segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Segredo revelado (Ef 3.1-12)

04 de janeiro

Epifania do Senhor

Salmo 72.1-11; Isaías 60.1-6; Efésios 3.1-12; Mateus 2.1-12

Texto: Efésios 3.1-12

Tema: Segredo revelado.

 

Epifania é tempo de revelação do mistério.

Paulo, apóstolo de Cristo, inicia este capítulo revelando a razão de sua oração e prisão: “Por essa razão eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vocês, gentios...”. Qual é a razão da oração? A resposta está nos capítulos 1 e 2 dessa carta.

A grande transformação é a chave. Afinal, os gentios, antes “espiritualmente mortos” e “longe de Deus”, agora estavam “espiritualmente vivos”, “perto” e “parte da família de Deus”. É por essa maravilhosa obra da graça de Deus que Paulo se vê como um servo, preso, com a missão de anunciar o evangelho.

O objetivo do seu ministério, como afirma em Efésios 3.2, é o “bem” das pessoas. A pregação do evangelho, mesmo que custosa, é a forma de Deus revelar seu plano de salvação a todos.

No tempo de Paulo, as pessoas buscavam “mistérios” com grande fervor. Muitos que se converteram ao cristianismo vinham de cultos esotéricos e ocultistas. No entanto, o apóstolo afirma que o verdadeiro “plano secreto” já foi revelado por Deus a ele.

Para que os cristãos da Ásia Menor pudessem entender esse mistério, Paulo os instrui a ler a carta. Essa revelação não é uma experiência mística e individual, mas algo que Deus “agora, por meio do seu Espírito, revelou aos seus santos apóstolos e profetas” (Efésios 3.5).

A Bíblia, a Palavra escrita pelos apóstolos (Novo Testamento) e profetas (Antigo Testamento), é a fonte completa da revelação de Deus. Não precisamos de outra revelação.

Qual é o grande segredo?

O segredo é este: por meio do evangelho os não judeus participam com os judeus das bênçãos divinas. Eles são membros do mesmo corpo e participam da promessa que Deus fez por meio de Cristo Jesus” (Efésios 3.6).

O evangelho rompe a barreira que separava judeus e gentios, tornando-os um só corpo em Cristo, participantes das promessas divinas.

Paulo descreve sua própria posição no ministério com a mais profunda humildade: “Eu sou menos do que o menor de todos os que pertencem a Deus” (Efésios 3.8). A palavra original traduzida como “menos do que o menor” é encontrada apenas aqui no Novo Testamento e expressa a convicção de que ele, por ter perseguido a igreja no passado, não era digno de ser contado entre os santos.

O apóstolo Paulo ao usar a expressão elachistoteros, além de expressar humildade, expressa também uma confissão de pecados. Em Cristo, o apóstolo Paulo tinha um profundo senso de pecaminosidade, de forma especial da época em que perseguia a igreja. Aos coríntios escreveu: “...eu sou o menos importante dos apóstolos e até nem mereço ser chamado de apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1Co 15.9).

A igreja, agora formada por judeus e gentios, é o instrumento pelo qual a sabedoria de Deus se torna conhecida não apenas na terra, mas também no mundo celestial. É a demonstração do propósito eterno de Deus, realizado em Cristo Jesus. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Mateus, leitor e intérprete do Antigo Testamento para 2026

 Primeiro Domingo após Natal

28 de Dezembro 2025

Salmo 111; Isaías 63.7-14; Gálatas 4.4-7; Mateus 2.13-23

Texto: Mateus 2.13-23

Tema: Mateus, leitor e intérprete do Antigo Testamento para 2026.

 

          O Antigo Testamento era a Bíblia lida pelos evangelistas, cristãos e apóstolos. Há cerca de 350 citações diretas do Antigo Testamento, como alguns versos são repetidos, há 400 citações. Entre os 39 livros do Antigo Testamento, apenas cinco, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes e Cânticos, não são citados versículos no Novo Testamento. Jesus citou 24 livros diferentes do Antigo Testamento.

          Para esse ano eclesiástico (série trienal A), temos a oportunidade de ler o Antigo Testamento assim como o evangelista Mateus o leu. Na pericope da nossa reflexão (Mt 2.13-23), Mateus enumera por duas (2) vezes que palavras do Antigo Testamento estavam se cumprindo e uma (1) vez enumera um fato ocorrido no Antigo Testamento para trazer consolo e exortação.

          Nesse último domingo desse ano de 2025, temos para nossa reflexão, o episódio da fuga de José e Maria com o menino Jesus e uma chacina. Esse episódio ensina como Deus age, mesmo em meio a toda suposta esperteza humana.

          Após a visita dos magos, o anjo, possivelmente o mesmo que deu a notícia de que a gravidez de Maria era obra do Espírito Santo, apareceu em sonho e recomendou a fuga para o Egito. Quem já teve um bebê sabe a dificuldade que é viajar com uma criança pequena.

          Se em dias de carros potentes, asfalto e inúmeros pontos de parada, já é difícil uma viagem com um bebê, imagina, naquela época. Não se tratava de uma viagem rápida. Na época, a rota comercial comum de Belém ao Egito era de aproximadamente 300 a 400 km (cerca de 10 a 14 dias de viagem pesada).

          Não há relato bíblico sobre os incômodos da viagem e a vida no Egito que perdurou por cerca de 4 anos. É possível que, o ouro, a mirra e o incenso ajudaram a financiar as necessidades materiais da família durante a viagem ao Egito e depois nos anos subsequentes de estadia no Egito.

          O ouro, o mais valioso de todos os metais preciosos, era moeda padrão da época (At 3.4-6; Mt 10.9). O incenso e a mirra, resinas aromáticas, usadas na adoração por causa de suas propriedades intensamente perfumadas, eram especiarias caríssimas e davam um bom dinheiro.

          O evangelista Mateus destaca que a fuga para o Egito era para se cumprir as palavras do profeta Oséias (Os 11.1). O profeta Oséias fez referência as palavras que Deus transmitiu para Moisés e por ele falou para o Faraó (Ex 4.22).

