segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Alegrando-se na paz de Deus!

 15 de outubro de 2023

Salmo 23; Isaias 25.6-9; Filipenses 4.4-13; Mateus 22.1-14

Texto: Filipenses 4.4-13

Tema: Alegrando-se na paz de Deus!

 

Eu já acordei inúmeras noites na madrugada e me obriguei a levar minha esposa ao médico. Falta de ar, dores no peito, angústia e a única coisa que dizia era que iria morrer. Crises de ansiedade.

O que é ansiedade? É estar estrangulado, sem ar, sufocado.

A pessoa ansiosa sabe quanto sofrimento a ansiedade produz na sua vida. O ansioso sofre por antecipação. De 100 coisas que se imagina, 98 delas nunca acontecem. O ansioso sofre como se algo estivesse de fato e de verdade acontecendo, as dores no peito parece de fato ser um infarto.

Paulo vivia circunstâncias difíceis. Estava preso, as vésperas de ser julgado, sem saber se seria solto ou condenado à morte. E nessa situação, escreve a carta da alegria destacando o motivo da sua alegria. Por essa alegria, era capaz de superar até mesmo a ansiedade.

A alegria expressa pelo apóstolo não é um sentimento emocional. É expressão de confiança em Deus, a ponto de viver tranquilo mesmo estando cercado por perigos. Dessa forma precisamos destacar que a NTLH (Fp 4.5) interpretativamente traduz “o Senhor virá logo,” enquanto que nas outras traduções é dito “Perto está o Senhor” significando que o Senhor está junto conosco nas nossas lutas. Aqui está a alegria do apostolo. Ele sabe que o Senhor está presente.

Jesus, ressuscitado, prometeu e cumpre sua promessa de estar presente todos os dias e em qualquer situação.

O ansioso, quando em crise de ansiedade, não consegue enxergar socorro para seu problema, chegando a faltar-lhe o ar. Sente-se como se estivesse enfartando. O socorro está ao lado!

A ansiedade é a doença do século! Isso se deve ao fato do ser humano estar muito agitado de um lado para o outro com o aqui e agora (Trabalho, família, lazer, problemas, doenças, isolamento social, ...). Assim, vive-se estressado!

Nossos dias são vividos “caminhando no vale da sombra da morte” (Sl 23.4), ou seja, cheio de problemas e inquietações. Como não cair na crise da ansiedade?

Aos ansiosos filipenses, o apostolo escreve: “Perto está o Senhor” (Fp 4.5). Ele está cuidando de cada situação, problema, tribulação. Por esse motivo, o apostolo escreveu: alegrem-se, ou seja, confiem nele, afinal, vocês estão unidos a Cristo (Fp 4.4). Esse Cristo que não deixou a cruz devido ao cuidado para conosco, continua próximo, assim sendo, peçam o que querem e agradeçam continuamente (Fp 4.6).

O ansioso olha para o problema e busca solução para aquilo que nem sequer aconteceu. Antes do problema real, o ansioso já está esgotado, afinal, lutava consigo mesmo antes do problema ocorrer.

Filipenses é a carta da alegria. No entanto, pessoas leigas no assunto, imaginam que se trata de uma alegria emocional expressa por gargalhadas e sorrisos. Todavia, a expressão alegria vai além do estado emocional. O alegrar se no Senhor (Fp 4.4) significa estar confiante no Senhor que perto está com seu cuidado em todos os momentos. Alegrar-se no Senhor é estar confiante em todos os momentos, principalmente quando se está caminhando pelo vale da sombra da morte (Sl 23.4).

Aos ansiosos filipenses que aguardavam notícias de Paulo e até mesmo sua libertação, por essa carta, recebem a notícia de que tudo está nas mãos de Deus, um Senhor presente em todos os momentos.

Como combater o mal da ansiedade?

Perto está o Senhor... a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente...

Assim como os romanos montavam guarda e protegiam a cidade, os cristãos Filipenses podiam saber que a paz de Deus os guardava dia e noite.

Essa paz, esse cuidado todo especial de Deus, não pode ser dado pelo mundo (Jo 14.27), por melhor que sejam suas políticas sociais. Esse cuidado de Deus guarda corações e mentes. Essa paz de Deus, que cuida zelosamente de cada um, é a paz que guia (Fp 4.8,13).

Como lutar contra a ansiedade que nos assedia?

Perto está o Senhor... a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente...

Amém!

