segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Um tesouro particular: sal e luz (Mt 5.13,14)

 Quinto Domingo após Pentecostes

08 de fevereiro

Salmo 112.1-9; Isaías 58.3-9; 1Coríntios 2.1-12; Mateus 5.13-20

Texto: Mateus 5.13-20

Tema: Um tesouro particular: sal e luz (Mt 5.13,14)

 

Reconhecido como o grande intérprete do Antigo Testamento entre os evangelistas, Mateus incorpora 60 citações diretas em seu texto. Contudo, sua intertextualidade vai além, alcançando 130 referências quando somados os relatos e vocábulos extraídos da tradição hebraica.

O objetivo é elencar Jesus como intérprete e cumprimento das profecias do Antigo Testamento. O evangelho de Mateus, tal como o Pentateuco (5 primeiros livros e os cinco discursos de Moisés em Deuteronômio), descreve cinco discursos de Jesus.

Mateus 5.3 – 7.27: O sermão do monte.

Mateus 10.5-42: O apostolado cristão.

Mateus 13.3-52: O reino dos céus.

Mateus 18.3-35: A vida da comunidade cristã.

Mateus 24.4 – 25.46: O final dos tempos.

Ter essa percepção, de que o evangelista Mateus conecta Jesus ao Pentateuco, é como ouvir as palavras do profeta Malaquias (Ml 3.17) e as palavras do apóstolo Paulo na carta aos Gálatas (Gl 4.7), que podemos parafrasear da seguinte maneira: “vocês não são mais escravos do Egito (do pecado) (Gl 4.7); vocês são o segullah de Deus, seu tesouro particular” (Ml 3.17), referência a Ex 19.5 e Dt 7.6.

No hebraico, segullah é uma palavra que faz referência ao tesouro pessoal de um rei. É algo guardado com muito zelo. Mas, há um segredo sobre esse tesouro. Ele não foi feito para ficar trancado num cofre. O tesouro de Deus é uma ferramenta de transformação. Jesus olha para pessoas comuns e diz: “vocês são o sal da terra e a luz do mundo”, ou seja, o tesouro usado por Deus para transformar o mundo.

Ao libertar seu povo de escravidão, conforme descrito em Êxodo, Deus proclama a identidade da sua nação. E, Mateus, ao escrever o sermão do monte de Jesus, destaca a identidade da comunidade de Jesus. Ao dizer que os seus são sal e luz, Jesus fala sobre identidade e influência.

A identidade do povo de Deus não apenas um privilégio e status pessoal. A razão de ser povo de Deus é para um propósito peculiar. E a novidade proclamada por Jesus no sermão do monte é que, enquanto no Pentateuco, apenas a linhagem de Arão era separada para o serviço, “ser o sal” mostra uma democratização do sagrado.

- Os escribas e fariseus agiam e atuavam como se detivessem o monopólio da luz;

- Jesus coloca a “lâmpada” nas mãos do pescador, do cobrador de impostos e da viúva;

- No seu município, a transformação não virá apenas de grandes eventos religiosos, mas do “sal” que está na prefeitura, na escola, na oficina e no comércio;

Ser sal significa exercer uma presença discreta no mundo. O sal só é notado quando falta. Quando falta sal, a comida não oferece todo seu sabor.

No mundo antigo o sal tinha duas funções:

preservar (impedir a podridão) e,

temperar (dar sabor).

Atualmente se perdeu o uso do sal como preservação por causa das geladeiras e freezers.

Dizer que o cristão é sal, é destacar que é uma propriedade de Deus, cuidada por Deus, e tal como tesouro de Deus, é usado para auxiliar na preservação de outros para que encontrem o caminho e sejam salvos.

O povo de propriedade exclusiva de Deus é sal para este mundo, utilizado para temperar o ambiente no qual está inserido.

Ser luz, significa manifestar-se visivelmente para os que estão na escuridão e caminhem em direção a luz.

O exemplo de uma cidade sob um monte que não pode ser escondida é uma recomendação para que a identidade do povo de Deus seja pública e não fique oculta.

Assim como o sal não salga a si mesmo, a luz não brilha para si mesma. Não podemos ser igreja para nós mesmos.

A luz são as boas obras. Essas boas obras mostram qual é a nossa identidade. Quando antes dessas palavras, Jesus disse que, felizes são os humildes, os que choram, os que suportam sofrimentos, destaca que os filhos de Deus só vivem assim, por saberem que o Pai recomenda e ensina a viver assim. É um tipo de vida que não busca aplausos tal como os religiosos da época buscavam.

Só sente a importância da luz quando a lâmpada está queimada. Todavia, enquanto há luz, ninguém agradece a lâmpada ou a aplaude.

Ser sal e luz é oferecer para o mundo uma identidade e exercer influência.

Nosso município não precisa de pessoas religiosas, afinal, há muitas. O que as pessoas do nosso município precisam é do tesouro de Deus, ou, daqueles que atuem como sal e luz: ardendo na ferida para proporcionar a cura e sendo uma luz brilhante para direcionar e trazê-la em segurança para Cristo.

Dizer que se é sal e luz é espetacular, pois, no Pentateuco, apenas a linhagem de Arão era separada para o serviço direto no tabernáculo. Em Jesus Cristo, todos são declarados como agentes de identidade e influência pelas vocações diárias, em mansidão, misericórdia e pureza.

Ser sal e luz é um propósito missionário. Ser sal e luz não é algo apenas do pastor, senão seria como no Antigo Testamento onde apenas os descendentes de Arão eram. Ser sal e luz é uma honra para todos.

Pelo salgar do sal e pela luz das lâmpadas, as pessoas irão glorificar o Pai Celestial (Mt 5.16).

Ser sal e luz significa que sou agraciado pelo chamado, sou qualificado para servir o mundo e assim, o mundo glorificará o Pai Celestial.

          Por que ser sal e luz? Não para ser aplaudido.

Ninguém olha para uma comida saborosa e elogia o sal. Ninguém entra em uma sala iluminada e fica encarando a lâmpada com gratidão. As pessoas apenas desfrutam do sabor e enxergam os objetos sob a luz.

Deus em Jesus, resgatou você, fez e faz de você seu tesouro particular e o lança no mundo para salgar e iluminar. Seja sal, traga esperança. Seja luz, aponte o caminho que é Jesus Cristo. O seu chamado é para impactar as pessoas sobre um Deus que ama pessoalmente e individualmente. Amém

Edson Ronaldo Tressmann

Um tesouro particular: sal e luz (Mt 5.13,14)

  Quinto Domingo após Pentecostes 08 de fevereiro Salmo 112.1-9; Isaías 58.3-9; 1Coríntios 2.1-12; Mateus 5.13-20 Texto: Mateus 5.13-...