o evangelho. A igreja é enviada para proclamar o evangelho sem excluir as pessoas, mas, se alguém não quiser ouvir, será alvo do protesto divino.

Ninguém é obrigado a crer! Todavia, Deus não tolera a rejeição. Quem rejeita a pregação é para ser rejeitado pelo pregador. Afinal, rejeitar a pregação é como rejeitar o autor da pregação que é Jesus.

Sacudir a poeira das sandálias é dizer: eu não quero viver como você vive! Eu não quero rejeitar o evangelho.

Rejeitar o evangelho é o único pecado para o qual não há perdão.

Diante dessa declaração do protesto divino, Jesus enumera o prosseguir na atividade missionária. Se há quem não quer, há quem queira.

Com o protesto divino aprendemos que a pregação é algo urgente e não há tempo para perder com àqueles que não querem nada diante da pregação.

Jesus respeita a liberdade de escolha, mas não autoriza o ficar insistindo no desprezo a pregação, por isso, hoje é dia de ser salvo. Rejeitar a pregação é correr o risco de se privar da boa nova, que nos liberta dos espíritos maus.

 

...se em algum lugar as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, vão embora. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente” (Mc 6.11)

 

A incredulidade do povo de Nazaré indica que não há desculpas. Jesus já havia se manifestado e operado milagres em Cafarnaum (30 km de Nazaré).

A incredulidade do povo devia-se a origem de Jesus. Para os nazarenos, Jesus era apenas o carpinteiro, o filho de Maria, cujos irmãos e irmãs eles conheciam. Seus irmãos não creram, a cidade não creu e os líderes religiosos não creram. A familiaridade, em vez de gerar fé, produziu preconceito e incredulidade.

A incredulidade sempre tem consequência. Jesus não realizou nenhum milagre e deixou a cidade. Enfermos deixaram de ser curados e pecadores deixaram de ser perdoados.

Jesus estava oferecendo uma segunda chance para a cidade de Nazaré. Ele já havia sido expulso da sinagoga de Nazaré no começo do seu ministério (Lc 4.16-30). Naquela ocasião quiseram matá-lo, e, Jesus mudou-se para Cafarnaum. E agora, outra vez na cidade de Nazaré, Jesus dá ao povo uma nova oportunidade, sem, contudo, ser aproveitada pela cidade.

Por trinta anos, Jesus andou pelas ruas de Nazaré e o povo contemplou sua vida. No entanto, quando diante do anúncio do Evangelho, rejeitaram a mensagem e o mensageiro.

Jesus não tolera a rejeição e por isso, predispõe seu protesto: sacudir a poeira das sandálias.

Familiaridade com Jesus gerou preconceito. A origem e a profissão de Jesus foram obstáculos.

O povo de Nazaré estava com a cabeça cheia de perguntas, mas com o coração vazio de fé. Se não era possível explicar e compreender era melhor rejeitar. Por essa escolha e atitude mental, Jesus fica admirado.

A incredulidade fecha as portas, não importa quantas chances sejam dadas. Após a segunda oportunidade dada por Jesus, Ele saiu de Nazaré e não sabemos dizer se retornou. Jesus não insistiu, apenas prosseguiu com sua missão em outros lugares. Deus é gracioso e misericordioso, mas, isso também têm limites.

A incredulidade é um ladrão que rouba grandes bênçãos. Tirou de Nazaré a oportunidade de um milagre. Diante da incredulidade, Jesus não quer e não realiza nada. Onde há rejeição, a dádiva não faz sentido, é como jogar pérolas aos porcos.

A incredulidade iniciou no jardim do Éden. A incredulidade nasceu diante da promessa do diabo de que os olhos seriam abertos, todavia foram abertos para o pecado e fechados para Deus, a ponto de, ouvirem a voz de Deus, terem se escondido. A incredulidade trouxe a morte. Uma morte que mata eternamente: “quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.16).

A missão de Deus continua sendo realizada e sapatos continuam realizando o protesto divino. Ao enviar seus discípulos, Mateus registra que diante das muitas recomendações de Jesus sobre as indisposições e perseguições dos mensageiros, “Quem recebe vocês, está recebendo a mim; e quem me recebe está recebendo aquele que me enviou” (Mt 10.40).

Jesus envia seus discípulos “dando-lhes autoridade para expulsar espíritos maus” (Mc 6.7).

A pregação da Palavra expulsa espíritos maus. Por isso, há reações ante a pregação. Violentos se manifestam, injustiças são denunciadas e preconceitos acusados.

