segunda-feira, 16 de março de 2026

Quando Cristo chama, até os mortos vivem

 22 de março de 2026

Quinto Domingo na Quaresma

Salmo 130; Ezequiel 37.1–14; Romanos 8.1–11; João 11.1-45

Texto: João 11.1–45

Tema: Quando Cristo chama, até os mortos vivem

 

Existem momentos na vida em que a esperança parece desaparecer. Momentos em que a oração sobe aos céus… mas nenhuma resposta parece voltar. Momentos em que o silêncio de Deus pesa sobre o coração como uma noite longa e fria.

O Evangelho nos leva hoje para dentro de uma casa assim. Uma casa em Betânia. Uma casa cheia de lágrimas. Ali morava um homem chamado Lázaro. Ele estava doente. Muito doente. Suas irmãs, Marta e Maria, enviam uma mensagem simples a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está enfermo” (Jo 11.3).

É uma oração curta. Sem discursos. Sem exigências. Apenas confiança. Mas então acontece algo que parece incompreensível. Jesus não vai imediatamente. O evangelista João escreveu que que Jesus permaneceu ainda dois dias onde estava.

Imagine o coração daquelas irmãs. Cada hora passando. Cada respiração de Lázaro ficando mais fraca. Talvez elas olhassem repetidamente para a estrada esperando ver Jesus chegar. Mas Jesus não veio enquanto havia possibilidade. E então Lázaro morreu.

Quantas vezes nossa fé passa exatamente por esse momento? Oramos… Esperamos… Confiamos… E parece que Deus está em silêncio.

As palavras de Cristo: “Esta enfermidade não é para morte, mas para a glória de Deus” (Jo 11.4) não significa que Lázaro não morreria. Na verdade, essas palavras significam algo mais profundo: a morte não teria e não tem a última palavra.

Aqui está uma verdade profunda da fé cristã: Deus às vezes permite que a situação pareça piorar antes de revelar a sua glória.

        Quando Jesus finalmente chega a Betânia, Lázaro já está morto há quatro dias. Para os judeus daquela época isso significava algo terrível: não havia mais nenhuma esperança.

O corpo já estava em decomposição. Tudo havia acabado. Marta corre ao encontro de Jesus e diz: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11.21).

Em quantas situações, mesmo que em pensamento, exclamamos: “Senhor… se o Senhor tivesse agido antes…?

Jesus exclamou para Marta algo que muda a história da humanidade: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25). Jesus não diz apenas que dá ressurreição. Jesus diz algo muito maior:

Ele é a ressurreição. Onde Cristo está, a morte não tem autoridade final.

        Depois disso Maria chega chorando. A multidão chora. O ar está pesado de luto. Então acontece algo extraordinário: “Jesus chorou” (Jo 11.35).

Duas palavras. Mas nelas está um dos maiores consolos do Evangelho. O Deus que ressuscita mortos também sente a dor do coração humano. Jesus Cristo não observa nosso sofrimento de longe. Ele entra nele. Ele caminha até o túmulo. O termo grego utilizado por Jesus em sua fala e escrito por João é enebrimesato e significa que Jesus ficou profundamente comovido. É um Jesus indignado contra a morte. Afinal, a morte não faz parte do plano original de Deus. Ela é o inimigo que entrou no mundo por causa do pecado.

        Então Jesus chega diante do túmulo. Uma caverna fechada por uma pedra. Jesus diz: “Tirai a pedra” (Jo 11.39). Marta responde com uma honestidade dolorosa: “Senhor… já cheira mal” (Jo 11.39). Essas palavras desejam destacar que a morte era real, definitiva e irreversível.

Mas então Jesus levanta os olhos ao céu e clama com grande voz: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43). Jesus disse o nome, pois, se dissesse, venha para fora, todos os mortos viriam.

Não há ritual. Não há esforço humano. Apenas a Palavra de Cristo. E acontece algo que ninguém esperava. O morto começa a se mover. As faixas funerárias ainda envolvem seu corpo. Passo após passo… Lázaro sai do túmulo. O impossível acabou de acontecer. O túmulo perdeu seu prisioneiro. E Jesus diz: “Desatai-o e deixai-o ir” (Jo 11.44).

        Entenda algo importante. Essa história não foi escrita apenas para contar um milagre impressionante. Ela aponta para algo muito maior. Quando Jesus chamou Lázaro para fora do túmulo, Ele estava mostrando o que um dia fará com todos os que pertencem a Jesus.

A riqueza não impede a morte. A medicina não a evita completamente. Nenhum poder humano vence a morte. Mas Cristo venceu.

Aquele que chorou diante do túmulo de um amigo é o mesmo que saiu do próprio túmulo três dias depois. E um dia Ele falará novamente. Como escreve o apóstolo Paulo: “Ao som da trombeta de Deus… os mortos em Cristo ressuscitarão” (1Ts 4.16-17).

Assim como Lázaro ouviu a voz de Cristo… um dia os que pertencem a Jesus e morreram em Cristo ouvirão essa mesma voz. E quando Cristo chama… até os mortos vivem.

        Há algo muito mais profundo que isso nessa história. Quando Jesus ressuscita Lázaro, os líderes religiosos começam a planejar a morte de Jesus. Lázaro sai do túmulo… para que Cristo caminhe em direção à cruz.

Jesus devolve a vida ao amigo sabendo que isso o levaria à própria morte. Porque essa é a essência do Evangelho. Cristo entrou na nossa morte para nos dar a sua vida.

Ele foi colocado em um túmulo para que o túmulo não fosse o nosso “destino final”.

A palavra cemitério vem do grego e significa literalmente: “lugar de dormir”. Porque para aqueles que estão em Cristo… a morte não é o fim. Não esqueça, após a morte há vida eterna. Em Jesus Cristo uma eterna bem-aventurança.

Essa história nos lembra algo próximo da nossa realidade. Ela acontece dentro de uma família. Uma casa com doença. Uma casa com lágrimas. Mesmo quem ama Jesus enfrenta momentos difíceis. Há conflitos entre marido e esposa. Distâncias entre pais e filhos. Feridas antigas dentro da família. No entanto, o Evangelho mostra algo poderoso: Jesus Cristo entra na casa onde há dor. Jesus não fica distante dos problemas da família. Por essa razão: leve sua família a Cristo. Leve seus conflitos a Jesus Cristo. Leve suas lágrimas a Cristo. Afinal, quando Cristo fala… até aquilo que parece morto pode voltar a viver.

Talvez alguém esteja vivendo como Marta e Maria. Mandou recado para Jesus em oração. Espera. Não entende o silêncio divino. Muitos estão lutando contra a ansiedade, pensando que a vida saiu do controle. Recorde-se: Jesus sabe exatamente o que está acontecendo. Jesus Cristo continua no controle. Ele não perdeu o governo da nossa história.

        A história termina com um homem saindo de um túmulo. Mas, essa história aponta para outro túmulo. Depois de chamar Lázaro para fora… Jesus caminhou em direção a Jerusalém. Lá seria preso. Julgado. Pregado numa cruz. Lá, o Filho de Deus seria colocado num túmulo. O Senhor da vida seria colocado atrás de uma pedra. Mas ao terceiro dia… a pedra foi removida. E o mesmo Senhor que disse: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43) saiu do próprio túmulo vitorioso.

Quando Cristo chama… até os mortos vivem. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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