15
de março de 2026
Quarto
domingo na Quaresma
Salmo
142; Isaías 42.14-21; Efésios 5.8-14; João 9.1-41
Texto:
João 9.1–41
Tema: Diante
da luz: a tragédia da incredulidade contumaz
Imagine
entrar em uma sala completamente escura. Você tropeça, tateia, esbarra nos
móveis. Não consegue distinguir o caminho nem os perigos ao redor. Quando
alguém acende a luz, tudo muda: você passa a ver não apenas os objetos, mas
também o caminho seguro.
Assim
é Cristo. Ele não apenas ilumina a realidade; Ele revela a verdade, mostra o
caminho e expõe aquilo que estava escondido.
Mas
a presença da luz produz dois efeitos distintos: quem sabe que está em trevas
recebe alívio; quem insiste em dizer que vê sente-se confrontado.
João
9 mostra exatamente isso: a tragédia da incredulidade contumaz diante da luz
de Cristo.
O
capítulo começa com Jesus encontrando um homem cego de nascença. Os discípulos
fazem uma pergunta típica do pensamento religioso humano: “Quem pecou: este homem ou seus pais, para que nascesse
cego?” (Jo 9.2).
A
pergunta revela uma mentalidade legalista: a tentativa de explicar todo
sofrimento como punição direta por algum pecado específico.
Mas
Jesus responde de forma surpreendente: “Nem ele
pecou nem seus pais; mas isso aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse
nele” (Jo 9.3).
Jesus
desloca o foco do pecado humano para a ação salvadora de Deus.
O
homem não é apenas alguém com um problema físico. Ele é um retrato da condição
espiritual da humanidade. Assim como ele nasceu sem visão, nós nascemos em trevas
espirituais.
Não
somos apenas pessoas com “dificuldade para
enxergar”. Sem Cristo, estamos completamente cegos, mesmo
enxergando bem.
O
cego não pede cura. Ele não procura Jesus. Ele sequer demonstra fé antes do
milagre. É Jesus quem o vê. Isso é graça.
Cristo
faz lodo com saliva, coloca nos olhos do homem e ordena: “Vai e lava-te no tanque de Siloé” (Jo 9.7)
Deus
usa meios simples para realizar sua obra: barro, água e a Palavra de Cristo. Aqui
vemos um princípio profundo: Deus age através de
meios visíveis para operar realidades espirituais invisíveis.
A
cura não nasce da iniciativa do homem, mas da Palavra de Cristo. A fé cresce à
medida que Deus se revela e vemos isso nesse homem curado, que no início diz: “Um homem chamado Jesus” (Jo 9.11), depois, “Ele é profeta” (Jo 9.17) e por fim, quando
Jesus o encontra novamente, ele se prostra e confessa: “Senhor, eu creio” (Jo 9.38).
Enquanto
o cego passa a ver, os fariseus passam por um processo oposto. Assim como os
incrédulos contumazes, investigam o milagre, interrogam o homem, pressionam
seus pais, tentam desacreditar o ocorrido e finalmente expulsam o homem da
sinagoga.
A
luz está diante deles, mas eles se recusam a reconhecê-la. Isso é incredulidade
contumaz: não é ignorância, é resistência persistente à verdade.
Os
fariseus tinham as Escrituras, conheciam a Lei e aguardavam o Messias. Mas,
quando o Messias se manifesta diante deles, preferem defender seu sistema
religioso.
O
problema deles não era falta de evidência. Era orgulho espiritual. Eles dizem: “Nós vemos” (Jo 9.41) e justamente por isso
permanecem cegos.
A
maior barreira para o Evangelho não é a fraqueza humana, mas a pretensão da
autojustiça.
Jesus conclui o episódio com uma
declaração profunda: “Eu vim a este mundo para
juízo, a fim de que os cegos vejam e que fiquem cegos os que veem”
(Jo 9.39).
A
luz de Cristo nunca é neutra. Ela revela corações. Alguns são conduzidos à fé. Outros
endurecem ainda mais. O cego reconhece sua necessidade e recebe visão. Os
fariseus afirmam enxergar e permanecem na escuridão. E aqui está o perigo da
incredulidade contumaz: quanto mais a verdade é rejeitada, mais o coração se
endurece.
O momento mais belo da narrativa
ocorre após a expulsão do homem da sinagoga. Quando Jesus soube que o haviam
expulsado, foi procurá-lo (Jo 9.35).
Os
líderes religiosos o rejeitaram. Mas Cristo o buscou. A Lei, mal utilizada
pelos fariseus, excluiu. O Evangelho de Jesus acolheu. E ali acontece o
encontro decisivo: “Crês tu no Filho do Homem?”
(Jo 9.35).
Quando
Jesus se revela, o homem responde com adoração. Ele foi expulso da sinagoga,
mas encontrou o próprio Filho de Deus. O que é a
exclusão humana diante da comunhão com Cristo?
No capítulo seguinte, Jesus se
apresenta como o Bom Pastor. Ele disse que as ovelhas reconhecem sua
voz.
O
homem que era cego é exatamente isso: uma ovelha de Cristo. Ele ouviu a Palavra
de Jesus. Creu. Adorou. Enquanto isso, aqueles que deveriam guiar o povo
tornam-se, na linguagem do capítulo 10, ladrões e falsos pastores.
O mundo fala muito sobre cegueira
física. Milhões de pessoas vivem sem visão (39 milhões no mundo) e outras 246
milhões com problemas severos na visão. Todavia, Jesus revela algo muito mais
grave: a cegueira espiritual daqueles que insistem em dizer que veem.
A
pior cegueira não é a incapacidade de enxergar. É a recusa em reconhecer que
precisamos da luz que é Cristo.
Diante
de Cristo, a Luz do mundo, só existem duas respostas: ou humildemente
confessamos nossa cegueira; ou endurecemos o coração como os fariseus.
O
homem curado resume tudo em uma frase simples e poderosa: “Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo” (Jo
9.25). Que essa também seja a nossa confissão. Amém
Edson Ronaldo Tressmann
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