segunda-feira, 21 de abril de 2014

Um Deus missionário

2º Domingo de Páscoa -  27/04/2014
Sl 148; At 5. 29 – 42; 1Pe 1. 3 – 9; Jo 20. 19 - 31
Tema: Um Deus Missionário!

 
“Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (Jo 20. 30 – 31).
 
          Ao ler essas palavras, muitos podem e se questionam a respeito de quais seriam esses milagres não registrados. Muitos intérpretes da Palavra de Deus ficam na especulação, que por sinal é sadia e proveitosa. Mas, nós não podemos deixar de focar a ênfase principal, “...estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele”.
         É necessário lembrar que mesmo que o Evangelho tenha sido escrito por mãos do apóstolo João, o verdadeiro autor, o Espírito Santo tinha um objetivo definido: “...para que, crendo, tenham vida por meio dele...”.
         Segundo a antiga tradição cristã, o apóstolo João escreveu este Evangelho depois dos demais, Mateus, Marcos e Lucas. Deliberadamente evitou repetir o que os outros três haviam incluído. O apóstolo João, inspirado pelo Espírito Santo, concentrou-se em poucos e importantes aspectos da história de Jesus para esclarecer sua mensagem e missão. Se tivéssemos apenas os três primeiros Evangelhos, (Mateus, Marcos e Lucas) facilmente alguém poderia concluir que o ministério de Jesus ficou restrito basicamente a Galiléia e que durou apenas aproximadamente 18 meses. O Evangelho de João mostra que o trabalho do Salvador Jesus não ficou restrito a Galiléia, abrangeu também a Judéia e, abarcou quatro Páscoas (João 2:13, 5:1, 6:4, 13:1), tendo seu ministério durado três anos.
         Ao ler: “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (Jo 20. 30 – 31), muitos afirmam que é necessário um milagre para que se creia em Jesus.
         Abrindo um breve parêntese, sem muita profundidade, relembremos os milagres apresentados pelo evangelista João.
         João 2 – Jesus transforma água em vinho. 
         O próprio texto, inspirado pelo Espírito Santo, deixa claro que este milagre foi para manifestar a glória de Jesus, e tinha como objetivo que os discípulos cressem em Jesus como verdadeiro Deus, enviado por Deus.
         João 4 – A cura do filho de um oficial do rei.
         O oficial creu na Palavra de Jesus a qual lhe transmitiu com certeza que seu filho estava curado.
          João 5 – A cura de um paralítico.
          Com essa cura Jesus ensina que a lei do sábado não foi dada para escravizar o homem. Jesus se apresenta como Filho de Deus, que veio para cumprir a promessa feita a Adão e Eva e para libertar os seus.
         João 6 – multiplicação dos pães e peixes e caminhada sobre as águas.
         A multiplicação dos peixes e dos pães é um teste aos discípulos. Com esse milagre Jesus se mostrou como o verdadeiro profeta que Deus enviaria ao povo (Jo 1.21).
         João 9 – A cura de um cego de nascença.
         Jesus deixa claro que este milagre é para que se manifeste a glória de Deus. Jesus se apresenta como a luz do mundo. O milagre revela que Jesus é a luz. Jesus é que precisa ser visto pelas pessoas. Nossos olhos precisam estar fixos em Jesus (Hb 12. 1 – 2).
         O que deixou de ser deficiente visual testemunha perante os inimigos de Jesus que Jesus de fato é Deus, Jo 9. 33.
         João 11 – Ressurreição de Lázaro.
         Jesus diz que a enfermidade de Lázaro não era para a morte, e sim para a glória de Deus, para que o Filho de Deus fosse glorificado. É mais um dos milagres onde Jesus se apresenta como a luz para os homens, luz para o mundo que está morto em seus pecados.
         Depois desse parêntese, observamos os sete milagres apresentados pelo evangelista João. Todos tem um só objetivo: apresentar Jesus, verdadeiro homem, como verdadeiro Deus.