O fato desses homens serem capacitados para expulsarem demônios e proclamar o arrependimento significa que pregavam para os olhos e para os ouvidos (Mc 6.7,12-13).

O envio de Jesus é seguido de uma ordem: “...levarem nada na viagem, somente uma bengala para se apoiar. Não deviam levar comida, nem sacola, nem dinheiro”. Isso salienta que na empreitada missionária a dependência do pregador está em Deus. A fraqueza do pregador destaca o poder de Deus (2Co 12.9).

Não levar nada na viagem significa ser dependente exclusivamente de Deus que é o autor da missão. Significa trabalhar e confiar na provisão daquele que envia. É viver na provisão da fé. O mensageiro é reconhecido pela mensagem e não pelo que possui.

O envio de dois em dois destaca que a responsabilidade missionária não é apenas de uma pessoa, mas de todos.

Ir de dois em dois significa mútua cooperação, mútuo encorajamento, mútuo ensino e credibilidade no testemunho. Diante do testemunho de duas pessoas toda causa se resolve (Dt 17.6; 19.15; 2Co 13.1).

O envio de Jesus destaca também que a igreja é responsável pelo mundo. Todavia, se esse mundo para o qual a igreja é enviada não quiser ouvir: que os sapatos sacudidos destaquem o protesto divino.

O protesto divino, sacudir a poeira das sandálias, diante da rejeição ao evangelho, ensina que não se é enviado para arrombar portas, mas, aproveitar as portas abertas. Se há rejeição, não deve haver permanência. Ao contrário, a rejeição significa que é preciso passar adiante.

A igreja precisa investir onde as portas estão abertas! Onde elas estão se fechando, a igreja precisa repensar a missão.

O protesto divino ensina quão perigoso é rejeitar o evangelho. Sacudir o pó da sandália significa considerar o local pagão. Significa dizer, a chance que Deus te deu, terminou.

Pelo protesto divino aprendemos que não há salvação fora do evangelho que proclama arrependimento e com isso o perdão e a vida. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Jesus se sobrepõe a morte com uma palavra: levanta-te!

 Sexto Domingo após Pentecostes

30 de junho de 2024

Salmo 30; Lamentações 3.22-33; 2Coríntios 8.1-9;13-15; Marcos 5.21-43

Texto: Marcos 5.21-43

Tema: Jesus se sobrepõe a morte com uma palavra: levanta-te!

 

Tomo a liberdade para falar do Jair.

Esse é o nome hebraico de Jairo. Homem esse que tinha uma reputação religiosa a ser zelada, mas, numa situação difícil em sua vida, recorreu a Jesus, e assim correu risco de perder toda sua reputação. Era um risco muito alto para sua posição, mas, pela vida da sua filha, qualquer coisa. Ele abandona seus preceitos e orgulho.

O texto destaca que Jairo vendo Jesus, que havia acabado de desembarcar vindo de Gerasa, prostrou-se, ajoelhou-se aos seus pés e insistentemente suplicou. Chama atenção que a súplica de Jairo é para que Jesus a salve. Ou seja, minha filha está a beira da morte.

A situação daquela menina de 12 anos era gravíssima.

É preciso enfatizar que para os judeus, a morte de um filho, além da perda, era considerada como sendo um castigo de Deus. Nesse sentido, aquele homem, possivelmente presidente da sinagoga, um servidor de Deus estava sendo atingido por Deus. Jairo estava enfrentando a ira de Deus. Uma ira tão avassaladora no seu entendimento, pois sua única filha estava sendo atingida (Lc 8.42).

Um detalhe não pode passar despercebido, Jesus que estava retornando de Gerasa, poderia estar caindo numa armadilha. Ele estava de volta para a Galiléia. No entanto, Jesus se soldariza pelo pedido de um suposto inimigo, um integrante da sinagoga.

Outro detalhe que nos despertar a atenção. A história que narrada nessa perícope (Mc 4.21-43) apresenta duas mulheres. A menina com 12 anos e uma mulher que já sofria de um fluxo sanguíneo havia 12 anos.

Não eram apenas 12 anos de sofrimento físico, eram 12 anos de sofrimento emocional. Afinal, a lei de Deus prescrevia que devido ao fluxo de sangue a pessoa era imunda (Lv 15.25-27). Sendo assim, essa mulher cerimonialmente não podia ser tocada sem que a pessoa se tornasse impura também.

Esses 12 de sofrimento físico e emocional, também levou aquela mulher a pobreza. Só os ricos procuravam médicos (Mc 4.26). E tendo ela passado por vários médicos e perdido suas posses.

