Sermão
temático
Tema:
Ministério, sua importância e necessidade!
“Fiel é a palavra: se alguém aspira o episcopado,
excelente obra almeja” “...apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de
modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino, como para convencer
os que contradizem” “...Quanto ao ministério das sete estrelas que viste na
minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos
das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas” (1Tm
3.1; Tt 1.9; Ap 1.20).
Por Edson Ronaldo Tressmann
O
ministério ainda é uma ordenação divina e está protegido nas mãos daquele que
ressuscitou e virá para julgar os vivos e os mortos.
O
Artigo central da Confissão de Augusbugo é o artigo V. Como assim? Não é o artigo IV, da
justificação? A centralidade e importância do Artigo V é devido ao
fato de que o mesmo remete ao IV e desdobra os Artigos VII e VIII.
A
igreja não está a lugares santos e ritos sagrados. Ela é identificada onde se
prega o evangelho de maneira pura e clara e sacramentos são administrados
conforme a ordem de Cristo.
Assim
sendo, Lutero destaca que onde está a Palavra, ali está a
igreja (Ubi est verbum, ibi est ecclesia). É na Palavra que está
contido tudo o que faz da igreja ser igreja: pregação e sacramentos. Pela
pregação e administração dos sacramentos são os meios pelos quais o Espírito
Santo, agindo através do ofício da pregação, opera a fé em Cristo. O oficio
pastoral não é um fim em si mesmo, mas serve para os propósitos de Deus. Assim,
falar da igreja é falar dos ministros.
É
o Espírito Santo, dado na Palavra (pregação, Batismo e Santa Ceia) faz alguém
um cristão e de uma reunião uma igreja. Onde está a Palavra, está a igreja.
O
que o Senhor deu a sua igreja não apenas a seu bem estar, mas a seu próprio ser.
O que Deus oferece é que para que haja uma igreja cristã “para conseguirmos essa fé, instituiu Deus o ofício da
pregação, dando-nos o evangelho e os sacramentos” (Artigo V da CA).
Assim, o Artigo XIV da CA ressalta que sem chamado regular ninguém deve
publicamente ensinar, pregar ou administrar os sacramentos na igreja.
A
Palavra não depende do oficio pastoral, ao contrário, o oficio pastoral é que
depende da Palavra. A Palavra é o fundamento do ministério, da igreja e do
cristão.
Ao
ler Isaías 55.10, é preciso
recordar que Deus cumpre o que aqui promete. A Palavra que não volta vazia, não
é qualquer palavra, mas a Palavra a respeito de Cristo (Rm10.17).
A
igreja é uma nova criação dentro da velha criação enviada para, por meio da
Palavra restaurar a criação caída (2Co 5.17). O Artigo VII da CA registra as
seguintes palavras: “sempre haverá e permanecerá uma única igreja cristã,
congregação dos santos, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os
sacramentos administrados de acordo com o evangelho”. Observe por essas palavras que não é a
uniformidade da prática que mantêm a unidade.
O
tripé pelo qual se reconhece a igreja: Pregação pura e clara; Batismo e Santa Ceia.
Esse
tripé sustenta os outros sinais da igreja:
Confissão e Absolvição, ministério (serviços e ministério pastoral), Oração e Louvor, Confissão da fé (catecismo), Cruz e sofrimento pelo evangelho.
O
Tripé identifica a igreja
e os sinais desse tripé
descrevem a vida da comunidade
cristã. Mesmo sendo um grupo de pessoas redimidas e santificadas, estão
no mundo não redimido e não santificado e os cristãos também lutam contra sua
natureza pecaminosa. São justos, mas pecadores.
Como igreja cristã,
enfrentamos problemas?
Sim! Como
enfrentamos? Precisa ser com a graça que proclamamos. Infelizmente,
estatutos e regimentos, têm apenas nos congelado em muitas situações e impedido
que coisas simples possam fruir normalmente. Destaco que muitos problemas enfrentados podem e
precisam ser resolvidos a base do amor de Cristo manifestado na pregação, no
batismo e na ceia.
A
Palavra de Deus impulsiona o não cristão a fé e o cristão a ortopráxis (ação
correta). A ética também é um
sinal da igreja cristã. A ação correta, prática da fé orante e
confessante, nos apresenta ao mundo. A Palavra que dá e opera a fé, santifica o
justificado que permanece pecador.
Como o Espírito Santo
me santifica? Pela igreja cristã que proclama o
evangelho e administra os sacramentos. Sendo assim, o Espírito Santo me santifica pela remissão
dos pecados.
A
igreja recebeu de Jesus algo peculiar. É da igreja (composição dos que creem) e
de mais ninguém o poder de perdoar os pecadores penitentes. Em outras palavras é
possível dizer que a igreja é uma mãe: ela gera, carrega e nutre, mas, não por si mesma e sim pela Palavra de Cristo.