ERT

Edson Ronaldo TREssmann

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Currículo religioso

 08 de outubro de 2023

Salmo 80.7-19; Isaias 5.1-7; Filipenses 3.4b-14; Mateus 21.33-46

Currículo religioso

 

Fui circuncidado quando tinha oito dias de vida. Sou israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu. Quanto à prática da lei, eu era fariseu ... No passado, todas essas coisas valiam muito para mim; mas agora, por causa de Cristo, considero que não têm nenhum valor” (Fp 3.5,7).

Um bom currículo é fundamental para conseguir emprego. Um bom currículo apresenta experiência profissional e formação acadêmica continuada.

O currículo vitae deve ser bom, invejável. Afinal, um bom currículo permite encontrar e se manter no emprego.

Por falar em currículo, observamos na carta aos Filipenses (Fp 3.5), o quão o currículo religioso de Saulo era invejável.

Como é o seu currículo religioso? Alguns têm seus currículos: batizado nas águas, falo línguas estranhas, me abstenho de alguns alimentos .... Outro currículo religioso bem conhecido entre nós é: batizado quando criança, luterano de berço, da família tal, de sangue alemão, quanto a prática da lei sou livre ...

O currículo religioso de Saulo era tão impactante e invejável: “Fui circuncidado quando tinha oito dias de vida. Sou israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu. Quanto à prática da lei, eu era fariseu ...” (Fp 3.5).

Na carta aos Filipenses, além da alegria, o apostolo Paulo enumera alguns perigos que a igreja e os cristãos correm. No capítulo 1, Paulo fala das perseguições que podem surgir de fora, no capítulo 2, os perigos da desunião devido aos fatores dentro da igreja. Agora no capítulo 3, o apostolo fala sobre o perigo de confiar no currículo religioso. Esses, Paulo chama de cachorros (Fp 3.2).

Diante do currículo religioso, o apostolo escreve: “É verdade que eu também poderia pôr a minha confiança nessas coisas. Se alguém pensa que pode confiar nelas, eu tenho ainda mais motivos para pensar assim” (Fp 3.4), e assim propõe que os críticos analisem o currículo invejável de Saulo e concluam que por causa do currículo religioso, Saulo já estava salvo e isso poderia ser base de confiança.

Sua base de confiança está no seu currículo religioso?

Analisemos o currículo religioso de Saulo: “... circuncidado quando tinha oito dias de vida. ... israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu. Quanto à prática da lei, eu era fariseu ...” (Fp 3.5).

... circuncidado ao oitavo dia...: símbolo do pacto abraâmico. A circuncisão, pelos judeus era necessidade absoluta para ser aceito por Deus (At 15.1). A legislação judaica requeria a circuncisão no oitavo dia (Gn 17.12; Lv 12.3). Assim, os convertidos ao judaísmo por serem circuncidados adultos, em si, já eram inferiores.

... israelita de nascimento ...: Saulo era da raça de Israel. Era descendente de Jacó, cujo nome era honrado pelo próprio Deus (Gn 32.42) e para os judeus esse nome era sagrado e eles se orgulhavam do mesmo. Ser israelita assinalava que era povo de Deus (Rm 9.4; 2Co 11.22; Ef 2.12). Jacó representava a raça pura de Israel, acima das demais. Israel não é raça mista. E ao escrever em seu currículo que era israelita de nascimento, Saulo destaca que seu sangue era plenamente teocrático, sendo representante seleto de uma raça.

... da tribo de Benjamim...: era o filho da esposa favorita de Jacó (Raquel, Gn 35.17-18). Dessa tribo veio o primeiro rei de Israel, Saul, de quem derivava o nome Saulo (1Sm 9.1,2). Os israelitas se dividiam como sendo Judá e Israel e nessa divisão somente os benjamitas se mantiveram fiéis à linhagem de Davi juntamente com Judá (1Rs 12.21). Tanto os benjamitas como os de Judá formaram o novo núcleo da colônia judaica (Ed 4.1). Nas batalhas, os representantes da tribo de Benjamim, iam na retaguarda e o grito de guerra israelita era: “Após ti, ó Benjamim.

Dessa forma ao escrever da tribo de Benjamim era ser o maior dos maiores, era ser o seleto dos seletos.

...de sangue hebreu...: descendente de Sem.

... Quanto à prática da lei, eu era fariseu ...: era da elite judaica. Foi instruído na lei e se tronou extremista por causa dessa lei (At 22.3; 23.6; 26.5). Os fariseus pensavam e agiam como se a vida inteira fosse caracterizada pela observância mais estrita da lei. Cada fato da vida diária era afetada pela lei.

