segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Âncora contra a especulação escatológica (Mt 24.36)

 30 de novembro de 2025

Primeiro Domingo no Advento

Salmo 122; Isaías 2.1-5; Romanos 13.11-14; Mateus 24.36-44

Texto: Mateus 24.36

Tema: Âncora contra a especulação escatológica

 

Qual é a razão de iniciar um novo ano eclesiástico com um texto escatológico?

Ao se perder a visão do fim, perde-se a importância e necessidade do início e o porquê da caminhada. E é necessário recordar que muitas pessoas estão se afastando da caminhada cristã pelo fato de estarem sendo bombardeadas por notícias falsas a respeito do fim, na verdade, início da eternidade.

Mas ninguém sabe nem o dia nem a hora...” (Mateus 24.36) enumera a fidelidade à Bíblia e a rejeição da especulação teológica.

Quando o assunto é dia e hora do retorno de Jesus para julgar os vivos e os mortos, é preciso ter uma abordagem sóbria e cautelosa. Não podemos nos basear em previsões ou em cálculos, mas tão somente na clara e simples Palavra de Deus.

Dessa especulação escatológica surgiram heresias e movimentos que dizem prever a data do retorno de Cristo. Tais especulações não apenas desrespeitam a Palavra de Jesus, mas também desviam a atenção dos cristãos da verdadeira fé e missão.

A frase “ninguém sabe nem o dia nem a hora” é um princípio fundamental para a vida cristã. Pois enumera um verdadeiro não para a capacidade de decifrar o dia e a hora. Ou seja, é um verdadeiro: pare de especular e concentre-se na salvação que está em Cristo.

Jesus exorta a viver na certeza da volta de Jesus e não no pânico da busca por sinais.

Jesus, em sua humildade humana, disse que não sabia o dia e a hora. Nesse sentido, quanta arrogância humana em querer especular algo que nem o Filho de Deus ousou especular. A fé precisa se basear no que Deus revelou em sua Palavra, e não no que Jesus ocultou. Se Jesus ocultou é para ficar oculto.

A missão da Igreja é pregar o Evangelho, não fazer cálculos. A incerteza da data do retorno de Cristo impele muitos a não viverem de forma diligente e dedicada. Em vez de ficar preocupado com quando o fim virá, nos ocupemos em fazer discípulos de todas as nações, batizando-os e ensinando-os a guardar a Palavra de Deus, para que assim estejam preparados para quando Jesus voltar e isso pode ser a qualquer momento, tanto hoje quanto daqui a muitos anos.

Muitos movimentos apocalípticos surgiram mundo afora tentando prever a data da volta de Cristo e enganando milhões.

A vinda de Jesus Cristo será repentina, como um ladrão à noite, e a melhor maneira de se preparar é através da graça de Deus, revelada no Evangelho, e não através da especulação sobre o futuro.

A passagem de Mateus 24.36 é uma âncora contra a especulação escatológica. A mensagem é que a fé do cristão não deve estar fixada na cronologia do final dos tempos, mas na segurança da salvação que Deus nos deu através de Jesus Cristo.

O versículo em questão: “Quanto, porém, ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas somente o Pai” não se concentra em buscar uma data ou um sinal específico, mas sim em afirmar a soberania divina e a ignorância humana quanto ao tempo exato do fim.

Temos aqui uma proibição divina à curiosidade humana sobre o futuro. A declaração de Jesus não é uma “brecha” a ser explorada, mas uma fronteira a ser respeitada. O próprio Cristo, em sua condição humana, submetia-se à vontade do Pai, o que reforça a ideia de que o conhecimento do fim é um mistério exclusivo de Deus.

As tentativas de predizer o fim é uma manifestação de orgulho e falta de fé nas próprias palavras de Jesus. Caríssimo irmão na fé, em vez de se preocupar com o “quando”, concentre-se no “como” viver.

Mateus 24.36 é um versículo base para combater as especulações e a reafirmar a centralidade da fé.

A preocupação com o fim não pode ofuscar a alegria e a certeza da salvação já conquistada por Cristo. As especulações, por outro lado, tendem a gerar ansiedade e medo, desviando o foco da graça divina.

Conhecer datas e eventos futuros não contribui em nada para a justificação. Pelo contrário, a busca por esses conhecimentos pode levar a uma justiça pelas obras, onde a pessoa pensa que pode se “preparar” ou “merecer” a salvação ao ter acesso a informações privilegiadas.

Mateus 24.36 não é um enigma a ser decifrado. O verdadeiro significado do versículo é um lembrete pastoral para que o cristão viva em prontidão constante, sem a necessidade de terror ou de cálculo. Estar preparado é viver uma vida de fé, arrependimento e serviço, pois o retorno de Cristo é certo, ainda que sua data seja incerta.

Mateus 24.36 transforma a ignorância sobre o dia e a hora em uma oportunidade para a confiança total em Deus e para a vida cristã autêntica no presente. Escatologia não é sobre predições, mas sobre a esperança da consumação da fé em Cristo. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

 

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