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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Viver d acordo com o evangelho

24 de setembro de 2017
16º Domingo após Pentecostes
Sl 27.1-9; Is 55.6-9; Fp 1.12-14,19-30; Mt 20.1-16
Tema: Fp 1. 27: “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo.....

O que você entende por essas palavras de Paulo?
Paulo escreve essa carta da cadeia (Fp 1.7). E sua exortação é para que os filipenses se mantenham unidos.
Primeira Parte
Viver de acordo com o evangelho de Cristo é um desafio; um privilégio e uma responsabilidade. Isso só é possível permanecendo no amor, na graça e na dependência de Jesus Cristo, pois “com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”.
Paulo nos versículos 29 e 30 diz que viver de acordo com o evangelho é um privilégio. E esse privilégio não está só no servir, mas também no sofrer por causa do evangelho.
Disse o apostolo Paulo: “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...
Viver de acordo com o evangelho de Cristo é viver de acordo com a boa notícia que recebemos, ou, conforme o termo grego, Paulo aconselha a “Viver como um cidadão...
É preciso relembrar que ... sendo Filipos era uma colônia romana, seus moradores eram obrigados a viver regidos pelas leis do império romano. Assim, a exortação de Paulo “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...” é “vivam como cidadãos do reino...”.
Qual é o nosso reino? Qual é a nossa pátria? Paulo responde na carta aos Filipenses 3.20 e Jesus disse, conforme registrou o apostolo João (Jo 18.36).
Havia entre os cristãos filipenses uma forte ligação com o apostolo Paulo. Enviaram Epafrodito com mantimentos e com a responsabilidade de trazer notícias a respeito de Paulo que estava preso e já era idoso. Na carta nada nos é relatado sobre a situação pessoal de Paulo e nenhuma queixa foi registrada. Ao contrário, o apostolo Paulo testemunha que em todas as situações, Deus é quem abre a “porta da palavra” (Cl 4.3) para que o evangelho seja proclamado.
Paulo não se preocupa em dar notícias sobre sua situação pessoal. O apostolo busca reafirmar aos cristãos o que eles já sabem. Não importa a situação que se está vivendo, o desfecho final de qualquer situação é para salvação.
Paulo sabe e confessa que Nero poderia apenas aprisionar e matar seu corpo, mas não poderia de maneira nenhuma aprisionar e matar o evangelho.
O maior desejo do apostolo Paulo era que Cristo fosse engrandecido. E ele testemunha que mesmo estando preso, isso estava acontecendo através da prisão. E viver de acordo com evangelho de Cristo é uma das maneiras de engrandecer a Cristo.
Mesmo que o apostolo Paulo não soubesse o que iria acontecer com ele, transmite seu desejo (Fp 1.20). O apostolo, as vésperas do seu julgamento, não queria abandonar a sua fé, convicção e certeza de que ele era cidadão do reino dos céus. E essa fé, convicção e certeza buscava transmitir aos filipenses.
Ao exortar “agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo...”, Paulo não quer que os filipenses deixem que as intrigas, a desunião os afastem um do outro, ou até mesmo do reino. Por isso, através de sua exortação, tem como desejo alertar aos filipenses que não se esqueçam de que pátria eles fazem parte e que não deixem de viver conforme o rei dessa pátria. Diante dessa verdade, pode-se ler os textos de Rm 12.2; Fp 3.18-21; Ef 4.1; Cl 1.10; 1Ts 2.11-12; 4.1; 2Pe 1.4-9; 3.11,14.
Nesse mundo somos cidadãos do mundo, mas temos como rei o nosso Deus. Nas palavras do apostolo João (Jo 17. 1 – 21ss) Jesus deixa claro que mesmo estando no mundo, não se vive conforme o mundo. E para auxiliar os cristãos a viverem de acordo com o evangelho de Cristo viver neste mundo, Deus nos dá o Espírito Santo.
Segunda Parte
Viver de acordo com o evangelho de Cristo só é possível estando certo da salvação e sem medo dos inimigos.
Quais são esses inimigos? Alguns são citados por Paulo em Fp 3.2,18. Pode-se destacar que aqueles que perseguem os cristãos também são inimigos.
Diante da perseguição, dos ensinamentos falsos, os filipenses deveriam se manter firmes e inabaláveis. Deviam continuar vivendo de acordo com o evangelho de Cristo.
Paulo esclarece que a vitória não será daquele que por suas forças permanece fiel, mas sim, a vitória do cristão vem de Deus (Ef 2.8; Jo 15.16; Cl 3.12; 1Jo 5.4-5).
Permanecendo na fé, a vitória é certa (Jo 3.18). E Paulo tem essa certeza, por isso confessou no “Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro”. E essa é a atitude que Paulo deseja que os filipenses tenham diante dos inimigos que anunciam outro evangelho.
Não pode haver fuga diante dos inimigos, ou da perseguição, pois nossa pátria não está nesse mundo, Rm 14.8; Rm 8.37.
Aplicação
Você quer continuar vivendo de acordo com o evangelho?
Este é o desafio, o privilégio e a oportunidade. Assim, não descuide da união. Continuem firmes e unidos. O termo firme, usado no versículo 27 é um termo militar. Significa que todos estão plantados em seus postos e não se afastarão por nada. Permanecer firme é: “permanecer na verdade”. A verdade de que estamos no mundo, mas, nossa pátria é o céu e somos governados pelo evangelho.
Continuar vivendo de acordo com o evangelho é permanecer na verdade. Não se desvie dela, nem quando estiver sendo perseguido, nem quando tentarem te enganar com falsos ensinos e não se desunam. A verdade é uma só: 2Sm 7.28; Sl 119.160; 138.2; Jo 14.6; 17.17.
Vivam de acordo com o evangelho de Cristo!
Deus nos abençoe! Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A prática do perdão ao ultimo extremo!

17 de setembro de 2017
15º Domingo após Pentecostes
Sl 103.1-12; Gn 50.15-21; Rm 14.1-12; Mt 18.21-35
Tema: A prática do perdão ao último extremo!

