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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Na provação - Confissão!

Dia 18 de fevereiro de 2018
1º Domingo na Quaresma
Sl 25.1-10; Gn 22.1-18; Tg 1.12-18; Mc 1.9-15
Tema: Na provação – Confissão!

As pessoas gostam de histórias tocantes!
A pessoa que não conhece o final da história e a acompanha, depois de descobrir o seu final fica tocado com a história do quase sacrifício de Isaque.
Essa fantástica história descrita por Moisés (Gn 22.1-18), relata apenas o episódio, mas nada nos proíbe pensar na pressão psicológica para o pai Abraão. Ele havia aguardado por vinte cinco anos o cumprimento da promessa de ter um filho, e agora Deus o nisah, ou seja, “prova”. Após anos de espera, após a promessa de que por meio de Isaque faria uma grade descendência, agora de um momento para outro, Deus o prova, sem Abraão saiba e pede o sacrifício de Isaque.
Toda a história se desenrola no monte Moriá. Mil anos após esse episódio, esse local foi comprado por Davi de Ornã para nele ser construído o Templo de Jerusalém (1Cr 21.18; 2Cr 3.1). O monte Moriá (2Crônicas 3.1) é o morro de Jerusalém, onde Salomão construiu o Templo.
Abrão é um exemplo de fé e essa fé é demonstrada nesse relato extraordinário.
Abraão não sabia como a história iria terminar. Deus sim! Deus prova seus filhos. Assim como Deus havia solicitado, Abraão foi sacrificar seu filho. Para ele o fim seria voltar para casa e explicar para Sara o que havia feito.
Pode-se pensar que Abraão tenha orado a exemplo de Jesus no Getsêmani: “Pai, se for possível, passa de mim este cálice”. Deus passou, mas de uma maneira espetacular.
Abraão passou por um teste! O teste de Deus.
O relato bíblico termina assim como se iniciou, ou seja, Deus falando. Quando Deus não está falando, Abraão fala o essencial. E nessa fala, mesmo sem saber, apenas pela fé, Abraão faz uma belíssima confissão de que Deus resolveria tudo da melhor maneira: “... eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (Gn 22.5).
Abraão vivia, caminhava e falava movido pela fé. Outra confissão de fé se deu quando seu filho, aquele que seria o sacrifício perguntou: “...onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22.7). Nesse momento Abraão respondeu convicto que: “...Deus proverá para si, ...” (Gn 22.8).
Deus Proverá!
A palavra daah aparece três vezes no texto (v.7,8,14). Ao fazer uso da palavra daah, Moisés autor do relato Bíblico, inspirado pelo Espírito Santo confirma que Deus vê e provê. Deus sabe o que os seus filhos precisam, Deus vê o que de fato seus filhos necessitam, e provê todo o necessário a seu tempo.
A Bíblia diz que Deus prova seus filhos e filhas! O apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos diz que as tribulações levam a esperança. A tribulação é a oficina da esperança.
Em muitas das provações vê-se que o povo de Deus falhou. O episódio descrito em Êxodo 17 mostra que Moisés e o povo falhou na prova enviada por Deus. O rei Ezequias também foi provado (2Cr 32). Nessa provação, Deus permitiu que Ezequias tomasse uma decisão errada (2Cr 32.31) e arcasse com suas consequências.
Abraão não sabia o que, quando e como Deus iria prover, mas pela fé confessou que Deus proveria.
Deus proverá é uma afirmação de fé!
Ao dizer que Deus iria prover, é como se Abraão estivesse dizendo, “meu filho, não vamos pensar nisso agora. Vamos apenas subir o monte e lá veremos o que irá acontecer”.
