segunda-feira, 15 de junho de 2026

Entre a cruz e a proteção de Jesus!

 21 de junho de 2026

Próprio 7 – Quarto Domingo após Pentecostes

Salmo 91.1-10; Jeremias 20.7-13; Romanos 6.12-23; Mateus 10.5ª, 21-33

Tema: Entre a cruz e a proteção de Jesus!

 

Onde posso estar realmente seguro?

Protegemos a casa com muros e câmeras, o carro com seguro, o celular com senha. Protegemos o dinheiro no banco, os filhos, a saúde, o patrimônio e o futuro.

Nunca tivemos tantos recursos para produzir segurança e, paradoxalmente, nunca fomos uma geração tão dominada pelo medo. Afinal, existe um medo difícil de vencer. É o medo de perder quem amamos, medo da doença, medo da rejeição, medo do sofrimento, medo da morte.

Inúmeras vezes, as pessoas vão a um culto buscando vencer o medo e chegando num culto, como esse hoje, ouvimos Jesus, e o nosso Salvador não promete uma vida fácil. O profeta Jeremias foi ridicularizado. O apóstolo Paulo fala da luta contra o pecado. E o salmista no Salmo 91 proclama a proteção do altíssimo.

Compreenda que a proteção de Deus não significa ausência de cruz. Na verdade, significa presença de Deus na cruz.

Primeira parte

          O esconderijo do Altíssimo tem um nome: Cristo.

Ao declarar: “A pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do Todo-Poderoso” (Sl 91.1), o salmista utiliza o verbo hebraico yashab que significa morar, permanecer, fazer residência.

O salmista não fala de uma visita de domingo. Não fala de uma oração ocasional. Fala de alguém que fez de Deus a sua casa.

Martinho Lutero ao comentar esse Salmo escreveu que “a verdadeira fortaleza do cristão não são muralhas, mas a Palavra de Deus".

O esconderijo do Altíssimo não é um castelo. Não é uma igreja. Não é um lugar geográfico. É uma pessoa. É Cristo.

Quem está em Cristo continua enfrentando tempestades, mas nunca as enfrenta sozinho.

O Salmo 91 não promete que nenhuma doença chegará. Não promete que nenhuma lágrima será derramada. Promete que Deus jamais abandonará aqueles que pertencem a Ele.

Segunda parte

          A Palavra permanece quando tudo parece desmoronar

O profeta Jeremias chega ao limite, a ponto de dizer: “Todos zombam de mim, caçoando o dia inteiro” (Jr 20.7).

O profeta Jeremias virou motivo de piada, todos faziam bullying com ele.

A fidelidade de Jeremias para com a Palavra de Deus produziu isolamento. Seu ministério trouxe sofrimento. Então ele pensa em desistir. Mas não consegue, pois: “...a tua mensagem fica presa dentro de mim e queima como fogo no meu coração. Estou cansado de guardá-la e não posso mais aguentar” (Jr 20.9).

As emoções do profeta estavam esgotadas, mas a Palavra de Deus continuava viva.

Algo semelhante aconteceu com Martinho Lutero.

Há 505 anos, diante do imperador Carlos V, dos bispos, dos príncipes e das maiores autoridades do seu tempo, um simples monge era pressionado a renunciar tudo o que havia escrito de acordo com a Palavra de Deus sendo contrário a venda de indulgências e a justificação pelas obras.

De um lado, o poder político; de outro lado, o poder religioso.

Martinho Lutero, humanamente estava sozinho no meio deles, mas sustentado pela Palavra, declarou contrariamente àquilo que as autoridades desejavam: “Minha consciência está cativa à Palavra de Deus”.

Martinho Lutero perdeu proteção humana das autoridades políticas. Foi declarado fora da lei. Seus livros foram proibidos. Sua vida passou a correr perigo. Todavia, vivenciou aquilo que o Salmo declara: quem habita no esconderijo do Altíssimo jamais está desprotegido.

          Terceira parte

A quem você pertence?

O apóstolo Paulo faz uma pergunta que desmonta toda ilusão moderna de autonomia. Ele afirma que ninguém é completamente livre. Todos servem a um senhor. Ou sé é escravo do pecado ou se pertence a Cristo.

A palavra grega doulos significa alguém que pertence totalmente ao seu senhor. E Paulo anuncia uma notícia extraordinária destacando que “Vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus para fazer o que é direito” (Rm 6.18).

O que o apostolo escreve aqui é que não vivemos sem um senhor. Todavia, nosso Senhor é Jesus Cristo.

Assim, vivemos em meio a um paradoxo. Enquanto o mundo diz que você pode fazer o que quiser; Jesus Cristo anuncia que você pertence à Ele.

O mundo promete uma liberdade que nos escraviza. Jesus Cristo chama para servi-lo e destaca que esse servir é uma verdadeira liberdade.

Não obedecemos para conquistar Deus. Obedecemos porque Deus já nos conquistou em Cristo.

Jesus conhece perfeitamente o futuro dos seus discípulos e não esconde essa realidade deles. Jesus diz que haverá perseguição, famílias divididas, ódio, rejeição. Todavia, no meio de tudo isso, por três vezes Jesus repete: “Não temais” (Mt 10.26, 28, 31).

Não tenha medo, afinal, existe uma verdade maior que qualquer perseguição. Os homens podem ferir nosso corpo, mas não podem ferir nossa eternidade. Os homens podem prender um cristão, mas não podem prender Cristo. É possível que tirem nossos bens, nossa reputação, nossa liberdade. No entanto, não podem arrancar ninguém das mãos do Bom Pastor Jesus.

Jesus usa o exemplo dos pardais. Dois deles eram vendidos por quase nada. Mesmo assim, nenhum cai sem que o Pai saiba. E então Cristo olha para seus discípulos e anuncia: “Vocês valem muito mais” (Mt 10.31).

Jesus não promete ausência de dor. Jesus promete sua presença constante.

          Jesus diz para não temermos pelo fato de que antes de enfrentarmos a cruz, Jesus a enfrentou sozinho. Na cruz, Jesus experimentou o abandono para que nós jamais fôssemos abandonados. Jesus entrou no silêncio para que nós ouvíssemos para sempre: “Eu estou com vocês” (Mt 28.20).

Jesus enfrentou o juízo para que recebêssemos graça. Jesus venceu a morte para que nenhuma morte tenha a última palavra. Quando tudo parece perdido, olhamos para a cruz. E quando olhamos para a cruz, descobrimos que o esconderijo do Altíssimo tem braços abertos, mãos perfuradas e um lado traspassado. Nosso refúgio é Cristo crucificado e ressuscitado.

          Vivemos em um mundo que procura segurança no dinheiro, no poder, na influência, na tecnologia e na aprovação das pessoas. Todavia, tudo isso passa.

Existe uma segurança que permanece quando tudo desmorona. É a segurança de sabermos que tudo pertence a Cristo.

Por essa razão, o cristão vive um paradoxo extraordinário. É perseguido, mas protegido. É ferido, mas sustentado. É pecador, mas justificado. É servo, mas livre. É frágil, mas pertence ao Senhor do universo.

A Igreja não é reconhecida pelo conforto que possui. É reconhecida pela fidelidade ao Evangelho que anuncia. E por isso, mesmo quando o mundo ameaça, mesmo quando a cruz pesa, mesmo quando o medo bate à porta, ela continua confessando com absoluta confiança: “Ó Senhor Deus, tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em ti” (Sl 91.2). E Cristo responde à sua Igreja: “Não temais. Vocês pertencem a mim. Eu estive com vocês na cruz, estou com vocês hoje e estarei com vocês até o fim dos tempos”.

Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

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