A lei era o sistema judaico inteiro, o que determinava o antigo testamento e os acréscimos das tradições judaicas. Os fariseus eram seguidores estritos e escrupulosos da lei de Moisés.

Paulo não era um fariseu comum, e por isso, devido ao rigor da lei que cumpria, “...perseguiu a igreja ...” (Fp 3.6).

Pelo seu currículo, Paulo era irrepreensível, inculpável diante de Deus, mas, não sei se Paulo bateu a cabeça quando caiu do cavalo (At 9), afinal, preferiu rasgar e jogar seu currículo fora. “No passado, todas essas coisas valiam muito para mim; mas agora, por causa de Cristo, considero que não têm nenhum valor” (Fp 3.7).

Por causa de Cristo: meu currículo religioso perde seu valor. Não importa o quão religioso eu seja, sem Cristo, nada sou. Por mais que minha religiosidade faça as pessoas me elogiarem, aplaudirem, exaltarem, sem Cristo, não importam as palmas, os elogios, a exaltação. ...por causa de Cristo ... mesmo que meu currículo não seja digno de apreciação, por causa dos muitos pecados, vale mais que o currículo religioso sem Cristo.

De um currículo religioso invejável para um currículo questionável: “O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15).

Em Cristo meu currículo religioso nada vale, por mais grandioso que seja. Ante as pessoas, nosso currículo religioso têm valor, mas, diante de Deus, é melhor que ele me encontre na fé em Cristo do que com um currículo religioso em mãos.

Como é o seu currículo religioso? Qual é o seu apego e confiança nele?

Talvez você não fume, não beba, mas, guarda ódio do seu irmão. Talvez você se abstenha desse ou daquele alimento, mas, não se abstêm do que possui para socorrer um irmão necessitado. É melhor rasgar e jogar no lixo o meu currículo, “por causa de Cristo.” Deixe de olhar para seu currículo e olhe para aquele que do alto da cruz exclamou: está consumado! (Jo 19.30), ou melhor, o meu currículo religioso e também o currículo pecador foi rasgado e não tenho mais nada, a não ser em Cristo para me agarrar. Quando o sol brilha, de nada adianta estar ao lado de uma vela acessa.

Peço também que, por meio da fé, Cristo viva no coração de vocês. E oro para que vocês tenham raízes e alicerces no amor, para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade” (Ef 3.17-18). Amém!

ERT

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Arrependimento e fé

 01 de outubro de 2023

Salmo 25.1-10; Ezequiel 18.1-4,25-32; Filipenses 2.1-4,14-18; Mateus 21.23-27

Tema: Arrependimento e fé

 

Mateus 21.23-27, fala sobre arrependimento e fé.

Jesus faz uma pergunta: “E que vos parece?” A partir daí passa a contar a parábola dos dois filhos. Apesar de termos nas Escrituras quatro evangelhos, a parábola dos dois filhos foi registrada apenas pelo evangelista Mateus.

Essa parábola faz parte de um bloco de três parábolas, onde Jesus ataca a ideia de merecimento que os líderes religiosos tinham sobre o ser membro do reino de Deus.

Ao responder aos líderes judeus, Jesus liga sua autoridade a autoridade de João Batista. Tanto Jesus como João Batista eram bem aceitos entre as pessoas comuns e as que eram rejeitadas pelos líderes judeus da época.

Na parábola, ambos os filhos receberam o mesmo convite: trabalhar na vinha do pai. O primeiro disse que iria, mas não foi. O segundo disse rudemente que não iria, mas “depois, arrependido, foi” (Mt 21.29 Revista e Atualizada). A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz dizendo que “depois mudou de ideia e foi”. As duas traduções estão corretas. Ambas traduziram o verbo grego metamelomai.

O termo metamelomai foi usado por Mateus por ocasião do relato de Judas após a traição. Judas se arrependeu, lastimou sua traição, mas, infelizmente não achou o caminho de volta.

Arrependimento tem um sentido amplo (a conversão como um todo) e um sentido restrito (reconhecimento do pecado, coração quebrantado e contrição). O segundo filho apresentado na parábola, arrependeu-se em sentido restrito, ou seja, reconheceu seu erro e sentiu tristeza. Sentiu o pesar de não ter cumprido a vontade do pai. O primeiro filho apresentado na parábola, não passou por essa tristeza. O mesmo não se preocupou com seus pecados. C.F.W. Walther, pastor Luterano disse em suas preleções sobre lei e evangelho que “não pode haver fé num coração que, primeiramente, não esteve atemorizado”.