         De fato pastor, eu sei que é necessário um milagre para que se creia em Jesus. Não! Crer em Jesus já é um milagre, “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus” (Ef 2.8).
         Assim como anunciado pelo evangelista João (Jo 6.26), muitas pessoas não entenderam e nem entendem os milagres realizados por Jesus.
         Jesus não realizou os milagres com objetivo de que as pessoas o procurassem apenas por causa do milagre, mas para que cressem nEle como salvador de suas vidas. Jesus veio ao encontro do ser humano para impedir a maior e pior vergonha humana. Jesus veio para sarar a pior ferida e deficiência humana. Jesus veio para ser a luz em meio à falta de visão desse mundo.
         Milagres aconteceram e acontecem todos os dias. É só olhar ao nosso redor. Mas, Deus por meio de sua Palavra quer me fundamentar e firmar na fé em Jesus. Jesus veio para realizar o maior de todos os milagres: a salvação eterna.
         Não é saudável ficar especulando os milagres. É e será saudável especular o operador de milagres. Enfrentamos um sério problema quando o “pastor tal” recebe o título de “homem de poderes”.
         Em seus milagres, Jesus não queria satisfazer a curiosidade humana, nem conquistar o povo em troca de benefícios terrenos, (João 6.15). Jesus também não queria impressionar as pessoas incrédulas, (Marcos 6.5,6).
         Com seus milagres:
Jesus queria apenas manifestar a sua glória, comprovar a sua messianidade, (Isaias 35.5,6; Mateus 11.5,6; João 3.2).
Jesus queria fortalecer a fé dos seus discípulos e socorrer os necessitados.
         Ao ler a Bíblia, observamos que Deus concedeu este poder, em casos especiais e com finalidades especiais, a anjos, Dn 6.22 e Pedro, At 12.9. Também o fez a homens escolhidos no Antigo e Novo Testamento, Moisés, Josué, Elias, Estevão, Filipe, etc, para ajudar os crentes em necessidades e para credenciar o ofício de seus mensageiros.
         Nenhum homem possui esse poder curador para dispor quando bem desejar. Muitos se apresentam como milagreiros profissionais, aptos para oferecer ajuda as pessoas em qualquer situação e dia.
         Os sete milagres apresentados pelo evangelista João mostram que “Jesus é poderoso onde o homem é impotente”. Francamente falando – onde está a nossa maior impotência? Na salvação. Por isso, o objetivo missionário de Deus com sua Palavra é “...para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e crendo tenham vida em seu nome”.
         Alertar!
          “Nesse mundo”, Deus permite, para juízo dos incrédulos e advertência dos cristãos, um campo de ação no mundo ao diabo e seus parceiros, até o fim dos tempos. Nesse campo está em jogo a prática de magia, feitiçaria, necromancia e outras artes semelhantes. É só ler o livro de Apocalipse e compreendemos a ação do diabo e seu objetivo.
         Mas, Deus em seu amor e misericórdia, através de sua Palavra tem outro objetivo: oferecer e dar a vida verdadeira.
         Quando lemos: “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (Jo 20. 30 – 31), podemos tirar algumas conclusões.
         Jesus condena a busca de milagres.
         O ponto está no evangelho salvador. Observemos que nos milagres de Jesus, as pessoas ouviam a Pregação e criam na Palavra de Deus. Quem deseja cura, busca apenas ajuda para os males do corpo, a Palavra de Deus é para sanar males da alma. "Pois a palavra de Deus é viva e poderosa e corta mais do que qualquer espada afiada dos dois lados. Ela vai até o lugar mais fundo da alma e do espírito, vai até o íntimo das pessoas e julga os desejos e pensamentos do coração delas”(Hb 4.12).
         J. D. Davis no seu livro “Dicionário da Bíblia” ressalta que os milagres de Jesus se limitam a quatro períodos. Primeiro período: livramento da escravidão do Egito e estabelecimento em Canaã. Segundo período: os milagres operados durante a luta entre o paganismo e a religião verdadeira no tempo de Elias e Eliseu. O terceiro período foi a sua intervenção no tempo do profeta Daniel. O quarto período foi justamente o estabelecimento do cristianismo. Esse estabelecimento ocorreu na pessoa de Jesus Cristo.
