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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quando menos se espera!

30 de julho de 2017
8º Domingo após Pentecostes
Sl 125; Dt 7.6-9; Rm 8.28-39; Mt 13.44-52
Tema: Quando menos se espera!

Mateus dedicou um capítulo, o 13, as parábolas. Essas parábolas do Reino nos dão uma belíssima lição.
As primeiras parábolas narradas pelo evangelista Mateus (Mt 13.1-43), Jesus conta a parábola da semente e do semeador. A semente é a Palavra de Deus. O semeador é Cristo e aqueles que antes e após ele semearam e semeiam a Palavra de Deus. Pela semente do evangelho pessoas são colocadas no Reino. O Reino é uma composição de pessoas.
As parábolas do tesouro escondido, da pérola e da rede (Mt 13. 44 – 52) Jesus mostra sobre como as pessoas encontram e apreciam esse tesouro: o Reino de Deus.
Quando menos se espera
1 – Um valioso tesouro
Um tesouro escondido era comum na época. Eram tempos que não havia segurança quanto aos bens, não haviam bancos, seguros, .... Além do mais, eram dias de muitas revoluções e banditismo. Por isso, era muito comum as pessoas dividirem seus bens em três partes. Uma para ser usada no dia-a-dia; outra era convertida em pérolas preciosas, e uma terceira parte era enterrada.
Quando Jesus fala sobre um desconhecido ter achado um tesouro escondido não estava inventado algo para chamar atenção. Jesus simplesmente estava usando um fato comum e corriqueiro para ilustra o mistério do reino de Deus.
Na parábola do tesouro escondido Jesus ressalta que o homem encontrou o tesouro escondido sem procurá-lo, foi por acaso.
Na parábola das pérolas, o homem estava sim procurando pérolas, mas também por acaso, encontra uma pérola muito preciosa entre outras. O homem está procurando pérolas, ou seja, está buscando uma satisfação pessoal, riqueza. Mas, encontra algo muito mais valioso.
O reino do céu é como um tesouro escondido num campo, que certo homem acha e esconde de novo. Fica tão feliz, que vende tudo o que tem, e depois volta, e compra o campo” (Mt 13.44).
A pessoa descrita na parábola pode ser comparada a mim e a tantos outros. Uma pessoa vivendo sua vida normalmente, voltado para muitas coisas, mas não para as coisas de Deus. No entanto, de repente, se defronta com a Palavra de Deus. Por esta Palavra é chamado e iluminado.
Ouvindo a voz do evangelho, a pessoa reconhece que o maior de todos os tesouros é o Reino de Deus. “O reino do céu é também como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola” (Mt 13.45-46).
Quando menos se espera
2 – O tesouro nos encanta
As duas parábolas (tesouro escondido e da pérola) apresenta que inesperadamente, na rotina diária, ambos são confrontados com a Palavra de Deus.
Pela semente do evangelho são chamados à fé. Pelo evangelho reconhecem a graça de Cristo. Cristo é o maior tesouro. Diante da Palavra de Deus só resta confessar que Cristo com seu Reino é o maior tesouro.
Nestas duas parábolas (tesouro escondido e da pérola), Jesus mostra que não é a pessoa que busca ou se esforça em encontrar a Deus. Espiritualmente somos cegos, mortos e inimigos de Deus, por isso, em seu amor e misericórdia, Deus busca e vem ao encontro das pessoas com a semente do evangelho. Pelo evangelho Deus chama à fé. Todos que foram e são encontrados por Deus no evangelho, passam a reconhecer Cristo e o seu Reino como seu maior tesouro. Ouça as palavras do apóstolo Paulo: “... o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual, perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo, e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseado na fé; para o conhecer e o poder da sua ressurreição (Fp 3.7-10).
Quando menos se espera
3 – O tesouro verdadeiro
O Reino do céu é ainda como uma rede que é jogada no lago. Ela apanha peixes de todos os tipos. E, quando está cheia, os pecadores a arrastam para a praia e sentam para separar os peixes: os que prestam são postos dentro dos cestos, e os que não prestam são jogados fora. No fim dos tempos também será assim: os anjos sairão, e separarão as pessoas más das boas, e jogarão as pessoas más na fornalha de fogo. E ali elas vão chorar e ranger os dentes de desespero” (Mt 13.47 – 50).
O pescador que lança a sua rede e após a pesca seleciona os peixes, ficando com os bons e jogando fora os peixes ruins.
Essas são palavras de Jesus dirigidas para sua igreja neste mundo. A Palavra, a semente, é lançada constantemente a todos. Alguns ouvem e refletem nelas, outros não. Infelizmente, muitos conseguem fingir ser trigo, ser um bom peixe no aquário de Deus, mas, aquele que nos chamou pelo evangelho não se engana. A separação será feita no dia do juízo.
Desde o batismo fomos acolhidos e integrados no Reino de Deus. Cristo e seu Reino é o nosso maior tesouro. Amém!

Pr. Edson Ronaldo Tressmann

sábado, 22 de julho de 2017

A declaração solene de Deus!

Sl 119.57-64; Is 44.6-8; Rm 8.18-27; Mt 13.24-30,36-43
Tema: A declaração solene de Deus!

