Transfiguração do Senhor
15
de fevereiro
Salmo
2.6-12; Êxodo 24.8-18; 2Pedro 1.16-21; Mateus 17.1-9
Texto:
Mt
17.1-9
Tema:
A
glória que sustenta a cruz diária!
É realmente necessário recordar a transfiguração de Jesus?
Em algum momento da vida você já esteve numa esquina sem saber qual
caminho seguir? Isso é a transfiguração, uma esquina na
qual somos orientados por qual caminho seguir.
Os
evangelistas Mateus, Marcos e Lucas registram esse episódio para evitar que
fábulas fossem inventadas em torno do tema. Anos mais tarde, o apóstolo Pedro
escreveu que os apóstolos não inventaram essa história. Eles foram testemunhas
oculares (2Pe 1.16-18).
“Seis dias depois, Jesus foi para um monte alto, levando
consigo somente Pedro e os irmãos Tiago e João” (Mt 17.1).
Seis
dias depois! Depois do
que? No capítulo 16 Jesus anunciou a revelação da sua glória, seu
sofrimento e morte. Esses seis dias serviram como um tempo de reflexão.
Passado esse período reflexivo, Pedro,
Tiago e João foram convidados para subirem o monte com Jesus e os outros nove
ficaram no pé do monte. Jesus nunca teve um grupo favorito, na verdade, era
preciso de credencial visual específica para o tempo pós crucificação e
ressurreição.
Levando esses três discípulos, Jesus
estava observando uma lei bíblica que destaca que “pela
boca de duas ou três testemunhas se estabelecerá toda palavra” (Dt
17.6; Mt 18.16).
Era preciso de um número legalmente
suficiente de testemunhas para o que estava prestes a acontecer e para pregarem
sobre a glória de Cristo, era preciso ver e não apenas ouvir falar. Era preciso
ser uma testemunha ocular (2Pe 1.16-17).
Pedro, Tiago e João estavam presentes
pelo fato de Pedro ser porta-voz e líder de ação. Tiago seria o primeiro a
selar seu testemunho com o martírio. João seria o último a morrer, servindo
como testemunha de longo prazo da divindade de Jesus Cristo.
A transfiguração é um evento crucial e
num momento específico.
A transfiguração não é meramente uma
questão de espiritualidade, mas responsabilidade. Afinal, revelar a glória
divina poderia causar uma confusão mental ou um orgulho espiritual perigoso.
Uma das testemunhas, Pedro, enfrentou um
êxtase egoísta. Por um instante quis transformar um momento de preparação em
momento de destino. Pedro desejou pular o sofrimento e estar direto na glória.
Pedro revive a tentação de evitar que Jesus fosse até Jerusalém sofrer e
padecer pelos pecados, tal como narrado no capítulo 16.
“Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar: o seu rosto
ficou brilhante como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz”
(Mt 17.2).
A
aparência de Jesus mudou. A glória não foi refletida nele, assim como aconteceu
com Moisés no monte Sinai (Ex 34.33-35). A glória irradiou dentro de Jesus.
“E os
três discípulos viram Moisés e Elias conversando com Jesus” (Mt
17.3).
Moisés e Elias representam a Lei e os
Profetas e Profecias narradas no Antigo Testamento. A Transfiguração, onde a
glória de Jesus é vista e com essa glória está conversando com Moisés e Elias
enfatiza que Jesus é o cumprimento da Lei e das Profecias.
Jesus não revelou sai glória para
todos, pois, isso alimentaria expectativas meramente políticas e materiais dos
judeus.
Pedro, Tiago e João só compreendem
essa visão após a ressurreição. Era necessário compreender o fato para poder
testemunhar corretamente.
“Então Pedro disse a Jesus: - Como é bom estarmos aqui,
Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o
senhor, outra para Moisés e outra para Elias. Enquanto Pedro estava falando,
uma nuvem brilhante os cobriu, e dela veio uma voz, que disse: - Este é o meu
Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que ele diz!” (Mt
17.4-5).
Pedro cometeu o equívoco da
comparação, colocando Jesus, Elias e Moisés no mesmo nível e o próprio Pai o
interrompe dizendo: “Este é meu Filho...”
(Mt 17.5).
A interrupção divina e o pavor dos
discípulos destacam a pequenez humana diante da voz de Deus e apenas a voz de
Jesus é capaz de levantar e permitir que se continue na caminhada, mesmo em
meio ao sofrimento e morte.
Os
discípulos estavam numa encruzilhada e precisavam saber por onde seguir.
Seis
dias antes (Mt 16.21), Jesus revelou que deveria sofrer e morrer
e isso chocou profundamente os discípulos. Por essa razão, era preciso ver a glória
para suportar a humilhação da cruz.
O evento da Transfiguração é a prova de
que o sofrimento de Jesus não é uma derrota, mas uma escolha voluntária de
alguém que possui toda majestade divina.
Esses mesmos três discípulos (Pedro,
Tiago e João) foram chamados para acompanhar Jesus mais de perto na agonia do
jardim do Getsêmani. Como dito anteriormente, Pedro era o porta-voz e líder de
ação; Tiago o primeiro a selar seu testemunho com o martírio e João o último a
morrer e assim servindo como testemunha de longo prazo da divindade de Jesus
Cristo.
No Messias sofredor, toda a Lei de
Moisés e as profecias demonstradas pelo profeta Elias estavam se cumprindo na
subida de Jesus para Jerusalém.
A transfiguração é o ponto de equilíbrio
entre o Messias sofredor e o Messias glorioso. Pedro, Tiago e João viram a
glória, mas a chave para compreensão estava na ressurreição. A transfiguração
mostra quem foi crucificado.
Pedro ainda estava preso a ideia de
que o sofrimento não era necessário. E diante do seu desejo de permanecer ali,
na glória, sem sofrimento, a voz do céu enfatizou que a voz de Jesus fosse
ouvida.
A Transfiguração ensina sobre o perigo
do entusiasmo carnal diante da glória. A maior expectativa ainda é do Messias da
glória sem o Messias da cruz.
A Transfiguração é um evento similar ao Batismo de Jesus.
No Batismo, Jesus foi selado para seu ofício, na Transfiguração, Jesus foi
selado para o seu sacrifício.
A Transfiguração não é um espetáculo, é
um real e verdadeiro destaque a autoridade da Palavra de Jesus e de que seja
qual for a glória, a mesma só pode ser vista sob as lentes da cruz.
Em
pleno século vinte e um precisamos do relato da transfiguração para suportar nossos próprios
vales de sofrimento.
A
Transfiguração ocorre num momento crítico no ministério de Jesus, todavia, aconteceu
pouco antes da última e definitiva subida de Jesus para Jerusalém, onde Ele
seria crucificado.
Caríssimo
irmão e irmã na fé, também temos momentos no “monte”
com Jesus, ou seja, momentos de oração e êxtase, todavia, esses momentos servem
para nos fortalecer para a caminhada na “planície”,
onde as lutas e as cruzes diárias nos esperam.
A Transfiguração nos ensina que nos resta
apenas a Palavra de Jesus. Nenhuma outra voz e nenhuma outra revelação é maior
que a voz do próprio Jesus. Jesus
é a Palavra final do Pai. Jesus era tudo o que Moisés e Elias possuíam.
“Quando
estavam descendo do monte, ele lhes deu esta ordem: - Não contem para ninguém o
que viram até que o Filho do Homem seja ressuscitado” (Mt 17.9).
A ordem quanto a manter silêncio era
pelo fato de Pedro, Tiago e João ainda não compreenderem totalmente como a “glória” e o “sofrimento”
coexistiam. Se tivessem pregado a Transfiguração antes da Ressurreição, o
público teria buscado um rei político em vez de um Salvador sofredor.
É de suma importância a pregação sobre
a Transfiguração, afinal, quantos hoje buscam a glória, ignorando a cruz. Quantos
buscam revelação ignorando a revelação de Moisés e Elias que se cumpriram em Jesus
Cristo.
Precisamos
do relato da Transfiguração para fixar nosso olhar em Jesus, “E levantando os olhos, não viram a ninguém, senão a Jesus”
(Mt 17.8).
O Jesus que brilhou no monte é o mesmo
que foi “desfigurado” na cruz por
amor a você. Ele se despiu da sua glória para que nós pudéssemos ser revestidos
com essa glória.
Edson
Ronaldo Tressmann
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