Diante da provação, é possível observar duas afirmações de fé: “Voltaremos” (Gn 22.5) e “Deus proverá para si” (Gn 22.8). Abraão caminhava, agia e falava pela fé. Eram anos vivendo sob a dependência de Deus. A fé não compreende, ela apenas crê. A fé apenas espera. E espera nos piores momentos da vida.
Não estava sendo fácil para Abraão, mas, ao mesmo tempo estava sendo mais fácil que muitos conseguem imaginar. Afinal, caminhar, agir e viver pela fé é diferente de tudo que se possa explicar. A perspectiva do cristão é que Deus sempre faz o que é melhor para seus filhos. E a provação é um desses feitos divinos.
Deus prova seus filhos (1Ts 2.4) para que aprendam a viver na prática da fé. A fé torna os filhos e filhas íntimos de Deus. E essa intimidade se dá pelas provas as quais os filhos são submetidos. Abraão foi submetido a uma dura prova, mas, tenha certeza, saiu do teste ainda mais fortalecido e o mesmo aconteceu com Isaque.
Na fronteira da terra prometida, Moisés, aquele que não poderia entrar na terra prometida por ter falhado em um teste, ressaltou ao povo: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava o teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos” (Dt 8.2). Nas provações e humilhações provindas de Deus, seus filhos e filhas são ensinados a viver sob a total dependência de Deus (Dt 8.5; Sl 119.71).
Quando Satanás, um ser celestial, que integrava a corte do Senhor e dialogo familiarmente com Deus, diz que havia acabado de rodear a terra e passear por ela. Ao que Deus lhe pergunta: “Observaste o meu servo Jó?” (Jó 1.8). Ao que o anjo questionou: “Será que não é por interesse próprio que Jó te teme?” (Jó 1.9).
Quão atual é essa provação: “cristãos que servem a Deus em busca de uma recompensa”.
Como o cristão está se portando na enfermidade? Jó, não se rebela contra Deus, na verdade, se curva em humildade e arrependimento confiante no amor de Deus.
A provação é um meio de Deus para que seus filhos o busquem na sua Palavra e estimula a oração (Sl 50.15; Tg 5.13).
Não pense que a provação pela qual você está passando é mais intensa que de outros, pois não é. Deus, em seu amor e misericórdia, sabe a medida, intensidade e duração do teste. Observem Abraão, ele estava com tudo pronto para sacrificar o filho, Deus, sem nenhum adiantamento e nem atraso disse: “Não estenda a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” (Gn 22.12).
A provação é um meio divino pelo qual age para o bem da alma do pecador.
O teste de Abraão foi no monte Moriá. Monte Moriá significa “Deus se faz ver”. Moriá faz parte da cadeia de montanhas da qual o calvário fazia. Moriá e o Calvário estava distante 300 metros um do outro.
Deus se fez ver pela fé de Abraão e anos mais tarde, com o sacrifício do seu único filho Jesus.
A provação é um meio divino pelo qual Deus faz com que o mundo veja seu amor e misericórdia. Deus se faz ver pela nossa caminhada e ação na fé.
No princípio do teste, Abraão deve ter criado uma certa confusão mental. Será que esse Deus é semelhante aos deuses que adorava anteriormente? Ele me pede que eu sacrifique meu filho. Mas, isso é um costume pagão, dos muitos deuses cananeus. No entanto, ao final do teste, Abraão, pela fé novamente descobriu que Deus é diferente. Na provação, Deus quer tirar do nosso coração qualquer rival, qualquer outro deus.
O segundo mandamento cai nesse momento em minha cabeça. Deus disse: “Não tomarás em vão o meu santo nome...”. Tomar o nome de Deus em vão é deixar de lado a prática da fé, pela oração, louvor e agradecimento nos piores momentos da vida.
Abraão na sua pior provação apenas caminhou, viu tudo, e falou com fé. Na provação, cada filho e filha é convidado a caminhar, ver e falar pela fé. Amém!

Rev. M.S.T. Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Deus em Jesus se reaproxima de seus filhos

Dia 11 de fevereiro de 2018
6º Domingo de Epifania – Transfiguração do Senhor
Sl 50.1-6; 2Rs 2.1-12 ou Ex 34.29-35; 2Co 3.12-13; Mc 9.2-9
Tema: Deus em Jesus se reaproxima de seus filhos.

Ilustração - Introdução
Há uma estátua muito famoso de Miquelângelo que traz Moisés com um par de cifres acima de seus olhos. Estudiosos dizem que Miquelângelo representou Moisés dessa maneira devido a uma tradução equivocada da Vulgata do verbo querén.
O verbo Querén significa “emitir raios de luz”, mas também pode significar “chifres”. A vulgata traduziu que o rosto de Moisés tinha chifres. E assim Miquelângelo o registrou em sua pintura.
Contextualizando
O episódio apresentado em Êxodo 34.29-35 apresenta a descida de Moisés do Monte Sinai.
No monte Sinai aconteceu algo maravilhoso, “Deus falou com Moisés”. Esse fato, foi tão espetacular que o rosto de Moisés irradiava luz. Era a luz de Deus brilhando por sobre Moisés.
O povo ansiosamente aguardava Moisés. Mas, era um aguardar diferente da subida anterior de Moisés ao monte. Na primeira vez em que Moisés subiu ao monte Sinai, o povo impaciente, não suportando a demora de Moisés, resolveu fabricar e adorar o bezerro de ouro (Ex 32). Essa imagem era o que eles tinham de familiar, pois lhes lembrava o deus Apes do Egito, onde por muitos anos estiveram escravizados.
No capítulo 34 de Êxodo, há um povo esperando. Eram as mesmas pessoas, mas parece ser uma multidão diferente.
A rebelião, revolta contra Deus e volta ao passado idólatra, fez com que Deus desejasse destruir aquele povo e reiniciar uma nova geração por meio de Moisés (Ex 32.10). No entanto, Moisés, lembrou o próprio Deus de que havia uma promessa para ser cumprida (Ex 32.13) e assim Deus volta atrás e resolve dar mais uma chance, porém, os idólatras foram feridos com a morte (Ex 32.35).
Deus, mediante Moisés havia mostrado toda a sua graça ao povo. E após o perdão e a reaproximação, restabelece seus mandamento. É interessante notar que dessa vez, é Moisés quem escreve os mandamentos, sendo que na primeira oportunidade as pedras da lei haviam sido escritas pelo dedo do próprio Deus (Ex 31.18). Essa iniciativa de Deus mostra que seu amor pelo povo não havia terminado e que queria restabelecer uma aliança com seus filhos e filhas.
Texto
Êxodo 34.29-33
Quando Moisés desceu do monte Sinai, carregando as duas placas da aliança, o seu rosto estava brilhando, pois ele havia falado com Deus. Mas ele não sabia disso. Arão e todo o povo ficaram com medo de chegar perto de Moisés quando viram o seu rosto brilhando. Porém Moisés os chamou, e Arão e todos os líderes do povo chegaram perto dele, e ele falou com todos. Depois disso todo o povo de Israel se reuniu em volta de Moisés, e ele lhes entregou todas as leis que o Senhor Deus lhe tinha dado no monte Sinai. Quando Moisés acabou de falar com eles, ele cobriu o rosto com um véu.
Aqui é narrado como Moisés foi recebido pelos líderes de Israel ao descer da montanha. O rosto de Moisés estava brilhando.
Êxodo 34.34-35
Sempre que entrava na Tenda Sagrada para falar com o Senhor, Moisés tirava o véu. Quando saía, ele contava ao povo de Israel tudo o que Deus lhe havia mandado dizer, e o povo via que o seu rosto continuava brilhando. Porém Moisés cobria de novo o rosto com o véu até que entrava de novo na Tenda para falar com Deus.
O rosto de Moisés continuava brilhando. Esse brilho estava relacionado a tenda da congregação (Ex 33.7-11).
Se a ordem de escrever os Dez Mandamentos era um gesto de reaproximação de Deus com seu povo. Os raios de luz vistos no rosto de Moisés apresentam a intervenção direta de Deus na história do seu povo. Todo o brilho do rosto de Moisés enfatiza o esplendor da Palavra de Deus.
Todo culto se encerra sob a bênção do Senhor: O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós.
Essa bênção, conhecida como araônica e pronunciada pelo sacerdote ao povo, é o desejo de Deus, com sua Palavra, estar sempre presente entre seus filhos.
A bênção do Senhor: O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós é a presença de Deus na vida e no trabalho das pessoas. O brilho do rosto de Deus sobre cada um de nós é a manifestação da presença da glória de Deus em nosso viver diário.
O brilho no rosto de Moisés era a certeza da reaproximação de Deus. O brilho no rosto de Moisés mostrava e garantia ao povo que Deus estava ao seu lado.
Na presença de Deus e sob sua orientação, o povo estava possibilitado de caminhar orientado, seguro e confiante pelo deserto em direção a terra prometida.
A cada culto, somos despedidos sob a bênção de Deus. Durante o seu dia-a-dia, em quais situações Deus tem feito brilhar o seu rosto sobre ti?
....

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

No monte com Cristo!

Dia 11 de fevereiro de 2018
6º Domingo de Epifania – Transfiguração do Senhor
Sl 50.1-6; 2Rs 2.1-12 ou Ex 34.29-35; 2Co 3.12-13; Mc 9.2-9

Ex 34.29-35 e Mc 9.2-9
Tema: No monte com Cristo!

Dois montes – Sinai e Hermon.
No Sinai – Deus se reaproxima do seu povo (Ex 34.29-35)
O episódio apresentado em Êxodo 34.29-35 apresenta a descida de Moisés do Monte Sinai. Havia um povo ansioso, confuso e desorientado.
Deus havia desejado destruir o povo e iniciar uma nova geração por Moisés. No entanto, Moisés tendo lembrado sobre a promessa que havia para cumprir, Deus buscou restabelecer a aliança com seu povo ordenando Moisés escrever as tábuas dos Dez Mandamentos que Moisés havia quebrado indignado diante da idolatria do povo.
Ao descer do Monte Sinai, o rosto de Moisés brilhava. Um evento que pode ser definido como transfiguração de Moisés. Seu rosto brilhava, ele entrava e saia do tabernáculo, e seu rosto continuava brilhando.
Esse brilho no rosto de Moisés representa o esplendor da Palavra de Deus. Mostra o desejo de Deus em estar junto com seu povo pela sua Palavra. O brilho no rosto de Moisés era a garantia da presença de Deus no meio do seu povo quando havia todos os motivos para se afastar do mesmo.
Dois montes – Sinai e Hermon
No Hermon – Jesus é a reaproximação do homem com Deus.
Jesus chama Pedro, Tiago e João e os leva, em particular, a um monte. Nesse monte, acontece algo fantástico: “E foi transfigurado diante deles; ...” (Mc 9.2; Mt 17.2).
A expressão transfigurado é escrita na forma passiva do verbo. Isso indica uma ação de Deus.
A transfiguração é um desses eventos que assim como os discípulos, não conseguimos encontrar palavras para explica-la. Exatamente por isso acaba se passando despercebido da lição desse texto.
Na transfiguração de Jesus a ênfase não é o evento em si; o ponto alto desse episódio é a pessoa de Jesus. A transfiguração é um evento importante para os discípulos e não para Jesus.
Assim como no evento ocorrido no deserto no monte Sinai, o momento era crítico. O ministério de Jesus na região da Galileia estava terminando. Jesus estava por iniciar sua caminhada em direção à Jerusalém. Jesus estava por iniciar seu trajeto rumo a cruz. A transição para essa nova etapa é marcada pelas palavras de Jesus: “quem quer ser meu seguidor, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz” (Mc 8.34).
Era necessário ir à Jerusalém. Era necessário tomar a cruz.
Assim, como no Monte Sinai o povo de Deus viu a presença gloriosa de Deus pelo brilho no rosto de Moisés, Pedro, Tiago e João enxergam é a legítima e única glória e majestade provinda da divindade de Jesus.
Deus agraciou Pedro, Tiago e João, permitindo-lhes enxergar um pedacinho do céu.
Tentem imaginar o espanto dos discípulos. Esses homens já haviam presenciado tantos milagres, e agora contemplam a glória de Deus revelada nesta transfiguração.
Dois montes – Sinai e Hermon
Século 21, e muitos são os montes dos quais muitos afirmam ter grande realizações. Há tantas revelações espantosas, magníficas, encantadoras, e assim, perde-se de vista a glória de Deus em Jesus.
Se os discípulos estavam desapontados com as declarações de Jesus sobre a manifestação da glória de Deus em Jesus, esta experiência da transfiguração serviu para animá-los a continuar a caminhada rumo a cruz. Como Jesus havia dito: “quem quer ser meu seguidor, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz” (Mc 8.34).
Até mesmo nessa situação é possível perceber a ação destruidora do diabo. Ele tentou mais uma vez, e dessa vez o fez através da proposta de Pedro: “Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar...” (v. 5).
Muitos querem subir os montes para que através das supostas maravilhas que lá acontecem, consigam manter seu poder e status.
Pedro, quis ficar no monte. Em outras Palavras, aqui é melhor Senhor. Para que ir até Jerusalém?
Deus interveio, assim como sempre intervém para manter o foco correto. E “uma nuvem os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi” (v. 7).
A expressão: “uma nuvem os envolveu;” – significa que o céu desceu, pois a exemplo de Mc 1.11, a voz da nuvem é o mesmo que a voz ter vindo do céu.
A voz de Deus foi ouvida no batismo, quando Jesus iniciou sua caminhada em direção a cruz, na transfiguração, a voz de Deus confirma aos discípulos o caminho da cruz. A na cruz se cumpre todas as profecias e se cumpre toda a lei (Moisés e Elias).
Quando Deus expressa: “a ele ouvi” (v. 7), está dizendo aos discípulos que por mais que estejam desapontados com a afirmação da caminhada rumo à cruz, eles não devem deixar de prestar atenção nisso.
Não importa quantos montes as pessoas estão buscando subir, pois, se Jesus não está no monte e nem é a razão da subida ao monte, perde todo seu valor e sentido. 
O monte da transfiguração não foi o último monte que Jesus subiu. Após o Hermom, Jesus subiu o Gólgota, e lá com sua cruz mostrou a verdadeira glória de Deus. Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Servos no Reino!

