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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pastor, ministro e servo da igreja, se apresenta nas muitas situações como servos de Deus (2Co6.4)

Data: 24/06/2018
Texto: 2Corintios 6.1-13 
Tema: Pastor, ministro e servo da igreja, se apresenta nas muitas situações como servos de Deus (2Co6.4)
1 – Enfrentando pressões internas;
2 – Enfrentando pressões externas;
3 – Capacidade à enfrentar as pressões;
4 – Paradoxos que conflitam entre si;

No capítulo 5.18-21, o apostolo Paulo escreveu sobre o ministério da reconciliação. A reconciliação entre o ser humano e Deus. No entanto, um reconciliação buscada e realizada pelo ofendido, ou seja por Deus. Deus em Jesus reconciliou o homem consigo. É bela a descrição do ministério da reconciliação. Deus em Jesus, resolveu a maior tragédia humana. Esse é o puro evangelho – Deus busca o homem. Na religião e religiosidade – o homem busca a Deus. E nessa busca por Deus, o homem pegam atalhos, mediadores e intercessores. O mundo esqueceu-se de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2Co 5.19).
Por 114 anos a IELB (Igreja Evangélica Luterana do Brasil) transmite a mensagem da graça, da justificação em terras brasileiras. Nossa principal missão é proclamar a salvação gratuita em Cristo Jesus. Proclamamos que em Jesus somos reconciliados com Deus. A justificação é a declaração de Deus de que todo aquele que está em Cristo não deve mais nada.
E o maravilhoso é que todos nós, pastores, leigos, servas, crianças, temos o ministério da reconciliação. Somos embaixadores de Cristo nesse mundo.
Há três perigos ante o ministério da reconciliação (2Co 6.1-3). O perigo de receber em vão a graça de Deus, ou seja, receber a mensagem da reconciliação de Deus em Jesus como sendo destituída de verdade. O perigo de desprezar a pregação, não aproveitando a oportunidade de ouvi-la. E também há o perigo de censurar o evangelho através de escanda-los.
Ao escrever aos coríntios, o apostolo disse que Deus o habilitou para ser ministro de uma nova aliança (2Co 3.6). Além de ter lhe dado o ministério da reconciliação (2Co 5.18), confiou a ele a palavra da reconciliação (2Co 5.19). Todo esse ministério da justiça de Deus é sublime e glorioso (2Co 3.9). Desse ministério de Deus, o apostolo era embaixador (2Co 5.20).
Nesse contexto, Paulo escreve aos coríntios nesse capítulo (2Co 6.1-13), sobre as muitas situações que enfrentou, mas em meio a essas tempestades (assim que João Crisóstomo chama essa perícope) a mensagem do evangelho da reconciliação chegou aos coríntios.
Enquanto que os coríntios desprezavam o embaixador e a mensagem que o mesmo trazia, o apostolo aproveitou todos as provações (2Co 5.4-5), tempestades (2Co 5.8-10), paradoxos (2Co 5.10-13) e situações de amor (2Co 5.11-13), para transmitir a mensagem da reconciliação. Afinal, Paulo diz: “E nós, na qualidade de cooperadores com ele, ...” (2Co 6.1).
O apostolo sabe que todas as coisas são benéficas, até mesmo o sofrimento e as rejeições, pois tudo contribui para que a mensagem da reconciliação seja anunciada. Deus nos dá a honra se colaborarmos como seus embaixadores nesse mundo. Afinal, “todas as coisas fazem parte daquilo que Deus quer para nós” (1Ts 3.2). E para os coríntios Deus desejava os atender e socorrer com a salvação.
Mas, enquanto isso, os coríntios estavam esvaziando a mensagem da graça, fazendo com que se essa mensagem não tivesse valor, por causa do vaso (2Co 4.7), Paulo.
Paulo, precisou falar dele, não porque queria, “pois proclamava a Cristo como Senhor” (2Co 4.5), no entanto as circunstâncias o obrigou a falar dele mesmo. E nessa pericope (2Co 6.1-13) relata episódios, características que o ajudaram a ser o colaborador para que a mensagem do evangelho chegasse aos coríntios e muitos outros. Tanto que Paulo sabe que o que está em jogo não é a sua pessoa, mas a mensagem do evangelho. O problema não é Paulo, pois ele não censurou, ou seja, não criou dúvidas quanto ao evangelho, ele não tirou ninguém do caminho de Cristo (escanda-lo). O problema era dos coríntios que não estavam aceitando a mensagem do evangelho por não aceitarem os sofrimentos e tribulações que Paulo enfrentou (2Co 11.23-30). E por mais que fosse rejeitado, ele se recomenda aos coríntios como seu pastor e apostolo.
Todos os sofrimentos e tribulações foram oportunidades divinas para que o evangelho fosse anunciado através do cooperador na missão de Deus.
Assim como os israelitas não estavam entendendo que Deus estava agindo na história para salvar (2Co 6.2; Is 49.8), os coríntios não entendiam que Deus tivesse como embaixador e colaborar alguém como Paulo. Se para os coríntios, o apostolo Paulo não era recomendável por causa dos sofrimentos e tribulações, o apostolo disse que “em tudo mostramos que somos servos de Deus” (2Co 6.4), ou seja, ele só atende e executa os pedidos do seu Senhor Jesus Cristo. E por isso, mesmo que os coríntios estejam recebendo a graça de Deus como sendo sem valor por causa dos acontecimentos na vida de Paulo, o apostolo passa a enumerar as situações e ressaltar a ação de Deus em todas elas.
Ao escrever: “em tudo mostramos que somos servos de Deus” (2Co 6.4), “suportando com muita paciência ...” (2Co 6.4).