Alguma vez já desconfiou de alguém? Qual motivo?
Vivemos dias de desconfiança – todos nós desconfiamos de alguém ou de alguma coisa.
Entre todas as desconfianças a pior de todas é a desconfiança da Palavra de Deus. Desconfiar da mensagem de Deus não é algo apenas do nosso século. Olhando para um passado longínquo, observamos Noé. Esse homem pregou 120 anos sobre o dilúvio, apenas oito pessoas de sua família foram salvas. Outro exemplo é o povo de Deus, Israel, sempre recebeu a mensagem de Deus através dos profetas, mas preferiram desconfiar de Deus e acabaram sendo exilados para a Assíria e em suas terras vieram morar outros povos que passaram a ser conhecidos como samaritanos. Outro exemplo é o povo de Judá. Também sempre receberam profetas entre eles, mas houve desconfiança, muitos doe seus líderes foram exilados para a Babilônia e lá permaneceram durante 70 anos.
Desconfiamos de tudo e de todos! Estamos aqui na igreja, mas, desconfiamos das pessoas. Desconfiamos de suas intenções, do seu interesse pelo culto. Por qual motivo estão aqui? Nós sempre desconfiamos! E a nossa desconfiança não é apenas com as pessoas, mas também em relação a Deus.
E é justamente para pessoas desconfiadas, pessoas que estavam passando a confiar em outros deuses e em suas alianças políticas é que o profeta Isaías transmite as seguintes palavras: “O Senhor, o Rei Salvador de Israel, o Deus todo poderoso, diz: Eu sou o primeiro e o último, além de mim não há outro deus” (Is 44.6)
A Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último, aparece 8 vezes na Bíblia. 3 vezes em Isaías (Is 41.4; 44.6; 48.12) e 5 vezes em Apocalipse (Ap 1.8; 1.17; 2.8; 21.6; 22.13). Os desconfiados podem conferir em casa logo após o culto.
A declaração solene de Deus – é uma declaração para um povo desconfiado. E na minha opinião nunca foi tão necessária como é nos dias de hoje. A epidemia da desconfiança é generalizada. (o fulano de tal é político e está fazendo tal projeto; o pastor está falando muito de oferta; vi sua esposa sozinha ontem no shopping; seu marido estava conversando com uma mulher; ...). Tudo tem se tornado motivo para desconfiar.
A Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último, aparece 8 vezes na Bíblia quer nos convidar a crer tão somente em Deus. Mas, infelizmente, também estamos desconfiados de Deus. Certa vez num velório afirmei que todo aquele que morre na fé em Jesus, tem a vida eterna. A pessoa respondeu: Será? E eu disse a pessoa, sim, é verdade, Jesus garante isso na sua palavra quando disse: Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25).
O ser humano não está apenas desconfiado do ser humano – ele desconfia de Deus. O povo de Deus, muitos que já haviam visto o que havia acontecido com Israel, continuavam teimando, não ouvindo e crendo na mensagem de Deus.
A Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último – é um convite a confiança e a certeza de que Deus continua agindo na história. Deus fala ao seu povo que, não importa o que eles irão fazer, quais alianças irão assinar, e quantos exércitos terão a sua disposição, Deus, o primeiro e o último, tem o controle sobre todas as coisas.
A Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último, que aparece 8 vezes na Bíblia é uma porta de esperança para os filhos de Deus, principalmente os que estão contaminados pela desconfiança.
O livro do profeta Isaías é apontado por muitos estudiosos como sendo o quinto evangelho. Os capítulos 40 ao 66 há uma verdadeira predominância dos textos messiânicos e escatológicos. E cada seção termina com o mesmo refrão: “Os que praticam o mal: “Para vocês não segurança” (Is 48.22; 57.21; 66.24).
A Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último, uma declaração que aparece 8 vezes na Bíblia quer transmitir um recado especial a todos. O profeta Isaías estava comunicando que apesar de toda maldade que cercava o povo de Deus através da Babilônia, essa já estava destruída e o povo de Deus estava salvo.
A Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último – traz um recado especial para nós. Diante de toda a maldade humana, nós somos impotentes, mas o primeiro e o último, continua no controle. Ele tem domínio sobre toda a história, inclusive as ruins que acontecem conosco, “pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano” (Rm 8.28).
A verdade é uma só: diante da Declaração solene de Deus: Eu sou o primeiro e o último, que aparece 8 vezes na Bíblia, haverá os que creem e os que vão continuar desconfiados, mas é justamente aos desconfiados que Deus continuará declarando solenemente: Eu sou o primeiro e o último. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 18 de julho de 2017

O campo é o mundo!

23 de julho de 2017
7º Domingo após Pentecostes!
Sl 119.57-64; Is 44.6-8; Rm 8.18-27; Mt 13.24-30,36-43
Tema: O campo é o mundo” (Mt 13.38)

