22 de março de 2026
Quinto
Domingo na Quaresma
Salmo
130; Ezequiel 37.1–14; Romanos 8.1–11; João 11.1-45
Texto:
João 11.1–45
Tema: Quando
Cristo chama, até os mortos vivem
Existem
momentos na vida em que a esperança parece desaparecer. Momentos em que a
oração sobe aos céus… mas nenhuma resposta parece voltar. Momentos em que o
silêncio de Deus pesa sobre o coração como uma noite longa e fria.
O
Evangelho nos leva hoje para dentro de uma casa assim. Uma casa em Betânia. Uma
casa cheia de lágrimas. Ali morava um homem chamado Lázaro. Ele estava doente.
Muito doente. Suas irmãs, Marta e Maria, enviam uma mensagem simples a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está enfermo” (Jo
11.3).
É
uma oração curta. Sem discursos. Sem exigências. Apenas confiança. Mas então
acontece algo que parece incompreensível. Jesus não vai imediatamente. O evangelista
João escreveu que que Jesus permaneceu ainda dois dias onde estava.
Imagine
o coração daquelas irmãs. Cada hora passando. Cada respiração de Lázaro ficando
mais fraca. Talvez elas olhassem repetidamente para a estrada esperando ver
Jesus chegar. Mas Jesus não veio enquanto havia possibilidade. E então Lázaro
morreu.
Quantas vezes nossa fé passa exatamente por esse momento? Oramos… Esperamos… Confiamos…
E parece que Deus está em silêncio.
As
palavras de Cristo: “Esta enfermidade não é para
morte, mas para a glória de Deus” (Jo 11.4) não significa que Lázaro
não morreria. Na verdade, essas palavras significam algo mais profundo: a morte não teria e não tem a
última palavra.
Aqui
está uma verdade profunda da fé cristã: Deus às vezes permite que a situação
pareça piorar antes de revelar a sua glória.
Quando Jesus finalmente chega a Betânia,
Lázaro já está morto há quatro dias. Para os judeus daquela época isso
significava algo terrível: não
havia mais nenhuma esperança.
O
corpo já estava em decomposição. Tudo havia acabado. Marta corre ao encontro de
Jesus e diz: “Senhor, se estivesses aqui, meu
irmão não teria morrido” (Jo 11.21).
Em quantas situações, mesmo que em pensamento, exclamamos: “Senhor… se o Senhor tivesse agido antes…”?
Jesus
exclamou para Marta algo que muda a história da humanidade: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25).
Jesus não diz apenas que dá ressurreição. Jesus diz algo muito maior:
Ele é a ressurreição.
Onde Cristo está, a morte não tem autoridade final.
Depois disso Maria chega chorando. A
multidão chora. O ar está pesado de luto. Então acontece algo extraordinário: “Jesus chorou” (Jo 11.35).
Duas
palavras. Mas nelas está um dos maiores consolos do Evangelho. O Deus que
ressuscita mortos também sente a dor do coração humano. Jesus Cristo não
observa nosso sofrimento de longe. Ele entra nele. Ele caminha até o túmulo. O
termo grego utilizado por Jesus em sua fala e escrito por João é enebrimesato
e significa que Jesus ficou profundamente comovido. É um Jesus indignado contra
a morte. Afinal, a morte não faz parte do plano original de Deus. Ela é o
inimigo que entrou no mundo por causa do pecado.
Então Jesus chega diante do túmulo. Uma
caverna fechada por uma pedra. Jesus diz: “Tirai
a pedra” (Jo 11.39). Marta responde com uma honestidade dolorosa: “Senhor… já cheira mal” (Jo 11.39). Essas
palavras desejam destacar que a morte era real, definitiva e irreversível.
Mas
então Jesus levanta os olhos ao céu e clama com grande voz: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43). Jesus
disse o nome, pois, se dissesse, venha para fora, todos os mortos viriam.