Paciência (hupomone): não há uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar toda a plenitude do seu significado. Descreve uma planta capaz de sobreviver em circunstâncias severas e desfavoráveis. Relacionada com as aflições significa habilidade de suportar as situações de uma maneira profunda sabendo para onde está sendo conduzido. João Crisóstomo (347 – 407) ao falar sobre essa palavra, ressaltou que essa paciência é como um fruto que nunca se seca, uma fortaleza que não pode ser invadida, um porto que não conhece tormentas. É manter-se calmo em meio a uma forte tempestade. Nem a violência dos homens, nem os poderes do diabo podem lesá-la.
Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência ...” (2Co 6.4), o apostolo enumera que diante de todos os tipos de pressões, saia de cada uma delas com um sorriso no rosto. Não ficou reclamando dos sofrimentos e tribulações, ao contrário, sabia que “todas essas coisas” (Rm 8.28) eram oportunidades para que Deus fosse glorificado. Paulo diz que não se perde pelo sofrimento e tribulação, pois mantém-se focado no alvo final (2Co 4.7 ss). Enquanto os coríntios insistissem em ver só a tribulação e o sofrimento, a graça de Deus, passaria despercebida.
Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições ...” (2Co 6.4). a paciência é ressaltada, pois, não eram quaisquer aflições. O termo grego Thlipsis são as desilusões que podem destroçar a vida.
Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições, os sofrimentos ...” (2Co 6.4), ou angústias (stenochoria). Descreve alguém que está encurralado num lugar sem ter como escapar.
Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições, os sofrimentos e as dificuldades” (2Co 6.4), necessidades da vida (anagké). Paulo descreve as cargas que retratam as necessidades materiais, emocionais e físicas.
Ao escrever aos coríntios “em tudo mostramos que somos servos de Deus, suportando com muita paciência as aflições, os sofrimentos e as dificuldades” (2Co 6.4), o apostolo fala sobre as pressões internas.
A IELB está comemorando 114 anos. Com paciência, muitos servos de Deus, suportaram pressões, se sentiram “apertados como que contra a parede”, passaram necessidades materiais, emocionais e físicas. Olhando para trás, vemos o quanto Deus nos abençoou com o trabalho desses servos. E hoje, podemos comemorar 114 anos.
Paulo escreveu que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “Temos sido chicoteados, presos e agredidos nas agitações populares. Temos trabalhado demais, temos ficado sem dormir e sem comer” (2Co 6.5).
Conforme o apostolo relata na carta aos Gálatas (Gl 6.17), as chicotadas deixaram cicatrizes em seu corpo. Relatos de Lucas no livro dos Atos dos Apostolos, Paulo foi preso em Filipos, Jerusalém, Cesáreia e Roma (At 16.23; 21.33; 23.23; 28.20). Paulo foi agredido nas agitações populares (At 13.50-51).
Ao dizer que trabalhava demais e ficava sem dormir e sem comer, estava dizendo que seu trabalho o havia levado ao esgotamento, era um trabalhar até fatigar-se. Declarou que trabalhou mais que outros (1Co 15.10). Com o termo agrupnia, o apostolo relatou que voluntariamente ficava sem dormir ou encurtava suas noites de sono para devotar mais tempo ao trabalho evangelístico, ao cuidado da igreja e da oração. Voluntariamente jejuava, nesteia, para ter ais tempo para o trabalho.
Ao escrever “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “Temos sido chicoteados, presos e agredidos nas agitações populares. Temos trabalhado demais, temos ficado sem dormir e sem comer” (2Co 6.5), o apostolo Paulo enumera as pressões externas. Pressões que poderiam ter impedido de comunicar o evangelho.
A IELB está comemorando 114 anos! É possível olhar para trás e observar as pressões dos muitos servos de Deus e louvar a Deus, pois, mesmo em muitas situações difíceis o evangelho foi proclamado e continua sendo proclamado.
Em 1942, devido a uma revolta contra a comunidade teuto-brasileira, um de nossos templos (São João no Passo de Santana) foi invadida e teve sua torre dinamitada e para ofender ainda mais os alemães, o grupo de vândalos colocaram cavalos sobre o altar e simulou seu batizado e após incendiaram a igreja. (http://igrejaqueimada.blogspot.com/2011/06/historia-da-igreja-queimada.html).
Depois que o Brasil cortou relações com a Alemanha, o maior grupo de alemães fora da Alemanha e dos EUA, era o sul do Brasil. Leis foram criadas contra o uso da língua alemã e em 1917 o governo brasileiro proibiu publicações de periódicos em língua alemã e fechou escolas onde não era ensinado em português. Nenhum sermão pode mais ser pregado em alemão. O trabalho pastoral, por causa das proibições ao uso da língua alemã, foi prejudicado entre novembro de 1917 até abril de 1918.
Os pastores se esforçaram, mas, quando tentaram pregar em português, os templos ficaram vazios, pois, os congregados não entendiam. A vida congregacional parou por quase seis meses na maioria das congregações. O trabalho foi voltando a normalidade, quando a partir de abril de 1918, a proibição do uso da língua alemã foi gradualmente suspensa.
Essa pressão externa contribuiu para a IELB, pois a partir de 1918, o trabalho missionário entre os alemães estendeu-se aos luso-brasileiros em Lagoa Vermelha, onde hoje acontece o culto nacional em comemoração aos 114 anos.
IELB – Parabéns pelos seus 114 anos. Louvemos a Deus, também pela pressão externa, assim como Paulo louvou e apontou como uma oportunidade para que Deus fosse louvado.
Ao escrever “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). “Por meio da nossa pureza, conhecimento, paciência e delicadeza, mostramos que somos servos de Deus. Por meio do Espírito Santo, temos mostrado isso pelo nosso amor verdadeiro, pela mensagem da verdade e pelo poder de Deus. Por vivermos em obediência à vontade de Deus, temos as armas que usamos tanto para atacar como para nos defender” (2Co 6.6-7).
As pressões internas e externas só puderam ser superadas por causa do que Deus outorga a mente.