Uma menina de 12 anos, limitada numa cama, em coma. Uma mulher que já por 12 anos sofria de uma hemorragia e agora limitada em todos os sentidos.

Essa mulher, cerimonialmente impura corria um grande risco. Ser descoberta e punido por seu atrevimento de estar em meio as pessoas. Mas, sua fé a fez apenas tocar na veste na Jesus.

E esse toque de fé foi percebido por Jesus. A impureza daquela mulher não contaminou Jesus, a ponto d’Ele rapidamente querer saber quem o havia tocado. E isso surpreendeu os discípulos. No meio dessa multidão, onde as pessoas te tocam, você quer saber quem te tocou.

Jesus estava falando do toque da fé. E eles pensando no toque físico.

Aquela mulher sentiu sua cura e mesmo percebendo o perigo que estava correndo por causa da lei cerimonial, atemorizada e tremendo, se ajoelhou e disse que ela o havia tocado.

O temor e tremor daquela mulher deve-se ao fato de a mesma reconhecer que estava diante de Deus (Gn 9.2; Ex 15.16; Dt 2.25; Sl 2.11; 1Co 2.3; 2Co 7.15; Fp 2.12; Ef 6.5).

Diante Deus, curada, Jesus a chama de filha – ou seja, você está na família de Deus. A tua fé te salvou – Jesus te salvou!

A fé estende a mão para Jesus. A fé abraça a cruz de Jesus. Em Jesus, aquilo que nos afasta das pessoas e de Deus é substituído pela graça.

O fato é que Jesus que estava por ir até a casa de Jairo foi interrompido. Essa interrupção divina foi estratégica no plano de Deus. Afinal, enquanto essa mulher recebia a cura, o pai Jairo recebia a notícia mais cruel que um pai pode receber: sua filha morreu.

Foram segundos – todavia, na cabeça de Jairo deve ter passado muitas perguntas. Por que perdi meu tempo com esse homem? Minha reputação foi por água abaixo! Não há mais nada para fazer! E agora? Mas, após esse breve instante e em meio a sua desesperança, Jesus diz: não temas, crê somente (Mc 4.36).

O exemplo de uma mulher que cerimonialmente era impura, serviu por um momento como exemplo de fé para aquele presidente da sinagoga que em matéria religiosa deveria ser.

Não temas – eis o desafio para a fé. Não submergir diante das mais variadas situações. Aqui recordamos do segundo mandamento. No primeiro mandamento somos exortados a confiar em Deus, o libertador da escravidão, acima de todas as coisas. No segundo mandamento, somos exortados a viver na fé e a fé quando surgirem situações difíceis.

Crê somente – no hebraico a palavra crer significa, adquirir perseverança, firmar-se, aquietar-se. Nesse sentido, quando Jesus disse: crê somente – era como se dissesse: não se preocupe, deixe Deus ser Deus. Afinal, nesse momento, só a ação divina para reverter o quadro.

No evangelho escrito por João Marcos, – sempre está ligada a milagres de Jesus. Ou seja, estando diante de Jesus, silencie-se, pois Deus está disposto a ajudar. Todavia, percebe-se no decorrer do evangelho que há vozes dispostas a silenciar a voz e a esperança em Jesus. Nesse episódio a voz foi: “não incomode o mestre” (Mc 5.35).

Recordemos que Jairo, mesmo sendo um dos principais da sinagoga, foi até Jesus na esperança de obter dEle a salvação para sua filha que estava em situação fatal. E quando ouviu que sua filha estava morta, antes mesmo de sucumbir na fé e voltar correndo para casa, Jesus diz: não temas, crê somente (Mc 4.36). Jairo, você veio até mim para salvação e encontrara isso em mim.

No evangelho de Marcos, os milagres vêm da fé. Nesse sentido, Jesus está dizendo para Jairo não desistir da vida. A fé que parece ser ridícula, é séria.

Chegando na casa, as pessoas riram ao ouvirem Jesus dizer que a menina estava dormindo (Mc 5.39). Para os que estavam ali, era ridícula essa afirmação de Jesus e parecia loucura de Jairo, um homem influente se deixar levar por essa loucura.

O riso da incredulidade os impediu de presenciar o milagre da ressurreição.

Jesus não presta homenagem para a morte. Deus não é Deus dos mortos. Nesse sentido, ao dizer que a menina estava dormindo, Jesus nos ensina que basta uma palavra sua e os que dormem acordam.

Estamos numa sociedade onde o culto para a morte é uma algazarra inapropriada. As pessoas estão vivendo como se fossem viver apenas aqui e agora. Parece que perder essa vida é perder tudo e não é! Em Jesus temos a vida eterna. Sem Jesus se está privado dessa vida eterna.

Ao dizer para aquela menina: eu te mando (Mc 5.41), Jesus se impõe sobre a morte. E cheia de vida, a menina se pôs a andar (Mc 4.42).

Nesse ponto vale relembrar as palavras do profeta Jeremias. “Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam... a virgem se alegrará na dança, e também os jovens e os velhos; tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza... presta atenção na vereda, no caminho por onde passaste; regressa, ó virgem de Israel, regressa às tuas cidades” (Jr 31.4,13,21).

As duas mulheres são como Israel, prostradas, sem vida para a qual raiou o tempo da salvação.

Jesus é a salvação! Ele venceu a morte e em Cristo, estamos cerimonialmente curados e temos a certeza da ressurreição. Jesus se sobrepõe a morte com uma palavra: levanta-te! Assim será ao tocar da trombeta. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 18 de junho de 2024

“Que homem é este?” (Mc 4.41)

 23 de junho de 2024

Quinto Domingo após Pentecostes

Salmo 124; Jó 38.1-11; 2Coríntios 6.1-13; Marcos 4.35-41

Texto: Marcos 4.35-41

Tema: Que homem é este?” (Mc 4.41)

 

O objetivo do evangelho de Marcos é transmitir “a boa notícia que fala a respeito de Jesus Cristo, Filho de Deus...” (Mc 1.1).

Depois de um longo dia, onde Jesus ensinou sobre o Reino de Deus contando a parábola do semeador; da semente; do grão de mostarda; era preciso que os discípulos tivessem uma aula prática sobre a vida no Reino de Deus. Em especial sobre quem é Jesus, o Reino de Deus.

Era momento do Reino de Deus ser espalhado para os gentios. Eles iriam até Gerasa (Mc 5.1), onde Jesus curou um homem possesso por um demônio (Mc 5.2-20).

Era preciso saber quem era Jesus. Os discípulos, escolhidos por Jesus, depois de terem presenciado e vivido uma forte tempestade e Jesus ter acalmado a mesma questionam: “Que homem é este...?” (Mc 4.40).

Esse questionamento é muito pertinente, afinal, os discípulos que chamaram Jesus de Mestre, estavam duvidosos disso. O Mestre soa como, que Mestre é esse, que nos abandona no momento mais terrível da nossa vida. Vamos ouvir como os três evangelistas descrevem as palavras dos discípulos.

Mestre! Nós vamos morrer! O senhor não se importa com isso?” (Mc 4.38).

Socorro, Senhor! Nós vamos morrer!” (Mt 4.25).

Mestre, Mestre! Nós vamos morrer!” (Lc 8.24).

Por um momento os discípulos entenderam o sono de Jesus como que voltado contra eles. Parecia que Jesus os estava negligenciando. É o grito de Israel: “Acorda, Senhor! Porque estás dormindo? Levanta-te. Não nos rejeites para sempre” (Sl 44.23).

Jesus censura seus discípulos: “Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (Mc 4.40).

Essas palavras soam como que Jesus estivesse dizendo, caríssimos discípulos, me admira a covardia de vocês. Não estão comigo num projeto? Recordem-se que ser discípulo não é apenas querer sobreviver. O discípulo não está livre das tempestades só por ser discípulo. E essa lição foi aprendida pelos discípulos. João escreveu as palavras de Jesus: “...No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo” (Jo 16.33). O apostolo Pedro registrou: “...no mundo inteiro os seus irmãos na fé estão passando pelos mesmos sofrimentos” (1Pe 5.9).

E tanto João quanto Pedro registraram que era importante saber disso, pois, era preciso estar firme para enfrentar o diabo em dias conturbados, pois, ele nos tenta para abandonar a fé em Jesus e João destaca que as palavras de Jesus trazem paz no momento da dificuldade. João, Pedro, Paulo, Bartolomeu, Mateus, Judas, Tiago, enfim todos os discípulos, aprenderam que quando a ansiedade e o medo dominam, se é tentado a esquecer quem é Jesus.

Que homem é este...?” (Mc 4.40).

Essa foi a exclamação após o alívio da tempestade.

Antes de ensinar aos seus os questionando sobre sua covardia, Jesus trouxe alívio diante de algo que estava gerando ansiedade e medo.

Observe um detalhe no texto: houve um grande temporal, uma grande bonança e um grande temor.