O evangelista Mateus usa uma palavra rara para apresentar a história que foi contada por Jesus. O evangelista Mateus utiliza o termo makrothymia: que expressa passividade, submissão resignada a uma situação que é, para todos os efeitos práticos irremediável.
Paciência é a palavra adotada pelos tradutores para Makrothymia. No entanto, essa paciência é refrear a ira e a fúria. Esse é um atributo de Deus, “o Senhor é tardio em irar-se...” (Na 1.3).
Os israelitas apelavam para a clemência, para a paciência de Deus, quando reconheciam seus pecados. Eles sabiam que Deus em sua clemência e paciência sempre estava disposto a conceder sua graça. Mas mesmo assim, todo israelita sabia que era possível fazer irromper a ira de Deus (Sl 7.12; Mt 18.35).
Muitos cristãos hoje sofrem por causa da clemência e paciência de Deus. Mateus 18.15-20 retrata as três maneiras para se resgatar o caído.
O profeta Jonas é um belo exemplo de alguém que sentiu grande dificuldade em concordar com a paciência e clemência de Deus (Jn 4.2).
Deus é paciente e clemente, afinal, seu objetivo é salvar o homem pecador.
Jesus havia instruído seus discípulos sobre a ação cristã diante de um pecado cometido contra a pessoa. Jesus ressalta três alternativas para se restabelecer a convivência entre as pessoas. Jesus também ressalta a disposição em perdoar, não apenas quatro vezes que era comum entre os rabinos, mas sempre.
Ao contar a parábola do servo incompassivo, Jesus ilustra a atitude divina para com o perdão e a nossa maneira de tratar o próximo.
A dívida do primeiro servo na parábola não tinha a menor possibilidade de ser paga. Esse por sua vez clama pela paciência do rei, pois resgataria todo o empréstimo. O rei, por sua vez, fez muito mais que isto: perdoou-lhe a dívida toda.
Esse servo perdoado ao sair encontrou um homem que lhe devia uma valor correspondente a uma diária de trabalho (Mt 20.2). Esse servo também clamou por paciência, mas, não recebeu o mesmo tratamento.
Jesus ensinou a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12,14-15). O perdão não depende de sentimentos humanos comuns, o perdão está intimamente ligado com a atitude que lhe foi mostrada, ou seja, “assim como eu me compadeci ... igualmente devias tu”. Os incompassíveis serão excluídos da misericórdia de Deus (Mt 18.35), e aqueles que recebem o perdão de Deus devem demonstrar a mesma atitude de perdão para com os outros.
Conforme o Novo Testamento, “igreja” significa comunidade dos crentes em Jesus. A igreja é santa por ter sido chamada por Jesus, por ter sido santificada por Cristo e vivificada pelo Espírito Santo. A igreja é o povo santo. A igreja é composta por aqueles que depositam sua confiança em Cristo e esperam receber apenas dele a justiça e a salvação. A igreja é a composição de pessoas perdoadas em Cristo. Lutero disse que “a igreja está repleta de perdão dos pecados”. O perdão é o maior presente dado à igreja! O perdão é o maior recurso da igreja! O perdão é a prática até o último extremo.
Com a parábola do credor incompassivo Jesus apresenta a clemência de Deus para com o pecador que não consegue de maneira nenhuma saldar sua dívida diante de Deus.
Deus é paciente para com o pecador (1Pe 3.20). E essa paciência visa salvar (1Tm 1.16; 2Pe 3.15).
A igreja depende exclusivamente dessa paciência divina. Em sua paciência, Deus conserva aberta a porta para uma nova vida na prática do perdão.
No mundo em que se vive, a prática do perdão tem se tornado anormalidade. Mas, na igreja essa prática expressa algo recebido de Deus. A igreja “não recebe em vão a graça de Deus” (2Co 6.1). A paciência e o perdão para com outro pecador não é uma virtude, mas uma modo de vida. Vive o perdão aquele que é perdoado!
O único motivo em Deus perdoar o pecador que tem para com Deus uma dívida que não pode ser saldada é a sua graça e o seu amor. O perdão não foi conquistado pelo pecador. A verdade é que o pecador não o merece, o recebe das mãos graciosas de Deus em Jesus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Atitudes de um relacionamento com Deus!

17 de setembro de 2017
15º Domingo após Pentecostes
Sl 103.1-12; Gn 50.15-21; Rm 14.1-12; Mt 18.21-35
Tema: Atitudes de um relacionamento com Deus!

