segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Jesus é a nossa justiça!

Temática da IELB para o novo ano eclesiástico: 
                    Viver e anunciar o que o Senhor tem feito! Na vida de culto e serviço.

1º Domingo de Advento
29 de novembro de 2015
Sl 25.1 – 10; Jr 33.14-16; 1Ts 3.9-13; Lc 19. 28-40
Tema: Jesus é a nossa justiça!


         O contexto do livro de Jeremias apresenta-se entre dois extremos. Dos anos 642 – 609 a.c. e dos anos 609 – 586 a.c. Um total de 56 anos. O período mais longo, 642 – 609 a.c., foi de otimismo. Houve independência política, prosperidade crescente, reforma religiosa. O período de 609 – 586 a.c., foi marcado pelo declínio do reino do sul e o domínio do Egito e da Babilônia, para onde foram exilados.
         O povo constantemente esteve envolvido em tensões internas. As lutas partidárias foram acompanhando as injustiças sociais e uma nova corrupção religiosa. O povo de Deus iniciava sua caminhada rumo ao fim.
         O profeta Jeremias viveu esses momentos de transição entre o povo de Deus. A mensagem profética descrita em Jr 33.14-16, dada por Deus entre os anos de 587 / 586 a.c. ao profeta e Jeremias por ocasião do início do exílio Babilônico.
         O povo estava sem saber o que fazer e como agir. Os dias de festa, haviam se tornado dias de choro.
         O capítulo 32 narra o episódio do primo de Jeremias, Hanameel. Esse aparece no átrio da guarda pedindo que Jeremias lhe compre a sua propriedade. Essa transação era absurda, afinal, comprar um terreno numa cidade de onde todos seriam levados cativos para outro país era incompreensível. No entanto, o profeta Jeremias mostra que essa transação era uma mensagem extraordinária de Deus ao seu povo. Era a mensagem de que todos retornariam do exílio, quando todos imaginavam que era o fim: “Ainda se comprarão casas, campos e vinhas nesta terra” (Jr 32.15).
         A mensagem de Deus ao seu povo era que todos agissem com fé, confiança e certeza. Eles voltariam do exílio. Entre esse povo, Deus tinha uma promessa à ser cumprida: o nascimento do salvador. Ouça o profeta: “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que cumprirei a boa palavra que proferi à casa de Israel e à casa de Judá. Naqueles dias e naquele tempo, farei brotar a Davi um Renovo de justiça; ele executará juízo e justiça na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; ela será chamada Senhor, Justiça Nossa” (Jr 33.14 - 16).
         O momento do povo de Judá era de humilhação pelo cativeiro babilônico. Mas, o que eles não conseguiam imaginar era que seriam exaltados, pois, entre eles, nasceria o salvador. O médico Lucas registra essa verdade ao escrever: “José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, ...O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.4,10,11).
         Todo o evento para a salvação do pecador teve seu início na promessa feita por Deus à Adão e Eva por ocasião da queda (Gn 3.15). Todas as páginas das Escrituras Sagradas revelam esse plano salvador, a mensagem do profeta Jeremias: Jesus é a nossa justiça!  
         A partir da queda em pecado sempre houve pecadores que necessitaram da graça e da misericórdia de Deus. A necessidade da graça e misericórdia de Deus se deve ao fato da consequência imediata da queda em pecado, ou seja, a separação de Deus. A humanidade estava fadada ao fracasso da perdição eterna. No entanto, Deus fez a promessa de que enviaria seu filho para que o mesmo pagasse o preço para resgatar a humanidade. Assim, quando do alto da cruz Jesus exclamou: “Está consumado!” (Jo 19.30), anunciava que “a dívida foi paga, o pecador está liberto de toda a culpa e condenação”.
     Infelizmente, mesmo sendo Jesus a justiça do pecador, muitos não vivem pela fé. Sem fé na obra redentora de Cristo, sem Cristo que é a justiça do pecador perante Deus, milhares não irão receber a salvação.
         Quando o profeta Jeremias anunciou ao povo que Deus permitiria que eles fossem ao exílio, houve desespero e falta de confiança em Deus. Mas, para os assegurar do amor e da misericórdia de Deus, o profeta anunciou que desse povo que iria para o exílio, Deus levantaria o salvador.
         A igreja cristã inicia, dia 29 de novembro de 2015, o advento. Advento é o período de preparação para a comemoração do nascimento de Jesus.
         O natal é para muitos, assim como é Jesus, ou seja, só é “bom e alegre” quando está tudo bem. Qual é o propósito de Deus com o exílio (sofrimento)? O que Deus nos reserva após o exílio?

         Advento – momento de preparação para algo muito maior. Jesus é a nossa justiça! É a nossa luz na caminhada pelo exílio. É a nossa certeza de salvação. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann
https://www.facebook.com/Palestra-Na-Companhia-do-sucesso-1555786291310007/

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Compadecer-se dos que tem dúvidas

22 de novembro de 2015
Último domingo após Pentecostes
Sl 93; Is 51.4-6; Jd 20-25; Mc 13.24-37
Tema: Compadecer-se dos que tem dúvidas.