         “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (Jo 20. 30 – 31), são palavras para uma igreja que hoje está formada, consolidada e espalhada por todo o mundo. Estamos vivendo um período importante na história da igreja: aguardamos a segunda volta de Jesus.
         Mas, infelizmente, estamos sofrendo da mesma doença: “que milagre irás fazer para crermos em ti?” (parafraseando João 2.18).
         Após quatrocentos anos de silêncio, Jesus veio e o profeta que foi enviado para preparar o caminho de Jesus (João Batista) não fazia nenhum milagre extraordinário. Mesmo assim o povo confessou: “E muita gente ia vê-lo, dizendo: — João não fez nenhum milagre, mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade”.
             Quando lemos: “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (Jo 20. 30 – 31), precisamos compreender que não esperamos mais novas revelações ou milagres, a Escritura está completa. Não precisamos dos milagres extraordinários para crermos, “...porque me viste, creste? Bem aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29).
         O que salva é a fé. O maior milagre, pouco reconhecido, é a fé operada em nós pelo Espírito Santo.
         Para que esse milagre aconteça, Deus faz uso de um único meio: sua Palavra. Mesmo que alguém ressalte que o batismo também é o meio pelo qual Deus opera esse milagre, respondo que sim. Mas, lembro que o poder do batismo está na Palavra de Deus unida a água.
         Milhares de pessoas desejam que a Bíblia dê respostas as suas variadas questões. No entanto, a Bíblia, escrita por homens pela inspiração divina, não tem como propósito dar respostas as nossas perguntas existenciais.
         O principal objetivo de Deus com sua Palavra é que as pessoas creiam e tenham vida eterna. Deus é missionário e com sua Palavra deseja salvar a humanidade. O objetivo de Deus com sua Palavra é que as pessoas conheçam Jesus como salvador e assim sejam salvas. O Jesus ressuscitado apareceu aos seus discípulos dando-lhes a missão de comunicarem a respeito do plano de Deus para que as pessoas “tenham vida em seu nome”.
         Se pela fé na obra de Jesus Cristo é salvo, Deus com sua Palavra escrita cria a fé no coração das pessoas, (Romanos 10.17).
         O Jesus que atualmente é buscado por muitos apenas para um milagre é o mesmo Jesus que quando enviado pelo Pai foi diminutivamente chamado de, “filho de Maria, filho de José, filho do carpinteiro, Jesus de Nazaré e da Galiléia”. O apóstolo João ao ressaltar que: “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (Jo 20. 30 – 31), busca apresentar que Jesus Cristo, reduzido por muitos a um mero ser humano era o Cristo, o verdadeiro Messias, o ungido de Deus para salvar todos os pecadores. Ao dizer “Jesus é o Messias”, o evangelista João deixa claro todos os ofícios de Jesus: Profeta, Sacerdote e Rei.
         João não escreveu apenas uma biografia sobre uma pessoa interessante. Inspirado pelo Espírito Santo, autor da Bíblia, o apóstolo João escreveu com o mesmo propósito de Deus: "... para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome" (João 20:31). 
         Deus é missionário. Enviou Jesus para nos resgatar. Continua enviando pregadores por todos os cantos para que comuniquem com fidelidade a Palavra de Deus e assim as pessoas sejam salvas. Ouça a Palavra de Deus. Santifique o dia do descanso, ouvindo com respeito e estudando com amor a Palavra de Deus, pois “...crendo, você terão vida no nome de Jesus”. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann
(44) 3462 2796