O cristão é um ser dividido, difícil de entender, afinal, interiormente, é fé, exteriormente, carne. Pela fé, o cristão é alguém puro, perfeito, sacerdote real. Mas, na carne e vivendo nesse mundo, o cristão é assaltado por inclinações malignas, tais como, impaciência, medo, ódio, rancor, desejo de vingança, ...
O grande problema é que a fé ainda não penetrou por completo sobre a carne. Nesse sentido, temos uma grande lição por aprender de José e Davi. Homens simples. Pecadores assim como nós o somos, no entanto, o relacionamento com Deus, os torna exemplos para cada nós em pleno século XXI.
Davi era filho numa família de oito irmãos. Era pastor de ovelhas. Foi nomeado rei pelo próprio Deus. José era filho numa família de 12 irmãos. Foi vendido, preso, foi feito governador pelo Faraó.
Davi e José são dois personagens, um presente no relato (Gn 50.15-21) e Davi, autor do Salmo 103.
Pensando nesses dois personagens destaco o tema: atitudes de um relacionamento com Deus!
1 – O exemplo de Davi.
Davi significa amado. Passou sua vida em Belém de Judá. Era o mais novo dos oito filhos de Jessé (1Sm 16.10,11; 17.12-14). No registro da tribo de Judá em 1Crônicas 2.13-15 aparece apenas sete desses filhos. Isso ocorreu por ter morrido um deles antes de ser registrado. A mãe de Davi era uma mulher terna e piedosa (Sl 86.16; 116.16). Davi tomava conta das ovelhas de seu pai. Foi feito rei em lugar de Saul. Como rei, Davi, num momento de deslize, cometeu dois graves pecados: adultério e assassinato.
O profeta Natã foi enviado por Deus para conversar sobre seu pecado. Após o relato da conhecida parábola da cordeirinho (2Sm 12.1-13), Davi profundamente arrependido, reconheceu seu pecado e recebeu perdão desses pecados que deveriam ser punidos pela morte em praça pública (Lv 20.10).
Essa experiência de pecado, arrependimento e perdão foi marcante na vida de Davi. Ele escreveu dois salmos sobre essa experiência (Sl 32 e 51). Davi teve uma experiência vivencial da desgraça que é ser pecador. Por ser pecador, o ser humano é capaz de todas as atrocidades que provém da carne.
O arrependimento, o perdão e a fé fizeram de Davi um homem diferente a medida em que o tempo foi passando.
No Salmo 103, Davi, que tinha o dom da música (1Samuel 16.16-18), canta a graça de Deus. Davi faz uma descrição bela e profunda de Deus. Davi exclama que Deus é amor. Por esse amor, um amor misericordioso, todo nosso ser louva a Deus. Todo o louvor brota do agir de Deus. Deus é aquele que perdoa, resgata, coroa e sacia. O agir de Deus revela quem Ele é. “Deus guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ...” (Ex 34.7).
Davi, que havia sido criado num lar piedoso e cristão, ouviu falar dos atos poderosos de Deus, tanto que o Salmo 103, nas palavras de Lutero, pode ser uma pequena Bíblia. Afinal, toda a Bíblia é aqui resumida. Davi pede que ninguém se “esqueça dos benefícios de Deus” (Sl 103.2).
Deus não ama o ser humano por uma razão, por uma qualidade do ser humano. Deus ama por que ele é amor, fonte de amor. Dessa fonte de amor sobressai todo o temor a Deus.
Temer a Deus significa guardar a sua aliança e lembrar-se de cumprir os seus preceitos (Sl 103.18). Os que temem ao Senhor é a composição da assembleia reunida no templo para adorar e rezar (Sl 22.26). O temor ao Senhor se dá na prática religiosa. Ensinar o temor não é imprimir medo, mas ensinar orações, os dez mandamentos, iniciar uma vida de confiança em Deus.
A relação de Davi com Deus, era uma relação ancorada no amor e na misericórdia de Deus. Por causa desse amor e misericórdia, Davi bendizia ao Senhor (Sl 103.1; 104.1; 146.1). Bendizer é a tradução do termo hebraico barakh e significa responder por algo recebido.
Atitudes de um relacionamento com Deus! Bendizer.
Atitudes de um relacionamento com Deus!
1 – O exemplo de José
Quando fala-se sobre as atitudes de um relacionamento com Deus precisamos nos lembrar de José. A atitude de José foi de perdão.
José significa possa ele acrescentar. Era o décimo dos onze filhos de Jacó. O filho preferido de Jacó. Isso, por que José foi um filho em sua velhice, provavelmente Jacó tinha entre 90 e 91 anos. Outro motivo era por ser filho de Raquel, sua esposa amada, por quem Jacó trabalhou quatorze anos (Gn 29.30).
A história entre José e seus irmãos é uma das mais longas da Bíblia. Vai desde o capítulo 37 de Gênesis até o capítulo 50. Uma história marcada por preferência, inveja, ódio, traição, prisão, sofrimento e por fim perdão e reconciliação.
O relato de Gênesis 50.15-21 é o final de uma triste vida de irmãos que desconfiavam do perdão do irmão. Jacó, o pai havia morrido e os irmãos de José estavam medo. José já os havia perdoado (Gn 45.5), mas achavam que o perdão iria terminar com a morte do pai e seriam escravizados por José. E com mais uma mentira, os irmãos insistiram no perdão. Diante desse novo pedido dos irmãos, José, um homem que vivia em atitude a sua relação com Deus, novamente (Gn 45.5) lhes disse: “Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus?” (Gn 50.19).
A vida de José foi uma vida marcada pela misericórdia, graça e amor de Deus.
A misericórdia, a graça e ao amor de Deus esteve com ele quando foi jogado na cisterna, já que alguns irmãos queriam matá-lo (Gn 37). O amor e a misericórdia de Deus esteve com José quando ele foi vendido pelos irmãos a uma caravana de ismaelitas que descia para o Egito. José reconheceu que a graça, o amor e a misericórdia de Deus estava com ele, até mesmo no momento da prisão. A relação de José com Deus foi uma relação fundamentada na graça, amor e misericórdia divina. José vivenciou o fato de que Deus controla tudo.
Deus controla todos os eventos da humanidade. Isso com um objetivo. O objetivo é que todos cheguem ao arrependimento e assim sejam salvos (Gn 42.21; Is 45.7; Am 3.6; Rm 8.28).
José aprendeu na sua relação com o Deus misericordioso e amoroso que tudo coopera para os propósitos de Deus. O propósito de Deus em nossa vida é sempre revelar seu amor, sua graça e sua misericórdia.
Se temos, pela fé, uma relação com esse Deus amoroso e misericordioso, a nossa vida nesse mundo, ainda na carne, precisa ser uma vida de atitude em relação a Deus e as pessoas. Em relação a Deus, a nossa atitude é de resposta, de ação de graças, de louvor. Em relação ao próximo, a nossa atitude precisa ser de perdão.
Querido irmão e irmã em Jesus.
Muitas pessoas encontram dificuldade em perdoar. Lembre-se de José. Após anos, teve uma enorme oportunidade para se vingar dos seus irmãos, mas, ao invés da vingança, ele simplesmente viu a mão poderosa, amorosa e misericordiosa de Deus.
Todo aquele mal que fizeram à você, Deus, em amor, graça e misericórdia, reverteu para o teu bem. As pessoas fazem maldades por estarem na carne e por que a fé ainda não penetrou por completo sobre a carne. Por outro lado, muitos que com a boca confessam-se cristãos, não perdoam, por que não conseguem ver a mão amorosa, misericordiosa de Deus, que transformou os eventos ruins para o nosso bem.
Nesse momento me lembro do episódio do chamado de Moisés. Num primeiro momento, Moisés não quis aceitar o chamado (Ex 3.1-15) por estar chateado com Deus. Deus precisou curá-lo ao longo de seu chamado e caminhada.
Deus reverte o mal para o nosso bem e para o bem de muitas pessoas. José, num momento, que para muitos deveria ser de vingança, foi um momento precioso de confissão de fé: “Estamos aqui a salvo, porque Deus, reverteu a maldade de vocês até mesmo para o bem de vocês”.
Muitas pessoas, assim como os discípulos, não compreenderam que toda a maldade do homens para com Jesus, o filho de Deus, era para salvação. O “...é necessário ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mt 16.21), causou espanto não só em Pedro, mas também em muitos judeus, gregos e demais raças.
Jesus, o pendurado na cruz, “... o maldito de Deus ...” (Dt 21.23), se fez maldição em nosso lugar, para que recebêssemos a salvação (Gl 3.13-14). A cruz, loucura para os que se perdem, é o poder de Deus para os que são salvos (1Co 1.18).
Na cruz, Deus em seu Filho, se relaciona conosco. A relação de Deus conosco é uma relação de amor, graça e misericórdia. Assim sendo, nossa vida precisa ser uma vida de atitude.
Atitudes de um relacionamento com Deus! Uma atitude de resposta ao amor de Deus, de louvor, ação de graças, oração. Também uma vida de perdão para com aquele que fez algum mal contra nós, pois, Deus por amor e misericórdia reverteu para o nosso próprio bem e até mesmo para o bem da pessoa que tentou nos prejudicar.
Deus nos abençoe numa vida de atitude que provém de um relacionamento com Deus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