Por essas palavras, Deus destacava seu relacionamento com a nação de Israel. Por amor a Israel, Deus resgatou o seu povo da escravidão. O evangelista Mateus cita o profeta Oséias para destacar que assim como Israel é o filho escolhido de Deus, Jesus é o filho de Deus que veio tirar a humanidade da condenação imposta pelo pecado.

          O anúncio que Moisés foi incumbido de dar para Faraó: “Israel é o meu primeiro filho” (Ex 4.22) mostra que apesar de parecer que Faraó tivesse domínio, tudo estava nas mãos de Deus. Deus estava anunciando que Israel não era um filho órfão.

          Faraó que parecia ter domínio sob o povo de Deus, não tinha. Através das Dez pragas, Deus foi destronando um a um dos deuses egípcios. César Augusto parecia ter domínio sob o povo de Deus através do domínio Romano. Na verdade, foi exatamente o seu edito que conduziu José e Maria para Belém. Era lá que Jesus deveria nascer (Mt 2.6; Mq 5.2) conforme anunciado pela Escritura através do profeta Miquéias.

          Tal como o Faraó, Herodes amava o poder e se dizia invencível. Assassinou esposas e filhos para que seu trono não fosse reivindicado. Qualquer coisa que ameaçasse seu trono era rapidamente eliminada. E é exatamente esse homem cruel e destemido que ao receber a visita dos magos e por eles ouviu que havia nascido o Rei dos Judeus (Mt 2.2), estranhamos sua não reação imediata.

          A cavalo, a viagem entre Jerusalém e Belém era de apenas uma hora. É incompreensível como José e Maria com o menino Jesus conseguiram fugir para o Egito.

          Essas ponderações levam a conclusão de que Deus é o dono da história. Não importa o quão poderoso alguém se diz ser. Assim como por seu filho Israel, Deus foi destronando o Faraó, da mesma forma, por seu Filho Jesus, e por seus filhos que somos nós, Deus agiu e conduziu em segurança José, Maria e o bebê Jesus até o Egito.

          Herodes, um homem astuto, se tornou um tolo diante da ação de Deus. Ainda hoje é assim, Deus age, por mais que governantes e reinos se julguem astutos. A vontade de Deus sempre prevalece, mesmo sem a nossa compreensão.

          Enquanto Herodes quis matar Jesus, Deus, que enviou seu Filho para viver e morrer apenas na cruz para resgatar o pecador. Deus age por sua vontade para redimir a humanidade.

          Para realizar seu plano Redentor, eventos trágicos ocorreram. Herodes, tomado pela raiva de ter sido enganado pelos magos, mandou matar cerca de 20 bebês menores de dois anos naquelas redondezas. Apesar da perplexidade do ocorrido, a crueldade de Herodes era tanta, que Josefo, um historiador do primeiro século que escreveu sobre suas crueldades, nem sequer mencionou esse fato.

          Na descrição dessa tragédia, o evangelista Mateus recorda as palavras do profeta Jeremias referente aos filhos de Deus (Jr 31.15) para lembrar de Raquel, a mãe de José e Benjamim. Com isso surge a recordação do quanto Jacó chorou a morte de José, que não estava morto. José que foi vendido como escravo ao Egito, acabou se tornando governador desse país. Anos após sua venda, Benjamim, o filho caçula e amado por Jacó, serviu de instrumento de resgate para a família se livrar da fome e se estabelecer no Egito.

          Quando Mateus recorda as palavras do profeta Jeremias que nos conduzem a Gênesis, o profeta enumera o choro e a restauração. Dessa forma, Mateus estava consolando seus leitores destacando que enquanto há choro pelas crianças assassinadas, a mando de Herodes, uma obra de esperança estava acontecendo na fuga de José e Maria com o menino Jesus.

          O texto recordado por Mateus, descrito em Jeremias 31, fala sobre o retorno do exílio Babilônico e ao citar o choro de Raquel, o evangelista está dizendo: “a dor é real, mas o fim da história é a restauração”.

          Em 2025, muitos podem ter “chorado como Raquel” por perdas. Todavia, enquanto Herodes causava o choro, Deus, em Jesus estava preparando a consolação final.

          Os eventos ocorridos naqueles dias e em todos os outros, inclusive os acontecimentos dos nossos dias, está sob a supervisão de Deus. Adentraremos num novo ano, todavia, o futuro que aguardamos, o novo ano que almejamos, está sob a supervisão de Deus. Nessa certeza e esperança é que iniciamos um novo ano.

          O povo de Israel ao ser libertado da escravidão do Egito, não sabia o caminho, seguia a nuvem durante o dia e durante a noite eram amparados pela coluna de fogo. José e Maria não tinham um mapa para o Egito, todavia, tinham a Palavra de Deus.

          Não precisamos ver o mapa de 2026. Precisamos apenas ouvir o que Deus nos diz e sermos guiados por sua Palavra. Herodes morreu (Mt 2.19), mas Jesus vive. Mesmo após sua morte na cruz, Jesus ressuscitou. Ele vive! Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

“...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21)

 21 de dezembro 2025

Quarto Domingo de advento

Salmo 24; Isaías 7.10-17; Romanos 1.1-7; Mateus 1.18-25

Texto: Mateus 1.18-25

Tema:...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21)

 

          Sempre houve e há situações conflitantes, cheias de tensão. Viver em tais situações causa ansiedade, estresse, depressão.

          Desde o primeiro Natal, essa festa é envolvida de tensão. Vivemos na tensão atual entre o verdadeiro significado da festa e a pressão da sociedade moderna referente ao consumismo. Há a tensão social e familiar do Natal, onde tudo se resume a uma reunião de pessoas.

          Tensão é uma palavra que resume bem o tempo do Natal em todos os sentidos. Olhando para os eventos que antecedem o nascimento de Jesus, observamos momentos de tensão.

