28/02/16
3º Domingo na Quaresma
Sl
85; Ez 33.7-20; 1Co 10.1-13; Lc 13.1-9
Tema:
Somos fortes para resistir à tentação?
Ano
passado (2015) num sermão intitulado equilíbrio
– essa é a postura de uma vida cristã (1Co 8.1-13), lembro- me que fiz
algumas questões: carnaval – posso ou não posso participar? Também
questionei sobre: O que comer? O que beber? Conforme o texto
previsto para 2016, (1Co 10) é possível continuar abordando essas questões.
Um princípio bíblico com o qual fico extasiado é o conceito de que a
Bíblia interpreta a si mesma. Há muitos que ridicularizam esse
princípio.
A
julgar pelo texto bíblico em questão (1Co 10.1-13) vemos uma belíssima
interpretação das passagens do Antigo Testamento (Ex 13; 14; 17; Nm 11; 14; 16;
17; 21; 25;).
O
apóstolo Paulo entende que as experiências vividas pelo povo de Israel servem
de exemplo, de advertência às gerações futuras, inclusive aos coríntios.
Completo enfatizando que as mesmas servem para os cristãos em pleno século XXI.
O
apóstolo Paulo lembra que “todos” estiveram sob a nuvem (Ex 13.21); “todos” atravessaram
o mar (Ex 14.21), “todos” comeram o maná (Ex 16.4,14-18), “todos”
beberam da mesma rocha (Ex 17.6).
Todos
estiveram na mesma situação. Deus assistiu a todos da mesma maneira. Na verdade,
“todos”
estamos sob a mesma situação (Rm 3.23).
O
texto do apóstolo Paulo aos Coríntios mostra que não se pode tentar achar uma
correspondência simbólica para todos os eventos bíblicos do antigo testamento.
O que o apóstolo Paulo quer mostrar é que a história, os fatos reais que o povo
de Deus viveu serve de advertência à comunidade cristã dos dias atuais.
Quando
se interpreta as páginas das Escrituras Sagradas, muitos detalhes precisam ser
analisados. No entanto, um detalhe não pode passar despercebido. Detalhe esse
caracterizado como chave hermenêutica, com o nome de tipologia. Com isso, se diz que eventos e
personagens do antigo testamento prefiguraram ou anteciparam acontecimentos que
iriam suceder no novo testamento.
Assim,
ao analisar o texto de 1Co 10.1-13
facilmente conclui-se que a expressão “todos nós” refere-se ao fato de que “ainda hoje”
passamos pelas mesmas tentações que o povo de Deus enfrentou na sua caminhada
pelo deserto.
Devido
a sujeição às tentações, o apóstolo Paulo usa o imperativo “não” nos vv. 6-10. Ele escreve: não cobicemos as
coisas más (.v.6); não sejamos
idólatras (v. 7); não pratiquemos a
imoralidade (v.8); não coloquemos o
Senhor a prova (v.9); não murmuremos
(v.10).
Todas
essas tentações estiveram presentes na vida do povo de Deus. Em muitas vezes,
caíram na tentação e praticaram muitas dessas coisas (vv.8-10). Ao contrário
desse povo, foi “Jesus
que pode ajudar os que são tentados, pois ele mesmo foi tentado e sofreu”
(Hb 2.18), “...mas
não pecou...” (Hb 4.15).
Nas
tentações, nas provações e no sofrimento ninguém permanecerá em pé por si mesmo.
Por isso, Paulo usa o exemplo dos cristãos que caminharam no deserto rumo a
terra prometida. É preciso que cada qual saiba e confie que assim como Deus esteve
presente no caminhar pelo deserto, tanto pela nuvem, quanto pela rocha, Ele, em
seu amor e misericórdia continua presente em nossas vidas durante a nossa
caminhada.
Somos fortes o suficiente
para resistir à tentação? Eu não sou viciado, posso deixar de fumar, beber quando
eu quiser. Será?
A
verdade é que somos fracos. Muitos daqueles que estiveram sob a nuvem, passaram
pelo mar, e que haviam sido batizados, caíram em tentação e não viveram de
acordo com a vontade de Deus. Não representaram quem eram e a quem pertenciam
na nova terra.
O
apóstolo Paulo destacou que que todos caminharam sob a nuvem, passaram pelo mar
e foram batizados, e assim, todos estavam sob a graça de Deus, mas, apesar disso
não chegaram todos ao alvo. Mesmo sob a graça de Deus, “Deus não ficou contente com a maioria
deles...” (1Co 10.5). Porque? Caíram na tentação de confiar em si
mesmos.
Mesmo
que o cristão viva sob a graça de Deus, o mesmo continua sendo livre e responsável
pelos seus atos. Por isso, cuidado, afinal, nossa liberdade e nossas decisões
podem nos levar a perdição. Por isso, o apóstolo Paulo usa o imperativo “não” nos vv. 6-10: não cobicemos as
coisas más (.v.6); não sejamos
idólatras (v. 7); não pratiquemos a
imoralidade (v.8); não coloquemos o
Senhor a prova (v.9); não murmuremos
(v.10).

O
objetivo do diabo é destruir os filhos de Deus, principalmente a relação entre
os filhos e seu Pai. Deus, ao contrário, nos quer perto e junto dEle. Todos nós
necessitamos da condução de Deus pela sua Palavra. Precisamos da condução de
Jesus, precisamos do alimento da água viva que é Cristo, dado pelo Batismo,
Santa Ceia e Pregação da Palavra. Amém!
Pr.
Edson Ronaldo Tressmann