segunda-feira, 1 de junho de 2026

O médico dos pecadores (Mateus 9.9-13)

 07 de junho de 2026

Primeiro após Pentecostes – Próprio 5

Salmo 119.65-72; Oséias 5.15-6.6; Romanos 4.13-25; Mateus 9.9-13

Texto: Mateus 9.9-13

Tema: O médico dos pecadores

 

Imagine que, ao entrar aqui hoje, uma tela aparecesse exibindo todos os seus pecados, pensamentos, fracassos, vergonhas e segredos dos últimos anos. Tudo aquilo que você tenta esconder das outras pessoas. Tudo aquilo que faz você se sentir indigno diante de Deus.

Quantos permaneceriam sentados? Quantos correriam para a porta?

A verdade é que todos nós carregamos perguntas que nem sempre verbalizamos: “Será que Deus realmente pode me aceitar?” “Será que preciso melhorar primeiro para depois me aproximar de Cristo?

Vivemos em um mundo que funciona por mérito. Somos aceitos quando produzimos, valorizados quando acertamos e elogiados quando correspondemos às expectativas. Com o tempo, começamos a imaginar que Deus também age assim.

Mas então encontramos uma das cenas mais surpreendentes do Evangelho. Jesus não procura os mais admirados da sociedade. Não vai atrás dos especialistas em religião. Não escolhe alguém com currículo espiritual impecável. Ele para diante de um homem que todos consideravam um caso perdido. Um cobrador de impostos. Um pecador público. Um homem chamado Mateus.

E aquilo que Jesus faz com Mateus revela não apenas quem Mateus era. Revela, acima de tudo, quem Deus é.

Mateus era um homem rejeitado. Um cobrador de impostos. Um traidor aos olhos da sociedade. Um pecador público. Um homem que ninguém esperava ver no Reino de Deus.

E é justamente para ele que Jesus olha. Não com desprezo. Não com condenação. Mas com graça.

Segue-me”.

E nessa única palavra, toda a vida de Mateus muda. Isso porque o Evangelho começa exatamente assim, Cristo vai ao encontro daqueles que sabem, ou deveriam saber, que precisam desesperadamente de misericórdia.

          O texto começa dizendo que “Jesus viu um homem chamado Mateus”.

Os homens viam um traidor. Jesus via alguém que seria alcançado pela graça.

Esse “ver” de Cristo não é casual. É salvífico. Jesus não apenas observa; Ele escolhe. A iniciativa parte inteiramente dEle.

Mateus não estava procurando Jesus. Mateus não estava arrependido no templo. Mateus não fazia promessas espirituais. Ele estava sentado na coletoria. E isso é profundamente importante. Porque o Evangelho não começa quando o homem sobe até Deus. O Evangelho começa quando Deus desce até o pecador.

Essa é a essência da fé cristã e o coração da teologia luterana da justificação, Deus justifica ímpios. Cristo entra justamente no lugar onde o pecado está.

          Jesus olha para Mateus e diz, “Segue-me”. Jesus é curto, absoluto e sem negociação. Observe algo impressionante. Jesus não exige preparação moral prévia.

A Palavra de Cristo vem antes da mudança. E a Palavra cria aquilo que ordena, foi assim quando Deus disse “Haja luz” e foi assim quando Jesus disse para Mateus, “Segue-me”. Pela Palavra a vida nasce onde antes havia morte espiritual.

A conversão não nasce da força humana. Ela nasce da ação soberana da graça.

Ele se levantou e o seguiu”.

As obras não antecedem a salvação. As obras fluem dela. Mateus não segue Jesus para ser aceito. Mateus segue porque foi alcançado. Essa é a diferença entre religião e Evangelho.

          O texto continua dizendo que muitos publicanos e pecadores estavam à mesa com Jesus. Isso era explosivo no judaísmo.

Sentar-se à mesa significava comunhão, aceitação e reconhecimento.

Jesus não apenas chama pecadores individualmente. Ele cria uma nova comunidade.

A Igreja nasce aqui. Afinal, a Igreja não é reunião de perfeitos. Mas comunhão de perdoados.