          José estava noivo de Maria e estar noivo era como estar casado. As bodas era o evento em que o noivo buscava a noiva para casa. Se houvesse interrupção do noivado, era necessário realizar o divórcio.

          Sendo que José estava praticamente casado com Maria, ao saber da sua gravidez sem ter tido relação com ela, passou a viver uma grande tensão advinda da questão: como era possível que Maria estivesse grávida?

          Conforme apontamento do evangelista Mateus, José era um homem justo. A luz do Antigo Testamento isso significava que José era um homem temente a Deus e que amava a Lei de Deus. Pelo que se nota no texto, José também amava Maria. Assim, amando a Lei de Deus e amando Maria, passou a viver uma tensão.

          Como José iria proceder? Pela Lei de Deus, Maria deveria ser apedrejada, mas, por ser filha de sacerdote, a pena era agravada e Maria deveria ser morta por fogo, sendo colocado chumbo derretido em sua garganta. Devido ao domínio Romano, essas penas eram executadas pelos romanos sob pressão dos judeus.

          Por amor a Maria, José não desejava que tal situação ocorresse para Maria, por isso Mateus registra: “José, com quem Maria ia casar, era um homem que sempre fazia o que era direito. Ele não queria difamar Maria e por isso resolveu desmanchar o contrato de casamento sem ninguém saber” (Mt 1.19).

          Por amor a Lei de Deus, José precisava se divorciar de Maria. Todavia, José não queria que Maria fosse ferida pela morte, por isso, tinha duas opções:

          1 - o caminho público: por essa via, todos iriam saber e Maria sofreria as consequências trágicas;

          2 – enviar uma carta de divórcio em particular e resolver secretamente a situação e assim safar Maria de qualquer punição advinda da Lei;

          José estava ferido na alma devido as suas dúvidas e inquietação. Estava envolvido numa tensão. E José, por amor a Maria estava resolvido em seu coração que procederia de maneira discreta e interna com a família para resolver a situação.

          Em meio a sua tensão pessoal, Deus resolve a inquietação de José por meio de um recado dado durante o sono por um anjo: “Enquanto José estava pensando nisso, um anjo do Senhor apareceu a ele num sonho e disse: — José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.20).

          No relato bíblico, temos duas pessoas religiosas, Maria e José. Ambos estão enfrentando uma verdadeira tensão. A tensão de Maria era sobre quem iria acreditar que essa gravidez era obra do Espírito Santo. Temos a tensão de José, ferido em sua masculinidade. Mas, o recado do anjo para José, resolve tanto a tensão de Maria quanto a de José.

          Ao ouvir a notícia de que a gravidez de Maria era obra do Espírito Santo, José se vê na execução de uma obra divina. Essa obra divina tem um propósito que é revelado no nome do Filho, Jesus.

          Note que, além do anjo trazer a notícia que resolve a tensão de José, trouxe também o laudo do ultrassom: é um menino. E esse menino é Filho de Deus, mas você precisa assumi-lo como seu filho e lhe dar o nome de Jesus, você declarará sua verdadeira missão: “pois ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

          O que temos aqui é exuberante!

          O judaísmo no qual Maria e José foram criados, judaísmo daquela geração, compreendiam que Jesus, o Messias, era àquele que criaria uma classe diferente de pessoas. Entendiam que os pecadores seriam ceifados e aniquilados e somente os justos reinariam. O judaísmo não conseguia compreender o perdão dos pecados através do sacrifício de Jesus na cruz. Por essa razão, conforme narra o evangelista João Marcos, a família de Jesus achava que ele estava louco (Mc 3.20-21).

          Enquanto o mundo daquela época esperava um Messias que aniquilasse os pecadores, Deus enviou um Messias que morreria pelos pecadores. Isso mudou tudo!

          A festa do Natal ainda se dá em meio a tensão. Ainda há pessoas que não conseguem perceber que Natal é uma festa em que se celebra àquele que veio para salvar dos pecados.

          O nome Jesus significa, auxílio, cura, salvação. Em Jesus, temos Deus trazendo e oferecendo a salvação.

          Enquanto José, em sua tensão, recebeu a notícia do anjo e creu na mensagem de que Maria estava “grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.20), podemos destacar que ao receber a notícia sobre Jesus e sua obra redentora, só é possível crer pelo poder do mesmo Espírito Santo que envolveu Maria e a engravidou.

          Natal é uma festa de uma mensagem especial: “pois ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Você tem pecados? Tem pessoas que parecem não ter nenhum pecado, se julgam melhores e quando veem outros cometendo um pecado, rapidamente julgam-na e a condenam.

          Natal é a festa onde lembramos o perdão de Deus naquele que nasceu na manjedoura. Em meio a tensão de José, onde parecia que Maria havia cometido um pecado de adultério, recebeu a notícia para assumir a paternidade do Filho de Deus, “pois ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

          Jesus é o salvador do pecador. A alegria do Natal está no perdão concedido em Jesus ao pecador. Não é fácil assumir pecados. Todavia, foi por minha causa que Jesus nasceu.

          É Natal!

          Uma festa onde o pecador encontra o Salvador dos seus pecados.

          Celebro o Natal, porque sei que sou pecador que preciso de perdão.

          As crianças são incentivadas a escrever uma carta para o Papai Noel pedindo um presente. Agora, após ouvir essa mensagem, sugiro que você escreva uma carta pedindo o verdadeiro presente do Natal, o perdão de Jesus.

          Tal como em meio a tensão de José, o anjo proclamou “...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Lc 1.21), a igreja continua a proclamar a respeito da salvação oferecida por Jesus em meio a tensão de querer fazer para merecer a salvação.

          O Natal não é sobre sermos “perfeitos” ou “melhores que os outros”, é sobre reconhecermos que precisamos de perdão, afinal, “...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Amém

 

 

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Quando a dúvida bate à porta da fé.