         Recordo a congregação evangélica Luterana que no ano de 2012 as palavras do texto de Judas foram lidas por ocasião do culto. Mas, mesmo 3 anos após, muitos ao abrirem suas Bíblias nesse culto para a leitura da epístola de Judas pensaram: - não me lembro de ter lido a carta de Judas em um culto da IELB.
         No dia 19 de novembro de 2012, o tema abordado sobre a epístola de Judas foi: Uma convocação Urgente! Qual? Batalhar pela fé entregue aos santos - http://sermoescristoparatodos.blogspot.com.br/2012/11/uma-convocacao-urgente.html
   Há outro motivo para a convocação urgente feita por Judas, “E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida” (Jd 22), ou, “a alguns que duvidam, convencei-os”.           É possível convencer alguém que está em dúvida a respeito da fé cristã?
         É necessário olhar para os 3 versículos anteriores ao versículo 20. Conforme os versículos 17 – 19 os “homens sensuais” aos quais Judas se refere não são apenas aqueles que se afastam da congregação visível, mas também, àqueles que se separam definitivamente de Cristo e da sua Igreja, unindo-se ao diabo com práticas ímpias e pecaminosas. Esses homens são “sensuais” justamente por não terem o Espírito de Deus, “...sensuais, que não têm o Espírito” (Jd 19).
         Cair da graça é um fato que pode acontecer conosco. E isso pode ocorrer de maneira bem sutil. Lembro-me que a poucos meses atrás uma pessoa disse que nunca deixaria sua vida de fé e prática na congregação. Essa pessoa era ativa e participativa. Em pouco tempo, passou a participar de pouquíssimos eventos da congregação.
         Esse exemplo mostra que todos nós estamos sujeitos a nos afastar vagarosamente. Por causa dessa situação, Judas recomenda: “Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida; ...” (Jd 20-22).
         Judas recomenda que nos vigiemos fielmente e com prudência. É preciso agir com compaixão. O exemplo da pessoa que citei anteriormente mostra que é preciso nos advertir no sentido de termos cuidado para não nos tornar soberbos. O diabo faz uso da nossa carne que é fraca para fortalecer seus propósitos, destruir o filho de Deus. Ao reconhecer nossa fraqueza, somos convidados a voltar e nos edificar na fé, orar no Espírito, nos guardar no amor de Deus, esperar a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo.
         Voltando a questão: É possível convencer alguém que está em dúvida a respeito da fé cristã? Sim! No entanto, é necessário estar firme na fé.
         O propósito de Judas na sua carta visa resguardar os cristãos contra os falsos mestres que estavam disseminando preceitos perigosos para reduzir o cristianismo a uma mera fé nominal. É preciso: “... batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd. 3), ou seja, lutar pela fé. Todos os profetas e apóstolos e o próprio Cristo lutaram ininterruptamente pela verdadeira fé. Jesus disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt 10.34-36).
         Porque é necessário lutar? A necessidade como disse Judas se deve ao fato de muitos serem “escarnecedores, andando sem suas próprias paixões. ... sensuais, que não têm o Espírito” (Jd 18-19).
         Se não houvesse quem fraudasse a Palavra de Deus, não haveria necessidade de compaixão aos que vivem em dúvidas. Afinal, os duvidosos a quem Judas se refere são aqueles que foram e são enganados pelos falsificadores da Palavra de Deus.
         Sempre quando as pessoas me perguntam sobre os congregados de outras denominações que lhes trazem observações a respeito da Palavra de Deus, a minha resposta é única: “O problema é que aprendem assim. O problema está com aquele que ensina. Quanto às pessoas que congregam na determinada igreja, se mesmo tendo entendimento errado de um texto bíblico, mas, possuir a fé verdadeira na obra de Jesus realizada na cruz, será salva. No entanto, aí daquele que ensina as pessoas fraudando a Palavra de Deus”.
         É necessário compadecer-se dos que tem dúvida.
         Compadecer é ajudar alguém que está aflito ou que busca ajuda.  