Ao escrever que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). “Por meio da nossa pureza,...” (2Co 6.6) - (hagnotes) – mostrando ao ser atingido pelo evangelho, sua vida e seus motivos se tornaram puros, ou seja, não anunciava o evangelho por pretensões pessoais. E isso se devia ao fato do que Paulo havia entendido do evangelho.
Seu conhecimento do evangelho, bem como sua pureza se revelava na paciência.
Essa palavra, apesar de ser a mesma na língua portuguesa, no grego foi escrita de maneira diferente da palavra usada no verso 4. Enquanto que no verso 4, Paulo enumerou que a paciência era conseguir vencer os obstáculos com um sorriso no rosto. Agora, ao fazer uso da palavra makrothumia, ressalta uma virtude cristã (2Co 6.6; 1Tm 1.16; 2Tm 3.10), ou seja, mesmo que há oportunidade para se vingar, não o faz.
Essa virtude não tinha nenhum valor para os gregos, para eles a grande virtude era a vingança.
Paulo sabia que era preciso suportar as pessoas, mesmo quando estão equivocadas e agem com crueldade.
Quando Paulo escreveu que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). “Por meio da nossa ... delicadeza” (chrestotes), estava dizendo que suportava tudo, por pensar mais nos outros que em si mesmo.
... mostramos que somos servos de Deus. Por meio do Espírito Santo, ...” (2Co 6.6). O apostolo sabia que não levaria a cabo a missão de Deus sem o Espírito Santo. Ele concede dons e os frutos do Espírito (Gl 5.22-23).
Paulo escreveu aos coríntios para “mostrar que ele e seus companheiros eram servos de Deus. Por meio do Espírito Santo, temos mostrado isso pelo nosso amor verdadeiro, ...” (2Co 6.6), ou melhor, amor não fingido. Esse amor não paga mal com mal, pelo contrário, vence o mal com bem. É uma amor que não busca a vingança.
Para as pressões internas e externas, Deus outorga a mente pelo poder do Espírito Santo, pureza, paciência, delicadeza e amor verdadeiro.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) inclusive em qualquer situações e consideração, tanto que escreve “... pela mensagem da verdade e pelo poder de Deus. ...” (2Co 6.7).
Essa mensagem da verdade, por mais que proferida por ele, é uma mensagem que provém de Deus e só pode ser proferida pelo poder de Deus.
Essa mensagem de é instrumento de ataque e defesa diante dos questionamentos dos coríntios (2Co 6.7).
114 anos da IELB – quantas críticas recebemos, quer seja dos de dentro, bem como dos de fora. E mesmo ante as críticas, “Por meio do Espírito Santo, temos mostrado isso pelo nosso amor verdadeiro, pela mensagem da verdade e pelo poder de Deus” (2Co 6.6-7).
Em tudo mostramos que somos servos de Deus!
Nos paradoxos que conflitam entre si
Quando algo ou alguém é avaliado, recebe algum parecer. Paulo enumera os pareceres, no entanto, pareceres do ponto de vista de Deus e do ponto de vista dos homens. “Somos elogiados e caluniados; alguns nos insultam, outros falam bem de nós. Somos tratados como mentirosos, mas falamos a verdade; somos tratados como desconhecidos, embora sejamos bem conhecidos de todos; somos tratados como se estivéssemos mortos, mas, como vocês estão vendo, continuamos vivos. Temos sido castigados, mas não fomos mortos. Às vezes ficamos tristes, outras vezes ficamos alegres. Parecemos pobres, mas enriquecemos muitas pessoas. Parece que não temos nada, mas na verdade possuímos tudo” (2Co 6.8-10).
A avaliação a um servo de Deus na perspectiva humana calunia, insulta, trata como mentiroso, considera como desconhecido, morto, traz castigo e causa tristeza. No entanto, não importa como se é avaliado nesse mundo, o importante é realizar o trabalho de um embaixador e colaborador na missão de Deus.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “por honra e por desonra...” (2Co 6.8).
Para os coríntios e sua avaliação, Paulo era desonrado, (Atimia) é como se tivesse perdido seus direitos de cidadão e foi privado dos direitos civis. No entanto, sua honra estava em ser cidadão celestial.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...por infâmia e por boa fama ...” (2Co 6.8).
Os opositores do apostolo Paulo o odiavam e criticavam suas palavras e ações. Embora muitos reconheciam seu ministério, outros falavam dele pelas costas. No entanto, enquanto era difamado aqui e agora, sua boa fama devia-se a fidelidade ao ministério da reconciliação.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...como enganadores e sendo verdadeiros...” (2Co 6.8).
Para os inimigos um charlatão, para outros apostolo de Cristo. O ministério irrepreensível, sem censura e escanda-lo, mostrava que as acusações contra Paulo eram falsas. Ele andava de consciência limpa e sabia que a mensagem vinha de Deus, por isso era verdadeiro.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; ...” (2Co 6.9).
Os judeus caluniavam o apostolo Paulo dizendo que ele era um “desconhecido”, ou seja, que não valia nada, não tinha credenciais adequadas. Mas, para os da fé, Paulo era bem conhecido e amado.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “... como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; ...” (2Co 6.9).
Não bastasse as calúnias e difamações ao apostolado de Paulo, o mesmo viveu sob constante ameaça de morte. Foi apedrejado, açoitado, enfrentou feras. Foi atacado por uma multidão furiosa em Jerusalém. Pelos padrões humanos, a carreira de Paulo foi miserável. Mas, Deus tinha um propósito para realizar através da vida e ministério do apostolo Paulo, e enquanto isso não foi cumprido, Deus o preservou.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...como castigados, porém não mortos...” (2Co 6.9).
Deus preservou o apostolo Paulo da morte para cumprir a tarefa de levar o evangelho aos gentios. As aflições decorrentes do evangelho não são reprovação de Deus, mas oportunidades oferecidas pelo Senhor, para que seu nome seja glorificado.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...entristecidos, mas sempre alegres; ...” (2Co 6.10).