 14 de Dezembro de 2025

Terceiro Domingo no Advento

Salmo 146; Isaías 35.1-10; Tiago 5.7-11; Mateus 11.2-15

Texto: Mateus 11.2-15

Tema: Quando a dúvida bate à porta da fé.

 

E João, ouvindo na prisão falar das obras de Cristo, enviou dois dos seus discípulos para lhe perguntarem: ‘És tu aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?” (Mateus 11.2-3).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, vou começar com uma pergunta que, para muitos, é um segredo silencioso, talvez até um motivo de vergonha: Em algum momento da sua jornada, você já sentiu a terra tremer sob a sua fé? Já se perguntou: Deus realmente existe? Jesus Cristo é mesmo a resposta? Por que tanta frustração e escândalo na sua Igreja?

Neste mundo saturado por informações nas redes sociais, por notícias de líderes que caem, ou por uma oração que parece não ter sido ouvida, é fácil que a semente da dúvida seja plantada. E a dúvida, meus amigos, é como uma bomba que explode no alicerce da nossa crença. Ela nos paralisa e nos faz sussurrar: Sentir dúvida é pecado?

Permitam-me dizer: a fé não é ausência de questionamento.

Hoje, vamos meditar sobre isso com um dos maiores heróis da Bíblia, um homem que nos provou que é possível estar na fé e na dúvida ao mesmo tempo: João Batista.

Hoje iremos visualizar João Batista, o profeta da voz que clamava no deserto, o homem que batizou o próprio Messias no fim de sua jornada: João está na prisão. Seu ministério está em ruínas. A morte se aproxima.

Muitos esperavam o Messias que varreria o poder opressor de Roma e libertaria os oprimidos. João vê um Jesus que cura doentes, prega aos pobres, mas que não usa seu poder para derrubar prisões políticas. A expectativa de muitos foi frustrada. O Messias não era o Messias que muitos haviam imaginado.

Nesse poço de desespero que João, o convicto, o precursor, o maior de todos os profetas (nas palavras de Jesus), envia a pergunta mais dolorosa: “És tu aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?

Como é possível que um cristão convicto de repente coloque sua fé em xeque?

O corpo de João, atormentado na prisão, deseja a libertação. A carne pressiona o espírito. Ele está no limite, vulnerável. A dúvida de João não é fraqueza, mas o resultado de uma crise de fé gerada pela realidade. A dúvida de João, expressa nessa pergunta, nos ensina algo vital: mesmo os maiores servos de Deus são vulneráveis e necessitam da graça divina.

Não diminua sua fé porque você questiona, ao contrário, a dúvida de João torna ele um modelo para nós. Ele não se afastou, ele não abandonou. Ele buscou a resposta na única fonte possível: Jesus Cristo.

Imagine o cenário. Os discípulos trazem a pergunta bomba. A resposta de Jesus poderia ter sido uma repreensão severa. Mas não foi. A resposta de Jesus foi um lembrete suave da sua verdadeira missão: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4-5).

Jesus não argumentou com João sobre sua identidade. Ele listou fatos que confirmavam o cumprimento das profecias de Isaías 61. Em outras palavras, Jesus estava dizendo: “João, eu não sou o Messias que muitos esperavam, mas sou o Messias que as Escrituras prometeram”.

O Reino de Deus não age de acordo com a nossa lógica de poder e política. O Reino opera através da graça, da cura, da restauração e do anúncio aos marginalizados.

O mais importante, o clímax dessa conversa, é a última frase de Jesus: “E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim” (Mt 11.6).

Este é o coração dessa mensagem: Jesus não condenou a dúvida de João; Ele o advertiu contra o escândalo, ou seja, contra o tropeço que leva muitos a se afastar de Cristo porque Ele não se encaixa em suas expectativas.

Caríssimos, qual é o nosso maior risco hoje? Não é a dúvida em si, mas, o afastamento da verdade que é Jesus Cristo.

A fé autêntica sempre convive com a dúvida. A fé é uma luta confiante, é a coragem de voltar para Cristo, mesmo quando tudo parece não fazer sentido.

A dúvida de João o levou a buscar Jesus. Pior que questionar, é parar de perguntar e se afastar.

Jesus lidou com João Batista com graça e com a Escritura. Ele lida conosco da mesma forma. Ele é o autor e aperfeiçoador da nossa fé (Hebreus 12.2).

O maior de todos os profetas enfrentou uma dúvida, mas buscou a resposta em Jesus. E o elogio de Jesus a João, mesmo depois de sua pergunta, mostra que a resposta de Cristo foi suficiente para acalmar seu coração.

Você está em dúvida hoje?

Não deixe a dúvida se transformar em tropeço. Não permita que suas expectativas frustradas o afastem daquele que é a Verdade. Vá a Jesus! Busque a Palavra! Ele conhece o seu coração. Ele entende a sua humanidade. E Ele lhe diz hoje, como disse a João: “Bem-aventurado você, se mesmo em meio à sua dúvida, você não tropeçar em mim”.

Volte-se para Cristo, pois Ele é a âncora que segura sua alma na tempestade. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

João Batista no deserto: propósito, mensagem e legado! (Mt 3.1)

 07 de Dezembro de 2025

Segundo Domingo no Advento

Salmo 72.1-7; Isaías 11.1-10; Romanos 15.4-13; Mateus 3.1-12

Texto: Mateus 3.1

Tema: João Batista no deserto: propósito, mensagem e legado!

 

O ato de João Batista “ir para o deserto da Judeia e começar a pregar” (Mateus 3.1) é carregado de simbolismo e significado, tanto para sua época quanto para nós atualmente. Sua jornada não foi um movimento aleatório, mas um ato profético que ressoa com a história e a fé de Israel.

Para o povo judeu, o deserto não era um lugar vazio, mas um espaço de profundo significado espiritual. Foi lá que Israel se encontrou com Deus após o êxodo do Egito, recebeu a Lei e selou a aliança. O deserto simbolizava um retorno às origens, à pureza, e à total dependência de Deus.