         Certa vez um pastor foi solicitado a ir à um hospital. Um paciente que havia recebido alta hospitalar desejava oração. O pastor foi, no entanto, ficou impressionado com o fato de estar sendo chamado para orar por um paciente que havia recebido alta e estava bem de saúde. O pastor disseque seu diálogo com aquele homem foi da seguinte maneira:
                   - Você é cristão?
                   - sim, sou da igreja...
         O pastor observou que não havia brilho em seu olhar. E a falta de brilho não era devido ao seu estado de saúde. Assim o pastor disse:
                 - Ao chegar no quarto vi que estava lendo a Bíblia. Qual livro bíblico estava lendo?
                   - Salmo 135.
                   - O que entende da Bíblia?
                   - temer ao Senhor.
                   - O que é temer ao Senhor?
                - Temer ao Senhor e saber que Deus faz justiça. Afinal, Deus é irado e sempre pune seus filhos até que os mesmos aprendam a se comportar.
         O pastor relatou que após aquela resposta, aquele homem cheio de medo e pavor de Deus confessou os pecados que havia cometido antes da enfermidade e que sua luta pela cura era justamente a punição pelos seus pecados.
         As pessoas, muitas dessas, nossos familiares, outros, nossos amigos e alguns moram ao nosso lado, se encontram nas mais variadas dúvidas. Há aqueles que mesmo estando numa igreja se encontram numa verdadeira confusão espiritual.
         “E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida” (Jd 22).
        Judas no início da sua carta diz que desejava escrever uma carta a respeito da salvação que tinham em comum, mas, devido a infiltração de ensinamentos contrários a Palavra de Deus e desses fraudulentos continuarem fazendo estragos e deixando muitas pessoas em dúvida, Judas escreveu uma carta de convocação (Jd 3) para a batalha em torno da fé santíssima.
         A convocação é um chamado para a vida na fé santíssima. Só se é possível compadecer-se de alguém que está em dúvida quando se está firme na fé.
         Compadecer-se de alguém que está em dúvida é saber que cada cristão e cristã firme na fé está em missão. Como diz a letra do hino: “E nós que conhecemos brilhante luz da fé, nas trevas deixaremos aquele que não crê? Sem mais demora vamos falar-lhe do perdão que por Jesus gozamos: a eterna salvação” (Hinário Luterano 330.3). 
        “E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida” (Jd 22). O missionário da nossa rua, do nosso bairro sou eu e não outra pessoa.
         A missão do cristão é “arrebatando-os do fogo” (Jd 23). Isso quer dizer que é necessário levar pela força, reivindicar para si mesmo ansiosamente o próximo. Não pode deixá-lo se perder. Nem o que está em dúvida, bem como o que ensina e causa polêmica. O apóstolo Paulo mostrou isso ao corrigir o apóstolo Pedro em uma falta: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1).
        O problema, seja com quem está em dúvida ou com que causa a dúvida, não deve ser resolvido com a exclusão. É necessário ter “compaixão e arrebatá-los do fogo”. É necessário, aos que estão em Cristo, trabalhar urgentemente entre os criadores de problemas e os que estão em dúvida. É preciso defender a verdade do evangelho entre os hereges e os duvidosos.
         Há uma preciosa missão à cada membro, à cada paróquia para com os que estão em dúvida, bem como com aqueles que semeiam as dúvidas. Não se pode simplesmente “cortar o mal pela raiz”. É necessário espírito de compaixão, a qual nosso Senhor Jesus Cristo teve para com cada pecador ao tomar seu lugar na cruz.
     Dessa maneira, “guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Jd 21).
         Continue esperando o que lhe foi e é oferecido por Jesus, “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, ...” (Hb 12.2). Somente Jesus é “...àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ...” (Jd 24)
          Só Jesus mantêm o olhar sobre, ou seja, cuida para que não escape de suas mãos amorosas. Estando nas mãos de Jesus pela fé, cada pecador é apresentado, ou seja, capaz de ficar de pé diante de Deus. Em Jesus, pela fé, cada pecador permanece pronto e preparado e assim a igreja se curva em louvor diante de Deus. Amém!