A
maneira pela qual a igreja se identifica (Pregação, Batismo e Santa Ceia) e os
sinais que a identificam (Confissão e absolvição, ministério, oração, louvor,
instrução, cruz e sofrimento pelo evangelho) muitas vezes têm gerado muitos
incômodos. Um desses é a polêmica a qual refletimos: Quando um pastor deve ser demitido? Quanto
tempo permanecer numa paróquia?
Pode-se
discutir amplamente o assunto, mas, em minha humilde opinião sigo a
recomendação de Paulo à Tito: “... de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto
ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tt 1.9). Quando
não se têm mais o ensino correto e, sem isso, não pode mais se defender nem
pessoalmente e espiritualmente, um ponto final é colocado.
Os
incômodos humanos, relacionados a organização estrutural, geram polêmica por
ser adaptações humanas. E humanamente falando, estutos e regimentos são
adequados por serem humanos e assim falhos. Mas, o importante é lembrar que
mesmo nesses incômodos humanos, Deus age pela sua igreja que prega clara e
puramente e administra os sacramentos de acordo com a ordem de Cristo. “...Quanto ao
ministério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete
candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete
candeeiros são as sete igrejas” (Ap 1.20).
Pelos
inúmeros escândalos o Diabo tenta encobrir a igreja e fazer com que as pessoas
se isolem dela. Pelos escândalos, o diabo divide e fragmenta a igreja. E Deus,
em seu amor e misericórdia oculta a igreja nas suas fraquezas e deficiências
(2Co 12.9; 1Co 1.18-21) engana o diabo e exalta a obra de Jesus.
Diante
dessa reflexão, minhas singelas observações:
1 –Se o Artigo V
da CA fala do ministério da palavra como sendo algo confiado a cada batizado
(1Pe 2.9). Todo batizado é um proclamador da libertação em Cristo. No entanto,
um age como cristão individual, à base desse sacerdócio universal, o outro, o
pastor, age à base do chamado recebido de outros cristãos. Um age (leigo,
serva, jovem, criança), sob Deus, em seu próprio nome (1Pe 2.9); o outro
(pastor) age, sob Deus, em nome da congregação que o chamou (Koehler, 1981, p.
251). Assim, sem chamado de uma congregação, o pastor não é pastor, mas um
leigo que serve como outro leigo nos mais variados ministérios. Cristo dá os mais variados dons a igreja
(Ef 4.11-13), nenhum é maior ou melhor. Todos contribuem para o mesmo fim,
Jesus ser engrandecido e crido. Assim, um pastor no exercício do ministério
leigo não é ofensa, nem diminuição. Ele está aguardando chamado para
voltar em nome da congregação a ser pastor chamado.
2 – Convém
lembrar que a única diferença entre pastor licenciado e aguardando chamado é
que o que está ativo possui um chamado. Mas, todos, eméritos, licenciados,
aguardando chamado e os com chamado, servem ao Senhor na atual situação na qual
se encontram (Koehler, p. 255).
3 – Não
estranhe a observação acima sobre presbíteros, diáconos, diaconisas, afinal, o
trabalho de ensinar e educar os novos é uma parte essencial no ministério
público. Tanto que a Bíblia cita que a qualidade essencial do ministro é que
seja apto a ensinar. Mas, não se pode furtar a atenção especial ao trabalho com
crianças e a congregação pode chamar ou eleger alguém para determinado
trabalho. Esses não exercem o oficio pastoral, mas, são importantes dentro do
ministério. Para esses, também é possível dizer que possuem um chamado divino,
assim como todos os crentes em Cristo possuem (1Pe 2.9).
4 –
Onde está a igreja, há autoridade para administrar o evangelho. E é a igreja
local que retêm a autoridade de chamar eleger e ordenar ministros (Poder e
Primado do Papa, p.356). O chamado do pastor se limita a sua congregação e seus
limites (At 20.28). De acordo com ortopráxis, boa conduta, não se envolva em
assuntos de outro pastor, nem ronde comunidades vacantes. Só se assume um local
e se envolve nos seus assuntos quem é chamado pela congregação que age como
executiva da vontade de Deus (Koehler, 1981,p. 253). Assim, um pastor,
presbítero, diácono, diaconisa, chamados pela congregação, é como se tivessem
sidos chamados pelo próprio Deus. Isso é chamado divino. E quando devo aceitar? A divindade do chamado está na pergunta:
onde pode o homem chamado prestar maior serviço ao reino de Cristo? (Koehler,p.
253). Será que devo sair, pois não tenho mais nada a oferecer onde estou? Ou,
meus dons e talentos se aplicam melhor naquela outra congregação e onde estou
não sou tão útil e necessário?
Reflexões!
Em
Cristo
Edson Ronaldo Tressmann - Querência do Norte – PR
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