segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O encontro que divide a eternidade.

 01 de março de 2026

Segundo domingo na Quaresma

Salmo 121; Gênesis 12.1-9; Romanos 4.1-8,13-17; João 3.1-17

Texto: João 3.1-17

Tema: O encontro que divide a eternidade.

 

          Nicodemos não era um homem comum. Ele era a elite da religião, da moral e do intelecto. Ele tinha currículo, tinha respeito e tinha a Lei de Moisés. Mas, sob o manto da noite, ele carregava algo que o status não podia preencher: um vazio inquietante.

          Nicodemos chega com elogios: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus”. Ele busca estabelecer um diálogo intelectual, todavia, Jesus o interrompe. Jesus não quer o seu reconhecimento acadêmico, Jesus quer o novo nascimento. Jesus diz que ver o Reino de Deus não depende de esforço, mas de origem.

          A pessoa pode ser um mestre na igreja, um dizimista fiel e um cidadão exemplar, mas se não nascer de novo, continuará cego para as coisas de Deus. A moralidade sem novo nascimento é apenas um cadáver perfumado perambulando por aí.

          Nicodemos pergunta: “Como pode um homem nascer, sendo velho?”. Ele, tão sábio pensa no físico; mas Jesus fala do espiritual.

          Em janeiro de 1995, McArthur Wheeler e seu comparsa decidiram roubar dois bancos em Pittsburgh. Sem máscara, sem disfarce e confiando cegamente em um truque absurdo, eles acreditavam que não seriam identificados. A estratégia? Passar suco de limão no rosto para ficarem invisíveis.

          Wheeler baseou-se na ideia de que o limão pode ser usado para escrever mensagens invisíveis. O problema é que ele interpretou isso de forma literal. Depois de cobrir o rosto com o suco ácido, tirou uma foto com uma Polaroid para testar a eficácia do método. Como não conseguiu se ver na imagem, achou que estava pronto para agir. No entanto, é provável que a foto tenha saído errada ou que ele simplesmente não tenha conseguido enxergar direito.

          Quando foi preso, Wheeler ficou em choque ao descobrir que as câmeras captaram tudo. “Mas eu passei suco de limão em mim mesmo!”, exclamou, sem entender o que deu errado. O plano não só falhou, como ainda deixou seu rosto queimado e seus olhos irritados. A polícia não teve nenhum trabalho para identificá-lo.

          O caso chamou a atenção dos pesquisadores Justin Kruger e David Dunning que estudaram o fenômeno e chegaram a uma conclusão intrigante: pessoas com baixo conhecimento em determinada área tendem a superestimar suas habilidades.

          Esse efeito psicológico, batizado de Efeito Dunning-Kruger, mostra como a confiança excessiva pode levar a erros catastróficos.

          Assim foi com Nicodemos. Cego por sua suposta inteligência não conseguia captar as palavras de Jesus sobre o nascer de novo.

          Assim como o vento sopra onde quer, o Espírito sopra sobre quem Ele quer. Você não controla a Deus. O novo nascimento não é uma decisão administrativa da mente humana, é um milagre de Deus na alma.

          Jesus recorda a Nicodemos a história da serpente de bronze no deserto (Números 21). O povo estava morrendo pelo veneno da desobediência e a cura não veio de remédios humanos, mas de olhar para o alto. E assim como a serpente foi erguida no deserto, Cristo seria erguido na cruz.

          O veneno é o pecado que causa a morte eterna e o antidoto é a cruz. Não se trata de “tentar mais”, trata de “crer Naquele que foi levantado”.

          Jesus fala para Nicodemos sobre a fonte, o alcance e o propósito de sua obra (Jo 3.16). Observe que a salvação é para todo que crê e não apenas aos que Deus supostamente escolheu.

          A fonte é o amor de Deus. O alcance é o mundo. O propósito é a vida eterna.

          Nicodemos veio à noite. Afinal, tinha uma posição religiosa para preservar. Sua religiosidade estava baseada nas regras e aparências. No entanto, enquanto Jesus lhe falava, o Espírito Santo soprava sobre ele. Quando a Palavra de Deus é pregada, o Espírito Santo sopra sobre as pessoas. E os que rejeitam essa Palavra, correm o perigo de perder uma oportunidade valiosa.

O termo grego anothen (Jo 3.3) deve ser traduzido primariamente como “do alto”.

O novo nascimento não é apenas um “recomeço” (sentido temporal), mas uma mudança de origem (sentido espacial/espiritual).

Nicodemos era um mestre em Israel, mas Jesus o confronta com o fato de que nada que venha da “terra” (esforço, lei, rito) pode produzir o Reino. O novo nascimento vem de Deus, pelo poder do Espírito Santo. O homem é puramente passivo nesse ato, assim como um bebê não escolhe nascer fisicamente, a alma é regenerada pela ação do Espírito Santo.

          Jesus não está falando de duas coisas diferentes, mas de um único meio através do qual o Espírito opera pela Palavra. A água é o elemento visível, e o Espírito é o poder invisível.

A religião de Nicodemos era baseada em “fazer”. Jesus apresenta o “receber”. O novo nascimento é o “meio da graça” que Deus usa para implantar uma nova natureza no pecador que precisa ser alcançado pelo Espírito Santo para ser salvo.

          Caríssimo irmão e irmã na fé, não existe evolução espiritual para o homem natural. A carne não pode ser “treinada” ou “melhorada”, é preciso ser substituída por uma nova criação. E essa nova criação se dá pela Palavra e Batismo.

          Pare de tentar “reformar” sua vida velha. Ela está morta para Deus. Você precisa de uma vida que não é sua, mas de Cristo em você. E para isso, o Espírito (o Pneuma) é livre. Ouvimos o “som” (a pregação da Palavra), mas não controlamos o destino do vento.

          Conversão não é um processo mecânico que o homem manipula com “orações decididas” ou fórmulas. A conversão é o sopro livre de Deus sobre a pessoa por sua Palavra.

          É difícil para o ser humano compreender que Deus amou o mundo não porque o mundo fosse “amável”, mas porque Deus decidiu, em sua vontade, salvar o que estava perdido. Nicodemos estava enclausurado, vivendo como se ele precisasse se fazer amado por Deus e Jesus lhe diz que o amava sem que ele merecesse.

          O sacrifício de Jesus Cristo é a prova de que o amor de Deus é uma ação histórica e concreta. Ele “deu”, um ato único e definitivo na cruz, para que a morte fosse vencida pela vida eterna.

O encontro de Nicodemos termina com um convite ao olhar da fé. Assim como os israelitas olhavam para a serpente de bronze e viviam, somos lembrados que a fé não é uma “obra” que fazemos para ganhar a salvação, mas o olho que se abre para ver o Salvador já levantado na cruz e que a venceu.

Saia das sombras da sua própria justiça, como Nicodemos, e olhe para o Cristo levantado na cruz. Diante da Palavra temos o encontro que divide a eternidade Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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