M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O princípio do Fim!

15 de novembro de 2015
25º Domingo após Pentecostes
Sl 16; Dn 12.1-3; Hb 10.11-25; Mc 13.1-13
Tema: O princípio do fim!

         O texto do evangelho de Marcos 13 apresenta um impressionante diálogo de Jesus com seus discípulos. Um diálogo iniciado com a euforia dos grandes feitos humanos e num segundo momento a resposta de Jesus sobre a grandiosidade de Deus.
         Diz o texto que ao sair do Templo após o episódio em que Jesus constatou a fé da viúva pobre em ter ofertado tudo o que tinha na certeza de que Deus proveria todo o necessário para a mesma, um dos discípulos de Jesus lhe diz: “Mestre! Que pedras, que construções” (Mc 13.1).
         É de fato impressionante o que o homem com a sabedoria que Deus lhe concede consegue fazer. E as construções humanas não são apenas valorizadas pela sua arquitetura, mas, também pela sua funcionalidade.
         O Templo era uma magnífica construção. Não era apenas um projeto arquitetônico, na verdade, o templo simbolizava o vínculo de todo o povo judeu como sendo o povo eleito por Deus.           Ao relatar a admiração do discípulo com o templo e a resposta de Jesus: “Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada” (Mc 13.2), parece que Jesus ignora tudo o que o templo simboliza para os judeus e para os discípulos. Mas, a verdade é que Jesus quer fazer com que seus discípulos pensem não apenas na simbologia do templo, mas, de maneira muito especial sobre o seu papel na vida do povo.
         Infelizmente o templo havia deixado de ser o local de encontro entre Deus e o seu povo através da palavra e havia se tornado um centro de corrupção, exploração, concentração de riqueza e dominação.
         Houve um período de silêncio, até que, sentados no monte das Oliveiras, defronte do templo, os discípulos Pedro, Tiago, João e André perguntaram a Jesus quando o templo de pedra seria destruído.
         A preocupação dos discípulos na destruição do templo é saber quando e quais sinais anteciparão a destruição. Mas, Jesus mostra que o quando e os sinais não se relacionam. Assim, saber os sinais não me indicam o quando o mesmo ocorrerá. 
         Afinal, sinais como: falsos mestres, guerras, terremotos, fome, são vistos a muitos anos e todas esses sinais deixaram de ser sinais de Deus como um aviso e passaram a ser erros humanos na realização de suas grandes construções.
         Todo efeito colateral que a sociedade vive, é devido ao seu progresso. Para edificação de grandes prédios, foi necessário derrubar grandes árvores. E o desmatamento gerou o que vivemos hoje, o aquecimento global.
         Tudo foi realizado pelo homem e tudo pode ser modificado pelo homem. Infelizmente, esqueceu-se a muitos anos que Deus é o Senhor da história.
         Não quero e não me entendam mal, dizer que não temos nenhuma responsabilidade. Afinal, temos responsabilidade sim, mas, não podemos esquecer que a “...a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.21-22).
         A queda em pecado proporcionou tudo o que hoje estamos vivendo.
       Os sinais anunciados por Jesus não tem por objetivo assustar o ser humano que vive com medo de Deus e da fúria das consequências da queda em pecado. Os sinais apontados por Jesus visam mostrar que Deus continua agindo mesmo em meio a esses sinais com um único objetivo: “...que o evangelho seja pregado” (Mc 13.10).
         Eis aí o grande desafio da igreja cristã! Pregar o evangelho em meio as catástrofes humanas que na sua maioria atinge os grandes feitos humanos e seus grandes projetos arquitetônicos.
         Toda tragédia busca uma resposta humana. E a maioria das respostas humanas estão embasadas na mesma raiz das tragédias, ou seja, provêm da natureza pecaminosa do ser humano. O ser humano pecador, assim como aconteceu com Adão logo após a queda, busca se esconder de Deus. Esse ser humano que vive se escondendo de Deus precisa ouvir o evangelho, a boa notícia do amor de Deus pelo ser humano pecador.
         Os discípulos estavam preocupados com o quando e quais seriam os sinais. Estavam com medo, queriam se proteger. Para isso Jesus lhes diz que o quando e os sinais não se relacionam. Por isso, Jesus transmite que quando esses sinais estiverem acontecendo não pense que a volta de Jesus será eminente, apenas não deixe que esses sinais o engane.  
         É fácil ser engando pelos sinais. Foi assim na história humana. Nos anos (66 – 70 d.C.) muitos viram a destruição do templo como o início da tribulação.
         Os sinais mostram que o fim virá, mas, não se sabe quando, afinal, “estas coisas são o princípio das dores” (Mc 13.8). Sendo o princípio das dores, é necessário lembrar a explicação de Jesus narrada pelo evangelista João (Jo 16, 21-22), onde diz que as dores de uma mulher para dar à luz é terrível, mas, a alegria de ter seu filho nos braços a faz esquecer toda a dor. Assim, o cristão na vida de fé, sabe que por mais que sofra nesse mundo e por mais que sofra com os sinais do fim, “E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram” (Ap 21.4).
         Muitos se assustam pelos sinais que acontecem, no entanto, o convite de Jesus é de que cada qual “persevere até o fim” (Mc 13.13).
         A minha pergunta não é sobre quando se dará o fim, mas, como viver na fé em meio aos sinais que mostram que um dia se dará o fim. Por isso, “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima” (Hb 10.25).
         “...aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mc 13.13). Por isso, não esqueça as belas palavras do profeta Daniel: “Nesse tempo, aparecerá o anjo Miguel, o protetor do povo de Deus. Será um tempo de grandes dificuldades, como nunca aconteceu desde que as nações existem. Mas nesse tempo serão salvos todos os do povo de Deus que tiverem os seus nomes escritos no livro de Deus. Muitos dos que já tiverem morrido viverão de novo: uns terão a vida eterna, e outros sofrerão o castigo eterno e a desgraça eterna. Os mestres sábios, aqueles que ensinaram muitas pessoas a fazer o que é certo, brilharão como as estrelas do céu, com um brilho que nunca se apagará” (Dn 12.1-3). Amém.


M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Uma coisa pela qual não orar!

08 de novembro de 2015
24º Domingo após Pentecostes
Sl 146; 1Rs 17.8-16; Hb 9.24-28; Mc 12.38-44
Tema: Uma coisa pela qual não orar!

         O último dia de outubro, bem como os dois primeiros dias do mês de novembro, são dias cheios de mistério. Três dias repletos de festividades devido a um único fato: ignorância espiritual. Para ajudar as pessoas em sua ignorância espiritual é necessário reflexão constante em torno da Palavra de Deus.
         O 1º de novembro é o dia em que muitos celebram o dia de todos os santos, celebração em honra aos santos e mártires.
         31 de outubro, dia que aqui no Brasil é popularmente conhecido como dia das bruxas, é o dia em que segundo uma crença celta, as almas dos mortos voltam à terra no seu local de nascimento.
         O dia de finados é uma celebração aos santos defuntos desde a Idade Média por sugestão do abade Francês Odilon de Cluny (998 D.C.). O objetivo é relembrar a memória dos mortos, e para os católicos apostólicos romanos, dia de orar pelas almas dos que já morreram, visto que, estão no purgatório para se purificar. Por estarem no purgatório, é necessário que os vivos orem por suas almas. 

