segunda-feira, 2 de março de 2026

Água viva para uma mulher sedenta

 08 de março de 2026

Terceiro domingo na Quaresma

Salmo 95.1-9; Êxodo 17.1-7; Romanos 5.1-8; João 4.5-26

Texto: João 4.5-26

Tema: Água viva para uma mulher sedenta

 

O evangelista João nos conduz a um encontro improvável: “Veio, pois, a uma cidade de Samaria chamada Sicar...” (Jo 4.5).

Jesus, judeu, fala com uma mulher samaritana, algo social, étnica e religiosamente improvável. No contexto do Dia Internacional da Mulher, este texto revela algo profundo: Cristo dignifica a mulher ao revelar-se a ela como o Messias. Não por mérito. Não por posição social. Mas por pura graça.

Deus escolhe o que é desprezado para revelar sua glória. O Evangelho não é recompensa para os fortes, mas consolo para pecadores.

          Dá-me de beber” (Jo 4.7).

Jesus inicia com um pedido. O criador pede água à criatura. Aqui vemos a humilhação do Filho de Deus.

O que temos aqui é a teologia da cruz. Deus se revela na fraqueza, não na aparência de glória. Cristo tem sede física, mas aponta para uma sede mais profunda: a sede da alma.

A mulher responde com surpresa: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim...?” (Jo 4.9). Ela vê divisões. Jesus vê necessidade.

No Dia Internacional da Mulher, lembramos que:

- Muitas mulheres carregam sede emocional, espiritual, social.

- Algumas vivem invisíveis.

- Outras carregam culpas secretas.

- Outras lutam para provar seu valor.

Jesus Cristo não começa com acusação. Jesus começa com convite: “Se conheceras o dom de Deus...” (Jo 4.10).

A Lei de Deus revelada em sua Palavra mostra a nossa sede. Todavia, o Evangelho de Jesus, oferece a água viva. E essa água viva não é conquista. É um dom oferecido gratuitamente por Jesus.

          Jesus ao oferecer a água viva aplica a lei ao dizer: “Vai, chama teu marido” (Jo 4.16). O intuito disso não era humilhar, afinal, essa mulher já havia tido cinco maridos e o atual não era seu marido. Jesus queria se revelar para ela.

          Ao lhe oferecer água viva, Jesus precisava dizer pra ela quem Ele era. Por isso, o diálogo sobre a sua vida moral era essencial. Afinal, a Lei expõe o pecado. O Evangelho consola o pecador. Sem Lei, não há sede. Sem Evangelho, não há esperança.

          O Dia Internacional da Mulher não é apenas celebração de força feminina. É também reconhecimento de:

feridas,

fracassos,

relacionamentos quebrados,

histórias difíceis.

          Você conhece alguma mulher que está sofrendo por um ou outro motivo? O que está fazendo? Espero que não seja você um causador dessa dor ou ferimento!

Observe que Jesus não ignora a verdade sobre a vida dessa mulher. Mas, não a abandona por causa dessa situação moral.

Jesus a conhece e Jesus permanece com ela, afinal, seu intuito é resgatar essa mulher. Caríssimo, infelizmente tenho observado algumas situações em que o homem tem se prevalecido e causado muitas dificuldades para mulheres. Também, há situações em que as mulheres têm abusado dos seus direitos e causados transtornos na vida de muitos homens.

Lembre-se: a dignidade cristã é ser conhecido plenamente e amado gratuitamente em Jesus Cristo.

          Eu o sou, eu que falo contigo” (Jo 4.26).

          Este é um dos momentos mais impressionantes do Evangelho: Jesus revela claramente sua identidade messiânica e o faz a uma mulher samaritana. Não aos fariseus. Não aos líderes religiosos.

No Dia internacional da mulher, isso ecoa poderosamente: a mulher, frequentemente marginalizada na história, é colocada aqui como primeira ouvinte explícita da auto-revelação messiânica de Cristo. Isso não é política moderna. É Evangelho eterno.

A identidade mais profunda da mulher cristã não está em papéis sociais, conquistas ou reconhecimento humano, mas em ser destinatária da graça de Cristo. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

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