sábado, 9 de setembro de 2017

A igreja na prática do perdão!

Romanos 13.8-10 e Mateus 18.15-20
Tema: A igreja na prática do perdão!

As pessoas dizem que o número “treze” é o número do azar, mas o que poucos perceberam é que exatamente um número treze é selecionado para o dia do casamento. Quem já não ouviu 1 Coríntios 13 num casamento. Pode-se ainda relembrar Hebreus 13 e Romanos 13. Todos esses textos falam da proeminência do amor (mas não leia Apocalipse 13! Sobre a sátira satânica do governo).
O autor a carta aos Hebreus, em especial Hb 13, nos espanta com a afirmação de que quem ama, demonstrando hospitalidade, poderá chegar a receber anjos em sua casa sem o saber. 1Co 13, fala sobre o amor como sendo óculos pelos quais vemos o dom do outro. Romanos 13 é inesperado.
O apóstolo Paulo havia acabado de escrever 11 capítulos, elaborando longos e detalhados argumentos, citando dezenas de passagens do Antigo Testamento, para reconceituar a lei dentro da perspectiva da fé. Agora, no capítulo 13, ele simplesmente resume estes milhares de palavras em sete: “quem ama o próximo cumpre a lei”!
A fé instrui – o amor limita.
A fé liberta – o amor põe barreiras.
Como uma comunidade de fé, uma comunidade instruída, uma comunidade liberta – vive esse amor?
A igreja na prática do perdão!
A igreja cristã é a continuação e presença da pessoa e ação de Jesus. E nesse sentido ela tem uma grande responsabilidade.
Mateus 18 é o grande capítulo do perdão. A igreja vive na prática do perdão.
Mateus 18.1-5 traz a pergunta sobre quem é o maior no reino dos céus?
Em Romanos 14 aprendemos que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito (Rm 14.17).
O maior no reino dos céus é aquele que serve (Lc 22.26).
Jesus, usa como exemplo uma criança. A palavra criança pode ser usada para criancinha, como para servo, empregado. A criança menor de 12 anos e o empregado representava socialmente os pobres e humildes. O maior no reino dos céus é aquele que serve despretensiosamente.
A igreja na prática do perdão!
Mateus 18.6-9, nos alerta sobre o perigo dos escanda-los. E um dos escanda-los vivido pela igreja é a falta de perdão ao irmão faltoso.
Mateus 18.10-14 nos fala sobre o afastamento do irmão. Você já procurou saber porque determinado irmão se afastou? Se você foi o responsável, qual foi a sua atitude? Jesus sente prazer pelo retorno da ovelha perdida.
A igreja na prática do perdão!
Quando se fala sobre amar o próximo, buscara a ovelha perdida, cuidar com os escanda-los, é preciso olhar com carinho as palavras de Jesus em Mateus 18.15-20.
Se teu irmão pecar
É possível não pecar?
Ninguém é perfeito. Nem mesmo dentro da igreja encontramos alguém sem pecado. Todos somos pecadores. No entanto, a grande pergunta é: Como agimos com o irmão, cujo pecado conhecemos?
Você lembra as palavras do oitavo mandamento? Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Deus deseja nos manter com um bom nome. E é justamente por isso, que seu conselho é: “Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só” (Mt 18.15).
Mantenha o bom nome do próximo. Não saia logo contando o pecado que você sabe que o mesmo cometeu. Converse com ele, pois, se houver arrependimento, você estará fazendo com que o mesmo permaneça no reino dos céus. “O amor não pratica o mal contra o próximo” (Rm 14.10).
Para que haja perdão, reconciliação é necessário arrependimento. E com o objetivo de ganhar o seu irmão faltoso, Jesus recomenda: converse com ele. Não destrua o seu bom nome. Não o afaste da igreja.
Se porventura, aquela pessoa não te ouvir, arrume testemunhas de sua confiança. Pessoas que não irão comentar com outras e tente novamente ganhar seu irmão. Se não ouvir mesmo assim, leve o assunto à igreja.
Mas, para que a igreja resolva tudo da melhor maneira, precisa saber que vive na prática do perdão.
Lembre-se: tenho observado que muitas pessoas se auto excluem. Elas mesmas supõem que não encontrarão acolhimento e perdão na igreja e assim se excluem.
Tenho visitado pessoas afastadas da igreja e nessas visitas é unânime a fala: “pastor, eu não vou por enquanto, pois as pessoas vão me olhar diferente. Eu não sei o que elas vão pensar de mim”.
A prática do perdão precisa ser uma prática da encarnação de Jesus.
É importante lembrar que essa é a terceira parte do evangelho de Mateus, Jesus está indo a cruz. "É necessário ..."
Todos os salvos, aqueles que sabem que são pecadores e que necessitam da misericórdia e do perdão de Jesus, são mais compreensivos, tolerantes.
No amor não há lugar para o ódio, a vingança, a exigência, o radicalismo.
A igreja na prática do perdão – perdoa, para que haja harmonia, paz e tranquilidade.
A igreja na prática do perdão – perdoa, para que haja mais união (Cl 3.14). Só o amor une – e a maior manifestação de amor que pode haver é o perdão.
A igreja na prática do perdão – perdoa, pois só pelo amor há identificação (Jo 13.34,35). Somos diferentes uns dos outros, mas quando nos amamos e nos perdoamos, parecemos ser iguais.
A igreja na prática do perdão – perdoa, pois só pelo perdão há comunhão. Onde não há perdão não há comunhão. Pessoas estão onde se sentem amadas e perdoadas.
A igreja na prática do perdão – perdoa, pois no perdão há edificação (1Co 8.1).
Deus, ao longo da história tem com seu povo uma relação de amor e perdão. E esse amor e perdão são as marcas de vida da igreja. Amém!
Rev. Edson Ronaldo Tressmann

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A igreja na prática do perdão!