    Desde o cristianismo primitivo, sob as ruínas do Império Romano, muitos cristãos tem o costume de orar pelos mortos. Principalmente pelos mártires, aqueles que preferiram morrer ou negar sua fé. Esses mártires, são pessoas que morreram em estado de graça, mas não foram beatificados, ou seja, oficialmente não são santos da igreja, mas das pessoas.
         No calendário romano existiam duas festas dedicadas aos mortos: as parentalia, realizadas entre 13 e 21 de fevereiro, onde se apaziguava os mortos com a oferenda de refeições, e a segunda festividade dedicada aos mortos era a lamuria, nos dias 9,11 e 13 de maio, quando as almas eram exortadas a deixarem os vivos em paz e partirem para seu repouso.
         Não estranhem, mas, por ignorância espiritual, essa prática também existe entre os luteranos devido à tradição, ou pelo costume popular.
         É difícil falar sobre esse assunto com as pessoas, pois, trazem consigo o lado emocional, a saudade, e a incerteza da salvação do ente querido que morreu.
        É importante registrar e guardar na memória o fato de que no início da história da Igreja, os cristãos rejeitavam a ideia de relacionamento com os mortos. Nessa época muitos pensavam que as almas simplesmente ficavam adormecidas até o dia do julgamento final. Assim, revelam as palavras do autor a carta aos Hebreus: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27). Mas, na medida em que se foi espalhando, o cristianismo se adaptou a outras formas culturais e anexou as mesmas dentro da sua liturgia. Assim como muitos povos da antiguidade, os cristãos passaram a orar pelos mortos. Diante dessa realidade, a partir do século V a Igreja Católica Apostólica Romana adotou a prática e a oficializou no século XI por meio do Papa Silvestre II, João XVIII e Leão IX. A data, 02 de novembro, só foi estabelecida no século XIII.
         Enquanto aqui no Brasil a festividade de Dia dos finados envolve um clima de tristeza, no México é cheia de alegria, com um enorme banquete, visto que segundo a crença mexicana, os mortos voltam para fazer uma visitinha. Por isso, os doces, a comida e principalmente o pan de muerto são arrumados para recepcionar as almas. 
         O objetivo do dia de finados está pautada numa doutrina Católica Apostólica Romana, a qual tem por objetivo que as almas não sofram pela ausência de votos e orações, a qual garantirá a sua salvação, visto estar se purificando no purgatório. Um segundo objetivo é homenagear os que partiram, principalmente os santos e milagreiros.
         Observando esses dois costumes é preciso ler o texto de reflexão para esse 24º Domingo após Pentecostes, “assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9.28).
         Esse aguardar para a salvação é a pedra de tropeço de muitos. Onde se aguarda? Como se aguarda? Eis que surgiu a doutrina Católica do purgatório, por isso há oração pelos mortos, indulgências, obra a favor dos mortos, etc.
         Todos os que morreram na fé, aguardam a salvação que já lhes está garantida pela fé na qual morreram. O profeta Isaías escreveu: “... contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.12). Jesus é o mediador para a salvação. Os que aguardam a salvação são todos aqueles que vivem e morrem na fé nesse mediador. Por causa da certeza da salvação em Jesus, o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos, presos em suas superstições: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.34).  
         Se Jesus intercede por nós junto ao Pai, há necessidade de alguém ser o nosso intercessor na morte? Não, não há. Jesus morreu pelos nossos pecados (1Co 15.3); Jesus é o pagamento pelos nossos pecados (1Jo 2.2). 
         Jesus aniquilou o pecado (Hb 9.26). Assim, continue aguardando nele. Lembremos as palavras do salmista: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; ...” (Sl 146.3-4).
         É necessário que se faça oração pelos mais variados motivos, mas, não convém orar pelos mortos. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27). Não haverá mudança na situação dos que morreram. Quem morreu em Cristo, salvo está, quem morreu sem Cristo, infelizmente, condenado está. Ocupe-se dos vivos para que os mesmos vivam não só nesta vida, mas por toda uma eternidade. O apóstolo Paulo recomenda que oremos pelos vivos, pois, esses ainda vivem no tempo da graça e podem ter seus corações transformados (Rm 2.3-9). Os que estão mortos já tem sua situação definida. Pelos mesmos, não há mais nada que possamos fazer na questão da salvação. Por isso, aos vivos vale lembrar, hoje é o dia de ser salvo (2Co 6.2). Arrependa-se dos seus pecados, confesse-os a Deus e recebe o perdão de Deus em Jesus. Viva hoje e sempre na verdadeira fé na obra de Jesus. Pois, firme na fé, tanto os vivos e os que morreram na mesma tem a certeza da salvação e aguardam Jesus Cristo para a salvação. Amém!

M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Um só motivo para comemoração da Reforma!

31/10/2015
Dia da Reforma
Sl 46; Ap 14.6-7; Rm 3.19-28; Jo 8.31-36 ou Mt 11.12-19
Tema: Um só motivo para comemoração da Reforma!