O campo é o mundo” (Mt 13.38).
Porque Jesus ressalta que o campo é o mundo? Para que ninguém incorra no erro de afirmar que a igreja é o campo onde joio e trigo crescem juntos.
A igreja não é classificada como uma instituição política, comercial, ou uma associação de amigos.
Aqui precisamos fazer uma reflexão profunda. Ou seja, é necessário entender que ao comparar a igreja com um campo onde trigo e joio crescem juntos; ao comparar a igreja com uma rede que apanha peixes bons e ruins; ao comparar a igreja a uma festa de casamento à qual comparecem também virgens néscias, e segundo outra parábola, certo homem teve acesso sem as vestes nupciais, Jesus não refere-se a essência da igreja. O joio, os peixes ruins, as virgens néscias, o homem sem vestimenta adequada, é a maneira pela qual a igreja se apresenta externamente nesse mundo. A verdadeira igreja, a igreja invisível aos olhos humanos, mas visível aos olhos de Deus, é uma igreja constituída apenas de ovelhas boas, pessoas regeneradas. Mas, a igreja, por causa da natureza pecaminosa nunca se apresenta na forma de uma congregação composta apenas de cristãos fiéis.
Infelizmente, de maneira visível, vê-se que muitos apenas buscam satisfazer seus próprios desejos mundanos aderindo-se externamente a uma congregação. Pode-se ver o quanto uma pessoa vai a igreja, mas não podemos determinar se, de fato, pertence à igreja.
Uma pessoa pode aparentar ser cristã enquanto na realidade não é. Muitos desses cristãos se satisfazem com um conhecimento que nada mais é do que um mero resumo da fé cristã. Não buscam progredir no conhecimento da Palavra de Deus. O cristão tem sempre um grande desejo pela doutrina de Cristo. Veja que os apóstolos não paravam de fazer perguntas a Cristo. Homens de são consciência clamam pela verdade e pelo ensino correto da Palavra de Deus.
Só há duas classes para a humanidade. Crentes e descrentes, santos e ímpios, convertidos e não convertidos, regenerados e irregenerados.
O evangelista Mateus dedicou uma longa seção, o capítulo 13, para descrever as parábolas que Jesus contou. Ao despedir-se da multidão e chegar em casa, os discípulos querem entender a parábola do joio do campo. Além de lhes explicar a mesma, ainda lhes conta a parábola do tesouro escondido, da pérola, da rede e de coisas novas e velhas.
Nesse mundo que é o campo, a boa semente, o evangelho é semeado. Mas, também é semeado a semente perniciosa.
A boa semente, o evangelho, atingiu e produziu frutos. Essa semente produziu e produz “filhos do reino” (Mt 13.38).
O perigo é que nesse campo, no mundo, a igreja, os filhos de Deus estão inseridos, assim, podem facilmente confundir o trigo com o joio. Quando pequenas, tanto o trigo como o joio são muito semelhantes e podem facilmente ser confundidas.
Os filhos do reino estão juntos com os filhos do maligno. Há vida social fora da igreja e é nessa vida social que os filhos do reino correm perigo. O que muito me preocupa é que muitas coisas malignas tem adentrado na igreja. Os filhos do reino não impactaram a vida dos filhos do maligno, ao contrário, os filhos do maligno mesmo não estando na igreja conseguiram implantar coisas dentro da igreja. Assim, a boa semente do evangelho se torna veneno por ter sido envenenada.
Lembre-se: o joio está no mundo. A igreja mesmo que não se apresente como de fato é: santa e sem mácula, ela é enviada para continuar semeando nesse mundo a boa semente do evangelho, pois, só essa semente salva o mundo. E o desejo de Deus é salvar o mundo.
No seu bairro, na sua rua, há uma boa semente. Essa semente é você. Como? Pela fé. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 11 de julho de 2017

Quem não tem fé não é membro da igreja, mesmo pertencendo a uma igreja.

16 de julho de 2017
6º Domingo após Pentecostes
Sl 65.9-13; Is 55.10-13; Rm 8.12-17; Mt 13.1-9,18-23
Tema: Quem não tem fé não é membro da igreja, mesmo pertencendo a uma igreja.

