08 de março de 2026
Terceiro
domingo na Quaresma
Salmo
95.1-9; Êxodo 17.1-7; Romanos 5.1-8; João 4.5-26
Texto:
João 4.5-26
Tema: Água
viva para uma mulher sedenta
O
evangelista João nos conduz a um encontro improvável: “Veio, pois, a uma cidade de Samaria chamada Sicar...”
(Jo 4.5).
Jesus,
judeu, fala com uma mulher samaritana, algo social, étnica e religiosamente
improvável. No contexto do Dia Internacional da Mulher, este texto revela algo
profundo: Cristo dignifica
a mulher ao revelar-se a ela como o Messias. Não por mérito. Não por posição social. Mas por pura
graça.
Deus
escolhe o que é desprezado para revelar sua glória. O Evangelho não é
recompensa para os fortes, mas consolo para pecadores.
“Dá-me
de beber” (Jo 4.7).
Jesus
inicia com um pedido. O criador pede água à criatura. Aqui vemos a humilhação do Filho de Deus.
O
que temos aqui é a teologia da cruz.
Deus se revela na fraqueza, não na aparência de glória. Cristo tem sede física,
mas aponta para uma sede mais profunda: a sede da alma.
A
mulher responde com surpresa: “Como, sendo tu
judeu, pedes de beber a mim...?” (Jo 4.9). Ela vê divisões. Jesus vê
necessidade.
No
Dia Internacional da Mulher, lembramos que:
-
Muitas mulheres carregam sede emocional, espiritual, social.
-
Algumas vivem invisíveis.
-
Outras carregam culpas secretas.
-
Outras lutam para provar seu valor.
Jesus
Cristo não começa com acusação. Jesus começa com convite: “Se conheceras o dom de Deus...” (Jo 4.10).
A
Lei de Deus revelada em sua Palavra mostra a nossa sede. Todavia, o Evangelho
de Jesus, oferece a água viva. E essa água viva não é conquista. É um dom
oferecido gratuitamente por Jesus.
Jesus ao oferecer a água viva aplica a
lei ao dizer: “Vai, chama teu marido”
(Jo 4.16). O intuito disso não era humilhar, afinal, essa mulher já havia tido
cinco maridos e o atual não era seu marido. Jesus queria se revelar para ela.
Ao lhe oferecer água viva, Jesus
precisava dizer pra ela quem Ele era. Por isso, o diálogo sobre a sua vida
moral era essencial. Afinal, a Lei expõe o pecado. O Evangelho consola o
pecador. Sem Lei, não há sede. Sem Evangelho, não há esperança.
O Dia Internacional da Mulher não é
apenas celebração de força feminina. É também reconhecimento de:
feridas,
fracassos,
relacionamentos quebrados,
histórias difíceis.
Você conhece
alguma mulher que está sofrendo por um ou outro motivo? O que está fazendo?
Espero que não seja você um
causador dessa dor ou ferimento!
Observe
que Jesus não ignora a verdade sobre a vida dessa mulher. Mas, não a abandona
por causa dessa situação moral.
Jesus
a conhece e Jesus permanece com ela, afinal, seu intuito é resgatar essa
mulher. Caríssimo, infelizmente tenho observado algumas situações em que o
homem tem se prevalecido e causado muitas dificuldades para mulheres. Também,
há situações em que as mulheres têm abusado dos seus direitos e causados
transtornos na vida de muitos homens.
Lembre-se:
a dignidade cristã é ser
conhecido plenamente e amado gratuitamente em Jesus Cristo.
“Eu o
sou, eu que falo contigo” (Jo 4.26).
Este é um dos momentos mais
impressionantes do Evangelho: Jesus revela claramente sua identidade messiânica
e o faz a uma mulher samaritana. Não aos fariseus. Não aos líderes religiosos.
No
Dia internacional da mulher, isso ecoa poderosamente: a mulher, frequentemente
marginalizada na história, é colocada aqui como primeira ouvinte explícita da
auto-revelação messiânica de Cristo. Isso não é política moderna. É Evangelho
eterno.
A identidade mais profunda da mulher
cristã não está em papéis sociais, conquistas ou reconhecimento humano, mas em
ser destinatária da graça de Cristo. Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann
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