segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A Identidade de Filho e a Rocha da Escritura

 Primeiro Domingo na Quaresma

22 de fevereiro de 2026

Salmo 121; Gênesis 12.1-9; Romanos 5.12-19; Mateus 4.1-11

Texto: Mateus 4.1-11

Tema: A Identidade de Filho e a Rocha da Escritura

 

          Spurgeon frequentemente dizia: “Deus teve um Filho sem pecado, mas nunca teve um filho sem tentação”.

          Todos os filhos de Deus são tentados e não é pecado ser tentado, o pecado é cair na tentação, por isso oramos para que Deus não nos deixe cair em tentação.

          Precisamos observar que após ser batizado, o próprio Pai indicou Jesus como sendo o seu filho amado. E por ocasião da tentação, o diabo põe isso em dúvida dizendo: se és filho de Deus (Mt 4.2).

          O diabo tem o mesmo modus operandi desde a queda. Deus ordenou para que o homem não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal. O diabo, usando a serpente disse para a mulher: “É verdade que Deus mandou que vocês não comessem as frutas de nenhuma árvore do jardim?” (Gn 3.1).

          Desde quando o Diabo lançou a humanidade nas trevas da queda em pecado. Desde quando Satanás conseguiu lançar o ser humano no pecado, ele oprimiu Jó, enganou Davi, fez Pedro negar, ...

          O termo grego e hebraico para Diabo e Satanás significa adversário, inimigo do homem.

          E esse adversário do ser humano é conforme disse Jesus, homicida e mentiroso. Pedro o chama de um leão que ruge com intuito de devorar.

          O diabo é real e poderoso e como escreveu o apóstolo Paulo pode até se transformar num anjo de luz (2Co 11.14). O seu primordial objetivo é fazer com que a luz do evangelho não brilhe para as pessoas (2Co 4.4).

          O texto destaca que Jesus foi levado ao deserto, todavia, Jesus já estava no deserto da Judéia (Mt 3.1,13) onde foi batizado. O verbo grego sugere a ideia de ser conduzido para cima, ou seja, num lugar situado mais alto. Uma tradição do século XII situa esse deserto numa região infértil a oeste de Jericó, onde há uma pedra de calcário.

          Mateus e Lucas destacam que os 40 dias foram preparatórios para a primeira tentação e que as tentações ocorreram num único dia. Marcos indica que as tentações ocorreram durante os 40 dias.

          A tentação ocorre logo após o Batismo e isso nos traz uma importante lição do motivo pelo qual o diabo tenta, tenta e tenta. Deus havia pronunciado a confirmação de que Jesus era o seu filho amado (Mt 3.17) e o diabo quer por isso em dúvida. O diabo não concorda que um filho de Deus esteja esgotado de fome. Aliás, esse é um dos grandes ataques do diabo, que aliado a essa tese junta-se a terceira tentação, onde todo filho de Deus só é considerado filho de Deus quando há muita prosperidade.

          O diabo sempre buscou e busca impedir a obra redentora de Cristo. Assim, se o ser humano ver Cristo como um mestre, um doador de bênçãos, um guru, está tudo bem. O que para o diabo é inadmissível para o diabo é que as pessoas creiam em Jesus como redentor de suas vidas.

          A primeira tentação nem parecia ser uma tentação. O diabo se mostra solidário com a fome de Jesus e lhe propõe aliviar sua fome, pois tinha poder para isso.

          A proposta de Satanás era para que Jesus não levasse em conta o plano de Deus e agisse por conta própria e acordo com sua vontade e necessidade.

          Aqui temos uma semente do ateísmo prático, melhor dizendo, adorasse o egoísmo como norma de vida. Quantos ainda vivem dizendo que os fins justificam os meios. Você está com fome e possui poder, então por que passar fome?

          Ao citar a passagem de Deuteronômio 8.3, Jesus recorda que o povo de Deus também caiu na tentação. Muitos recolheram mais do que o necessário para um dia e no outro dia viram apenas vermes. O recolhimento de maná apenas para o dia era uma maneira de confiar na Palavra de Deus, na qual reforça que Deus concede diariamente as suas bênçãos. Dessa forma, Jesus estava dizendo ao diabo que muito mais que ir contra a vontade do plano de Deus era melhor seguir o plano divino.

          Qual tem sido a sua fome?

          Muitas vezes, se é tentado diante da fome, se é tentado a adorar o egoísmo e justificar um ato de corrupção, traição, sobrecarga de trabalho.

          Vendo que Jesus estava resoluto em segui com o plano de Deus, o diabo o levou para o pináculo do templo. O motivo disso, era pelo fato dos israelitas acreditarem que seria no Templo de Jerusalém que o Messias iria se proclamar como tal. Assim, a suposta tentação sugeria a Jesus se aclamar como Messias e não ter a necessidade de passar por tudo que passaria.

          Ao citar Deuteronômio 6.16, Jesus elucidava sobre o cuidado para não forçar a ação divina sem motivo por um suposto fanatismo religioso. Cuidado com a velha fórmula: se Deus existe? Sim, Ele existe e o diabo quer te fazer crer que ele não está nem aí para você.

          Jesus rejeitou a glória do Messias de Israel. E diante dessa rejeição, o diabo o conduziu para um alto monte e lhe ofereceu toda a glória do mundo.

          Para os romanos, o Império da época, os imperadores eram deuses. Dessa forma, o diabo oferece toda riqueza, prestígio e domínio de um grande imperador. Ambição por poder torna o homem um idólatra, pois substitui o verdadeiro Deus por outro.

          Jesus foi tentado no deserto, longe dos homens e isso mostra que as tentações não estão apenas nas más companhias, elas estão também quando estamos isolados de tudo e de todos.

          A tentação do diabo não foi quanto ao acometimento de um grande crime, mas, de duvidar do que Deus tinha acabado de lhe anunciar por ocasião do seu batismo.

          Quantas pessoas estão sendo tentadas a batizar novamente e novamente, pois, o argumento ainda continua sendo válido para muitos. Se você é filho de Deus, isso não. Aquilo não, aquilo outro não, você precisa descer para as águas e assim, de descida em descida, acaba abandonando a Cristo.

          A maior de todas as tentações do diabo é conduzir a dúvida se de fato somos filhos de Deus.

          O ponto é “as Escrituras Sagradas afirmam” (Mt 4.4,7,10).

          Tenho visto algumas pessoas se afastando de Cristo e dos seus meios da graça, pregação e santa ceia pelo simples fato de que muitos tentam buscar entender e provar a Bíblia racionalmente. Muitos que, surgem com questões aparentemente simples, mas que vão inquietando o crente e assim, a pessoa passa a duvidar racionalmente e deixa de crer.

          Jesus não usou argumentos racionais ou elevados para contrapor Jesus, Ele apenas citou: “as Escrituras Sagradas afirmam” (Mt 4.4,7,10).

          Todavia, mesmo diante das afirmações das Escrituras Sagradas, há o advogado do diabo, que implanta uma dúvida por um argumento que leva a simples fé em uma grande dúvida.

          A única arma para resistir o diabo que também a usa, é a Palavra. O apóstolo Paulo escreveu que a Palavra de Deus é a espada do Espírito (Ef 6.17). O salmista elencou que a Palavra de Deus é lâmpada para nossos pés (Sl 119.105). O apostolo Paulo enfatizou que a Palavra é de Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver (2Tm 3.16).

          Por isso, o livro mais atacado do mundo é a Bíblia. E os ataques diabólicos são por frases simples:

          - seu pastor nunca te contou isso;

          - a Bíblia foi escrita por homens, não por Deus;

          - o cânone bíblico foi decidido por votação e conveniência política;

          - a Bíblia é cópia de cópia de tradução;

          - há coisas que é dito nos apócrifos que não dizem na Bíblia;

          - Se a Bíblia é perfeita, por que existem quatro versões diferentes da ressurreição?

          - a Bíblia contém erros geográficos;

          - o Deus do Antigo Testamento é tirano e genocida;

          - A frase de Carl Sagan: afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias;

          - a Bíblia é apenas uma mitologia entre tantas outras;

          Caríssimos, quando as Escrituras Sagradas deixam de afirmar, o Diabo pode dizer qualquer coisa que é acreditado. E por retirar a autoridade das Escrituras que afirmam, o Diabo está conseguindo levar muitos para longe do Salvador Jesus.

          O Diabo usou a Bíblia e Jesus pela Bíblia apenas afirmou o que elas diziam e assim venceu. A criatura humana tentada pelo diabo prefere dar ouvidos aos seus argumentos do que voltar-se ao simples fato de que as Escrituras Sagradas afirmam.

          Caríssimos, recorde-se que o diabo é covarde, pois, nos ataca quando estamos fracos (fome), cansados e sozinhos.

          Cuidado:

          para não querer ser independente de Deus

          Presunção de fanatismo religioso e soberba espiritual

          Obter prosperidade em detrimento da verdadeira adoração

          Por isso:

          Sempre ouça o que a Palavra tem a dizer

          Saiba que Deus te protege em qualquer circunstância

          Adore somente a Deus

          Não esqueça, a tentação ocorre logo após o Batismo, ou seja, onde Deus diz: “Este é o meu Filho amado”, o Diabo coloca sua dúvida: “Se tu és o Filho de Deus...”.

          Deserto não é sinal de abandono, é campo de treinamento do cristão. A tentação ataca justamente a nossa certeza de que somos filhos de Deus. A Bíblia é um aparelho na academia dos lutadores de Deus.

          Quando o diabo tentou Jesus, não negou a existência de Deus. Ele questionou a relação desse Deus com seu Filho. Isso para imprimir o conceito de que Deus não existe e é uma mentira. O diabo quis que Jesus deixasse de confiar na providência invisível de Deus e apegar-se ao visível e material.

          Assim como não houve Jesus sem cruz, não há cristianismo e cristãos sem cruz. Pare com essa ideia terrível de que ser cristão é apenas obter vitórias e glórias. Recorde que quem ofereceu glórias e prosperidade para ser adorado foi o diabo.

          A única vitória que é concedida ao cristão é a vitória de Cristo sob o tentador na cruz. É a vitória sobre a morte eterna. O cristão luta a partir da vitória, não para alcançar a vitória. E essa vitória nos é dada pela fé e a fé é um presente concedido por Deus pela sua Palavra no batismo e na Pregação. Todavia, isso se resume na simples expressão de que as Escrituras Sagradas afirmam.

          Imagine um imenso e poderoso navio de guerra navegando em uma noite de tempestade. O capitão, orgulhoso da força de seus canhões e do aço de sua estrutura, avista uma luz à distância, diretamente em sua rota.

          Ele ordena ao sinalizador que envie uma mensagem: “Alterem seu curso 10 graus para o sul. Estamos em rota de colisão”.

          A resposta volta rapidamente: “Negativo. Alterem VOCÊS o curso 10 graus para o norte”.

          O capitão, irritado, envia outra mensagem, agora usando sua autoridade: “Eu sou um capitão de 30 anos de serviço. Alterem o curso agora! Nós somos um Encouraçado Real, o maior navio da frota. Se não saírem do caminho, passaremos por cima de vocês!

          A luz responde calmamente: “Nós somos um farol. A escolha é sua”.

          O diabo é assim, ele vem com barulho, ostentação e ameaças. Oferece os reinos do mundo, mostra poder e tenta intimidar os seguidores de Jesus para que mudem o curso e abandonem a vontade de Deus.

          Jesus ainda é o Farol. Jesus não precisou gritar, fazer demonstrações de força ou “bater de frente” com o ego de Satanás. Ele permaneceu imóvel sobre a rocha da Escritura. Por isso, quando Jesus disse “as Escrituras Sagradas afirmam” destacava que “não iria se mover, pois a Palavra de Deus é a verdade fixa”.

          Deus teve um Filho sem pecado, mas nunca teve um filho sem tentação” e para esses filhos que somos nós, quando tentados, a vitória de Jesus é a nossa, permaneça em Cristo. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

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