Nos muitos programas de rádio que faço de segunda a sexta me expresso da seguinte maneira: “as placas da igreja não salvam ninguém...”. Porque digo isso? É necessário que isso seja dito, afinal, muitos podem concluir falsamente que somente em determinada igreja pode-se alcançar a salvação.
A falsa conclusão de que somente em determinada igreja está a salvação, deve-se ao fato de que muitos começam a olhar a igreja apenas como uma instituição visível. A igreja passou a ser apenas a sua estrutura através de seus bispos, concílios eclesiásticos, pastores, diáconos, sínodos e outros mais.
Um dos diferenciais da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) é sua afirmação de que é salvo todo aquele que crê na obra redentora de Jesus. Só é membro da verdadeira igreja aquele que está na fé em Jesus Cristo. Que igreja verdadeira é essa? É a composição dos que creem na obra redentora de Jesus Cristo.
De nada adianta seguir determinada placa de igreja, denominação, instituição, se não há verdadeira fé, confiança em Cristo, a placa da igreja só levará a condenação.
Quem não tem fé não é membro da igreja, mesmo pertencendo, filiando-se a uma igreja. Aquele que não estiver unido a Cristo, em noivado com a maior afeição do seu coração, não pode chamar-se de cristão fiel e membro da igreja verdadeira, mesmo que siga determinada instituição religiosa. Quem quer ser o seu próprio senhor, e não é governado por Cristo, não pertence à igreja verdadeira.
A igreja verdadeira, sem placa, é uma igreja viva, constituída de pessoas dentro das quais flui a fé.
Milhares de pessoas desprezam uma igreja porque conhecem os defeitos de algumas pessoas que a frequentam e que devem fazer parte pela fé na igreja sem placa.
Jesus Cristo apresenta a igreja através de muitas parábolas que contou. Jesus diz que a sua igreja é como um campo, onde crescem juntos trigo e joio, é como uma rede que apanha peixes bons e ruins, é como uma festa de casamento à qual comparecem virgens néscias, e adentram pessoas sem trajar veste nupcial. Observe que, não é por causa do joio, dos peixes ruins, dos que não trajam roupas adequadas que a igreja com placa, institucional, deve ser desprezada. Afinal, através da atuação das igrejas e congregações cristãs, que pregam e administram os sacramentos de Jesus é que a igreja sem placa verdadeira existe.
Infelizmente, nesse mundo a igreja nunca se verá livre de hipócritas e ímpios.
Graças a Deus que muitas pessoas estão deixando suas casas aos sábados ou domingos e indo à igreja, mas, não se pode afirmar ao certo se são ou não igreja de Cristo. Só Deus conhece a sua verdadeira igreja, porque só ele vê o coração, o íntimo, de cada pessoa ou seja, quem são aqueles que creem.
Jesus garante que a igreja verdadeira se manterá de pé até o fim dos tempos! Não se desespere, afinal, se a congregação a qual você pertence prega a Palavra de Deus e administra os sacramentos conforme ordem de Jesus, continue frequentando a mesma, pois, a promessa é válida: “minha palavra não voltará vazia” (Is 55.11).
A igreja evangélica luterana do Brasil preza pela pregação da Palavra e administração dos sacramentos conforme Jesus instituiu, mas, seria leviano afirmar que somente na igreja luterana há salvação.
O magnifico da verdadeira igreja é que mesmo estando dividida em muitas placas nesse mundo, permanece sendo uma só. Há cristãos na igreja luterana, reformada, metodista, católica, etc.
A promessa de Deus persiste apesar das muitas placas que querem deter-se como únicas e verdadeiras e assim estão fazendo com que muitas pessoas não ouçam mais a Palavra de Deus. Deus disse: “Assim também é a minha palavra: ela não volta para mim sem nada, mas faz o que me agrada fazer e realiza tudo o que eu prometo” (Is 55.11).
Pessoas brigam pela placa da sua igreja. Deus, ao contrário, em todas as placas, reúne um povo para si. Onde a Palavra de Deus é proclamada e confessada, ou até mesmo lida durante o culto, ali o Senhor também está reunindo um povo para si. Toda igreja que proclama e confessa que Jesus Cristo é Filho de Deus e que ele morreu na cruz para redimir o mundo, em si está pregando e confessando o que é suficiente para que alguém chegue ao conhecimento da salvação.
Pastor, se há salvação em outras igrejas, por qual motivo eu devo continuar seguindo a igreja luterana? Porque não aceitou o chamado que lhe fizeram para uma outra denominação? Bem. Uma só resposta para duas perguntas. Devo seguir a igreja luterana e ser pastor da mesma, pela mesma ser zelosa e querer permanecer ao lado da verdade, mesmo que isso cause desavenças. É preciso cuidar, pois qualquer tipo de contaminação corre-se o risco de perder o que já se tem, a salvação.
Afirmar, assim como afirmamos, que em outras denominações também há salvação, de maneira nenhuma nos autoriza a permanecer em comunhão com outras denominações. E é justamente aqui que há um nó para muitos.
Só é possível ter salvação em outras denominações porque a salvação se dá pela fé tão somente. Como igreja luterana afirmamos que possuímos a pura doutrina, assim, há coisas que se admite em outras denominações que são contrárias ao evangelho. Como igreja luterana não condenamos os que estão no erro por desconhecimento da verdade, afinal, muitos desses podem estar na verdadeira fé.
Os luteranos só condenam aqueles que a si mesmos se condenam pela resistência à verdade conhecida.
Atendei vós, pois, à parábola do semeador” (Mt 13.18)
É preciso lançar a semente! Não importa o local, só é preciso lançar a semente. Não importa olhar para os resultados antes da semente ser lançada.
Jesus diz que o semeador ao lançar a semente enfrenta o vento, a chuva, as rochas, os pássaros, os espinhos, mas, o pior de todos os obstáculos é o diabo. “A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. ...” (Mt 13.19). O apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos coríntios disse: “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4).
O diabo não quer que a mensagem do evangelho atinja e produza seus devidos frutos. Deus ao contrário, por amor e misericórdia, continua a enviar seus semeadores para que a semente do evangelho continue sendo semeada. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann

Corrigido pelo Rev. Breno Thomé

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Aos cansados e sobrecarregados!

09 de julho de 2017
5º Domingo após Pentecostes!
Sl 145.1-14; Zc 9.9-12; Rm 7.14-25; Mt 11.25-30
Tema: Aos cansados e sobrecarregados!