Alguém comparou como uma tripulação de um navio no qual Jesus está dentro. Todavia, diante das circunstâncias difíceis questiona como se estivesse sendo negligenciada e esquecida por aquele que nunca dorme.

O Salmista Davi enfatizou: “Se o Senhor não estivesse do nosso lado ... teríamos sido engolidos vivos ... a enchente nos teria coberto ... teríamos morrido afogados ...Demos graças ao Senhor, que não deixou que os nossos inimigos nos destruíssem. ... O nosso socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra” (Sl 124).

Tribulações e angústias são algo inerente e inevitável na vida cristã. A vida cristã é como a maré, altos e baixos.

As tempestades são muito úteis em nossa vida. O profeta Naum anunciou: “O Senhor tem seu caminho na tormenta e na tempestade” (Na 1.3).

A palavra tempestade só aparece duas vezes na Bíblia hebraica (Na 1.3; Jó 9.17). Jó questiona: “Porque me quebranta com uma tempestade” (Jó 9.17).

Podemos dizer que encontramos Deus quando nos encontramos com a tempestade. Foi na tempestade que os discípulos encontraram Jesus a ponto de exclamarem: “Que homem é este?

No milagre realizado por Jesus, acalmando a tempestade, recordamos as palavras do profeta Naum e também a mensagem dada por Jó de que “só Ele anda sobre as ondas do mar” (Jó 9.8).

Tal como os discípulos é comum no momento da tormenta, concluir que Deus não está nem aí para nossos sofrimentos.

Chama a atenção que tanto para Jó quanto para os discípulos, não há uma resposta sobre o porquê da tempestade. Os discípulos são repreendidos e Jó é questionado 32 vezes por Deus, sem que Jó pudesse responder uma só questão.

Deus não se interessa em responder o porquê dessa e daquela tempestade, desse ou daquele sofrimento.

Deus utilizou-se de um redemoinho para falar com Jó. E não aparece no texto que Jó tenha duvidado de que era o próprio Deus quem falava.

Jó, ou algum dos seus amigos, não eram capazes de dar explicações corretas sobre o que estava acontecendo. Deus desejava saber o motivo do atrevimento em questioná-lo em meio as suas ações, possivelmente respondendo Eliú.

Em meio as questões de Jó, Deus o desafia a ensiná-lo (Jó 38.3). E sabendo que isso não era possível, de maneira irônica e sarcástica, temos aqui um lembrete amoroso de que Deus é criador. Deus é criador da terra, do mar, do dia e da noite (Jó 38.4-7,8-11, 12-15).

Amorosamente Deus estava anunciando para Jó. Já que você não é capaz de responder essas questões e nem entender se eu explicar, apenas confie.

Interessante que em meio ao diálogo de Deus com Jó, há uma ordem curiosa: “cinge, pois, os lombos” (Jó 38.3). Ou seja, prenda as vestes para que possa facilitar a realização de serviços físicos e possa se esforçar. Prepare-se para o trabalho.

Como, se o corpo de Jó estava coberto de feridas?

Provavelmente essa expressão significa que Deus estava anunciando a Jó que tudo já estava por terminar.

Do meio de um redemoinho (Jó 38.1), “searah” (tempestade acompanhada por ventos fortes, assim como em 2Rs 2.1,11; Is 40.24).

Essa manifestação mostra que Deus não é impessoal, ao contrário, é um Deus que se revela e fala com os homens.

É significativo que Deus tenha se apresentado numa tempestade (Jó 40.6). Afinal, a tempestade causou a morte dos seus filhos (Jó 1.19). Todavia, apesar do infortúnio de uma tempestade (Jó 9.17), triunfa a vitória de Jó. É como dizer a tempestade tirou e a tempestade deu.

Tanto Jó quanto os discípulos pensaram que Deus os havia abandonado. Eles não entendiam o silêncio de Deus.

Nossas perguntas não pressionam a Deus para uma resposta. Ouçamos o profeta Isaías: “os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês” (Is 55.8). Por essa razão, precisamos refletir na pergunta de Deus quando enfrentarmos as tempestades: “As suas palavras só mostram a sua ignorância; quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria?” (Jó 38.2). Também na observação de Jesus: “Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (Mc 4.40).

Vivendo em meio as tempestades, na certeza de que “o nosso socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra” (Sl 124.8). Afinal, Que homem é este?” É Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Amém!

 

Edson Ronaldo Tressmann

“Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre” (Sl 136.1)

  Reflexão sobre o Salmo 136.1-9 “ Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre ” (Sl 136.1)   Este versículo...