Paulo sabia que as tristezas vinham das circunstâncias que envolviam ser cooperador e embaixador de Cristo. Alegria da comunhão com Deus (At 16.19-26) o fazia superar todas essas tristezas. O apostolo mantinha-se alegre, pois seu olhar alvo estava no céu e não nas coisas do aqui e agora.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4) “...pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2Co 6.10).
O apostolo Paulo não mercadejava a Palavra (2Co 2.17), por isso, ao fazer uso da palavra (ptokós – pobres) diz que mesmo parecendo um miserável, indigente e mendigo, possuía um grande tesouro (2Co 4.7). Sua pobreza não lhe permitia ter influência, poder e prestígio nesse mundo, por isso não podia recorrer a esse mundo, mas tão somente em Deus. Por não possuir nada, sua total confiança estava em Deus. Sua esperança estava somente na graça de Deus. E era essa graça, esse tesouro que havia enriquecido e enriquecia a muitos, pois, era a única coisa para apresentar diante de Deus.
Paulo escreve aos coríntios para mostrar que “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4).
Essa segunda carta de Paulo aos coríntios é considerada por muitos como sendo a carta das lágrimas. Pode ser também considerada a carta da reconciliação.
O jeito de Deus em reconciliar consigo o mundo, foi enviar Jesus, seu único filho para morrer pelo homem pecador. E para que essa mensagem da reconciliação chegasse aos coríntios, Deus usou um homem que não parecia possuir nada. Deus usou um homem em meio aos sofrimentos e tribulações. E justamente esses episódios aparentemente contraditórios à um homem de Deus, levaram a um conflito entre os coríntios e Paulo.
E ao enviar essa carta, tem por objetivo fortalecer o seu relacionamento com os coríntios. Por isso, termina essa pericope (2Co 6.1-13), com as seguintes palavras: “Queridos amigos de Corinto, temos falado francamente e temos aberto completamente o nosso coração para vocês. Não temos fechado o nosso coração; vocês é que têm fechado o coração de vocês é que têm fechado o coração de vocês para nós. Eu falo como vocês como se vocês fossem meus filhos. Tenham por nós os mesmos sentimentos que temos para com vocês e abram completamente o coração de vocês para nós” (2Co 6.11-13).
A influência negativa dos falsos mestres havia estremecido a relação entre os coríntios e o apostolo Paulo. O verdadeiro passou a ser mentiroso, o valioso, sem valor. O ministério da reconciliação, o maior tesouro que Deus coloca a nossa disposição, é facilmente distorcido e por essa distorção, Paulo foi renegado e seu apostolado questionado. No entanto, Paulo, não se cala. Não há fé calada. Ele testemunha aos coríntios o quanto Deus, mesmo em meio aos seus sofrimentos e tribulações, fez para que soubesse da reconciliação que há em Cristo Jesus.
IELB – hoje, dia 24 de junho, completa 114 anos. Louvamos a Deus, pois, mesmo que tantas coisas ruins tenham acontecido ao longo desses anos, Deus, através desses eventos têm conduzido muitos a reconciliação com Ele.
IELB – parabéns, pois “em tudo mostramos que somos servos de Deus, ... (2Co 6.4). Amém.
Edson Ronaldo TREssmann

Não caminhamos para o fim

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Pastores e igreja não caminham para o fim!


17 de junho de 2018
4º Domingo após Pentecostes – Próprio 6
Sl 1; Ez 17.22-24; 2Co 5.1-10; Mc 4.26-34
Tema: Pastores e igreja não caminham para o fim!
Texto: 2Co 5.1-10
IELB - Parabéns pelos seus 114 anos.

O IBGE indica que 86,8% da população brasileira é cristã. Desses, 64,6% são católicos e 22,2% são evangélicos. Apesar dos evangélicos se vangloriarem de terem crescido consideravelmente, há um outro fator aliado a esse crescimento. Cerca de 20 anos atrás era comum perguntar se um católico era praticante ou não. Atualmente, esse mesmo fator ocorre dentro das igrejas evangélicas. Há o evangélico praticante e o não praticante. Esse número está constatado nos 13,6%. SE há 100% da população e 86,8% se declara cristã, falta 13,6%. Nesses números está incluso os não praticantes, os ateus, agnósticos, espiritas, neoesotéricos.
Entre os jovens o número é preocupante. A faixa etária entre os 18 a 34 anos, 34,3% são católicos, 19,3% são ateus, evangélicos e espiritas são 14,9%, jovens que dizem crer, mas sem igreja são 6,7% e os agnósticos somam 6,2%. A maioria desses jovens estão concentrados na região sul e sudeste. Observe que os ateus, agnóstico e sem igreja representam 32,14%.
No mundo, o ateísmo na faixa etária entre 18 e 34 anos soma 54%. Na faixa etária entre os 35 e 49 anos é de 24%. A faixa etária entre os 50 e 64 anos é de 15%. E acima dos 65 anos o ateísmo compõe um grupo de 7%. Somando a população total do mundo, em todas as suas faixas etárias, 11% se declaram ateus, ou seja, 749,6 milhões de pessoas.
No Brasil, 137 milhões de pessoas dizem crer em algo. E esse crer em algo, não envolve apenas o Deus único e verdadeiro.
A igreja cristã tem uma importante tarefa no cenário mundial. Ela precisa continuar confessando a sua fé.
Por que apresentar esses números? Por mais que os números assustem, na época em que Paulo escreveu a segunda carta aos coríntios, a situação era pior, pois o número de cristãos era menor que os não cristãos. E o cristianismo só se espalhou por todos os cantos da terra, porque pessoa como o apostolo Paulo não tiveram medo de testemunhar.
Cristão estão assustados com o crescimento desenfreado do ateísmo nas suas mais variadas ramificações e muitos até tem deixado de testemunhar, julgando que o evangelho não terá mais força diante dessa avalanche de descrentes e não praticantes do evangelho.