A crise econômica é visível e perceptível. É só ir nos shoppings e ir a praça de alimentação, que em qualquer época é tão frequentada e cheia de pessoas, está vazia.
Ao contrário da crise econômica, a crise espiritual não é perceptível e nem visível, por mais que os olhos sejam o espelho da alma.
Marilyn Monroe, antes de morrer disse: “Não posso mais”. Elvis Presley, antes de morrer, expressou: Eu daria um milhão de dólares por um pouco de paz e descanso.
Os fardos esgotam e esmagam. Jesus conhecia muito bem a situação das multidões, tanto que as chamou de “ovelhas se pastor”. Por conhecer a crise pessoal e espiritual das pessoas, Jesus, enviou seus apóstolos. Após descrever as consequências que iriam surgir a partir do evangelho, Jesus não quer que seus discípulos nem mesmo os seus apóstolos abandonem a cruz.
Na semana passada, ouvimos de Jesus (Mt 10.37-39) a respeito do vínculo que seus filhos tem com ele. Nosso vínculo com Jesus é a cruz.
Sabedores das dificuldades em estar vinculado com Jesus, o mestre diz: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).
Aos cansados e sobrecarregados
1 – Um fardo leve e suave.
No evangelho de Mateus 11.25-30, encontramos belas palavras de Jesus. Precisamos descobrir quando e para que Jesus disse essas palavras. Para isso, é preciso olhar o contexto amplo. No evangelho de Lucas nos é apresentado esse mesmo relato após a missão dos 70. Jesus dividiu seus 70 discípulos em 35 grupos, de dois em dois. Após retornarem da missão, voltaram extremamente alegres. A alegria era porque todos os demônios lhes submetiam pelo nome de Jesus. Chama a atenção o fato de que Jesus não fica extasiado com esse relatório. Ele simplesmente responde: “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos acusará dano. Não obstante, alegrai-vos não porque os espíritos vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lc 10.19-20).
O contexto imediato do evangelho de Mateus apresenta que o cristão não pode abandonar sua cruz. Cruz é tudo aquilo que cada cristão sofre por causa do evangelho. Os discípulos eram como ovelhas no meio dos lobos, por muitos eles seriam rejeitados, humilhados, zombados. Mas, mesmo assim não poderiam deixar sua cruz.
A julgar pelo público de Mateus, pode-se concluir que Jesus estava dizendo aos judeus: “Vocês que abandonam o Messias e ainda querem cumprir a lei como requisito de salvação cuidado, ouçam ... Vinde a mim, ...”. Nesse sentido o apóstolo Paulo anuncia: “Se eu vivo querendo me salvar segundo a lei, infeliz homem que sou, quem me livra do corpo dessa morte?
Jesus estende o convite Vinde a mim a todas as pessoas. Seu convite não é apenas por uma questão humanitária ou social. O convite é feito por causa do seu amor e misericórdia. O convite de Jesus: “Vinde a mim” não pode ser desvinculado do versículo 27.
O convite de Jesus pode ser parafraseado da seguinte maneira: “Venham a mim, pois só em mim vocês conhecerão o Pai, eu sou o caminho que conduz ao Pai, eu sou a verdade que liberta, eu vos dou a vida eterna”.  
Jesus convida vinde a mim, pois é o único capaz de dar a vida eterna. Só nele há salvação. Por isso seu fardo é leve e suave.
O que é o jugo de Cristo? É a cruz que os seguidores de Cristo carregam por amor à Jesus. A cruz é leve? Ao dizer que sua “cruz é leve e suave” Jesus enaltece que ao mesmo tempo em que sua obra traz paz com Deus, nesse mundo traz a espada, ou seja, o ódio, a perseguição, a separação.
Todo aquele que crê em Cristo tem a cruz de Jesus como leve e suave, pois não é aterrorizado por aquilo que aterroriza as mentes mundanas, ou seja, a morte, o diabo, o inferno. Isso não assusta aquele que crê.
Jesus dá descanso! Ele pagou o preço total da dívida imposta pela queda em pecado. Agora, libertado do cumprimento da lei, o cristão vive uma nova vida, carregando uma cruz leve e suave. O cristão se apega a obra de Cristo todos os dias quando a lei o acusa.
Aos cansados e sobrecarregados!
2 – descanso para a alma
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).
Toda Escritura, chamada por Jesus de Evangelho (Mc 16.15), declara apenas uma coisa: CREIA. Declare seu o que Cristo adquiriu! A verdade que muitos não querem admitir é que Cristo veio realizar sozinho o que nenhum ser humano era e é capaz de realizar para sua salvação. O apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios: “...a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, ...” (1Co 1.18).
O cristianismo só é uma religião diferente de todas as demais por causa da certeza da salvação através da obra que Cristo realizou na cruz. Fazer de Jesus Cristo um novo legislador, ou seja, colocar como meio de salvação outros requisitos impostos pela lei, torna o cristianismo compatível com outras religiões e perde o seu caráter distintivo.
Cada ser humano é um miserável pecador e como tal não pode de maneira nenhuma se salvar. O cristianismo é diferente, porque através da Palavra de Deus diz que não há motivo para desespero, pois, Jesus Cristo obteve a salvação e presenteia o pecador de maneira gratuita. O convite de Jesus é maravilhoso: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. ...
Jesus convida pessoas que estão desesperadas. Seu desespero é por não conseguirem cumprir a lei dada por Moisés. Os hipócritas, que se dizem cumpridores da lei, julgam os outros por supostamente não conseguirem cumprir. Os supostos não cumpridores da lei mosaica são tidos como imorais, perdidos, fora da lei, ...
Jesus convida pecadores famintos e sedentos. Jesus não veio para se apresentar como um filósofo que diz como alguém pode alcançar o mais alto estágio da perfeição filosófica. Jesus não veio para se apresentar como um moralista cheio de práticas virtuosas. Jesus veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). Seu fardo é leve e suave. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 27 de junho de 2017

Entre a cruz e a espada!