         O que é Reforma Protestante?
         A Reforma Protestante foi um movimento religioso que culminou no início do século XVI na pessoa de Martinho Lutero. Essa se tornou real quando Lutero publicou 95 teses, no dia 31 de outubro de 1517, contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana. Entre todos os pontos, o mais controverso era justamente a questão da salvação. Para reafirmar suas posições, Lutero se firmou e baseou-se no Somente a Escritura, Somente a Graça e Somente Cristo.
         A Reforma Protestante só foi possível por causa da graça e misericórdia de Deus, afinal, Lutero poderia ser morto, como qualquer cachorro que estivesse na rua. Mas, Deus fez com que Lutero e sua causa fosse apoiada por vários religiosos e governantes europeus. A Reforma Protestante que tinha como objetivo reformar alguns desvios da doutrina da Igreja Católica Romana, acabou dividindo a Igreja do Ocidente em Católicos Romanos e Protestantes, ou, Reformados.
         A Reforma Protestante é para muitos estudiosos o início das mais variadas separações dentro do cristianismo. Afinal, se o ocidente era marcado por uma única Igreja, após a Reforma, passou a ter duas. Após essas, surgiram muitas outras ramificações.
         A Reforma não pode ser simploriamente vista como a causa das muitas ramificações eclesiásticas. A verdade é que a Reforma precisa ser vista com o seu principal objetivo, ou seja, Lutero visou resgatar a verdade bíblica. Assim, a Igreja está sempre vivendo a Reforma, pois, precisa a cada novo dia resgatar, ou, se manter na verdade. O Somente a Escritura, Somente a Graça e Somente Cristo continuam sendo as bases de sustentação da Igreja e se qualquer uma dessas colunas for abalada, é necessário uma Reforma.
         Reforma não causa separação, ela mantêm a igreja sempre moderna, atual e unida.  
         Esse 31 de outubro de 2015 marca os 498 anos daquela distante data, 31/10/1517, e ao mesmo tempo, mostra o quanto continua sendo necessário que a Igreja preserve a principal marca da Reforma: o resgate e a manutenção da verdade do somente a Escritura, somente a Graça e somente Cristo.
         Os luteranos estão em contagem regressiva, pois, no ano de 2017, irão comemorar 500 anos de Reforma Protestante. Em meio as festividades, sem perder o foco, uma questão continua sendo necessária e importante: o quanto da verdade ainda é mantida entre os luteranos? Quais caminhos precisam ser revistos? Os “solas” continuam sendo a sustentação ou apenas slogan eclesiástico?
         O texto de Apocalipse 14.6 e 7 apresenta a urgência da igreja continuar na verdade. Essa verdade, infelizmente separa, mas, não apenas institucionalmente, e sim, eternamente.
         No capítulo 14 de Apocalipse está registrada a certeza da vitória final de Cristo e de sua igreja. Essa vitória não pode ser colocada em dúvida. Mas, infelizmente, por muitos terem se desviado da verdade, essa vitória passa a ser questionada e até mesmo distorcida.
         A passagem bíblica de Ap 14.6-7 é uma das leituras do dia da Reforma por que um dos colaboradores de Lutero, Bugenhagen, reformador da Pomerânia, viu no anjo que voa no meio do céu, dirigindo-se a todos os povos e anunciando um evangelho eterno, a pessoa do próprio Lutero e sua obra, a Reforma. No entanto, não posso limitar essa passagem a qualquer personagem ou evento da história. Afinal, o que interessa é a mensagem dos anjos, que ao final, formam um único quadro e buscam atingir um só objetivo: mostrar a certeza da vitória final de Cristo e de sua igreja.
         O texto (Ap 14.6-7) diz que o anjo estava voando pelo meio do céu, ou seja, veio diretamente de Deus. O dragão e os dois monstros, da terra e da água, não podem fazer nada contra ele. A mensagem proferida pelo anjo não pode ser silenciada. Essa mensagem é o evangelho eterno.
         O evangelho é eterno pelo fato de não poder ser modificado. Infelizmente, muitos pregadores distorcem o evangelho. No entanto, por ser eterno, o evangelho, a mensagem de Deus distribuída nas páginas das Escrituras em Lei e Evangelho não pode ser modificada. Sempre há e haverá os que pregam com ousadia e coragem.  

         A mensagem do anjo era dirigida a todos os povos da terra. O apóstolo João disse que o anjo estava no centro do céu, e o evangelho eterno era pregado a todos que se assentavam sobre a terra, ou seja, à cada nação, tribo e língua. As palavras do anjo são um chamado à fé em Deus. Pela fé se louva e adora a Deus.
         A julgar por Apocalipse, os cristãos perecem ser a minoria absoluta na face da terra. O apóstolo João em Apocalipse mostra as artimanhas do Diabo para destruir a Igreja e em Ap 14.6-7 mostra as manchas da Igreja. Essas manchas são os pecados e justamente, por causa dessas manchas, cada povo, raça, língua, é convidado ao arrependimento: temei a Deus; louvai a Deus e adorai a Deus.
         Não se pode colocar um evento ou pessoa como cumprimento de determinada passagem bíblica. No entanto, é necessário lembrar que Deus cumpre todas as suas promessas através da história e das pessoas nesse mundo. Deus é Deus, mesmo quando parece não haver solução.
         A Reforma Protestante que hoje (31/10/2015) celebra 498 anos não pode simplesmente olhar, exaltar e comemorar seu passado sem olhar para o agora. A Reforma Protestante precisa ser um evento vivido hoje, permitindo a todos que ouçam o evangelho, uma verdadeira e correta interpretação bíblica, afinal, essa é a ênfase da Reforma. O evangelho eterno precisa continuar sendo pregado, por isso, é necessário e urgente que Somente Cristo, Somente a Graça e Somente a Escritura prevaleçam sempre. Amém!

M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Jesus, aquele que intercede por nós!

25/10/2015
22º Domingo após Pentecostes
Sl 126; Jr 31.7-9; Hb 7.23-28; Mc 10.46-52
Tema: Jesus, aquele que intercede por nós!