Ao pregar no deserto, João Batista estava, simbolicamente, convocando o povo a uma nova jornada, a um novo “êxodo”. Ele clamava para que deixassem a corrupção da cidade, a religião estabelecida e as formalidades vazias, e voltassem para o essencial: a dependência de Deus.

A mensagem de João Batista era confrontadora e sem rodeios: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mateus 3.2). Ele não se preocupava em agradar ou ser popular. Pelo contrário, sua aparência rude — vestido com pelos de camelo e alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre — e sua pregação severa serviam para chocar e despertar as pessoas. Ele se alinhava aos antigos profetas do Antigo Testamento, que muitas vezes pregavam longe dos centros religiosos, denunciando a hipocrisia.

João Batista se coloca como uma ponte entre o Antigo e o Novo Testamento. Ele é a última voz profética que aponta para o Messias. Seu principal papel não era ser o protagonista, mas preparar o caminho para Jesus. Sua humildade é a essência do seu ministério, como ele mesmo disse: É necessário que ele cresça e que eu diminua (João 3.30).

A pregação de João, no deserto, simboliza sua distância do mundo e sua total dedicação a Jesus. Ele era uma voz de Deus que se opunha à complacência dos líderes religiosos, preparando os corações para o Evangelho de Cristo.

Além da pregação, João ficou conhecido como o “Batista”. Embora o ritual de mergulhar na água fosse uma prática judaica comum, João trouxe um significado revolucionário: um batismo público que exigia a confissão de pecados.

Ao batizar as pessoas no rio Jordão, ele colocava judeus e pagãos no mesmo patamar de necessidade. Exigir o batismo era uma forma de evidenciar que Israel havia se tornado um povo que também precisava de arrependimento e de uma reaproximação com Deus.

A história de João Batista nos convida a uma reflexão profunda, especialmente em tempos de mensagens superficiais e focadas no bem-estar pessoal.

A pregação de João nos ensina que a Palavra de Deus não tem como objetivo agradar, mas confrontar. Ela revela o pecado para gerar o arrependimento, que é o primeiro passo para a busca da misericórdia de Deus.

Ao pregar no deserto, longe das instituições religiosas, João mostra que a Palavra de Deus tem poder e autoridade por si mesma, não estando ligada a lugares físicos ou à hierarquia humana.

O ministério de João é um exemplo perfeito de que o pregador deve desaparecer para que Cristo seja exaltado. Sua vida inteira foi uma preparação para o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

João Batista foi a encarnação perfeita da Lei no Novo Testamento, um mensageiro que com sua vida e palavras forçava as pessoas a reconhecerem sua necessidade de um Salvador. Como Jesus disse, “entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (Mateus 11.11). Sua vida e sua pregação no deserto continuam a ser um convite radical para nos afastarmos das distrações e prepararmos nossos corações para a presença de Cristo. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Âncora contra a especulação escatológica (Mt 24.36)

 30 de novembro de 2025

Primeiro Domingo no Advento

Salmo 122; Isaías 2.1-5; Romanos 13.11-14; Mateus 24.36-44

Texto: Mateus 24.36

Tema: Âncora contra a especulação escatológica

 

Qual é a razão de iniciar um novo ano eclesiástico com um texto escatológico?

Ao se perder a visão do fim, perde-se a importância e necessidade do início e o porquê da caminhada. E é necessário recordar que muitas pessoas estão se afastando da caminhada cristã pelo fato de estarem sendo bombardeadas por notícias falsas a respeito do fim, na verdade, início da eternidade.

Mas ninguém sabe nem o dia nem a hora...” (Mateus 24.36) enumera a fidelidade à Bíblia e a rejeição da especulação teológica.

Quando o assunto é dia e hora do retorno de Jesus para julgar os vivos e os mortos, é preciso ter uma abordagem sóbria e cautelosa. Não podemos nos basear em previsões ou em cálculos, mas tão somente na clara e simples Palavra de Deus.

Dessa especulação escatológica surgiram heresias e movimentos que dizem prever a data do retorno de Cristo. Tais especulações não apenas desrespeitam a Palavra de Jesus, mas também desviam a atenção dos cristãos da verdadeira fé e missão.

A frase “ninguém sabe nem o dia nem a hora” é um princípio fundamental para a vida cristã. Pois enumera um verdadeiro não para a capacidade de decifrar o dia e a hora. Ou seja, é um verdadeiro: pare de especular e concentre-se na salvação que está em Cristo.

Jesus exorta a viver na certeza da volta de Jesus e não no pânico da busca por sinais.

Jesus, em sua humildade humana, disse que não sabia o dia e a hora. Nesse sentido, quanta arrogância humana em querer especular algo que nem o Filho de Deus ousou especular. A fé precisa se basear no que Deus revelou em sua Palavra, e não no que Jesus ocultou. Se Jesus ocultou é para ficar oculto.

A missão da Igreja é pregar o Evangelho, não fazer cálculos. A incerteza da data do retorno de Cristo impele muitos a não viverem de forma diligente e dedicada. Em vez de ficar preocupado com quando o fim virá, nos ocupemos em fazer discípulos de todas as nações, batizando-os e ensinando-os a guardar a Palavra de Deus, para que assim estejam preparados para quando Jesus voltar e isso pode ser a qualquer momento, tanto hoje quanto daqui a muitos anos.

Muitos movimentos apocalípticos surgiram mundo afora tentando prever a data da volta de Cristo e enganando milhões.

A vinda de Jesus Cristo será repentina, como um ladrão à noite, e a melhor maneira de se preparar é através da graça de Deus, revelada no Evangelho, e não através da especulação sobre o futuro.

A passagem de Mateus 24.36 é uma âncora contra a especulação escatológica. A mensagem é que a fé do cristão não deve estar fixada na cronologia do final dos tempos, mas na segurança da salvação que Deus nos deu através de Jesus Cristo.

O versículo em questão: “Quanto, porém, ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas somente o Pai” não se concentra em buscar uma data ou um sinal específico, mas sim em afirmar a soberania divina e a ignorância humana quanto ao tempo exato do fim.