Aqui é o ponto de Jesus. Os fariseus e os líderes religiosos judeus por nunca terem reconhecido seus pecados e nem sentido contrição por eles, estavam entre os que se achavam sãos e que não necessitavam de médico.

O que impedia os fariseus e líderes religiosos judeus reconhecerem a necessidade de se arrependerem era sua justiça própria. Não importava o quanto fossem convidados ao arrependimento, eles não conseguiriam voltar, pois se julgavam auto suficientes. Assim, as prostitutas, os cobradores de impostos e outros pecadores, julgando-se indignos, reconheciam que não haviam feito a vontade do Pai e se arrependeram e se agarraram em Jesus.

Os líderes judeus confiavam na sua dignidade.

Dignidade essa, que segundo eles vinha da observância da lei de Moisés, da participação assídua na sinagoga, das ofertas e dos dízimos, das doações e esmolas, da prática diária da oração. Os judeus, o primeiro filho da parábola, não julgavam necessário se arrependerem, pois eram obedientes e assim, justos diante de Deus.

Após contar a parábola (Mt 21.28-30), Jesus perguntou: “Qual dos dois filhos fez a vontade do Pai?” (Mt 21.31). Ao que os próprios judeus responderam, “o segundo” (Mt 21.31). E concordando com a resposta, Jesus declara que “publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus” (Mt 21.31).

Essa resposta de Jesus é a declaração de que Deus não aceita o pecador pela sua suposta obediência. A relação entre o ser humano e Deus é marcada pelo arrependimento e a fé.

Os líderes judeus não passaram pela metamelomai, ou seja, não se arrependeram e nem sequer creram na mensagem da justiça provinda através de Cristo.

Se os lideres judeus responderam e Jesus confirmou que o segundo filho agiu corretamente e arrependido voltou para fazer a vontade do Pai, cabe a pergunta: Qual é a vontade do Pai?

Bem, a vontade de Deus antes da obediência é que todos se acheguem a Ele, de graça, tocados por seu amor, depositando nEle toda a sua confiança e esperança.

Os líderes judeus estavam sendo convidados a experimentar aquilo que os publicanos, as prostitutas e tantos outros já haviam experimentado. Reconheceram sua indignidade e sentiram profunda tristeza por sua vida porca que estavam levando e sabiam que em Jesus estavam sendo aceitos por Deus.

Ser aceito por Deus era a angústia de Martinho Lutero e tantos outros na idade média. Como ser aceito por Deus? A resposta foi encontrada nas Escrituras Sagradas. Só se é aceito por Deus através da obra realizada por Jesus. Todo aquele que crê no sacrifício vicário de Cristo, tem a salvação. A fé não é uma obra humana, é um presente dado pelo Espírito Santo que atua pela Palavra. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 19 de setembro de 2023

O Senhor Deus é a minha luz e a minha salvação

 24 de setembro de 2023

Salmo 27.1-9; Isaias 55.6-9; Filipenses 1.12-14,19-30; Mateus 20.1-16

Texto: Salmo 27.1

Tema: O Senhor Deus é a minha luz e a minha salvação

 

Antropólogos dizem que os primeiros seres humanos não tinham medo do escuro. Na medida em que as gerações passaram, o DNA das pessoas, recebeu a noção de que durante a noite acontecem coisas ruins. O medo faz com que as pessoas criem a fantasia de que os animais selvagens atacam somente à noite, bem como os ladrões, os assassinos, etc.

Deus criou os seres humanos na luz e sem medo!

A Nictofobia é o medo irracional da escuridão. Nixa deusa da noite” e Foboso deus do terror”. São pessoas que quando escurece ou se apaga a luz, o medo toma conta. Essa doença ocorre geralmente em crianças, mas pode continuar na fase adulta se não for tratada a tempo corretamente. Quem sofre dessa doença, vive um pesadelo diário mesmo com olhos abertos. Quem sofre dessa doença tem a escuridão como inimiga da razão. Todos os medos, mesmo que não sejam reais, não são aliviados de nenhuma maneira. Outra consequência do medo da escuridão é que pode causar sérios distúrbios neurológicos e físicos. Exemplo disse está na Finlândia. Todos os anos os finlandeses enfrentam um longo período de escuridão entre meados de novembro até a metade de janeiro. Há regiões no norte da Finlândia em que nesse período há apenas 56 minutos de luz do sol por dia. Na região mais ao sul há 6 horas de claridade por dia. Nesses dias de pouca luz solar, os finlandeses perdem as forças físicas, se sentem cansados e desanimados. Milhares de filandeses iniciam um processo de depressão desastroso. Essa depressão é conhecida como efeito Kaamos que em português significa “noite polar”.