Nesse mundo conturbado é preciso confessar, assim como o apostolo fez ao escrever aos Coríntios. E a confissão do apostolo Paulo a respeito da ressurreição, da transformação dos vivos quando Jesus voltar, foi dada num contexto onde os gnósticos, filosofia grega e romana desprezavam o corpo e valorizavam a alma, espírito. Pode se dizer que atualmente há muita valorização ao corpo e desvalorização ao espírito, afinal, a vida eterna está sendo ignorada, assim como sempre foi.
O apostolo Paulo fala sobre a vida aqui e agora e também sobre a eternidade.
Para que os coríntios entendam sua argumentação, Paulo usa duas figuras de linguagem. Ele fala sobre barraca, casa e vestimenta.
Paulo tinha como oficio, fabricar tendas (Atos 18.3). E compara o corpo humano, enquanto nesse mundo, a uma tenda. Ou seja, devido à natureza pecaminosa, o ser humano nesse mundo é frágil. Por essa fragilidade, o corpo humano está sujeito ao sofrimento, a doença e a morte. Quem de nós nunca ficou doente? Sofreu? Enterrou algum ente querido?
Somos simples barracas nesse mundo. Frágeis e sujeitas qualquer sofrimento e tribulação. E enquanto a filosofia, o gnosticismo e as seitas, ignoravam a ressurreição, por desprezarem o corpo e se ainda hoje ignoram a ressurreição por ignorarem o espírito, Paulo testemunha com palavras inspiradas pelo Espírito Santo que “de fato, nós sabemos que, quando for destruída esta barraca em que vivemos, que é o nosso corpo aqui na terra, Deus nos dará, para morarmos nela, uma casa no céu. ...” (2Co 5.1).
Paulo se diz sabedor da ressurreição e da transformação do corpo, afinal, aos coríntios já havia escrito, como um testemunho assinado: “Escutem bem este segredo: nem todos vamos morrer , mas todos nós vamos ser transformados, num instante, num abrir e fechar de olhos, quando tocar a última trombeta. Ela tocará, os mortos serão ressuscitados como seres imortais, e todos nós seremos transformados. Pois este corpo mortal precisa se vestir com o que é imortal; este corpo que vai morrer precisa se vestir com o que não pode morrer. Assim, quando este corpo mortal se vestir com o que é imortal, quando este corpo que morre se vestir com o que não pode morrer, então acontecerá o que as Escrituras Sagradas dizem: “A morte está destruída! A vitória é completa!”. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu poder de ferir?” O que dá à morte o poder de ferir é o pecado, e o que dá ao pecado o poder de ferir é a lei. Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Co 15.51-57).
E já que ainda estamos aqui no mundo, “gememos” (2Co 5.2). Por mais que os coríntios quisessem ignorar, por mais que a filosofia com seu argumentos quisesse negar, por causa do pecado, nesse mundo enfrentamos a dor, o sofrimento, a tribulação. Ao dizer que o gemido se deve ao fato de sermos uma barraca, ou seja, por sermos frágeis e sujeitos as intempéries desse mundo, o apostolo ressalta que o gemido não se deve ao fato de querer se livrar do corpo, mas, por saber que mesmo ante a esse gemido, vamos receber um corpo glorioso (2Co 5.4).
Paulo está dizendo que, enquanto, as pessoas ignoram os sofrimentos e tribulações, e ficam se queixando pelos mesmos, o que vive pela fé, diante do sofrimento, também geme, mas, certo da casa que Deus lhe preparou em Jesus (2Co 5.4). A glória do cristão não está nesse mundo. Pois, enquanto gememos por causa dos sofrimentos nesse mundo aos quais estamos sujeitos, nosso desejo, gosto é de nos mudar para nossa nova casa no céu (2Co 5.2).
Por mais que o apostolo saiba que devido a vida eterna, morrer é lucro (Fp 1.21), ele não quer morrer. E não fala sobre isso aos coríntios. Ele fala sobre a segunda vinda Jesus. Paulo diz que mesmo diante do sofrimento, imposto a ele, por ser uma barraca, ele vive na expectativa da volta de Cristo, por isso diz que “gostaria de se mudar ...” (2Co 5.2).
Muitas pessoas tem perdido de vista o fato, a certeza de que Jesus voltará. Tenho ouvido muitas pessoas dizerem que a única certeza dessa vida é que vão morrer. No entanto, o apostolo Paulo apresenta que a única certeza é a volta de Jesus. E quando ele voltar os mortos irão ressuscitar e os vivos receberão o corpo celestial (2Co 5.4).
O apostolo fala ainda que Deus nos preparou para essa mudança (2Co 5.5). Essa mudança do corpo corruptível para o incorruptível, do corpo mortal para o imortal, da barraca para a casa celestial, é uma expectativa que Deus colocou em seus filhos e filhos. Desde que Adão e Eva foram expulsos do Éden, o homem deseja voltar para o Éden.
De onde vem essa expectativa? Não vem de nós mesmos. Ela vem do Espírito. O Espírito que nos tirou das trevas para a maravilhosa luz; o Espírito que nos regenerou.
Esse Espírito é como um cheque pré-datado com saldo em conta para sua quitação. Esse Espírito nos dá a certeza de que a dívida já teve sua parcela paga e que iremos receber o que temos para receber. O Espírito Santo é a nossa garantia de que deixaremos essa barraca e entraremos na casa celestial.
A IELB está completando 114 anos. Assim como tantas outras igrejas cristãs, enfrenta a secularização. Os cristãos, estão voltados para o aqui e agora. Tudo está voltado para o hoje, para o momentâneo. A igreja secularizada não aceita o sofrimento, não quer saber da mensagem da ressurreição. A igreja secularizada não tem mais saudade do céu, não quer saber do céu, pois tudo está voltado as coisas desse mundo.