02 de julho de 2017
4º Domingo após Pentecostes
Sl 119.153-160; Jr 28.5-9; Rm 7.1-13; Mt 10.34-42
Tema: Entre a cruz e a espada!

        Os versículos16 ao 42 do evangelista Mateus é uma seção com muitos temas. Todos os temas conduzem a preparação dos discípulos para o futuro ministério. Afinal, o ministério da misericórdia, graça e fé só seria efetivado após a crucificação e ressurreição de Jesus.
Entre a cruz e a espada!
1 – a paz da cruz
        Entre esses muitos temas encontramos discípulos surpresos com as palavras de Jesus que ressaltou que “não veio trazer paz, ... mas a espada” (Mt 10.34). Foi surpreendente porque, afinal, as profecias anunciavam um príncipe da paz (Is 9.6). A paz fazia parte dos ensinamentos de Jesus (Mt 5.9, 10.13; Mc 9.50). E de repente escutam Jesus proibindo até mesmo de pensar sobre essa hipótese, “Não penseis ...” (Mt 10.34).
        Como não pensar, se ansiosamente esperávamos por um Messias que trouxesse a paz? As Escrituras fazem referência ao príncipe da paz (Is 9.6). Os pastores nas campinas em Belém ouviram a boa nova dos anjos que disseram “glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem” (Lc 2.14).
        Como é possível, o príncipe da paz proclamar que haverá espada e não paz? Jesus na verdade não está desqualificando sua missão. Ele está advertindo sobre a oposição e perseguição que os apóstolos e discípulos sofreriam por causa do nome dele, “Pois vim causar divisão entre homem e seu pai; ...” (Mt 10.35).
Os ensinos resumidos no capítulo 10 de Mateus foram lições dadas em vários dias. Os versículos 9 a 15 se encontram em partes no evangelho de Marcos e Lucas. Ecos dos versículos 17 a 25 se encontram na parte escatológica de Marcos 13 e Lucas 21. Os ensinos dos versículos 26 a 30 se encontram dispersos em Lucas. Os versículos 40 a 42 são particulares de Mateus.
O capítulo 10 de Mateus se caracteriza a comissão e a missão dos apóstolos. Jesus fala da natureza da sua missão e a resposta que os discípulos iriam receber. Alguns receberiam a mensagem e o príncipe da paz, outros infelizmente rejeitariam. Entre esses dois grupos não há possibilidade de paz. A maior parte do capítulo 10 de Mateus aponta para o lado negativo da atividade missionária. A violência e a oposição ao evangelho.
        A oposição ao evangelho pode ser apresentada de maneira simples de acordo com as palavras do apóstolo Paulo na suas duas cartas aos coríntios. Na segunda carta Paulo disse: “...que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Co 5.19). A mensagem da cruz, a obra de Cristo é o meio pelo qual o pecador é reconciliado com Deus. No entanto, em sua primeira carta aos Coríntios Paulo disse que “...pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os judeus” (1Co 1.23).
        A oposição ao evangelho está no fato do ser humano pecador não aceitar o jeito de Deus em agir e salvar. Na obra de Jesus, na cruz de Jesus, está a paz de Deus. Essa paz é oferecida gratuitamente. No entanto, é oferecida pela cruz, pela obra de Cristo. E essa obra tem causado desespero aos ignorantes que continuam presos no rigor da lei.
        Assim como não há Jesus sem cruz, não há um discípulo sem cruz!
Entre a cruz e a espada!
2 – o discípulo
        Jesus adverte quanto ao preço do discipulado. A espada não se refere apenas a violência em si. Por espada pode se entender as divisões que a mensagem de Cristo causa. Enquanto há os que afirmam, ensinam e confessam que “o justo vive pela fé” (Rm 1.17), há aqueles que acrescentam outros elementos adicionais a fé.
        Jesus disse que sua mensagem, mensagem de paz para com Deus, seria uma mensagem que iria dividir. A divisão é visível. E será real e realizada quando Jesus voltar para julgar os vivos e os mortos.
        A igreja deixa de pregar corretamente para tentar agradar e buscar uma paz entre desiguais que não existe.
        O evangelista (Mt 10. 26-33) ressalta que Jesus fala sobre quem os discípulos devem temer. “...; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28). Um discípulo de Cristo, não deve se preocupar sobre os desagrados que a mensagem da cruz irá lhe causar, pois é uma ovelha enviada para estar no meio dos lobos (Mt 10.16) para que a mensagem da paz transforme os lobos em ovelhas.
        Qual é o preço a se pagar no discipulado? Qual é a tarefa mais árdua para um discípulo? O preço é ser perseguido, injustiçado. A tarefa é proclamar a doutrina pura do evangelho de Jesus Cristo. Expor, refutar e rejeitar ensinamentos que são contrários ao evangelho de Jesus Cristo.
        Tentemos imaginar como seria se Atanásio tivesse se calado diante dos ataques de Ario. Atanásio não se calou, ele expôs, refutou e rejeitou o ensino contrário que Ario estava disseminando. Atanásio defendeu a fé verdadeira. Se caso tivesse se calado com medo da divisão, o arianismo teria influenciado muito mais do que já influencia e, muitos outros estragos teriam atingido a igreja cristã.