         Na infância aprendemos uma das mais belas lições do cristianismo: somos dependentes de alguém. À medida em que cresce, parece ser natural a independência. A verdade é que é preciso ser independente, mas, a lição da dependência é necessária, afinal, sempre dependemos de alguém.
       O autor da carta aos Hebreus mostra a nossa dependência de Jesus Cristo, “E por isso ele pode, hoje e sempre, salvar as pessoas que vão a Deus por meio dele, porque Jesus vive para sempre a fim de pedir a Deus em favor delas” (Hb 7.25).
         O cristão em sua relação com Deus precisa de intermediário!
         O Novo Testamento ensina vários títulos para qualificar Jesus Cristo como intermediário de Deus para com o pecador. Jesus é aquele que justifica o pecador; é o advogado que defende o pecador diante de Deus. Na carta aos Hebreus, Jesus é o sumo sacerdote. Só ele dá acesso ao lugar santíssimo, na verdade, ele rasgou o véu que separava o povo do santo dos santos. O santo dos santos era o local do Templo que apenas o sumo sacerdote podia adentrar uma vez ao ano, no dia da expiação para aspergir a tampa da arca da aliança com sangue de um bode sacrificado pelos pecados do povo.
         O autor da carta aos hebreus envia através da mesma uma mensagem a judeus cristãos que estão vivendo num ambiente helenista, ou seja, hebreus que viviam em meio à cultura grega. Assim, seus costumes se misturaram com costumes gregos, mas, essa mistura não os fez perder os traços do culto judaico. Mesmo aculturados com os gregos, os hebreus ainda se lembravam de como eram prestados os serviços no Templo pelos sacerdotes. Assim, a mensagem de que Jesus é o sumo sacerdote chegaria de maneira clara aos hebreus.
         A mensagem era importante, não só pelo fato dos hebreus estarem familiarizados e conseguirem entender a mensagem. A importância da carta está justamente no fato de que os hebreus corriam risco de, assim como muitos, abandonar a fé em Jesus Cristo e voltar à velha prática dos sacrifícios realizados pelos sacerdotes. É como se um cristão que de fato crê na obra de Jesus Cristo, passasse a realizar coisa para garantir a sua salvação. O sacrifício de Jesus Cristo valeu de uma vez por todas. “por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança,... Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por favor dos seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu” (Hb 7.22,27).
         A mensagem da carta visa exortar os hebreus, tanto os membros, ou seja, aqueles que continuam na fé (Hb 10.25), bem como os líderes (Hb 5.12). O autor lembra que essa exortação precisa ser suportada (Hb 13.22) e não rejeitada. A cultura não está acima da mensagem do evangelho, ou seja, não é por causa do ambiente que eu vivo, que devo deixar de crer na obra salvadora de Jesus.
         A exortação da carta não tem como objetivo ofender ou maltratar alguém. A verdade é que o objetivo da carta é confortar e animar os cristãos resistentes na fé. Justamente por isso, o autor ressalta a importância da pessoa e obra de Jesus Cristo a partir do ensino do Antigo Testamento com respeito ao sacerdócio. Jesus é o sumo sacerdote para sempre, imortal e único. Jesus vive para sempre, Ele pode interceder eternamente e salvar quem por Ele se achegar a Deus. O sacrifício de Jesus é único. Na questão de salvação não é mais necessário nenhum sacrifício da parte humana. Aliás, toda ação humana só é agradável a Deus a partir da fé, ou seja, pela gratidão ao amor de Deus em Jesus, afinal, “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus,...” (Hb 11.6).
         Os hebreus foram exortados a permanecer na fé no sacrifício realizado por Cristo.
         Jesus Cristo é sumo sacerdote, o que oferece e o que é o sacrifício perfeito diante de Deus. Na fé, nós cristãos pecadores somos sacerdotes nesse mundo. No entanto, nosso sacerdócio é diferente do realizado por Cristo, ou seja, não oferecemos sacrifícios para nossa salvação. Assim como os sacerdotes, na fé, nossa função sacerdotal é apresentar o ser humano a Deus e representar Deus para as pessoas. Por meio da salvação recebida, o cristão, sacerdote nesse mundo, tem a função de salvar outras pessoas, através de seu testemunho de fé, apontando sempre para o sumo sacerdote Jesus, “...aquele que intercede por nós” (Hb 7.25). Amém!

M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Devoção à Palavra de Deus!

18/10/2015
Sl 119.9-16; Ec 5.10-20; Hb 4.1-13; Mc 10.23-31
Tema: Devoção à Palavra de Deus!