10 de setembro de 2017
14º Domingo após Pentecostes
Sl 32.1-7; Ez 33.7-9; Rm 13.1-10; Mt 18.1-20
Tema: A igreja na prática do perdão!

O que fazer com um pecador que está no pecado?
O antigo testamento apresenta que é necessário persuadi-lo a arrepender-se de sua vida pecaminosa (Lv 19.17; Ez 33.7-9).
De quem é essa tarefa?
Bem, muitos pensam que essa é a tarefa do pastor. Mas, essa missão é daquele que sabe dos pecados que o pecador anda cometendo.
O mundo age na contramão. Milhares de leis são criadas com o objetivo de proteger o indivíduo. No entanto, observando a situação, vê-se que as muitas leis estão apenas permitindo que o pecador continue vivendo em pecado com autorização do estado.
O antigo testamento enfatizou a necessidade de se conversar com o pecador que está vivendo em pecado. O novo testamento também dá ênfase nessa conversa (Mt 18.15; Lc 17.3; Gl 6.1).
A igreja na prática do perdão!
1 – Falando em particular
A missão de cada cristão precisa ser: conduzir meu próximo ao arrependimento e a Cristo.
Mostrar ao pecador o seu pecado não tem o objetivo de destruí-lo, pelo contrário, o objetivo é alertá-lo e auxiliá-lo para que viva. Cada cristão precisa ter em mente o objetivo do bom pastor Jesus, ganhar o irmão perdido.
Há pessoas que caminham, mas só se dão conta que estão no caminho errado quando alguém próximo lhe alerta. O mesmo se dá na situação do pecador em pecado. Muitos só irão saber que estão no pecado se alguém próximo lhes falar.
Disse Jesus: “Amarás o teu próximo, como você ama a si mesmo” (Mt 22.39). Assim sendo, se você estivesse no erro, gostaria de ser exortado? De que maneira? Jesus nos anima a proceder: “porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mt 18.11).
Quando se vai em busca do pecador desviado em seu pecado, o objetivo é apenas um, “colocar o pecador frente a frente com seu pecado para leva-lo ao arrependimento” (1Co 14.24-25; Ap 3.19). A igreja não pode se apressar em excomungar o pecador que está envolvido em pecado. A igreja não foi enviada para julgar, e nem se livrar do irmão faltoso.
A igreja na prática do perdão!
2 – Conversando com a igreja
A palavra “igreja” aparece no evangelho de Mateus apenas duas vezes. Em Mateus 18.17 e 16.18. A expressão “dize-o à igreja” é muito forte e impactante.
Com essas palavras, Jesus não tinha por objetivo tornar público o pecado para desmoralizar o pecador. A igreja conforme o Novo Testamento significa comunidade dos crentes em Jesus. Essa comunidade só é santa por ter sido chamada por Jesus, por ter sido santificada por Cristo, vivificada pelo Espírito Santo. A igreja é o povo santo.
Dize-o à igreja”, ou seja, diga aqueles que depositam sua confiança em Cristo e esperam receber apenas dele a justiça e a salvação. Todos aqueles que estão reunidos como perdoados em Cristo perdoam, “...tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18). Como disse Lutero, “a igreja está repleta de perdão dos pecados”.
Viver a prática do perdão é a característica do cristão e da igreja. Para a prática do amor Jesus dá três passos para a busca e o resgate do pecador desviado em seu pecado. A fé atua movida pelo amor (Rm 13.8-10).
O pecador em pecado é alvo do amor de Deus, amor esse vivido e praticado entre os irmãos na fé.
Lembre-se: Mateus 18 15-20 não é um texto que mostra os três passos para excomunhão do pecador. O texto mostra três atitudes de amor para resgatar o pecador. A verdade é que a igreja vive na prática do perdão! Amém!


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Razão e Fé em rota de colisão!

03 de setembro de 2017
13º Domingo após Pentecostes
Sl 26; Jr 15.15-21; Rm 12.9-21; Mt 16.21-28
Tema: Razão e Fé em rota de colisão!