Para a igreja secularizada o apostolo escreve: “porque vivemos pela fé e não pelo que vemos” (2Co 5.7).
O apostolo Paulo sempre viveu no limiar da morte. Ele sofreu prisões, apanhou, teve que fugir as presas, mordido por cobra, passou por naufrágios, passou fome e falta de vestimenta. Mas, não se abalou, pois não perdeu de vista a eternidade, por isso “estava muito animado e gostaria de deixar a barraca e ir morar na casa celestial” (2Co 5.8).
No entanto, querido irmão e irmã em Jesus. Por mais que temos a certeza da nossa casa celestial, por mais que sabemos que a nossa glória está no céu, não podemos ignorar a vida de boas obras.
O cristão é salvo pela fé, mas recompensado pelas boas obras que provém da fé.
Todos nós estamos no caminho do céu e do juízo. Chegará o dia em que iremos sentar no tribunal divino. E nesse tribunal ouviremos a sentença da salvação baseada na fé e receberemos a recompensa de acordo com nossas obras. Não há fé calada e não há fé sem obras.
Todos nós sabemos que não estamos caminhando para o nada. Não estamos caminhando para o fim. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Faço parte de uma igreja que não desanima


10 de junho de 2018
3º Domingo após Pentecoste – Próprio 5
Sl 130; Gn 3.8-15; 2Co 4.13-5.1; Mc 3.20-35
Tema: Faço parte de uma igreja que não desanima!
IELB – 114 anos, Parabéns!
Faço parte de uma igreja que não desanima!
1 - Ancorado na Escritura;
2 - Não prestamos atenção no que vemos;

Em 2 Coríntios 4.13-5.1 o apóstolo Paulo faz uma declaração que certamente gostaríamos que estivesse em nossa boca todos os dias: “Por isso nunca ficamos desanimados” (4.16). Nesse ano de 2018, a IELB está completando 114 anos. Nessa mensagem da série: IELB – Parabéns pelos seus 114 anos, destaco o tema: Faço parte de uma igreja que não desanima.
1 – Ancorados na Escritura
Racionalmente falando, o apostolo Paulo tinha todos os motivos para desanimar.
Paulo poderia ter desanimado, pois enfrentou grandes problemas na igreja em Corinto a ponto de adiar sua ida para essa cidade. Poderia ter desanimado quando enfrentou oposição a sua autoridade apostólica. Poderia ter desanimado ao não ser aceito pelos coríntios devido aos seus sofrimentos e tribulações (2Co 11.23-30). O apostolo Paulo poderia ter desanimado quando enfrentou aprisionamentos, espancamento, naufrágios, solidão, fome, falta de roupa e abrigo.
Em tais situações, você desanimaria? Já vi pessoas desanimando por menos. E preciso confessar que teria desanimado! E é justamente por esse motivo que esse texto (2Co 4.13 – 5.1) é riquíssimo, pois o mesmo me estimula a não desanimar nos momentos difíceis da vida.
O apostolo Paulo foi questionado e até desprezado devido aos seus sofrimentos e por sua suposta fraqueza. São questionamentos idênticos que muitos cristãos ouvem atualmente. E uma das respostas que se ouve são aquelas frases elaboradas como slogan de campanhas eclesiásticas: deixe de sofrer; o cristão não pode sofrer; ... Assim, muitos se tornaram seguidores de determinada denominação eclesiástica por fazer da mesma um amuleto para não sofrer mais.
Sofrimento - ninguém quer sofrer. Sofrimentos já levaram pessoas a desistir do casamento; de um emprego; de um filho; ...
Não quero inculcar um cristianismo masoquista, no entanto, não posso negar que o cristão sofre e sofre muito.
Diante dos questionamentos dos coríntios a respeito dos sofrimentos que apresentavam as fragilidade e vulnerabilidade do apóstolo Paulo, sua resposta foi: “As Escrituras Sagradas dizem: “Eu cri e por isso falei.” Pois assim nós, que temos a mesma fé em Deus, também falamos porque cremos” (2Co 4.13).
O sofrimento, rejeitado pelos coríntios, serve para testemunho. O apostolo João (Jo 12.42) enfatiza que não há fé calada. O apostolo Paulo, ex fariseu, exímio conhecedor das Escrituras (Antigo Testamento), a luz de Cristo compreende o ensino do Salmo 116.11 de uma maneira espetacular e transmite aos Coríntios que no meio do sofrimento, das aflições, dos perigos de morte, a salvação é enaltecida e o louvor prestado. Todo o que crê testemunha, em especial quando todos veem e tem motivos para desanimar.
Quando as pessoas, inclusive os coríntios, imaginavam que Paulo tinha tudo para desanimar, fez uma confissão: “Por isso nunca ficamos desanimados” (4.16).
Por que, mesmo que tenhamos motivos para desanimar, Paulo diz que ele e seus companheiros nunca desanimavam? Estavam ancorados na Escritura e no que verdadeiramente a mesma dizia.
Ancorado na Escritura, o apostolo Paulo lembra aos que sofrem que a morte não tem a última palavra (2Co 4.14). O sofrimento atinge os que creem apenas nessa vida. Na ressurreição, Deus libertará todos os seus filhos e filhas das aflições e sofrimentos. Ancorado na Escritura, o apostolo Paulo (2Co 4.15) ressalta que o propósito final da nossa existência na fé, mesmo no sofrimento, é a glória de Deus.
O que o apostolo Paulo destaca que as aflições e sofrimentos, embora afetem o corpo, deixem rugas no rosto, menos cabelo na cabeça ou clareia os que ficam, é o meio pelo qual Deus fortalece e renova o espírito a cada dia (2Co 4. 16-18). William Barclay escreveu em seus comentários que o sofrimento e as tribulações debilitam o corpo, mas fortalecem as fibras na alma.
IELB – 114 anos!
Faço parte de uma igreja que não desanima!