        Luteranos, tentem imaginar se Lutero tivesse seguido o conselho do seu superior João Staupitz e ficasse em silêncio e silenciosamente pregasse sobre a obra salvadora de Jesus Cristo somente aos monges. Talvez ainda hoje a Reforma não teria ocorrido. Se Lutero tivesse se calado, não teria acontecido tantas coisas maravilhosas ao cristianismo como ocorreram nesses quase 500 anos após a Reforma. Se a Reforma Protestante tivesse sido calada, a Bíblia não estaria ao alcance do povo simples. A liturgia ainda seria em latim. O povo continuaria preso nas suas superstições e principalmente estaria comprando a salvação com as cartas de indulgências.
        Se esses e tantos outros homens tivessem se calado, nós estaríamos sem o conhecimento do verdadeiro evangelho.
        Atanásio, Lutero e tantos outros pais da igreja não queriam ter inimigos, não queriam ser odiados, muito menos perseguidos, mas tudo isso é bem melhor do se calar sobre a verdade. É melhor o ódio, a perseguição e inimigos do que deixar de confessar a verdade e destruir o erro. Esses homens e tantos outros conheciam, entediam e aplicavam em suas vidas as palavras de Jesus: “Vós sois a luz do mundo, vós sois o sal da terra”.
        Ser sal é fazer arder a ferida do erro. Ser luz e elucidar coisas obscuras aos olhos dos simples. Fazer arder a ferida do erro e dar luz ao entendimento é fazer cumprir as palavras de Jesus: “não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10.34).
Entre a cruz e a espada!
3 – a promessa
        Jesus transmite a mensagem escrita pelo evangelista Mateus para que os seus discípulos diante de tudo isso nem começassem a se assustar ou ficar com medo. Jesus garante que “...até os fios dos seus cabelos estão todos contados...” (Mt 10.30). Antes de subir aos céus, Jesus garante aos seus discípulos: “...estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28.20).
        O discípulo de Cristo, é enviado para pregar a verdade. Jesus proclama aos seus discípulos, antes de irem proclamar o evangelho da chegada do Salvador na Palestina. Essa mensagem além de conforto, consolo e paz de espírito, era uma mensagem que traria divisão, ódio, perseguição. Jesus em seu sermão dirigido aos seus discípulos lhes anuncia para que o medo não interfira na pregação do evangelho.
        Ser pregador do evangelho envolve uma grande responsabilidade! Não é apenas um trabalho de coragem, haja visto envolver tanto perigo. A responsabilidade envolve pregar a verdade do evangelho. Mesmo que isso custe a própria vida nesse mundo. Pois, a vida eterna com Cristo é garantida pela obra de Jesus.
        O enviado da parte de Jesus para proclamar o evangelho sabe da oposição, do ódio, da perseguição, mas também sabe que terá muitos irmãos, irmãs, pais e mães. Jesus ama tanto seus pregadores que “quem os receber, recebe a Jesus ... Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá recompensa de profeta ...E quem der de beber a um destes meus pequeninos um copo de água fresca por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não há de perder sua recompensa” (Mt 10. 40-42).
Entre a cruz e a espada!
4 – a responsabilidade
        Como está a relação entre você e aquele que Deus lhe enviou através de um chamado? Lembre-se: a relação congregado e pastor é uma evidência visível de uma relação salvífica. Ambos são amados por Deus. Deus enviou um pregador por saber da necessidade espiritual da igreja, dos congregados. Ele também dá a oportunidade para que o congregado ofereça o melhor para seu pastor, e ainda lhe garante a uma recompensa. Ambos, congregados e pastor tem responsabilidades.
        A responsabilidade do pastor é pregar a verdade, mesmo que isso cause divisão entre os membros da família. Os congregados tem a responsabilidade de manter aquele que prega a verdade sem se importar com as dolorosas consequências.
        Jesus está pregando para seus discípulos. O texto base para seu sermão é do profeta Miquéias 7.6. As palavras do profeta foram esplendidamente resumidas na frase: “não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10.34).
        O homem busca a paz! Seu desejo por paz é tanto que para isso une falsos e verdadeiros ensinos, bons e maus costumes. Lembre-se, os homens que querem paz são conforme o profeta Miquéias. Ou seja, muitos desses buscam apenas a paz humana. No entanto, a verdadeira paz não aceita traição, suborno e nem ambiciona poder. Mas, quando há ambição, intriga por poder e a paz de Jesus atrapalha, bem, o resultado é conhecido por muitos. Paz, só há uma, e essa por sua vez é desprezada e tida como causadora da discórdia entre os homens: “Deixo-vos a paz, eu vos dou a minha paz. Não como o mundo dá, eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se intimide” (Jo 14.27). Não se intimide, pois ao dizer que “não veio para trazer paz à terra, mas espada” (Mt 10.34), Jesus refere-se a essas coisas para que tenhais paz nele, pois “no mundo tereis aflições. Mas coragem! Pois eu venci o mundo” (Jo 16.33).
        A correta pregação do evangelho divide a própria igreja, divide famílias, separa amigos, traz ódio, perseguição, calúnia, mas, continuemos firmes na fé e confessemos junto com o apóstolo Paulo: “Cristo é a nossa paz...” (Ef 2.14). Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

domingo, 18 de junho de 2017

Ministério da Misericórdia

25 de junho de 2017
3º Domingo após Pentecostes
Sl 91.1-10; Jr 20.7-13; Rm 6.12-23; Mt 10.5,21-33
Tema: Ministério da Misericórdia

