08 de março de 2026
Terceiro
domingo na Quaresma
Salmo
95.1-9; Êxodo 17.1-7; Romanos 5.1-8; João 4.5-26
Texto: Salmo
95.1-9
Tema: O
deserto interior: quando o coração coloca Deus no banco dos réus!
No Salmo 95 é o texto litúrgico mais
famoso sobre Massá (Ler o Salmo 95).
Davi, a quem esse Salmo é atribuído,
transforma o evento geográfico em Refidim para advertir sobre a postura do
coração (Sl 95.8-9).
O problema em Massá não foi a sede,
mas o fechamento da mente. O povo viu os milagres no Egito e no Mar Vermelho,
mas se recusaram a crer que Deus estava de fato com eles. Por descrença
deixaram de descansar em Deus.
O Salmo 95 começa com um toque de
trombeta para a adoração: “Vinde, cantemos ao
Senhor!” (Sl 95.1), mas termina com um trovão de advertência.
Spurgeon diria que a adoração que agrada a Deus não é apenas o som dos lábios,
mas submissão a sua vontade. Davi nos transporta de volta ao deserto, não para
nos ensinar geografia, mas para nos mostrar a anatomia da queda humana.
O Salmo 95 é um convite que termina em
um lamento; uma festa que termina em um funeral. Ele começa com o coro dos
remidos exultando em Deus, a Rocha da nossa salvação, mas termina com a voz
solene do próprio Deus jurando em sua ira devido a incredulidade. Um incrédulo é
como um cadáver diante de Deus.
O
salmista Davi, para quem se atribui esse Salmo, nos leva de volta a Massá e
Meribá, não para uma lição de história, mas para um exame de cardiologia
espiritual. O salmista nos mostra que o maior deserto não estava sob os pés dos
israelitas, mas dentro deles.
“Não sejam teimosos, como os seus antepassados foram em
Meribá, quando estavam em Massá, no deserto” (Sl 95.8).
A
incredulidade torna o coração como uma estrada batida pelo pecado, onde nada
penetra e nada brota.
O
povo não pecou por sentir sede (uma necessidade legítima), mas por transformar
a sede em uma arma contra a soberania de Deus. O problema nunca é a
circunstância difícil, mas o que fazemos com ela. Massá é o lugar onde o homem
coloca Deus no banco dos réus.
Por
causa da natureza pecaminosa, somos um solo rebelde. A sede do povo no deserto
não foi o grave problema. Sempre há pessoas amadas por Deus passando por dificuldades.
O problema do povo foi a exigência em forma de intimação.
Caríssimo
irmão e irmã no Senhor: o endurecimento do coração começa quando paramos de ver
Deus como um Pai amoroso e passamos a tratá-lo como um servo que deve
satisfazer nossos caprichos.
O
povo de Deus fechou sua mente para Deus. Voltando a frase de Spurgeon, destaco
que tal como o barro que endurece no sol, quando resistimos a verdade da
Palavra de Deus, o ser humano vai se tornando impenetrável pela verdade.
“Ali eles me puseram à prova e me desafiaram, embora
tivessem visto o que eu havia feito por eles” (Sl 95.9).
Spurgeon
sempre fazia uma observação em seus sermões dizendo: “o mesmo sol que derrete a cera, endurece o barro”.
O povo viu o Mar Vermelho se abrir, mas o milagre de ontem não alimentou a fé
de hoje.
Observem
o paradoxo da incredulidade. O mesmo povo que teve o Mar Vermelho diante dos
seus olhos e uma magnifica libertação, agora estava em Maná, e seus estômagos
influenciaram em sua mente alimentando a dúvida sobre o amor e a fidelidade de
Deus para com eles.
Lembre-se:
milagres não convertem
ninguém. Se o coração está decidido a não crer, ele verá a mão de Deus e
a chamará de “coincidência”, “sorte”, “destino”.
A
incredulidade é voluntária, por isso é condenatória. Ela não é decorrente de um
não desejo de Deus em não escolher. Àquele povo viu maravilhosas obras divinas,
mas se recusaram a conhecer o “Caminho”
(Sl 95.10). Eles queriam as mãos de Deus, ou seja, a provisão, mas recusavam
seu coração a Deus, manter a comunhão com Deus.
Esse
povo sobre quem o salmista escreve viu a obra de Deus, esse povo conhecia os
caminhos de Deus (Sl 95.10).
Ao
fazer esse destaque o salmista deseja nos lembrar que conhecer as obras de Deus
é saber o que Ele faz. Conhecer os caminhos de Deus é saber quem Ele é.
A
incredulidade do povo deve-se justamente ao fato de duvidarem sobre quem Deus
é. Quem é Deus? Responder essa
questão quando tudo está bem é uma coisa. Agora, responder essa pergunta quando
tudo está ruim, é outra coisa.
O
povo de Deus, aproveitando-se da sede, se deixaram levar pela conclusão de que
Deus os havia levado até o deserto para matá-los. E isso foi um insulto a graça
de Deus. Esse povo ousou medir a infinitude do amor de Deus pela finitude da
sede.
“Fiquei irado e fiz este juramento: ‘Vocês nunca entrarão na
Terra Prometida, onde eu lhes teria dado descanso” (Sl 95.11; Hb
3.7-11).
A
incredulidade não traz apenas consequências eternas. Na verdade, a
incredulidade traz agitação presente. Quem não confia, não descansa. Quem não
acredita, semeia dúvidas para outros.
O
povo de Deus vagou por quarenta anos num deserto que em poucos dias poderiam
ter atravessado. A incredulidade tornou o caminho mais longo. O descanso foi
adiado.
O
descanso de Deus é o que o apostolo Paulo escreveu aos Filipenses: a paz que
excede todo entendimento.
A
incredulidade é a prisão com grades de ansiedade. A incredulidade é a algema
que nos mantém no deserto da preocupação. E para isso, temos a resposta de
Jesus, que ao vencer o tentador disse o que Moisés interpretou sobre esse
episódio: nem só de pão viverá o homem.
O
castigo é a própria incredulidade. Quem não crê se condena a uma vida de
agitação eterna. O “descanso” em Canaã
era um símbolo do descanso da alma em Cristo.
Da parte de Deus existe uma urgência
do hoje. O salmista enfatiza: “Escutem hoje o
que ele nos diz” (Sl 95.7). O amanhã é o período em que os tolos se
perdem. A graça rejeitada hoje torna o coração mais duro para o convite de
amanhã.
O apóstolo Paulo ao escrever aos Coríntios
(1Co 10.4) enfatiza que a rocha ferida em Massá, da qual saiu água, era figura
de Cristo. Enquanto o povo murmurou contra a rocha, a rocha ferida, Cristo, os
iria salvar.
Caríssimo irmão e irmã no Senhor: não
permita que as dificuldades, tragédias, situações adversas, feche a sua mente
para a fidelidade e o amor de Deus em Cristo. A adoração a Deus é realizada por
àquilo que Ele é.
A rocha que foi ferida em Massá é a rocha
ferida no Calvário. Da rocha em Massá saiu água para saciar a sede de um povo
rebelde. Da rocha, Jesus Cristo, sai sangue e água para lavar o pecado do maior
dos rebeldes.
Jesus Cristo é o meu verdadeiro descanso.
Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann
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