Por estar ancorado na Escritura e por 2 – não prestar atenção no que se vê;
Por qual motivo você tem desanimado?
Ancorado na Escritura, o apostolo Paulo salienta aos Coríntios que não olhassem para as tribulações e sofrimentos com demérito e nem recusasse o apostolo Paulo ou qualquer outro por esse motivo. Quando se presta atenção nas coisas que se vê, cai-se no desespero, e fica impedido de ver o que dura para sempre (2Co 4.18).
Quando o cristão está sofrendo é preciso olhar com as lentes da fé, pois são elas que permite ver além da situação do momento e visualizar a eternidade (Hb 11). O apostolo Paulo havia animado os cristãos da cidade de Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, dando-lhes coragem para que ficassem firmes na fé dizendo que “era preciso passar por muitos sofrimentos para poder entrar no Reino de Deus” (Atos 14.22).
O que está te desanimando?
O cristão vive pela fé e não pelo que vê. A fé nos desliga das glórias desse mundo (Hb 11.9,10; 11.27). E a glória eterna só nos é possível por causa da obra realizada por Jesus na cruz e por causa de Jesus, mesmo no sofrimento, eu creio e falo.
A expressão - “prestar atenção” significa olhar no alvo. O autor a carta aos Hebreus acentua aos cristãos que estavam abandonando a fé cristã para que “conservassem seus olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. ...” (Hb 12.2).
Aos coríntios, o apostolo Paulo está dizendo que seu olhar, sua atenção, seu alvo, não são as coisas que se veem. Ele não fica prestando atenção nos sofrimentos que são capazes desanimar qualquer um. Sua atenção, seu foco está nas coisas que não se vê.
Existe um marketing comercial que bombardeia os cristãos e martiriza cristãos que estão sofrendo. A propaganda apresenta pessoas que diziam viver uma vida terrível, mas agora que EU SOU ... seus problemas acabaram. Parece que a solução é ser de determinado seguimento eclesiástico.
Preste atenção - não nos sofrimentos e tribulações, mas no além daqui e agora. Olhe para aquilo que já está garantido, como disse Jesus: “Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão” (Jo 10.28).
Você está desanimado?
Preste atenção – não perca o foco! O céu já é daquele que crê. E o que crê precisa saber que também passa por situações difíceis.
Na época do apostolo Paulo, muitos gnósticos desprezavam a ressurreição e consideravam o corpo indigno e um peso morto para a alma. Filósofos gregos e romanos desprezavam o corpo, tendo o mesmo como uma tumba. Epiteto dizia que o ser humano é uma pobre alma que carrega um cadáver. Séneca enunciava que o ser humano é um escravo do seu corpo, uma cadeia imposta a liberdade da alma. Assim, negavam o sofrimento e as tribulações.
O apostolo Paulo não rejeitou o corpo, os sofrimentos e tribulações, ao contrário, exaltou a ressurreição fazendo uso de uma figura de linguagem sobre barraca e da casa no céu (5.1).
A barraca é uma moradia transitória para um viajante ou peregrino. A casa é um residência permanente. Enquanto estamos aqui no mundo, como peregrinos, vivemos nessa barraca. Dessa maneira estamos sujeitos ao sofrimento. Com a morte, deixaremos essa corpo corruptível e nesse mesmo corpo, pelo poder da ressurreição, seremos incorruptíveis. Não seremos mais um corpo fraco, expostos aos sofrimentos e tribulação.
Não ignore seu corpo e os sofrimentos pelos quais o mesmo passa, pois tudo é para glorificação de Deus.
IELB – 114 anos!
Tema: Faço parte de uma igreja que não desanima!
1 - Ancorado na Escritura;
2 - Não prestamos atenção no que vemos;
Amém!
Edson Ronaldo Tressmann
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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Pastores proclamam Cristo como Senhor e servem a igreja!


03 de junho de 2018
2º Domingo após Pentecoste – Próprio 4
Sl 81.1-10; Dt 5.12-15; 2Co 4.5-12; Mc 2.23 - 28
Tema: Pastores proclamam Cristo como Senhor e servem a igreja!
Parabéns IELB - 114 anos!

Texto: 2Co 4.5-12

Com exceção de 2Co 8 e 9, o tema geral da segunda carta aos Coríntios deve ser: autoridade apostólica de Paulo.
Os coríntios não queria mais dar ouvidos as instruções de Paulo. Estavam questionado e não aceitando a sua autoridade.
2Corintios é a carta mais pessoal que Paulo escreveu. As circunstâncias o obrigou a falar repetidamente da sua pessoa, sua atuação e sofrimento. É um discurso de defesa, mas a carta não deve ser lida dessa maneira (2Co 12.19).
O apostolo Paulo, sempre preocupado com o evangelho, a igreja e as pessoas, sabe que não é sua pessoa que está em jogo. Mas, ao se defender, o faz para o bem da igreja de Corinto. É preciso fazer com que sua autoridade e mensagem sejam reconhecidas.
Algo muito sério aconteceu em Corinto que atingiu Paulo profundamente. Foi esse acontecimento que tornou difícil a ida à Corinto. Paulo fala de um homem que “causou tristeza” e “cometeu injustiça”, e de outro que foi “entristecido” e “sofreu agravo” (2Co 2.5;7.12).
Por ora Paulo desistiu da visita a Corinto e escreveu a carta (2Co 2.4). Essa carta foi levado por Tito. Tito não foi negociar e discutir, mas participar de uma decisão que precisava ser tomada rapidamente. Paulo quis encontrar Tito em Trôade. No entanto, Tito não veio e Paulo interrompeu sua evangelização e foi para a Macedônia encontrar-se com Tito (2Co 2.12). Ao encontrar-se com Tito, o mesmo lhe deu boas noticias de Corinto. A situação havia sido resolvida e na carta escreve sobre sua alegria pelos Coríntios (2Co 7.5-16). E diante das notícias escreveu essa carta, possivelmente a terceira.
O que merece destaque é o fato de apesar dos problemas, apesar de algumas pessoas causarem muita aflição ao apostolo Paulo, ele trata aquelas pessoas de Corinto como “igreja de Deus”.
A segunda carta de Corinto mostra o quanto Paulo lutou pela igreja. 2Co 4.1-12 e 6.1-10 nos dão valiosas contribuições para a teologia prática. Paulo mostra o quão grande é a esperança dos que creem e a força que emana dessa esperança na atualidade (2Co 4.16-5.10).
Paulo escreve o que significa ser um mensageiro de Cristo.
Pastores proclamam Cristo como Senhor e servem a igreja!
Paulo só falou sobre ele devido as circunstâncias, mas nunca proclamou a respeito de si mesmo.
Em Corinto, muitos se recusaram a aceitar o evangelho, para estes, o evangelho permanecia encoberto (2Co 4.4). Para o apostolo Paulo o problema não era o evangelho, nem os apóstolos, mas os ouvintes. Observe o seguinte exemplo: Mesmo em dias nublados o sol continua brilhando, mesmo que não o vejamos. O evangelho brilha, o problema é que muitos não o veem. O diabo não deixa ver a luz do evangelho lançando ilusões diante das pessoas e faz isso pelos falsos pregadores e também pelos problemas dentro da igreja.
Tenho observado nessa minha curta carreira de pregador que muitos pregadores ao longo dos anos tem construído monumentos a si mesmos, muitos pregadores tem promovido a si mesmo, tanto que em muitas fachadas de igrejas, ostenta-se a foto do líder e Jesus, mesmo que numa simples imagem, tem sido ofuscado.
Infelizmente, alguns pregadores tem buscado fã clube, buscam ser servidos. No entanto, a Palavra de Deus anuncia que o mensageiro é servo e não uma celebridade. Todo pregador é servo da igreja e não serve-se da igreja. O pregador serve a igreja com aquilo que possui e que não vem dele mesmo. O pregador é servo da igreja não para uma auto promoção, ou busca de glória. O pregador serve por servir Jesus Cristo.
O resultado da pregação não está na locução do pregador, afinal é Deus quem faz brilhar a luz do evangelho (2Co 4.6), assim não há nada para se engrandecer, ou vangloriar a si mesmo. Os falsos pregadores pregam a si mesmo, e enquanto continuarem proclamando seus feitos e atos, a luz do evangelho não irá brilhar sobre as pessoas.
A luz do evangelho a qual Paulo destaca é a luz que o atingiu na estrada para Damasco (At 9.3,4). É preciso lembrar que o apostolo Paulo não exalta a sua conversão, ou aceitação de Jesus, mas o valor da sua conversão.
O apostolo Paulo ao escrever aos Corintios, lhes transmite a mensagem do evangelho que nocauteia o culto à personalidade. O importante nunca é o obreiro, mas a obra. Você já observou a construção de prédios e casas. As placas informam o novo do arquiteto. No entanto, o arquiteto só será procurado se a obra ficar bonita, segura, ... O mesmo é com o evangelho e a igreja, pessoas estão deixando de procurar o verdadeiro dono da obra, Jesus, porque outros querem ser os arquitetos da obra.
Para ilustrar a importância da obra e não do obreiro, Paulo usa a metáfora muito conhecida na época sobre o vaso e o valioso tesouro que estava guardado dentro dele.
Corinto era famosa por sua cerâmica, pelos vasos de barro. Havia também pequenas lamparinas de barro, que eram baratas e muito frágeis. Vaso era muito comum e estava presente em cada casa do Oriente antigo. Eram baratos e quebravam com facilidade. Por isso, o valioso era o que estava dentro do vaso e não a peça em si.
Por mais que Paulo parecesse aos Corintios fraco demais devido aos seus sofrimentos, tribulações, abatimento, o importante era o que ele oferecia, ou seja a verdade do evangelho. Essa verdade do evangelho, a luz de Cristo, era a esperança e a força que o fazia suportar todas as situações (2Co 4.16-5.10). Paulo reconhecia sua fragilidade, assim como a de um vaso, mas sabia que era guardado pelo mesmo tesouro que possuía.
Paulo sabia com qual finalidade a luz do evangelho brilhou sobre ele (At 9.15) e que somos vasos para que Deus nos use (2Tm 2.21). Tanto que Paulo afirma que os pregadores do evangelho são vasos de barro, frágeis, para que saibam que na sua vulnerabilidade, é o poder de Deus que os sustenta.
Não há ministério sem dor. A vida ministerial não é estar numa estufa espiritual onde nada atinge o pregador ou o cristão. O pregador do evangelho não tem como propósito ser aplaudido. O pregador do evangelho carrega as marcas de Jesus.
Paulo foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado em Filipos, escorraçado em Tessalônica em Beréia, chamado de tagarela em Atenas e impostor em Corinto. Paulo enfrentou feras em Éfeso, preso em Jerusalém, acusado em Cesaréia, naufragou no caminho à Roma, picado por cobra em Malta. Sofreu prisões, açoites, apedrejamento, fome, frio, pressão de todos os lados. No entanto, todas essas fraquezas, toda essa fragilidade, não ofuscava o valor do tesouro que possuía.
Toda essa fragilidade e vulnerabilidade atinge Paulo e os seus companheiros e pregadores com um só objetivo: para que a mensagem de Cristo chegue as pessoas e assim sejam salvas. Tudo o que aconteceu também em Corinto, aconteceu para que encontrassem a vida em Jesus o verdadeiro tesouro.
Por esse motivo, Paulo escreveu: “Pois nós não anunciamos a nós mesmos; nós anunciamos Jesus Cristo como o Senhor e a nós como servos de vocês, por causa de Jesus” (2Co 4.5). Amém!
Rev. Edson Ronaldo Tressmann