Os versículos 16 ao 42 do evangelista Mateus é uma seção com muitos temas. Mas, todos os temas conduzem a preparação dos discípulos para o futuro ministério: o ministério da misericórdia. Esse por sua vez só seria efetivado após a crucificação e ressurreição de Jesus.
Jesus adverte sobre a oposição e perseguição que os apóstolos e discípulos sofreriam por causa do nome de Jesus.
Há quem diga que os ensinamentos resumidos no capítulo 10 por Mateus foram muitas lições dadas em vários dias. Os versículos 9 a 15 são encontrados em partes do evangelho de Marcos e Lucas. Ecos dos versículos 17 a 25 se encontram na parte escatológica de Marcos 13 e Lucas 21. Os ensinos dos versículos 26 a 30 são encontrados dispersos no evangelho de Lucas. Os versículos 40 a 42 são particulares do evangelho de Mateus.
Mateus capítulo 10 caracteriza a comissão e a missão dos apóstolos. Jesus fala da natureza da missão e a resposta dos que iriam receber a missão da misericórdia, graça e fé. Alguns receberiam e outros rejeitariam. A maior parte desse capítulo 10 aponta o lado negativo da missão, ou seja, a violência e a oposição ao evangelho.
Jesus não engana ninguém diante do chamado, da capacitação e do envio. De maneira muitos honesta, Jesus fala sobre as consequências para aqueles que estão no reino, principalmente os apóstolos, ou seja, os que aprenderam e receberam autoridade de Jesus para ensinar, curar e expelir demônios.
Os versículos 16 a 25 apontam as três fontes da perseguição
Não espantem, mas a primeira é da própria igreja; segundo, do governo desse mundo e terceiro, da família.
Como reagir?quem ficar firme até o fim será salvo”.
Permaneça assim como é enviado, ou seja, como ovelha. A ovelha é um animal dócil, frágil e sem defesas próprias e precisa do grupo e do pastor.
Não se preocupe com os lobos que atacam sem dó nem piedade os discípulos e apóstolos de Cristo. O não preocupar-se está no fato de que Jesus é o bom pastor. E sendo ovelha do bom pastor, mesmo que eu ande por um vale escuro como a sombra da morte, não temerei, pois ele está comigo. Essa foi a promessa do Senhor ressuscitado: “estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.
Sempre houve, há e haverá àqueles que emplacam maldades para destruir os mensageiros de Cristo. Mas, graças a Deus, não são todos assim.
Não comentarei hoje sobre a perseguição eclesiástica e política ao evangelho e pregadores do evangelho. Quero destacar as palavras do versículo 21 que fala sobre a perseguição que há na própria família.
A conversão dos primeiros gentios ao cristianismo nos auxilia na compreensão dessas palavras de Jesus. Muitos dos ex gentios tiveram que abandonar toda a tradição religiosa familiar e assim passaram a ser odiados e detestados pela própria família.
Na transição entre a idade média e a moderna, Lutero foi excomungado numa época em que poderia ter sido morto como um cachorro de rua, isso por ter virado as costas a tudo aquilo que estava contra a Palavra de Deus.
É natural, mesmo em pleno século 21, pessoas que ao abandonar sua tradição religiosa, passam a ser odiados e detestados pelo restante da família.
Jesus anunciou pelo apóstolo João em Apocalipse: “quem ficar firme até o fim será salvo” (Ap 2.10).
O conselho de Jesus sobre ser astuto como as serpentes e manso como os pombos é para que os apóstolos diante da perseguição saibam que é preciso refugiar-se. Jesus praticou esse critério (Mt 4.12; Lc 4.29-30). Observe que não há mérito nenhum na busca do martírio e da perseguição. As pessoas não querem ser perseguidas, isso acontece tão somente por causa do evangelho.
Os versículos 26 a 33 é dirigido aos apóstolos que estavam temorosos diante da inevitável perseguição por causa da fé em Jesus. Diante do temor, Jesus diz que os homens tem medo dos homens pelo simples fato dos mesmos serem capazes de tirar a vida. Assim, Jesus convida: “não tenham medo de ninguém...”, afinal, os perseguidores só podem atingir o corpo.
A expressão “não os temais...” é a tradução do verbo grego que está no tempo pretérito indefinido. Assim, ao dizer “não os temais...”, Jesus estava dizendo: nem comecem a sentir medo. Fiquem tranquilos! 

No verso 28, o verbo “Não temam” está no tempo presente. É o mesmo que dizer, vocês estão proibidos de continuar a ter medo. Não há nada a temer.
Os perseguidores estão limitados em seu poder, o máximo que podem é tirar a vida. Deus, ao contrário, tem em suas mãos o destino do corpo e da alma (At 5.29).
Não tenham medo, pois, os perseguidores só procuram destruir, mas, alguém superior a eles cuida e protege (Mt 10. 29-31). Deus tem um cuidado todo especial com seus mensageiros.
Jesus não quer que o medo humano cale os apóstolos no testemunho sobre esse Deus amoroso e misericordioso. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann