Quarto Domingo após Epifania
01
de fevereiro 2026
Salmo
15; Miquéias 6.1-8; 1Coríntios 1.18-31; Mateus 5.1-12
Texto:
Mateus 5.1-12
Tema: Felizes
os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!
“Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente
pobres, pois o Reino do Céu é delas” (Mt 5.3, NTLH)
Você quer ser feliz?
Um dos maiores desejos do ser humano é
a felicidade!
A
verdadeira felicidade não é um sentimento passageiro, mas o ato de caminhar sob
o governo de Deus, reconhecendo nossa total falência espiritual diante da cruz.
Vivemos numa sociedade viciada em “doses”
de felicidade. Pessoas buscam momentos de prazer e chamam isso de “ser feliz”.
Jesus
sobe ao monte. E o seu subir e pregar não visa oferecer dicas de autoajuda e
nem inaugurar o coaching motivacional.
O
evangelista Mateus, ao escrever seu evangelho deseja interpretar as profecias
do Antigo Testamento para os judeus como uma referência direta à Jesus.
Mateus
usa o esquema do Pentateuco e por isso traz em seu evangelho 5 discursos. Ao
destacar que Jesus subiu ao monte (Mt 5.1), Mateus quer fazer com que o leitor
recorde de Moisés que subiu ao Monte para receber a Lei de Deus. Aqui, Jesus
sobe ao monte como o novo Moisés. Jesus não apenas interpreta a Lei, Jesus a
cumpre. E para mostrar que Jesus tem autoridade tanto quanto a de Moisés, Mateus
registra que o primeiro discurso é finalizado com a maneira como Jesus ensinou,
como de quem tem autoridade (Mt 7.28-29).
As
primeiras palavras de Jesus são: “Felizes as
pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas”
(Mt 5.3).
Pessoas
querem e buscam ser feliz. E a busca pela felicidade têm um custo muito alto. E
quem já optou em ir em busca da felicidade passageira desse mundo, sabe o
quanto isso tem custado.
A
felicidade que custo caro no mundo, custo muito quando as pessoas também a
buscam de maneira equivocada na igreja.
Na
época de Jesus, a elite religiosa era dominante e se sobrepunha sobre as
demais. Os grupos religiosos se julgavam justos diante de Deus e eles entendiam
que quando o Messias viesse, os pecadores seriam aniquilados. Por essa razão
Jesus não agradou a elite religiosa. Ouvimos por ocasião do nascimento de Jesus
que ele salvaria o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21).
Os
grupos religiosos buscavam ter e exerciam sua influência política. Fariseus
tinham muito poder e influência política. Era o grupo religioso que aderia ao
governo e estava sob seu serviço. Eles exerciam função de educadores,
funcionários religiosos e administradores. Faziam parte da folha de pagamento
do governo e desfrutavam de seus favores. Dessa forma havia quem dominasse e
quem era dominado e por isso, os perseguidos precisavam de perseverança. Os
grupos dominados, apesar de, serem injustiçados, humilhados, chorarem e perseguidos,
eram chamados a agir pela paz.
Quando
Jesus cita o Reino de Deus, sua proposta é, a felicidade está em ser governado
por Deus. Você quer essa felicidade?
A palavra grega makarioi
corresponde a palavra hebraica Asherêi. E asherêi vem de uma raiz
que significa “avançar, caminhar, pôr-se em marcha”. Ser feliz não é
estar sentado sorrindo enquanto o mundo desaba. É ter a coragem de caminhar na
contramão.
O
mundo promove a raiva; o cristão caminha na mansidão;
O
mundo promove a vingança; o cristão caminha na pacificação;
O
mundo promove a corrupção; o cristão caminha na fome e sede de justiça;
Essa
felicidade, makarios, Asherêi, é desonrada pelo mundo e por isso, é
perseguida, caluniada e difamada.
O
sermão do monte destaca o conflito de governos. No Reino de Deus, quem governa
é Deus. Quem governa você?
Enquanto
os fariseus, escribas, saduceus se deixavam governar pelo governo da época para
ter regalias, Jesus convida a se deixar governar por Deus (Reino dos céus).
Ser
governado por Deus é agir contrário as vontades do mundo e por estar na
contramão do mundo se é odiado, perseguido, injuriado ...
O
verdadeiro governo não é da classe dominante, precisa ser de Deus.
Na época de Jesus, os fariseus achavam
que eram ricos em justiça. Eles tinham influência, poder político e méritos
religiosos. Eles achavam que o Messias viria para aniquilar os pecadores e eles
estariam a salvos. Por essa razão, ao dizer que felizes são os mendigos, Jesus
revela que o Reino pertence àqueles que chegam diante de Deus de mãos vazias.
Ser “pobre em espírito” é admitir: “Senhor, eu não tenho méritos, eu
não tenho justiça própria, eu sou totalmente dependente da tua graça”.
Enquanto o mundo diz “acredite em
si mesmo”, Jesus diz: “reconheça que sem Mim você nada pode fazer”.
A felicidade começa onde o nosso orgulho termina.
O
sermão de Jesus é um manifesto político espiritual. Naquela época, a elite
religiosa se vendia ao governo romano para manter regalias. Eles preferiam o
governo de César ao governo de Deus.
Quer ser governado por quem?
Ser
governado por Deus significa ser odiado pelo sistema desse mundo e por isso,
opressão, perseguição, calúnia, ódio. Para quem prefere ser governado por Deus
e caminhar, pôr-se em marcha, na contramão desse mundo, Jesus convida a se
alegrar.
A
mensagem das bem-aventuranças só faz sentido à sombra da Cruz. Foi na Cruz que
Jesus se tornou o mais “pobre”, o mais “insultado” e o mais “perseguido”
para que nós pudéssemos herdar o Reino e ser governado por ele em humildade, mansidão,
justiça e pureza de coração.
A
felicidade proposta por Jesus não é um troféu para os fortes, é um presente.
A
verdadeira felicidade não é um sentimento passageiro, mas o ato de caminhar sob
o governo de Deus, reconhecendo nossa total falência espiritual diante da cruz.
Amém
Edson Ronaldo Tressmann
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