03 de abril
Sexta-feira
Santa
Salmo
22; Isaías 52.13-53.12; Hebreus 4.14-16; 5.7-9; João 19.17-30
Texto: Mt
27.37
Tema: Jesus,
tu és o meu Rei!
Há
momentos na história em que o homem pensa estar no controle… mas, na verdade,
está apenas cumprindo algo muito maior do que consegue compreender.
Naquela
sexta-feira, parecia que Roma governava, que os líderes religiosos haviam
vencido e que um homem estava sendo silenciado para sempre. Parecia o fim. Mas,
no alto de uma cruz, entre o céu e a terra, Deus estava escrevendo a declaração
mais ousada da eternidade, não com tinta, mas com sangue.
Uma
placa foi pregada. Três línguas foram usadas. Nenhuma delas conseguiu conter o
peso daquela verdade. O que começou como zombaria… tornou-se revelação. O que
foi escrito para humilhar… tornou-se a proclamação do verdadeiro Rei.
Sugestão Visual:
Uma coroa de espinhos e uma placa de madeira envelhecida no centro do altar com
a inscrição: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.
Naquela
sexta-feira, o que foi projetado para ser uma peça de ironia tornou-se a maior
declaração teológica da história. Pilatos escreveu aquelas palavras para
provocar os judeus; os soldados as leram para ridicularizar um homem
desfigurado.
Contudo,
no plano eterno, Deus estava usando a caneta de um pagão para assinar uma
verdade absoluta: aquele homem pendurado entre o céu e a terra, vertendo sangue
e água, é de fato e por direito o Rei do Universo.
Como
profetizou Isaías, Jesus não tinha beleza nem majestade que nos agradasse (Is
53.3-7). Paulo nos lembra que a glória de Jesus não foi manifestada em um
palácio, mas no “esvaziamento” da
cruz (Fp 2.5-11). Por isso, João registra a defesa de Jesus perante Pilatos: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36).
Acima
da cabeça de Cristo, a placa brilhava em três línguas (Hebraico, Latim e
Grego), alcançando todo o mundo civilizado da época. O mundo via um criminoso; Deus via o Cordeiro.
Os
líderes religiosos tentaram editar a verdade, pedindo a Pilatos: “Não escrevas 'O Rei', mas que ele 'disse ser' o Rei”.
A resposta de Pilatos foi profética: “O que
escrevi, escrevi”. Deus não permitiu que aquela placa fosse alterada
porque a realeza de Jesus não é uma opinião, uma alegação ou um “post” sujeito a curtidas; é um fato cósmico.
Diferente
dos reis da terra, que exigem o sangue de seus súditos para proteger suas
coroas, este Rei derrama o seu próprio sangue para proteger seus súditos.
Jesus
não convocou legiões de anjos. Por quê?
Porque seu Reino é feito de pessoas resgatadas, e o resgate exigia o prego.
Cada golpe de martelo era um selo de perdão.
No
Reino de Deus, a lógica é invertida. A vida nasce da morte, a exaltação nasce
da humilhação. Ele venceu o pecado e a morte justamente quando parecia ter sido
tragado por eles. Aquela placa era o “Título de
Propriedade” de Cristo sobre a humanidade que Ele comprava naquele
instante.
A
cruz é o trono onde Jesus assina o nosso decreto de anistia. Ele é o Rei que:
-
Recebe a condenação em nosso lugar.
-
Escolhe salvar o ladrão ao Seu lado enquanto Ele mesmo se entrega à morte.
-
Troca o brilho do ouro pelo vermelho do sangue para que tivéssemos livre acesso
ao Pai.
Hoje,
Sexta-Feira Santa, a pergunta não é se Jesus é Rei, a história e a eternidade
já selaram isso. A pergunta crucial é: Jesus é o
Rei da sua vida?
Não
olhe para a cruz apenas como uma tragédia histórica. Olhe para ela como o campo
de batalha onde o seu Rei venceu a sua maior guerra. Ajoelhe-se diante daquele
que não usou o seu poder para descer da cruz, mas usou o seu amor para
permanecer nela até o fim.
Diga
hoje com convicção: “Jesus, Tu és o meu Rei”.
Se Jesus é o seu Rei, Jesus tem a palavra final sobre o seu medo, sobre a sua
culpa e sobre o seu futuro. Na Sexta-Feira Santa, o Rei morre para que os
súditos vivam. Que a placa pregada no madeiro seja, hoje, gravada com fogo em
nossa alma.
O
mais impressionante não é que aquela placa tenha sido escrita. O mais
impressionante é que ela continua sendo verdadeira… quer o mundo aceite ou não.
Impérios
caíram. Reis foram esquecidos. Coroas se tornaram pó. Mas aquele homem
crucificado continua reinando.
E
aqui está o ponto que não pode ser ignorado: você não pode olhar para a cruz e
permanecer neutro. Porque se Ele é Rei, e Ele é, então isso muda tudo. Muda a
forma como você vive. Muda a forma como você enfrenta a dor. Muda a forma como
você lida com o pecado, com a culpa e com o futuro.
A
cruz não permite espectadores. Ela exige rendição. Naquela sexta-feira, muitos
passaram diante da cruz e seguiram suas vidas como se nada tivesse acontecido.
Hoje,
dois mil anos depois, ainda há quem faça o mesmo. Mas alguns… param. Olham. Reconhecem.
E se rendem. Porque entendem algo que os outros não perceberam: aquele não era
apenas um homem morrendo… era um Rei reinando.
E
a pergunta que ecoa até hoje não é se a placa estava certa. A pergunta é: você já se curvou diante dela na certeza de que Jesus é
teu Rei? Porque no final, não será sobre o que estava escrito no
madeiro… mas sobre o que está escrito, ou não, no seu coração. Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann
se desejar fazer um pix voluntário
edson.ronaldotre@gmail.com
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