Quinto Domingo após Pentecostes
08
de fevereiro
Salmo
112.1-9; Isaías 58.3-9; 1Coríntios 2.1-12; Mateus 5.13-20
Texto:
Mateus 5.13-20
Tema: Um
tesouro particular: sal e luz (Mt 5.13,14)
Reconhecido
como o grande intérprete do Antigo Testamento entre os evangelistas, Mateus
incorpora 60 citações diretas em seu texto. Contudo, sua intertextualidade vai
além, alcançando 130 referências quando somados os relatos e vocábulos
extraídos da tradição hebraica.
O
objetivo é elencar Jesus como intérprete e cumprimento das profecias do Antigo
Testamento. O evangelho de Mateus, tal como o Pentateuco (5 primeiros livros e
os cinco discursos de Moisés em Deuteronômio), descreve cinco discursos de
Jesus.
Mateus
5.3 – 7.27: O sermão do monte.
Mateus
10.5-42: O apostolado cristão.
Mateus
13.3-52: O reino dos céus.
Mateus
18.3-35: A vida da comunidade cristã.
Mateus
24.4 – 25.46: O final dos tempos.
Ter
essa percepção, de que o evangelista Mateus conecta Jesus ao Pentateuco, é como
ouvir as palavras do profeta Malaquias (Ml 3.17) e as palavras do apóstolo
Paulo na carta aos Gálatas (Gl 4.7), que podemos parafrasear da seguinte
maneira: “vocês não são mais escravos do Egito
(do pecado) (Gl 4.7); vocês são o segullah
de Deus, seu tesouro particular” (Ml 3.17), referência a Ex 19.5 e
Dt 7.6.
No
hebraico, segullah é uma palavra que faz referência ao tesouro
pessoal de um rei. É algo guardado com muito zelo. Mas, há um segredo sobre
esse tesouro. Ele não foi feito para ficar trancado num cofre. O tesouro de
Deus é uma ferramenta de transformação. Jesus olha para pessoas comuns e diz: “vocês são o sal da terra e a luz do mundo”, ou
seja, o tesouro usado por Deus para transformar o mundo.
Ao
libertar seu povo de escravidão, conforme descrito em Êxodo, Deus proclama a
identidade da sua nação. E, Mateus, ao escrever o sermão do monte de Jesus,
destaca a identidade da comunidade de Jesus. Ao dizer que os seus são sal e
luz, Jesus fala sobre identidade e influência.
A
identidade do povo de Deus não apenas um privilégio e status pessoal. A
razão de ser povo de Deus é para um propósito peculiar. E a novidade proclamada
por Jesus no sermão do monte é que, enquanto no Pentateuco, apenas a linhagem
de Arão era separada para o serviço, “ser o sal”
mostra uma democratização
do sagrado.
-
Os escribas e fariseus agiam e atuavam como se detivessem o monopólio da
luz;
-
Jesus coloca a “lâmpada” nas mãos do
pescador, do cobrador de impostos e da viúva;
-
No seu município, a transformação não virá apenas de grandes eventos
religiosos, mas do “sal” que está na
prefeitura, na escola, na oficina e no comércio;
Ser sal significa exercer uma presença
discreta no mundo. O sal só é notado quando falta. Quando falta sal, a comida
não oferece todo seu sabor.
No
mundo antigo o sal tinha duas funções:
preservar (impedir a podridão) e,
temperar (dar sabor).
Atualmente
se perdeu o uso do sal como preservação por causa das geladeiras e freezers.
Dizer
que o cristão é sal, é destacar que é uma propriedade de Deus, cuidada por
Deus, e tal como tesouro de Deus, é usado para auxiliar na preservação de
outros para que encontrem o caminho e sejam salvos.
O povo de propriedade exclusiva de Deus
é sal para este mundo, utilizado para temperar o ambiente no
qual está inserido.
Ser luz, significa manifestar-se
visivelmente para os que estão na escuridão e caminhem em direção a luz.
O
exemplo de uma cidade sob um monte que não pode ser escondida é uma
recomendação para que a identidade do povo de Deus seja pública e não fique
oculta.
Assim como o sal não salga a si mesmo,
a luz não brilha para si mesma. Não podemos ser igreja para nós
mesmos.
A luz
são as boas obras. Essas boas obras mostram qual é a nossa identidade. Quando antes
dessas palavras, Jesus disse que, felizes são os humildes, os que choram, os
que suportam sofrimentos, destaca que os filhos de Deus só vivem assim, por
saberem que o Pai recomenda e ensina a viver assim. É um tipo de vida que não busca
aplausos tal como os religiosos da época buscavam.
Só sente a importância da luz quando a
lâmpada está queimada. Todavia, enquanto há luz, ninguém agradece a lâmpada ou a aplaude.
Ser sal e luz é oferecer para o mundo
uma identidade e exercer influência.
Nosso
município não precisa de pessoas religiosas, afinal, há muitas. O que as
pessoas do nosso município precisam é do tesouro de Deus, ou, daqueles que
atuem como sal e luz: ardendo na ferida para proporcionar a cura e sendo uma
luz brilhante para direcionar e trazê-la em segurança para Cristo.
Dizer
que se é sal e luz é espetacular, pois, no Pentateuco,
apenas a linhagem de Arão era separada para o serviço direto no tabernáculo. Em
Jesus Cristo, todos são declarados como agentes de identidade e influência pelas
vocações diárias, em mansidão, misericórdia e pureza.
Ser sal e luz é um propósito missionário.
Ser sal e luz não é algo apenas do pastor, senão seria como no Antigo
Testamento onde apenas os descendentes de Arão eram. Ser sal e luz é uma honra para
todos.
Pelo
salgar do sal e pela luz das lâmpadas, as pessoas irão
glorificar o Pai Celestial (Mt 5.16).
Ser
sal e luz significa que sou agraciado pelo
chamado, sou qualificado para servir o mundo e assim, o mundo glorificará o Pai
Celestial.
Por que
ser sal e luz? Não para ser aplaudido.
Ninguém
olha para uma comida saborosa e elogia o sal. Ninguém entra em uma sala
iluminada e fica encarando a lâmpada com gratidão. As pessoas apenas desfrutam
do sabor e enxergam os objetos sob a luz.
Deus
em Jesus, resgatou você, fez e faz de você seu tesouro particular e o lança no
mundo para salgar e iluminar. Seja sal, traga esperança. Seja luz, aponte o caminho que é Jesus Cristo. O seu
chamado é para impactar as pessoas sobre um Deus que ama pessoalmente e
individualmente. Amém
Edson
Ronaldo Tressmann