 

Bibliografia:
Curas e milagres. Otto A. Goerl. Ed. Concórdia, 1980, Porto Alegre, RS.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A comemoração da Páscoa é a Vida

Domingo de Páscoa – 20/04/2014
Sl 16; At 10. 34 – 43 ou Jr 31. 1 – 6; Cl 3. 1 – 4; Mt 28. 1 - 10
Tema: A comemoração da Páscoa é a Vida.

         Domingo de páscoa é dia de falar sobre ressurreição, a nossa ressurreição. O texto da carta escrita aos Colossenses 3. 1 – 4, o apóstolo Paulo anuncia: “Vocês foram ressuscitados”. 
         A certeza da ressurreição é um conforto para muitas famílias que perderam um ente querido. A certeza da ressurreição é um consolo para milhares de pessoas que vivem ocupadas em não morrer, e para àquelas que estão apavoradas com a ideia da morte.

         Ao mesmo tempo em que Paulo anuncia: “Vocês foram ressuscitados” transmite que “porque vocês já morreram...” (v.3).
         Como é possível Ressuscitar e Morrer? Paulo na sua carta aos Colossenses nos conduz a uma reflexão sobre o Batismo. 
         O sacramento do batismo é o meio pelo qual Deus vem ao nosso encontro e nos dá o maior e melhor dom, o Espírito Santo, a fé. Infelizmente, esse sacramento por leviandade, irreflexão está se tornando um mero costume, apenas um ritual a ser cumprido, uma tradição familiar. Há os que vivem como se o batismo fosse apenas um evento do passado, sem conexão alguma com nosso viver diário.
         Você sabe o dia em que foi batizado? Mas sabe por que foi batizado? No meu terceiro dia de vida meus pais me levaram as presas à igreja para que eu fosse batizado. Foi um batismo de emergência. Imaginavam que eu não iria viver. A verdade é que naquele mesmo dia acabei morrendo e ressuscitando, conforme anuncia o apóstolo Paulo: “quando vocês foram batizados, foram sepultados com Cristo; e no batismo foram ressuscitados com ele por meio da fé que vocês têm no grande poder de Deus, o mesmo Deus que ressuscitou Cristo” (Cl 2.12).
Paulo diz: “Cristo é a nossa vida”. Essa expressão foi proclamada logo após a explicação sobre a missão de Jesus Cristo e o que Jesus significava para a vida das pessoas.
Jesus dá novo sentido à vida. Com Jesus aprendemos o propósito da vida e do viver. Em Jesus podemos ter certeza da ressurreição. Conhecendo nossa morte e ressurreição a nossa vida passa a ser conduzida pelas coisas de Deus e não pelas coisas desse mundo. Não é o sucesso, a riqueza, o bem estar que dá sentido à vida.
Morremos com Cristo no batismo e no batismo ressuscitamos como novas criaturas. Nascidos em pecado sabemos que estamos sujeitos à morte. Como batizados não vivemos com medo da morte física, mas vivemos sabendo que ressuscitamos e ressuscitaremos. Disse Jesus: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28).
Caso você não se lembre do dia em que foi batizado, o importante é que você lembre e saiba que é um batizado. Que já morreu e ressuscitou.
Pelo batismo morremos para a vida falsa e nascemos para a vida verdadeira. “Cristo é a verdadeira vida”.
“Vocês foram ressuscitados...” – Paulo constata um fato. Paulo fala de algo concluído. Não é o registro de um desejo. A ressurreição é um capítulo encerrado.
             Ao lembrar que sou batizado e ressuscitado, passo a viver uma vida de pessoa morta para o pecado e renascida para Deus. Como morto e ressuscitado posso ouvir o convite: “buscai as coisas do alto, ...pensai nas coisas do alto,...”
            Mesmo que eu já tenha morrido no dia do batismo, Paulo faz um pedido: “Façam morrer...” ou “matem os desejos deste mundo...”.
            Isso quer dizer que se eu já ressuscitei com Cristo no batismo tenho uma nova vida. Mas, mesmo recebendo essa nova vida, ainda estou vivendo nesse mundo e na carne. Sendo assim, continuo pecador. Sou nova criatura pelo batismo e velha criatura por causa da natureza pecaminosa que há em mim.
          No dia mais importante da minha vida, dia do batismo, eu morri e ressuscitei. Nesse dia passei a ter uma nova identidade. Nova identidade essa que o diabo busca manchar com seus ataques através da prostituição (adultério), impureza (moral, ou vida desregrada), paixão lasciva (sensualidade), desejo maligno, avareza, idolatria (quando as pessoas veem os bens materiais como um fim em si mesmos e os colocam em lugar de Deus).
              Hoje é domingo de páscoa. Pela graça de Deus, nós, os mortos e ressuscitados podemos meditar que Cristo é a nossa vida. Comemoramos a Vida. A igreja cristã é composta pelos mortos e ressuscitados. Por isso, “matem os desejos deste mundo...”, “buscai as coisas da vida...” e “olhai para as coisas da vida...”.
         “buscai as coisas lá do alto” (v.1) e “pensais nas coisas lá do alto” (v.2) parece ser um conselho sobre evitar algum pecado e tentação carnal. No entanto, buscar as coisas lá do alto é rejeitar tudo àquilo que foi exposto no capítulo 2 da carta aos Colossenses. Precisamos rejeitar as falsas explicações, os argumentos sem valor, os ensinamentos de criaturas humanas. É preciso rejeitar as leis sobre o que comer e beber, dias santos, sábados, a falsa humildade, adoração de anjos, peregrinação, autoflagelação como requisito de salvação. O texto de Colossenses 3. 1 – 4 é uma conexão àquilo que foi escrito anteriormente.
         Paulo afirma com todas as letras a importância de Jesus Cristo como único meio de salvação. O perigo que corremos é justamente começar a se fixar em valores fora de Cristo.
         A nossa preocupação precisa estar voltada a tudo aquilo que pode nos tirar da vida eterna.
         “buscai as coisas lá do alto” (v.1) e “pensais nas coisas lá do alto” (v.2) é um convite a não deixar de lado Jesus Cristo e sua obra salvadora. Não é apenas estar ocupado na obra de Deus, na verdade, é não deixar de lado a obra redentora de Jesus Cristo.
         “buscai as coisas lá do alto” (v.1) e “pensais nas coisas lá do alto” (v.2) não é um conselho para olhar para nossa prática, para as obras que realizamos nesse mundo. É apenas um convite à olhar e ver o quanto necessitamos de Jesus para salvação.
         Cristo é a nossa vida - a nossa vida eterna, “vocês foram ressuscitados em Cristo”. Amém!
Edson Ronaldo Tressmann
(44) 3462 2796 ou (44) 9856 8020


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Lutero “entre aspas”

Família:
“Nenhum pecado merece castigo maior do que justamente aquele que cometemos contra as crianças, quando não as educamos”.