Temos aqui uma proibição divina à curiosidade humana sobre o futuro. A declaração de Jesus não é uma “brecha” a ser explorada, mas uma fronteira a ser respeitada. O próprio Cristo, em sua condição humana, submetia-se à vontade do Pai, o que reforça a ideia de que o conhecimento do fim é um mistério exclusivo de Deus.

As tentativas de predizer o fim é uma manifestação de orgulho e falta de fé nas próprias palavras de Jesus. Caríssimo irmão na fé, em vez de se preocupar com o “quando”, concentre-se no “como” viver.

Mateus 24.36 é um versículo base para combater as especulações e a reafirmar a centralidade da fé.

A preocupação com o fim não pode ofuscar a alegria e a certeza da salvação já conquistada por Cristo. As especulações, por outro lado, tendem a gerar ansiedade e medo, desviando o foco da graça divina.

Conhecer datas e eventos futuros não contribui em nada para a justificação. Pelo contrário, a busca por esses conhecimentos pode levar a uma justiça pelas obras, onde a pessoa pensa que pode se “preparar” ou “merecer” a salvação ao ter acesso a informações privilegiadas.

Mateus 24.36 não é um enigma a ser decifrado. O verdadeiro significado do versículo é um lembrete pastoral para que o cristão viva em prontidão constante, sem a necessidade de terror ou de cálculo. Estar preparado é viver uma vida de fé, arrependimento e serviço, pois o retorno de Cristo é certo, ainda que sua data seja incerta.

Mateus 24.36 transforma a ignorância sobre o dia e a hora em uma oportunidade para a confiança total em Deus e para a vida cristã autêntica no presente. Escatologia não é sobre predições, mas sobre a esperança da consumação da fé em Cristo. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

No último domingo da igreja voltamos para o Calvário!

 23 de Novembro de 2025

Vigésimo Quarto domingo após Pentecostes

Salmo 46; Malaquias 3.13-18; Colossenses 1.13-20; Lucas 23.27-43

Texto: Lc 23.27-43

Tema: No último domingo da igreja voltamos para o Calvário!

 

Nesse que é o Último Domingo no calendário da Igreja, temos para nossa reflexão um texto da semana da paixão. Qual motivo? O calendário da igreja é centralizado na mensagem da cruz!

O contexto da crucificação lembra que a Igreja de Cristo na terra é uma Igreja militante, que deve permanecer firme sob a bandeira do “Senhor da glória crucificado” em meio à perseguição e desprezo mundano, assim como o malfeitor fiel o fez.

O trecho bíblico de Lucas 23.27-43 descreve:

1 - As mulheres que choram por Jesus (vv. 27–31).

2 - O crucificamento entre dois criminosos (vv. 32–33).

3 - A intercessão de Cristo: “Pai, perdoa-lhes” (v. 34).

4 - As zombarias dos líderes, soldados e um dos malfeitores (vv. 35–39).

5 - A fé do ladrão arrependido e a promessa de Cristo: “Hoje estarás comigo no paraíso” (vv. 40–43).

Analisar esse texto é enfatiza o contraste entre a justiça divina e a cegueira humana.

Jesus viu algumas mulheres que choravam (Lc 23.27) e não se comoveu com essa reação. Não foi falta de empatia, na verdade, Jesus utilizou-se dessas lágrimas para repreender a todos: “Não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!” (Lc 23.28).

Especificamente essas palavras de Jesus se trata de uma profecia severa e literal do julgamento iminente sobre Jerusalém que ocorreu em 70 d.C. Jesus sublinha que o seu sofrimento é temporário e redentor, mas o sofrimento que aguarda a cidade, devido à sua incredulidade, será devastador e permanente.

Jesus sempre se aproveitava das oportunidades para ensinar. Jesus ensinou por meio de muitas parábolas e agora, a caminho da crucificação, Jesus visa ensinar por meio de um provérbio: “Porque, se isso tudo é feito quando a lenha está verde, o que acontecerá, então, quando ela estiver seca?” (Lc 23.31).

Essas palavras indicam que se a justiça divina atinge o inocente Jesus com tanta violência, o que acontecerá com a lenha seca? A Jerusalém impenitente?

As lágrimas daquelas mulheres e a exortação de Jesus visa destacar que a autojustificação, a compaixão que ignora a culpa pessoal é inútil. A Lei de Deus exige um arrependimento verdadeiro que reconhece a total e merecida condenação. Por essa razão, a oração de Jesus: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34) é muito ilustrativa.

Essa oração demonstra o amor de Deus no centro da miséria humana. É a graça que se oferece até mesmo aos carrascos e blasfemadores, reforçando que o perdão é um ato de misericórdia divina, e não um mérito humano.

Esse pedido por perdão é o primeiro ato régio de Jesus na cruz. Um ato de intercessão pelo seu povo e seus algozes.

Essa oração de Jesus distingue a ignorância e a falta de consciência por parte do povo sobre a identidade de Jesus. Isso torna o seu pecado perdoável mediante arrependimento. Todavia, ante a essa oração, temos a ironia do escárnio dos líderes, dos soldados e de um dos criminosos.

Enquanto Jesus morria para salvar a humanidade, as pessoas queriam que ele se salvasse (Lc 23.35).

Ficar na cruz, morrer na cruz é parte da sua missão, mas dali três dias, Jesus estaria ressuscitado.

Enquanto o homem que supostamente estava sentado no trono condenava Jesus, Jesus ocupava o trono da graça sob a cruz e dali oferece seu perdão e garante a salvação.

Na cruz, a zombaria da multidão e a oração de Jesus se confrontam. Todavia é o diálogo com os dois ladrões que demonstra o pleno poder da Graça Incondicional.

O pedido de um dos malfeitores, tal como dos líderes e dos soldados (Lc 23.35, 36,39) retrata o pedido da fé da Lei que busca o milagre, mas rejeita o arrependimento. Representa a humanidade que exige uma salvação sem a cruz, sem a confissão de culpa.

Diante de toda a zombaria, temos o segundo criminoso, que sob o peso da Lei, é levado à verdadeira contrição e, em seguida, à declaração de fé. Ele repreende seu companheiro, e pode-se dizer que todos que zombavam: “Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?” e confessa: “Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem” (Lc 21.41).

Observe que esse malfeitor não se justifica! Ele concorda com o veredito da Lei. E reconhece e confessa a inocência e a realeza de Cristo: “Este nenhum mal fez... Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Lc 21.41b-42).

Este criminoso, não tem boas obras para apresentar, não tem tempo para batismo, não lhe é possível fazer uma reparação, apenas confia no rei crucificado.

Em meio a muitos que zombavam, na cruz encontramos a fé de um ladrão arrependido e ouvimos a promessa de Cristo: “Hoje estarás comigo no paraíso” (vv. 40–43).

O homem que confessou sua total indignidade recebe a plenitude da promessa. Não há obras, não há mérito, apenas a fé que clama por misericórdia. O ladrão é um exemplo eterno de que a salvação é inteiramente um dom de Cristo oferecido por graça.

O relato desse ladrão na cruz é um contraponto para destacar que ele viu o que os líderes religiosos e muitos outros não conseguiam ver devida a sua cegueira.

Quantas pessoas continuam cegas? Quantos ainda zombam de toda obra de salvação? Muitos zombam assim como os líderes religiosos, soldados e o um dos malfeitores na cruz, ou seja, não se arrependem, buscam uma salvação sem a cruz, apegam-se as suas realizações.

Caríssimo, o malfeitor arrependido na cruz, reconhece Jesus como rei mesmo estando na cruz e essa é a essência da fé. E por fé, ouve a promessa solene de Cristo: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43).

O advérbio “hoje” (sēmeron) deve ser ligado ao verbo “estarás”. Isso refutaria qualquer interpretação que coloque a vírgula após “digo”, garantindo que a promessa de Jesus é de salvação imediata após a morte, e não em um futuro distante.

O paraíso é a porção dos justos no Éden restaurado. Esse breve relato visa destacar que a salvação é por graça ao que se arrepende e crê.

Com certeza, se esse homem, saísse da cruz, sua vida seria diferente, mas, ele não precisou dessa vida diferente para ter a salvação.

Jesus profetiza juízo; fala sobre perdão e o oferece ao pecador arrependido na cruz.

Olhar para o Calvário nesse culto onde temos o último domingo no calendário da igreja não é ver um fracasso, mas contemplar o trono da Graça na cruz. Vivemos sob a cruz e pela obra de Cristo realizada na cruz temos a certeza de que hoje estaremos no paraíso se morrermos na fé.

Refletir sobre o calvário no último domingo da igreja é perceber que a missão da Igreja se dá em meio as lágrimas e zombarias, mas, pela proclamação do Cristo crucificado as pessoas recebem o que essa obra oferece: perdão, vida e salvação.

A salvação do ladrão em meio aos zombadores é uma mensagem a todo pecador desesperado: Cristo salva completamente, e salva agora. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Que a preguiça alheia não paralise minha ação bondosa!

 16 de novembro de 2025

Vigésimo terceiro domingo após Pentecostes

Salmo 98; Malaquias 4.1-6; 2Tessalonicenses 3.6-13; Lucas 21.5-28

Texto: 2Tessalonicenses 3.6-13

Tema: Que a preguiça alheia não paralise minha ação bondosa!

 

2Tessalonicenses 3.6-13 é uma passagem bíblica muito importante e direta sobre a preguiça, a ociosidade e a responsabilidade do trabalho na vida cristã.

Quando lemos que o apóstolo Paulo começa essa segunda carta aos Tessalonicenses com uma ordem enfática: “ordenamos... em nome do Senhor Jesus Cristo” (2Ts 3.6), observa-se que o problema da ociosidade era sério o suficiente para exigir uma atitude de separação ou disciplina.

A ociosidade ou preguiça aqui não é apenas não fazer nada, mas viver “desordenadamente”, em grego, ataktōs, que sugere andar fora de ordem, como um soldado que abandona sua posição, recusando-se a seguir os ensinamentos recebido.

A autoridade da exortação do apóstolo não se deve apenas por um direito, mas pelo seu exemplo de trabalho. Ele e seus companheiros trabalharam “noite e dia, com fadiga e labuta” para não serem “pesados” a ninguém. Apesar de terem o direito de ser sustentados como apóstolos, escolheram trabalhar para dar o exemplo (2Ts 3.9). O trabalho é um valor cristão a ser imitado.

Ao escrever: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3.10), o apóstolo faz uso da expressão grega thelō para fazer uma separação entre àqueles que são preguiçosos e por preguiça não querem trabalhar daqueles que não podem trabalhar, por doença, incapacidade ou falta de oportunidade.

O trabalho é uma forma de honrar a Deus, de sustentar a si mesmo com dignidade e de não explorar a caridade da igreja.

Paulo aponta que os ociosos, além de se tornarem um peso, estavam se tornando bisbilhoteiros da vida dos outros. Ouça, “não trabalhando, mas intrometendo-se na vida alheia” (2Ts 3.11). O verbo periergazomai significa ser um “bisbilhoteiro, um intrometido”.

Há um ditado que diz: cabeça vazia, oficina do Diabo. A falta de trabalho produtivo frequentemente leva ao ócio pecaminoso, que é a fofoca, a desordem e a criação de problemas na comunidade.

A falta de ocupação trouxe preocupação e levou o apostolo a exortação: “Pois ouvimos que alguns de vocês estão ociosos; não trabalham, mas andam se intrometendo na vida alheia” (2Ts 3.11, NVI). É extremamente perigoso cair no ócio e se tornar um bisbilhoteiro. Entre todas as conexões, a mais perigosa é a conexão: ócio + fofoca= atividades destrutivas.

