15 de março de 2026
Quarto
domingo na Quaresma
Salmo
142; Isaías 42.14-21; Efésios 5.8-14; João 9.1-41
Texto: Efésios 5.8-14
Tema: Passos de luz: a jornada da bondade, justiça e verdade
Você caminha?
Caminhamos
em casa, no trabalho, pra ir até a escola. Muitos praticam caminhada como
exercício. O fato é que todos nós caminhamos, pouco ou muito, as pessoas
caminham.
A vida como caminhada.
Na
carta de Paulo aos cristãos da Ásia Menor, em especial Efésios 5, é organizado em
forma de parênese (exortação) destacando três “caminhadas”.
1 “andai em
amor” (Ef 5.2);
2 “andai
como filhos da luz” (Ef 5.8);
3 “vede
cuidadosamente como andais” (Ef 5.15);
Nossa
perícope é o recorte da segunda exortação: andai
como filhos da luz!
Efésios
é uma carta escrita em grego por um apóstolo que respira hebraico ao escrever
essa carta. Dessa forma, os três convites de caminhada: “andai em amor” (Ef 5.2), “andai como filhos da luz” (Ef 5.8) e “vede cuidadosamente como andais” (Ef 5.15), transmitem
a ideia da tradução do verbo hebraico halak
(“andar”, ou seja, conduzir a vida diante de Deus).
Como posso conduzir minha vida diante de Deus?
Temos
aqui um imperativo “andai como filhos da luz”
seguido por um predicativo ético “o fruto da luz
consiste em bondade, justiça e verdade”.
Bondade, justiça e verdade, resume toda a
tríade bíblica: eu e o
próximo; eu e Deus; eu e eu.
O
tripé “bondade, justiça e verdade”
(Ef 5.9) alinha-se à tríade sapiencial profética de ḥéṣed/ṣĕdāqāh/ʾĕmet (misericórdia, justiça, verdade (Mq
6.8; Sl 85.10-11).
Caríssimos
irmãos, a graça de Deus transforma, ela não dá soberba pessoal. Muitas pessoas
se dizem convertidas por serem isso e aquilo e apontam o dedo para outros que
são isso e aquilo. Cuidado com a soberba espiritual pessoal.
Bondade
é doar-se como o bom samaritano, justiça é tratar o próximo com equidade, verdade
é rejeitar o erro, mas falar com graça e firmeza (Mq 6.8; Jo 1.14).
Andai como filhos da luz! Conduza a vida diante de Deus.
Andai verbo grego peripateite que traduz a vida inteira como um
percurso. O apostolo Paulo indica que esse percurso é “em amor” assim “como
Cristo… se entregou”.
Ao
destacar a metáfora da luz e das trevas, o apostolo Paulo reflete as palavras
do profeta Isaias: “o povo que andava em trevas
viu grande luz” (Is 9.2) e “levanta-te,
resplandece” (Is 60.1).
O
chamado apostólico não é “faça diferente”,
mas “seja quem você já é em Cristo”.
Continue
caminhando nesse mundo, sendo luz, agindo com bondade, justiça e verdade. Nessa
caminhada, o cristão foi colocado pelo Espírito Santo. Afinal, sem Cristo, se
caminha “segundo o curso deste mundo... sem Deus no mundo” (Efésios 2.2; 2.12).
Em Jesus Cristo, a graça irrompeu a escuridão e me colocou numa caminhada sob a
luz: “o povo que andava em trevas viu grande luz”
(Isaías 9.2); Deus “nos libertou do império das
trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor”
(Colossenses 1.13). Essa luz não é uma ideia, é uma pessoa: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em
trevas, mas terá a luz da vida” (João 8.12).
Observe
que o apóstolo Paulo não diz “agora tendes luz”,
mas “agora sois luz no Senhor”.
Andar na luz envolve comunhão e confissão.
Andar como filhos da luz é ser conduzido pelo
Espírito Santo em três direções inseparáveis: bondade,
justiça e verdade. Qualidades do próprio Deus, cujas obras
enchem a terra de sua bondade (Salmos 33.5), cujos caminhos são justiça
(Deuteronômio 32.4) e cuja palavra é verdade (João 17.17).
A vida como caminhada:
O tripé da luz (bondade,
justiça e verdade).
Bondade é a disposição generosa que se
inclina ao bem do outro simplesmente porque Deus é bom (Salmos 119.68). É mais
do que simpatia; é ação concreta. O bom samaritano cruzou a rua, reteve agenda
e abriu a bolsa (Lucas 10.33–35). A fé que o Espírito produz se torna “fé que opera pelo amor” (Gálatas 5.6). Se a
nossa bondade termina em nós, é vaidade; se aponta para Deus, é fruto do
Espírito.
Bondade
é a ação concreta do bom.
Justiça é o compromisso de tratar pessoas,
palavras e recursos de acordo com o padrão reto de Deus. Ela começa no coração
e se estende às relações, ao trabalho, às finanças e às causas públicas. O
Evangelho nos liberta do egoísmo que supervaloriza meus direitos e minimiza os
dos outros.
Verdade é a simplicidade sem máscara de quem
anda na luz de Deus. Andar “na verdade”
significa permitir que a Palavra nos meça e molde.
Verdade
é uma vida sem máscaras.
Um
detalhe que não pode passar despercebido: o apóstolo Paulo chama isso de fruto, não de performance.
E fruto nasce de união: “sem mim nada podeis
fazer” (João 15.5). É o Espírito Santo quem vivifica (Efésios 2.5)
derrama o amor de Deus em nós (Romanos 5.5) e nos fortalece (Efésios 3.16).
O
tripé, bondade, justiça e verdade
nos protege de falsificações.
Bondade
sem verdade vira sentimentalismo que aprova o que Deus reprova
(Romanos 1.32).
Verdade
sem bondade degenera em dureza farisaica (Mateus 23.23).
Justiça
sem bondade e verdade pode se tornar milimétrica com o outro e
complacente consigo (Mateus 7.1–5).
Vida cristã não é moralismo autopropulsor; é
dependência diária. Andar como filho da luz
é alimentar-se da luz todos os dias.
Palavra
como lâmpada (Salmos 119.105);
Oração
como respiração (Lucas 11.13);
Comunhão
como estufa onde o fruto amadurece (Hebreus 10.24–25);
Andar como filhos da luz é estar diante de Deus.
Falar
sobre os frutos e sobre o andar como filhos da luz, conduz muitas pessoas a
exclamar: “vejo pouco desse fruto em mim”.
A boa notícia é que Deus mesmo promete fazer do deserto um pomar (Isaías 32.15),
por isso, nos planta “junto às águas”
para que, no calor, a folha não murche e no ano de sequidão não deixe de dar
fruto (Jeremias 17.7–8; Salmos 1.3). Apenas ande como filho da luz!
A vida cristã não é um evento estático,
é um percurso constante.
A vida como caminhada.
Quem aqui caminha?
Apesar
de todos caminharem, tenho observado que as pessoas caminham cada vez menos.
É
sucesso não só entre os adolescentes, mas também os adultos, os patinetes. E o
sucesso é pelo fato de oferecerem o que as pessoas querem: caminhar pouco.
O
mesmo desejo de caminhar pouco se reflete na vida cristã. Meditação, oração,
comunhão, são atividades pouco praticadas.
O
apóstolo Paulo preocupava-se, pois, em Éfeso, uma cidade muito importante na
época, reinavam espíritos da escuridão: ganância, mentira, injustiça,
discriminação, libertinagem .... e ao exortar: desperta, o
apóstolo enumera que algo estava progredindo terrivelmente e precisava parar.
Por essa razão, o convite: “Desperta, tu que
dormes…” (Ef 5.14). Essas palavras são eco das palavras do profeta
Isaías 26.19; 60.1 que indicam algo que precisa ser interrompido.
A vida como caminhada.
É
preciso andar!
O que fazer quando alguém está perdido e não tem como continuar?
É preciso retornar ao início, de onde tudo partiu.
“Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e
Cristo te iluminará” (Efésios 5.14) são um mandamento e uma
promessa!
O
apostolo pinta o pecador como alguém dormindo e quando se dorme, coisas
acontecem ao redor e nem se percebe (Ef 2.1-5). É tal como o profeta Jonas que
dormia durante uma tempestade (Jn 1.5).
Para
o pecador não resta apenas a escuridão, resta a promessa de que a luz será
acessa.
Despertar significa admitir que o coração sem
Deus não está neutro, está corrompido e incapaz de agradá-lo (Romanos 7.18;
1Coríntios 2.14).
Despertar é uma ação em passos concretos:
confessar, romper com as obras infrutíferas das trevas, andar como filhos da
luz (Efésios 5.8–11; 1João 1.7–9).
“Desperta, tu que dormes!” é um chamado para
interromper a negligência e a inércia das obras infrutíferas.
Se
você percebe que tem “dormido”, não
adie: “ainda por um pouco a luz está convosco;
andai enquanto tendes luz… crede na luz, para que sejais filhos da luz”
(João 12.35–36). Amém
Edson
Ronaldo Tressmann
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