A mesa de Cristo sempre escandaliza os orgulhosos. Porque nela há lugar para quebrados, cansados, culpados e indignos. Os fariseus não conseguem suportar aquilo. E por isso perguntam: “Por que come o vosso mestre com publicanos e pecadores?

Não é uma pergunta social, é uma pergunta teológica. Para fariseus, a santidade significava separação do impuro. Os fariseus construíram uma religião baseada na exclusão e Jesus estabelece o Reino da reconciliação. Os fariseus confiavam na própria justiça. Jesus oferece justiça divina aos que não possuem nenhuma.

          Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes”. Aqui Cristo revela o diagnóstico da humanidade. O pecado é doença mortal da alma e o homem não possui capacidade de autocura. Jesus Cristo é o médico, o único remédio.

Observe o paradoxo. Os mais distantes da cura não são os pecadores conscientes. São os que acreditam estar saudáveis. Jesus não está dizendo que os fariseus realmente são justos. Há ironia em suas palavras.

Os “sãos” são aqueles que pensam não precisar de misericórdia. E talvez esse seja o maior perigo dentro da Igreja.

Há pecadores quebrantados que choram pelo pecado. E há religiosos que nunca choram porque acreditam já serem suficientemente bons.

O pecado reconhecido pode conduzir ao arrependimento. Mas a justiça própria fecha o coração para o Evangelho. O inferno da alma começa quando alguém acha que consegue salvar a si mesmo.

          Jesus então cita o profeta Oséias, dizendo: “Misericórdia quero, e não sacrifício”.

O problema não era o culto em si. O problema era uma religião cheia de rituais, mas vazia de amor. Era uma Ortodoxia sem misericórdia. Sacrifício sem compaixão. Doutrina sem graça.

Os fariseus conheciam textos bíblicos, mas não conheciam o coração de Deus. Porque o coração de Deus é misericórdia.

Deus prefere misericórdia porque misericórdia reflete seu próprio caráter. A cruz é a maior prova disso. Na cruz, Cristo não morreu por justos. Cristo morreu por pecadores.

Não vim chamar justos, mas pecadores”.

Esse versículo resume o Evangelho inteiro. Resume Romanos. Resume Gálatas. Resume a Reforma. Resume a justificação pela fé.

          No final desta história, existem apenas dois grupos diante de Jesus.

De um lado estão os fariseus: pessoas que acreditavam ter justiça suficiente para apresentar diante de Deus. Pessoas que enxergavam os pecados dos outros, mas eram cegas para a própria necessidade de misericórdia. Do outro lado está Mateus, um homem sem desculpas, sem méritos e sem máscaras. Um homem que nada tinha para oferecer além da sua culpa.

E é justamente Mateus quem se levanta para seguir Cristo.

A grande pergunta deste texto não é se você é pecador. Isso já está resolvido. A pergunta é: você reconhece que é?

Porque somente quem sabe que está doente procura o Médico. Somente quem sabe que está perdido deseja ser encontrado. Somente quem sabe que é pecador compreende a grandeza da cruz.

Hoje Cristo continua passando diante das coletorias da vida. Continua olhando para homens e mulheres quebrados. Continua chamando os culpados, os cansados, os fracassados e os indignos. Continua dizendo: “Segue-me”.

Talvez você tenha vindo hoje pensando que precisa melhorar para que Deus o aceite. O Evangelho anuncia exatamente o contrário: Cristo o chama para que Ele mesmo o transforme.

Portanto, não olhe para suas obras. Não olhe para seu passado. Não olhe para suas quedas. Olhe para Cristo. Porque o mesmo Jesus que chamou Mateus continua recebendo pecadores. E a melhor notícia do Evangelho é esta: enquanto houver um pecador arrependido, haverá lugar à mesa do Salvador. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seguir esse blog. Com certeza será uma bênção em sua vida.

O médico dos pecadores (Mateus 9.9-13)

  07 de junho de 2026 Primeiro após Pentecostes – Próprio 5 Salmo 119.65-72; Oséias 5.15-6.6; Romanos 4.13-25; Mateus 9.9-13 Texto: M...