         O salmo 119 é um salmo curioso. Não só por ser o maior capítulo da Bíblia e o maior salmo. Sua curiosidade está no fato de que cada estrofe inicia com uma letra do alfabeto hebraico. Sendo que o alfabeto hebraico é composto por 22 letras, cada estrofe, ou seja, cada 8 versículos, é iniciado por uma dessas letras, assim, o Salmo 119 se tornou o maior de todos os salmos. O Salmo 119 é uma devoção à Palavra de Deus.
         Em cada uma das 22 estrofes, o salmista refere-se a Palavra de Deus. A primeira estrofe, os vv.1-8, o salmista inicia com a primeira letra do alfabeto hebraico: álef. Nos primeiros 4 versículos o salmista diz sobre o benefício da obediência à Palavra de Deus. Nos vv. 5-8, ainda na primeira estrofe, o salmista mostra o anseio, a expectativa e a resolução por uma vida obediente à Palavra de Deus.
         Os vv. 9 – 16, fazem parte da segunda estrofe, que inicia com a segunda letra do alfabeto hebraico, a letra Bêt. Assim, a segunda estrofe ensina que: Se uma pessoa entende os benefícios da obediência à Palavra de Deus e está resoluto por uma vida obediente, pode se perguntar sobre as atitudes práticas dessa obediência. De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? (Sl 119.9). A resposta advém da primeira e da segunda estrofe, ou seja, entendendo os benefícios da obediência à Palavra de Deus e resoluto em viver nessa obediência.
         A maioria das pessoas passam por quatro fases em sua vida. A fase infantil, juvenil, adulta e velhice. Sabe-se que a fase em que se é vulnerável devido as muitas mudanças é justamente a juventude. As transformações faz com que a juventude seja um período de constante pressão. Na juventude o jovem precisa tomar decisões importantes. A importância se deve ao fato que, as decisões definirão seu futuro.  
         Por tudo isso é necessário que o jovem saiba guardar puro o seu caminho. Para tal é necessário sabedoria. E a sabedoria vem do conhecer a Palavra de Deus: “O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Pv 1.7).
         Temer ao Senhor não é sentir medo, mas, ter uma vida de respeito, vida essa que inclui adoração, amor, serviço a Deus e obediência aos mandamentos.
         A pergunta prática diante da Palavra de Deus feita pelo salmista “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” (Sl 119.9) continua sendo atual. Parece que a pergunta foi formulada para os jovens de nossos dias, afinal, o ateísmo é muito comum nas universidades, nas escolas, etc.
         É preciso esclarecer que por ateísmo não desejo apenas enfatizar sua forma etimológica, ou seja, “não-deus”. Na verdade, o ateísmo ao qual nossos jovens estão expostos nas universidades e nas escolas estão camuflados de diversas formas. Há o ateísmo apresentado no materialismo prático, ou seja, a vida está limitada as ambições e necessidades de espaço e tempo. O homem passa a ser “próprio fim e o único autor da sua própria história”. Alguns passam a considerar a libertação humana pela via econômica e social, e assim, a religiosidade irá impedir essa libertação, pois a religiosidade estimula a esperança na vida futura.
         A pergunta do salmista “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” (Sl 119.9) continua sendo atual, pois, na universidade e na escola, o jovem passa a ser treinado a pensar, para que no futuro, se declare autônomo, não sendo dependente de Deus.
         Na juventude, através das muitas descobertas as quais os jovens estão expostos, é comum muitos passarem a ter Deus como uma realidade irrelevante em sua vida. Afinal, com ou sem Deus, parece que nada mudará sua vida.
         Na vida acadêmica o jovem está exposto ao liberalismo moral. Esse liberalismo é o início da condução para caminhar no caminho ateu. Os conflitos de consciência são facilmente normalizados pela relativização do certo e do errado. Não há uma única verdade, mas, cada verdade traz embutida em si uma variante. Há os que dizem que quem se declara adepto de uma só verdade é ditador, legalista e moralista. Para fugir dessas caracterizações, o jovem busca novas alternativas, sendo a mais viável, abandonar a religiosidade, pois a mesma se declara como a única e suficiente verdade. 
         A pergunta do salmista “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” (Sl 119.9) continua sendo atual.
      Um caminho puro não quer dizer que o jovem precise ser “quadrado”, “retrógrado”. Guardar puro o caminho é ser livre, conhecendo a verdadeira liberdade, “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. ...” (Gl 5.1), “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).
         “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” (Sl 119.9). A resposta é simples: guardar a palavra; repetir em voz alta; estudar e examinar a Palavra de Deus. Quantas vezes o jovem faz, ou é incentivado a fazer isso?
         Quando o sábio Salomão disse para que se “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele” (Pv 22.6), na verdade repete uma orientação divina, onde a prioridade era “inculcar aos filhos, falar de Deus e da sua Palavra, em todos os momentos do dia-a-dia” (Dt 6.7).
         Ao fazer parte do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) onde por dois anos fui presidente, 2 vice presidente e nos dois próximos anos presidente novamente, digo que estou muitíssimo preocupado. Minha preocupação não é com a geração atual, mas, com a próxima. Afinal, eu faço parte de uma geração que foi criada em princípios éticos, morais e eclesiástico, e mesmo assim, vejo coisas tão desagradáveis a ponto de nem sequer gostar de comentar. Assim fico imaginando a próxima geração. Uma geração que está sendo criada longe da igreja, longe da Palavra de Deus e em meio a uma verdadeira crise moral e ética.
         A pergunta do salmista: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” (Sl 119.9) mostra a nossa responsabilidade para com nossos filhos. O apóstolo Paulo enfatiza: “...criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Pois, no Senhor, entraremos no descanso. Amém!


M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann.

A moeda e a alma: a quem pertence o seu coração?

  18 de outubro 2026 Próprio 24 – Vigésimo Primeiro Domingo após Pentecostes Salmo 96.1-9; Isaías 45.1-7; 1Tessalonicenses 1.1-10; Mateu...