Não
há ritual. Não há esforço humano. Apenas a Palavra de Cristo. E acontece algo
que ninguém esperava. O morto começa a se mover. As faixas funerárias ainda
envolvem seu corpo. Passo após passo… Lázaro sai do túmulo. O impossível acabou
de acontecer. O túmulo perdeu seu prisioneiro. E Jesus diz: “Desatai-o e deixai-o ir” (Jo 11.44).
Entenda algo importante. Essa história
não foi escrita apenas para contar um milagre impressionante. Ela aponta para
algo muito maior. Quando Jesus chamou Lázaro para fora do túmulo, Ele estava
mostrando o que um dia fará com todos os que pertencem a Jesus.
A
riqueza não impede a morte. A medicina não a evita completamente. Nenhum poder
humano vence a morte. Mas Cristo venceu.
Aquele
que chorou diante do túmulo de um amigo é o mesmo que saiu do próprio túmulo
três dias depois. E um dia Ele falará novamente. Como escreve o apóstolo Paulo:
“Ao som da trombeta de Deus… os mortos em Cristo
ressuscitarão” (1Ts 4.16-17).
Assim
como Lázaro ouviu a voz de Cristo… um dia os que pertencem a Jesus e morreram
em Cristo ouvirão essa mesma voz. E quando Cristo chama… até os mortos vivem.
Há algo muito mais profundo que isso nessa
história. Quando Jesus ressuscita Lázaro, os líderes religiosos começam a
planejar a morte de Jesus. Lázaro sai do túmulo… para que Cristo caminhe em
direção à cruz.
Jesus
devolve a vida ao amigo sabendo que isso o levaria à própria morte. Porque essa
é a essência do Evangelho. Cristo entrou na nossa morte para nos dar a sua
vida.
Ele
foi colocado em um túmulo para que o túmulo não fosse o nosso “destino final”.
A
palavra cemitério vem do grego e significa literalmente: “lugar de dormir”. Porque para aqueles que
estão em Cristo… a morte não é o fim. Não esqueça, após a morte há vida eterna.
Em Jesus Cristo uma eterna bem-aventurança.
Essa
história nos lembra algo próximo da nossa realidade. Ela acontece dentro de uma
família. Uma casa com doença. Uma casa com lágrimas. Mesmo quem ama Jesus
enfrenta momentos difíceis. Há conflitos entre marido e esposa. Distâncias
entre pais e filhos. Feridas antigas dentro da família. No entanto, o Evangelho
mostra algo poderoso: Jesus
Cristo entra na casa onde há dor. Jesus não fica distante dos problemas
da família. Por essa razão: leve sua família a Cristo. Leve seus conflitos a Jesus
Cristo. Leve suas lágrimas a Cristo. Afinal, quando Cristo fala… até aquilo que parece morto pode
voltar a viver.
Talvez
alguém esteja vivendo como Marta e Maria. Mandou recado para Jesus em oração. Espera.
Não entende o silêncio divino. Muitos estão lutando contra a ansiedade,
pensando que a vida saiu do controle. Recorde-se: Jesus sabe exatamente o que
está acontecendo. Jesus Cristo continua no controle. Ele não perdeu o governo
da nossa história.
A história termina com um homem saindo
de um túmulo. Mas, essa história aponta para outro túmulo. Depois de chamar
Lázaro para fora… Jesus caminhou em direção a Jerusalém. Lá seria preso. Julgado.
Pregado numa cruz. Lá, o Filho de Deus seria colocado num túmulo. O Senhor da
vida seria colocado atrás de uma pedra. Mas ao terceiro dia… a pedra foi
removida. E o mesmo Senhor que disse: “Lázaro,
vem para fora!” (Jo 11.43) saiu do próprio túmulo vitorioso.
Quando
Cristo chama… até os mortos vivem. Amém.
Edson Ronaldo Tressmann
Se desejar fazer um pix voluntário
edson.ronaldotre@gmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por seguir esse blog. Com certeza será uma bênção em sua vida.