O apóstolo Pedro havia acabado de fazer uma maravilhosa confissão de fé. Sua confissão foi tão esplendorosa, que Jesus destacou que essa confissão não se deu por si mesmo, mas pela ação do Espírito Santo (1Co 12.3). Jesus disse: “Não foi carne e sangue quem to revelaram, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.17). Diante dessa confissão Jesus ressaltou que sobre esta “pedra”, ou seja, “a confissão de Pedro, a igreja seria edificada”. Mas, por si mesmo, Pedro e eu também, foi e sou capaz de uma coisa: recusar a cruz de Jesus (Mt 16.22).
Pelo poder do Espírito Santo, Pedro, foi capaz de responder corretamente em nome do grupo que “Jesus é o filho de Deus”. Pela ação do Espírito Santo, os discípulos reconheceram Jesus Cristo como sendo o filho do Deus vivo o enviado da parte de Deus.
Após essa confissão, Jesus ressalta que os discípulos não deveriam dizer abertamente que ele era o messias. Qual motivo? O termo messias havia recebido uma conotação política negativa. As pessoas não compreenderiam messias como sendo o redentor entre Deus e os homens. Mas, o encarariam como sendo o libertador político. O revolucionário contra os romanos.
O evangelho de Mateus é dividido em três partes.
Mateus 1 até 4.16 visa retratar quem é Jesus;
Mateus 4.17 até 16.20 retrata os atos ministeriais de Jesus;
Mateus 16.21 em diante retrata o que é necessário para mostrar que Jesus é o salvador;
Jesus foi enviado pelo Pai para realizar uma missão. E Jesus, após a belíssima confissão de Pedro que foi realizada pelo poder do Espírito Santo, diz que “...era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mt 16.21).
Essa é a descrição sobre a obra redentora de Cristo. Esse é o verdadeiro e real messias, o qual haviam acabado de confessar e sobre o qual a igreja está edificada.
Somos conhecedores dessa verdade de que a igreja está edificada sobre o evangelho: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16). E sobre este evangelho as portas do inferno não irão prevalecer (Mt 16.18). No entanto, foi muito rápido a reação de Pedro ante a confirmação de Jesus sobre sua obra redentora. Pedro disse: “de forma nenhuma isso acontecerá contigo” (Mt 16.22). Claro que Pedro estava querendo se mostrar amigo. Estava buscando consolar Jesus. Mas, Jesus entendeu essa situação como sendo mais uma tentação do diabo, semelhante a tentação narrada em Mateus 4. Tanto que Jesus respondeu: “Arreda, Satanás” (Mt 16.23).
A igreja está edificada sobre uma confissão, sobre o evangelho, sobre Jesus o Filho do Deus vivo. Esse Jesus é o salvador do mundo, aquele que foi enviado para ir à Jerusalém, sofrer, morrer e ressuscitar.
E ainda hoje, Jesus adverte sua igreja dizendo para muitos de seus seguidores: “Arreda, Satanás”.
Satanás significa adversário que impede de seguir o caminho. E todo aquele que impede o caminho, ou que está na frente de Jesus é “pedra de tropeço” (Mt 16.23). Tudo o que se interpõe a Jesus é uma pedra de tropeço.
Há muitos seguidoras de Jesus que na verdade “não cogitam das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mt 16.23). O que isso significa? Significa que a morte, a cruz, o sofrimento e a ressurreição de Jesus não são mais o evento salvífico, o plano redentor de Deus em Jesus.
Jesus tornou qualquer outra coisa. A conotação de Messias continua contaminada e distorcida por muitos.
A verdade é que a Nossa Razão e a nossa Fé estão em rota de colisão!
Razão e fé em rota de colisão!
1 – Negando a si mesmo, carregando a cruz e seguindo Jesus!
É preciso lembrar que a fé não é uma obra humana. A fé é produzida pela razão humana. A fé é um dom de Deus (Ef 2.8). Pela fé, pelo poder do Espírito Santo, Pedro em nome do grupo havia feito uma bela confissão, havia proclamado o evangelho sobre o qual a igreja está edificada. No entanto, por si mesmo, pela sua razão e força, acabou caindo na tentação e tornou-se uma pedra de tropeço.
Quando a fé é atacada e tentada pela razão humana, é preciso recordar-se que Jesus foi enviado para morrer e ressuscitar. Todo discípulo de Jesus precisa reconhecer isso. É preciso negar a si mesmo, ou seja, negar a ideia de que Jesus não precisa morrer na cruz. É preciso seguir Jesus como verdadeiro messias, como salvador, redentor. É preciso estar firmado na verdadeira pedra, ou seja, que Jesus é o Filho do Deus vivo. Só Jesus é o nosso salvador. É preciso confessar e estar firmado na certeza, a mesma que teve o apóstolo Paulo: Cristo é a nossa vida (Cl 3.4).
A nossa razão aponta para outros caminhos de salvação. Meditamos na semana passada (Romanos 11.33-36) que a riqueza da misericórdia de Deus e a sabedoria de Deus é incompreensível e por isso muitos acabam se afastando dela. Justamente por não caber em nossa razão limitada, pessoas se afastam de Deus.
Pedro, em nome do grupo de discípulos não falou por si mesmo ou porque havia compreendido, mas quando falou por si mesmo e com sua razão e entendimento, acabou sendo exortado por Jesus (Mt 16.23). E quão forte foi essa exortação: “Arreda, Satanás” (Mt 16.23). Não se coloque na minha frente.
Estamos a poucos dias da comemoração dos 500 anos de Reforma. No brasão de Lutero, reformador, foi colocado a cruz como centro. A cruz mostra onde de fato precisamos colocar nossa vida e ministério. Mas, infelizmente, muitos preferem outros caminhos de salvação.
Paulo escreveu aos coríntios: “Eles não podem crer, pois o deus deste mundo conservou a mente deles na escuridão. Ele não os deixa ver a luz que brilha sobre eles, a luz que vem da boa notícia a respeito da glória de Cristo, o qual nos mostra como Deus realmente é” (2Co 4.4). Muitos seguidores de Jesus, fiéis seguidores, pessoas que amam Jesus, no entanto, assim como Pedro, querendo ser amigo de Jesus, acabam colocando a cruz, a morte, o sofrimento e a ressurreição de Jesus de lado. É uma razão cegada, sem entendimento no verdadeiro evangelho.
