segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

 Quarto Domingo após Epifania

01 de fevereiro 2026

Salmo 15; Miquéias 6.1-8; 1Coríntios 1.18-31; Mateus 5.1-12

Texto: Mateus 5.1-12

Tema: Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

 

Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas” (Mt 5.3, NTLH)

 

Você quer ser feliz?

Um dos maiores desejos do ser humano é a felicidade!

A verdadeira felicidade não é um sentimento passageiro, mas o ato de caminhar sob o governo de Deus, reconhecendo nossa total falência espiritual diante da cruz.

          Vivemos numa sociedade viciada em “doses” de felicidade. Pessoas buscam momentos de prazer e chamam isso de “ser feliz”.

Jesus sobe ao monte. E o seu subir e pregar não visa oferecer dicas de autoajuda e nem inaugurar o coaching motivacional.

O evangelista Mateus, ao escrever seu evangelho deseja interpretar as profecias do Antigo Testamento para os judeus como uma referência direta à Jesus.

Mateus usa o esquema do Pentateuco e por isso traz em seu evangelho 5 discursos. Ao destacar que Jesus subiu ao monte (Mt 5.1), Mateus quer fazer com que o leitor recorde de Moisés que subiu ao Monte para receber a Lei de Deus. Aqui, Jesus sobe ao monte como o novo Moisés. Jesus não apenas interpreta a Lei, Jesus a cumpre. E para mostrar que Jesus tem autoridade tanto quanto a de Moisés, Mateus registra que o primeiro discurso é finalizado com a maneira como Jesus ensinou, como de quem tem autoridade (Mt 7.28-29).

As primeiras palavras de Jesus são: “Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas” (Mt 5.3).

Pessoas querem e buscam ser feliz. E a busca pela felicidade têm um custo muito alto. E quem já optou em ir em busca da felicidade passageira desse mundo, sabe o quanto isso tem custado.

A felicidade que custo caro no mundo, custo muito quando as pessoas também a buscam de maneira equivocada na igreja.

Na época de Jesus, a elite religiosa era dominante e se sobrepunha sobre as demais. Os grupos religiosos se julgavam justos diante de Deus e eles entendiam que quando o Messias viesse, os pecadores seriam aniquilados. Por essa razão Jesus não agradou a elite religiosa. Ouvimos por ocasião do nascimento de Jesus que ele salvaria o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21).

Os grupos religiosos buscavam ter e exerciam sua influência política. Fariseus tinham muito poder e influência política. Era o grupo religioso que aderia ao governo e estava sob seu serviço. Eles exerciam função de educadores, funcionários religiosos e administradores. Faziam parte da folha de pagamento do governo e desfrutavam de seus favores. Dessa forma havia quem dominasse e quem era dominado e por isso, os perseguidos precisavam de perseverança. Os grupos dominados, apesar de, serem injustiçados, humilhados, chorarem e perseguidos, eram chamados a agir pela paz.

Quando Jesus cita o Reino de Deus, sua proposta é, a felicidade está em ser governado por Deus. Você quer essa felicidade?

          A palavra grega makarioi corresponde a palavra hebraica Asherêi. E asherêi vem de uma raiz que significa “avançar, caminhar, pôr-se em marcha”. Ser feliz não é estar sentado sorrindo enquanto o mundo desaba. É ter a coragem de caminhar na contramão.

O mundo promove a raiva; o cristão caminha na mansidão;

O mundo promove a vingança; o cristão caminha na pacificação;

O mundo promove a corrupção; o cristão caminha na fome e sede de justiça;

Essa felicidade, makarios, Asherêi, é desonrada pelo mundo e por isso, é perseguida, caluniada e difamada.

O sermão do monte destaca o conflito de governos. No Reino de Deus, quem governa é Deus. Quem governa você?

Enquanto os fariseus, escribas, saduceus se deixavam governar pelo governo da época para ter regalias, Jesus convida a se deixar governar por Deus (Reino dos céus).

Ser governado por Deus é agir contrário as vontades do mundo e por estar na contramão do mundo se é odiado, perseguido, injuriado ...

O verdadeiro governo não é da classe dominante, precisa ser de Deus.

          Na época de Jesus, os fariseus achavam que eram ricos em justiça. Eles tinham influência, poder político e méritos religiosos. Eles achavam que o Messias viria para aniquilar os pecadores e eles estariam a salvos. Por essa razão, ao dizer que felizes são os mendigos, Jesus revela que o Reino pertence àqueles que chegam diante de Deus de mãos vazias. Ser “pobre em espírito” é admitir: “Senhor, eu não tenho méritos, eu não tenho justiça própria, eu sou totalmente dependente da tua graça”.

