segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Jesus: a luz que brilha na terra das sombras! (Mt 4.12-25)

 Terceiro Domingo após Epifania

25 de janeiro 2026

Salmo 27.1-9; Isaías 9.1-4; 1Coríntios 1.10-18; Mateus 4.12-25

Texto: Mateus 4.12-25

Tema: Jesus: a luz que brilha na terra das sombras!

 

No dia 25 de janeiro, celebramos o aniversário de São Paulo, a maior metrópole da América Latina. Mas a escolha desta data não foi aleatória. Em 1554, os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta fundaram um colégio missionário entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Eles escolheram o dia da conversão do apóstolo Paulo para marcar o início de sua missão.

Assim como Saulo (Paulo) foi transformado por uma luz no caminho de Damasco, a intenção era que aquela nova vila fosse um ponto de luz e conversão. Paulo, o apóstolo, entendia que sua força não residia na eloquência humana, mas no poder de Deus (1Co 2.4). Ele sabia que a fé nasce pelo ouvir a mensagem de Cristo (Rm 10.17).

O evangelista Mateus registra um momento de transição crucial: a prisão de João Batista. Quando a “voz que clama no deserto” foi silenciada pelo cárcere, o próprio Verbo Encarnado assumiu o protagonismo.

Jesus não escolheu os centros religiosos de Jerusalém para começar. Ele foi para a Galileia, uma região marcada pelo trânsito de povos gentios, vulnerável ao paganismo e ao desprezo dos “puros”. Ali, Mateus vê o cumprimento exato de Isaías 9: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte resplandeceu uma luz” (Mt 4.16).

A luz que resplandeceu na Galileia dos gentios, resplandece em nossos dias?

          A Galileia dos gentios era uma região vulnerável sob influência e domínio do paganismo. Jesus inicia seu ministério entre pessoas ignorantes e obscurecidas. Por sua pregação, Jesus é indicado por Mateus como sendo a luz que brilha na terra da escuridão.

          O evangelista Mateus faz diferença entre ensinar e anunciar.

- Ensinar envolve ensino e discussão, o que ocorria na sinagoga.

- Anúncio é uma referência a proclamação da notícia do evangelho.

          Vivemos em uma sociedade de especialidades. Valorizamos o médico que cura o corpo, o motorista que transporta vidas e o segurança que protege o patrimônio. Mas quem cuida do espírito?

          Deus estabeleceu a pregação como o meio “louco” (1Co 1.21) para oferecer a salvação. Jesus não se envergonhou de ser um pregador itinerante. Ele elevou esse ofício ao convocar doze homens comuns para serem pescadores de gente. A pregação é a “medicina da alma” e por ela traz o diagnóstico do pecado e oferece o remédio da graça.

          A mensagem de Jesus foi idêntica à de João Batista: “Arrependei-vos”. O arrependimento bíblico (metanoia) não é apenas remorso; é uma mudança de direção. Por essa razão, o arrependimento abre caminho para a cura.

          Assim como os milagres de Jesus acompanhavam sua pregação para demonstrar sua compaixão, a mensagem do Evangelho hoje ainda cicatriza feridas da consciência e restaura vidas despedaçadas.

          Pela pregação a respeito de Jesus, Deus continua a oferecer uma luz que brilha em terra de escuridão.

          O apóstolo Paulo recomendou o ofício da pregação para Timóteo: “pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência” (2Tm 4.2). Mas, destacou que a pregação nem sempre seria bem aceita. Por essa razão, o apóstolo Paulo exortou Timóteo o advertindo que iria “...chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir” (2Tm 4.3).

          Por mais que haja estranhamento, desprezo e rejeição, pela pregação, não há coração partido que Jesus não saiba curar. Não há ferida de consciência que Jesus não saiba cicatrizar. Todos os seres humanos são caídos, esmagados, despedaçados e atingidos por algum pecado e Jesus, quer restaurar com seu perdão pela pregação.

          A pregação sempre foi um fiel termômetro da Igreja. Quando a pregação é honrada, a igreja resplandece; quando é negligenciada em troca de mensagens que apenas “massageiam o ego” (2Tm 4.3), a igreja mergulha na escuridão.

          Enquanto o mundo despreza a mensagem da cruz, a pregação bíblica a respeito de Jesus continua sendo a única luz capaz de dissipar a escuridão do coração humano. Jesus continua chamando arautos. Ele continua curando através da sua Palavra.

          Que possamos, como Paulo e muitos missionários, ser instrumentos dessa luz na “metrópole” em que Deus nos plantou. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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