Terceiro Domingo após Epifania
25
de janeiro 2026
Salmo
27.1-9; Isaías 9.1-4; 1Coríntios 1.10-18; Mateus 4.12-25
Texto:
Mateus 4.12-25
Tema: Jesus:
a luz que brilha na terra das sombras!
No
dia 25 de janeiro, celebramos o aniversário de São Paulo, a maior metrópole da
América Latina. Mas a escolha desta data não foi aleatória. Em 1554, os
jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta fundaram um colégio missionário
entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Eles escolheram o dia da conversão do apóstolo
Paulo para marcar o início de sua missão.
Assim
como Saulo (Paulo) foi transformado por uma luz no caminho de Damasco, a
intenção era que aquela nova vila fosse um ponto de luz e conversão. Paulo, o
apóstolo, entendia que sua força não residia na eloquência humana, mas no poder
de Deus (1Co 2.4). Ele sabia que a fé nasce pelo ouvir a mensagem de Cristo (Rm
10.17).
O
evangelista Mateus registra um momento de transição crucial: a prisão de João
Batista. Quando a “voz que clama no deserto”
foi silenciada pelo cárcere, o próprio Verbo Encarnado assumiu o protagonismo.
Jesus
não escolheu os centros religiosos de Jerusalém para começar. Ele foi para a
Galileia, uma região marcada pelo trânsito de povos gentios, vulnerável ao
paganismo e ao desprezo dos “puros”.
Ali, Mateus vê o cumprimento exato de Isaías 9: “O
povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da
sombra da morte resplandeceu uma luz” (Mt 4.16).
A luz que resplandeceu na Galileia dos gentios, resplandece em
nossos dias?
A Galileia dos gentios era uma região
vulnerável sob influência e domínio do paganismo. Jesus inicia seu ministério entre
pessoas ignorantes e obscurecidas. Por sua pregação, Jesus é indicado por
Mateus como sendo a luz que brilha na terra da escuridão.
O evangelista Mateus faz diferença
entre ensinar e anunciar.
-
Ensinar envolve ensino e discussão, o que ocorria
na sinagoga.
-
Anúncio é uma referência a proclamação da notícia
do evangelho.
Vivemos em uma
sociedade de especialidades. Valorizamos o médico que cura o corpo, o motorista
que transporta vidas e o segurança que protege o patrimônio. Mas quem cuida do espírito?
Deus
estabeleceu a pregação como o meio “louco”
(1Co 1.21) para oferecer a salvação. Jesus não se envergonhou de ser um
pregador itinerante. Ele elevou esse ofício ao convocar doze homens comuns para
serem pescadores de gente. A pregação é a “medicina
da alma” e por ela traz o diagnóstico do pecado e oferece o remédio
da graça.
A mensagem de Jesus foi idêntica à de
João Batista: “Arrependei-vos”. O
arrependimento bíblico (metanoia) não é apenas remorso; é uma mudança de
direção. Por essa razão, o arrependimento abre caminho para a cura.
Assim como os
milagres de Jesus acompanhavam sua pregação para demonstrar sua compaixão, a
mensagem do Evangelho hoje ainda cicatriza feridas da consciência e restaura
vidas despedaçadas.
Pela pregação a respeito de Jesus,
Deus continua a oferecer uma luz que brilha em terra de escuridão.
O apóstolo Paulo recomendou o ofício da
pregação para Timóteo: “pregue a mensagem e
insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer,
repreenda, anime e ensine com toda a paciência” (2Tm 4.2). Mas,
destacou que a pregação nem sempre seria bem aceita. Por essa razão, o apóstolo
Paulo exortou Timóteo o advertindo que iria “...chegar
o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas
seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de
mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir” (2Tm 4.3).
Por mais que haja estranhamento,
desprezo e rejeição, pela pregação, não há coração partido que Jesus não saiba
curar. Não há ferida de consciência que Jesus não saiba cicatrizar. Todos os
seres humanos são caídos, esmagados, despedaçados e atingidos por algum pecado
e Jesus, quer restaurar com seu perdão pela pregação.
A pregação sempre foi um fiel termômetro
da Igreja. Quando a pregação é honrada, a igreja resplandece; quando é
negligenciada em troca de mensagens que apenas “massageiam
o ego” (2Tm 4.3), a igreja mergulha na escuridão.
Enquanto o mundo despreza a mensagem
da cruz, a pregação bíblica a respeito de Jesus continua sendo a única luz
capaz de dissipar a escuridão do coração humano. Jesus continua chamando
arautos. Ele continua curando através da sua Palavra.
Que possamos, como Paulo e muitos
missionários, ser instrumentos dessa luz na “metrópole”
em que Deus nos plantou. Amém.
Edson
Ronaldo Tressmann
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