Igreja:
“A fé é um ato livre, ao qual não se pode forçar ninguém”.

Sociedade:
“Mais raro que um governo sábio, é um governo honesto”

domingo, 6 de abril de 2014

Jesus Cristo foi zombado em meu lugar!


Domingo de Ramos – 13/04/2014
Sl 118. 19 – 29; Is 50.4 – 9ª; Fp 2. 5 – 11; Mt 26. 1 – 27.66
Tema: Jesus Cristo foi zombado em meu lugar!

         Encontrei apenas um homem que suportou ser zombado em meu lugar.
         As pessoas ficam irritadas quando são zombadas.  A zombaria ridiculariza e rebaixa. Conheci um homem que aceitou ser zombado em meu lugar, aceitou ser rebaixado e ridicularizado para que eu, seu amigo fosse exaltado.
         O Evangelho de Mateus no capitulo 27, versículos 40 ao 49, apresenta cinco zombarias proferidas contra Jesus.  
         1 – uma placa com os dizeres: “Este é Jesus, o Rei dos judeus” (Mt 27.37).
         2 – “Ei, você que disse que era capaz de destruir o templo e tornar a construí-lo em três dias! Se você é mesmo o Filho de Deus, desça da cruz e salve-se a si mesmo!” (Mt 27.40).
         3 – “Ele salvou os outros, mas não pode salvar a si mesmo!  Ele é o  Rei de Israel, não é? Se  descer agora mesmo da cruz, nós creremos nele!” (Mt 27. 42).
         4 – “Ele confiou em Deus e disse que era Filho de Deus. Vamos ver se Deus quer salvá-lo agora” (Mt 27. 43).
         5 – “Espere. Vamos ver se Elias vem salvá-lo!” (Mt 27.49).
         Das cinco zombarias proferidas contra Jesus, destaco as que já haviam sido antecipadas profeticamente pelo salmista: “Você confiou em Deus, o Senhor; então porque ele não o salva? Se ele gosta de você, porque não o ajuda” (Sl 22.8); “Ele confiou em Deus e disse que era Filho de Deus. Vamos ver se Deus quer salvá-lo agora” (Mt 27. 43).
         Essa zombaria foi pronunciada pelos chefes dos sacerdotes, mestres da lei e líderes judaicos. Não eram pessoas ignorantes, no sentido de falta de conhecimento da Palavra de Deus (Antigo Testamento). Sua ignorância estava no fato de não compreenderem com os olhos da fé quem estava na cruz.
         O evangelista Lucas apresenta em sua pesquisa, no Evangelho, três acusações contra Jesus quando este foi levado perante Pilatos. “...Pegamos este homem tentando fazer o nosso povo se revoltar, dizendo a eles que não pagassem impostos ao Imperador e afirmando que ele é o Messias, um rei” (Lc 23.2).
         Pilatos desejou saber se Jesus era ou não um impostor messiânico político. Pilatos não soube julgar o caso por não conhecer a verdade. Assim como os judeus, não conseguia ver com olhos da fé quem estava diante dele.
         O conselho, os líderes judaicos e os mestres da lei,  estavam incomodados pela afirmação de Jesus que se dizia ser o Messias divino. Os judeus entendiam essa afirmação como blasfêmia. Mas, por conhecerem a lei romana, sabiam que  “blasfêmia” não condenaria Jesus.  Por esse motivo, perante Pilatos a acusação foi feita numa linguagem política. Jesus foi apresentado como um messias político, em nada diferente de Barrabás.
         Pelo que consta nos relatos dos Evangelhos, Jesus permaneceu em silêncio. Jesus recebeu de Pilatos a oportunidade de defesa e até mesmo mudança de plano, se caso fosse um messias político. Jesus se calou, não se defendeu e muito menos mudou de plano.
         Jesus se silenciou, mas não como um sinal de recusa a sua missão. A única coisa que Jesus comunicou conforme registrado pelo evangelista João (Jo 18. 34 – 38), é a verdade espiritual. Jesus informa a Pilatos que ele é o rei dos judeus, mas em sentido espiritual.
         Conforme o evangelho de João 18.38 e Lucas 23.4, Pilatos anunciou a inocência de Jesus, porque estava ocupado com o reino desse mundo e temia o tumulto que causaria entre o povo. Pilatos resolveu se acomodar num costume judaico, “anistia pascal”. Segundo esse costume, um preso político podia ser libertado antes da páscoa. Querendo se safar do suposto desejo dos judeus, sacrificar Jesus, Pilatos adotou o costume para se livrar da culpa da condenação de Jesus.
         O povo estava inflamado pelos lideres do conselho e Jesus foi escolhido para ser morto. Dou graças a Deus por terem escolhido Jesus. Foi a condenação de um inocente que me libertou.
         Jesus é o homem que eu encontrei que por amor a mim suportou ser zombado e ridicularizado. “Ninguém tem mais amor pelos seus amigos do que aquele que dá a vida por eles” (Jo 15.13)
         “Você confiou em Deus, o Senhor; então porque ele não o salva? Se ele gosta de você, porque não o ajuda” (Sl 22.8); “Ele confiou em Deus e disse que era Filho de Deus. Vamos ver se Deus quer salvá-lo agora” (Mt 27. 43). Essa zombaria é proferida ainda hoje! Você é um zombador de Cristo?
         As zombarias estão parafraseadas em: “Se Deus existe...; se Deus está aqui....; etc”.
         Jesus foi tentado a se tornar um messias mais fascinante, terreno, triunfante. O tipo de Jesus que agrada as pessoas e que faz o maior sucesso. A zombaria foi mais uma das tentações que sofreu para que se tornasse infiel ao seu papel de servo sofredor. “De fato, a mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que estão se perdendo; mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18).
         As pessoas buscam um Jesus que satisfaça suas vontades e caprichos. Não podemos esquecer que Jesus veio para nos oferecer o que precisamos e necessitamos: a salvação. Essa se dá pela sua obra realizada na cruz.
         A teologia da glória é um desserviço a fé cristã. A teologia do oba-oba não contribui em nada para a edificação espiritual das pessoas. “Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo” (1Co 15. 19). Jesus ensinou na sua conversa a Pilatos que seu reino é espiritual. Os sacerdotes de Cristo são enviados ao mundo para ensinarem o evangelho, anunciarem a remissão dos pecados, administrarem os sacramentos.
         Pessoas buscam um Jesus com status – curador, milagreiro, cheio de bênçãos de prosperidade. Infelizmente, milhares de pessoas que estão na busca desse Jesus, quando não o encontram, zombam, taxando Jesus de fraco, um Jesus sem perspectiva para ser servido. E há aqueles que se dizem enviados, mas sua intenção é apenas o reino deste mundo, sufocam o evangelho, extinguem o conhecimento da fé e do reino espiritual.
         Assim como na época, não se busca mais o Jesus que foi desamparado por Deus. Não o buscam, porque não compreendem que ser desamparado por Deus era o preço que precisava ser pago para nossa liberdade.
         Não precisamos da uma prova em nossa vida de que Jesus é o messias. A maior prova é a afirmação da Palavra de Deus que Jesus veio para buscar e salvar o perdido.
         Paremos com a zombaria do Jesus crucificado. Eu não preciso de um milagre que eu desejo para saber se Jesus existe ou me ama. O maior milagre é a afirmação dada por Jesus a Nicodemos: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). A páscoa é o maior milagre de Deus. A páscoa é a maior prova do amor de Deus por nós. “O que dá à morte o poder de ferir é o pecado, e o que dá ao pecado o poder de ferir é a lei. Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Co 15. 56).
Edson Ronaldo Tressmann
(44) 3462 2796 ou 9856 8020, 9165 4351
 

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Lutero “entre aspas”

Família:
“Nenhum pecado merece castigo maior do que justamente aquele que cometemos contra as crianças, quando não as educamos”.

Igreja:
“A fé é um ato livre, ao qual não se pode forçar ninguém”.

Sociedade:
“Mais raro que um governo sábio, é um governo honesto”

 

Do espelho da Lei ao trono da graça (Mt 22.34-46)

25 de outubro 2026 Próprio 25 – Vigésimo Segundo Domingo após Pentecostes Salmo 1; Levítico 19.1-2,15-18; 1Tessalonicenses 2.1-13; Mateu...