Pedro, mesmo tendo ouvido essa exortação de Jesus, parece não ter aprendido, pois, anos mais tarde, num episódio em Antioquia foi repreendido por Paulo, pois Pedro afastou-se da liberdade do evangelho para refugiar-se na suposta obrigação da lei (Gl 2.11-21).
Quando a nossa razão entra em rota de colisão com a nossa fé, é preciso negar a si mesmo, ou seja, reconhecer que só Jesus é o salvador. É preciso permanecer firmado na verdadeira pedra, ou seja, que Jesus é o Filho do Deus vivo.
Razão e fé em rota de colisão!
2 – Ganhando vida!
Ver Jesus como de fato precisa ser visto só é possível com olhos da fé. Entender a mensagem de Jesus só é possível pela fé.
Para Pedro e também os outros discípulos, era impossível e incompreensível que o filho do próprio Deus morresse numa cruz. Racionalmente, as palavras de Jesus: “...é necessário ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mt 16.21) provocou um black out na razão daqueles homens. Bem exclamou e transformou em hino, Mathew Bridges (1800-1894), “...nem anjos lá do céu o podem compreender: que o próprio Filho de Deus Pai pelo homem vá morrer”.
Quando a razão e a fé se chocam alguém sai ferido!
Pedro sentia profundo amor por Jesus. Mas, a fé a razão sempre estão em rota de colisão. Após confessar não por si mesmo, agora por si mesmo a sua razão o inquietou. Sua inquietação foi tamanha que ousou chamar Jesus para o lado e responder: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá” (Mt 16.22).
Já disse em outra ocasião o quão assustador tem sido entre os jovens o crescimento do ateísmo. O ateísmo cresce devido a colisão entre fé e razão. As pessoas querem compreender algo que foi deixado para crer.
É necessário lembrar que ser racional não é pecado. Deus nos fez assim. O problema é a grande arma usado pelo diabo, ou seja, fazer com que a fé colida com a razão e que pela razão pessoas se afastem da fé.
A fé oferece e dá aquilo que a razão tanto busca: uma vida plena e eterna.
Jesus fala sobre perder e a ganhar a vida!
A razão conduz o homem numa busca na qual nunca encontrará aquilo que tanto almeja, respostas satisfatórias para perguntas angustiantes de sua alma.
Ouvimos de Jesus o maravilhoso convite: “se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).
As pessoas usam todo seu tempo, força, energia, poder, para ganhar vida. Um vida financeira, uma vida de lazer, ... As pessoas buscam aquilo que lhes dá prazer e só fazem o que parece lhes dar prazer. E há coisas que não são prazerosas. Entre essas está o “negar-se a si mesmo, carregar a cruz, seguir Jesus”.
Deixar Jesus, abrir mão da obra redentora de Cristo, é perder a própria vida.
Os pensadores Michel Onfray (Décadence) e Roger Scruton (A alma do mundo, 2014) concordam em um ponto: o ocidente vai mal. Onfray acha que o problema é a fé, Scruton diz que a fé é a solução.
Scruton ressalta que é preciso resgatar a fé. Mas, como haverá lugar para um mundo cada vez mais desvendado pela ciência? O mundo visto apenas pelas lentes da ciência, perde aquilo que faz a vida valer a pena. O valor da pessoa está em ser algo além da carne.
Essa visão racional e cientifica da vida, fez e faz com que as pessoas busquem a todo custo apenas o aqui e agora. Quando pensam no depois, buscam através de si mesmos alcançar o que Deus lhes oferece gratuitamente: a salvação em seu filho Jesus.
Ganhar a vida é viver na dependência de Jesus, do evangelho. O Jesus e o evangelho que separa, que faz sofrer perseguições (Mt 10.34-39).
Razão e fé em rota de colisão!
3 – Revendo nossas obras
Tudo o que se refere a Deus é resumido na sublime obra redentora de Jesus. Essa obra só pode ser compreendida e aceita pela fé. Nossa razão não compreende e nem sequer aceita.
Antes de terminar a mensagem sobre o relato desse homem que fez uma bela confissão pelo poder do Espírito Santo, mas quando deixou-se levar pela sua razão foi exortado por Jesus, quero dedicar-me a nos fazer rever nossa compreensão sobre as palavras de Jesus: “...retribuirá a cada um conforme as suas obras” (Mt 16.27).
Jesus disse: “Arreda, Satanás”; “negue-se a si mesmo”; “pedra de tropeço”; mostrando que não há salvação sem a obra redentora de Cristo. O messias mal compreendido pelo homem é o enviado de Deus para ir à Jerusalém, sofrer, morrer e ressuscitar. E ao dizer: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” (Mt 16.27), Jesus está ressaltando o termo grego práxis. Ou seja, a vida como um todo. É uma forma de viver e agir. Todo aquele que vive negando a si mesmo, não olhando para suas realizações como intuito de agradar a Deus. Todo aquele que carrega a sua cruz, não se importa com a divisão, sofrimento que isso acarreta. Todo aquele que sabe que só há vida em Jesus. Esse receberá aquilo que Jesus, somente Jesus pode lhe oferecer: a VIDA.
A pessoa que vive a sua vida achando que suas obras, o cumprimento da lei, são requisitos de salvação, vivem suas vidas como um pesado fardo. Nunca encontram paz e sossego para suas almas.
O amor a Deus e a o próximo, algo natural de um filho de Deus, passou a ser um pesado fardo. Pessoas querem alcançar a salvação sem o Jesus da cruz, sem o Jesus ressuscitado e vitorioso.
A fé e a razão continuam em rota de colisão. Pela razão fomos e somos imensamente abençoados. Mas, é tão somente pela fé que recebemos e temos a maior de todas as bênçãos: a VIDA VERDADEIRA. Amém!


Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Alcançados pela misericórdia de Deus, servimos ao Senhor!

Romanos 12. 1 - 8

Introdução
            O que é culto? Por que viemos ao culto?
            Um culto genuinamente cristão é quando se aceita e se recebe alegremente o que Deus faz para e por nós. Isso é claro por meio da Palavra e do Sacramento. Sendo isso o culto, quando nós cristãos estamos reunidos em torno da Palavra e do Sacramento, apenas recebemos aquilo que Deus nos dá na sua Palavra e no Sacramento, perdão, vida e salvação. Esse perdão, vida e salvação nos é dado por Deus, devido a sua misericórdia por nós pobres e miseráveis pecadores. Por falar em misericórdia, lembremos que o apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos, nos capítulos 1 até o 11 fala sobre a misericórdia de Deus. E no v. 1 do cap. 12 solicita: “..., por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. ...
Paulo aponta para aquilo que Deus mostrou em seu filho Jesus Cristo, sua misericórdia. O Filho veio para nos salvar e o Espírito Santo através do evangelho veio nos tornar membros da família de Deus. E é uma boa notícia saber que somos alcançados pela misericórdia de Deus. Por isso nesse momento os convido a reflexão no tema: Alcançados pela misericórdia de Deus, servimos ao Senhor. Como?
            1 – Prestando culto racional
            Deus em Jesus Cristo mostrou sua misericórdia, seu amor pelo pecador que estava sujeito a condenação eterna. O próprio apóstolo Paulo no capítulo 5 diz: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Esse é o nosso Deus misericordioso. É esse Deus, ou por amor a esse Deus, que nos amou tanto, que somos convidados a SERVIR. E esse servir pode ser feito através do nosso oferecer-se como sacrifício vivo. O que é esse oferecer-se como sacrifício vivo?
            Oferecer-se como sacrifício vivo, consiste na verdadeira adoração como diz a NTLH, ou culto racional como diz a RA. O culto racional do qual o apóstolo Paulo nos fala para prestarmos como sacrifício vivo é o culto oferecido de mente e coração. Esse culto de mente e coração não é somente a reunião das pessoas dentro do templo, em torno da Palavra e do Sacramento, vai além dessas paredes, esse culto racional está presente no lar, no trabalho, no dia-a-dia. Nosso culto diário, ou nosso adorar diário, como diz Paulo pode e precisa ser realizado através do cuidar do nosso corpo, “portanto, quando vocês comem, ou bebem, ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Quando criancinhas fomos alcançados pela misericórdia de Deus, que por meio de sua Palavra ligada a água nos renovou e regenerou pelo batismo. E por essa renovação e regeneração fomos feitos mordomos de Deus. E como mordomos de Deus, exercemos nossa mordomia pelo cuidar bem do nosso corpo.
(Se quiser acrescentar - Corpo – Conforme os textos Pv 23.21; 21.17; Dt 21-18-21; Lc 16.19; 21.34; 15.13, o que causa prejuízo ao corpo. Por que usar bem nosso corpo? Lc 15.31. O que nos encoraja a usarmos bem nosso corpo? Js 1.9; 24.17. Como o cristão pode usar bem o seu corpo, aonde quer que ele esteja?
            Alcançados pela misericórdia de Deus, servimos ao Senhor. Como? Prestando Culto racional, cuidando e preservando nosso corpo;
            O apóstolo Paulo sabe que muitos gregos, leitores e ouvintes da carta, foram educados conforme o pensamento platônico. Sendo assim, o corpo era considerado um estorvo constrangedor. O slogan da época era: “o corpo é uma tumba”. É o fim de tudo. Muitos hoje, pensam que o corpo é apenas uma passagem, e assim vamos de corpo em corpo. Outros usam o corpo como uma ferramenta de trabalho, o usam para ganhar dinheiro. Outros destroem seus corpos com excesso de trabalho, ou até mesmo com excesso de lazer, vícios, etc. Para alertar sobre o uso do corpo, Paulo que o uso correto do corpo é parte da adoração a Deus. Prestamos culto racional, de coração e mente, cuidando bem do nosso corpo, e de todos aqueles que nos cercam, alimentando, educando. Em Rm 3.13 - 14 Paulo diz: “...da língua deles saem mentiras perversas, dos lábios saem palavras de morte,...A boca deles está cheia de terríveis maldições.” O corpo criado para a glória de Deus foi contaminado pelo pecado, por isso, a língua que deveria confessar o nome de Jesus, acaba prejudicando o próximo pelo seu falso testemunho, por mentiras e calúnias. Os lábios que deveriam cantarolar hinos a Deus, amaldiçoam seu próximo. A boca que ao se abrir deveria pronunciar bênçãos, acaba desejando mal ao próximo para que o outro seja prejudicado. O corpo sofre por causa do pecado, mas é justamente para nos resgatar do pecado que Deus Pai enviou seu Filho, e nos alcançou com sua misericórdia. Por isso Paulo pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? ...Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8. 35, 37).
            Em Jesus Cristo fomos alcançados pela misericórdia de Deus e assim servimos ao Senhor. Pela misericórdia de Deus, sou membro da sua família, sou capacita através do reunir-me em torno da Palavra e do Sacramento para me oferecer como sacrifício vivo a Deus, prestando culto racional, de mente e corpo, vivendo e demonstrando minha fé dentro do meu lar, no meu trabalho, na minha escola, na rua, no futebol, na pescaria, no passeio, etc.
            Deus Pai enviou seu filho Jesus por amor a mim. Jesus morreu pela minha alma, mas também pelo meu corpo que no céu será majestoso e glorioso. Honremos a Deus prestando culto racional usando bem o nosso corpo.
Alcançados pela misericórdia de Deus, servimos ao Senhor. Como?
            Usando nossos dons para o bem comum;
            Muitas são as conseqüências do pecado sentidos no corpo. Doença e a própria morte. Muitas outras coisas ruins são ocasionadas por nossa irresponsabilidade e por não querermos abandonar uma vida de pecado. O corpo muitas vezes sofre por doenças contagiosas por uma vida sexual desenfreada. Outras vezes sofre pelo câncer devido à vida de fumante. Outras vezes o corpo sofre de cirose pelo uso exagerado e desenfreado de bebidas alcoólicas, etc.
            Paulo quando fala do prestar culto racional a Deus pelo cuidar do nosso corpo, quer abranger duas coisas: o cuidar do nosso corpo físico, e também quer alertar para que o corpo de Cristo, a igreja, não sofra devido ao comodismo, ao individualismo e egocentrismo com respeito aos dons dispensados pelo próprio Deus.
            Esse corpo alvo do amor de Deus, alcançado pela misericórdia de Deus para a vida eterna, também foi abençoado com dons, assim é a nossa compreensão do terceiro artigo do Credo Apostólico: “Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, ...”. Dons que são distribuídos para o bem comum de todas as pessoas, para um melhor SERVIR no e do corpo de Cristo. Sim! A igreja é o corpo de Cristo, Jesus Cristo é o cabeça desse corpo, ou seja, ele é o guia. E é em torno dele, sua Palavra, seu corpo e sangue que a igreja está reunida.
            Paulo ataca o individualismo e o egocentrismo. Pois essas duas atitudes acabam por nos afastar das pessoas, e nos faz agir sem gratidão àquele que derramou sobre nós ricos dons. Os dons nos foram distribuídos para aproximação e crescimento e para que todos individualmente e propositalmente auxiliem o bem estar de todos. E essa ação em prol de todos é uma ação possibilitada pelo poder de Deus, é a graça divina efetuando em nós o querer e o realizar de Deus em palavras e ações.
            O Espírito Santo me reúne numa igreja cristã. E na igreja cristã, no culto realizado em torno da Palavra e do Sacramento, me santifica dia-a-dia através do perdão dos meus pecados, renova minha mente para viver melhor aqui neste mundo. Deus me dá tudo o que eu necessito na vida material dia após dia, e ainda me dá o suficiente para a vida espiritual no culto. E o culto iniciado em Deus por mim termina no próximo através do meu culto racional de mente e coração. Deus me capacita a viver bem nesse mundo com meu corpo, se preocupou em me dar a vida eterna de corpo e alma. E essa vida eterna é minha por causa da obra de Cristo na cruz. Fui alcançado pela misericórdia de Deus e assim posso SERVI-LO cuidando bem do meu corpo e usando meus dons em beneficio de todos.
Conclusão
            Alcançados pela misericórdia de Deus, servimos ao Senhor. Que o nosso servir seja um servir de mente e coração, nos oferecendo como sacrifício vivo a Deus, oferecendo culto diário cuidando bem do nosso corpo e não deixando de usar nossos dons para o bem comum. Amém.


Edson Ronaldo Tressmann.