segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Confissão de Fé é um encontro entre o testemunho e a revelação (Jo 1.29-42)

 Segundo Domingo após Epifania

18 de janeiro 2026

Salmo 40.1-11; Isaías 49.1-7; 1Coríntios 1.1-9; João 1.29-42

Texto:  João 1.29-42

Tema: Confissão de Fé é um encontro entre o testemunho e a revelação.

 

O ministério público de Jesus não inaugura no vácuo, mas sob o selo do testemunho profético. João Batista, ao avistar o Cristo, não oferece uma opinião, mas uma sentença teológica: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Essa confissão pública gera um efeito dominó de fé. André ouve o Batista e reconhece a autoridade da mensagem. A curiosidade torna-se proximidade. A primeira reação de André ao encontrar o Messias é buscar seu irmão, Simão. A fé cristã, em sua gênese, é relacional.

O encontro entre Jesus e Simão é um dos momentos mais profundos do Evangelho. Antes que Simão pudesse formular qualquer profissão de fé, Jesus toma a iniciativa. O texto destaca que Jesus o olhou.

Não foi um olhar superficial, mas um olhar que atravessava a superfície da fragilidade de Simão. Ao dizer “Serás chamado Cefas” (Jo 1.42), Jesus não estava descrevendo quem Simão era naquele momento, mas profetizando quem ele se tornaria pela graça.

A mudança de nome é um ato de soberania. Jesus chama de “Rocha”, Pedro, alguém que, por natureza, era inconstante. O evangelista João prepara o entendimento de que a identidade do discípulo não reside em suas capacidades naturais, mas na Palavra que Jesus profere.

A confissão de Pedro não foi um evento isolado, mas um itinerário espiritual composto por quatro etapas fundamentais: convite “achamos o Messias”; aceitação, “recebeu e aceitou o novo nome”; crise, “para quem iremos”; clímax, “tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Ao celebrarmos a confissão de Pedro, não exaltamos o homem, mas a obra de Deus no homem. O Pedro que confessa o Cristo é o mesmo que: nega o Mestre sob pressão; esconde-se no cenáculo por medo; vacila em sua postura pastoral em Antioquia (Gl 2.11-14). E isso ensina que a “pedra” só é sólida enquanto está fundamentada na Rocha que é Jesus Cristo. A força de Pedro não vinha de seu temperamento, mas do Espírito Santo que moveu sua boca e sustentou seu arrependimento.

Tudo o que começou com um testemunho externo (João Batista e André) culminou em uma convicção interna e sobrenatural.

A trajetória de Pedro nos encoraja porque revela que Jesus nos conhece antes mesmo de o conhecermos. Ele vê o nosso futuro através das nossas fraquezas presentes. Somos chamados a ser “Andrés” na vida de alguém, sermos pontes que levam o outro até aquele que pode mudar nomes e destinos.

Movidos pelo mesmo Espírito que assistiu Pedro, continuemos a testemunhar que o Messias chegou e que Ele ainda transforma homens frágeis em colunas de sua Igreja. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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