segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A glória que sustenta a cruz diária!

 Transfiguração do Senhor

15 de fevereiro

Salmo 2.6-12; Êxodo 24.8-18; 2Pedro 1.16-21; Mateus 17.1-9

Texto: Mt 17.1-9

Tema: A glória que sustenta a cruz diária!

 

É realmente necessário recordar a transfiguração de Jesus?

Em algum momento da vida você já esteve numa esquina sem saber qual caminho seguir? Isso é a transfiguração, uma esquina na qual somos orientados por qual caminho seguir.

Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas registram esse episódio para evitar que fábulas fossem inventadas em torno do tema. Anos mais tarde, o apóstolo Pedro escreveu que os apóstolos não inventaram essa história. Eles foram testemunhas oculares (2Pe 1.16-18).

Seis dias depois, Jesus foi para um monte alto, levando consigo somente Pedro e os irmãos Tiago e João” (Mt 17.1).

Seis dias depois! Depois do que? No capítulo 16 Jesus anunciou a revelação da sua glória, seu sofrimento e morte. Esses seis dias serviram como um tempo de reflexão.

          Passado esse período reflexivo, Pedro, Tiago e João foram convidados para subirem o monte com Jesus e os outros nove ficaram no pé do monte. Jesus nunca teve um grupo favorito, na verdade, era preciso de credencial visual específica para o tempo pós crucificação e ressurreição.

          Levando esses três discípulos, Jesus estava observando uma lei bíblica que destaca que “pela boca de duas ou três testemunhas se estabelecerá toda palavra” (Dt 17.6; Mt 18.16).

          Era preciso de um número legalmente suficiente de testemunhas para o que estava prestes a acontecer e para pregarem sobre a glória de Cristo, era preciso ver e não apenas ouvir falar. Era preciso ser uma testemunha ocular (2Pe 1.16-17).

          Pedro, Tiago e João estavam presentes pelo fato de Pedro ser porta-voz e líder de ação. Tiago seria o primeiro a selar seu testemunho com o martírio. João seria o último a morrer, servindo como testemunha de longo prazo da divindade de Jesus Cristo.

          A transfiguração é um evento crucial e num momento específico.

          A transfiguração não é meramente uma questão de espiritualidade, mas responsabilidade. Afinal, revelar a glória divina poderia causar uma confusão mental ou um orgulho espiritual perigoso.

          Uma das testemunhas, Pedro, enfrentou um êxtase egoísta. Por um instante quis transformar um momento de preparação em momento de destino. Pedro desejou pular o sofrimento e estar direto na glória. Pedro revive a tentação de evitar que Jesus fosse até Jerusalém sofrer e padecer pelos pecados, tal como narrado no capítulo 16.

Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar: o seu rosto ficou brilhante como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz” (Mt 17.2).

A aparência de Jesus mudou. A glória não foi refletida nele, assim como aconteceu com Moisés no monte Sinai (Ex 34.33-35). A glória irradiou dentro de Jesus.

          E os três discípulos viram Moisés e Elias conversando com Jesus” (Mt 17.3).

          Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas e Profecias narradas no Antigo Testamento. A Transfiguração, onde a glória de Jesus é vista e com essa glória está conversando com Moisés e Elias enfatiza que Jesus é o cumprimento da Lei e das Profecias.

          Jesus não revelou sai glória para todos, pois, isso alimentaria expectativas meramente políticas e materiais dos judeus.

          Pedro, Tiago e João só compreendem essa visão após a ressurreição. Era necessário compreender o fato para poder testemunhar corretamente.

Então Pedro disse a Jesus: - Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias. Enquanto Pedro estava falando, uma nuvem brilhante os cobriu, e dela veio uma voz, que disse: - Este é o meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que ele diz!” (Mt 17.4-5).

          Pedro cometeu o equívoco da comparação, colocando Jesus, Elias e Moisés no mesmo nível e o próprio Pai o interrompe dizendo: “Este é meu Filho...” (Mt 17.5).

          A interrupção divina e o pavor dos discípulos destacam a pequenez humana diante da voz de Deus e apenas a voz de Jesus é capaz de levantar e permitir que se continue na caminhada, mesmo em meio ao sofrimento e morte.

Os discípulos estavam numa encruzilhada e precisavam saber por onde seguir.

          Seis dias antes (Mt 16.21), Jesus revelou que deveria sofrer e morrer e isso chocou profundamente os discípulos. Por essa razão, era preciso ver a glória para suportar a humilhação da cruz.

          O evento da Transfiguração é a prova de que o sofrimento de Jesus não é uma derrota, mas uma escolha voluntária de alguém que possui toda majestade divina.

          Esses mesmos três discípulos (Pedro, Tiago e João) foram chamados para acompanhar Jesus mais de perto na agonia do jardim do Getsêmani. Como dito anteriormente, Pedro era o porta-voz e líder de ação; Tiago o primeiro a selar seu testemunho com o martírio e João o último a morrer e assim servindo como testemunha de longo prazo da divindade de Jesus Cristo.

          No Messias sofredor, toda a Lei de Moisés e as profecias demonstradas pelo profeta Elias estavam se cumprindo na subida de Jesus para Jerusalém.

          A transfiguração é o ponto de equilíbrio entre o Messias sofredor e o Messias glorioso. Pedro, Tiago e João viram a glória, mas a chave para compreensão estava na ressurreição. A transfiguração mostra quem foi crucificado.

          Pedro ainda estava preso a ideia de que o sofrimento não era necessário. E diante do seu desejo de permanecer ali, na glória, sem sofrimento, a voz do céu enfatizou que a voz de Jesus fosse ouvida.

          A Transfiguração ensina sobre o perigo do entusiasmo carnal diante da glória. A maior expectativa ainda é do Messias da glória sem o Messias da cruz.

          A Transfiguração é um evento similar ao Batismo de Jesus. No Batismo, Jesus foi selado para seu ofício, na Transfiguração, Jesus foi selado para o seu sacrifício.

          A Transfiguração não é um espetáculo, é um real e verdadeiro destaque a autoridade da Palavra de Jesus e de que seja qual for a glória, a mesma só pode ser vista sob as lentes da cruz.

Em pleno século vinte e um precisamos do relato da transfiguração para suportar nossos próprios vales de sofrimento.

A Transfiguração ocorre num momento crítico no ministério de Jesus, todavia, aconteceu pouco antes da última e definitiva subida de Jesus para Jerusalém, onde Ele seria crucificado.

Caríssimo irmão e irmã na fé, também temos momentos no “monte” com Jesus, ou seja, momentos de oração e êxtase, todavia, esses momentos servem para nos fortalecer para a caminhada na “planície”, onde as lutas e as cruzes diárias nos esperam.

          A Transfiguração nos ensina que nos resta apenas a Palavra de Jesus. Nenhuma outra voz e nenhuma outra revelação é maior que a voz do próprio Jesus. Jesus é a Palavra final do Pai. Jesus era tudo o que Moisés e Elias possuíam.

          Quando estavam descendo do monte, ele lhes deu esta ordem: - Não contem para ninguém o que viram até que o Filho do Homem seja ressuscitado” (Mt 17.9).

          A ordem quanto a manter silêncio era pelo fato de Pedro, Tiago e João ainda não compreenderem totalmente como a “glória” e o “sofrimento” coexistiam. Se tivessem pregado a Transfiguração antes da Ressurreição, o público teria buscado um rei político em vez de um Salvador sofredor.

          É de suma importância a pregação sobre a Transfiguração, afinal, quantos hoje buscam a glória, ignorando a cruz. Quantos buscam revelação ignorando a revelação de Moisés e Elias que se cumpriram em Jesus Cristo.

Precisamos do relato da Transfiguração para fixar nosso olhar em Jesus, “E levantando os olhos, não viram a ninguém, senão a Jesus” (Mt 17.8).

          O Jesus que brilhou no monte é o mesmo que foi “desfigurado” na cruz por amor a você. Ele se despiu da sua glória para que nós pudéssemos ser revestidos com essa glória.

 

Edson Ronaldo Tressmann

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seguir esse blog. Com certeza será uma bênção em sua vida.

A glória que sustenta a cruz diária!

  Transfiguração do Senhor 15 de fevereiro Salmo 2.6-12; Êxodo 24.8-18; 2Pedro 1.16-21; Mateus 17.1-9 Texto: Mt 17.1-9 Tema: A glóri...