01 de março de 2026
Segundo
domingo na Quaresma
Salmo
121; Gênesis 12.1-9; Romanos 4.1-8,13-17; João 3.1-17
Texto:
A Palavra que cria o futuro do nada
Tema: Gênesis
12.1-9
O
texto anterior a esse narra o evento catastrófico que foi a Torre de Babel. Os construtores
tentavam fazer um “nome” para si
mesmo através do seu esforço. Em Gênesis 12, vemos Deus escolher um homem de
uma família de idólatras (Josué 24.2) para que o nome de Deus fosse ofertado
para todas as nações.
Segundo
a análise gramatical de Keil & Delitzsch, o imperativo Lekh-lekha (“Sai
de ti” ou “Vai-te")
não é apenas uma ordem geográfica, mas uma separação radical.
Deus
não escolheu Abrão porque ele era piedoso; Deus se mostra piedoso em escolher
Abrão. O que podemos perceber aqui é a creatio
ex nihilo (criação do nada de Gênesis 1 e 2) aplicada
à história de um homem.
A expressão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai”
é para Abrão um Lei. Isso representava uma sentença de morte social. Deus pede
para ele deixar todas as suas redes de segurança. Vá para um lugar, onde você
não terá amparo familiar. É como deixar a sua autoconfiança. É bom estar perto
da família, afinal, qualquer problema se tem para onde correr. A ordem divina
visava que Abrão ficasse sem nada onde se segurar, a não ser a promessa de Deus.
Após esse comando, temos sete
promessas e sem condicional (Gn 12.2-3).
Seus descendentes vão formar uma grande nação.
Eu o abençoarei,
O seu nome será famoso,
Você será uma bênção para os outros.
Abençoarei os que o abençoarem
Amaldiçoarei os que o amaldiçoarem.
Por meio de você eu abençoarei todos os povos do mundo.
As
promessas são puro evangelho. Deus não disse que se Abrão fizesse isso ou
aquilo. Deus assume a inteira responsabilidade da felicidade de Abrão.
Abrão é exemplo de uma fé
justificadora no sentido de ir sem saber para onde iria (Hb 11.8). Abrão troca
o visível (família e segurança) pelo invisível (Promessa).
Pela lógica, Abrão era um tolo. Deixar
família e segurança social por uma incógnita. Todavia, Abrão creu que Deus é
fiel as suas promessas. O ir
de Abrão é um movimento natural de alguém que foi cativado pela voz de Deus. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm
10.17).
Esse chamado de Deus a Abrão nos
conduz para uma questão reflexiva: Você teria
coragem de deixar suas bênçãos para ir em busca de outras?
“Abrão tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã, como o Senhor
havia ordenado” (Gn 12.4).
Observe
que Abrão partiu, e sua partida não foi por má vontade, foi pelo fato de Deus
ter falado. O motor da história é a Palavra de Deus, tal como na criação, onde
Deus falava e as coisas aconteciam.
Keil
& Delitzsch observam que Abrão atravessa a terra onde
“estavam então os cananeus”. Ou seja,
Abrão era um estrangeiro em terra hostil. E mesmo assim, Abrão não constrói uma
fortaleza para se proteger, ele constrói um altar. Abrão não se defende com
armas, sua defesa e certeza é a promessa do cuidado de Deus. O altar significa
que o Reino de Abrão é outro.
A promessa “por meio de você eu abençoarei todos os povos do mundo” (Gn
12.3) aponta diretamente para Jesus Cristo.
Gênesis 12 não se trata de como ser um
“bom viajante”, mas, como um Deus
misericordioso justifica o ímpio e vem em busca dele quando o mundo parece ter
se tornado um caos. E esse Deus misericordioso que chama, guia por caminhos que
só ele conhece.
A fé é um abraço nas promessas, em
especial na promessa que é Jesus. Amém
Edson
Ronaldo Tressmann
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