A luz é essencial. No primeiro dia da criação Deus disse: “Que haja luz!” (Gn 1.3).

No primeiro dia a primeira criação de Deus foi a luz. Por quê? Sem luz não há vida.

Deus venceu a escuridão criando a luz. Com a queda em pecado, outra escuridão caiu sob o mundo e sob as pessoas. Para vencer essa escuridão Deus enviou seu Filho Jesus que disse: “...Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). E essa luz me é dada por ocasião do batismo e também na pregação.

Jesus é a luz que o mundo tanto necessita. Nosso inimigo não quer que essa luz esteja acessível às pessoas. O apostolo Paulo escreveu que muitas pessoas “...não podem crer, pois o deus deste mundo conservou a mente deles na escuridão. Ele não os deixa ver a luz que brilha sobre eles, a luz que vem da boa notícia a respeito da glória de Cristo, o qual nos mostra como Deus realmente é” (2Co 4.4).

Pelo evangelho Deus nos dá sua luz. Cada vez que o evangelho é pregado é pregado, Deus está jogando luz e, quando alguém crê está sendo tirado das trevas para a luz. Assim, o primeiro dia da criação é algo vivenciado ainda hoje naqueles que são convertidos. Por isso, junto com o salmista posso dizer: “O Senhor Deus é a minha luz e a minha salvação”. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8

 17 de setembro de 2023

Salmo 103.1-12; Gênesis 50.15-21; Romanos 14.1-12; Mateus 18.21-35

Salmo 103

 

O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8

Martinho Lutero no prefácio a tradução em 1545, escreveu que esse Salmo poderia ser chamado de uma pequena Bíblia.

Tudo o que consta na Bíblia inteira aqui foi escrito de maneira resumida pelo salmista nesse Salmo.

Esse salmo canta a graça de Deus de maneira belíssima. Ouça novamente: O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8. Uma descrição bela e profunda de Deus.

Deus é amor – esse é coração do Salmo e pelo qual pulsa sangue para todo louvor e adoração. O amor de Deus motiva a louvar a Deus em todas as situações.

O convite é dirigido a garganta e nos processos vitais que nela acontecem. Ou seja, comida, bebida e fala. Toda a vida é um lembrar das ações de Deus. O louvor brota do agir amoroso de Deus.

vv. 3-5: Deus é aquele que perdoa, resgata, coroa e sacia. Seu agir revela quem ele é.

Possivelmente teve alguma doença grave v.3, e foi libertado dessa cova. Essa libertação da doença é compreendida como perdão dos pecados. A abundância da misericórdia de Deus é entendida como coroação.

Não adorem nenhum outro deus, pois eu, o Senhor, me chamo Deus Exigente e exijo que vocês adorem somente a mim” (Ex 34.14). E esse convite de Deus se deve ao fato de não haver nenhum outro deus como o nosso Deus, O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8

No Egito antigo a ira era considerada uma virtude, como a capacidade de fazer justiça. Nesse sentido, Deus parecia ser fraco, afinal, Deus prefere perdoar a irar-se. O próprio Jesus mostra o coração amoroso do Pai. Quando estava sendo crucificado não irou-se, mas suplicou por perdão aos seus algozes.

A lentidão em irar-se é expressão extrema justamente da paixão de seu amor, que não se deixa levar pela vingança. Deus não é ser humano que valoriza a ira, a vingança, o ódio, a briga. Deus valoriza o perdão e o amor. Deus é amor!

Enquanto que o amor humano é afetado pelas circunstâncias e age por essas circunstâncias. O amor de Deus não é assim. Deus age por misericórdia. Ele compreende o resultado da queda em pecado e sabe suas consequências e age movido pelo seu amor.

Deus não ama o ser humano por uma razão, por uma qualidade que o ser humano tenha. Deus ama por que ele é amor, pois ele é a fonte do amor. vv. 11-13: para aqueles que o temem” – o que significa esse temor?

Temor ao Senhor é prática religiosa. Não é medo, mas orações e uma vida de confiança em Deus.

Esse salmo trata da proximidade de Deus. Muitos tinham Deus como alguém distante e irado sempre pronto a punir.