Paulo não está apenas destacado o problema de não ter trabalho, mas recusar-se a ter (2Ts 3.10) e sem ocupação, viver desordenadamente, viver uma vida sem disciplina, sem propósito produtivo.

O ocioso não se dedica ao seu próprio chamado, não se concentra nas suas responsabilidades em casa, no trabalho ou na igreja. A ociosidade é a porta aberta para atividades destrutivas.

Paulo faz um jogo de palavras no grego que pode ser traduzido como: “não ocupados, mas ocupados com a vida alheia”.

Quando as mãos e a mente estão desocupadas, a língua se ocupa com o que não lhe diz respeito. A fofoca e a intromissão são o subproduto direto da preguiça espiritual e prática.

A ociosidade que leva à fofoca destrói a vida do indivíduo e a paz da comunidade.

O bisbilhoteiro não apenas fala, ele semeia a discórdia. Ele leva notícias não verificadas, interpreta intenções erradas e cria divisões desnecessárias. Salomão em Provérbios 6.16-19 lista “o que semeia contendas entre irmãos” como abominação.

A ociosidade e a fofoca criam um ambiente de desconfiança na igreja. Se a pessoa que deveria estar trabalhando está espalhando rumores, ninguém se sente seguro ou em paz. Na primeira carta, Paulo já havia instruído: “procurai viver quietos, tratar dos vossos próprios negócios e trabalhar com vossas próprias mãos... a fim de que andeis honestamente para com os que estão de fora...” (1 Ts 4.11-12).

Quando os cristãos são conhecidos na comunidade por serem preguiçosos e intrometidos, isso desonra o nome de Cristo e a mensagem do Evangelho. O mundo espera ver a diligência e a ordem, não a desordem e o falatório.

O preguiçoso se torna um parasita, explorando a generosidade dos crentes. Ele não apenas se intromete na vida alheia, ele se sustenta com o suor alheio.

O trabalho tranquilo e honesto traz paz e satisfação (2Ts 3.12). Em contraste, a vida do bisbilhoteiro é agitada, cheia de intrigas, culpa e a eterna busca por algo para comentar. Ele sacrifica sua própria paz pela emoção superficial da fofoca.

Paulo oferece a cura para esse mal de forma direta: “A tais pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão” (2Ts 3.12).

A solução não é apenas trabalhar, mas trabalhar em paz e em silêncio, cuidando do que é seu. Isso exige foco, disciplina e a recusa intencional em se desviar para os assuntos alheios.

É o retorno à dignidade e à autossuficiência sob a bênção de Deus. O trabalho honesto é o caminho para a independência e para evitar a tentação de viver da generosidade alheia.

Que as nossas mãos estejam ocupadas com o trabalho digno e as nossas bocas, com a oração e a edificação.

Você está vivendo ocupado em seu próprio chamado ou intrometido na vida alheia?

O trabalho não é uma maldição, mas parte do propósito original de Deus para o homem (Gênesis 2.15). A maldição recaiu sobre a dificuldade do trabalho (Gênesis 3.17-19), não sobre o trabalho em si. Desde o Gênesis, a provisão está ligada à atividade humana, honrando a parceria entre o Deus Provedor e o homem responsável.

Dessa forma, o apóstolo destaca que o preguiçoso optou por uma vida de parasitismo, explorando a generosidade da comunidade de fé. O problema não é a pobreza, mas a vontade indisposta de trabalhar.

Se o indivíduo sadio e capaz se recusa a contribuir, ele não deve ser um peso sobre os que trabalham. Permitir que ele coma é recompensar a preguiça e penalizar a diligência.

O princípio divino de Paulo protege a caridade da igreja para que ela possa ser usada com aqueles que realmente necessitam e que são fiéis em seus deveres. A caridade não pode se tornar um incentivo à ociosidade. Afinal, a equação é muito simples. O trabalho é o meio ordenado por Deus para o sustento.

Qual é a sua atitude em relação ao trabalho? Você está usando a sua saúde, tempo e talentos para contribuir, ou está sendo um peso?

O cristão é chamado a ser o mais diligente, o mais honesto e o mais trabalhador de todos, para a glória de Deus e para o nosso próprio sustento digno.

Com essa exortação de cuidado quanto ao preguiçoso e não ajuda-lo a continuar sendo preguiçoso, o apóstolo Paulo escreve: “não vos canseis de fazer o bem” (2Ts 3.13).

Temos aqui um mandamento crucial imediatamente após a ordem rigorosa sobre o trabalho (2Ts 3.10). Ele serve como um contraponto e um alerta para a comunidade.

A exortação para não cansar de fazer o bem devia-se ao fato de que havendo muitos preguiçosos que não mais queriam trabalhar e passaram a viver da generosidade dos outros, era preciso cuidar para não cair no risco de se tornar cínico ou endurecido. Muitos se cansaram de “fazer o bem”, pois se frustraram em ver pessoas explorando a bondade dos outros.

O princípio “se alguém não quer trabalhar, também não coma” pode levar à suspensão total da caridade e para que isso não aconteça, o apóstolo Paulo exorta para que se faça uma triagem sobre o porquê a pessoa está necessitada e ajudar o realmente necessitado e não sustentar o preguiçoso.

O termo grego para “fazer o bem” é kalopoieō, que significa fazer o que é bom, honroso e moralmente belo. Fazer um bem é um chamado para manter o padrão ético elevado da vida cristã.

Temos aqui uma mensagem simples: a repreensão ao preguiçoso não é um pretexto para o cristão deixar de praticar a caridade com o verdadeiramente necessitado ou se cansar do seu dever geral de fazer o bem.

O mandamento “Não vos canseis de fazer o bem” é a cola que impede que a disciplina justa (2Ts 3.10) se transforme em dureza de coração. É o chamado de Deus para que o seu povo, mesmo confrontando o mal e a preguiça, mantenha a esperança ativa e a generosidade perseverante. A tarefa do cristão é manter-se firme no dever e na bondade, e deixar a justiça e a colheita nas mãos de Deus. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

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