segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

O perdão restaura (Gn 45.3-15)

 23 de fevereiro de 2025

Sétimo Domingo após Epifania

Salmo 103.1-13; Gênesis 45.3-15; 1Coríntios 15.21-26,30-42; Lucas 6.27-38

Texto: Gn 45.3-15

Tema: O perdão restaura 

 

No dia 30/10/2024, na revista eletrônica OGlobo trouxe uma reportagem com o seguinte título: 'Corvos morrem, mas o ódio não': entenda como as aves ensinam filhotes a perpetuarem rancor e vinganças.

Um estudo da Universidade de Washington comprovou que essas aves são capazes de reconhecer pessoas eleitas como inimigas do bando e passaram a atacá-los sempre que possível.

O ódio, inclusive, é multigeracional. Quando um bando de corvos escolhe alguém como perigoso, sua ira pode ser alarmante, inclusive, conforme pesquisa realizada pelos americanos, evidenciou que os ataques a pessoas especificas chegam a durar 17 anos. Os corvos são considerados os “reis do rancor”.

Os corvos se comportam de modo específico para que os filhotes compreendam quem sempre deve ser atacado.

Será que eu me assemelho a um corvo?

O episódio narrado em Gênesis 45 mostra José revelando sua identidade aos seus irmãos que 22 anos antes o havia vendido para os ismaelitas como escravo.

A família que foi destroçada pela venda do irmão e a mentira de que José havia sido devorado por um animal, trouxe luto para o pai e um segredo a ser guardado entre os irmãos.

Gênesis 45 mostra uma família que agora estava por se reunir novamente pelo perdão e reconciliação.

José soube perdoar devido alguns motivos:

- Soube que Deus esteve cuidando de tudo, mesmo em meio a maldade dos seus irmãos;

- José compreendeu que Deus o enviou para o Egito (Gn 45.7-8) para salvar a vida de muita gente (Gn 50.20), de forma especial, o povo do qual nasceria Jesus (tribo de Judá).

José compreendia a fidelidade de Deus quanto a promessa de salvação que havia feito para Abraão (Gn 12), por essa razão, usou a expressão “Deus me enviou na frente de vocês a fim de que ele, ... garantisse que teriam descendentes” (Gn 45.7).

Deus usou o Egito, sua riqueza e fartura para preservar seu povo e garantir que eles fossem uma grande nação.

Aquele garoto fraco, vendido pelos irmãos, agora era o segundo homem mais poderoso do Egito. Poderia ter feito o que quisesse, e vendo que os irmãos haviam mudado de postura (Gn 44.30-34), José se identificou e proclamou sobre eles o seu perdão.

A vida de José foi marcada pelo perdão. Diante da acusação da esposa de Potifar, José não se defendeu ou culpou ela da armadilha (Gn 39.19-20). Ao se revelar aos seus irmãos não os considerou culpado, considerou tudo como um plano de Deus para preservar o povo do qual viria o descendente para salvação.

Com a história de José aprendemos que o perdão é um processo. As palavras ditas para seus irmãos não foram automáticas, mas era fruto de muita reflexão. Os testes anteriores em relação aos seus irmãos era para verificar sobre a mudança de coração dos seus irmãos.

José estava tranquilo em relação a Deus, pois, sabia que tudo estava sobre o controle do plano de Deus. Por causa desse entendimento, José não deixou a amargura e o ódio envenenar a sua alma.

Deus dirige as nossas vidas para o nosso bem. Ninguém age com maldade conosco sem que Deus reverta aquilo para nosso bem (Rm 8.28).

Antes de colocar José num alto posto, José teve que passar pela cova, separação dos seus irmãos e pai, acusações que o levaram a prisão. As provações fizeram José refletir, amadurecer e compreender sobre o propósito de Deus. José reconheceu que Deus o usou para salvar a vida de muita gente, inclusive a minha. Pois, ao preservar o seu povo, Deus enviou o seu Filho Jesus, o meu Salvador.

Preciso ver as minhas provações a luz da graça de Deus!

Depois da provação vem o gozo. Deus é especialista em mudar qualquer situação. Tirou José da cadeia e o colocou ao lado direito do Faraó. Tirou Davi do pasto e o colocou no trono.

José preparou o caminho para a reconciliação. Perdão requer tempo e paciência. Sempre escuto as pessoas dizerem para as outras: você precisa perdoar! Todavia, é preciso entender que o perdão é um processo e cada pessoa têm o seu tempo.

Durante os anos de fome, os irmãos de José foram ao Egito para comprar alimentos, sem reconhecer que o governador que os atendia era o próprio irmão que haviam vendido como escravo. José, logo os reconheceu e decidiu testá-los para ver se haviam mudado (Gn 42.6-24).

Quando os irmãos retornaram ao Egito com Benjamim, José os recebeu com um banquete, mas colocou um cálice de prata no saco de Benjamim e o acusou de roubo. Diante da acusação, os irmãos entraram em desespero, especialmente Judá, que se ofereceu para tomar o lugar de Benjamim como escravo, em troca da liberdade do mais novo (Gn 44.1-34).

José não estava brincando e nem fazendo algo cruel com seus irmãos. Sua intenção não era vingança. José queria testá-los para avaliar se estavam arrependidos e se mereciam sua confiança e perdão.

Deus, por exemplo, testou Abraão ao pedir que oferecesse Isaque em sacrifício (Gn 22.1-2). Jesus testou a fé da mulher siro-fenícia ao parecer ignorar seu pedido de ajuda antes de atender sua súplica com misericórdia (Mt 15.22-28). Os testes podem ser usados, todavia, seu propósito visa revelar caráter, amadurecimento e buscar trazer restauração, jamais deve ser usado para punir ou condenar.

O teste de José surtiu o efeito esperado. José viu que seus irmãos haviam mudado, a ponto de Judá se voluntariar em se sacrificar por Benjamim (Gn 44.33-34).

O perdão restaura os relacionamentos familiares. Desde o dia em que José foi vendido, já havia se passado 22 anos. José foi vendido com 17 anos. Aos 30 anos se tornou governador. Administrou os 7 anos de fartura e agora, estavam enfrentando 2 anos de seca.

Os irmãos foram auxiliados pelo Egito para buscar o pai Jacó.

O perdão é muito mais do que liberar alguém de culpa. O perdão é abrir espaço para a reconciliação e permitir que o propósito de Deus seja cumprido também no perdão.

O perdão é o maior desejo de Deus para seus filhos. Por essa razão é algo difícil. O Diabo não quer a união. O Diabo deseja a destruição. Por isso, além de causar intrigas, faz com que se viva sem perdão.

O perdão é sinônimo de restauração. Deus perdoa, e por seu perdão restaura nossa vida com Ele. Tanto que Deus preserva sua igreja, para que por meio do batismo, do ofício das chaves, da pregação e da santa ceia, seu perdão seja distribuído e relacionamentos com Ele sejam restaurados.

Você é um corvo ou José?

Os corvos se vingam e ensinam seus filhotes a se vingar da pessoa. José viu a mão de Deus mesmo ante a maldade. José viu o plano de Deus senso realizado.

Que no perdão recebido por Cristo possamos buscar perdoar e viver a reconciliação e a restauração. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann


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