O autor é Davi. Homem que cometeu dois graves pecados (adultério e assassinato). Por deixar de confiar no amor misericordioso de Deus, escondeu de Deus os seus pecados. Ficou doente fisicamente e espiritualmente. Foram dias difíceis até que confessou seus pecados a Deus e recebeu de Deus o perdão. Davi passou a ver Deus como sendo bondoso e misericordioso que não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8.

Pessoas estão sofrendo!

O sofrimento faz parte da vida diária, mas, parece que ele nos incomoda mais quando estamos enfermos. Na enfermidade, muitas pessoas sentem a mão pesada de Deus e passam a vê-lo como sendo irado e cheio de vingança e punição.

Após confessar seu pecado, Davi exclamou que feliz é aquele cuja as maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga (Sl 32.1) e após essa maravilhosa experiência de perdão, escreveu O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8.

Davi descreve DEUS como misericordioso, inclinado compassivamente em favor do ser humano.

Esse Deus, o inimigo (Diabo) não quer que as pessoas conheçam (2Co 4.4), por isso, as pessoas são mantidas na idolatria, no medo, no pavor, no legalismo.

Davi escreve que Deus é pai de Israel (v.7). Um missionário que trabalhava na África contou a seguinte história de quando ele ensinou a oração do Pai nosso aos nativos. Uma mulher se recusava de orar além das palavras “Pai Nosso, que está no céu” (Mt 6.9). Ao ser perguntada porque interrompia a oração e não prosseguia, respondeu: “Se Deus é meu Pai, isso é tudo que eu preciso saber”. O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso Sl 103.8. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Febre que nos leva a cura!

 10 de setembro de 2023

Salmo 32.1-7; Ezequiel 33.7-9; Romanos 13.1-10; Mateus 18.1-20

Texto: Salmo 32.1-7

Tema: Febre que nos leva a cura!

 

De dia e de noite, tu me castigaste, ó Deus, e as minhas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão” (Sl 32.4).

 

Sempre que alguém está com febre, uma coisa é certa: “algo está errado. A febre mostra que algo está precisando ser tratado nesse corpo.

Davi ao escrever as palavras do verso 4 no Salmo 32 faz referência a uma pessoa que está sendo ressecado pela febre.

A febre mostra que o corpo está sob ataque severo e a função da febre é curar o corpo desse ataque. A febre mata as bactérias que são a causa de enfermidades. Se a febre ajuda no combate às bactérias, por qual motivo se toma remédio para passar a febre? Quando a febre é alta demais pode provocar uma lesão no coração e deixar a pessoa com um problema cardíaco crônico. Dessa forma, a febre que ajuda e prejudica se alta precisa ser abaixada e para isso toma-se gostas de dipirona.

Davi estava com febre, uma febre enviada da parte de Deus. O objetivo dessa febre enviada por Deus era curar Davi. Mas, o seus pecados cegaram seus olhos e fecharam seus lábios e assim ele sofreu por não tomar o remédio que baixava a febre.

Em qualquer consulta médica, rotineira ou urgente, a temperatura é verificada. Em dias de Pandemia, aparelhos eram utilizados para verificar a temperatura do corpo antes que alguém adentrasse num recinto.

Deus permite que sejamos acometidos pela febre. Para curar essa febre, o termômetro, sua Palavra, sua lei, verifica e nos examina.

E, quando somos diagnosticados e a febre é confirmada, Deus nos oferece o remédio para curar a febre e todas as consequências que a mesma possa gerar: Deus nos dá a pílula do perdão.

O problema é que para qualquer tipo de doença, anunciada pela febre, as famosas receitas caseiras impedem a pessoa de buscar o médico e realizar exames.

A febre que acometeu Davi indicava que algo estava errado. Essa febre lhe causou problemas físicos, seu corpo adoeceu. Também problemas espirituais, Davi deixou de ver a misericórdia de Deus.

A lei de Deus em Lv 20.10; 18.20; Ex 20.14; Dt 5.18, anunciava morte por apedrejamento aos adúlteros e assassinos. O termômetro que identificou a febre de Davi foi a Palavra de Deus anunciada pelo profeta Natã. Davi confessou seus pecados (2Sm 12.13). Arrependido, Davi ingeriu a pílula do perdão e recebeu a cura. Enquanto Davi se recusava a tomar a pílula do perdão oferecido por Deus, ele sofria fisicamente e espiritualmente. Enquanto Davi preferiu guardar silêncio e viver teimosamente e não confessar os seus pecados a Deus (Sl 32.3) a febre o atormentava: De dia e de noite, tu me castigaste, ó Deus, e as minhas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão” (Sl 32.4).