Texto: Marcos 1. 29-39
29 Logo depois, Jesus, Simão, André, Tiago e João saíram da sinagoga e foram até a casa de Simão e de André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre. Assim que Jesus chegou, contaram a ele que ela estava doente. 31 Ele chegou perto dela, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar. A febre saiu da mulher, e ela começou a cuidar deles. (NTLH)
Tema: servos no reino!
Estudando o texto
Jesus havia saído de Nazaré, uma pequena cidade, no norte da Palestina, foi ao rio Jordão para ser batizado por João Batista. Após seu batismo, o Espírito Santo levou Jesus para o deserto para ser tentado pelo diabo. Após ter vencido a tentação, Jesus caminhando a beira do lago da Galiléia, chamou seus primeiros discípulos. A região da Galiléia era uma composição de cidades às margens do lago de Genesaré, essas cidades eram: Cafarnaum, Corazim e Magdala, Caná, Nazaré e Naim.
Após ser batizado e João Batista ter sido preso, Jesus então definitivamente inicia seu ministério.
Caminhando junto ao mar da Galiléia, chamou seus dois primeiros discípulos. Os irmãos, Simão e André. Continuando sua caminhada, agora, acompanhado por Simão e André, chamou os irmãos, Tiago e João (Mc 1.16 - 19).
Jesus, agora com 4 discípulos, vão a Cafarnaum, que na época era uma grande cidade. Era uma cidade de fronteira, possuía uma importante alfandega (Mt 9.9). Até por isso, o centurião romano construiu ali uma sinagoga, como mostra de sua amizade com os judeus.
Cafarnaum era o centro comercial e social de toda a região da Galiléia.
Chegando em Cafarnaum, Jesus, Simão, André, Tiago e João vão a uma sinagoga (Mc 1.21 – 28).
Era sábado pela manhã. E sendo assim, era natural que todos os homens estariam na sinagoga, pois assim determinava a lei de Deus.
Na sinagoga as Escrituras (Antigo Testamento) era estudada. E uma pessoa apta era convidada pata ensinar. E Jesus foi o convidado. Todos se maravilharam do seu ensino e da doutrina como havia sido exposta.
E para completar, Jesus, para reafirmar seu ensino, curou um homem endemoniado. E a fama de Jesus se espalhou por toda a cidade.

O evangelho de Marcos mostra Jesus em constante ação, está sempre caminhando. Nessa caminhada, Jesus cura, expulsa demônios, confronta seus adversários e instrui seus discípulos.
Assim, nosso texto de estudo Mc 1.29 – 39, inicia com as palavras: logo depois – Logo depois desse evento na sinagoga, Jesus, Simão, André, Tiago e João saíram da sinagoga e foram até a casa de Simão e de André.

No relato anterior ao que agora vamos estudar (Mc 1.21-28) mostra Jesus desafiando a religiosidade da época. Ele expõe de uma maneira nova, a mensagem do reino de Deus. Ao curar o homem possesso por um demônio em dia de sábado é um questionamento aos que mesmo sabendo que o reino de Deus havia chegado em Jesus permaneciam sob o jugo das leis que discriminam pessoas, principalmente as doentes e empobrecidos.
Enquanto que os líderes religiosos ficaram furiosos com Jesus, o povo, ficou maravilhado. Tanto que as pessoas buscaram Jesus no fim daquele dia (v. 32), pena que não se desapegaram da lei (v.32, quando não era mais sábado).

