segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cristo caminha com discípulos em fuga (Lc 24.13-35)

 Terceiro Domingo de Páscoa

19 de abril de 2026

Salmo 116.1-14; Atos 2.14a,36-41; 1Pedro 1.17-25; Lucas 24.13-35

Texto: Lucas 24.13–35

Tema: Cristo caminha com discípulos em fuga.

 

Há algo profundamente humano nessa cena.

Dois discípulos caminham… mas não é apenas uma caminhada. É uma fuga.

Um pastor contou que, certa vez, percebeu que um membro fiel da igreja havia “sumido” aos poucos. Ele não saiu brigado. Não negou a fé. Apenas começou a faltar… depois parou de servir… depois desapareceu.

Meses depois, ao reencontrá-lo, ouviu: “Pastor, eu não saí da igreja de uma vez… fui saindo por dentro”.

É exatamente isso que está acontecendo nesse texto, conforme narrado por Lucas.

Eles estão indo embora… por dentro.

          Discípulos podem estar em fuga sem perceber.

          Não abandonaram oficialmente. Mas estão longe no coração.

É como alguém em um relacionamento que ainda mora na mesma casa… mas emocionalmente já foi embora. Fala. Convive. Responde. Mas não está mais presente.

Há pessoas na igreja hoje que estão presentes no corpo, mas ausentes na alma.

Aqueles discípulos estavam caminhando, uma caminhada de 11Km e enquanto caminhavam conversavam sobre tudo… mas continuavam confusos.

É como assistir a um filme complexo e, ao final, discutir a história… sem realmente entender o enredo. Você viu as cenas… mas não captou o significado.

Assim estavam os discípulos: viram os acontecimentos, mas não entenderam o plano de Deus.

Atualmente temos muito conteúdo, mas pouca compreensão.

          Jesus está com eles… e eles não sabem.

Há uma história conhecida de um homem que sonhou que caminhava com Deus na praia. Ele via dois pares de pegadas. Mas nos momentos mais difíceis… havia apenas um par.

Ele perguntou: “Senhor, por que me deixaste sozinho?” E Deus respondeu: “Não te deixei. Foi ali que eu te carreguei”.

A presença de Deus não depende da nossa percepção.

Você pode não sentir… mas Cristo não te abandonou.

          Aqueles discípulos sabiam de tudo. Jesus falou sobre a cruz, morte e sobre o túmulo vazio, todavia, não entenderam.

É como alguém que recebe um diagnóstico médico com todos os exames em mãos… mas não entende o que aquilo significa sem o médico explicar.

Eles ouviram isso tudo de Jesus e ouviram os fatos testemunhado pelas mulheres, alguns discípulos. Os dados estavam lá. Mas faltava interpretação. Aliás, devido a uma interpretação equivocada do messianismo a partir do Antigo Testamento é que estavam desapontados e desesperançados. Sem a interpretação correta da Escritura, os fatos não produzem fé.

          Jesus os chama de “néscios e tardos de coração”, ou seja, não entendiam e não respondiam. Eram lerdos demais para compreender e aceitar a verdade diante dos olhos.

Uma criança pode ouvir o conselho dos pais várias vezes… entender as palavras… mas demorar a obedecer. Não é falta de audição. É resistência. Assim somos nós muitas vezes com Deus.

O problema não é “não saber” … é “não querer crer imediatamente”.

          Jesus começa a explicar as Escrituras.

Um viajante perdido em uma estrada escura não precisa de emoção… precisa de luz. A Palavra é essa luz. A luz não substitui o caminho, revela o caminho.

A igreja não precisa de mais entretenimento espiritual. Precisa de clareza bíblica.

          Eles disseram que enquanto Jesus explicava as Escrituras “o coração ardia…”.

É como quando alguém lembra de algo que reacende a esperança uma promessa, uma palavra, uma verdade esquecida. De repente, algo muda por dentro… mesmo antes das circunstâncias mudarem.

Deus trabalha primeiro no interior, depois no exterior.

          No partir do pão, eles reconhecem Jesus.

Há momentos simples da vida, uma mesa, uma conversa, um encontro que marcam mais do que grandes eventos.

Deus muitas vezes se revela no ordinário. Não despreze a comunhão, a igreja local, os momentos simples. Não se desconecte. Que o wifi da comunhão esteja sempre conectado pela Palavra e Santa Ceia. A conexão nos faz voltar a caminhar seguro.

Se Cristo te alcança… você não continua no mesmo caminho.

          Quando alguém encontra algo valioso, uma cura, uma solução, uma alegria, não consegue guardar só para si. Testemunho não é obrigação. É transbordamento.

          Todos nós, em algum momento, somos esses discípulos. Confusos, desanimados, caminhando na direção errada. Todavia, Cristo vem ao nosso encontro; Cristo nos confronta; Cristo nos ensina; Cristo se revela.

          Imagine alguém caminhando à noite, sem direção… até que alguém se aproxima com uma lanterna e diz: “Você está no caminho errado, mas eu posso te mostrar o caminho de volta”.

Muitas pessoas estão caminhando em meio a confusão, desesperançadas. Cristo, a luz do mundo caminha ao lado. E o seu caminhar, não é para te condenar, mas para trazer de volta ao caminho e a dar novamente a conexão.

Quando Cristo é reconhecido… o caminho de volta nunca é pesado demais.

Ninguém é capaz de produzir fé. A fé nasce pela Palavra e pelos Meios de Graça. Não é o homem que sobe até Deus. É Deus que desce até o homem, pela Palavra.

          Cristo continua vindo ao encontro do caminhante confuso e desesperançado. Cristo continua falando pela Palavra. Cristo continua se dando nos Sacramentos para que corações voltam a arder, olhos sejam abertos e vidas conectadas a comunhão. Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

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