Quando alguém passa por uma doença grave e se recupera, a mesma exclama com alegria sobre o episódio por mais triste que tenha sido. O mesmo aconteceu com Davi e acontece com o pecador que se arrepende e recebe o perdão de Deus em Cristo Jesus. Amém!

ERT

Edson Ronaldo TREssmann

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Tome sua cruz.

03 de setembro de 2023

Salmo 26; Jeremias 15.15-21; Romanos 12.9-21; Mateus 16.21-28

Texto: Mateus 16.21-28

Tema: Tome sua cruz.

 

Fala-se muito de fé!

Eu tenho muita fé!

Ouve-se também muito sobre a fé cristã.

Afirmam: “Isto é o poder da fé em Cristo.” Mas, o que vem a ser a fé cristã? Na leitura que antecede ao nosso texto, ouvimos Jesus dizer ao apóstolo Pedro: Não foi carne e sangue quem to revelou, mas eu Pai que está nos céus (v. 17). A fé não é obra humana. É um dom de Deus, isto é, um presente de Deus. É uma revelação, algo que alguém recebe.

Jesus havia instruído seus discípulos, e, é a primeira vez que ao perguntar pela fé, Pedro respondeu corretamente: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. O primeiro objetivo de Jesus com respeito a seus discípulos fora alcançado: Eles reconheceram que Cristo era o verdadeiro Filho de Deus. Mesmo assim, os discípulos precisavam aprender ainda muito sobre a obra redentora de Cristo. Jesus iniciou este trabalho. Assim lemos e aprendemos em Mt 16.21 suas instruções.

É necessário

Jesus não faz simplesmente uma revelação do que estava pela frente, mas mostrou a razão disso. Era necessário. Sem isto, não haveria salvação para a humanidade. O sofrer, padecer e morrer era necessário.

Estes fatos, na verdade, já foram anunciados amplamente por Moisés e os profetas, mas não compreendidos. Eles leram e liam as Escrituras diariamente no templo, mas só viam, com seus olhos carnais, as mensagens sobre a glória do Messias. Deste veneno, os discípulos também estavam embevecidos. Por isso não entenderam as palavras de João Batista: Eis o Cordeiro de Deus que tira os peados do mundo, (Jo 1.29) nem as palavras de Jesus: Uma geração má e adúltera pede um sinal: e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas (Mt 16.4) . Por isso Jesus lhes diz com palavras bem claras: É necessário... ser morto, e ressuscitar no terceiro dia (v.31).

Lemos e aprendemos em Mt 16.23 suas instruções:

Um choque

Esta notícia foi um choque violento para os discípulos. Vemos isto pela reação do apóstolo Pedro. Jesus, o Messias, o Filho do Deus vivo morrer. Impossível. Jamais. Isto causou um curto na mente dos discípulos, um black out. Como ainda hoje permanece loucura e escândalo para a razão carnal (1 Co 1.23). Este choque foi tão forte que nem se aperceberam da palavra final: E ressuscitado no terceiro dia.

Pedro toma Jesus para o lado e lhe diz: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Pedro amava Jesus. Queria o bem dele. Disse isso em profundo amor, mas segundo a mente humana. Quantas vezes nós temos agido assim nas coisas de Deus? Seguimos nossa razão e não damos a devida atenção à palavra de Deus. Jesus reprova a Pedro com veemência, ao lhe dizer: Arreda! Satanás; tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e, sim das dos homens. Jesus via nisto a ação de Satanás, valendo-se da fraqueza de Pedro, para dificultar a caminhada de Jesus para cruz. Não podemos nem imaginar o impacto que estas palavras deve ter causado sobre Pedro e os demais.

Há pouco fora considerado bem-aventurado por sua confissão e agora precisa ouvir as palavras: Arreda! Satanás.

Assim somos nós. Estamos na fé, mas temos esta fé em vasos de barro, em nossa natureza carnal, que não cogita, nem compreende as coisas de Deus. Por isso precisamos ouvir sempre lei e evangelho, repreensão e consolo.

Lemos e aprendemos em Mt 16.24 suas instruções:

Tome sua cruz

Para evitar ilusões, Jesus mostrou o que o discípulo poderia esperar por segui-lo: não glória, mas cruz. Então disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me (v.24).