Chegando na casa de Simão e André, constatou-se que a sogra de Pedro estava doente. Qual era a doença? Febre.
Na Palestina havia vários tipos de febre. Febre pequena e febre grande (malária) (Lc 4.38). A febre era considerada uma doença grave.
Segundo a lei do sábado, era proibido durante esse dia, ajudar pessoas doentes e dar de comer.
Jesus, chegou perto dela, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar (v. 31).
O reino de Deus chegou! Ele está aqui.
Com a chegada do reino de Deus, inaugura-se uma nova etapa.
Jesus restabelece a ordem das coisas. A religiosidade havia invertido tudo. E Jesus coloca tudo no seu devido lugar.
Jesus mostra que ele é maior que o sábado. Ele é o cumprimento da lei (Cl 2.17).
Temos diante de nós (Mc 1.29-31), um relato sem alarde. Nem sequer uma palavra foi dita. Jesus simplesmente se aproximou dela, segurou sua mão e a ajudou a levantar. Três ações que mostram sua acolhida.
Chegar perto, segurar a mão e ajudar a levantar, manifesta aproximação com amor e compaixão.
Essas três atitudes de Jesus mostram a quebra da barreira da indiferença e da separação. Jesus é a chegada do reino de Deus, é o evangelho atuante em meio a um povo oprimido socialmente pelos romanos e espiritualmente pelos fariseus, saduceus e escribas.
Texto Bíblico
29 Logo depois, Jesus, Simão, André, Tiago e João saíram da sinagoga e foram até a casa de Simão e de André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre. Assim que Jesus chegou, contaram a ele que ela estava doente. 31 Ele chegou perto dela, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar. A febre saiu da mulher, e ela começou a cuidar deles.

Essa é a história mais curta e mais singela dos evangelhos. Não há nenhuma ênfase, não há um título ou nome para Jesus. É um milagre pelo qual ninguém fica admirado a não ser a sogra de Pedro. Que muito mais do que a cura, entendeu que Jesus era a chegada do reino de Deus entre o seu povo. Tanto que “a febre saiu da mulher, e ela começou a cuidar deles” (v. 31).
O que há de especial na frase “ela começou a cuidar deles” (v. 31)?
As mulheres eram marginalizadas na época quer seja pelo império romano, bem como pelos judaizantes.
Para se ter uma ideia, na presença de hospedes, que era o caso da sogra de Pedro, as mulheres não poderiam participar do banquete.
A mulher que vivia na obscuridade e no silêncio, sendo conhecida apenas como “sogra de Pedro” agora serve, ou seja, passa a ser uma discípula de Jesus.
Enquanto que na sinagoga, ante o poder de Jesus, a reação do povo foi de admiração, na casa de Simão, a reação foi de serviço.
Essa mulher, que talvez tivesse se indignado pelo fato de duas pessoas terem deixado seus afazeres (Mc. 1.18) de sustento familiar para seguir Jesus, agora se torna discípula de Cristo.
Marcos quer mostrar no evangelho quem é Jesus. E Jesus é a presença do reino de Deus entre seu povo. Jesus é o evangelho de Deus. Jesus é aquele que restabelece todas as coisas.
É interessante observar que o evangelho de Marcos, inicia relatando o serviço de uma mulher e termina (Mc 15.41) com muitas mulheres servindo, muitas mulheres sendo discípulas de Cristo.
Numa sociedade opressora, Jesus é libertador e restaurador.
Aplicação
Jesus não mudou só a realidade daquela senhora conhecida como sogra de Pedro. Ele mudou a nossa realidade. Pela queda em pecado, nosso destino era a condenação eterna. Jesus mudou a nossa situação.
começou a cuidar deles” (v. 31).
A Palavra de Deus deixa claro que a pessoa que foi liberta d domínio do pecado, da condenação do inferno e da lei, encontra a verdadeira motivação para servir ao Senhor.
A três atitudes de Jesus de aproximar, estender a mão e levantá-la restabeleceu a sua dignidade. Ela tornou-se uma discípula de Jesus.
Ser um discípulo é uma graça divina. Estar no reino de Deus é uma dádiva.
Ser um discípulo e estar no reino envolve servir!
Servir é diferente de reinar. Aquele que serve está na dependência daquele a quem serve.
Jesus veio para servir. Jesus é a ação amorosa de Deus pela humanidade pecadora.
Pelo serviço, Deus, através da sua igreja continua agindo amorosamente nesse mundo. E para que a igreja possa servir, Deus concedeu e concede a sua igreja vários dons.
Cura, evangelistas, mestres, pregadores, artistas, riquezas. No entanto, bem escreveu o apostolo Paulo aos Coríntios: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso” (1Co 12. 4-7). E que fim proveitoso seria esse? Servir a todos.
As atitudes de Jesus conduziram a sogra de Pedro a uma ação: começou a cuidar deles” (v. 31).
A ação de Deus em Jesus nos anima a servir com alegria e fidelidade. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann