24/11/13 – Ultimo Domingo do Ano da Igreja
Sl 46; Ml 3. 13 - 18; Cl 1. 13 - 20; Lc 23. 27 - 43
Meios
de transporte estão cada vez mais eficientes e velozes. Por esses meios somos transportados
de um lugar para outro com facilidade, agilidade e eficiência. Pelos meios de
transporte podemos conhecer o mundo. É maravilhoso poder viajar pelos lugares e
explorar suas riquezas culturais.
Muitas
pessoas quando realizam uma viagem, voltam vislumbradas com tudo de novo que
observaram. Por algum tempo ficamos só lembrando-se de como era lindo aquele
lugar que visitamos e esquecemos até dos problemas que vivemos, ou até mesmo de
como é o lugar onde moramos.
Diz
Paulo que “nossa pátria está no céu”
(Fp 3. 20). Somos salvos, temos a vida eterna, mas ainda estamos aqui. É como
se estivéssemos numa viagem. Nessa viagem, o encantamento pelas coisas desse
mundo, que conforme Jesus no evangelho da semana passada, serão destruídas, nos
faz esquecer a nossa pátria celestial.
Levando
essa realidade em consideração, estudemos as palavras de Paulo aos Colossenses,
em especial os v. 14.
O
v. 14 anuncia que o “Filho do seu amor”,
ou seja, o “amado” é aquele
no qual cada pecador tem a redenção, a remissão, o perdão dos pecados.
A
palavra redenção é um
termo fundamental na Bíblia. É um termo que compreende toda a história da
salvação, desde a remissão dos pecados até à ressurreição dos mortos.
Vivemos
dias de analfabetismo funcional, onde as pessoas sabem ler, mas não conseguem
fazer a devida interpretação de textos e operações matemáticas simples.
Por
esse fato, é importante e necessário entender o que é redenção.
Redenção – vem do latim “redimere” que é uma tradução do
grego “lutrosis”
ou “apolutrosis”
que significa resgate, libertação através do pagamento de um
resgate, soltura de quem está em escravidão ou prisão por dívida não paga.
O
sentido teológico é bem mais amplo e profundo que o sentido gramatical. No
entanto, mesmo se ficássemos apenas com o conceito gramatical, a palavra em si
traz um enorme significado.
Os filhos da promessa, ou seja, os
descendentes de Abraão, Isaque e Jacó estiveram escravizados no Egito. Quando,
Deus em sua graça e misericórdia quis intervir, libertou o seu povo da escravidão.
Por 40 anos caminharam como povo livre pelo deserto. Mesmo caminhando pelo
deserto sabiam que sua terra era a nova terra, Canaã.
Como
cristãos do século XXI, estamos livres, somos filhos de Deus. Libertados do
poder do diabo e da morte eterna, estamos caminhando pelo deserto. Mas, não
fomos resgatados para viver eternamente nesse deserto onde reinam as lágrimas,
as injustiças, a violência, etc. Fomos resgatados, comprados “com o santo e precioso sangue de Jesus”
para pertencermos a ele e vivermos com ele na nova terra, no novo céu.
Paulo
diz: “Ele nos
libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu
amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1. 13 –
14).
Transportados – de um reino a outro reino. Essa palavra,
ou como diz o termo grego, “transferidos”
resume muitíssimo bem o que é redenção. Fomos
transferidos de um lugar para outro. A transferência foi extraordinária. Saímos
das trevas para a luz, da morte para a vida, da perdição para a salvação.
A
carta aos Colossenses é uma das mais breves do apóstolo Paulo que tem como
diferencial ter sido uma carta a uma igreja que ele não fundou pessoalmente. Colossos
estava distante 160 km de Éfeso, e foi fundado pelo ministério de Epafras no
período em que Paulo esteve em Éfeso por 3 anos.
A
maioria dos cristãos daquele congregação eram ex gentílicos, que foram
perdoados dos seus pecados e “transferidos
para o reino do Filho do seu amor, ...”.
Os
cristãos da cidade de Colossos mesmo tendo sido redimidos, perdoados,
transportados de uma situação para outra, estavam sendo ameaçados pela heresia
colossense. Paulo soube disso quando na prisão recebeu a visita de Epafras
(1.8).
Um
grupo da congregação se desviou do padrão doutrinário cristão. Correntes de
pensamento de fora da igreja estavam sendo bastante atrativas para muitos
cristãos de Colosso. Essa corrente de fora estava estragando a doutrina cristã
com suas seguintes atrações: 1) –
cerimonialismo (2.16 – 17; 2.11; 3.11); 2) –
Ascetismo (2.21; 2.23); 3) –
Culto a anjos (2.18); 4) – diminuição
na importância e do papel de Jesus Cristo (1. 15 – 20, nosso texto em questão;
2.2 – 3.9); 5) – conhecimento secreto (2.18 e 2.2 – 3); 6) – apelo a sabedoria e tradições humanas (2.4,8).
Todas
essas questões estavam sendo misturadas e buscavam complementar o evangelho. Em
Cl 1. 15 – 20,
o apóstolo Paulo prepara o terreno para tratar dessas questões. Nesses
versículos exalta a superioridade de Jesus Cristo. Ele é Senhor da criação e da
reconciliação. É o mediador entre Deus e os homens.
Somos
redimidos. Somos os transferidos. Mas, ainda estamos em mudança, ou melhor,
viagem. Vamos curtir essa viagem. Mas, precisamos ter cuidado para não esquecer
o check- in, pois sem o mesmo não há embarque.
Como
filhos redimidos, muitos são os que estão vivendo suas vidas simplesmente
aproveitando-se na viagem. Não que isso seja ruim, mas o perigo é esquecer-se
daquele que nos transportou da morte para a vida, das trevas para a luz. Amém!
Edson Ronaldo Tressmann
44 – 3462 2796
Bibliografia:
FAVRE, Philippe.
Epístola aos Colossesnses. Ed. Bom Pastor, São Paulo. 1996. pp. 18 – 32.
História e Literatura
do Novo Testamento. Clóvis Jair
Prunzel; Gerson Luis Linden; Vilson Scholz. Ed. ULBRA, Canoas, 2011. pp. 101 -
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