Se alguém - Jesus se refere a todos os cristãos em todos os tempos, também a nós. Se alguém quer vir após mim - ninguém é forçado. É convidado. Só pela graça, isso não exclui ninguém, mas a graça é resistível. Os que seguem, são voluntários. E os que seguem precisam negar-se a si mesmos. Em que sentido?

Permitam citar uma ilustração: Quando empreendemos uma viagem, três coisas são necessárias: a) dizer adeus, b) tomar a bagagem, c) seguir firme para o alvo. É isto que Jesus mostra a seus discípulos.

a) Negar-se a si mesmo: tu precisas dizer um não, um adeus a ti mesmo, ao teu “eu” natural corrompido pelo pecado, que se opõe à Deus e à sua Palavra. Este “eu” chamamos de nosso velho homem ou velho Adão, nossa natureza carnal, nossa índole natural, o pecado original em nós, inclinado para todo o mal, cego em coisas espirituais, inimigo de Deus, de onde brotam todos os pecados: egoísmo, avareza, ciúmes, paixões mundanas, cobiça, etc. A isto temos que dizer diariamente um não, por contrição e arrependimento.

Não conseguimos por nós mesmos. Para isso precisamos da luz da palavra de Deus, pela qual o Espírito Santo nos ilumina.

b) Tome a sua cruz: quando surge a fé e o Espírito Santo vem ao coração para nos guiar, então nossa vida será dirigida pelo Espírito Santo, que nos dirige pela palavra de Deus. Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Temos prazer na lei de Deus. Procuramos iluminar e orientar toda nossa vida pela palavra de Deus. Mas por vivermos ainda neste mundo em trevas, notaremos que precisamos lutar contra nossa própria natureza carnal, contra as tentações do mundo e as ciladas de Satanás. E, assim como os altos dirigentes da Igreja da época, nem o povo simples gostaram de ter Jesus em seu meio. Hoje o mundo zomba, repudia, despreza os cristãos. Não queremos nos retrair ou negar Jesus, antes confessá-lo por palavras e obras. Este é o ônus que temos que tomar sobre nós ao seguir a Cristo. Isto não é fácil. No palácio do Sumo sacerdote, o tão corajoso Pedro, foi tomado de medo e negou Jesus três vezes. Ele se arrependeu profundamente desse erro. Mas quem o nega persistentemente, Jesus o negará o no do juízo final. Não queremos nos envergonhar de Cristo e de sua palavra, antes confessá-la ousadamente. Que Deus Espírito Santo nos fortaleça nisto.

c) siga-me: Fielmente queremos segui-lo ao lar celestial. Aqui somos peregrinos. Queremos segui-lo em nosso lar, no trabalho, na sociedade, apegados à palavra de Deus, confessando ousadamente seu nome, mesmo que isto nos traga o desprezo do mundo, prejuízos materiais, a perda de nossos bens, da família e da vida, como cantamos: Se vierem roubar os bens, vida e o lar – que tudo se vá! Proveito não lhes dá. O céu é nossa herança (HL 165.4).

Jesus disse uma palavra surpreendente: Em verdade vos digo que alguns aqui se encontram que de maneira nenhuma passarão pela morte até que veja vir o Filho do homem no seu reino. O julgamento final começou com o julgamento do povo de Israel: a destruição do tempo e a dispersão do povo. Isto testemunhou de que Jesus é Rei dos reis, Senhor dos senhores, que está à direita do Pai e em breve virá em glória para julgar vivos e mortos. Nesta época alguns ainda estavam vivos, como o apóstolo João, por exemplo. Assim a destruição de Jerusalém é tida como o início do juízo final, que se completará com a vida de Cristo em glória, quando todos os mortos ressuscitarão, e Jesus criará novo céu e nova terra, onde habitará justiça.

Os discípulos custaram em compreender a obra redentora de Cristo. Só a compreenderam no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo os iluminou para compreenderem os mistérios da salvação e proclamá-la ao mundo. De fato, ninguém pode dizer Senhor Jesus, com fé, na compreensão da pessoa e obra de Cristo, da justificação do pecador, se não pelo Espírito Santo.

Sejamos agradecidos a Deus por nos ter levado e conservado na fé. Sejamos fervorosos na proclamação do Evangelho, tomemos sobre nos a nossa cruz, que é por curto tempo. Eterna é a recompensa pela graça de Cristo. Amém.

                                                                                  São Leopoldo, 18/08/2008

                                                                                    Horst R. Kuchenbecker          

“Deem graças ao SENHOR, porque ele é bom; o seu amor dura para sempre” (Sl 136.1)

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