          Enquanto o mundo diz “acredite em si mesmo”, Jesus diz: “reconheça que sem Mim você nada pode fazer”. A felicidade começa onde o nosso orgulho termina.

O sermão de Jesus é um manifesto político espiritual. Naquela época, a elite religiosa se vendia ao governo romano para manter regalias. Eles preferiam o governo de César ao governo de Deus.

Quer ser governado por quem?

Ser governado por Deus significa ser odiado pelo sistema desse mundo e por isso, opressão, perseguição, calúnia, ódio. Para quem prefere ser governado por Deus e caminhar, pôr-se em marcha, na contramão desse mundo, Jesus convida a se alegrar.

A mensagem das bem-aventuranças só faz sentido à sombra da Cruz. Foi na Cruz que Jesus se tornou o mais “pobre”, o mais “insultado” e o mais “perseguido” para que nós pudéssemos herdar o Reino e ser governado por ele em humildade, mansidão, justiça e pureza de coração.

A felicidade proposta por Jesus não é um troféu para os fortes, é um presente.

A verdadeira felicidade não é um sentimento passageiro, mas o ato de caminhar sob o governo de Deus, reconhecendo nossa total falência espiritual diante da cruz. Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Jesus: a luz que brilha na terra das sombras! (Mt 4.12-25)

 Terceiro Domingo após Epifania

25 de janeiro 2026

Salmo 27.1-9; Isaías 9.1-4; 1Coríntios 1.10-18; Mateus 4.12-25

Texto: Mateus 4.12-25

Tema: Jesus: a luz que brilha na terra das sombras!

 

No dia 25 de janeiro, celebramos o aniversário de São Paulo, a maior metrópole da América Latina. Mas a escolha desta data não foi aleatória. Em 1554, os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta fundaram um colégio missionário entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Eles escolheram o dia da conversão do apóstolo Paulo para marcar o início de sua missão.

Assim como Saulo (Paulo) foi transformado por uma luz no caminho de Damasco, a intenção era que aquela nova vila fosse um ponto de luz e conversão. Paulo, o apóstolo, entendia que sua força não residia na eloquência humana, mas no poder de Deus (1Co 2.4). Ele sabia que a fé nasce pelo ouvir a mensagem de Cristo (Rm 10.17).

O evangelista Mateus registra um momento de transição crucial: a prisão de João Batista. Quando a “voz que clama no deserto” foi silenciada pelo cárcere, o próprio Verbo Encarnado assumiu o protagonismo.

Jesus não escolheu os centros religiosos de Jerusalém para começar. Ele foi para a Galileia, uma região marcada pelo trânsito de povos gentios, vulnerável ao paganismo e ao desprezo dos “puros”. Ali, Mateus vê o cumprimento exato de Isaías 9: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte resplandeceu uma luz” (Mt 4.16).

A luz que resplandeceu na Galileia dos gentios, resplandece em nossos dias?

          A Galileia dos gentios era uma região vulnerável sob influência e domínio do paganismo. Jesus inicia seu ministério entre pessoas ignorantes e obscurecidas. Por sua pregação, Jesus é indicado por Mateus como sendo a luz que brilha na terra da escuridão.

          O evangelista Mateus faz diferença entre ensinar e anunciar.

- Ensinar envolve ensino e discussão, o que ocorria na sinagoga.

- Anúncio é uma referência a proclamação da notícia do evangelho.

          Vivemos em uma sociedade de especialidades. Valorizamos o médico que cura o corpo, o motorista que transporta vidas e o segurança que protege o patrimônio. Mas quem cuida do espírito?

          Deus estabeleceu a pregação como o meio “louco” (1Co 1.21) para oferecer a salvação. Jesus não se envergonhou de ser um pregador itinerante. Ele elevou esse ofício ao convocar doze homens comuns para serem pescadores de gente. A pregação é a “medicina da alma” e por ela traz o diagnóstico do pecado e oferece o remédio da graça.

          A mensagem de Jesus foi idêntica à de João Batista: “Arrependei-vos”. O arrependimento bíblico (metanoia) não é apenas remorso; é uma mudança de direção. Por essa razão, o arrependimento abre caminho para a cura.

          Assim como os milagres de Jesus acompanhavam sua pregação para demonstrar sua compaixão, a mensagem do Evangelho hoje ainda cicatriza feridas da consciência e restaura vidas despedaçadas.

          Pela pregação a respeito de Jesus, Deus continua a oferecer uma luz que brilha em terra de escuridão.

          O apóstolo Paulo recomendou o ofício da pregação para Timóteo: “pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência” (2Tm 4.2). Mas, destacou que a pregação nem sempre seria bem aceita. Por essa razão, o apóstolo Paulo exortou Timóteo o advertindo que iria “...chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir” (2Tm 4.3).

          Por mais que haja estranhamento, desprezo e rejeição, pela pregação, não há coração partido que Jesus não saiba curar. Não há ferida de consciência que Jesus não saiba cicatrizar. Todos os seres humanos são caídos, esmagados, despedaçados e atingidos por algum pecado e Jesus, quer restaurar com seu perdão pela pregação.

          A pregação sempre foi um fiel termômetro da Igreja. Quando a pregação é honrada, a igreja resplandece; quando é negligenciada em troca de mensagens que apenas “massageiam o ego” (2Tm 4.3), a igreja mergulha na escuridão.

          Enquanto o mundo despreza a mensagem da cruz, a pregação bíblica a respeito de Jesus continua sendo a única luz capaz de dissipar a escuridão do coração humano. Jesus continua chamando arautos. Ele continua curando através da sua Palavra.

          Que possamos, como Paulo e muitos missionários, ser instrumentos dessa luz na “metrópole” em que Deus nos plantou. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Confissão de Fé é um encontro entre o testemunho e a revelação (Jo 1.29-42)

 Segundo Domingo após Epifania

18 de janeiro 2026

Salmo 40.1-11; Isaías 49.1-7; 1Coríntios 1.1-9; João 1.29-42

Texto:  João 1.29-42

Tema: Confissão de Fé é um encontro entre o testemunho e a revelação.

 

O ministério público de Jesus não inaugura no vácuo, mas sob o selo do testemunho profético. João Batista, ao avistar o Cristo, não oferece uma opinião, mas uma sentença teológica: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Essa confissão pública gera um efeito dominó de fé. André ouve o Batista e reconhece a autoridade da mensagem. A curiosidade torna-se proximidade. A primeira reação de André ao encontrar o Messias é buscar seu irmão, Simão. A fé cristã, em sua gênese, é relacional.

O encontro entre Jesus e Simão é um dos momentos mais profundos do Evangelho. Antes que Simão pudesse formular qualquer profissão de fé, Jesus toma a iniciativa. O texto destaca que Jesus o olhou.

Não foi um olhar superficial, mas um olhar que atravessava a superfície da fragilidade de Simão. Ao dizer “Serás chamado Cefas” (Jo 1.42), Jesus não estava descrevendo quem Simão era naquele momento, mas profetizando quem ele se tornaria pela graça.

A mudança de nome é um ato de soberania. Jesus chama de “Rocha”, Pedro, alguém que, por natureza, era inconstante. O evangelista João prepara o entendimento de que a identidade do discípulo não reside em suas capacidades naturais, mas na Palavra que Jesus profere.

A confissão de Pedro não foi um evento isolado, mas um itinerário espiritual composto por quatro etapas fundamentais: convite “achamos o Messias”; aceitação, “recebeu e aceitou o novo nome”; crise, “para quem iremos”; clímax, “tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Ao celebrarmos a confissão de Pedro, não exaltamos o homem, mas a obra de Deus no homem. O Pedro que confessa o Cristo é o mesmo que: nega o Mestre sob pressão; esconde-se no cenáculo por medo; vacila em sua postura pastoral em Antioquia (Gl 2.11-14). E isso ensina que a “pedra” só é sólida enquanto está fundamentada na Rocha que é Jesus Cristo. A força de Pedro não vinha de seu temperamento, mas do Espírito Santo que moveu sua boca e sustentou seu arrependimento.

Tudo o que começou com um testemunho externo (João Batista e André) culminou em uma convicção interna e sobrenatural.

A trajetória de Pedro nos encoraja porque revela que Jesus nos conhece antes mesmo de o conhecermos. Ele vê o nosso futuro através das nossas fraquezas presentes. Somos chamados a ser “Andrés” na vida de alguém, sermos pontes que levam o outro até aquele que pode mudar nomes e destinos.

Movidos pelo mesmo Espírito que assistiu Pedro, continuemos a testemunhar que o Messias chegou e que Ele ainda transforma homens frágeis em colunas de sua Igreja. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

No Batismo de Jesus a Lei e a Graça se encontram! (Mt 3.13-17)

 Batismo de Jesus

11 de janeiro 2026

Salmo 29; Isaias 42.1-9; Romanos 6.1-11; Mateus 3.13-17

Texto: Mt 3.13-17

Tema: No Batismo de Jesus a Lei e a Graça se encontram!

 

A Lei de Deus não é apenas um conjunto de regras, mas o reflexo do seu caráter santo. No batismo, vemos Jesus submetendo-se a esse padrão. E Jesus diz que era necessário “cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Para ser o nosso Salvador, Ele não podia saltar nenhuma exigência divina, nem mesmo o batismo de arrependimento pregado por João, embora não tivesse pecado.

O batismo de Jesus no Jordão é o momento em que a Lei e o Evangelho se abraçaram para a nossa salvação.

Ao dirigir-se a João, Jesus declarou: “Assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Aqui vemos a Lei em seu rigor máximo. Para o judeu, a justiça divina não era um conceito abstrato, mas a obediência a cada “i” e “til” dos mandamentos divinos.

A Lei serve para nos mostrar que não conseguimos chegar ao padrão de Deus por esforço próprio. A Lei de Deus nos revela a santidade de Deus e diante dessa santidade, inatingível para nós pecadores, somos expostos a uma “necessidade desesperadora”. E esse desespero se mostra na expectativa de querer ser santo e por mais que se tente, não é possível ser. O apóstolo Paulo destacou esse desespero escrevendo aos romanos: “Sabemos que a lei é divina; mas eu sou humano e fraco e fui vendido ao pecado para ser seu escravo. Eu não entendo o que faço, pois não faço o que gostaria de fazer. Pelo contrário, faço justamente aquilo que odeio. Se faço o que não quero, isso prova que reconheço que a lei diz o que é certo... Assim eu sei que o que acontece comigo é isto: quando quero fazer o que é bom, só consigo fazer o que é mau. Dentro de mim eu sei que gosto da lei de Deus. Mas vejo uma lei diferente agindo naquilo que faço, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo. Como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?” (Rm 7.14-16,21-24).

A Lei de Deus exige santidade perfeita; ela não aceita nada menos que o padrão do “Cordeiro Imaculado”.

No tempo de João Batista, o batismo tornou-se uma nova exigência legal de Deus para o povo. Embora Jesus não tivesse pecado, Ele se submeteu a essa exigência. Por quê? Porque, como o novo Adão, Ele precisava cumprir cada requisito que Deus impôs aos homens. Onde os pecadores falham em obedecer, Jesus precisava triunfar.

Onde a Lei de Deus nos condena, o Evangelho nos apresenta Jesus como nosso substituto. O batismo de Jesus é o Evangelho em ação antes mesmo da cruz.

Quando João Batista proclamou “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1.29), identificou àquele que cumpriria o sistema sacrificial previsto por Deus e o Evangelho é isto: Jesus, o único que cumpriu a Lei, assume o lugar dos que a quebraram.

Jesus não foi batizado para ser purificado, ao contrário, Jesus se solidarizou com os pecadores. O ministério de Jesus foi inteiramente vicário; Jesus viveu a vida que deveríamos ter vivido e, mais tarde, morreria a morte que deveríamos ter morrido.

Vicário” significa “em lugar de outro”. Jesus não foi batizado por si mesmo; Ele foi batizado como o Novo Adão, representando a humanidade. Ele tomou sobre Si a nossa obrigação perante a Lei.

A abertura dos céus e a voz do Pai (Mt 3.17) são o veredito final de Deus sobre a obra de Cristo. Diferente de nós, de quem a Lei diz “Este falhou”, de Jesus o Pai disse: “Em quem me comprazo”, ou seja, em quem realizo minha obra redentora. Toda a Trindade se manifesta para selar o início da redenção. O Pai fala, o Espírito unge e o Filho obedece. Toda a Trindade está empenhada na nossa redenção. Por isso, ainda hoje somos batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo (Mt 28.19-20).

Ao ser batizado para se cumprir toda justiça, era como se Jesus estivesse proclamando: “Eu farei tudo o que a Lei exige, para que eles recebam tudo o que o Evangelho oferece”.

Quão agraciados somos por Jesus ter cumprido cada “i” e cada “til” da Lei e que Ele é o cordeiro de Deus que cumpriu toda a justiça. Louvemos a Deus por nos conceder essa justiça por seus meios da graça (batismo, pregação e Santa Ceia). Amém

Edson Ronaldo Tressmann

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Segredo revelado (Ef 3.1-12)

04 de janeiro

Epifania do Senhor

Salmo 72.1-11; Isaías 60.1-6; Efésios 3.1-12; Mateus 2.1-12

Texto: Efésios 3.1-12

Tema: Segredo revelado.

 

Epifania é tempo de revelação do mistério.

Paulo, apóstolo de Cristo, inicia este capítulo revelando a razão de sua oração e prisão: “Por essa razão eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vocês, gentios...”. Qual é a razão da oração? A resposta está nos capítulos 1 e 2 dessa carta.

A grande transformação é a chave. Afinal, os gentios, antes “espiritualmente mortos” e “longe de Deus”, agora estavam “espiritualmente vivos”, “perto” e “parte da família de Deus”. É por essa maravilhosa obra da graça de Deus que Paulo se vê como um servo, preso, com a missão de anunciar o evangelho.

O objetivo do seu ministério, como afirma em Efésios 3.2, é o “bem” das pessoas. A pregação do evangelho, mesmo que custosa, é a forma de Deus revelar seu plano de salvação a todos.

No tempo de Paulo, as pessoas buscavam “mistérios” com grande fervor. Muitos que se converteram ao cristianismo vinham de cultos esotéricos e ocultistas. No entanto, o apóstolo afirma que o verdadeiro “plano secreto” já foi revelado por Deus a ele.

Para que os cristãos da Ásia Menor pudessem entender esse mistério, Paulo os instrui a ler a carta. Essa revelação não é uma experiência mística e individual, mas algo que Deus “agora, por meio do seu Espírito, revelou aos seus santos apóstolos e profetas” (Efésios 3.5).

A Bíblia, a Palavra escrita pelos apóstolos (Novo Testamento) e profetas (Antigo Testamento), é a fonte completa da revelação de Deus. Não precisamos de outra revelação.

Qual é o grande segredo?

O segredo é este: por meio do evangelho os não judeus participam com os judeus das bênçãos divinas. Eles são membros do mesmo corpo e participam da promessa que Deus fez por meio de Cristo Jesus” (Efésios 3.6).

O evangelho rompe a barreira que separava judeus e gentios, tornando-os um só corpo em Cristo, participantes das promessas divinas.

Paulo descreve sua própria posição no ministério com a mais profunda humildade: “Eu sou menos do que o menor de todos os que pertencem a Deus” (Efésios 3.8). A palavra original traduzida como “menos do que o menor” é encontrada apenas aqui no Novo Testamento e expressa a convicção de que ele, por ter perseguido a igreja no passado, não era digno de ser contado entre os santos.

O apóstolo Paulo ao usar a expressão elachistoteros, além de expressar humildade, expressa também uma confissão de pecados. Em Cristo, o apóstolo Paulo tinha um profundo senso de pecaminosidade, de forma especial da época em que perseguia a igreja. Aos coríntios escreveu: “...eu sou o menos importante dos apóstolos e até nem mereço ser chamado de apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1Co 15.9).

A igreja, agora formada por judeus e gentios, é o instrumento pelo qual a sabedoria de Deus se torna conhecida não apenas na terra, mas também no mundo celestial. É a demonstração do propósito eterno de Deus, realizado em Cristo Jesus. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Mateus, leitor e intérprete do Antigo Testamento para 2026

 Primeiro Domingo após Natal

28 de Dezembro 2025

Salmo 111; Isaías 63.7-14; Gálatas 4.4-7; Mateus 2.13-23

Texto: Mateus 2.13-23

Tema: Mateus, leitor e intérprete do Antigo Testamento para 2026.

 

          O Antigo Testamento era a Bíblia lida pelos evangelistas, cristãos e apóstolos. Há cerca de 350 citações diretas do Antigo Testamento, como alguns versos são repetidos, há 400 citações. Entre os 39 livros do Antigo Testamento, apenas cinco, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes e Cânticos, não são citados versículos no Novo Testamento. Jesus citou 24 livros diferentes do Antigo Testamento.

          Para esse ano eclesiástico (série trienal A), temos a oportunidade de ler o Antigo Testamento assim como o evangelista Mateus o leu. Na pericope da nossa reflexão (Mt 2.13-23), Mateus enumera por duas (2) vezes que palavras do Antigo Testamento estavam se cumprindo e uma (1) vez enumera um fato ocorrido no Antigo Testamento para trazer consolo e exortação.

          Nesse último domingo desse ano de 2025, temos para nossa reflexão, o episódio da fuga de José e Maria com o menino Jesus e uma chacina. Esse episódio ensina como Deus age, mesmo em meio a toda suposta esperteza humana.

          Após a visita dos magos, o anjo, possivelmente o mesmo que deu a notícia de que a gravidez de Maria era obra do Espírito Santo, apareceu em sonho e recomendou a fuga para o Egito. Quem já teve um bebê sabe a dificuldade que é viajar com uma criança pequena.

          Se em dias de carros potentes, asfalto e inúmeros pontos de parada, já é difícil uma viagem com um bebê, imagina, naquela época. Não se tratava de uma viagem rápida. Na época, a rota comercial comum de Belém ao Egito era de aproximadamente 300 a 400 km (cerca de 10 a 14 dias de viagem pesada).

          Não há relato bíblico sobre os incômodos da viagem e a vida no Egito que perdurou por cerca de 4 anos. É possível que, o ouro, a mirra e o incenso ajudaram a financiar as necessidades materiais da família durante a viagem ao Egito e depois nos anos subsequentes de estadia no Egito.

          O ouro, o mais valioso de todos os metais preciosos, era moeda padrão da época (At 3.4-6; Mt 10.9). O incenso e a mirra, resinas aromáticas, usadas na adoração por causa de suas propriedades intensamente perfumadas, eram especiarias caríssimas e davam um bom dinheiro.

          O evangelista Mateus destaca que a fuga para o Egito era para se cumprir as palavras do profeta Oséias (Os 11.1). O profeta Oséias fez referência as palavras que Deus transmitiu para Moisés e por ele falou para o Faraó (Ex 4.22).

Por essas palavras, Deus destacava seu relacionamento com a nação de Israel. Por amor a Israel, Deus resgatou o seu povo da escravidão. O evangelista Mateus cita o profeta Oséias para destacar que assim como Israel é o filho escolhido de Deus, Jesus é o filho de Deus que veio tirar a humanidade da condenação imposta pelo pecado.

          O anúncio que Moisés foi incumbido de dar para Faraó: “Israel é o meu primeiro filho” (Ex 4.22) mostra que apesar de parecer que Faraó tivesse domínio, tudo estava nas mãos de Deus. Deus estava anunciando que Israel não era um filho órfão.

          Faraó que parecia ter domínio sob o povo de Deus, não tinha. Através das Dez pragas, Deus foi destronando um a um dos deuses egípcios. César Augusto parecia ter domínio sob o povo de Deus através do domínio Romano. Na verdade, foi exatamente o seu edito que conduziu José e Maria para Belém. Era lá que Jesus deveria nascer (Mt 2.6; Mq 5.2) conforme anunciado pela Escritura através do profeta Miquéias.

          Tal como o Faraó, Herodes amava o poder e se dizia invencível. Assassinou esposas e filhos para que seu trono não fosse reivindicado. Qualquer coisa que ameaçasse seu trono era rapidamente eliminada. E é exatamente esse homem cruel e destemido que ao receber a visita dos magos e por eles ouviu que havia nascido o Rei dos Judeus (Mt 2.2), estranhamos sua não reação imediata.

          A cavalo, a viagem entre Jerusalém e Belém era de apenas uma hora. É incompreensível como José e Maria com o menino Jesus conseguiram fugir para o Egito.

          Essas ponderações levam a conclusão de que Deus é o dono da história. Não importa o quão poderoso alguém se diz ser. Assim como por seu filho Israel, Deus foi destronando o Faraó, da mesma forma, por seu Filho Jesus, e por seus filhos que somos nós, Deus agiu e conduziu em segurança José, Maria e o bebê Jesus até o Egito.

          Herodes, um homem astuto, se tornou um tolo diante da ação de Deus. Ainda hoje é assim, Deus age, por mais que governantes e reinos se julguem astutos. A vontade de Deus sempre prevalece, mesmo sem a nossa compreensão.

          Enquanto Herodes quis matar Jesus, Deus, que enviou seu Filho para viver e morrer apenas na cruz para resgatar o pecador. Deus age por sua vontade para redimir a humanidade.

          Para realizar seu plano Redentor, eventos trágicos ocorreram. Herodes, tomado pela raiva de ter sido enganado pelos magos, mandou matar cerca de 20 bebês menores de dois anos naquelas redondezas. Apesar da perplexidade do ocorrido, a crueldade de Herodes era tanta, que Josefo, um historiador do primeiro século que escreveu sobre suas crueldades, nem sequer mencionou esse fato.

          Na descrição dessa tragédia, o evangelista Mateus recorda as palavras do profeta Jeremias referente aos filhos de Deus (Jr 31.15) para lembrar de Raquel, a mãe de José e Benjamim. Com isso surge a recordação do quanto Jacó chorou a morte de José, que não estava morto. José que foi vendido como escravo ao Egito, acabou se tornando governador desse país. Anos após sua venda, Benjamim, o filho caçula e amado por Jacó, serviu de instrumento de resgate para a família se livrar da fome e se estabelecer no Egito.

          Quando Mateus recorda as palavras do profeta Jeremias que nos conduzem a Gênesis, o profeta enumera o choro e a restauração. Dessa forma, Mateus estava consolando seus leitores destacando que enquanto há choro pelas crianças assassinadas, a mando de Herodes, uma obra de esperança estava acontecendo na fuga de José e Maria com o menino Jesus.

          O texto recordado por Mateus, descrito em Jeremias 31, fala sobre o retorno do exílio Babilônico e ao citar o choro de Raquel, o evangelista está dizendo: “a dor é real, mas o fim da história é a restauração”.

          Em 2025, muitos podem ter “chorado como Raquel” por perdas. Todavia, enquanto Herodes causava o choro, Deus, em Jesus estava preparando a consolação final.

          Os eventos ocorridos naqueles dias e em todos os outros, inclusive os acontecimentos dos nossos dias, está sob a supervisão de Deus. Adentraremos num novo ano, todavia, o futuro que aguardamos, o novo ano que almejamos, está sob a supervisão de Deus. Nessa certeza e esperança é que iniciamos um novo ano.

          O povo de Israel ao ser libertado da escravidão do Egito, não sabia o caminho, seguia a nuvem durante o dia e durante a noite eram amparados pela coluna de fogo. José e Maria não tinham um mapa para o Egito, todavia, tinham a Palavra de Deus.

          Não precisamos ver o mapa de 2026. Precisamos apenas ouvir o que Deus nos diz e sermos guiados por sua Palavra. Herodes morreu (Mt 2.19), mas Jesus vive. Mesmo após sua morte na cruz, Jesus ressuscitou. Ele vive! Amém

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

“...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21)

 21 de dezembro 2025

Quarto Domingo de advento

Salmo 24; Isaías 7.10-17; Romanos 1.1-7; Mateus 1.18-25

Texto: Mateus 1.18-25

Tema:...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21)

 

          Sempre houve e há situações conflitantes, cheias de tensão. Viver em tais situações causa ansiedade, estresse, depressão.

          Desde o primeiro Natal, essa festa é envolvida de tensão. Vivemos na tensão atual entre o verdadeiro significado da festa e a pressão da sociedade moderna referente ao consumismo. Há a tensão social e familiar do Natal, onde tudo se resume a uma reunião de pessoas.

          Tensão é uma palavra que resume bem o tempo do Natal em todos os sentidos. Olhando para os eventos que antecedem o nascimento de Jesus, observamos momentos de tensão.

          José estava noivo de Maria e estar noivo era como estar casado. As bodas era o evento em que o noivo buscava a noiva para casa. Se houvesse interrupção do noivado, era necessário realizar o divórcio.

          Sendo que José estava praticamente casado com Maria, ao saber da sua gravidez sem ter tido relação com ela, passou a viver uma grande tensão advinda da questão: como era possível que Maria estivesse grávida?

          Conforme apontamento do evangelista Mateus, José era um homem justo. A luz do Antigo Testamento isso significava que José era um homem temente a Deus e que amava a Lei de Deus. Pelo que se nota no texto, José também amava Maria. Assim, amando a Lei de Deus e amando Maria, passou a viver uma tensão.

          Como José iria proceder? Pela Lei de Deus, Maria deveria ser apedrejada, mas, por ser filha de sacerdote, a pena era agravada e Maria deveria ser morta por fogo, sendo colocado chumbo derretido em sua garganta. Devido ao domínio Romano, essas penas eram executadas pelos romanos sob pressão dos judeus.

          Por amor a Maria, José não desejava que tal situação ocorresse para Maria, por isso Mateus registra: “José, com quem Maria ia casar, era um homem que sempre fazia o que era direito. Ele não queria difamar Maria e por isso resolveu desmanchar o contrato de casamento sem ninguém saber” (Mt 1.19).

          Por amor a Lei de Deus, José precisava se divorciar de Maria. Todavia, José não queria que Maria fosse ferida pela morte, por isso, tinha duas opções:

          1 - o caminho público: por essa via, todos iriam saber e Maria sofreria as consequências trágicas;

          2 – enviar uma carta de divórcio em particular e resolver secretamente a situação e assim safar Maria de qualquer punição advinda da Lei;

          José estava ferido na alma devido as suas dúvidas e inquietação. Estava envolvido numa tensão. E José, por amor a Maria estava resolvido em seu coração que procederia de maneira discreta e interna com a família para resolver a situação.

          Em meio a sua tensão pessoal, Deus resolve a inquietação de José por meio de um recado dado durante o sono por um anjo: “Enquanto José estava pensando nisso, um anjo do Senhor apareceu a ele num sonho e disse: — José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.20).

          No relato bíblico, temos duas pessoas religiosas, Maria e José. Ambos estão enfrentando uma verdadeira tensão. A tensão de Maria era sobre quem iria acreditar que essa gravidez era obra do Espírito Santo. Temos a tensão de José, ferido em sua masculinidade. Mas, o recado do anjo para José, resolve tanto a tensão de Maria quanto a de José.

          Ao ouvir a notícia de que a gravidez de Maria era obra do Espírito Santo, José se vê na execução de uma obra divina. Essa obra divina tem um propósito que é revelado no nome do Filho, Jesus.

          Note que, além do anjo trazer a notícia que resolve a tensão de José, trouxe também o laudo do ultrassom: é um menino. E esse menino é Filho de Deus, mas você precisa assumi-lo como seu filho e lhe dar o nome de Jesus, você declarará sua verdadeira missão: “pois ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

          O que temos aqui é exuberante!

          O judaísmo no qual Maria e José foram criados, judaísmo daquela geração, compreendiam que Jesus, o Messias, era àquele que criaria uma classe diferente de pessoas. Entendiam que os pecadores seriam ceifados e aniquilados e somente os justos reinariam. O judaísmo não conseguia compreender o perdão dos pecados através do sacrifício de Jesus na cruz. Por essa razão, conforme narra o evangelista João Marcos, a família de Jesus achava que ele estava louco (Mc 3.20-21).

          Enquanto o mundo daquela época esperava um Messias que aniquilasse os pecadores, Deus enviou um Messias que morreria pelos pecadores. Isso mudou tudo!

          A festa do Natal ainda se dá em meio a tensão. Ainda há pessoas que não conseguem perceber que Natal é uma festa em que se celebra àquele que veio para salvar dos pecados.

          O nome Jesus significa, auxílio, cura, salvação. Em Jesus, temos Deus trazendo e oferecendo a salvação.

          Enquanto José, em sua tensão, recebeu a notícia do anjo e creu na mensagem de que Maria estava “grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.20), podemos destacar que ao receber a notícia sobre Jesus e sua obra redentora, só é possível crer pelo poder do mesmo Espírito Santo que envolveu Maria e a engravidou.

          Natal é uma festa de uma mensagem especial: “pois ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Você tem pecados? Tem pessoas que parecem não ter nenhum pecado, se julgam melhores e quando veem outros cometendo um pecado, rapidamente julgam-na e a condenam.

          Natal é a festa onde lembramos o perdão de Deus naquele que nasceu na manjedoura. Em meio a tensão de José, onde parecia que Maria havia cometido um pecado de adultério, recebeu a notícia para assumir a paternidade do Filho de Deus, “pois ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

          Jesus é o salvador do pecador. A alegria do Natal está no perdão concedido em Jesus ao pecador. Não é fácil assumir pecados. Todavia, foi por minha causa que Jesus nasceu.

          É Natal!

          Uma festa onde o pecador encontra o Salvador dos seus pecados.

          Celebro o Natal, porque sei que sou pecador que preciso de perdão.

          As crianças são incentivadas a escrever uma carta para o Papai Noel pedindo um presente. Agora, após ouvir essa mensagem, sugiro que você escreva uma carta pedindo o verdadeiro presente do Natal, o perdão de Jesus.

          Tal como em meio a tensão de José, o anjo proclamou “...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Lc 1.21), a igreja continua a proclamar a respeito da salvação oferecida por Jesus em meio a tensão de querer fazer para merecer a salvação.

          O Natal não é sobre sermos “perfeitos” ou “melhores que os outros”, é sobre reconhecermos que precisamos de perdão, afinal, “...ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Amém

 

 

Edson Ronaldo Tressmann

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Felizes os espiritualmente pobres com a mensagem da cruz!

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